Dear Sophia
10 IX
Notas iniciais
Bom... Ele tá escrevendo até agora XD
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Bom, aproveitem o encontro da Delilah com o cachorro do Brendon :3
Beijos!
– Seeeell the kiiiids for fooooood! Hasjduaasd ajsidoajdoas moooods! Spriiiing is heeeeeeeere agaaaaaain! Sjdioahdoa nhjasdaaaaands! – Pode falar, meu inglês é perfeito! Sei cantar In Bloom certinho. Coitado, o Kurt Cobain deve estar se remexendo no túmulo, nesse exato momento... Se bem que ele foi cremado... Bom, enfim...
– Dá pra calar a boca? – Ouvi a voz da Mirella, seguido de batidas na porta do banheiro. – E vai logo aí! Não é a única na casa que usa esse banheiro!
Revirei os olhos.
Parecia que todo meu nervosismo havia desaparecido no banho. A água quente foi revigorante. Era o que eu precisava...
Hoje é meu primeiro dia de aula, depois de tanto tempo fora da escola. Fico feliz por isso?
Saí do Box e me enrolei na toalha. Sentia que se não saísse logo de lá, presenciaria a crueldade da dona Mirella.
– Até que enfim. – Ela reclamou, entrando no banheiro.
Sorri.
Sim, ela era irritante, mandona, metida, irritante, chata, grossa, irritante, arrogante, rabugenta, irritante, esnobe, nariz empinado... E já falei que ela é irritante? Pois é.
Mas aquele apartamento não seria o mesmo sem ela.
Botei o uniforme da escola rapidamente e fui escovar minha cabeleira dourada.
– Vai comer alguma coisa, Delai? – Ouvi a voz da July, na cozinha.
As irmãs ruivas haviam inventado outro apelido para mim; Delai. Sou maleável, não? Dee, Lilah, Delai... Logo, logo será “mamãe”.
– Não! – Respondi, correndo até o espelho do quarto delas e me arrumando o mais rápido que podia.
Meus olhos miraram toda extensão do meu corpo, se retendo um instante na barriga.
Parecia normal.
Quando será que os sintomas da gravidez apareceriam?
– Anda! Vamos! O ônibus vai sair daqui a pouco! – Ouvi Alicia chamar, enquanto acabava de colocar o tênis.
– Sabe... – Disse, chegando na sala. – Eu podia falar pro meu irmão nos buscar...
– E chegar ainda mais atrasada? Muito obrigada, princesa, prefiro ir de ônibus. Pelo menos vejo a Tracy. – Mirella retrucou, já abrindo a porta.
– Tracy? – Perguntei, indo atrás dela e deixando Alicia fechar a porta.
– Minha namorada. – Ela respondeu, correndo pelas escadas. – Por quê? Vai falar como a sua criação foi diferente, e como nunca aceitaram que duas garotas fossem apaixonadas na sua sociedade?
– É... Não. – Murmurei, tentando acompanhá-la. – Então... Vou conhecer a única pessoa no mundo que fez seu coração amolecer? – Sorri. Sabe o que era melhor em morar naquele apartamento? Poder irritar Mirella.
– Ela não é a única pessoa. – Ela retrucou, abrindo a porta do prédio.
– Não sabia que sua gata valia como ser humano. – Retruquei, observando como suas orelhas haviam ficado vermelhas.
– Pois não vale. – Ela rebateu, sentando no ponto de ônibus. – Quis dizer outra pessoa.
Ia perguntar quem, mas, por algum milagre, o ônibus que parava na porta da escola havia chegado.
Entramos em fila indiana e sentamos nos poucos lugares vagos. Aliás, as três sentaram, enquanto eu me limitei a segurar em um banco.
– Delai, senta. Eu fico em pé, tudo bem. – July disse, levantando do banco. O ônibus estava acelerando novamente.
– Não. – Sorri, me sentindo envergonhada. – Pode ficar. Eu aguento.
– Senta. – Ela insistiu. – Você está em uma situação delicada.
Senti alguns olhares se cravarem em mim.
– Hãn...? – Perguntei, meio boba. Sentia minhas bochechas corarem violentamente. – Pode ficar, não estou em nenhuma situação.
– Não seja boba. – Ela fechou a cara, fazendo-a ficar ainda mais fofa do que já era. – Sente-se, ou eu juro que te infernizo até o bebê nascer.
Esse foi o estopim para que todos ao redor olhassem para minha direção.
Quase falei: “July... Porque não grita para Deus e o mundo que eu estou grávida? Acho que aquele povo ali da esquina ainda não sabe...”
Mas me limitei a sentar e ficar de boca fechada.
Vi Mirella rir na dupla de bancos ao lado e Alicia, do lado dela, morder os lábios.
A viagem foi tensa. A toda hora surpreendia alguém olhando para mim. Parecia que eu era o assunto daquele ônibus, mesmo que ninguém me conhecesse ali.
– Mocinha – Ouvi, antes de descer na porta da escola. Virei e encarei um par de olhos castanhos. – Com quantos meses você já está?
Não respondi. Parecia que aquela senhora tinha bondade, ao perguntar. Não disse nada por não querer ser grossa e acabar com o dia dela.
– DEE! – Ouvi uma voz conhecida, assim que pisei na calçada.
– Oi, maninho. – Cumprimentei, enquanto sentia seus braços me apertarem.
– Isso, esmaga o bebê mesmo... – Outra voz, conhecida também, veio de trás dele, enquanto sentia o chão novamente.
– Oi Sammy. — Sorri, ao ver minha irmã.
– Oi. – Ela respondeu, sem me abraçar.
– To com vírus agora? – Levantei uma sobrancelha.
– Não... – Ela respondeu, enquanto beijava o rosto das ruivas. – Só não quero maltratar meu sobrinho.
– Ahh... Cala a boca. – Franzi o cenho, puxando-a para um abraço.
– Er... Princesa?
– Que é, Mirella? – Perguntei, com o mesmo tom ácido.
– Acho que gostaria de ver aquilo. – Ela sorriu, apontando para a entrada da escola.
As imagens pareciam se suceder em câmera lenta.
Primeiro, a visão de dois garotos. Um com baquetas na mão e o outro com um violão nas costas.
Depois entrou em foco uma figura alta, morena, de óculos escuros e um sorriso torto no rosto.
O sorriso... Pareceu uma eternidade, o tempo que fiquei encarando o sorriso dele. Percebi o quanto era diferente aquele, do sorriso perverso que havia ficado impregnado na minha cabeça desde aquela noite...
Na minha cabeça, parecia que Dailey tinha virado um monstro. Aqueles bem horríveis mesmo, com dois chifres enormes na cabeça, uma longa língua bifurcada e unhas pretas e afiadas.
Mas toda essa imaginação pareceu se dispersar no momento que vi o quanto Brendon era bonito.
Pena que uma parte do meu cérebro ainda se lembrava do quanto ele era um idiota.
Sem perceber, dei alguns passos até a escadaria e parei na sua frente. Felizmente, ele estava de lado, conversando com uma garota negra realmente bonita. O mais feliz nisso tudo, foi o fato de que ele não soube, por um momento, o que acertou seu lindo rostinho.
– Mas... O que? – Ele disse, pondo as mãos na bochecha vermelha e olhando para a direção que veio o soco. – D-Delilah?
Não respondi.
Queria dizer tanta coisa.
Eu era capaz, naquele momento, de fazer milhões de coisa. Esganá-lo até a morte, bater nele, socá-lo, xingá-lo... Fazer aquele idiota sentir tudo o que eu senti.
Mas em vez disso, a única coisa que consegui fazer, foi ficar encarando-o.
– Vejo que continua linda. – Ele sorriu, como se nada tivesse acontecido.
– Não graças à você. – Retruquei. Virei para a garota e levantei uma sobrancelha. – Pode nos dar licença, fazendo favor?
Ela cruzou os braços, mas saiu, assim que viu os olhos faiscantes do vocalista.
– Pensei que nunca mais iria te ver. – Ele disse, como se não houvesse mais de cem pessoas olhando para nossa direção.
– Como eu queria que fosse verdade...
– Você está muito bem.
– Se Nathaniel não tivesse me encontrado naquele beco sujo que você me jogou, eu estaria bem melhor! – Gritei. A raiva tomava conta de mim. Como ele podia ser tão cínico??
– Nathaniel? – Ele disse, juntando as sobrancelhas. Seu tom de voz era parecido com o tipo que as pessoas usam quando falam com gente mentalmente doente. – Beco sujo? Meu amor, você está se sentindo bem?
– NÃO! – Gritei mais ainda, sentindo vontade de dar outro soco na cara daquele infeliz. – NÃO ESTOU ME SENTINDO BEM! E NÃO ME CHAME DE “MEU AMOR”! EU ESTOU GRÁVIDA AGORA, BRENDON! E VOCÊ É O PAI!
O sinal bateu, anunciando o começo das aulas.
O show acabou. Pensei. Ou será que está só começando?
Notas finais
Inté quarta! õ/
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