Notas iniciais
Hello my peoples!
Como vão?
Esse capítulo desencadeia os problemas da Delilah. Espero que gostem.
Beijos!

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Bip.

Que dor...

Bip.

Parecia até que minha cabeça tinha ido parar em um triturador.

Bip.

- Mas ela está bem, não está? – Ouvi uma voz masculina desconhecida a poucos metros de mim.

Bip.

— Vai ficar, embora ainda não saibamos a gravidade dos acontecimentos. – Outra voz, também masculina, respondeu.

Bip.

Que barulho chato!

Bip.

— Quanto tempo até ela acordar? – Uma voz feminina se fez ouvir.

Bip.

— Varia muito. – A segunda voz falou. – Bom... Vou deixá-lo sozinhos com ela. Se a senhorita acordar, me procurem e venho imediatamente.

Bip.

Barulhinho começando a irritar...

Bip. Bip. Bip.

Abri os olhos lentamente. A luz parecia forte demais e cada som, inclusive esse “Bip” irritante, parecia mais um show de rock na minha cabeça.

— Ela vai ficar bem. – A voz masculina disse calmamente, enquanto meus olhos se acostumavam à claridade.

— Eu vou... Esganar aquele maldito idiota! Como ele pôde fazer isso com ela? Pobre Lilah... Vou afogar aquele miserável lazarento no ácido, arrancar-lhe as unhas com um alicate, pregar ele na parede e tentar furar seus olhos com dardos... Não! Melhor! Eu...

— Hey, ela acordou. – A outra voz a cortou.

— Lilah... – Vi, meio embaçado, minha irmã Samantha se sentar ao meu lado. – Como está?

— Tonta. – Tentei sorrir, mas só consegui fazer uma careta de dor.

— Aquele desgraçado... – Ela murmurou, enquanto tirava uma mecha de cabelo do meu rosto. – Juro que ele nunca mais vai fazer sexo novamente. Faço questão de tirar o membro dele com uma tesura cega. Idiota... Vou triturá-lo com o moedor de carne lá da nossa cozinha.

Na verdade, não fazia ideia do que ela estava falando. Mas era realmente engraçado vê-la assim.

Ri de seu comentário. Pelo menos foi essa a intenção, pois comecei a tossir. Levei a mão à boca e percebi que havia um tubo preso nela, com uma agulha enfiada na minha veia.

Só então percebi onde estava.

Era um quarto grande, com uma televisão de frente para a cama onde eu estava e flores na janela.

Do meu lado esquerdo havia uma poltrona vazia. Do outro lado, várias máquinas mostravam a situação dos meus batimentos cardíacos, pulsação e pressão.

Olhei para os olhos castanho-esverdeados de minha irmã e lhe perguntei:

— Porque eu to aqui?

— Não se lembra de nada? – Ela pegou minha mão, com ar de preocupação.

— Bom...

Lampejos inundaram minha mente.

O jantar.

Eu e um garoto no banco... Ele sorria.

Meu braço doendo.

Um lugar escuro.

Eu correndo e sendo seguida.

Meu tornozelo sangrando.

Uma dor insuportável.

E...

— Brendon! – Exclamei. A máquina que apitava agora aumentava o ritmo. – Ele! Eu... Não queria... Ele...

— Shh. – Ela repreendeu. – Está tudo bem agora. Já sabemos o que aconteceu.

— Hãn? – Levantei as sobrancelhas, surpresa. – Como assim? Como sabe?

— Tinha um garoto que estava passando por lá. Ele te viu caída no chão e foi te socorrer. – Ela respondeu. – Trouxe você até aqui e fez o hospital nos ligar.

— E... Cadê nossos pais? – Engoli em seco. Agora era o fim mesmo. Minha mãe não sentiria dó. Não... Muito pelo contrário. Diria “Eu avisei sobre as amizades, não avisei?” e deixaria tudo mil vezes pior.

— Foram dormir. – Ela se manteve séria. – Já são... Umas quatro horas da manhã.

— Há quanto tempo eu fiquei desacordada? – Arregalei os olhos, pensando na pior hipótese.

— Um dia. – Ela deu de ombros. – E isso é bom. Com a batida que você levou na testa, os médicos achavam que você iria ficar mais tempo.

Fiquei em silêncio um momento. Tentando digerir as informações. Foi então que percebi um movimento estranho, logo atrás de Samantha.

— E quem é você? – Perguntei para um garoto loiro que estava sentado em uma poltrona, do lado da porta.

— Então, Lilah... – Samantha pareceu começar a corar. – Lembra que eu te falei sobre aquela pessoa das aulas de violoncelo?

Entendi, então, o que ela estava querendo dizer e sorri fracamente, ignorando a dor na região do meu olho direito.

— Então, você é o Charles? – Perguntei para ele.

— Uhun. – Ele respondeu. – Prazer em conhecer.

— Idem. – Tentei parecer formal, mas a cara de vergonha que a minha irmã fazia era hilária.

— Hey... – Ela disse, virando o rosto para o namorado, evitando meu olhar. – Não é melhor chamar o doutor? Ele falou que se ela acordasse, era bom ele saber.

— Já vou. – Ele levantou e saiu pela porta.

Esperei o som dos passos dele se distanciarem e encontrei o olhar da mais nova. Ela estava extremamente vermelha.

— Nem pense em falar nada. — Ela sorriu, levantando um dedo para mim.

Revirei os olhos e percebi que minha visão estava turva.

— Em que estado o garoto me encontrou? – Perguntei, tentando não pensar no pior.

Ela suspirou e fechou os olhos.

— Caída no chão, com a testa sangrando, o olho direito roxo e inchado, com a roupa toda rasgada, os pulsos marcados e um dos tornozelos banhando sangue.

Fiquei pensando naquilo por um momento.

— Mamãe disse que você vai precisar fazer terapia pelo resto da vida. – Ela sussurrou, parecendo medir as palavras.

— Não é pra tanto. – Dei de ombros, fazendo a tontura voltar. – Foi só o Brendon, não foi?

Ela me olhou com uma sobrancelha erguida.

— Só? Só? Ele te estuprou, Delilah! Te molestou. Tirou sua virgindade e...

— Licença. – A porta se abriu e um homem alto e calvo entrou, com Charles logo atrás.

— Oh... – Samantha murchou instantaneamente. – Pode entrar doutor.

Ela se levantou da cama e o deixou se aproximar.

— Srta. Phelps, sou o doutor Ponzoni. – Ele se apresentou, chegando mais perto com uma prancheta de madeira. – Creio que já te explicaram o motivo de estar aqui.

Concordei com a cabeça e ele continuou:

— Tivemos permissão para realizar exames enquanto a senhorita estava desacordada. – Ele disse, enquanto mirava umas anotações. – Como sua situação é delicada, apenas fizemos os mais básicos. Deixamos a operação para o final.

— Espera um minuto... Operação? – Arregalei os olhos. – Que operação?

— Seu tornozelo. – Ele respondeu, ainda sem me olhar. – Foi distendido um tendão. Aliás, acabei de ver aqui nas anotações da enfermeira que você tem uma notícia intrigante, senhorita Phelps.

— Pior do que ser molestada e, provavelmente, nunca mais andar normalmente? – Ergui uma sobrancelha. – Pode falar.

— Não creio que seja pior. Depende de seu ponto de vista. – Ele disse calmamente. – Acontece que o exame de sangue nos revelou que você está grávida.

— G-grávida? Eu? Não pode ser... – Gaguejei. – Tem alguma coisa errada!

— Não tem nada errado, senhorita. – Ele retrucou, finalmente levantando os olhos escuros para mim. – Temos certeza sobre o resultado.

Paralisei ao ouvir aquelas cinco palavras que mudariam minha vida:

— Você está grávida, senhorita Phelps.

Notas finais
Muito obrigada a todos que estão lendo (:
Fazem minha vida tãão mais feliz, hehe'
Beijos!
♥