Dear Sophia
2 I
Notas iniciais
Vocês são muito importantes para mim. kk'
Beijos
♥
Era extremamente desconfortável andar pelos corredores da escola e sentir olhares seguindo meus passos.
Ok, nossas férias haviam acabado e todos já sabiam que eu e o Brendon, vocalista oficial da banda da escola, tivemos um caso.
E daí?
Sim... Fomos um pouco além de um simples caso, mas ninguém mais sabia disso. Só nós dois. Certo?
– Opa. – Ouvi dizerem, quando trombaram em mim e eu deixei meus livros caírem no chão. – Ah, oi Delilah.
– Oi. – Disse, um tanto seca demais. Estava irritada com o fato de todos estarem olhando na nossa direção.
– Tá tudo bem? – Ele estreitou os olhos castanhos e me encarou fixamente.
– Uhum. – Respondi, abaixando para recolher os livros que haviam caído.
– Não parece. – Ele levantou uma sobrancelha.
– Pois está. – Insisti, ainda abaixada.
Ele não falou nada, apenas me ajudou a pegar o que havia no chão.
– Vai fazer alguma coisa? – Ele sorriu.
– Vou. – Levantei com os cadernos juntos ao peito. – Vou pra aula. – Disse, séria.
– Depois? – Ele me olhou esperançoso. Odeio quando ele faz isso... Pior que aquele gato de botas do Shrek.
– Brendon... – Supliquei.
– Vamos... – Ele segurou meus ombros. – As férias que a gente passou juntos foram ótimas. Porque não posso querer passar mais tempo com você, D.?
Suspirei.
– Tá. – Falei, derrotada, enquanto o garoto sorria de uma orelha à outra.
– Passo na tua casa às seis. – Ele piscou, dando-me um selinho. Quando deu as costas pra ir embora, os alunos, que ficaram observando descaradamente a cena, abriram um pequeno corredor para o vocalista passar.
Continuei meu caminho até a aula de música, tentando ao máximo ignorar os comentários das pessoas quando eu passava. Era algo como “Sério? Brendon e a garota Phelps?”, “Que ele viu nela? Uma garota tão sem graça.”, “Desde quando estão juntos?”... Coisas assim.
A aula era entediante. Extremamente entediante.
Sentada no fundo da sala, observava todos distraidamente. De vez em quando, pegava alguém cochichando e depois olhando para mim.
Isso não ajudou em nada no meu humor.
– Srta. Phelps? – A voz do Sr. Dolohov subiu algumas oitavas e fez todos se calarem, enquanto olhavam para mim.
– Sim? – Respondi, um tanto nervosa.
– Sabe a resposta do que está no quadro? – Ele estreitou os olhos para mim e eu desviei os meus para o quadro negro.
Qual a diferença entre ritmo, música e melodia?
– Er... – Apertei os lábios. – Eu...
– Creio que não sabe a resposta. – Ele supôs (corretamente).
– Não sei, senhor. – Respondi, por fim.
Ele estalou a língua, em sinal de desagrado.
– Sabe, sala, — O Sr. Dolohov começou a falar, sentando em cima da mesa e atraindo a atenção dos alunos. – Eu não sou burro. Sei quando prestam ou não atenção à minha aula. E, com certeza, digo que todos vocês têm um assunto mais importante para comentar do que a matéria; O relacionamento de uma colega da nossa sala – Nesse momento, todos olharam para mim. – com o vocalista da banda oficial do colégio, o Sr. Dailey.
Fechei os olhos e encostei a testa na mesa à minha frente.
Só faltava essa. O professor de música começar a falar abertamente sobre o assunto que, ao que parecia, Londres inteira já sabia.
– Mas, para a infelicidade de muitos, — O homem continuou. – os assuntos pessoais da Srta. Phelps não interessam a mais ninguém...
E, continuando a explicar a diferença entre ritmo, melodia e música, o Sr. Dolohov prosseguiu com sua aula, cessando, para minha felicidade temporária, as conversas paralelas.
Quando as aulas do dia acabaram, fui direto para o armário, sem olhar nem falar com ninguém no caminho.
– Você tá estranha hoje. – Ouvi uma voz familiar, enquanto chegava ao estacionamento. – Pelo menos metade da escola veio me perguntar sobre você.
– Ah é? – Ergui uma sobrancelha, pouco impressionada. – E falaram o que? Aposto que foi sobre o Brendon, hoje deu pra todo mundo querer fofocar sobre minha vida. – Entrei no carro e bati a porta com força.
– Não precisa me atacar. – Ele fechou a cara, entrando no automóvel também. – A Samantha já tá vindo, enquanto isso, vai, Dee... Me conta o que aconteceu pra você ficar revoltada com o planeta inteiro.
– Nada. – Respondi, irritada.
– Ok. – Ele deu de ombros. – Mas você vai se arrepender depois, maninha. Escuta o que eu digo.
Jason (ou JJ, Jason Joey, como todo mundo o conhece) está no último ano do colegial, e prestes a fazer os esperados 18 anos. É, segundo nosso pai, o sucessor da agência de seguros da família. Mas JJ nunca pensou em seguir o rumo dos seguros. Na verdade, meu irmão sonha, secretamente, desde criança, em ser jornalista.
– Cheguei! – A voz da minha irmã mais nova preencheu o silêncio, ao entrar no carro. – Pode ir.
JJ deu partida e rumou para nossa casa.
Olhei no relógio. 17:23. Que ótimo, terei somente meia hora pra me arrumar.
– Lilah. – Samantha chamou.
– Que?
– Verdade o que tão falando lá na escola? – Ela perguntou sorrindo.
– E o que tão falando? – Comecei a me irritar novamente.
– Que o Brendon Dailey tá totalmente apaixonado por ti. – Ela sorriu.
– E você acreditou? – Levantei uma sobrancelha.
– Porque você acha que eu to perguntando, Delilah? – Ela fechou a cara, fazendo JJ rir.
– Fala, Dee. Também quero saber se vou ter um novo cunhado. – Ele disse, sorrindo, enquanto virava na rua da nossa casa.
– Não sei. – Cruzei os braços. – Nós saímos algumas vezes nas férias de verão. Só.
– Então... – A mais nova fez uma cara de falso desinteresse, enquanto evitava meu olhar. – Porque será que ele te convidou pra sair hoje?
Não respondi. Estava mais preocupada em evitar que amassasse minha testa no vidro do carro. JJ havia freado bruscamente.
– Que? – Ele se virou para mim com os olhos arregalados, enquanto eu o olhava do mesmo jeito. – Como assim você vai sair com ele essa noite?
– Eu que pergunto! – Retruquei, indignada. – Quer me matar, é? Pra que frear assim o carro?
– Você sabe a fama que aquele garoto tem, Delilah? – Ele perguntou, ignorando-me.
– Sei! – Respondi, sem sair do tom alto.
– Sabe, JJ... – Samantha se fez ouvir, no banco de trás. – Não sei quanto à fama do Dailey no terceiro ano, mas no primeiro... Digamos que, para as garotas da minha idade, a Lilah é a garota mais sortuda do mundo...
– Não interessa se ele é considerado a oitava maravilha do mundo no seu ano, Sammy. – Ele fechou a cara. – Para mim, sempre vai ser um garoto arrogante e metido a astro do rock. Aliás, papai e mamãe não vão ficar nada satisfeitos quando souberem.
– Eles não vão saber. – Respondi prontamente.
– Certeza? – Ele levantou uma das sobrancelhas escuras.
– Quem vai contar? – Estreitei os olhos.
– Ok. – Ele deu de ombros, acelerando novamente o automóvel. – Faça o que quiser, mas continuo não gostando dele.
Pelo resto do caminho permanecemos em silêncio.
Ao chegar em casa, minha mãe nos recebeu com a polidez habitual.
– Vocês três demoraram. – Ela disse, folheando sua revista sobre decoração de mobília.
– Demos uma parada. – Respondi, olhando feio para meu irmão.
– Por quê? – Ela continuou sem tirar os olhos da revista.
– Problemas com o carro. – Jason respondeu, indiferente.
– Não o bateu novamente, bateu? – Ela levantou os grandes olhos verdes para o primogênito.
– Não, mamãe. – Ele respondeu. – Vou para meu quarto. Dever de casa.
– Desça daqui a pouco, Jason. – Ela disse, enquanto ele subia. – Seu pai volta de viagem hoje. Quer todos reunidos para o jantar.
– Jura? – Samantha sorriu largamente. Como caçula, sempre recebera um pouco mais de carinho do nosso pai. Nunca liguei, pra falar a verdade. – Vou me trocar, comprei um presente pra ele semana passada. Ele vai adorar! – E, correndo, subiu as escadas para o quarto.
– E você, Delilah? – Minha mãe perguntou, voltando os olhos para a revista. – Não vai subir para se trocar?
– Clar... – Mas então me lembrei do motivo de ter me atrasado. – Mãe, eu... Nãovoupoderjantaraqui. – Disse rápido, tentando não encarar os olhos extremamente verdes que ela levantara para mim.
– Que disse? – Ela perguntou.
– Eu... – Estava tentando reunir coragem para falar pausadamente dessa vez, quando a campainha soou. Senti meu sangue gelar nas veias.
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