Dear Carmen

2 Sentença final.


Notas iniciais
demorei um tempo para escrever esse capitulo por culpa n só da criatividade como do sono, então me perdoem se tiver ainda que um erro. E boa leitura :3

- As chuvas de outono fazem com que a pista mais fique mais deslizante. – Comenta o chofer, notando a expressão de meu rosto — Você adorará a primavera aqui em Denver. É agradavelmente quente.

O barulho constante dos limpadores de para brisas me frustrava. A chuva massiva tinha finalmente se cessado, dando lugar a uma fina garoa. Ás estradas que percorríamos eram extremamente sinuosas, além das montanhas íngremes que nos vigiavam.

O silencio sepulcral retornou finalmente. Por estar sendo levado a um conhecido Reformatório na cidade, o chofer poderia ter uma idéia com quem achava que estava lidando. Tudo ali parecia ainda ser um filme para mim. Eu nunca pensei que um dia eu conviveria com mini criminosos. Como minha mãe disse, eu nunca demonstrei sinais de que um dia chegaria a matar alguém. Sempre vivi do meu jeito, vivendo novas experiências, conhecendo pessoas e coisas novas. Pessoas fora de meu circulo de amizades poderiam dizer que eu era realmente uma louca, e que matar alguém não era tão surpreendente vindo de mim. Mas os meus verdadeiros amigos diriam que não. Nunca.

Estava eu ali, parada em frente a um grande portão de ferro, com um cigarro separando meus lábios arroxeados de frio. Ouço o adeus distraído e aliviado do chofer, e logo o barulho de seus pneus cantando no asfalto. Sinto um arrepio escalar minha coluna. Estava sozinha. Em uma linha tênue entre a lucidez e a loucura. Acho que a segunda opção cai-me melhor.

Sinto-me paralisada ao observar a grandeza do castelo em minha frente. Parecia um desses castelos romanos da realeza. O terreno era vasto, e divido em uma vasta floresta. Atravesso cambaleante, sentindo-me inebriada por conseqüência daquela visão.

Percebo que no hall de entrada se encontrava duas robustas mulheres. Uma de cabelos negros e olhos serenos, e a outra parecendo mais velha, com sulcos de expressões da idade abrindo espaço em seu rosto sério.

- Bem vinda ao Reformatório Ullser. Você é a Srta. Heyes, sim? – Simpatizo instantaneamente com a mulher mais nova. – Sou Suzzi, a secretária pessoal do Diretor Vicent. Florence será que não pode colocar essas malas no dormitório 302? Oh, obrigado. – Ela me avalia discretamente com os olhos. Trago a fumaça do cigarro, jogo-o no chão do degrau e o apago pisando encima com a minha sapatilha. – Bom, estamos evoluindo. Venha, irei mostrar-lhe essa imensidão, não tenha medo.

Suzzi mostrou-me ás partes principais do Reformatório. O primeiro andar era onde os professores alojavam-se, já que muitos passavam estadias ali no Reformatório, principalmente em época de nevasca. No segundo andar era a ala hospitalar e psiquiátrica – onde terei que visitar um psiquiátrico todo o dia, depois do termino das aulas. Juntamente com a ala hospitalar, ficava ás salas onde teríamos aulas todo dia, exceto é claro, nos fins de semana.

- Bem, esse andar é o dormitório das garotas. – Diz com a voz alegre. – A Ala leste é das meninas, e a Oeste é a dos meninos, então, por favor, não se confunda propositalmente. – Ela piscou um olho com malicia, e continuamos a andar no corredor amplo dos dormitórios.

A cor vermelha-vinho fez-me ter uma leve tontura, ainda com a ajuda da luz artificial por cima de nós. Senti-me claustrofóbica subitamente. Levo minhas mãos ao pescoço, minha garganta se fecha involuntariamente e meus batimentos cardíacos aumentam. Suzzi para no meio do caminho, falando sozinha. Ela vem turvamente em minha direção, põe ás mãos em meu ombro e me sacode levemente.

- Não! – Grito-lhe, esquivando-me de seu contato. – Por favor, não!

Abraço o meu próprio corpo, sentindo a tontura voltar em toda a sua força. Levo minhas mãos ás têmporas, massageando-as e tentando livrar-me da dor. Suzzi grita qualquer coisa, o que me provoca um acesso de raiva. Dois homens estilo brutamontes vêem para cima de mim, olho-os como se fossem monstros impossíveis de serem derrotados. Vejo que as maiorias das pessoas saíam de seus dormitórios para ver o que acontecia. Encolho-me em um canto, sentindo-me ser engolida por aqueles olhares.

*****

- Uma entrada digna. – A voz pareceu-me distante, como vinda de um sonho. Com os olhos entreabertos, tento captar ás imagens ali em minha frente. Mas tudo que consigo enxergar são borrões de cores misturados. – A bela adormecida está acordando. Vem Ruth, vamos ver se os olhos dela são mesmo verdes.

Pisco diversas vezes, até finalmente expandir meus olhos, tendo como primeira visão um homem e uma mulher em minha frente, olhando desconcertados para mim.

- São cinzas! Eu sabia! – Com o grito do homem, encolho-me instintivamente sobre a maca, ele sorri para mim antes de dizer: — Bem vinda de volta ao mundo.

Não demorou muito para que eles se apresentassem civilizadamente. O homem se chama Jonas, possuí a pele acobreada e olhos castanhos amendoados. Ruth, é uma garota com minha idade, é de estatura baixa, possuí piercings diversos no rosto, além de uma sombra bem carregada nos olhos. Apesar de tudo, ela possui um temperamento até que controlado, e, além disso, é minha nova companheira de quarto. Ao contrário de Jonas, que é tão escandaloso que foi preciso a enfermeira chamar nossa atenção três vezes.

- Acho que já estou bem o bastante para sair daqui. – Digo, erguendo-me da maca. – Vamos, quero conhecer o meu quarto.

E eles me mostraram um novo caminho a ser seguido, sem correr o risco de ser pego por nenhuma coordenadora. Uma escadaria de emergência que fora complementada quando fizeram a reforma no local. Jonas teve que me segurar diversas vezes para não acabar caída no chão por causa das inúmeras tonturas.

- São os remédios. – Murmura Ruth. – Eles nos enchem de calmante, e depois nos colocam encima de uma maca. E deu, você está curada.

Adentramos no dormitório da ala Leste. Por sorte, o nosso dormitório era o cento e cinco, então não precisamos caminhar mais ainda. Ruth bufa, e enfia sua mão no bolso de seu jeans surrado, bate o pé impacientemente contra o carpete, e antes de cerrar o punho contra a porta, ouço um chacoalhar do outro lado, e logo a porta se abre.

- Apareceu a margarida. – Um cara vestindo uma jaqueta de couro fica parado na soleira da porta, barrando o nosso caminho. Ele puxa violentamente a cintura de Ruth e a beija sem se importar com eu e Jonas. – Quem é ela?

Cansada, e com o único interesse de dormir um pouco, empurro o braço do homem que barra a passagem, e adentro no quarto. Ou melhor, um cubículo. Ás paredes era pintado de roxo, e nelas eram colados diversos pôsteres de bandas. Em um lado ficava uma cama totalmente bagunçada com entulhos de roupas, e a do outro lado estava a minha, ainda intocável.

- Quem é você? – Insiste o homem novamente. Ele tinha olhos verdes escuros e uma cabeleira castanha que chegava a roçar em seus ombros.

- Companheira de quarto. – Apesar da resposta seca, dou-lhe um sorriso amplo, e transfiro minha mala ao lado de cômoda. – Carmen.

Ele sorri amarelo:

- Um belo nome. – Ele pega em minha mão, ergue-a e a beija suavemente. – Sou Robert.

- Costuma utilizar esses costumes para que as mulheres se derretam por você?

- Bem, costuma funcionar. – Diz, dando de ombros, ainda com um sorriso nos lábios.

Eu não o conhecia bem, mas tendo a sempre acertar o que ás pessoas são em um jogo de palavras. Nesse caso, não tive um bom pressentimento contra Robert, ele era nem de longe inofensivo. Se fosse assim, não iria soltar gracejos estúpidos em frente de Ruth, que o tinham trocado beijos até minutos atrás. Sinto uma atmosfera perdurar por ali, pairando arisca ao meu redor.

Notas finais
Alguém?