Dear Butler

4 Capítulo IV


Notas iniciais
Olá, leitores que amo ♥ Finalmente o capítulo quatro! MANDANDO UM ALÔ PRA IDIOTA DA TAISSA QUE DIVULGOU A FANFIC. OBRIGADA, SUA VACA. CAPÍTULO PRA VOCÊ. Para alguns que não sabiam da ausência de ontem, fiquei doente novamente, com gripe, crise de sinusite e ouvido tampado :( Por sorte eu já tinha o capítulo aqui, só faltava betar e postar. Obrigada a todos que favoritaram, mais uma vez, mas queria uma recomendação! Não sei se poderei postar um capítulo novo semana que vem, porque minha cabeça anda com um bloqueio TERRÍVEL. Caso eu receba alguma recomendação, postarei de todas as maneiras. :) Nesse capítulo, uma homenagem A COISA LINDA E MARAVILHOSA QUE FOI O MANGÁ DE FT. Finalmente a Levy tomou a iniciativa, porque se fosse pelo Gajeel, esse "beijo" nunca sairia. Como eu disse pra uma amiga: "é óbvio que ela aproveitou pra dar uma chupada na língua dele" KKKKKKKKKKKKKKKKKKK Ai, que arraso. Espero que gostem do capítulo, lembrando-se do mangá. *-* Boa leitura e aproveitem ♥ (tem música no capítulo, então escutem ♥)

“Não existem regras e limites quando se trata de amor.” – Lady Gaga

CAPÍTULO 4

–

– QUE DIABOS é isso? – ele perguntou, colocando a toalha em cima da visão da frente de sua cueca, o que chamou bastante a atenção de Levy.

Sem dúvidas, desde que Gajeel havia se mudado para sua casa, as coisas estavam meio tensas. E o fato de que nunca conseguiriam ser os tão esperados “amigos” que Levy queria, estava se tornando quase verdade. Levaria a visão dele seminu para toda sua vida, provavelmente.

Ela não tinha a mínima ideia do que fazer: fechar a porta e correr, ou ficar ali, esperando ele empurrá-la para fora. Mas a vergonha que estava sentindo era tão forte que ela simplesmente gritou um “sinto muitíssimo” seguido por gaguejos, e bateu a porta com força.

Optou por se distanciar da porta, e até pensou em correr, porém seu pai precisava conversar com ele. O que pôde fazer foi esperar que ele saísse. O constrangimento era enorme, mas não tinha como ir embora.

Do lado de dentro, Gajeel se perguntava se ela o olhava por muito tempo. A imaginação de ter Levy praticamente o secando com o olhar o deixava um pouco excitado, devia admitir. O único jeito de consertar aquilo era falando com ela e se desculpando pelos fones de ouvido. Também queria saber o porquê de ela ter ido até seu quarto. Procurou vestir-se mais rápido, amarrando os cabelos e saindo.

Levy pulou de susto ao vê-lo sair de um jeito meio desesperado. Olhou para o chão, esperando que ele fechasse a porta e falasse algo. Teria que falar de Louis, porém nada saía de sua boca trêmula.

– Algum... problema, Levy? – pigarreou, coçando a cabeça e tentando fingir falhamente.

Suas mãos estavam inquietas. Nunca tinha visto um homem seminu ao vivo e aquilo só piorava a situação. Era tão terrível que ela teve que imaginá-lo completamente nu, culpa de seu cérebro idiota e criativo.

– Eu – gaguejou, tentando não encará-lo diretamente. – O papai... falar... com você.

Burra, praguejou sua mente. Gajeel veria de cara que Levy era uma idiota tímida. Precisava mudar aquilo ou nunca conseguiriam ser amigos de verdade, como antigamente. E com um suspiro alto, ela o encarou.

– Meu pai quer falar com você no escritório do segundo andar, ele acabou de chegar do trabalho e ficará até hoje à noite. – ainda com o rosto corado, ela disse.

Ele pareceu surpreso.

– Só isso? Ele nunca passa muito tempo em casa?

A última coisa que ela queria era comentar sobre a solidão que tinha quando seu pai não estava presente. Alguns até poderiam dizer que Levy era exagerada, reclamando de barriga cheia, porém era difícil aturar uma vida com a negligência dos pais.

Gajeel percebeu sua reação cabisbaixa, querendo apenas sair dali após perguntar algo tão óbvio. Levy voltou a olhar para o chão, entrelaçando as pernas pelo constrangimento e esperando alguma ação.

– Então eu vou falar logo com seu pai, tudo bem? – ele tentou sair pelo seu lado sem se aproximar muito.

Antes que ele dobrasse o corredor, ela virou-se abruptamente.

– Gajeel – imediatamente ela se arrependeu de tê-lo chamado.

Hesitante, ele se virou para encará-la. Os olhos avermelhados que ela se lembrava bem – porém bem mais intensos – fitavam os seus de volta.

– Sim?

– Ah – murmurou. – Apenas... desculpe por entrar no seu quarto daquele jeito. Eu não sabia que estava se trocando.

Ele apenas sorriu, mudando um pouco seu rosto fechado. Levy ficou um pouco mais tranquila com sua reação.

– Foi culpa minha. Eu que tenho que me desculpar por estar com fones de ouvido e não ter trancado a porta. – com uma risadinha, ele saiu apressado.

Levy soltou o ar que prendia há algum tempo e encostou a cabeça na parede do quarto. Queria urgentemente saber a causa de ficar tão exasperada ao falar com Gajeel. Não era de seu feitio ficar sem graça perto de algum rapaz qualquer.

Quando o pensamento que poderia estar gostando dele passou pela sua cabeça, seu rosto entrou em combustão máxima. Aquilo não poderia ser verdade, certo? Era apenas uma criança quando ele se fora – apesar de tê-la deixado bastante triste.

Naquela hora ele já deveria ter chegado até a sala de seu pai. Uma ideia de escutar atrás da porta passou por ela, porém não era muito elegante de se fazer. Pensou um pouco até ter a ideia de andar pelo jardim e esfriar a cabeça.

(...)

O canto dos pássaros entre as plantas e árvores bem cuidadas deixou Levy mais calma. Estava morrendo de curiosidade a respeito da conversa que Gajeel e seu pai estariam tendo naquela sala. Se o assunto fosse ela, aí sim pioraria sua cabeça.

Entre esses pensamentos, lembrou-se da bela visão dele seminu. Queria tentar esquecer, entretanto era bastante complicado deixar de pensar em sua bunda e em como ela ficava bem torneada com a cueca Box.

Não era possível que estivesse se tornando uma pervertida por causa dele. Imaginou que ele também poderia ter se transformado num pervertido, já que fazia tantas besteiras na infância. Porém ficou estranhando sua personalidade tão “tranquila”.

Nunca mais tocara no assunto que disse na piscina, a qual ainda passava na cabeça de Levy várias e várias vezes quando não estava pensando em nada muito interessante: “Não se preocupe, Baixinha, vou fazer você perceber o que sempre sentiu por mim.”.

Era uma droga, deveria admitir. Se estivesse começando a gostar de Gajeel, o que faria? Aquilo não existia, afinal, sua vida não era uma novela ou um romance comum em filmes ou livros. Na infância, nem sequer saber o que era “gostar” ou “se apaixonar”.

Lembrou-se dos tempos em que seus dentes de leite estavam começando a cair, e ela se desesperou, pensando que nunca mais cresceriam e ficaria banguela para sempre. Metalicana explicou-a que era normal, porém Gajeel ria bastante quando eles caíam.

Levy não poderia mentir, mas gostava das brincadeiras dele. Sempre aprontavam com os empregados da casa quando se uniam – e se separavam por algumas horas quando discutiam por assuntos fúteis.

Inerte dentro de sua cabeça, Levy ficou ali, de pé e com os olhos de fechados, desenterrando o passado.

– Relembrando os bons tempos? – a voz grossa e masculina de um ser conhecido atrás dela a assustou.

– Ah! – dando um soco em seu braço por reflexo, ela gritou. – Idiota, já é a segunda vez que me assusta.

Ele riu, do mesmo jeito quando era criança, havia apenas aumentando – e como – de tamanho. Levy deu um sorriso automático vendo que ele aparentava bem feliz. Mas ao lembrar-se do que havia acontecido há pouco tempo, fechou o rosto.

– Desculpe, mas sabe que sempre gostei de te assustar.

Pelo que ela via, ele estava tentando não pensar no pequeno incidente. Precisavam parar com as indiferenças.

– Nunca gostei de levar sustos, e você sabe – ela fez um biquinho, tentando não deixar transparecer que queria saber do que tinha acontecido. – Então...

– Então, o quê? – sorriu divertido.

– Como foi a conversa? Gostou de ter visto meu pai depois te tantos anos?

Sua feição não mudou ao perguntar, sinal verde.

– Foi boa – ele andou um pouco, sendo seguido por Levy até as outras extremidades do jardim verde e florido. – Fico feliz em saber que ele me deu essa oportunidade. A mim e a minha mãe.

Levy mordeu os lábios, pensando em sua mãe e em como queria vê-la.

– Quando vai visitá-la de novo?

– Daqui alguns dias, talvez segunda – sorriu. – Você vai até lá comigo?

Ela sorriu: – Com toda a certeza! Estou ansiosa para conversar com ela de novo.

Ambos continuaram andando um pouco, até o silêncio constrangê-la um pouco. Gajeel e seu corpo eram muito deslumbrantes, muito mesmo. Não conseguia andar ao seu lado sem imaginar como seria a textura de seus lábios.

– O papai disse algo pra você? – com as mãos atrás do corpo, ela perguntou timidamente.

– Na verdade, não muita coisa. Mas ele disse que confia em mim. – ele pigarreou.

Franzindo o cenho, ela parou.

– Confia? Pra quê?

Ele demorou um pouco para responder, olhando para frente e voltando a andar.

– Bem, ele disse que você pode confiar em mim e... – ele gaguejou, desistindo. – Eu posso cuidar de você enquanto ele estiver longe, entende?

Levy sentiu seu coração bater mais forte, tentando não corar em seguida. O que aquilo significava? Nunca precisou que ninguém cuidasse dela desde que deixou de ser uma criança medrosa, porém lembrava-se dos tempos em que Gajeel a ajudava quando se machucava ou quando estava triste.

Não sabendo mais o que dizer, ela apenas continuou calada.

– Hoje à noite vamos sair – ele voltou a sorrir, como se não houvesse dito nada. – Escolha uma roupa bem bonita.

Mais uma vez, Levy arregalou os olhos e virou-se para encará-lo. Ele não parecia preocupado, mas sim, calmo até demais.

– Como?

– Às 21h esteja na porta da casa.

Irritada, ela segurou seu braço, sentindo a rigidez sensual de seus músculos.

– Quem disse que eu vou sair?

– Não precisa ir até o seu pai, ele me deu total aprovação – sorriu. – Você vai gostar. Não quero que fique enfurnada dentro de casa.

Balançando a cabeça com veemência, ela continuou segurando-o.

– E eu? Não gosto de sair, e você deveria saber... – virando o rosto, ela disse.

Com uma risadinha simpática, ele segurou delicadamente seu braço, virando-se para ela. Levy corou, sentindo sua mão quente em torno dela.

– Não gosta de sair, ou não gostaria de sair comigo? – ele tirou o sorriso sacana de seu rosto quando olhou para seu braço, soltando-o em seguida. – Por favor, não vai se arrepender.

Ela suspirou, com medo do que ele estaria aprontando.

– Vamos com o motorista. – respondeu com a voz baixa.

– Pode não se preocupar com isso? Já planejei tudo – sorriu, afastando-se um pouco. – Agora tenho que trabalhar, nos vemos mais tarde. – e saiu rapidamente.

Estática no mesmo lugar, Levy ainda conseguia sentir os dedos mágicos de Gajeel em seu braço, enquanto ele, entrando na casa, pensava consigo mesmo:

Eu não devia estar fazendo isso...

(...)

O resto da tarde fora boa para Levy. Seu pai pôde parar de trabalhar e ficar um pouco com ela, assistindo televisão, conversando sobre as novidades, ou simplesmente calados, aproveitando a companhia do outro.

Ele iria embora às 20h, uma hora antes que sairia com Gajeel – o que a estava deixando nervosa. Tinha ido imediatamente escolher uma roupa depois daquela conversa, mesmo não tendo nenhuma ideia de como seria esse “lugar” que ele sugerira. Gajeel não gostava de luxo, porém pediu a ela uma roupa bonita.

Optou por um vestido da cor preta, que deixava bem em evidência as pernas bem tornadas que tinha. O salto também era preto, porém não tão alto, pois tinha um medo enorme de cair – ainda mais na presença dele.

Perguntou-se com que roupa ele iria. Sabia que ficaria bem em qualquer uma, talvez até rasgada. Queria deixá-lo boquiaberto, ainda mais depois que demonstrou que era uma pessoa que não sabia nem sequer sair para algum lugar mais badalado.

Gostou bastante do tempo que passou com Louis, dando até para acender uma chama de pai-filha que não tinham há tempos. Então quando a noite chegou, ambos jantaram normalmente.

Despediu-se dele no horário combinado, acenando enquanto ele ia com o motorista até o aeroporto. Gajeel estava ao seu lado, vendo tudo. Louis voltaria para casa depois de duas semanas, apenas.

Após a despedida, Levy pediu licença e correu para o quarto, com o intuito de se arrumar. Tomou um longo banho antes, repleto de espuma. Uma festa, jantar, ou seja lá o que fosse, era à noite, enquanto deveria estar bastante cheirosa.

Depois do banho, escovou os cabelos, deixando-os sem as ondas. Prendeu apenas a metade, achando que um coque ficaria elegante até demais. Rapidamente vestiu sua roupa e passou uma maquiagem esfumada, a qual tanto amava.

Pensou se Gajeel já teria se arrumado. Iriam se encontrar na porta de sua casa, e aquilo a deixava nervosa. Nem sequer sabia como iriam, porém o motorista seria uma boa ideia. Táxi seria uma boa, também, mas pagaria sua parte caso fosse o escolhido.

Às 20h30, ela já estava mais do que pronta. Era fato que tinha começado a se arrumar cedo demais, visto que estava ansiosa para sair com Gajeel, talvez assim conseguisse ficar mais íntima dele e saber mais um pouco de sua vida pessoal.

Quando faltavam apenas cinco minutos, ela desceu as escadas apressadamente até ver Poluchka tirando seu avental. Seu sorriso no rosto deu a entendeu que já sabia bem para onde Levy iria àquele horário, e era bem constrangedor.

– Não precisa me perguntar nada, eu já sei para onde vai. – sorriu, piscando um olho.

– Ah, então pode me dizer, que tal? – andando até ela, Levy perguntou. – Gajeel não quer me dizer.

Poluchka não respondeu, apenas olhou para seu vestido e os saltos altos com uma risadinha.

– Assim você vai deixá-lo babando, Levy. – brincou.

Corando, ela apenas balançou a cabeça com rapidez, ficando até meio tonta.

– Eu preciso ir. Ele já deve estar me esperando! – e com movimentos razoáveis, ela abriu a enorme porta e saiu.

Gajeel já estava esperando há alguns minutos, perguntando-se se Levy não era pontual com os compromissos. Ficaria muito desapontado se ela não fosse até lá, deixando-o plantado na porta de saída. Porém seria bem fácil ir até seu quarto e arrastá-la nem que fosse pelos pés.

Olhou seu relógio de pulso, vendo que já eram quase 21h. Ele esfregou o rosto com as mãos, preocupado com a escolha de Levy. Teria certeza que ela iria se divertir bastante naquela noite.

Quando ele pensou em ir até ela, ouviu uma voz atrás dele.

– Atrasada? – o tom irônico de sua voz o deixou mais tranquilo.

Por algum motivo, ele estava muito nervoso. Talvez sair com uma “amiga de infância”, fosse assim? Era complicado explicar a sensação. Ao perceber suas roupas, ele travou.

– Ah... – gaguejou, tossindo com drama. – Levy, você...

– Algo errado, Sr. RedFox? – sorriu, tentando não olhar muito seu corpo bem definido.

Ele usava calças jeans novas, porém estilosa. Sua blusa estava acompanhada com um blazer preto muito bonito. Realmente, ele se vestia muito bem, e provavelmente sua roupa combinasse com a dele, como um casal.

Gajeel estava um tanto hipnotizado pelo corpo de Levy. Não imaginou que ela ficaria tão linda com um vestido de festa. Aqueles saltos altos a deixaram ainda melhor e com as pernas mais longas, dando-lhe um ar de – quase – superioridade.

– Bela roupa – sorriu, tentando não parecer um idiota. – O lugar aonde nós vamos é bem apropriado a ela.

Ela deu uma risadinha: – Obrigada. Isso é ótimo, mas e o motorista? Já o chamou?

– Vamos de táxi. – respondeu simplesmente.

Levy ficou confusa. Estava preparada para ir de táxi, também, entretanto eles tinham o motorista, o que era mais fácil.

– Como é? Pra quê se temos...

– Eu já disse que pensei em tudo – sorriu. – E não precisa pagar nada.

Com uma risada sarcástica, ela pôs a mão nas ancas.

– Nunca! Você está precisando dele e ainda quer gastá-lo? – ela tentou não parecer dura, até porque não estava.

Por sorte, ele não mudou sua face.

– Eu avisei que preparei tudo. Quero que pare de ter ajuda de motoristas quando for sair, entende? – ela começou a entender, mordendo os lábios. – Quero que seja mais livre e me acompanhe.

Com vergonha de sua cena, ela corou. Ele tinha razão do que queria, e ela concordava.

– Se o lugar for longe, eu ajudarei.

Dando uma risadinha, ele a olhou: – Pensa que estou sem nenhum centavo? Não é bem assim.

Ela mordeu as bochechas por dentro, negando a abrir a boca novamente e se constranger mais ainda. Gajeel sabia mesmo como convencer alguém, então Levy acabou cedendo, perguntando-se onde havia se metido, afinal.

(...)

Já dentro do táxi, Levy se sentiu nervosa. Ainda não tinha a menor ideia para onde iam. Gajeel havia dito ao taxista uma rua em que não conhecia, talvez pelo fato de mal sair de casa, ainda mais em ruas com bares, festas e afins.

Ambos sentiam os olhares de cada um sobre si. Levy tentava não secar o fato de suas pernas ficarem tão bonitas com aquela calça um pouco apertada, e em como seu abdômen era definido. Lembrar-se dele seminu não era correto.

Não trocaram nenhuma palavra lá dentro, porém teve que escutar a conversa de Gajeel e o taxista coroa sobre a vida entediante dele. Não queria prestar atenção, mas não pôde deixar de arregalar os olhos quando ele disse que tinha “pegado uma ‘ninfeta-boa-de-boca’”. Mesmo sem saber o que isso significava, ficou com nojo imaginando que poderia saber o que pensava. Gajeel caiu na gargalhada, como se eles já se conhecessem há anos.

Quando o carro começou a parar, ela virou-se para ele com os olhos pidões.

– Me deixe ajudar, por favor, Gajeel. – sussurrou.

Ele riu, dando um tapinha em sua coxa: – Fique quieta, Baixinha.

Não sabia o que falar ao vê-lo tocá-la ali. Talvez fosse normal de amigos, ou não, mas por via das dúvidas, permaneceu calada.

– Ah, é? Voltei a ser baixinha, então? – tentando mudar de assunto, ela perguntou.

– Que eu saiba, você nunca deixou de ser – reprimindo uma risada ao ver sua reação incrédula, ele se virou para o taxista. – Aqui está o dinheiro.

Ela não sabia se dava um soco em seu belo rosto, ou ria com ele. Não poderia negar que ele continuava sendo um idiota brincalhão, porém 100% mais bonito e de um corpo estonteante.

Saíram do táxi juntos, e logo após ouviram o taxista dizer:

– Boa festa ao casal. – piscando um olho, ele partiu.

Levy corou com aquilo, contudo, pôde finalmente acordar e perceber onde estava: uma festa. Imaginava que Gajeel seria mais autentico com o lugar para onde iriam. Mesmo assim, não ousou reclamar, pois ele sempre tinha uma resposta acima da dela.

Percebeu que ele ficara um tanto sério com o que o homem havia dito a eles. Ela tremeu, perguntando-se se Gajeel não tinha gostado do adjetivo. Por que seria tão esquisito achar que ambos eram um casal? O pensamento a perturbou.

– Gajeel RedFox. – ele disse ao guarda que estava bem na entrada da festa.

Levy achou, pela parte da frente daquele lugar, que as pessoas pareciam bem de vida. As roupas eram bonitas e algumas vezes, chamativas. Alguns casais se pegavam atrás de um poste, quase transando. Ela não parou para olhar, preferiu ficar secando as costas musculosas de Gajeel, que esperava o guarda encontrar seu nome numa lista.

– Aqui está, podem entrar e divirtam-se. – ele sorriu, abrindo passagem aos dois.

Lá dentro tocava uma música extremamente alta, eletrônica. Um DJ ficava em uma base na parte de cima da festa, onde entrava em evidência de todos dali. Gajeel virou-se para ela, estendendo a mão.

– É melhor segurar minha mão – ele gritou em seu ouvido, que mesmo com a intensidade, continuava baixo. –, ou vai acabar sendo levada por algum cara.

Arregalando os olhos, ela a segurou no mesmo instante.

Deveria admitir que o lugar parecia bem animado. A música deixava todos agitados, dançando feitos loucos em qualquer lugar do salão. Todos bebiam, o líquido era colorido e bem bonito, até dando uma vontade em Levy de experimentar. Já era maior de idade e poderia fazer todas aquelas coisas, se quisesse.

Gajeel levou-a até o bar, onde um rapaz distribuía bebidas de todas as cores. Com um olhar curioso, ela sorriu.

– Dois Blue Lagoo, por favor. – pediu ele.

Levy não tinha ideia do que poderia ser aquela bebida, porém o barman começou a prepará-la rapidamente, mexendo vários copos com malabarismo. Gajeel sorriu e olhou para ela.

– Você vai gostar. Já tomou alguma bebida alcoólica?

Com vergonha de admitir que a última vez que bebeu fora há quase dois anos, ela mentiu: – Claro que já. Parece que não sabe minha idade... – olhou para os lados, sem querer encará-lo.

Ele sorriu. Sabia bem quando ela mentia.

– Podemos dividir o preço das bebidas, não é? – perguntou ela, tentando mudar de assunto.

– Não precisaremos pagar. – riu.

– O quê? – franziu o cenho, olhando que todos ao redor pagavam com notas altas.

– Trabalhei aqui por três anos e faço parte desse lugar. Me convidaram para a festa de hoje. – sorriu.

Ela retribuiu o sorriso, percebendo quanto ele era trabalhador. Logo o barman terminou de preparar as suas bebidas e as entregou com um copo muito bonito. Gajeel tomou um gole com gosto, fazendo um murmuro de prazer com tamanha delícia. Levy olhou para o copo por um breve momento e provou, sentindo o álcool arder em seu corpo, porém esquentá-lo rapidamente.

– Bom? – ele perguntou, olhando para ela.

– Sim, é ótimo – com uma tosse indireta, ela deu uma risadinha. – Acha que podemos dançar? Nunca vim a uma festa assim.

Gajeel ficou mais que satisfeito ao ver a animação – mesmo discreta – de Levy. Ele apenas assentiu com a cabeça, tomando mais de sua Blue Lagoo.

Levy se acostumou rapidamente com a bebida e continuou a bebê-la até o fim. O gosto era muito bom e viciante, e sentiu que a deixara mais energética. Por sorte não estava bêbada com apenas um drink.

A verdade era que ela estava agitada e um tanto alegre com o efeito do álcool. Não era acostumada a beber bebidas fortes, apenas com misturas de frutas, em aniversários de amigas ou algo do tipo.

Gajeel já havia terminado sua bebida. Não era muito de beber até ficar bêbado, afinal, detestava pessoas embriagadas. E era óbvio que não deixaria Levy beber mais do que dois copos. Precisava dela lúcida para dançar e se divertir normalmente. E o drink serviu para animá-la um pouco, como já via o efeito.

– Vem, vamos dançar. – ele a puxou pelo braço delicadamente, ajudando-a a se levantar da cadeira alta e elegante.

– Sim! – com uma risadinha, ela o seguiu até o meio da pista de dança.

Lá do alto, o DJ gritou de um microfone perto dos equipamentos:

– Se preparem, galera, agora quero ver animação – depois de um longo grito dos dançantes e palavrões inacabáveis, ele continuou: – Vamos ver quem se destaca nessa porra!

Levy não se preocupou com as palavras de baixo calão, queria dançar, se soltar. Percebeu que todas aquelas pessoas estavam se divertindo, então por que ela também não poderia? A música I Love it de Icona Pop começou a tocar das grandes caixas de som e todos gritaram, inclusive Gajeel, que segurou sua cintura.

Um pouco assustada com sua ação, ela corou um pouco, mas não o repeliu. Ele desceu até seu ouvido, falando mais alto que a música.

– Fico feliz que já esteja se acostumando.

– É bem legal – sorriu, passando as mãos por seus ombros para se segurar. – Obrigada por me trazer aqui.

– Disponha. – riu, começando a dançar ao ritmo da música.

Era bastante sensual vê-lo dançar. Havia feito balé e jazz de criança até a pré-adolescência, mas não sabia se aquilo iria fazer alguma diferença. Gajeel chegou bem próximo dela, balançando as pernas e o torço de um modo excitante.

Levy sorriu, percebendo o ar erótico que aquilo proporcionava. Aqueles casais, aos beijos, abraços, esfregas de todos os tipos, apenas aumentou a tensão sexual deles dois. Nunca imaginara que sentiria aquilo com Gajeel, seu amigo de infância.

Sim, não era correto, porém parecia muito certo naquele momento. Ela riu, passando os braços finos pôr seus ombros, balançando os quadris fartos nele, sabendo que aquilo o deixaria mais “quente”. Era virgem, não inocente.

A música ajudava muito. Levy fechou os olhos e desfrutou de tudo, nem acreditando que um copo de bebida a deixaria tão desinibida. Gajeel estava totalmente sóbrio – ou quase –. Sabia que não deveria estar ali com Levy, entretanto não conseguiu ficar de boca calada. Ela precisava saber o que era viver, de todas as formas e maneiras.

Ela não soube dizer se era a bebida, a música, a agitação das pessoas ao lado, ou seu próprio coração, contudo, Levy olhou no fundo dos olhos dele, parando de dançar aos poucos e observando em como seus olhos a fitavam com desejo.

Então ela o beijou.

O gosto de seus lábios era incrível. Não era seu primeiro beijo, mas aquilo derrubou qualquer um que já tinha dado em toda sua vida. A língua macia dele despontou, hesitante, em encontro da sua. Levy gemeu, desfrutando do sabor doce deixado pelo drink.

Só depois de alguns segundos ela se perguntou como iria encará-lo após o beijo. Mas pouco importava, até porque estavam se divertido, e um beijo não era nada “demais”, certo? Gajeel ficava mais insano a cada segundo, não acreditava que tinha sido tão burro ao deixá-la tomar o controle de sua animação e beijá-lo. Não iria negar para si mesmo, porém estava adorando, e não pararia mais depois daquilo.

Levy não sabia de onde tinha tirado tanta coragem, mas estava querendo provar o sabor de seus lábios desde que o reencontrou. Talvez os anos em que ele esteve fora tinham apagado a pequena chama de seu coração – mas ela não acreditava ou admitia, não ainda.

Depois de mais algum tempo, ele a separou dele pelos ombros, olhando para o chão de olhos fechados enquanto os seus estavam entreabertos, com uma respiração pesada vinda dos pulmões. Gajeel a encarou com os olhos mais escuros que o comum, penetrantes.

– Merda. – praguejou mais para si mesmo do que a ela e a puxou para longe da pista.

Ainda atordoada, ela apenas o seguiu, quase tropeçando nos pés dos presentes que apenas riam alto, gritavam e se agarravam com os parceiros. Gajeel dobrou um corredor vazio, empurrando-a para a parede.

– Gajeel? – sussurrou em seu ouvido, prensando o corpo no dele. – Não sei o que estou fazendo agora.

Com uma risada grossa e nervosa, ele murmurou: – Nem eu, mas vamos apenas pensar em como isso é bom, Baixinha.

Ela não respondeu, apenas deu um gemido constrangido quando ele a prensou entre uma planta e a parede do fim do corredor, onde mal poderiam ser vistos por alguém. Gajeel segurou sua cintura fina e pôs sua língua na dela, com movimentos firmes, porém lentos.

Levy sabia que o álcool não a havia afetado muito, apenas um pouco. De mesma maneira, teria sido melhor não ter tido aquele impulso de beijá-lo. Não queria dar a entender que queria mais.

Ele gemeu em sua boca, havia gostado do gosto de Levy. Ela era doce e ingênua até certo ponto, nada muito exagerada – ou ela nunca o beijaria daquela forma –. Tudo aquilo estava errado, mas uma parte dele queria mais.

Levy não deu a entender que queria parar com aquilo. Estava tão arrebatada de desejo que simplesmente continuou com aquele ciclo vicioso ao lado de Gajeel, que nem sequer era um namorado, ou qualquer outra coisa.

Gajeel pegou sua perna e estendeu até sua pélvis, onde ela pôde sentir, pela primeira vez, o que era excitar um homem – sexualmente falando, claro –. Ela gemeu, um barulho gostoso a qual quase o fez se derramar.

Os beijos, que antes eram em seus lábios, passaram para seu fino pescoço. O perfume que ela usava era cheiroso demais, deixando-o louco. Seus pelos se arrepiaram no momento em que sua língua despontou para fora, dando leves chupões e lambidas generosos.

Ela pensou consigo mesma: se ele a levasse para uma cama, ela deixaria que a possuísse? O pensamento a alertou um pouco, porém não completamente. Estava gemendo de um prazer enorme, não conseguia pedir que ele parasse.

Sua saia já estava subindo ainda mais. A perna que estava na pélvis de Gajeel o agarrou mais, sentindo sua proeminência embaixo da calça aumentar, deixando-a excitada pela primeira vez, tudo por causa de um beijo.

Era demais para Gajeel, não podia continuar. Fez uma promessa a si mesmo que não a beijaria em nenhuma circunstância. Se continuasse, acabaria fazendo alguma idiotice e a assustando para valer.

Parou de beijar seu pescoço, encostando a cabeça em seu ombro. Levy respirava com dificuldade, se perguntando o porquê de ele ter parado tão rápido. A sua pulsação não se normalizava, assim como a dele.

– Vou chamar o táxi pra gente – sussurrou, tirando a perna dela de seu quadril. – Me encontre lá fora.

Ela arregalou os olhos, segurando seu braço, com um rosto excitante demais para ser encarado.

– Mas nós acabamos de chegar. – sua voz saíra rouca e seu rosto estava extremamente rubro.

Ele suspirou, passando as mãos pelos enormes cabelos.

– Eu sei, mas não posso mais ficar aqui. Se quiser ir ao banheiro, é aqui ao lado. – e saiu.

Levy estava com a cabeça girando, sem saber o que pensar daquilo. Não tinha certeza se chorava ou se ria ironicamente por ter sido deixada ali. O som de uma nova música eletrônica era abafado pelo forro do corredor, e a única coisa que sobrara fora um forte perfume amadeirado.

“Mulheres comportadas raramente fazem história.” – Marilyn Monroe