Dear Butler
5 Capítulo V
Notas iniciais
“Não me julgue. Você sabe o meu nome, não minha história.” – Demi Lovato

CAPÍTULO 5
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NA PENUMBRA, RedFox tentava dormir, já às 00h00 da manhã. Não tinha a menor ideia de como conseguiria pegar no sono enquanto lembrava-se da noite que teve naquela festa com Levy. Apenas de relembrar-se daquele beijo, imediatamente o causava arrepios e uma dor persistente na virilha.
Era viável que não iria conseguir se esquecer do sabor dos lábios dela, no entanto, pensava no que poderia falar a ela depois de ter sido um completo idiota. Fatalmente Levy estaria puta com ele – era a melhor expressão que conseguia pensar naquela hora – e daria um soco em seu rosto – mesmo talvez não surtindo efeito.
Após tê-la deixado plantada naquele corredor, Gajeel praticamente correu até a entrada e chamou pelo primeiro táxi que viu. Sua ereção não conseguia cessar em nenhum momento, não enquanto não chegava até a casa dela.
Levy demorou um pouco para aparecer, provavelmente teria ido ao banheiro. Quando se viu no espelho, não reconheceu aquela mulher. Seu rosto estava extremamente rubro, suas pupilas dilatadas, porém a dor da rejeição em sua pele a angustiou. Era a primeira vez que sentira aquele ardor no corpo apenas pelo toque desinibido de Gajeel. Uma sensação deliciosa que durou pouquíssimo.
Ela saiu da festa, esbarrando em algumas pessoas que dançavam agitadamente. Queria ter ficado mais tempo lá, e por um momento se arrependeu vigorosamente de ter beijado seus lábios enquanto se “esfregavam” na pista de dança. Contudo, uma parte dentro dela tinha gostado do que os dois haviam feito.
Gajeel estava dentro do táxi, esperando que ela voltasse. Levy sentiu um arrepio na espinha quando seus olhares se encontraram, e ela não pôde distinguir o que seus olhos opacos queriam dizer.
Durante o trajeto até sua casa, ambos ficaram calados, escutando apenas o som do Rock clássico que saía do rádio do taxista. Levy queria sumir, ou simplesmente gritar com Gajeel pelo o que ele havia feito.
Sabia que, parte do ocorrido fora por sua culpa, mas não queria que ele tivesse interrompido aquele beijo tão bom. Talvez aquilo fosse um sinal, dizendo-lhes que era impossível ficarem juntos? Ou simplesmente besteira vinda de Gajeel? Revirou os olhos, torcendo para que chegassem logo a sua casa.
Ao finalmente chegarem, Levy saiu do táxi às pressas, querendo apenas chegar ao seu quarto e se lamentar pelo ocorrido. Não iria chorar por isso, ou pelo menos, tentaria. Não olhou para trás enquanto ia para a entrada da casa, e sabia que ele não gritaria pelo seu nome.
Ainda era cedo demais. Eles mal tinham chegado àquela bendita festa e já estavam voltando. Era até vergonhoso, se não ridículo. Poluchka ainda estava acordada quando ela passou pela sala apressadamente.
– Levy, o que houve? – perguntou, porém ela já estava no topo da escada.
Gajeel apareceu minutos depois, com um olhar perdido. Poluchka apenas o encarou, perguntando o que tinha acontecido, usando os olhos. Ele não respondeu, abaixou a cabeça e foi para o quarto sem pestanejar.
Provavelmente, algo estava bastante errado, ela constatou.
(...)
Levy se espreguiçou após levantar-se da cama, às 11h. Estava totalmente indisposta para sair daquele quarto. Havia perdido o café da manhã e ficou feliz em não escutar ninguém chamá-la para comer. Além de revoltada, estava sem fome alguma.
Pensar na noite passada a dava um frio terrível na barriga. Provavelmente Gajeel estaria perambulando pela casa, e ela não queria dar de cara com ele depois de terem passado por poucas e boas – ou ruins.
Tomou um longo banho morno e vestiu uma roupa casual. Estava tão cansada que não quis se maquiar, porém precisava descer e comer antes que se esvaecesse de fome. Não havia comido o café da manhã e queria muito um almoço, mesmo ainda não estando pronto. Poluchka prepararia para ela bem rápido, ela sabia que sim.
Saiu de seu quarto bem rápido, em direção à cozinha e sem olhar para os lados. Se Gajeel estivesse lá, estaria ferrada. Contudo apenas encontrou a velha de cabelos rosados e cheia de panelas no fogo.
– Oh, Levy, até que enfim você apareceu – ela pareceu preocupada e foi até o pequeno ser de cabelos azuis e tocou sua testa. – Pelo menos não está febril.
– Estou bem, Pô – sorriu fraco. – Só queria te pedir uma coisinha.
– Claro, querida.
Levy olhou para as panelas no fogo e teve a certeza de escutar sua barriga roncar.
– Poderia fazer meu almoço mais cedo? Não comi mais cedo e estou morrendo de fome.
Poluchka apenas sorriu com um pouco de condolência: – Claro que eu posso, meu amor. Só estou preocupada com você, está tudo bem?
Ela apenas balançou positivamente a cabeça, porém seu rosto dizia totalmente o contrário.
– Você não me contaria sobre ontem à noite? – perguntou, indo até o armário e pegando um prato.
– Prefiro me esquecer dele – murmurou. – Pode levar a comida para o meu quarto?
– Sim, eu levarei.
– Obrigada. – sorriu o máximo que pôde, indo em direção as escadas.
No trajeto, viu Gajeel caminhando e apressou muito os passos. Não queria encará-lo ou iniciar uma conversa sem sentido – que poderia, inutilmente, acabar em uma briga desnecessária.
Gajeel, ao vê-la, pensou em chamá-la, porém também sabia que uma discussão àquele horário não seria bom. Estava muito cansado, com sono, a insônia que teve na noite passada o deixou plenamente exausto. Precisava descansar, entretanto não pararia de trabalhar.
Escutou o barulho da porta de Levy ser fechada e suspirou, indo até a cozinha. Não sabia se deveria se arrepender da festa que a levou, visto que aquilo mostrou que ela poderia, sim, se divertir e sair um pouco de casa. O beijo fora uma consequência, era lógico.
O certo era parar de pensar naquilo e focar no trabalho e em sua mãe. Precisaria visitá-la, e talvez não fosse correto tentar procurar Levy para ir com ele. Sabia que nunca conseguiriam voltar a conversar como antigamente.
Quando chegou até a cozinha, Poluchka colocava o almoço em um prato elegante, provavelmente o de Levy. Não sentiu vontade de comer, estava com a garganta fechada. Estava se sentindo um lixo pelo o que havia feito.
– Parece que não deu muito certo, não é? – perguntou Poluchka.
Soltando uma lufada de ar, ele sentou-se: – Sou um merda.
– Pode me contar o que houve? A Levy não está nada bem, e você também não.
– Eu não consigo me controlar, é isso – suspirou, envergonhado. – Estávamos apenas dançando, mas ela me beijou e eu não resisti. Depois disso eu... saí.
Ela pareceu preocupada e o encarou: – É claro que não consegue.
– Não sei mais o que faço. Acho melhor ficar longe dela, mas quero ajudá-la a encarar o mundo, sabe? Estou confuso.
– Ela gosta de você, sempre gostou, só está descobrindo isso agora. – disse Poluchka, o encarando.
– Eu também gosto dela, Poluchka, mas você sabe que...
– Eu sei! Já estou com essas palavras decoradas – ela entristeceu, voltando a prestar atenção na comida quente. – Vai tentar pedir desculpas por ter ido?
Ele passou as mãos pelo cabelo amarrado e suspirou, hesitante.
– Não sei, acho melhor eu não deixá-la com mais raiva – disse, levantando-se rapidamente. – Me lembrei que preciso saber notícias da minha mãe, volto logo.
Ela apenas concordou, um pouco negativa pela conversa.
(...)
Já deitada na cama com o celular em mãos, Levy jogava um pouco para se distrair. Não queria imaginar que conversa Gajeel teria tido com Poluchka naquela cozinha. Poderia se prepara para nunca mais olhar com tranquilidade para ambos.
Estava bastante confusa. Queria saber se Gajeel tinha tanta culpa assim, afinal, ela havia instigado o início daquele beijo. Talvez se não tivesse “acendido” a sua libido, nada daquilo teria acontecido com a suposta amizade dos dois.
Realmente, nunca conseguiria ser amigos de verdade. Antigamente, eles se reconciliavam sempre e voltavam a brincar, pois eram crianças. Nunca imaginou que uma amizade depois da pré-adolescência fosse tão difícil de ter, ainda mais com um homem como Gajeel.
Ela jogou o celular ao lado e se sentou na cama, suspirando e passando as mãos pelos cabelos. Normalmente nunca jogava seu orgulho de lado, desde seus sete ou oito anos. Gajeel sempre chegava com um sorriso no rosto e dizia: “Deixe de ser burra, vamos brincar!”, e ela ia, mesmo reclamando do modo em como ele se referia a ela.
Porém Levy nunca percebia que ele gostava de chamar sua atenção com aquilo, e era o único jeito que ele sabia.
Passaram-se alguns segundos até Levy relembrar daquele momento. Gajeel não teria parado o beijo se não houvesse nada de errado. Talvez ele escondesse alguma coisa desde que chegou, ainda mais depois daquela história tão triste de sua mãe.
Ela suspirou fundo, se olhando no espelho e dizendo a si mesma que iria parar de ser tão orgulhosa e birrenta. Saiu do quarto com a intenção de colocá-lo na parede e perguntar sobre tudo.
Porém passos apressados vindos do corredor de baixo a assustaram.
– POLUCHKA, PRECISO SAIR! – o grito de Gajeel abafou toda aquela sala, enquanto Levy ainda estava na metade da escada.
Poluchka apareceu da cozinha, assustada assim como Levy: – Meu Deus, o que houve?
Ele aparentava estar com medo, nervoso e agitado. Seu corpo tremia e ela conseguia perceber de longe. Pelo seu estado deplorável, Levy também ficou com medo.
– Minha mãe... preciso correr! – respondeu, indo até a porta.
– Talicana? – ela arregalou os olhos, sentindo o coração bater em seu ouvido em um ímpeto. – EU VOU COM VOCÊ!
Gajeel virou-se e esperou que ela chegasse até a porta. Pouco importava a conversa idiota sobre um beijo que simplesmente aconteceu. Sua mãe era mais importante do que mais um problema em sua vida.
Levy havia esquecido completamente daquela noite ao vê-lo tão desesperado de chegar ao hospital. Chamar por um táxi era impossível, por isso, ela gritou enquanto corriam pelo enorme jardim florido.
– Vem. O motorista está disponível! – com a voz entrecortada pelas respirações, ela correu em direção onde ficava o carro.
Ele não pensou duas vezes antes de seguida, precisava ver sua mãe depois da terrível conversa que teve com o hospital. Não poderia contar aquilo enquanto corria, precisava entrar no carro o quanto antes.
Levy chegou até o motorista e disse enquanto abria as portas.
– Rápido, Macao – gritou. – Preciso que nos leve a um hospital.
Gajeel entrou do outro lado do carro enquanto o motorista obedecia sem pestanejar.
– Hospital UBL!
O motorista concordou com a cabeça e saiu bem rápido da rua da mansão. Levy e Gajeel estavam ofegantes e tentavam manter a respiração normalizada, mesmo sendo impossível.
Aquela correria havia sido tão rápida que Levy se assustou. Em poucos segundos, eles já estavam na estrada em direção ao hospital. O motorista ia rápido, porém não passava do padrão de velocidade estabelecido.
Levy, com o coração acelerado, olhou para Gajeel e o viu apoiado nos joelhos e com as mãos na cabeça, balbuciando palavras incompreensivas, parecendo que estava rezando em alguma outra língua.
Com medo de iniciar uma conversa, ela perguntou em um sussurro: – Ela está muito mal?
Ele demorou a responder, e após uns segundos, ele parou de falar, porém continuou na mesma posição de antes.
– Ela teve uma crise alérgica – murmurou, com dor na voz que fez o coração de Levy partir – E no estado em que ela está, qualquer coisa é fatal.
Ela teve vontade de chorar e os olhos arderam. Não poderia perder Metalicana, não naquele momento. A última coisa que queria ver era Gajeel lôbrego por um longo tempo. Também iria sofrer muito, afinal nem pôde ter uma conversa com ela.
– Talicana ficará bem – ela deu um sorriso fraco, tocando a mão que estava em sua cabeça. – Vamos ter fé, tudo bem?
Levy se sentiu uma mãe falando com um filho chorão. Gajeel a assustou quando segurou sua mão com força, sem mostrar o rosto. No fundo, ele sabia que poderia ser a última vez que veria sua mãe, entretanto, estar com Levy o deixava mais seguro.
– Estamos chegando, Srta. McGarden.
Gajeel apertou mais forte sua mão e levantou o rosto para ver onde estavam. Levy deu um sorriso para ele, que retribuiu sem muita emoção. Estavam próximos de saber o que tinha acontecido, e o medo da resposta eram palpável.
Quando o carro parou, Levy agradeceu e abriu a porta junto com Gajeel. Ambos voltaram a correr com desespero até a porta do hospital, e só ali ela percebeu as roupas que usava: chinela, short de algodão e uma regata, enquanto ele ainda tinha as roupas de mordomo.
Ao entrarem, foram direto na recepção sem pestanejar. A única coisa que passava pela cabeça dos dois eram Metalicana e em como ela estaria naquela hora. A moça da recepção subiu o olhar para ambos e tentou não olhar para as vestimentas esquisitas deles.
– Sou Gajeel Redfox – disse, até alto demais e agitado. – Preciso ver minha mãe, Metalicana Redfox.
Ela assentiu com a cabeça e conferiu rapidamente o computador, digitando os nomes no teclado e dando um olhar preocupado em seguida.
– Seu estado consta que está crítico – disse. – Ela foi transferida para a sala 45. Espere por lá, o médico está dando uma checada em sua situação.
Gajeel agradeceu com Levy e foram apressadamente até a tal sala. O coração deles havia intensificado em relação às batidas, pois imaginar que Metalicana estaria morrendo era assustador.
Não puderam conversar enquanto corriam, a respiração estava difícil. Levy estava cansada e Gajeel percebeu de imediato, por isso, segurou sua mão e a puxou para mais perto, apertando-a suavemente e correndo com ela.
Por um momento, Levy pensou naquele toque e corou um pouco, contudo esqueceu-se ao chegarem até a sala 45. Uma enfermeira saía da sala com uma bandeja com remédios em comprimidos. Gajeel foi impetuoso até ela.
– Por favor, sou filho de Metalicana Redfox, ela está bem? – sua voz saía com respirações fortes e desesperadas. Levy apareceu atrás dele, com muito medo.
A enfermeira não esboçou alegria: – Ah, você é o Sr. Redfox? Sua mãe está inconsciente por causa dos remédios.
Levy não sabia o que aquilo significava, apenas queria saber se ela ficaria bem.
– E o que aconteceu? – ela perguntou, timidamente.
– Agora de manhã ela sentiu uma enorme dor, então tivemos que levá-la com urgência até aqui e dar-lhe várias injeções com antibióticos.
– E como ela vai ficar? – perguntou Gajeel.
– Ainda não sabemos, mas estaremos o dia todo vendo sua reação com os remédios e os efeitos que eles causarão mais tarde – sorriu fraco. – Mas vocês poderão vê-la assim que o médico sair.
Levy não era tola e percebeu que a enfermeira não tinha confiança alguma do que dizia. Metalicana parecia estar mal e qualquer erro seria fatal. Gajeel concordou com a cabeça e, ainda segurando a mão de Levy, sentou-se em uma cadeira e a levou junto.
Depois de alguns segundos muito silenciosos, Levy disse:
– Ela vai ficar bem. – ela sorriu, olhando seu rosto.
Gajeel não se moveu, parecia uma estátua olhando para o chão e de cabelos longos e negros.
– Está tudo bem, Gajeel – ela o abraçou pelos ombros, sorrindo. – Ela é forte e tem muito que viver.
Vendo que ele não respondia, ela ficou séria e teve medo. Ele poderia estar pensando naquela noite? Levy não tinha culpa, apesar de ter iniciado o beijo que nunca deveria ter acontecido.
Ela ficou calada, soltando-o e se afastando um pouco.
– Desculpe. – ele sussurrou, baixinho.
Levy arregalou um pouco os olhos e o fitou, ainda distante dele.
– Desculpe pelo o quê? – com medo de falar sobre algo errado, ela perguntou antes.
– Sou um babaca – murmurou, apertando sua mão com uma força quase demais. – Sempre fui um babaca com você, desculpe.
Ela sorriu: – Não fale isso. Você é meu amigo, tudo bem? Estamos aqui porque tivemos uma infância juntos e torcemos pela saúde de Talicana.
Após alguns segundos, Levy sentiu que ele a puxava e levou um pequeno susto. Gajeel a abraçou com força e ela sentiu algo molhado umedecer seu ombro. Teve vontade de chorar ao ver o tão grande Gajeel chorar, sem pudor, aproveitando que ninguém passava por ali.
– Shhh, vai ficar tudo bem – sussurrou, acariciando seus cabelos. – Eu vou ficar aqui.
– Quero que tudo volte ao normal – soluçou.
– E vai – sorriu. – Talicana vai voltar à ativa e seremos grandes... amigos.
Gajeel diminuiu seu choro e se afastou, passando as mãos em seu rosto e secando as lágrimas. Levy parecia estar fazendo seu melhor e não demonstrar a tristeza que estava sentindo naquele momento e aquilo o deixou fraco.
– Preciso te falar algo... que não contei quando estava no seu quarto.
Levy franziu o cenho, confusa: – O que seria?
Ele respirou fundo e se ajeitou na cadeira. Ao abrir a boca, o médico saiu da sala desesperado, correndo até outra sala e gritando.
– Sala 45, tragam as máquinas de Cardiopatia!
Gajeel e Levy pularam da cadeira e se levantaram juntos, seguindo o médico.
– O que houve? – ele perguntou.
– Sr. Redfox, sua mãe está morrendo. Precisamos correr ou será tarde. – disse o médico, passando pelo lado de Gajeel e entrando novamente na sala com uma enorme máquina e outra equipe de médicos.
Levy conseguia se lembrar bem o quão terrível foi aquela manhã de domingo.
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