Dear Butler

3 Capítulo III


Notas iniciais
Oi, meus leitores lindos ♥ Devido a um probleminha na hora de betar, tive que adiar para o domingo. Espero que não me matem KKKKKKKKKKKKK Beeh, sua linda, já recebi uma recomendação com dois capítulos? Isso é tão perfeito que quase tenho um treco quando a vi. KKKKK OBRIGADA, esse capítulo é dedicado a você *-* Espero que eu receba mais, tá, pessoal? Isso me deixa com mais vontade de escrever, HUE. ♥ Obrigada também aos elogios e a todos que favoritaram e comentaram. Quero que todas as fantasminhas apareçam, tá? Não gosto de fantasmas :( Nesse capítulo, um tequinho de Gale, mas nada muito grande KKKKKK Tem que aproveitar. Vamos descobrir um pouquinho sobre Metalicana, yey. Boa leitura e aproveitem. ♥

“Sabe o que é o amor? Ele é cego, surdo, mudo, sem preconceitos, não liga pra idade, qualidade, defeitos, apenas se sente, apenas se ama.” – Bruno Mars

CAPÍTULO 3

–

ESTAVA BASTANTE escuro. A única luz que passava por ali era da bela janela veneziana do quarto de Levy, onde saía um filete do brilho da lua. Àquele horário, ela estava em lua cheia, o que deixava o momento ainda mais constrangedor. Gajeel tinha decorado um texto para se falar com ela, mas se esqueceu de completamente tudo ao vê-la ali na sua frente.

Levy, por sua vez, estava muito confusa. Por que diabos ele estaria lá àquele horário? Ficou feliz por ter estado com insônia. Porém estava tremendo, tanto de expectativa, quanto de nervosismo ao estar de frente para ele. Não conseguia raciocinar direito, assim como ele.

– O que você quer? – sussurrou, olhando para o chão em seguida.

Gajeel tentou abrir a boca para falar algo, mas calou-a. Não souberam quanto tempo ficaram se olhando, hipnotizados. Na verdade, ela sabia ao certo o porquê de Gajeel olhar tão paralisado para... suas roupas. Arregalou os olhos de imediato ao perceber o que ele realmente observava.

Lembrou-se que não usava sutiã com a regata que estava para dormir, mostrando seus mamilos eriçados através do fino tecido, parecendo duas pequenas frutinhas. O short era curtíssimo, mostrando mais do que devia em suas pernas bem torneadas. Quando pôde ver tudo isso, fechou a porta no mesmo momento, tentando não fazer muito barulho.

Sentiu que Gajeel ainda estava lá, do outro lado da porta, esperando que ela abrisse novamente. Com certeza ela não conseguiria voltar a dormir sabendo que ele ainda estava ali, esperando. Por aquele motivo, Levy correu até o guarda-roupa e pôs um sutiã, logo depois, trocou o short por um jeans mais comprido e não vergonhoso a ponto de ele ficar quase babando. Era a primeira vez que um homem olhava para ela daquela maneira, entretanto ela não estava reclamando.

Quando viu pelo espelho – mesmo no escuro – que estava tudo bem consigo, abriu a porta rapidamente, percebendo que ele a esperava encostado na parede ao lado. Seu rosto estava sério, como se tivesse se recuperado do choque ao vê-la com aquelas vestimentas.

Ele não poderia negar que havia se excitado, nem que um pouco, com aquela visão. Levy tinha crescido e ele precisava pôr aquilo na sua cabeça. Mas aquela não era a intenção dele naquela hora, mas sim, conversar seriamente com ela.

– Vai me dizer por que veio aqui? – sua voz falhou um pouco ao perguntar.

Ele aspirou o ar para seus pulmões, disposto a conseguir o que queria.

– Quero conversar com você. Juro que serei rápido.

– O que quer falar? Já não brincou o suficiente? – ela parecia magoada, e Gajeel não a culpava daquilo.

– Eu só quero tirar as suas dúvidas – parou. – Sobre minha mãe e tudo o que quiser saber sobre esses anos.

Levy mudou sua expressão para curiosa. Percebeu no mesmo momento que ele não queria que ela fosse falar com seu pai, o que a deixava um tanto preocupada com o tão polêmico assunto. Talvez pudesse deixar o orgulho de lado por um segundo e encarar a realidade, porém não seria assim.

– E por que você vem a essa hora da noite? – perguntou. Queria ainda saber o motivo daquele horário.

– Eu sinto muito. É que pensei que a esse horário, ninguém interromperia.

Ele tinha razão.

– Só deixo você entrar porque estou muito curiosa para saber sobre sua mãe. – seu rosto adquiriu um tom vermelho do rubor, saindo do caminho para Gajeel entrar.

Pedindo licença, ele finalmente pôde rever o quarto de Levy depois de todos aqueles anos. E não havia mudado muita coisa – a não ser pelos brinquedos infinitos que ela tinha numa estante que ficava na frente da cama. Percebeu que, ao invés deles, havia um guarda-roupa gigante, como um closet.

Levy trancou a porta para se certificar que não entraria ninguém, mesmo sendo impossível. A probabilidade de querer ficar a sós com ele era maior do que qualquer outra coisa. Ela não conseguiu pensar naquilo direito.

Gajeel continuou de pé quando ela foi até a borda da cama e se sentou. Ele teve arrepios quando se lembrou da roupa que ela estava usando para dormir. Nunca fora tão devasso, porém ficar com Levy despertava desejos mais fortes nele.

Não conseguia pensar em fazer nenhuma brincadeira com Levy, sabendo que ela ficaria chateada com ele. Arrependeu-se até de tê-la jogado na piscina – e sentiu-se uma criança de 12 anos novamente, quando a chateava.

Ela tossiu, com drama, para chamar sua atenção. Gajeel não estava em condições de sentar-se naquela cama com ela, por aquele motivo, continuou de pé, a sua frente.

– Você pode sentar. – suspirou.

– Acho melhor eu ficar de pé. – sério, ele explicou.

Ela o encarou.

– Está com medo de mim, agora? – reclamou, cruzando os braços.

Ele suspirou. Com certeza não era isso. Porém não estava com cabeça para discutir e foi sentar, percebendo a inquietação de Levy.

Ambos ficaram em silencio por alguns segundos, cada um pensando no que dizer para acabar com aquele constrangimento quase que infinito. Gajeel resolveu começar, pois Levy estava nervosa demais.

– Há dois anos, minha mãe havia desmaiado pela primeira vez desde que eu havia nascido – sua voz era baixa, mesmo sabendo que ninguém da casa escutaria. – Fiquei tão desesperado...

Levy arregalou os olhos no mesmo instante. Metalicana era como uma segunda mãe para ela, mesmo sabendo que ela tinha um filho – quase – infernal. Ela era doce e meiga com todos da casa. Trabalhava com garra, mesmo doente ou cansada demais. Levy teve certeza que não iria gostar daquela história.

– Diz que ela está bem – murmurou, olhando seus olhos negros. – Por favor.

Ele desviou o olhar e continuou sem se importar:

– Eu quis levá-la ao hospital. Nessa época, eu estava morando na casa ao lado, porque odiava dar despesas a ela, por isso quis minha própria casa.

– Ela não aceitou? – Levy perguntou, querendo ir direto ao ponto.

– Não. Só sei que quando cheguei até a casa dela, ela estava no sofá, sentindo uma tontura muito forte – ele fechou os olhos, tendo que relembrar tudo aquilo. – Eu fui um idiota por não tê-la levado...

– Mas foi só isso mesmo, não foi?

– Quem dera – entristeceu. – Um mês depois ela já estava tendo enjoos, tonturas e dores estranhas no peito. Foi aí que eu finalmente consegui levá-la ao hospital.

– Isso é bom, não é? Ela se tratou, não foi? – Levy estava se desesperando a cada minuto mais e mais.

– Na consulta, ela descobriu que tem Cardiopatia isquêmica. – Gajeel não conseguia falar tudo aquilo sério, sem se emocionar. Seus olhos marejaram, porém ele segurou qualquer lágrima que ousasse sair.

Levy não tinha ideia de qual doença era aquela, mas pela reação dele, pôde descobrir que era algo terrível.

– Você não me vai dizer que é uma doença fácil de ser tratada, vai? – também sentindo vontade de chorar, ela perguntou.

Ele respirou fundo, começando a sentir seu lábio tremer. Agradeceu a Deus por estarem no escuro da noite.

– Ela não pode mais ser curada, Levy – e soltou sua primeira lágrima, ainda com uma posa de durão. – Com a demora de ir ao médico, a doença piorou muito.

O chão de Levy saiu por alguns segundos. Não poderia acreditar no que estava ouvindo. Sua mãe sempre fora batalhadora, e sabia bem que ela não gostaria de gastar um dinheiro fora do normal para fazer algum tipo de cirurgia ou tratamento.

– M-mas tem certeza que não tem como? Meu pai vai pagar, tenho certeza! Ele adora Talicana tanto quanto eu e... – disse aos prantos, enquanto ele apenas balançava sua cabeça negativamente. – Meu pai sabe disso? – várias lágrimas saíram de seus olhos, percebendo que nele doía ainda mais.

– Sim, mas eu preferi que falasse comigo ao invés dele. É algo íntimo pra mim – sussurrou. – E eu nunca aceitaria o dinheiro de seu pai, nem se existisse alguma cura. Eu trabalharia até minha morta para conseguir o dinheiro.

– Gajeel...

– E ela está lá, numa maca de hospital, esperando sua hora chegar – ele soluçou, pondo a mão em seu rosto. – Eu só quero fazer de seus desejos, realidade.

– O que ela deseja, Gajeel? – seu rosto estava totalmente molhado. Queria abraçá-lo e consolá-lo como fazia quando eram crianças e estavam passando por problemas, mas estava com medo.

– Ela quer que eu consiga ser feliz. Quer que eu trabalhe, batalhe, assim como ela fez, mas de um modo mais forte. Assim, eu poderei ter uma vida boa, como nós sempre quisemos.

Ela fechou os olhos, chorando sem pudor. Metalicana era a pessoa mais humilde que ela havia conhecido em toda sua vida, e naquele momento, naquela hora, ela estava morrendo a cada segundo, numa maca de hospital, sozinha.

Sem conseguir mais, ela o abraçou com força e precisão. Gajeel assustou-se com aquela ação repentina de Levy, que há pouco tempo estava com raiva de suas brincadeiras ridículas. Mas ali ela estava do seu lado, abraçando-o com todo o amor que tinha pela sua mãe – e talvez não só por ela.

Gajeel, sentindo seu rosto choroso encostado em seu ombro, segurou sua mão como uma forma de agradecimento. Eles choravam quase em uníssono, rezando pela saúde de sua mãe.

Por um momento Levy pôde sentir que ele havia mudado muito. Estava um homem, mesmo aparentando um largado e sem noção às vezes, se preocupava com a mãe mais do que tudo e queria apenas seu bem e os desejos realizados. Ela iria morrer, ela óbvio, mas teria que conseguir tudo aquilo antes de receber a triste notícia.

Já constrangida demais, ela disse ainda o abraçando:

– Você vai conseguir! E ela ainda vai demorar muito para partir, você verá.

Gajeel tentou limpar algumas lágrimas de seu rosto com o pulso, mas falhou.

– Tem mais outra coisa.

– O quê? – perguntou ao soltá-lo, curiosa.

– Ela me disse que... queria nos... – parou, pensando bem. – Nos déssemos bem quando eu fui chamado para vir trabalhar aqui.

Ela sorriu, levando uma mão hesitante até seu rosto úmido das lágrimas.

– Por mim, já estamos nos dando bem. Sinto muito por ter ficado daquele jeito com você – corou. – Eu não imaginava que isso poderia ter acontecido com Talicana...

– Talvez você possa visitá-la no hospital qualquer dia, mas desde ontem ela está dormindo por causa de alguns antibióticos.

– Tudo bem, mas eu quero muito vê-la! – sorriu.

Gajeel virou o rosto e a encarou brevemente, vendo que Levy estava próxima demais de seu rosto. Ela arregalou os olhos com a aproximação e sentiu o rubor de seu rosto de espalhar rapidamente. Ele estava muito bonito e aquilo mexeu com ela.

Mesmo com a vergonha, eles não se moveram. Gajeel olhou para os lábios vermelhos e entreabertos dela e engoliu em seco. Queria beijá-la com aquela generosidade que só ela tinha. Sua beleza havia se intensificado com a luz da lua que saía da janela.

Levy, por seu lado, estava com o coração a mil. Aquele momento estava intenso demais. Falar sobre Metalicana a deixou sensível. Mas o motivo em que ficava nervosa na companhia de Gajeel ainda era estranho demais.

– Acho que eu devo ir – ele tossiu, levantando-se da cama. – Amanhã a gente se vê.

Saindo do transe, ela se levantou em seguida, concordando com a cabeça. Não tinha a mínima ideia do que havia acontecido com ela. Gajeel já estava indo em direção à porta.

– Boa noite, Gajeel. – ela disse atrás dele.

Sorrindo levemente, ele retribuiu.

– Boa noite.

Com aquela frase passeando em suas lembranças enquanto descia as escadas da mansão, ele deve dó de sua mãe por ter modificado sua história.

“Sei que sempre gostou de Levy na infância, querido, e ela também. Por isso, quero que faça de tudo para ficar ao lado dela, como um casal que eu sonhei.”

(...)

Antes da manhã seguinte, Levy demorou um pouco para conseguir repousar normalmente. A conversa que teve com Gajeel à noite percorreu pela sua cabeça como um filme, várias vezes. Estava muito triste por sua mãe e queria muito ajudá-lo de alguma forma, mesmo não tendo como. Nunca imaginou que ele se tornaria um homem tão cuidadoso, e não um idiota como quando era apenas um garoto de 12 anos. Mesmo brincando com seus sentimentos, ainda poderia considerá-lo um ótimo filho.

Quando finalmente pregou os olhos, sonhou estranhamente com aquele dia em que se reencontraram na piscina. O problema era que tudo ficou totalmente modificado, deixando Levy extremamente constrangida ao acordar.

Basicamente, após Gajeel chegar atrás de Levy, ele não a empurrou, porém sim a puxou para si. Os corpos dos dois se chocaram brutamente, deixando-a sentir seu perfume forte e masculino. E sorrindo para ela, Gajeel segurou seu queijo gentilmente para cima e a olhou com amor. Levy sentiu o rosto corar, todavia não o parou.

O olhar de ambos durou alguns segundos – o que pareciam horas –, deixando uma sensação estranha do peito de Levy.

De repente, imagens da infância deles apareceram em sua mente. Como se pudesse enxergar o que viveram no passado olhando apenas seus olhos cheios de enigmas. Por um momento, ela teve uma incerteza em si mesma. O que Gajeel fazia com ela era apenas “brincadeira”?

O olhar de Gajeel mudou novamente, ficando mais chateado e aborrecido, como se dissesse um adeus. Como no passado... Levy levou sua mão para o rosto dele, tentando decifrar o que ele queria.

Gajeel abaixou-se, levando seus lábios aos seus, pronto para beijá-la. Mesmo envergonha, ela fechou os olhos, entreabrindo os lábios e esperando que ele chegasse.

Porém ele não chegou. Levy deixou os olhos fechados por alguns segundos, mas ao esperar demais, os abriu com o cenho franzido. Gajeel estava imóvel, como se achasse que aquilo estava errado demais.

Levy iria abrir a boca para falar algo, entretanto, viu Gajeel começar a sumir, ficando transparente. Ela tentou detê-lo, mas suas mãos permeava todo seu corpo desaparecendo lentamente.

Ela acordou com um sobressalto, respirando com força, como se corresse quilômetros. Passando a mão na testa, ela suspirou, percebendo já serem 9h da manhã e seu estômago roncava.

Fora apenas um sonho...

–

– Bom dia, Poluchka – disse Levy com um sorriso calmo.

Após terminar de se vestir, Levy continuou pensando naquele sonho tão esquisito. Gajeel mal havia voltado e ela já estava pensando nele até em sonhos? Com toda certeza aquilo era, no mínimo, peculiar.

Ao parar de lembrar daquilo, arrumou os cabelos e passou uma leve maquiagem para a manhã. Não gostava de deixar de usar ao menos um pó no rosto, assim não pareceria uma morta-viva pela casa.

Desceu as escadas até a cozinha, onde finalmente poderia finalmente comer. Poluchka já estava terminando de preparar algumas torradas com café. Também era o dia onde veria o pai depois de uma semana de meia, e disso já contava os segundos.

– Bom dia, querida – sorriu, olhando para trás dela. – Olhe quem já acordou.

Seu coração acelerou um pouco, porém não quis demonstrar. Levy virou-se lentamente e viu Gajeel com seus cabelos presos novamente, onde ficava extremamente sexy – e aquela roupa em seu corpo, Deus.

– Bom dia... Gajeel. – disse.

Sorrindo quase tranquilamente, ele respondeu: – Bom dia.

Não iria admitir em voz alta, mas gostava – nem que um pouco – quando ele a chamava de “Baixinha”. De qualquer maneira, não poderia pensar em nada.

Mas Gajeel saiu rapidamente. Ele apenas recebeu uma maçã suculenta de Poluchka e saiu com um maneio. Levy suspirou alto em seguida, virando-se para a velha.

– Conversamos ontem. – com um rosto ansioso, ela sussurrou.

– Sério? A que horas isso aconteceu? – seu rosto era duvidoso, mas também pândego.

Corando, ela logo inventou algo: – Um pouco antes de eu entrar no quarto, ele me chamou. Foi uma conversa rápida, mas muito significativa.

– Ele lhe contou sobre tudo?

– Acho que sim – entristeceu. – Chorei bastante quando ele me contou sobre Talicana. Não acredito que isso aconteceu com ela. Mesmo assim, irei visitá-la assim que puder. Eu tenho certeza que ela não partirá tão fácil, não é?

– Claro. Ela sempre foi uma mulher bastante forte! – sorriu. – Mas Gajeel te contou... tudo mesmo?

Levy franziu o cenho, se perguntando se Poluchka escondia algo em seus olhos.

– Como assim?

– Bem, o que sua mãe queria.

Ela arregalou os olhos e abriu um sorriso, – achando – saber o que ela dizia.

– Disse. Ela queria que nos déssemos bem um com o outro e voltarmos a sermos amigos, como antigamente – sorriu, confiante. Poluchka apenas escutou, fingindo concordar. – Por mim, nós já voltamos a nos dar bem! Depois que escutei essa história, fiquei orgulhosíssima de Gajeel.

Poluchka deu um sorriso amarelo. Ela sabia que Gajeel iria distorcer a história real. O desejo de Metalicana era bem mais do que aquilo, porém era óbvio que ele nunca contaria aquilo para Levy. Ele precisava trabalhar, e pensar em coisas do tipo apenas atrapalharia.

– Ah, claro – sorriu, terminando o café da manhã. – É bom que tenham se dado bem. Seu pai vai gostar.

Ela deu uma risadinha: – Falando nisso, ele está voltando hoje de manhã, não é? Estou muito ansiosa.

– Isso mesmo. Mas não sei quanto tempo ele vai ficar.

Levy diminuiu seu sorriso, tentando manter-se alegre.

– Tudo bem, pelo menos eu falarei novamente com ele.

Na verdade, ela queria apenas que seu pai parasse de viajar. Sua profissão dava muito dinheiro, entretanto, Levy preferiria um pai mais presente. Às vezes ele ficava trancado em sua sala, trabalhando pelo computador, mas nunca a dispensou para brincar rudemente, o que era um lado bom.

Querendo parar de pensar naquilo, ela foi comer aquele delicioso banquete.

(...)

Levy passou mais ou menos uma hora conversando com Lucy pelo chat de seu celular. Pelo visto, a viagem que tivera com Natsu rendeu muito. Não via a hora de ir ao casamento dos dois. Seria a dama de honra, e não havia nada mais especial do que aquilo.

Olhou as horas e percebeu que eram 10h10m, e seu pai já estava na cidade àquela hora. Sorrindo, excitada, correu pelas escadas e chegou até a sala de estar. Ela usava um short de renda branco e uma regata roxa, bem casual.

Ficou assistindo televisão até escutar a porta se abrir. Não tinha a menor ideia de onde estaria Gajeel naquela hora, mas provavelmente estava tomando banho. A imaginação dele nu fez Levy sentir um arrepio na coluna.

Quando viu seu pai atravessar a porta, sorriu automaticamente e correu até ele. Louis usava seu terno grafite e a maleta a qual nunca desgrudava. Seu rosto estava pacífico, porém bastante cansado da longa viagem. Poluchka pegou sua mala enquanto ele tirava seu casaco.

– Papai! – e o abraçou, este cheio de saudade.

Sorrindo, ele retribuiu.

– Olá, filha. Como vai?

Desvencilhando-se dele, ela continuou:

– Bem, mas eu estava com muitas saudades. – riu, seguindo-o até as escadas.

– Eu também, querida, mas sabe como é. Pelo menos os negócios foram ótimos! – já subindo, ele comemorou.

– Isso é maravilhoso – sorriu, tentando lembrar-se de mais assuntos e não acabar aquela conversa. – Gajeel já chegou. Você sabe, não é?

Ele arregalou os olhos, como se tivesse visto um fantasma, porém sorriu em seguida.

– Quero vê-lo! Só falei com ele por telefone – riu, chegando até sua sala de trabalho. – Vocês dois se deram bem? Sei que não sabia disso, e sinto muito não ter falado antes.

– Está tudo indo bem – Levy não se importaria em contar o que houve antes de eles se “reconciliarem”. – Ele mudou bastante, e está um homem bastante responsável, principalmente com Talicana.

– Sei que sim – sorriu. – Se o vir, peça para que venha aqui na minha sala, OK?

Luis abriu a porta, esperando que ela entrasse.

– O senhor vai trabalhar mais? – ela franziu o cenho, curiosa.

Com um sorriso torto, ele concordou.

– Mas não vai ficar aqui pelo menos alguns dias? Talvez Gajeel tenha coisas pra contar, ou...

– Sinto muito, querida, mas meu trabalho está bastante puxado. Hoje à noite eu vou voltar para o Canadá.

Suspirando forte, ela apenas balançou a cabeça. Seu pai poderia ser muito bom e gentil com Levy, entretanto, colocava o trabalho acima de qualquer coisa ou assunto familiar. Não o culparia de nada, afinal, ela o amava.

– Tudo bem. Vou chamar Gajeel para conversar com você. – e saiu, cansada de tentar fazê-lo ficar.

Levy não tinha ideia de onde Gajeel estava. Ainda tinha em mente que ele poderia estar em seu quarto, à vista disso, olhou ao redor para se certificar que ninguém a veria indo até lá. Tinha quase certeza que seu quarto era no mesmo corredor a qual ficava o de Poluchka.

Ele ficava um pouco distante, visto que a casa era gigantesca. Aquela também era uma boa para que eles conversassem mais um pouco, mesmo se fossem poucas palavras, estava bom.

Ela percebeu uma das portas diferentes naquele corredor. Provavelmente seria o quarto de Gajeel. Perguntou-se o porquê de seu pai querer tanto conversar com ele após chegar do trabalho – É, estava com um pouco de ciúmes, mas não sabia de quem, entretanto.

Chegou lentamente até a porta, colocando o ouvido atrás da porta para se asseverar que ele realmente estava lá dentro. Ficou feliz ao ouvir alguns passos baixos e bateu lentamente na porta, com medo de assustá-lo.

Porém ninguém atendeu. Levy franziu o cenho e tentou novamente, sendo invadida pela vontade de abrir a porta e ver o que ele fazia. E como ele continuou a ignorar seu chamado, ela a abriu bem devagar, com medo que ele percebesse. Era até normal Levy fazer isso quando eram crianças, mas Gajeel sempre a assustava.

Reprimindo uma risada, ela abriu-a mais um pouco, pronta para dar-lhe um susto. Mas no mesmo momento em que viu Gajeel, congelou dos pés ao último fio de cabelo. Seus músculos endureceram e ela não conseguia voltar atrás.

Gajeel estava apenas de cueca Box enquanto enxugava os fios de cabelo negros com uma toalha branca. O coração de Levy acelerou, fazendo-a sentir gotas de suor aparecer em sua testa. O corpo dele era, de longe, o mais bonito que ela já havia visto em toda sua vida.

Ela se perguntou como ele não escutou suas batidas, e reparou em seguida no fone de ouvido que ele usava – o que deveria estar nas alturas. Seus olhos, entretanto, preferiram observar outros locais mais interessantes.

Seu traseiro era redondo e dava uma tremenda vontade de apertar. Levy jamais tinha sentido aquelas vontades. Gajeel havia mudado muito, visto que, na sua infância, seus dentes eram tortos, o cabelo espetado para cima, e esguio como um espeto.

Ela tentou fechar a porta novamente, com medo de ser pega olhando lugares não “corretos”. Porém como tinha uma grande sorte, Gajeel se virou rapidamente, arregalando os olhos em seguida e olhando as próprias vestimentas indecentes.

Merda., gritou Levy em seu pensamento.

–

“Não me alimento de ‘quases’, não me contento com a metade! Nunca serei sua meio amiga, ou seu meio amor… É tudo ou nada.” – Marilyn Monroe

Notas finais
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