Dean e May
2 Herói
Notas iniciais
Estava em um campo, cheio de flores, flores de todos os tipos: Rosas, Margaridas, Petúnias, Orquídeas, Girassóis... Inúmeras cores, inúmeros aromas. Parecia um sonho, então ouvi alguém chamar meu nome de longe — May, May, May.. — o chamado ficava cada vez mais próximo e nítido. Logo, eu via um menininho ruivo, dos olhos verdes que me chamava com um sorriso no rosto. Porém, mesmo próximo de mim continuava a me chamar, então.. abri meus olhos e percebi que era o Dean na cabeceira da minha cama chamando meu nome repetidas vezes.
— May! Acorda! A primavera começou! Hoje é o primeiro dia da primavera! — falava empolgado e eu mais empolgada ainda, saltava da cama, colocava minhas pantufas, fazia uma trança, pois nunca começava o dia sem elas e corria pela casa com o meu pijama florido. Ia diretamente para o jardim e saltava de alegria ao ver que minhas flores estavam mais lindas do que nunca. Assim foram todas as manhãs de início de primavera da minha infância.
Não posso reclamar da minha infância, ela foi repleta de aventuras. Algumas que nos renderam belos sermões e outras que ficaram marcadas pra sempre em nossas lembranças. Uma delas eu me lembro muito bem e não tem um dia que eu esqueça de como aconteceu.
— Crianças, o café está na mesa — disse a tia Lucy, nos fazendo correr para a cozinha guiados pelo aroma delicioso de panquecas quentinhas que tinham acabado de ser feitas. — Hoje nós vamos fazer um churrasco pra o pessoal da vizinhança — disse ela nos deixando animados — Êeeee! — vibramos de alegria, só de imaginar que poderíamos brincar o dia todo com as crianças da rua, principalmente com o nosso melhor amigo, o Rich.
O Rich era dois anos mais novo do que nós, mas era um menino muito evoluído pra sua idade, era considerado um superdotado, apesar de nunca se considerar como tal. Acho que se eu tivesse a inteligência dele, iria me gabar eternamente. Ele é o tipo de pessoa que sempre está sorrindo e tem um coração enorme, mas que quando está irritado... é melhor sair de perto.
— Oi Rich! — falamos em uníssono ao ver o esperto garotinho de 5 anos de cabelos castanhos arrepiados que atravessava a rua usando um macacão do Scooby-doo que usava quase todos os dias.
—Oi Dean! Oi May! Minha mãe disse que a tia Lucy e o tio Phill iam fazer um churrasco e eu pedi a ela pra vir mais cedo pra poder brincar com vocês. — disse sorrindo.
— Que Legal! Minha mãe comprou uma TV nova e a caixa em que ela veio é beeem grande! A gente pode usar ela pra brincar de jornal. Aí você pode ser o cara que fica no balcão apresentando, eu o cara que fala dos esportes e a May a garota do tempo — falou Dean empolgado.
— Ei, porque eu tenho que ser a garota do tempo?! Eu quero ser a repórter, viajar no mundo fazendo as reportagens — disse indignada.
— Porque precisamos de uma garota do tempo, já viu um jornal sem garota do tempo? — falou tentando me convencer.
— Não, mas também nunca vi nenhum sem repórter! e.. — fui interrompida pela tia Lucy.
— Crianças! O churrasco está pronto! — gritou da sala. Todos corremos para a mesa, eu não estava tão empolgada por causa da carne, sou vegetariana desde que descobri que os pobres animaizinhos sofriam tanto pra chegar aos nossos pratos, mas a tia Lucy sabe fazer um espetinho vegetariano como ninguém.
Depois de comermos, tentamos resolver do que brincaríamos lá fora mesmo, porque a tia Lucy disse que era pra gente interagir com as outras crianças que tinham chegado. — Vamos brincar de esconde-esconde! — dei uma sugestão, essa era minha brincadeira favorita, já que eu sempre podia trapacear me escondendo na floricultura da minha mãe e fechando a porta até eu que eu ouvisse alguém dizendo "Tá may, eu desisto" aí saia pelos fundos ia para um arbusto que tinha do lado e ainda dizia "Meu esconderijo tava muito fácil! Como vocês não conseguiram achar?" haha. Eu era uma trapaceirinha.
— Tá, vamos brincar de esconde-esconde — falou Dean já cansado de brincar todos os dias da mesma coisa — Mas já que você que quis, tá com você, May! — todos saem correndo me deixando sozinha. Comecei a contar até 50, ao terminar fui procurar e vi um cachorrinho fofo no meio da rua, provavelmente um filhote de vira-lata. Me aproximei pra acariciá-lo e percebi que um carro vinha em sua direção, corri, segurei o filhote, mas fiquei paralisada pelo medo e não me mexia à qualquer custo, todos gritavam meu nome e diziam pra eu sair da frente do carro, mas eu não reagia, simplesmente joguei o cachorrinho pro lado e fechei meus olhos com toda força, esperando um impacto. A única coisa que senti foi como um empurrão para o lado, nunca imaginei que um atropelamento seria algo como isso. Ao abrir meus olhos, vi que na verdade estava sã e salva deitada no asfalto.
— May! Você tá bem? — falou o Dean do meu lado com a maior cara de preocupação e um arranhão no rosto, percebi que eu tinha sido salva por ele e que ele tinha arriscado a vida dele pra salvar a minha.
— Tô sim, Dean — respondi sorrindo, apesar de meu braço estar doendo muito, porque não queria preocupá-lo mais.
— Que bom, não sei o que eu faria se tivesse acontecido alguma coisa com você. Não me assusta assim! — Ele falou aliviado. Foi ali que comecei a enxergar o Dean como um herói, não um príncipe, porque príncipes são muito perfeitos e isso o Dean nem chega perto de ser, além do que príncipes só salvam princesas e eu também não sou nenhuma princesa. Ele é um herói, com todas as imperfeições, mas que sempre se preocupa mais com os outros do que com ele mesmo. Ele é o meu herói.
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