Dean e May
3 Pro que der e vier
Notas iniciais
Três anos depois...
Pov. Dean
Era uma sala escura, iluminada apenas por uma luz amarelada, a qual eu segurava contra o rosto de um cara que estava sentado em uma cadeira de frente à mesa na qual eu me apoiava. Esse cara tinha uma expressão séria e preocupada.
— Então, vai me dizer o nome do seu chefe ou vou ser obrigado a usar a força? – pergunto friamente para o cara que, aparentemente, está sendo interrogado por mim. Olha só! Sou um detetive! O que é estranho porque sou horrível em deduções.
— Eu NUNCA direi! – grita o interrogado.
— Bem, então parece que não tenho escolha. Rich! – chamo meu amigo que estava ao meu lado. O Rich tira o próprio tênis e coloca em cima da mesa na qual o interrogado está. E então um baita fedor se espalha pela sala. Acredite o chulé do Rich é capaz de fazer qualquer um chorar.
— NÃO! NÃO! ISSO É TORTURA DEMAIS! – Grita o interrogado pedindo misericórdia.
— Para tirarmos isso daqui, você vai ter que nos responder. – digo – Qual o nome do seu chefe?!
— MORIARTY! AGORA TIRA ISSO DAQUI! POR FAVOOOR, EU IMPLORO! – responde o interrogado, finalmente. Moriarty! Mas quem poderá ser? Fico vasculhando na minha mente algo que possa ter ligação com esse nome. Sem sucesso. Nunca havia ouvido nada parecido, provavelmente deve ser um sobrenome, mas qual será seu PRIMEIRO nome?!
Após dizer isso, meu telefone toca, o que é muito estranho, porque eu nem tenho um celular. Olho e vejo que recebi uma mensagem.
“May” dizia a mensagem. May? Como assim, May?! Esse caso tá ficando cada vez mais complicado. De repente, ouço passos que ficam cada vez mais altos. Logo, alguém abre a porta e é possível ver uma sombra em frente à luz que vem de fora.
— May – diz a sombra – May Moriarty.
Após dizer isso a sombra dá um passo à frente e é possível ver seu rosto. Finalmente estou em frente de quem estava procurando, a minha arqui-inimiga... Que acabo de conhecer. E assim se inicia um longa jornada e busca do cumprimento deste caso que...
~Super macaco bebê geneticamente modificadoooo tan tan tan tan tan ~ Começa a tocar a música tema do meu desenho favorito, e então, do nada, todos naquela sala estão usando fraldas por cima das roupas e cantando a música animadamente. Aí eu acordei. E percebi que na verdade tudo não passou de um sonho. O que faz tudo ter mais sentido pra mim, afinal eu ter um celular?! Só em sonho mesmo. Bom, a May ser minha arqui-inimiga também é muita viagem hehehe.
Desligo meu despertador que não para de tocar a música e vejo que JÁ SÃO 6:50 DA MANHÃ E EU TÔ SUPER ATRASADO PRA IR PRA ESCOLA. Tudo bem que eu não costumo ligar muito pra isso, afinal chego atrasado todo dia, mas hoje é o PRIMEIRO DIA EM UMA ESCOLA NOVA. Não dá pra já chegar causando má impressão.
Me arrumo o mais rápido que posso e desço deslizando pelo corrimão da escada até que... BAM! Caio de joelhos no chão com tudo. Cara, como isso doeu. Mas nem liguei muito, digamos que essas coisas acontecem muito comigo. Quem pareceu não ter se importado muito também com a queda foi a minha mãe, que continuou tomando café tranquilamente e só disse – A caixa de primeiros-socorros tá no meu guarda-roupa, na última gaveta. – O único que pareceu se importar com a minha queda foi o meu cachorro, o Johnny, que ficou chorando e balançando o rabo, enquanto me cheirava.
— Nossa mãe, que falta de sensibilidade com o seu pobre filhinho machucado, nem se preocupa... – digo em tom de choro.
— É claro que eu me preocupo, mas não posso fazer nada se o meu filhinho de 10 anos continua descendo pelo corrimão, mesmo sabendo que vai se machucar. E outra, você precisa aprender a fazer as coisas sozinho, afinal nem sempre vou poder estar aqui pra te ajudar, já pensou se você se machuca enquanto não tiver ninguém em casa, não gosto nem de imaginar e... – Ela começa a falar sem parar.
— Tá mãe, desculpa. Aprendi a lição. Não precisa continuar o sermão, eu só tava brincando. – é sempre assim, ela sempre encontra uma forma de me dar lição de moral. Subi as escadas devagar, porque meus joelhos estavam ardendo, até que no meio da escada lembrei. – MÃAE!! A ESCOLA! EU TAVA SUPER ATRASADO QUANDO DESCI! – falei pra ela que estranhamente começou a rir
— Ontem à noite, eu adiantei seu relógio em 1 hora, porque sabia que você ia acabar se atrasando hoje, chegar atrasado no primeiro dia de aula da escola nova não dá, né? – ela diz, rindo da minha cara.
— Ahh mãae, que maldade! Quer dizer que eu acordei às 5:50 da manhã?! Muito cedo! Vou voltar pra cama. – digo indignado.
— NADA DISSO! Você vai cuidar desse machucado e descer para tomar café, senão vai acabar se atrasando de verdade. – ela fala, quer dizer, ordena, em tom autoritário.
Concordei com o que ela disse, apesar de não querer, continuei a subir as escadas e cheguei ao quarto da mamãe, abri o guarda-roupa e lá estava a caixa de primeiros socorros. Peguei a caixa e ouvi um “BOM DIAA” que vinha lá de baixo. Bom, pra estar a essa hora aqui em casa nessa animação, em plena segunda-feira de manhã e para o Johnny estar latindo alegremente assim, só podia ser a May. "Eitaa! Preciso contar a ela sobre o meu sonho! Ela vai rir muito" pensei. Cuidei do machucado e desci as escadas, dessa vez pelos degraus mesmo. E lá estava ela brincando com o Johnny. Não entendo como ela consegue ficar tão bem-humorada a essa hora do dia. Eu sou um poço de mau humor de manhã.
— E aí, May! Bom dia! – digo ainda descendo as escadas. Ela tava como sempre, com sua trança diária, quer dizer, uma pra cada dia da semana. Haha. Não tava usando o costumeiro macacão, mas só porque não se pode usar macacão na escola e carregava a mochila de flores que ela usa desde a 1º série.
— Bom dia, Dean! – Ela disse sorrindo pra mim como se hoje não fosse uma segunda-feira. – O que aconteceu com seus joelhos? Deixa eu adivinhar, deslizou pelo corrimão de novo hoje? – Ela diz cruzando os braços e arqueando uma das sobrancelhas.
— Ah! Acertou senhorita vidente! – digo fazendo graça
— Não é preciso ser vidente pra saber das suas loucuras. – Ela diz rindo – Bem que eu queria poder fazer isso e não ter nenhuma fratura, só um machucadinho desse – minha mãe olha pra ela como se dissesse “May! Não incentiva!” – Q-quer dizer, eu NUNCA faria isso, mesmo que pudesse e você também não deveria fazer, porque você acaba se machucando todo. – ela pisca pra minha mãe que retribui. A mamãe vê a May como o meu “bom-exemplo” porque ela é toda certinha e tal.. mal sabe ela que ela é bem mais aventureira do que eu hehehe
— Vamos tomar café, Abigail? – Chamo a May pelo segundo nome dela que ela ODEIA, só pra irritar. Ela fica com uma cara de quem poderia me matar a qualquer momento, acredite, quando se trata disso, ela fica uma fera.
— Dean, se você falar esse nome que NUNCA deve ser pronunciado mais uma vez, eu não terei piedade dos seus machucados. – ela avisa com uma cara assustadora.
— Qual nome? – digo.
— Aquele nome que você disse nestante. – diz ela
— Ah ta, entendi... Abigail.
E foi assim que acabei indo tomar café com dois joelhos machucados e um olho roxo, em pleno 1º dia de aula em uma escola nova.
— May! – Tento falar com ela, enquanto tomamos café.
— ... – Ela me ignora.
— Ah não! Não vai ficar me dando gelo, né? Hoje é o primeiro dia de aula e só conheço você na escola.. E você também já se vingou – Digo apontando para o olho roxo.
— Poxa, Dean! Você sabe que eu não gosto nem um pouco desse nome e fica provocando. Talvez eu tenha exagerado, mas eu fico com raiva mesmo. Desculpa. – ela fala olhando pra mim.
— Não, eu que tenho que pedir desculpas, eu só fiz aquilo pra te irritar e sabe, eu acho “aquele nome” bonito. É um nome diferente e diferente é legal. – digo e ela sorri.
— Amigos de novo? – pergunto estendendo a mão como se fosse fechar um contrato.
— Nunca deixamos de ser. – ela aperta minha mão me cumprimentando.
— Ah! Tenho que te contar o sonho que tive — falei animado – Você era o Moriarty e eu acho que eu era uma espécie de Sherlock. — não consegui conter a risada.
— Peraí, então eu era o maior arqui-inimigo do Sherlock Holmes e você era o Sherlock?! Você nem é bom em deduções — ela ri – E então você me vê como uma arqui-inimiga, hein?
— Claro que não, quer dizer.. depois disso acho que vou rever meus conceitos – digo brincando, apontando pro meu olho roxo. Ela ri. – E o mais estranho de tudo era que eu tinha um celular, tipo eu ter um celular?! Kkk Só em sonho mesmo... Não gostaria de realizar esse sonho, mamãezinha? – Digo olhando pra mamãe. A May continua rindo
— Não, Dean. Celular só depois dos 15. Se você já não faz nada sem, imagina com? – ela ri e eu faço cara de desapontamento. — Ok, crianças! Que bom que estão mais amigos do que nunca, mas já está na hora de irem para a escola – fala enquanto tira os pratos da mesa.
— Ei, mas eu não terminei a panqueca! – Reclamo com a mamãe.
— Deixa que eu termino pra você – fala enquanto já está fazendo esse “favor” de comer o resto da panqueca que eu estava comendo. – Tá, agora vão logo.
— Sim, senhora! – dissemos em uníssono.
— Tchau Johnny Bravo!! Hoje você não vai poder ir, porque infelizmente cachorros não podem entrar na escola, mas já, já voltamos, tá?– diz a May enquanto acaricia o Johnny, eles dois tem uma forte ligação, porque ela salvou ele de um atropelamento há dois anos, só que como eu “salvei” ela, a May decidiu deixar ele comigo. Ah! E o nome dele é Johnny Bravo por causa do desenho mesmo. Pegamos as bicicletas e fomos pedalando rumo a nossa nova escola. Sabe, é meio chato isso de ter que mudar de escola, mas fico feliz pela May estudar na mesma sala que eu, afinal a gente é melhor amigo desde... desde sempre. E sei que ela vai estar comigo pro que der e vier.
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