Dead World.
1 Epílogo.
Notas iniciais
O mundo acabou no dia 23 de setembro de 2012, de acordo com os anúncios no rádio de que a epidemia estava se espalhando com uma rapidez assustadora por todo o país. Mais e mais pessoas foram infectadas e o Exército, a Guarda Nacional e todas as forças de segurança estavam tentando conter o avanço do vírus destruindo cidades e determinando quarentena em vários estados. Centenas de milhares de pessoas abandonaram suas casas e tentaram fugir para a Califórnia, que até os últimos registros no rádio parecia estar livre da doença, ou então tentavam atravessar a fronteira pro México ou fugir dos Estados Unidos através de barcos que atracavam na costa.
O restante do mundo proibiu que pessoas vindas dos Estados Unidos entrassem em seu país numa medida desesperada de tentar manter o vírus em território americano, e com isso notícias de que estavam exterminando pessoas que tentavam pedir ajudar a outros países. Nada mais era como antes.
- Nós não podemos ficar aqui por muito tempo. – disse meu pai, que acabara de chegar de sua ronda noturna pela região, segurava sua pistola firmemente na mão esquerda. – Eu vi 3 walkers caminhando logo abaixo do rio. – e apontou para as florestas atrás do nosso grupo. – Não sei quantos mais poderá haver.
Éramos um grupo de 7 pessoas, a maioria vinda do Colorado, um dos estados mais afetados pelo vírus. Eu, meu pai e mais dois homens fazíamos a defesa do grupo durante a noite, com turnos de revezamento. Já tivemos que matar alguns walkers, mas sempre eram 1 ou 2. Nunca encontramos uma horda inteira.
- Paul, — disse minha mãe, levantando-se de uma cadeira e indo para o lado do meu pai. – Está anoitecendo, e há velhos e crianças conosco. Não conseguiríamos caminhar muito longe, ainda mais com walkers atrás de nós.
Novamente o burburinho de inquietação se formou entre as pessoas, todas se perguntando qual seria a melhor saída. Outra vez o medo estava presente, e eu quase podia ver isso no rosto e no olhar de todos ali.
- John! – exclamou minha irmã mais nova, correndo até mim segurando sua boneca velha. – Está tudo bem?
- Kate, — respondi, escondendo minha arma no coldre e me abaixando até ficarmos olho a olho. – Vai ficar tudo bem, ok? Papai e eu vamos resolver isso.
Antonio, um cubano que entrara ilegalmente pela fronteira anos atrás, se aproximou de nós. Fez-se silêncio outra vez.
- Existe uma escola logo abaixo da rodovia 43. Acho que conseguiríamos ir até lá essa noite, pelo menos dentro de um prédio poderemos nos proteger melhor.
Todos consideraram a questão, e foi feita uma reunião para decidir a melhor estratégia. Segurei Kate pelo braço e puxei ela para mais perto da fogueira, a noite estava ficando gelada.
- Ninguém mais vai morrer, né John? – ela perguntou, abraçando com força a boneca e olhando as chamas da fogueira. Meu coração se apertou no peito, e eu me culpei por minha irmã está sendo obrigada a viver num mundo tão destruído. Ela obviamente estava falando do vovô, e de como ele sofrera enquanto o vírus o transformava num zumbi.
- Ninguém vai morrer, querida. – disse, com a voz pouco convincente.
Todos iríamos morrer, porque essa era a lei natural da vida. Os walkers só tornaram as coisas mais rápidas.
Nesse momento alguém passou por trás de mim, e abri um sorriso quando mãos firmes e gentis fizeram carinho no meu cabelo.
- John não está brincando Kate, ele não vai deixar mais ninguém morrer. Sabe que ela consegue matar walkers de olhos fechados.
Era Anna quem falava, e nesse momento eu senti sua voz acalmando cada pedaço do meu corpo. Quando ela dizia que tudo estava bem eu realmente acreditava.
- Você está exagerando, Anna. – disse, puxando ela para mais perto e beijando-a rapidamente. Ainda não gostava de fazer isso na frente da minha irmã. – Fique aqui, Kate. Brinque com sua boneca.
Eu e minha namorada saímos do aglomerado de pessoas que discutiam nossos próximos passos, e caminhamos durante poucos minutos até uma clareira na floresta onde era possível admirar o luar. Haviam montanhas mais adiante, e a lua desabrochava no seu nesse exato minuto.
- Estou preocupada, John. – confessou Anna, deixando de lado o sorriso que dera para minha irmã. – Há walkers por toda a estrada, teremos que desviar por um caminho menos usado se quisermos chegar na escola ainda essa noite.
Sentei numa enorme pedra abaixo de uma árvore e pedi que Anna fizesse o mesmo. Assim que nos beijamos o cheiro do seu perfume invadiu minhas narinas e me deixou tonto de paixão. Seus longos cabelos ruivos caíram ao redor do seu rosto, e eles pareciam brilhar sob a luz do luar.
- Que bom que eu posso contar com você. – contei, acariciando seu rosto. – Nós vamos conseguir sair dessa. Nossos pais sabem o que fazer.
Tudo estava silencioso, o vento havia parado e de repente parecia que só havia nós dois no mundo inteiro. Segurei seu corpo contra o meu e a beijei novamente.
- É seu aniversário daqui a dois dias. – sussurrei, pegando-a de surpresa. – Quer algum presente? Uma festa?
Ela gargalhou, me abraçando e me beijando outra vez.
- Eu só preciso de você, seu bobo apaixonado. Não tem mais graça comemorar aniversário de 18 anos nesse mundo.
- Sabia que você ia dizer isso, por isso vou montar alguma surpresa. Já falei com sua mãe sobre isso, nem adianta reclamar.
Segurei seu corpo contra o meu e nossos beijos se tornaram mais quentes. Nossos corações pareciam bater no mesmo ritmo.
- John, essa não é uma boa hora. – disse Anna, se distanciando de mim e saindo de cima da pedra. – Vamos voltar pro grupo, eles vão precisar de nós.
Eu disse que a amava outra vez, e nesse momento várias coisas aconteceram ao mesmo tempo.
Foi tudo rápido demais até para eu puxar minha arma e reagir. Ouvi o barulho de tiros vindo do nosso grupo mais acima e quando Anna ia sair correndo um walker saiu de entre as árvores e pulou sobre ela. Eu atirei, mas errei o alvo. O zumbi agarrou Anna com força e mordeu seu braço, tirando um pedaço de carne e vários gritos dela.
Mais barulhos de tiros vieram do grupo, e o grito de agonia e dor de Anna ecoou pela noite.
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