Dead Nation
2 Testes
Meu nome é Ryo Miamoto, tenho 15 anos e um objetivo, me tornar membro dos guardiões de elite e sair deste lugar.
Moro sozinho nesta cidade chamada City Falls (cidade caída), ela tem esse nome por ser muito abaixo do limite da terra, que não permite que nenhum cidadão saia da cidade, é a única cidade existente no continente do submundo.
Não sei quem são meus pais, então tudo o que eu aprendi foi com meu próprio esforço. Com cinco anos o governo me obrigou a freqüentar a escola, mas como nunca gostei disso, eu sempre escapava para ver os treinos de tiro dos guardiões da cidade, eles não eram simples policiais como os existentes em outros lugares, são uma espécie de mercenários que são contratados por outros continentes ou países para lutar uma guerra em nome deles, todos tinham equipamentos de ultima geração, o que os permitia antecipar alguns movimentos dos adversários, tinham um treinamento muito rígido, o que os tornava ainda mais fortes.
Em uma tarde um tanto chuvosa, eu voltava da escola quando fui atacado por dois homens, eles eram altos e fortes, não pude ver seus rostos, eles me batiam muito e não tinha como eu me defender, um pouco antes de desmaiar vi um senhor negro derrotar ambos os homens com uma espada de madeira. Quando acordei estava deitado dentro de um dojô de kendô (antiga arte samurai) que ficava próximo a minha casa, aquele senhor negro se chamava Sombra, nunca soube seu verdadeiro nome, mas era assim que todos o chamavam. Era alto e robusto, com um rosto muito marcante, suas linhas de expressão o faziam parecer gentil e carinhoso, mas ao mesmo tempo suas sobrancelhas grossas e meio arqueadas o faziam parecer mal. Aquele senhor ajudou a me recuperar, e a partir daquele dia passei a treinar Kendô, tendo ele como meu mestre.
Aprendi a ter disciplina e calma, fiquei mais rápido, inteligente e forte, com isso meu objetivo ficou mais próximo do alcançável.
O tempo se passou e finalmente completei 19 anos, já tinha idade o suficiente para me inscrever no teste para guardião, e foi exatamente o que fiz. Na manhã do meu aniversário me coloquei disposto a ir, mas antes decidi passar no dojô para que meu mestre me desejasse boa sorte. Chegando lá o vi meditando, fiz uma reverência, entrei e ajoelhei em sua frente. Ficamos um tempo em silêncio até que ele disse:
– Você não precisa de sorte, tudo o que você precisa está dentro de você. Então vá em frente e de o melhor de si.
Novamente fiz uma reverência e me retirei do dojo. Por uma questão de costume e até mesmo de proteção, sempre ando com uma espada de treinamento amarrada em minhas costas.
Tinha acabado de sair do dojô e estava a caminho do posto central dos guardiões, chegando lá pedi informações a um dos oficiais de baixo escalão que guardava a entrada principal. Era um homem robusto e baixo, que me informou para que seguisse em frente, pois o local de inscrição estava logo adiante.
No posto de inscrição já não era mais um oficial de baixo escalão, e sim um dos guardiões, cheguei um pouco mais perto entreguei uma ficha com todos os meus dados e comecei a falar:
– Boa tarde, meu nome é Ryo Miamoto, tenho 19 anos e estou aqui para me inscrever no teste de guardião.
– Bem vindo Sr.Miamoto, basta assinar aqui e após isto o senhor terá de enfrentar três testes, se passar por eles estará quase que cem por cento apto a ser um guardião.
Notei uma expressão estranha vinda do rosto dele ao ler minhas informações, mas o mais interessante foi ver a cara de nojo e espanto que ele fez ao saber que eu não tinha pais. Fingi que não vi nada e prossegui com a conversa.
– Ok, muito obrigado.
– De nada, por favor, aguarde um momento, já o enviaremos a uma sala para que o senhor possa se acomodar.
Eles me mandaram para uma sala de espera onde havia mais uma garota, não sabia seu nome, mas guardei bem sua fisionomia. Cabelos pretos não muito longos, o corte era bem diferente, nada igual ao que eu já tinha visto por aqui, sua pele branca também não era uma característica desta cidade. Achei-a bonita, mas meu foco aqui era outro, meu objetivo estava em jogo, e eu não podia me distrair. Depois de um tempo de espera meu nome foi chamado, levantei e me dirigi em direção à porta, ouvi uma leve voz que me desejou boa sorte, olhei nos olhos dela enquanto ela olhava nos meus, não parei para agradecer, aquilo tiraria minha concentração, continuei em frente e atravessei a porta.
O primeiro teste:
Totalmente diferente do que eu pensei, este era um teste de paciência e calma, você basicamente tinha que se manter calmo sem demonstrar nenhum sentimento ou expressão. Era exatamente o que eu tinha treinado no dojô, então este teste foi bem fácil para mim. Fiquei sentado em uma sala branca que aparentemente era calma, após um grande tempo de espera muitas coisas aconteceram, pessoas começaram a gritar e falar bem alto, muitos ruídos, uma microfonia forte foi soada em minha cabeça, mas mantive-me imóvel e sem nenhuma expressão.
Ao final do teste fui recebido por outro guardião, desta vez era magrelo e alto, sua expressão era de quem estava impressionado. Ninguém nunca achou que um garoto sem pais e com apenas 19 anos fosse capaz de passar por um teste desses sem nem ao menos demonstrar um mínimo incômodo.
Colocaram-me em outra sala para que esperasse o próximo teste ser preparado. Notei conversas paralelas e olhares estranhos direcionados a mim, como se nenhum deles quisesse que eu me tornasse um guardião.
Depois de um tempo o próximo teste ficou pronto e fui chamado para realizá-lo.
O Segundo teste:
Como os guardiões enfrentam muitas batalhas fora desta cidade eles precisam ser fortes e resistentes, então este teste era basicamente dor e sofrimento.
Quando entrei na sala pediram para que eu tirasse minha blusa, camiseta e calça. Prenderam-me a correntes que esticavam meu corpo de ponta a ponta. Começaram a me torturar e me bater como se eu fosse um prisioneiro de guerra, tudo bem aquilo ser um teste, mas eu achei que eles realmente estavam pegando muito pesado, como se não me quisessem lá.
Depois da tortura a única coisa que eu tinha de fazer era me agüentar em pé por algum tempo sem demonstrar nenhum sinal de dor. Consegui atender as exigências impostas por este desafio. Mantinha-me calmo por fora, mas por dentro, meu corpo estava acabado, meus músculos doíam e eu não conseguia me mexer direito.
Novamente aquele guardião magrelo foi quem me recebeu e me deu os primeiros socorros para que eu ficasse preparado para o próximo teste.
Enquanto ele me enfaixava e me atendia, ficava murmurando a mesma coisa:
– Não acho certo fazer isso, é abuso...
Quando terminou ele me desejou boa sorte e saiu da sala. Antes de sair, pude notar em seu rosto sofrido, como se não concordasse com algo que estava acontecendo.
Esperei mais do que o normal, isso foi bom para que eu me recuperasse quase que por completo, mas ao mesmo tempo eu fiquei preocupado, pensando o que estaria havendo para que demorasse tanto para meu ultimo teste ficar pronto. Depois de mais um período de espera um guardião totalmente diferente do que eu já tinha visto entrou na sala e disse:
– O líder veio pessoalmente presenciar seu teste.
– O líder? -perguntei com espanto.
– Sim, ele está a sua espera na próxima sala, espero que esteja pronto para lutar.
O guardião disse isso com um sorriso maligno na cara, como se realmente quisessem me ver sofrer.
Desde o começo dos testes achei estranho que não tivessem retirado a minha espada, mas agora estava explicado, eu iria lutar contra o líder.
O terceiro teste:
Entrei na sala determinado a vencer, e por mais que fosse o líder meu adversário eu não poderia desistir agora. Meus olhos estavam em chamas e meu coração palpitava muito rápido, a adrenalina corria pelo meu corpo, não hesitei em ir em frente. Havia apenas uma luz no centro da sala que indicava onde eu deveria ficar, caminhei até a luz, saquei minha espada e fiquei parado esperando que algo acontecesse.
A luz central onde eu estava foi apagada e logo depois a sala toda fui iluminada, o líder dos guardiões estava localizado em uma alta plataforma a minha frente, não pude ver seu rosto, pois havia um refletor direcionado para meu, que impedia minha visão ser mais clara e precisa. Uma voz, que parecia ser do líder, começou a falar:
– Bem vindo ao seu último teste Sr.Miamoto, serei muito sincero, não esperávamos que o senhor fosse passar pelos dois primeiros testes, para ser mais exato não queríamos que o senhor passasse por eles. Mas já que está aqui, devo lhe dar os parabéns por conseguir. Irei explicar a última etapa, logo abaixo a esta plataforma existe uma porta, ela se abrirá e um dos meus generais sairá, ele será seu oponente, eu irei apenas ver o seu desempenho e dizer se está apto a se tornar um guardião. Comece! — Gritou ele.
A porta se abriu e um homem saiu de lá, tinha por volta de 1,70m de altura, pele clara, ombros largos e fortes, não conseguia ver mais do que isso, seus equipamentos de batalha não permitiam.
Ele veio na minha direção e parou em minha frente, não tinha armas em mãos, colocou-se em posição de luta e esperou até que eu fizesse o primeiro movimento. Decidi soltar minha espada para que fosse uma luta justa, mas ele fez um sinal com a cabeça como se quisesse que eu ficasse com ela, entendi o sinal e me preparei para o primeiro ataque.
Com base no que eu havia aprendido com meu mestre, analisei bem o general, procurei um ponto exposto onde eu pudesse atacar, o encontrei, estava entre o braço esquerdo e o pescoço, não era totalmente fácil atacá-lo, mas naquele momento era a única parte vulnerável que achei. Fui andando calmamente em sua direção enquanto preparava um ataque e esperava uma abertura maior, todos os seus movimentos eram cautelosos, ele sabia que mais cedo ou mais tarde eu iria atacá-lo, e foi exatamente o que fiz, com um corte rápido e preciso tentei acertar seu ombro para que perdesse o movimento de um de seus braços, rapidamente ele bloqueou o ataque e me acertou duas vezes na boca do estomago, instantaneamente perdi o ar, mas tentei me manter de pé e concentrado.
Ele se afastou um pouco e preparou seu ataque, era minha vez de ficar na defensiva, eu olhava cada um de seus movimentos com muito cuidado, em um milésimo de segundo ele se aproximou de mim e começou a desferir uma série de golpes, consegui bloquear apenas alguns, seus golpes eram muito velozes e fortes, mas ao mesmo tempo em que tentava me defender eu esperava uma abertura para atacá-lo. Finalmente a abertura apareceu, sua perna esquerda ficou totalmente exposta a um ataque aberto, não hesitei e o acertei, aquele ataque fez com que ele perdesse quase totalmente o movimento de sua perna, este era o momento que eu estava esperando, nunca mais teria uma chance como essa em uma batalha. Meu corpo se movia sozinho, a emoção de ver meu objetivo ser alcançado era muito grande, fui para cima dele com todas as forças que me restavam, quando cheguei perto o bastante para conseguir lhe acertar, minha perna direita travou, depois a esquerda também e assim sucessivamente até que não conseguisse mais me mexer, não sabia o que estava acontecendo, tentava mover meu braço, mas não conseguia, foi aí que pensei, todos aqueles ataques que ele acertou enquanto eu esperava uma abertura fizeram com que meu corpo fosse paralisado. Eu havia perdido, não tinha mais forças, a luta foi dada como encerrada e então veio o veredito final:
– Você lutou muito bem Sr. Miamoto, sua paciência e calma foram essenciais para que conseguisse acertar a perna de meu general — Disse o líder.
– Mas eu perdi! — Gritei.
–- Não é questão de vencer ou perder, e sim de ter garra o bastante para não desistir frente a um oponente claramente mais forte que você, eu valorizo muito isso, então... Bem vindo aos Guardiões! — Disse ele em um tom firme.
O general que há alguns segundos era meu oponente me ajudou a levantar e me parabenizou com um forte aperto de mãos. Meus olhos encheram de lágrimas, mas não as deixei cair, abri um grande sorriso e os agradeci. Finalmente meu objetivo tinha sido alcançado, eu era um guardião.
Fui levado a uma última sala, lá eles me explicariam tudo o que eu precisava saber sobre ser um guardião. Ao chegar à sala me deparei novamente com a garota de antes, mas diferente de mim ela não tinha nenhum machucado ou arranhão, muito pelo contrário, parecia muito bem disposta e descansada.
Resolvi me aproximar.
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