Dead Line Circus - Interativa
15 A água silenciosa é sempre mais perigosa
Notas iniciais
“A vida é como um tabuleiro, o coração com um portão e a alma como um espelho.”
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No Jardim de Monstros cujas plantas brilhavam no escuro em cores fluorescentes, um violino solitário tocava pela noite estrelada. Era uma música triste e serena, parecia um lamento para os mortos de um funeral esquecido. Um homem de cabelos azuis a tocava, com a expressão quase tão serena quanto a musica. Florian Hase, conhecido pelo título de Abismo dos Espelhos de Tartini. Usava uma máscara que imitava as feições humanas, mas que era feita de espelhos, reproduzindo tudo o que estivesse à sua frente.
As notas se desprendiam das cordas do instrumento e eram carregadas pelo vento, atraindo pessoas que procuravam por ajuda. Ao longe, mais uma pessoa vinha correndo, dizendo as mesmas sentenças que as anteriores. “Ajude-me” ela dizia, correndo para o homem de expressão serena e que não carregava nada além do violino, tão logo ela passava pela linha imaginária que ele tinha definido, tinha sua cabeça cortada por um machado. O sangue jorrava como uma fonte e a VIP que tinha dado o golpe final abria um sorriso de boneca.
– Quem diria que a música podia matar. Esse pode ser o ultimo, estou ficando cansada – A garota diz olhando para o homem.
Florian faz uma reverencia como um músico ao final da orquestra e a VIP pega a cabeça que tinha cortado e a abraça contra o peito. Ela tinha cabelos vermelhos cacheados e inocentes olhos azuis. Usava um vestido que imitava teias de aranha e vários Ás de baralhos, com alguns detalhes imitando tabuleiros de xadrez. Alice da corte Vermelha não tinha esse título por nada, suas roupas reproduziam um macabro País das Maravilhas e seu temperamento assemelhava-se a uma Rainha de Copas, vendo as rosas brancas serem pintadas de vermelho. Com seu rosto de boneca e seu sempre presente sorriso ela sobressaia-se em meio à destruição, uma verdadeira princesa do País vermelho.
– Parece que não vou precisar cortar sua cabeça – Ela sorri mascarando seu desgosto.
– Que bom para mim – Abismo diz guardando seu violino, indiferente à ameaça implícita.
Um vento sopra agitando seus cabelos azuis e consigo trás a cantiga de uma flauta aos seus ouvidos. A mão do violinista paralisa no ar e seu sangue parece congelar. Alice da Corte Vermelha se dirige até as outras cabeças que tinha cortado e coloca sua mais recente aquisição no topo da pequena pilha, à qual tinha ajeitado simetricamente igual uma pirâmide.
– Ainda temos algum tempo, tem algo que queria fazer? – Ela diz virando-se para Florian e o avista correndo em direção à saída do Jardim.
O Abismo dos Espelhos corria perseguindo a origem do som familiar, o qual passou despercebido para a pequena ruiva, que achou que ele estava fugindo.
– Eu já não disse que estava satisfeita? Eu não quero sua cabeça – Ela leva um dedo aos lábios pensativa.
Um gritinho seguido de palmas baixinhas e rápidas são ouvidas pela ruiva, que se vira encontrando uma VIP com máscara de coelho steampunk. Seus cabelos eram coloridos e divididos ao meio, metade azul e metade rosa, flores adornavam seu penteado e ela usava um vestido bem colorido que chegava a irritar seus olhos.
– Miss Arco-íris...
– E aí Corte Vermelha? Vocês aqui brincando com cabeças e nem pensam em me chamar? – A colorida diz abraçando a amiga pelo pescoço – Você que fez essa fofa pirâmide de cabeças?
– E se for? Não vai querer brincar de boliche com essa também vai?
A garota faz um biquinho.
– Eu não vou fazer isso sempre. Só quero brincar também – Ela fala soltando a ruiva e se agachando no gramado de flores com um bico emburrado. – Mas vocês nunca me convidam.
Miss arco-íris colhe algumas flores roxas bem devagarzinho enquanto imita uma voz fininha ao arrancá-las.
– Por favor, não me arranque, isso dói. Isso dói. Isso dói. Meus brotinhos vão crescer sem mãe. Socorro! Alguém me ajude! Tem uma serial killer à solta.
Yola se vira discretamente para Mina e vê que ela estava a ignorando. Quando já colheu algumas consideráveis flores roxas, Yola levanta-se animada como se nada tivesse acontecido e volta para onde Mina estava.
A ruiva estava fazendo penteados nos cabelos de sua pirâmide e Yola ajoelha-se ao seu lado enfeitando os cabelos das cabeças com as flores. Às vezes colocando algumas na boca dos que ela considerava muito feios para deixá-los mais aceitáveis.
– São tão comuns que nem com maquiagem ficariam bonitos. Pelo menos agora está mais ao natural – Ela fala terminando de colocar as flores e puxando um pacote de balas do bolso de seu vestido, jogando cinco delas na boca. – Você quer? São de tuti-fruit.
– Não. No momento não estou com vontade de comer doces – Mina diz dando um sorriso simpático enquanto observava Yola, pensando se a cabeça dela ficaria bonita no topo da pirâmide, mas logo desistindo por pensar que se destacaria demais. – Quero dar uma volta, vou ver se encontro a Lua Azul.
– Eh? Pra que?
– Você não precisa saber.
– Cruel! Você é cruel Alice Vermelha.
– Você também não é um amor de pessoa miss Arco-íris.
A garota colorida ri com o comentário e se põe a seguir a ruiva, andando com os braços abertos enquanto imitava um avião e rodava ao redor de Mina.
– Não precisa me seguir aonde eu for, vá se perder em algum lugar e me deixar caminhar sossegada.
– Eu também vou procurar a Lua Azul.
– Pra que?
– Você não precisa saber – A garota diz com um sorriso brincalhão.
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Alma, Evanecer, Ênia e Callisto navegavam por um lago escuro em uma barca misteriosa com um homem mais misterioso ainda a remá-la. O homem usava um capuz que cobria sua face, suas roupas pareciam mortalhas cinzentas feitas de fumaça e ele remava em silêncio, sem se dirigir a ninguém de sua embarcação. Próximos a ele, estavam duas pessoas mascaradas, uma mulher de cabelos loiros cor de palha e enfeites de conchas e corais emoldurando-o e um homem de cabelos castanhos cheios de relógios e engrenagens que conversava com ela. O homem tinha uma máscara sem boca cheia de engrenagens ao estilo steampunk, e ela, uma máscara com escamas de peixe e algumas pequenas estrelas do mar incrustadas. O grupo tinha sido arrastado até a barca pelos dois VIPs, na mira de uma metralhadora e um bastão de choque.
Ênia já conhecia o barqueiro, mas não fazia ideia de quem era o casal à sua frente, mas mais importante que a identidade deles, era os seus objetivos no final da viajem.
– Onde Caronte está nos levando? – A garota pergunta interrompendo a conversa trivial dos dois.
Eles se viram e olham para ela, ao menos parecem olhar pela posição em que as máscaras ficaram.
– Conhece-o? –A mulher pergunta.
– De passagem.
Coração Mecânico, o homem de engrenagens, consulta um de seus muitos relógios de bolso e dá uma pequena risada.
– Para um lugar curioso – A mulher responde antes dele fazê-lo. – Onde não seremos incomodados.
“Eles pretendem nos matar.” – Evanecer pensa se lamentando.
A garota com bandagens em um dos olhos olha para a água e para a direção de onde vieram, infelizmente não conseguia mais encontrar a saída, apenas uma imensidão de escuridão e água. Se ela pulasse e saísse nadando, quanto tempo levaria para chegar até a saída?
Como se estivesse lendo seus pensamentos, Ênia segura o ombro da garota quando percebe ela mudar a posição de um dos pés.
– Se pular morrerá afogada antes de chegar a algum lugar – A bailarina sussurra.
– Como você sabe? – Evanecer sussurra de volta.
–Eu já estive aqui antes – Como Evanecer ergueu uma sobrancelha pedindo explicações Ênia decidiu se aprofundar mais na questão. – A pessoa que me trouxe aqui me deu a escolha de tentar fugir pela água ou de segui-lo até o final do caminho. Se ele não tivesse certeza de que eu morreria se pulasse do barco ele não estaria tão calmo como esteve ao me fazer a proposta.
– Tsc – Evanecer desiste, desconfiando da resposta de Ênia, mas achando melhor esperar sua oportunidade de fugir. Se ela pulasse e alguém a perseguisse depois seria pior ainda, pois ela não sabia lutar debaixo d’água.
– Olhe Lua Azul, já estamos chegando – Coração Mecânico aponta para um lugar mais à frente.
Ênia olha na direção que ele aponta e encontra um tipo de gruta com rochedos íngremes e estranhos. Ela não conhecia aquele lugar.
Caronte para sua barca próximo à areia das rochas e depois que todos saem de sua embarcação ele rema de volta pelo caminho que fez até ali, desaparecendo na névoa escura ao horizonte.
– Ele vai voltar? – Callisto pergunta vendo o barqueiro desaparecer junto com sua passagem de volta.
– Uma hora – Coração Mecânico responde.
Lua Azul carrega uma grande bolsa até um lugar mais afastado da água e então a pousa na areia retirando uma grande toalha de dentro dela, que dá para Coração Mecânico. O homem abre a toalha no ar e a forra no chão, sentando-se junto de Lua em cima dela.
– O que é isso? Vão fazer um piquenique? – Callisto pergunta com um tom sarcástico.
– Isso mesmo – Os dois respondem juntos.
Lua azul retira um bule de chá e algumas xícaras de dentro da bolsa assim como pedaços de bolo, tortas e outras sobremesas. Como Callisto ainda parecia não entender suas atitudes ela se explica.
– Eu não aprecio esse tipo de jogo e muito menos as atividades do Candelabro, prefiro ficar em meu cantinho apreciando uma boa bebida – Lua Azul diz servindo uma xícara para si própria. – Aceita uma Ólafur?
– Por gentileza – Ele lhe estende sua xícara.
– Espera aí, então vocês vão fazer um piquenique enquanto tem um jogo de vida ou morte rolando lá fora? Se é isso pra que trouxeram a gente? – Evanecer pergunta irritada.
– Foi ideia de Coração Mecânico, ele gosta de observar pessoas então trouxemos algumas para passar o tempo. Vocês estavam convenientemente por perto quando decidimos.
– O que é um piquenique sem convidados? A hora passa mais rápido quando se está em boa companhia – Ele responde dando um gole da xícara e cuspindo depois. – Credo, é café – Diz fazendo uma expressão amarga.
Lunya abre o bule de chá e observa o líquido lá dentro, de fato, era café. Só V e D para colocarem café em um bule de chá.
Coração Mecânico retira alguns cubos de açúcar de seu bolso e em seguida alguns de seu chapéu, jogando-os na xícara. Cinco, sete, dez, quatorze, vinte e um, sua xícara acaba tendo mais cubos de açúcar do que café.
– Agora sim, ainda bem que tenho cubos de açúcar de emergência para essas ocasiões – Ele diz bebendo satisfeito.
Lua azul apenas balança a cabeça fechando os olhos serenamente.
Ênia senta-se na toalha aceitando uma xícara da VIP, tendo a precaução de sentir o aroma antes de beber.
– Então... Vocês são casados? – Evanecer diz se sentando também.
– Oh não, é claro que não. Ólafur e eu somos amigos desde nosso primeiro evento no circo – Ela para um pouco tentando se lembrar. – Estávamos em Fantasia procurando coelhos e acabamos capturando o mesmo animal sem querer. Eu puxava de um lado, ele puxava de outro e quando vimos já tínhamos virado bons amigos.
– Por... causa de um coelho? – Evanecer tenta de certificar.
– Sim, foi meio inesperado na verdade, mas muitos VIPs são amigos de outros VIPs por causa desses eventos – Ólafur confirma. – Veja o Caveira das Flores Mortas e o Imperador de Vidro, por exemplo. Eles ficaram amigos por que o Imperador se perdeu na Caixa de Brinquedos e acabou encontrando a saída enquanto Caveira o perseguia com um machado.
– Ah, eu me lembro disso. Quando o jogo terminou o Imperador foi até ele e o agradeceu pela ajuda, apesar do Caveira ter dito que só estava tentando matá-lo.
Coração Mecânico vai pegar uma fatia de bolo e sem querer Callisto acaba pegando o mesmo pedaço, com as mãos segurando o mesmo prato eles se encaram lançando faíscas de possessividade no ar.
– Parece que mais uma amizade acaba de se formar segundo seus conceitos – Ênia corta um pedaço de sua fatia com o garfo e o leva à boca.
– Que seja, eu não vou brincar de casinha com vocês – Evanecer diz se retirando.
Alma a segue achando melhor ir com ela para explorar o lugar. Não que ela tivesse uma boa memória para guardar caminhos na cabeça, mas seria melhor ter companhia do que se perder sozinha. Evanecer sai de perto do piquenique e caminha entre as rochas íngremes da gruta, pulando de uma para a outra com cuidado para não cair.
– Não precisa me seguir, eu não vou muito longe – Evanecer diz para Alma. – Só quero explorar um pouco esse lugar.
Esse também era o objetivo de Alma, por isso estava a acompanhando.
Algumas rochas estavam molhadas e outras já tinham musgos, havia plantas trepadeiras crescendo entre algumas pedras e alguns lugares formavam estalactites, mas fora o fato de ser uma bela paisagem natural como gruta, não havia nada de muito especial.
Alma já estava querendo voltar quando viu Evanecer se esconder rapidamente atrás de uma parede e observar o caminho à frente com cuidado. Curiosa, ela se esgueirou por sobre o ombro da colega e observou o que ela estava espiando.
Havia mais uma pessoa na gruta. Alma reconheceu os longos cabelos arroxeados quase que imediatamente: era Arman, o acrobata que cuidava de Isis e Satsuki, mas o que ele estaria fazendo ali?
Espionando-o Alma viu que ele carregava uma espécie de caixa de música, onde uma pequena bailarina jazia parada em seu pedestal. Ele passou em frente a uma árvore seca e torta com um corvo de um olho só e acenou para a ave enquanto continuava seu caminho. Evanecer o seguiu não perdendo-o de vista e Alma foi atrás de Evanecer, mas quando passou pela árvore e observou o corvo, teve a nítida impressão de já ter visto aquilo em algum lugar. Parou em frente à árvore e ficou observando-a tentando se lembrar.
Uma árvore e um corvo. Onde já tinha visto isso?
Abrindo seu livro, ela folheou as páginas até achar o conto de Michel que Callisto tinha lhe lido. Lá no final, em negrito estava aquela frase. Agora entendia, a frase falava sobre aquela árvore!
“Embaixo da árvore do corvo.”
Olhou para as raízes e contornou a árvore, vendo se existia algo fora do normal. Devia existir alguma coisa enterrada ali. Tentou puxar uma das raízes com suas mãos, mas percebeu que era inútil, estava dura demais. Precisava de algo mais forte para fazer o trabalho por ela.
Alma pegou seu livro e saiu correndo de volta para o piquenique encontrar Callisto, ele provavelmente lhe ajudaria a cavar. Era adulto, um homem e ainda por cima podia carregar coisas pesadas, ela já tinha visto ele trabalhando.
Evanecer continuou seguindo Arman discretamente enquanto ele se dirigia mais para dentro da gruta. O que poderia ser tão secreto que ele veio até ali para esconder? Aquela caixinha de música devia representar alguma coisa, por isso precisava ver o que ele queria.
Arman finalmente para quando acha que já está longe o bastante. Com um suspiro cansado ele deixa a caixa em qualquer lugar e desamarra a tira de seu tapa-olho, massageando a têmpora de seu olho escondido antes de abri-lo. Evanecer vê uma cavidade escura e vazia, completamente oca e estranha. Apesar de Arman sempre estar com o tapa-olho, tinha achado que ele usava por estilo ou por que queria esconder um olho de cor diferente do outro, não imaginou que ele realmente tivesse perdido um de seus olhos. Sentiu-se até meio idiota por não pensar nessa possibilidade, como será que ele tinha perdido seu olho? Será que alguém o arrancou? Subitamente começou a sentir pena dele.
Arman pega a pequena bailarina e a trás para perto do rosto para analisar melhor. Evanecer vê ele abrir uma expressão de nostalgia junto a um sentimento doloroso, teve vontade de ir dar tapinhas em suas costas e dizer que tudo ia ficar bem, sem nem saber por que queria fazer isso ou qual era o problema dele.
– Não me leve a mal, eu gostava de você, mas Magnus não quer você aqui.
Em seguida ele esmaga a boneca entre a ponta dos dedos e daquela pequena bailarina uma explosão similar a de uma bomba irrompe junto a um grito de dor desesperado. O grito invade os ouvidos de Evanecer e a deixa tonta fazendo-a cair para trás e tampar os ouvidos, mesmo assim a consciência dela vai apagando aos poucos. A bonequinha espalha uma névoa escura como uma bomba espalharia fogo, e a garota sente suas bandagens queimarem, as retirando com medo de queimar sua pele. Naquele mar de escuridão ela vê o único olho de Arman queimar feito fogo vivo como a única luz naquele breu. Ela viu sua silhueta apesar do escuro pavoroso, e seu único olho brilhava como uma estrela em chamas. Ele estava olhando para ela com uma expressão surpresa.
– Meu olho está com você? – Ele pergunta confuso.
Naquele momento, ela percebe, não eram suas bandagens que estavam queimando, era seu olho direito. Queimando com uma cor perturbadoramente semelhante a de Arman.
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Ivan Valenki observava seu reflexo circulá-lo em sete outros Ivans. Estava preso no que parecia ser uma sala de espelhos sem porta de saída, decorada com vários ramos de flores brilhantes. Seus reflexos o observavam perplexos da mesma forma que ele os observava.
– Onde é que eu fui me meter? – Ele pergunta a si mesmo ouvindo o som fazer eco no lugar.
Lembrava-se de estar caminhando tranquilamente pela noite afora até ter o vislumbre de longos cabelos platinados como os seus dobrarem uma esquina. De inicio pensou ser Satsuki, por isso caminhou na direção dela, mas de repente não sentiu mais o chão e quando viu já estava naquela sala espelhada. Perguntava-se se tinha sido arremessado ou caído ali dentro, de qualquer forma, não conseguiu achar o jeito que tinha entrado e muito menos um jeito de sair. Caiu em uma armadilha e agora estava sozinho naquele lugar decorado de flores fluorescentes. Ou melhor, quase sozinho.
Senta-se no chão e fecha os olhos, sentindo quando outra pessoa cola as costas dela às suas.
“Está com medo?”
Aquela voz tão familiar logo lhe acalma o coração, fazendo-o sorrir aliviado.
– Não... Apenas me perguntando que tipo de armadilha é essa.
“Duvido que seja de isolamento, troque de lugar comigo, se aparecer alguma coisa eu quero resolver em seu lugar.”
– Não precisa, eu estou bem.
Ivan abre os olhos e observa um dos espelhos, sentia que estava sorrindo tranquilamente, mas seu reflexo estava sério. A pessoa que estava atrás de si era projetada à sua frente, de forma que ele conseguia ver sua expressão. Ivan tinha cabelos platinados e olhos dourados, seu reflexo era a mesma coisa, ele só sabia que não estava vendo a si próprio pois o outro se mexeu quando ele na verdade tinha ficado parado, adquirindo uma expressão sarcástica.
“Se não tivesse passeado como a Chapeuzinho vermelho pela noite afora isso não teria acontecido. Agora estamos ambos esperando pelo Lobo mal chegar.”
– Não se preocupe, Deus virá nos ajudar. Tudo vai acabar bem.
“Ele vai chegar atrasado – O outro adquire uma expressão hostil. – Não fique contando muito com a ajuda divina, se quer algo bem feito faça você mesmo, é capaz dele nem vir por que eu estou com você.”
– Não diga isso, você sabe que não é verdade. Se ele vir atrás de mim eu te puxo junto comigo. Você bem sabe que eu não te deixaria para trás – Ivan sorri. – É só pensar positivo, se ele nos ajudar estamos salvos, se não nos ajudar morremos e nos encontramos com ele. Viu, estamos ganhando de um jeito ou de outro.
“Pare de pensar assim, isso me dá nos nervos.”
– Interessante, nem parece um monólogo quando se vê de fora.
Um homem irrompe o campo de visão de Ivan, estava usando uma máscara tribal e rascunhava sem parar em um caderno de notas. O albino fica surpreso, não tinha reparado nele ali antes. Tinha-o visto antes no salão de baile, como se chamava mesmo? Se não se enganava era Criador de Estrelas.
– Desde quando está aí?
O homem olha em volta e vê que só havia eles dois ali dentro, Ivan realmente estava falando sozinho? Ele balança a cabeça e volta a escrever.
– Pouco tempo – Ele continua escrevendo enquanto fala. – Não importa muito, continue seu monólogo enquanto eu termino, depois te dou atenção.
– O que é isso?
– Anotações de tópicos e ideias para serem analisadas quando eu chegar em casa. Se eu não anotar agora depois eu esqueço e passo por uma agonia enquanto tento me lembrar.
Ivan aquiesce observando a caneta deslizar sem parar pelas folhas do caderno. Ficando em silêncio, o único som presente ali dentro era do deslizar da caneta, não conseguia ouvir nada do que se passava lá fora.
Quando o VIP termina, fecha seu caderno e o guarda embaixo do braço, observando Ivan em seguida.
– Então, que tal me dar uma dica de quem é você?
– Dica? O que quer saber?
– Qualquer coisa está bom. Já que ficaremos aqui até amanhecer, quero saber um pouco de meu companheiro de cela. Tem alguma mina que eu devo evitar?
– Não acho que tenha minas terrestres por aqui...
– Estou falando de suas minas pessoais. Pontos fracos que se forem tocados fazem a pessoa explodir. De minha parte, evite falar sobre relações familiares que nos daremos bem.
– Ahn... ehn... – Ele pensa sobre si mesmo, nunca parou para listar seus pontos fracos, falar todos assim de repente... Sabia que tinha, mas eles lhe fugiam da memória naquele momento. Só conseguiu pensar em uma coisa – Evite me tocar.
Ivan percebe um olhar travesso e malicioso atrás da máscara tribal do homem e fica aflito, mas de certa forma, não sentiu necessidade de fugir de imediato, afinal, ele ainda não tinha feito nada.
– Afefobia? Você tem medo de ser tocado?
Apenas por precaução, o albino se afasta um pouquinho do homem. Podia sentir na atmosfera que ele ia aprontar alguma coisa.
– Acho que sim... Esse deve ser o nome cientifico.
Sorrindo como um menino travesso atrás da máscara, o homem se aproxima do russo e se agacha até sua altura.
– E de tocar alguém? Você tem medo?
O albino arqueia uma sobrancelha. Um dos tratamentos para esse trauma era o contato gradual e a exposição ao toque de outra pessoa, de pouquinho em pouquinho até se habituar a ter contato com outro individuo. Tudo bem que ele já tivesse pesquisado a respeito, mas aquele estranho também? Será que era psicólogo?
– Experimente para ver. Se você tocar em alguém antes de ser tocado, vai se sentir mais seguro, certo? – O VIP fala abaixando a cabeça em rendição.
Ivan viu aquela cascata de cabelos roxos à sua frente e por algum motivo pensou em uma rosa. No topo havia fios mais escuros que lembravam a folhagem da flor, e conforme iam avançando, o cabelo clareava nas pontas, tinha até um cheiro perfumado, se parecia muito com uma rosa de ponta cabeça.
Ele esticou sua mão receosamente e acariciou de leve a cabeça do VIP, alisando desajeitadamente seus fios sedosos, era um cabelo bem macio, perguntava-se que tipo de xampu ele usava para deixá-lo assim, ou ele usava mais condicionador? Podia imaginá-lo como um gato bem grande, parecia estar fazendo carinho em um animal. De repente se imaginou puxando aquele cabelo e quando viu estava mesmo fazendo isso. Ivan foi jogado num cantinho enquanto via seu rosto abrir um sorriso sádico e puxar com mais força querendo arrancá-los da raiz.
– Transtorno dissociativo de identidade, no fim das contas você não estava mesmo falando sozinho – O VIP comenta com um sorriso de triunfo escondido atrás da máscara enquanto tentava se desvencilhar do aperto.
Ivan acerta um chute em sua barriga o empurrando para longe e então cruza suas pernas como um imperador.
– O riquinho mimado é um pervertido daqueles hein? Dizendo para lhe tocar na cara dura... Sua boa ação é luxuria disfarçada.
– Olha só quem fala – Ele tosse devido à falta de ar do chute, abraçando sua barriga para se proteger da dor. – Dizendo que tem medo de ser tocado... Isso provavelmente é um trauma devido a algum evento do passado, provavelmente abusos sexuais ou tortura – Ele expõe sua teoria. – Dividindo sua personalidade ao meio entre um bonzinho e um malvado, é só um jeito de fugir da situação, o toque deve ser um mecanismo de troca, o que reforça minha dedução sobre abusos. Mas pra mim pouco importa, retire o que disse sobre mim. Eu não nasci em berço de ouro e muito menos fui agraciado com mimos durante minha vida, trabalhei duro pra chegar onde estou e não vou levar essa ofensa para casa.
Ivan dá um malicioso sorriso de lado acompanhado de um olhar divertido e se levanta, caminhando sem pressa onde o VIP estava encolhido.
– Você se orgulha de seus feitos, é isso? – Ivan se coloca em cima dele e o puxa para perto de si em um abraço mortal. – Se tem uma coisa que eu sei sobre vocês, é que todos vocês são muito orgulhosos.
O albino desliza sua mão pelas costas do arroxeado e adentra o cós da calça, sentindo suas nádegas e introduzindo um digito dentro dele. Criador de Estrelas leva um susto e tenta se afastar, mas estava preso em um abraço mortal, mal conseguia se mexer, e Ivan, surpreendentemente, era mais forte do que ele supôs a principio. Não tinha previsto essa mudança, será que por ele estar sentado indefeso à sua frente desconsiderou que ele tivesse força bruta?
– Parece que vou seguir sua sugestão. Vou te tocar antes que você me toque, assim me sentirei mais seguro, certo? – Ivan sussurra em seu ouvido mergulhando cada palavra em malicia.
– Ei, você não devia fazer isso! – Nicolas tenta afastá-lo empurrando-o mas ele mal se mexia, sentia que estava tentando empurrar o guarda-roupa abarrotado de sua mãe, enquanto o móvel pesado zombava dele sem se mover. – Você tem trauma, não devia ser capaz de fazer isso com outra pessoa.
O albino solta uma risada baixa e gutural.
– Você está dizendo isso, não eu. Só por que compreendo a posição da vitima, não quer dizer que eu não possa ser o vilão. É como se dissesse a um cego que não pode roubar de outro cego, por que compreende a dor de não enxergar. As pessoas são pessoas, por mais gentil que alguém seja nunca duvide que ela também tenha seu lado mal.
Ivan desliza a máscara de Nicolas apenas o suficiente para ver sua boca e beija seus lábios com falsa ternura.
– Por que está fazendo isso comigo? Eu não pretendia fazer mal a você.
– Coisas ruins acontecem a pessoas boas. Essa parece ser uma regra não dita na vida desde que o mundo é mundo. Se você não pretendesse fazer nada comigo então você não seria a vitima e eu não seria o culpado. Viu? É por isso que se chama “vitima”, significa “dominado”, você é uma vitima desde que nasceu.
– Me solta!
– Não. Já que estamos aqui, eu vou fazer coisas com você antes que você faça comigo. Se eu controlar a situação me sentirei “mais seguro”. – Ivan banha as ultimas palavras em sarcasmo, sorrindo com a malicia de um predador confiante em si mesmo. – Não é senhor VIP?
~ ❖ ~
Uma garota de longos cabelos albinos e coroa de louros saltitava alegremente junto a dois gêmeos loiros que seguravam uma lamparina para iluminar o caminho.
– Leopold, tenho certeza absoluta de que já passamos por aqui.
– Estamos andando em círculos. – Leo diz suspirando. – Se ela ao menos falasse pra onde está indo, podíamos ajudar a chegar lá.
– Então vamos perguntar. Não vai fazer mal, afinal de contas já é a quarta vez que passamos em frente a esse carrossel.
– Violino de Banshee! – Leopold a chama.
A garota se vira num giro gracioso e volta saltitando para perto deles. Ela usava uma máscara de ovelha e seus gestos em tudo se pareciam com o de uma fada.
– Sim, gêmeo numero 1?
– Leopold. – Ele corrige. – Para onde exatamente você está querendo ir? Estamos andando em círculos há um bom tempo.
– Oh, eu não quero ir a lugar nenhum. Só estou passando tempo com vocês.
– Então está nos arrastando por aí sem destino algum por mais de meia hora? – Nikon pergunta perplexo.
– É isso aí. Pra ser sincera eu estou procurando o Tempestade de Maio, mas como eu não sei onde ele está, estou dando voltas até encontrá-lo.
– E precisa da gente porque... – Nikon incentiva ela a terminar.
– Por que vocês são lindos e se forem atacar um ao outro eu quero estar presente para assistir. – Ela junta as suas mãos e se aproxima dos dois. – Não precisam se conter, eu não vou atrapalhar nadinha, na verdade vou torcer por vocês.
Por algum motivo, os gêmeos Vasiliev pensaram imediatamente em Sondhein, algo naquela garota era extremamente similar aquela mulher.
– Você... Não conhece Madame Sondhein conhece?
A garota dá um pulinho alegre e segura as mãos de Leopold, girando-o enquanto ri em pura animação.
– Minha melhor amiga.
– “Imaginei.” – Ele pensa sentindo-se tonto.
– Aliás, estou muito ofendida por você ainda não ter me cumprimentado. Fui eu que peguei o modelo da roupa que você está usando, sabia? Eu pesquisei durante horas com a Madame.
Nikon observa sua própria vestimenta. Um traje sadomasoquista completamente negro e sensual, era difícil imaginar aquela fada escolhendo aquilo.
– Sério? Foi você mesmo?
– Sim. Trouxe várias revistas e mangás e escolhemos enquanto comiamos cerejas. Foi divertido, vamos fazer de novo na próxima vez.
– Você... é próxima, de alguma forma, de Sondhein?
– Eu não diria próxima, próxima, mas somos amigas e discutimos bastante sobre as atividades do Candelabro. Trocamos ideias, entende?
Leopold olha para Nikon quase ao mesmo tempo que este olha para ele, ambos movem discretamente a cabeça uma vez e se aproximam do Violino de Banshee com olhares enigmáticos.
– Humm... É mesmo? – Eles dizem juntos.
Leopold pega a mão direita da garota e Nikon pega a esquerda, ambos beijam as costas das mãos dela sem tirar os olhos de seu rosto. Ela logo percebe que disse alguma coisa que não devia ter dito, sentindo seu rosto ficar corado com a armadilha que sentia estar próxima.
– Então você não vai se importar... – Nikon prende a cintura dela em seus braços, aproximando-se mais de seu rosto.
–Em nos avaliar. – Leopold a abraça por trás, descansando sua cabeça em seu ombro.
– Né, Ovelhinha? – Eles sussurram juntos em seus ouvidos.
Os gêmeos não podiam ver a expressão dela por causa da máscara, mas pela vermelhidão que as pontas de suas orelhas expunham podiam bem imaginar que cor seu rosto estaria naquele momento. Ela não devia ser seduzida por pessoas com muita frequência.
Alice Von Crimson River se inclina para trás pegando impulso, que Leopold interpreta como um sinal de que ela se rendia pois estava se entregando para ele, mas depois que ela se inclina o bastante pega os dois de surpresa ao ir com tudo para frente, batendo sua cabeça na testa de Nikon com força total. Em seguida pisa no pé de Leo e logo após ele soltá-la levando as mãos ao pé dolorido, ela se liberta sapateando uma imaginária musica espanhola e termina levantando um braço para o alto e levando uma mão ao peito em uma pose de triunfo.
Nikon massageava surpreso sua testa enquanto a observava dançar sem nenhuma musica, não estava acostumado a levar cabeçadas de garotas fantasiadas de ovelhas.
– Péssimo. Está péssimo esse desenvolvimento. – Ela diz. – Ovelhas supostamente representam inocência e pureza, estou usando a máscara de tal animal por pura ironia do destino. Só por que pareço inocente não quer dizer que eu o seja. – Alice se vira para os dois. – Vocês estão sendo óbvios demais, se pretendem seduzir uma donzela devem ser mais profundos, mais misteriosos e muito mais sedutores do que qualquer homem que elas encontrem na vida inteira. Interpretem um papel adequado.
– Perdão... O que? – Nikon não entende nada, o que diabos ela estava falando?
– Qual a diferença entre o príncipe encantado e o guarda sedutor? – Ela mostra duas figurinhas de personagens de mangás, uma mostrava um homem loiro com uma coroa e outra um personagem segurando uma lança. – Obviamente é o poder de atração deles. Num triangulo amoroso o mais importante é que os rapazes sejam irrecusáveis, o que vai justificar o interesse da protagonista por mais de uma pessoa. O mais comum é que o primeiro que apareceu seja o verdadeiro amor dela, geralmente é o mocinho. Ele é gentil, atencioso e dá a impressão de ser uma boa pessoa, destinando-a a um amor eterno e duradouro para a vida inteira, mas o segundo que aparece vem sempre pra atrapalhar o casal e deixar a vida da protagonista dividida. Normalmente o segundo é o completo oposto do primeiro, ele é sarcástico, selvagem e extremamente sedutor. Um sendo o príncipe perfeito e outro o misterioso sedutor, qual você acha que é nosso favorito? Responda gêmeo número 1! – Alice aponta para Leopold.
O garoto pego de surpresa por ter ficado perdido em seu discurso se assusta com a repentina atenção. Na verdade tinha parado de tentar entender logo no meio.
– Ahn... é... qual é mesmo a pergunta?
– Qual uma garota escolheria? O príncipe ou o guarda sedutor?
– É... seria...o príncipe?
– NÃO! O príncipe representa um amor calmo e chato, nós leitoras sempre nos interessamos pelo seu rival. Como sabemos que a protagonista tem um amor injustificável pelo príncipe nos divertimos mais quando seu rival aparece. Por que o rival é sempre mais intenso do que o casal principal, é por isso que nos interessamos tanto pelos vilões, os mocinhos só podem fazer algo justificável depois que o vilão se move, está vendo como o vilão tem mais atitude do que o herói?
– Eu estou meio perdido... O que exatamente isso tem haver conosco? Nenhum de nós dois é príncipe ou guarda de alguma espécie.
– Hã? Do que está falando? De onde veio esse assunto?
– VOCÊ QUE DISSE! Você estava agora mesmo falando sobre príncipes e guardas e sei lá o que!
–Não, não, você entendeu tudo errado. Estou falando de maneira geral, tanto faz ser o príncipe e o guarda, ou o irmão certinho e o irmão malvado, ou o herói e o vilão, o bem e o mal, pra mim é tudo o mesmo. Estou querendo dizer que se alguém tiver que escolher entre um e outro é claro que vai escolher o melhor dos dois, não acha?
– Sim, isso eu entendi. Escolhemos sempre o melhor.
– Então entre o herói e o vilão, qual você escolheria?
– O herói.
– Ei! Você não ouviu nada do que eu disse? É o vilão!
– Claro que não! Por que escolheria o vilão se eu tenho o herói?
– O vilão aparece sempre em segundo. Preste atenção: Se você tiver que escolher entre a primeira ou a segunda opção, escolha a segunda. Pois se a primeira fosse realmente boa você não teria uma segunda opção.
Leopold finalmente entende. Fazia sentido, se a primeira opção fosse realmente boa não haveria necessidade de uma segunda.
– Nós garotas percebemos isso. Quando o autor não está satisfeito com o primeiro, ele cria o segundo com a coisa que está faltando no primeiro. Então, obviamente o segundo vai ser melhor.
– Pessoal, pessoal, se acalmem. – Nikon interfere. – Eu estou boiando aqui no cantinho, ela fez um discurso enorme sobre uma história e eu ainda não li o livro, do que vocês estão falando? Onde nós entramos nisso aí?
– Mas vocês são lentos hein? Se fossem garotas já teriam entendido da primeira vez. – Ela cruza os braços emburrada.
– Ela está nos dando uma dica de atuação. – Leopold explica.
– Hein? Você entendeu o que ela disse?
– Um pouquinho. A Banshee está dizendo que não devemos atuar como príncipes encantados, mas sim como guardas misteriosos e sedutores. O vilão é mais popular que o herói.
– Nossa, você é inteligente Leo. Eu estou aqui com cara de paisagem e você já decifrou o enigma?
– Não é enigma, eu fui bem clara e objetiva. – Ela se defende. – Muitas das pessoas que visitam o Candelabro já tem um “amor pra vida toda” lá fora. Se quiserem atrair clientes precisam ser sedutores em dobro, precisam ser rivais dos escolhidos das donzelas e isso implica serem mais atraentes. Não há amor que se compare ao romance proibido. Estou ensinando isso pelo bem da Madame, não quero ver o negócio dela ruir por causa de vocês.
– Ah, então você está nos ensinando a sermos destruidores de lares com pedigree? – Nikon sorri se divertindo.
Ela ri.
– Só estou ensinando a darem o melhor de vocês, quando tenho um objetivo em mente eu sou teimosa o bastante para atingi-lo.
– Por que a gente? Tem mais gente no Candelabro, disso eu tenho certeza.
– Vocês tem idades parecidas com a minha e estão no meu lugar favorito do mundo todo. Sem falar que por algum motivo eu gosto de gêmeos, não sei por que. Há algo misterioso na forma como eles se parecem tanto um com o outro, como se fossem duas metades da mesma alma. É misterioso e fascinante. Culpo os gêmeos Hitachiin por esse novo fetiche.
– Quem? – Nikon sussurra para Leo e ganha um dar de ombro como resposta.
– Venham, ainda há mais coisas que eu quero conversar. – Ela adquire um olhar malicioso. – A não ser que queiram passar a noite de outra forma. Eu já juntei um casal na sala de espelhos devo fazer o mesmo com vocês?
Eles se levantam corados com a sugestão.
– Não obrigado. Prefiro que nossos assuntos pessoais continuem privados. – Leopold responde.
O violino de Banshee se dirige até eles e segura a mão de cada um, entrelaçando seus dedos nos dedos deles e levando suas mãos até as bochechas de sua máscara.
– Se pretendem me seduzir para controlar as fantasias de Sondhein vão ter que se esforçar bastante. Eu sou uma aliada difícil de se conquistar. – Ela sorri maliciosamente. – Certo pequenos cordeirinhos?
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