Dead Earth
3 Zona de Quarentena
Greenwood,11:51 hrs
O forte abraço logo é interrompido. Um forte barulho é escutado, algo semelhante a uma explosão.
—Fica aqui e não se mexa.-disse Adam á menina.
A menina abaixou os olhos, encostou na parede e ali ficou.
Adam recarregou a pistola e foi andando bem devagar até a esquina do beco. Lá, viu um carro em chamas, provavelmente o que tinha provocado o barulho. Ele vai caminhando quase que agachado até o carro, com o pente da pistola ele quebra o vidro de trás e observa uma bolsa amarela, provavelmente feminina. Ele pega a bolsa, senta-se no chão e começa a olhar o que tem dentro dela. Logo ele encontra uma foto um tanto chamuscada,mas nela é possível ver a menina que ele acabara de salvar.
—Seria essa a bolsa da mãe daquela menina?-pensa Adam.
Ainda sentado no chão, Adam encontra duas maçãs estragadas na bolsa e um cordão com pedras verdes.
Atrás de Adam, um zumbi vem andando lentamente sem que ele perceba. Ao se aproximar, o zumbi abaixa-se e segura o pescoço de Adam, fazendo-o não conseguir respirar. Adam começa a se debater e pega a pistola que acabara caindo no chão. O zumbi continua apertando sua garganta e aproximando os dentes podres no ombro de Adam. Ele desvia da mordida e se deita no chão, rastejando pela rua Adam consegue pegar a pistola já carregada, mira na cabeça do zumbi e atira.O sangue espirra na nova roupa de Adam e em seu rosto,que agora possui um semblante sombrio. Com o cabelo repleto de sangue, Adam levanta-se, dá uma rápida olhada para o zumbi, agora com parte da cabeça jorrando sangue e tripas. Parecia estar usando um vestido azul marinho e brincos com pedras verdes. O cabelo parecia um dia ter sido loiro.
Os olhos de Adam se arregalam e ele percebe o que aconteceu.
O zumbi que acabara de matar era a mãe da menina, era fácil saber pelo conjunto de brinco e cordão com pedras verdes. E se a cidade estava vazia, provavelmente o zumbi que atacara a menina devia ser seu pai. A menina estava orfã.
Com o semblante mais sombrio do que antes, Adam caminha até o beco onde deixara a menina.
—Qual o seu nome?-Adam perguntou.
A menina estava tremendo muito, provavelmente assustada pelo sangue na roupa de Adam.
—Não é nada.-disse Adam tentando tranquilizar a menina.
Ainda tremendo, a menina vira o rosto para baixo.
—Eu não sou um deles, não vou te machucar.-disse Adam.
—Sophie,meu nome é Sophie Di Laurentis.-respondeu a menina.
—Olá, Sophie. Me chamo Adam.
—Cadê meus pais?-pergunta Sophie fazendo uma pausa.-Estávamos no carro quando eles começaram a discutir. Paramos para descansar e quando acordei tinha uma daquelas coisas tentando me morder. Por favor, me diga onde eles estão.
Uma lágrima escorre dos olhos azuis de Sophie.
—Não...não sei.-respondeu Adam abraçando a menina e a puxando para o lado.-Vem, você não pode ficar sozinha aqui.
—Não vou ir embora.- disse Sophie.-E se meus pais voltarem?
—Eu realmente não posso te deixar aqui sozinha, venha comigo.- disse Adam levantando a menina.
Sophie olha para o zumbi que Adam matara e fecha os olhos, como se sentisse pena, ou talvez medo.
Adam e Sophie caminham em direção ao carro em chamas, Adam procura algo que seja útil no carro, mas só encontra mais maçãs estragadas e alguns documentos inúteis.
—A propósito...quantos anos você tem?-pergunta Adam.
—Dez.
Os dois continuam caminhando.
Pensão da Mama,20:01 hrs
Situada ao leste de Greenwood, a aproximadamente uns 26 Km de distância está a Pensão da Mama, no passado um famoso lugar onde os caminhoneiros e viajantes passavam a noite, hoje em dia é apenas um prédio velho sendo "administrado" pelos filhos da "Mama", Ruan e Otávio.
Os dois sabem que não tem chance de viver vagando pelas ruas, então resolveram continuar na pensão até a morte. Nunca recebem clientes, apenas conversam e olham pela pequena janela os zumbis passando lá fora.
—Sério, acho que a gente devia limpar a pensão.-disse Ruan passando os dedos em um móvel de madeira.
—Como se alguém fosse aparecer, né?!-Otávio responde ironicamente.
—A gente podia limpar pra nós mesmos, é tanta sujeira que a gente pode pegar um vírus e morrer.-disse Ruan.
—Prefiro morrer do que continuar vivendo por aqui.-responde Otávio.
—Irmão, nossa mãe está orgulhosa de nós lá no céu, nós continuamos com o sonho dela, mesmo no meio desse apocalipse, ou seja lá o que chamam isso.
—Eu definitivamente não quero ser orgulho pra um morto.- disse Otávio.
—Mais respeito com a mamãe.
—Ela virou uma daquelas coisas e tentou nos matar...ou você não se lembra disso?!- disse Otávio ironicamente.
—Ela não teve culpa, você sabe disso.- disse Ruan irritado.
A porta da pensão se abre. Por ser uma porta de madeira bem antiga, provoca um alto barulho.
—ZUMBIS!!!ZUMBIS!!!-gritou Ruan.
Da escada, Otávio olhou assustado.
—Não somos zumbis.-disse Adam entrando na pensão carregando Sophie no colo, enquanto a mesma dorme.
—MEU DEUS, SÃO CLIENTES!!!CLIENTES!!!-gritou Ruan.
—Tem um quarto?-perguntou Adam.
—SIM, SIM!!!-Ruan não conseguia conter a animação.
—E vocês estão cobrando?! Por que acho que não tenho nada de valor.-disse Adam.
—Você poderia nos dar um pouco de sua comida.-disse Ruan.
Adam concorda e sobe com Sophie para o quarto.
Eles chamam aquilo de quarto por pura educação, pois mais parece um chiqueiro com uma estrutura velha de madeira — chamada cama — do que realmente um quarto.
Ele a coloca na "cama" e forra um cobertor no chão para deitar-se.
Antes de dormir, ele vira-se para Sophie.
—O sonho da Elena era ter tido filhos.-pensa Adam.
Depois ele se vira, fecha os olhos e dorme.
Em seu sonho, Adam estava caminhando na montanha em que morava até que avista Elena de costas.
—Elena,Elena.-gritava Adam.
Adam correu na direção de sua amada, mas quanto mais corria mais ela se distanciava. A neve foi aumentando, dificultando seu movimentar. Ofegante, Adam cai na neve, suas mãos começam a sangrar. Rastejando, ele vai em direção de Elena.
—Elena, eu senti tanto a sua falta.-dizia Adam.
—Amor, que bom que você veio.-respondeu Elena ainda de costas.
Ao se aproximar de Elena, Adam levanta e se prepara para abraçá-la.
—Que bom que você veio.-Elena começa a se virar.-Estava morrendo de fome.
O rosto de Elena estava totalmente distorcido e zumbificado. Seus longos fios loiros haviam caído,sua pele do rosto havia caído, deixando apenas a carne podre para fora e suas veias pulsando. O queixo de Elena estava quebrado bem no meio,fazendo com que quando ela falasse, sua mandíbula juntamente com os dentes se levantassem para os lados, deixando apenas sua língua a mostra.
—AAAHHH!-Adam gritou e se jogou para trás.
Caído na neve e com as mãos ensanguentadas, Adam chorou.
Adam acordou assustado e ofegante. Do lado de fora da pensão, o dia já tinha chegado e após dias e dias de frio, o sol aparecera lá fora.
Sophie estava acordada, porém ainda deitada na cama. Então Adam a cumprimentou e os dois desceram. Ao chegarem na "recepção" viram que a porta estava caída no chão e as janelas de vidro quebradas. Os dois caminharam até o balcão e acabaram pisando em sangue.
—Não olha.-disse Adam à Sophie, tampando seus olhos.
Adam foi para trás do balcão e acabou esbarrando em um corpo morto, quando olhou mais de perto viu que era Otávio.
—Meu deus.
Um barulho de tiro foi ouvido.
—O que?!-Adam gritou.-Se abaixa.
Adam jogou-se em cima de Sophie derrubando-a no chão. Uma bala passou por cima deles.Os dois rolaram para trás do balcão e ficaram cara a cara com o corpo de Otávio.
—NÃÃÃO. ELE NÃO HAVIA SIDO MORDIDO, POR QUE VOCÊS FIZERAM ISSO SEUS DESGRAÇADOS?!-Ruan gritava.
Adam levantou a cabeça e viu três homens usando colete a prova de balas, roupa preta e equipados com rifles de assalto e granadas. Eles usavam também uma máscara que os impedia de inalar o ar de fora. Ruan estava caído no chão com um olho roxo.
—Cala a boca.-gritou um dos homens dando um tapa no rosto de Ruan.
—Por que...por que o mataram?-Ruan chorava.
—Somos da UFA,União da Força Armada.Um grupo do exército que vai atrás de humanos infectados. Aqui é uma zona de quarentena, um dos zumbis evoluiu e acabou explodindo, todos dessa região inalaram o ar contaminado que foi eliminado pelo zumbi. Todos que vivem por aqui serão exilados antes que se transformem em um deles.-disse um dos homens.
—Por favor, não me mata.-Ruan implorava.
O homem apontou a arma para o queixo de Ruan.
—Por...favor, eu imploro, não fui contaminado.-chorava Ruan.
Sem piedade, o homem acertou um tiro no queixo de Ruan que caiu ensanguentado no chão da pensão.
Adam abaixou-se e tampou a boca de Sophie.
—O que aconteceu?-Sophie perguntou.
—Shhh.-Adam mandava Sophie se calar.
—Ei, acho que tem mais alguém no local.-disse um dos homens apontando para o balcão.- Vasculhem todo o estabelecimento.
Adam ouviu o som do homem se aproximando, pegou a pistola na mochila e a recarregou.
Sophie se assustou e abraçou Adam.
—Corre. Corre, Sophie.-Adam sussurrou.
Sophie o olhou sem entender.
—No 3.Um...dois...três...CORRE!!!-Adam gritou levantando-se rapidamente.
—AAAHHHHH!-Sophie gritou e correu.
BANG BANG
Adam atirou contra os homens.
O homem que matara Ruan rolou para o lado e atirou contra Adam.
O homem que se aproximava do balcão tentou agarrar o braço de Adam, mas levou um tirou na mão.
Adam foi correndo na direção de Sophie enquanto atirava nos homens, que correram em sua direção e se jogaram em cima de Adam.
Adam deu um soco em um dos homens e correu.
Sophie já estava do lado de fora da pensão, e Adam corria para salvar-se.
O homem que matara Ruan pegou a arma e atirou loucamente contra Adam, e acabou acertando-o na panturrilha. Cambaleando e agonizando em dor Adam continuou correndo.
—MATEM O INFECTADO!-gritou o homem tacando duas granadas na direção de Adam.
Os três homem se jogaram para trás e a pensão explodiu.Adam caiu e a fumaça o atingiu, pedaços do prédio caíram próximos a ele. Ao longe, Adam viu Sophie olhando tristonha para ele.
—Aqui,ele está aqui.-um dos homens gritou.
A visão de Adam estava turva e sua cabeça estava estalando de tanta dor. O corpo quase não conseguia mover. A perna ensanguentada logo deixou um rastro pela rua.
Sophie correu até Adam e tentou levantá-lo.
—AAH.-Sophie gritou quando um dos homens a pegou pelo braço.
—Achei eles.-gritou.
—Soltem...soltem...-antes de terminar a frase,Adam desmaiou.
Sophie gritava enquanto era arrastada pelo homem. Os outros dois pegaram Adam e o colocaram dentro de um carro. Dentro do carro, Sophie ainda olhava para Adam como se esperasse que ele fizesse algo,ele a havia salvado,era o herói dela.Mas onde antes tinha um homem forte e corajoso,agora estava Adam desmaiado,amarrado e indefeso.
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