Dead Earth

4 União da Força Armada


Quartel General da UFA,11:34 hrs

Localizado à alguns quilômetros antes da entrada da Zona R está o QGUFA,a base da UFA, uma associação terrorista comandada com mãos de ferro por Constantine, um ex militar que morava na Rússia mas que logo após a infestação do vírus R2-D fugiu para o Canadá, onde fundou a UFA.

A União da Força Armada no início foi criada com o propósito de exterminar os zumbis para salvar o resto da população mundial, mas aos poucos a ganância de Constantine foi crescendo e ele viu a chance de poder governar o Canadá inteiro .Assim, ele foi até o laboratório onde foi criado o vírus R2-D e lá fundou a Zona R,um local extremamente perigoso mas que continha os maiores recursos, se alguém conseguisse chegar lá teria comida, armas, água,e diversos suprimentos, mas ele próprio sabia que era quase impossível chegar lá e assim Constantine achou que a população morreria lentamente,não só infectados pelos zumbis, mas de fome.

Atualmente, a UFA vai atrás de zonas infectadas e matam a população que lá reside e ninguém os contraria, pois não há mais um governo,o u até mesmo regras no mundo. Hoje, o mundo não é de ninguém.E apenas os mais fortes sobrevivem.

O imenso muro que guarda o QGUFA é todo rodeado por lâminas, o imenso portão de ferro só se abre por meio de códigos e todo o local é rodeado de guardas da UFA fortemente armados. Provavelmente era um local livre de zumbis.

Dentro do QG é quase uma cidade, há o seu centro,onde fica a base principal e onde Constantine mora e ao seu redor existem vários laboratórios que estudam os infectados, há também diversas estações de comunicação que trabalham para trazer energia ao local, para que os satélites do local funcionem. Localizada na ponta leste do QG estão as salas de tortura, onde homens, mulheres e crianças que causam tumulto mundo afora são torturados até a morte. Ao lado das salas de tortura estão as prisões, onde os infectados que ainda não se transformaram são levados e condenados a viverem ali pelo resto de suas vidas.

A vegetação morta e amarelada no chão e o tempo um tanto cinzento no céu deixaram o lugar ainda mais assustador. Os carros repletos de infectados e rebeldes andavam pra lá e pra cá, iam das salas de tortura até a base central.

Há cinco anos surgiu um pequeno grupo de rebeldes que desde então lutam contra a UFA por direitos iguais e por suprimentos da Zona R que logo tornou-se cenário de várias batalhas sangrentas e gigantescas chacinas.

Adam estava sendo levado, ainda amarrado para a base central onde seria confrontado por Constantine pelo seu ato de rebeldia na pensão da Mama.

Seu corpo estava mole e sua visão turva, parecia estar sendo arrastado por dois guardas por um imenso corredor escuro. Um barulho de portas se abrindo foi escutado, logo sentiu a luz forte em seu rosto. Não conseguia enxergar direito, mas o lugar parecia um tribunal repleto de guardas e com alguma pessoa sentada em uma espécie de trono aparentemente de ouro.

—Bom dia senhor.-disse um dos guardas que seguravam Adam.

—Bom dia.-disse Constantine com a voz um tanto rouca.-Quem é esse?

—Fomos até Greenwood e matamos alguns civis infectados e encontramos esse homem que tentou nos matar.-respondeu o guarda.

—Interessante.Qual o seu nome?-perguntou Constantine.

Adam gemeu de dor.

—Eu perguntei qual o seu nome.-disse Constantine.

A respiração de Adam estava lenta, quase como se fosse morrer.

—EU PERGUNTEI O SEU NOME,SEU MERDA!-gritou Constantine irritado.

Silêncio.

Irritado,Constantine pegou uma faca de seu bolso, levantou de seu trono e dirigiu-se até Adam. Ainda tonto, Adam fechou os olhos.

—Então temos um rebelde?-perguntou Constantine apontando a faca para o queixo de Adam.

O silêncio continuou.

—MANDEM-NO PARA A SALA DE TORTURAS.-gritou Constantine.-Tinha mais alguém com ele?

—Sim, uma menina.-respondeu o guarda.

—Então matem-na.-disse Constantine.

—Eu não sei se é o certo a se fazer senhor, ela é só uma criança.-disse um dos guardas.

—Está me contrariando?-perguntou Constantine.

—Não senhor,é que...-disse o guarda assustado.

—Ah, então você acha que sabe mais do que eu? Acha que eu não deveria matar a menina?-perguntou Constantine ironicamente.

—Não senhor, me desculpe.-disse o guarda tremendo de medo.

—Filho da...-antes que terminasse a frase, Constantine pegou a faca e a encravou no olho do guarda,que caiu repleto de sangue no chão.

Mas alguém que queira contrariar minhas ordens?-perguntou Constantine levantando a faca repleta de sangue.

O silêncio tomou conta do lugar.

—Assim espero.-disse Constantine virando-se e voltando ao seu trono.

Adam foi arrastado até a sala de tortura onde foi amarrado a uma cama de metal.

Ele estava começando a retornar a consciência.

—Deveríamos cortar cada um de seus dedos.-disse um guarda.

—Eu acho que seria melhor furá-lo com quarenta facas.-disse outro guarda.

Adam olhou para os lados e viu os guardas conversando, o susto foi tanto que sua consciência logo retornou.

—Preciso sair daqui.-pensou.

—Ok,vamos começar.-disse um guarda aproximando-se da cama com algumas facas na mão.

—Pode começar pela mão esquerda.-disse a outro guarda.

Adam começou a suar frio.Olhou para sua perna e notou que sua panturrilha ainda estava encharcada de sangue que agora já estava seco em sua calça.

Adam só percebeu a dor que estava sentindo quando olhou pra panturrilha, ele acabara de levar um tiro na panturrilha e agora perderia os dedos.Desde que saiu da montanha, sua vida tem estado um inferno.

Um dos guardas se prepara para cortar o dedo mindinho de Adam.

—POR FAVOR NÃO, EU TE IMPLORO CARA, POR FAVOR PARA.-gritou Adam.

O guarda deu de ombros e continuou com a faca apontada para o dedo de Adam.

Adam tentava pensar em algo para conseguir escapar, mas os gritos das salas de tortura ao lado não o ajudavam muito.

AAAHHH NÃO,POR FAVOR,PARA,POR...FAVOR,EU TE IMPLOR...AAAHHHHH NÃO,AAARGH,SOCORRO.

Os gritos eram doces e suaves como de uma criança,eles eram uns desgraçados.Torturam crianças inocentes sem motivos.

Adam estava amarrado com cordas em uma mesa de metal esperando para perder os dedos e provavelmente a essa hora Sophie podia estar morta. Adam precisava fazer algo.

—ESTOU ME TRANSFORMANDO.-gritou Adam.

—O QUE?-gritou um dos guardas soltando a faca no chão.

—Ah cara, pega essa faca logo.- disse o outro guarda.

—Precisamos matá-lo, se ele se transformar numa daquelas coisas...-disse o guarda.-ele vai nos matar em segundos.

Adam notou que tinha conseguido prender a atenção dos guardas, então começou a se contorcer tentando parecer o mais convincente possível.

—Ai meu Deus, eu não quero virar um deles.-disse um dos guardas.

—Para de ser medroso cara, se não fizemos o que Constantine mandou, ele arranca nossos olhos.É ISSO QUE VOCÊ QUER?- gritou o outro guarda.

Adam aproveitou-se do momento e conseguiu retirar uma das mãos de dentro da corda.

—Agora por favor, vamos começar.-disse um guarda pegando a faca e apontando na direção da mão de Adam.

Rapidamente, Adam deu um soco no rosto do guarda e pegou a faca de sua mão. Com a mesma, enfiou-a na mão do guarda, que agonizou de dor.

O outro guarda saiu correndo, achando que Adam havia se transformado.

Ligeiramente, Adam cortou as cordas de sua outra mão e dos pés.

—AAI,AAAAI.- o guarda agonizava com a mão completamente ensanguentada.

—AAAH!- Adam gritou encravando a faca na cabeça do homem. Antes de retirar a faca, ele fez mais força para que matasse logo o guarda.

Ao retirar a faca, o homem caiu no chão, já morto, e com um buraco na cabeça.

Adam estava livre.

Foi até a porta da sala e ficou observando pra ver se vinha mais algum guarda. Saiu bem devagar e foi andando pelo terreno. Era um pouco difícil não ser notado em descampado daqueles.

Ouviu barulho de sirenes e correu para trás da prisão que ficava ao lado. Logo, uns vinte guardas apareceram apontando suas armas para a prisão. Não tinham visto que ele estava atrás dela, mas sabiam que ele havia fugido.

Na base central, Constantine observava tudo por meio de câmeras. Com seu cabelo grisalho e uma feição robusta observava tudo com seu olhar maligno e com um sorriso sádico estampado no rosto.

A prisão tinha apenas um andar, não era alta, mas um pouco difícil de escalar se considerado que Adam acabara de levar um tiro na panturrilha. Então ele deu a volta pela prisão e ao chegar em sua frente, deparou-se com dois guardas — mas que ainda não tinham notado a presença de Adam. Ele arremessou sua faca bem na cabeça de um deles. Com o susto, o guarda ao lado começou a atirar com sua metralhadora em todas as direções, a poeira subiu e assim limitou a visão do guarda que foi surpreendido com uma facada com rosto. Com os guardas caídos no chão, Adam levantou-se , pegou a arma do guarda e umas seis granadas que estavam nos bolsos de seus coletes.

Com o barulho provocado na entrada da prisão, logo os outros guardas saíram de lá correndo e atirando contra Adam, que jogou uma granada na direção deles. A explosão fez os guardas morrerem e quebrou uma parede da prisão que a fez desmoronar. Os presos que não haviam sido soterrados, levantaram-se e comemoraram. Nenhum deles era realmente um bandido, estavam ali apenas por que haviam sido sequestrados pela UFA.

A maioria dos presos fazia parte do grupo dos rebeldes que pegaram as armas nos corpos dos guardas e foram atirando contra a base central.

Adam foi correndo até a base central com eles e no meio do caminho encontrou dois guardas arrastado Sophie pela grama morta. A garota estava viva.

Adam rapidamente recarregou sua metralhadora e atirou contra os guardas que não resistiram e morreram. Adam foi correndo e abraçou Sophie que estava chorando.

—Se acalma, nós vamos sair daqui.-disse Adam.

Os dois foram correndo, enquanto os rebeldes abriam caminho pela entrada da base central.

Granadas foram arremessadas contra a base, um exército inteiro se formou em volta dos rebeldes que logo se espalharam. Ouvia-se sons de tiros para todos os lados. Ouvia-se também sons de choro e lágrimas derramadas, naquele dia haveria muito sangue derramado sobre a grama seca do QGUFA.

—Fica aqui e não sai.-disse Adam levando Sophie ao lado da base.

Adam correu para a entrada da base e foi atirando contra as janelas e portas do local. Olhou para o horizonte e viu uma árvore com uma mulher nua enforcada. Do galho mais alto da árvore havia uma corda que se enrolava no pescoço da pobre mulher que já havia morrido.

Os rebeldes tacaram granadas contra uma parede que logo caiu e fez uma abertura para que eles entrassem no local. Adam os seguiu.

—Matar Constantine!

—Matar Constantine!

Os gritos dos rebeldes eram ouvidos.

Os rebeldes entraram em uma sala cheia de arquivos confidenciais da UFA, contendo idéias pra armas, planos de fuga entre diversos outros.

Adam pegou um dos arquivos e leu.

Convido todos os residentes do Canadá para serem levados até os Estados Unidos, onde serão transportados para a antiga Nova York, atual Zona Livre. Lá poderão viver livres do vírus R2-D, pelo menos durante os próximos anos. O navio que os levará até os Estados Unidos parte no dia 12 de abril às 11:00 horas. Apenas as 600 primeiras pessoas da fila poderão entrar no navio e partir.

Local de embarque:Pier da Columbia Britânica,no litoral canadense.

—Hoje é dia 02 de abril, se eu conseguir escapar daqui, poderei passar na Zona R, pegar alguns suprimentos e ir para Columbia Britânica.-disse Adam tão baixo que parecia ser para si mesmo.

Guardou o papel no bolso e continuou seguindo os rebeldes.

A sala logo foi cercada de guardas que arremessaram diversas granadas contra Adam e os rebeldes. Adam correu para o lugar de onde entrou. As granadas explodiram. A sala foi pelos ares, juntamente com muitos rebeldes. Mortes em vão. Nem ao menos tiveram chance de atacar Constantine.

Um dos únicos que não morreu foi Adam.

Correu até Sophie.

—VAMOS.-gritou Adam agarrando o braço de Sophie.

Assim, os dois foram correndo em direção aos portões.

—Vai morrer de fome sem sua mochila.-disse uma voz atrás deles.

Os dois se viraram e lá estava Constantine com um sorriso malicioso segurando a mochila de Adam.

—Destruíram metade da sua base, me dê minha mochila e eu vou embora.-disse Adam.

—Tudo bem, venha aqui pegar. Mas terá que me entregar a menina.-disse Constantine.

Adam olhou para Sophie. Os dois haviam se conhecido faziam apenas dois dias, não dava pra ele ter desenvolvido algum carinho por ela. Dava?

—Trato feito.-disse Adam que segurou o braço de Sophie e a arrastou até Constantine.

—NÃO,NÃO,PARA!-gritou Sophie.

Constantine entregou a mochila para Adam e segurou o braço de Sophie.

Constantine pegou Sophie e fez um sinal de despedida para Adam que se virou.

Os olhos azuis de Sophie se encheram de lágrimas, seu herói havia largado ela lá para ser torturada eternamente.

Adam parou de andar. Abriu sua mochila e pegou sua pistola. A recarregou e rapidamente virou-se e deu um tiro no ombro de Constantine que largou Sophie e gritou de dor.

Adam pegou Sophie pelo braço e correu.

—Achou mesmo que eu fosse te deixar aí?!-disse Adam para Sophie.

—FILHO DA P...-antes que terminasse a frase pegou sua arma e atirou contra Sophie.

Sem perceber que Sophie estava baleada, Adam continuou correndo enquanto todos os guardas tentavam acertá-los. Ele levou outro tiro, só que dessa vez no braço. Sua panturrilha voltou a doer, seu braço estava ensanguentado. Ele queria parar e desistir. Mas não podia, ele tinha que salvar Sophie.

Seus passos doíam. Sophie lentamente foi parando de correr, até chegar ao ponto de Adam pegá-la no colo e continuar correndo.

Ele tacou uma granada contra o alto muro da entrada, fazendo abrir uma passagem. Os dois fugiram e correram para a floresta. Os guardas estavam perseguindo-os.

Após correr muito, despistaram os guardas. Agora, haviam apenas marcas daquele confronto. Muito sangue derramado e lembranças que Adam queria esquecer.

Adam jogou-se no chão e colocou Sophie do seu lado, ao observá-la melhor viu que suas costas estavam sangrando. Constantine havia atirado contra ela. Aquele desgraçado acabara de atirar em uma criança indefesa.

Inclinou-se e encostou a cabeça na barriga de Sophie, suas mãos a envolviam. Suas mãos repletas de sangue. Adam não conseguia sentir a respiração de Sophie. Seus olhos se fecharam e ele chorou. Não podia ter acontecido. Ele tinha a missão de cuidar de Sophie e falhou, assim como falhou em salvar Elena. Adam se odiava por isso.

O sol se pôs e assim a noite chegou. Adam,ainda encostado em Sophie, chorava, tentava não acreditar que aquilo tinha acontecido.

Adam tremeu,seus olhos lentamente se fecharam.

—Sophie...morreu.-disse Adam.

O silêncio os envolveu sob a noite escura.