De acordo com a realidade...

17 Cap 17 - Tudo em seu devido lugar.


Notas iniciais
Nem vou falar nada pq ja to atrasada de nv.. boa leitura! “Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.” –Fernando pessoa.

Juliana analisava com cuidado os filmes dispostos em cartaz. Tinha combinando com Zelão de que ela escolheria o filme e ele, as guloseimas. Passou os olhos azuis pelas letras na tela e chegava a conclusão de que as opções eram tão desinteressantes quanto o aplicativo que utilizava para comprar os ticktes.

Chegou nas ultimas opções e encontrou uma comédia romântica de fim previsível e um filme de luta que se espremesse o cartaz sairia sangue. Juliana não tinha nem duvida de que escolheria a comedia bobinha com o ator da moda e sorriu ao lembrar que se tivesse arrastado a ruiva com ela estariam em uma discussão atmosférica agora.

Seus pensamentos foram apagados quando sentiu os braços fortes do namorado a abraçar por trás...

–E então o que vamos ver?

Juliana riu e se virou para encontrar o olhar intenso do segurança.

–Um filme para meninas...espero que não se importe...

–Contanto que eu não tenha que realmente assistir o filme. –Agora era a vez de Zelão de sorri maliciosamente. Juliana retribuiu o sorriso e confirmou.

–Então ainda bem que eu peguei os lugares da ultima fileira.

O casal pegou as guloseimas que não iriam realmente comer e entraram na sala de cinema para ver um filme que realmente não iriam assistir.

*

Gina não conseguia identificar os sentimentos que se misturavam e se refletiam nos olhos do engenheiro e como sempre fazia...tentou fugir do desconhecido.

–Diga logo o que você quer Ferdinando- Ela se desvencilhou do olhar dele e agora se afastava fingindo analisar um dos quadros na parede que Juliana havia colocado como parte da decoração da casa.

Ferdinando pode sentir o perfume dela invadi-lo e abandona-lo em uma questão de segundos e concluiu...precisava te-lo para sempre ao seu lado.

Ele caminhou calmamente em sua direção e parou apenas para tocar os cachos do cabelo ruivo dela que hoje estava solto porém domado.

–Eu....eu preciso lhe falar uma coisa...

–Mas você ja vai começar a engasgar é..

O jeito ríspido dela ja não o incomodava tanto e ele chegava a desconfiar que essa era a principal tática de defesa dela...mas o que ela não sabia é que ele estava disposto a derrubar uma por uma de suas barreiras.

Ele a pegou pelos braços e a virou...forçando um contato visual inevitável.

–Eu quero lhe dizer Gina...que eu gosto muito de você.

Ela estava perdida...não estava pronta para esse tipo de conversa...muito menos para uma confissão assim...direta e sincera portanto resolveu ser honesta consigo mesma e com o engenheiro que estava a sua frente..

–Eu...eu ..também gosto muito de você Ferdinando. – Ela teve a coragem de confessar ...mas não de olha-lo nos olhos.

O silencio inundou a sala...ele estava surpreso com a confissão dela de forma tão franca e tão fácil... e ela estava se perguntando se havia feito a coisa certa...uma parte do seu cérebro ainda pensava em uma saída de emergência.

–Mas...se você não for falar mais nada... –Ela não pode continuar pois sentiu Ferdinando passar os dedos de leve em suas bochechas e a outra mão envolver a sua com um calor agradável.

–Não Gina eu tenho mais coisa pra falar sim...

–O que você quer me falar então?

–Eu quero lhe dizer Gina...eu quero lhe dizer que eu lhe amo! Aquela conversa toda ..aquela baboseira toda de dizer para o senador que você era minha namorada...aquilo não era papo furado Gina! Eu lhe tenho amor!

Gina arregalou os olhos ao ouvir aquela palavra novamente e o aviso de saída de emergência em sua mente começou a piscar freneticamente.

–Nossa....nossa....o que você quer que eu diga...?

–Eu não quero que você me diga nada que não queira dizer...e se achar melhor ficar em silencio tudo bem....eu só quero que você saiba Gina...e não tenha dúvidas...do amor que eu sinto por você!

Vencida...Gina estava vencida...sentiu o alarme da mente quebrar, o coração disparar e as lembranças do passado se apagarem na sua frente...ele estava diferente...ele era diferente...e a moça resolveu abraçar essa nova realidade.

A ruiva levou as mãos ao rosto do engenheiro e deixou – se levar pela maré dos olhos dele enquanto se aproximava e lhe depositava um beijo sincero e cheio de sentimentos irreconhecíveis para ela.

Ferdinando não podia acreditar...sentia o gosto doce dos lábios dela sobre os seus ...e pela primeira vez não era ele que forçava nada...era um beijo calmo...terno daqueles que se demora deliciosamente de forma a sentir toda a textura dos lábios assim como os sentimentos todos que emanavam dele.

Ferdinando levou a mão que que estava na bochecha dela até a nuca da ruiva aprofundando o beijo de forma doce porém com o toque apimentado deles de sempre.

Gina ja não pensava em resistir, não pensava em fugir...na verdade não pensava em mais nada.

O rapaz apertou a mão da moça a lembrando que estavam ali...e que estavam juntos e ela não pode deixar de sentir que tudo estava correto e nada estava fora do lugar.

Eles poderiam ter ficado ali...se deliciando com o desconhecido, descobrindo calmamente cada parte da boca um do outro que ja havia sido explorada porém nunca milimetricamente memorizada....mas então a necessidade de ar tornou-se um intervalo forçado que eles tiveram que tomar.

Ao fim do beijo ambos continuaram com as testas coladas...o rapaz não conseguia tirar os olhos dos lábios deliciosos dela e ela não conseguia nadar contra a corrente que a levava para as profundezas do olhar de Ferdinando.

O engenheiro sorriu ao ve-la esboçar um sorriso tímido...a beijou na testa e a abraçou ternamente.

–Eu lhe amo menininha...nunca esqueça disso.

Ela ficou calada...não sabia o que falar...não tinha certeza se aquele turbilhão de sentimentos que a invadia cada vez que o via... era amor...mas resolveu que ira tentar descobrir...com a ajuda dele.

Depois de alguns minutos entrelaçados Ferdinando a olhou nos olhos e fez um convite irrecusável..

–Então...eu ainda tenho o resto dos filmes que a gente perdeu aquele dia...o que você acha da gente continuar a assistir assim...coladinho um no outro?

Gina sorriu timidamente e corou com as lembranças daquele dia.

–Pode até ser...mas sem vinho e sem atrevimento viu frangotinho?!

Ferdinando deu uma gargalhada gostosa e concordou...colocaram o filme e se sentaram no sofá...dessa vez ele com ela nos braços e Gina não pode deixar de notar o quanto estar nos braços dele era tão bom.

*

Juliana e Zelão ja haviam saído do cinema e agora jantavam e buscavam uma forma de fechar a noite com chave de ouro...

–Bom no meu ap não dá né...aliais me lembre de mandar uma mensagem pra um daqueles dois...da ultima vez estraguei tudo! – Juliana ria ainda saboreando o seu copo de vinho.

–Taí eu nunca que ia imaginar o doutor Ferdinando com aquela uma..

–Ora essa e porque não?

–Ara...por que você não conheceu aqueles dois quando eram menores – Dizia Zelão revelando pela primeira vez o sotaque da fazenda esquecido pelos anos vivendo na cidade.

–Ahh me conte!!

–Bom...o doutor Ferdinando era bem educado mas um galanteador que só vendo. Era o terror das menininhas dos arredores! E pra você ver...a única que não dava bola pra ele era a tal de Gina. A mãe dela até falava que um dia eles ainda iam casar...e eu não duvido nada que esse ainda seja o sonho dela. A família Falcão e a família Napoleão sempre foram muito unidas tirando os filhos. Meu pai sempre trabalhou para o Seu Epaminondas portanto minha infância foi na fazenda com eles...e devo confessar ...era engraçado demais ver aqueles dois se engalfinhando. –Zelão tinha um brilho diferente no olhar...a recordação de épocas mais tranquilas era algo que o trazia paz.

– É o que diz o ditado...quem desdenha quer comprar...- Juliana ria com o namorado mas voltou a buscar soluções para o problema da noite.

–Bom...então ja sabemos que no meu ap não pode você tem alguma sugestão?

– La em casa vai ser difícil também...minha mãe é uma idosa não gosto de deixa-la sozinha por isso ela esta morando comigo.

–Eu até falaria pra gente tentar uma alternativa mais interessante mas tudo anda tão caro que a gente vai acabar pagando o valor de uma parcela de um carro em um motel! –Juliana odiava seu lado racional mas ele por vezes a salvou de ir a falência.

–Um amigo meu conhece um italiano que aluga quartos ...ele disse que o ambiente é familiar mas podemos tentar la..é só falarmos que estamos viajando e ele nem vai suspeitar de nada...

–Ai meu amor! Que ótima ideia!!Então vamos la..vamos!! –Juliana terminou o vinho e os dois pagaram a conta e se dirigiram ao tal ambiente familiar.

*

–Essa é a melhor parte do filme !- Gina chamava a atenção do rapaz que estava perdido nos carinhos que fazia nos cachos dela.

–Você sabia...que eu nunca vi esse filme? –Ele dizia brincalhão.

–Ah..não ..serio? Como você nunca viu o Exterminador do Futuro 4?

–Assim como eu nunca tinha visto os outros 3...mas sempre tive curiosidade de ver...e reparo que acertei em cheio na escolha não? –Ferdinando a olhava intensamente e ela via uma felicidade contagiante em seu olhar.

Gina riu, lhe deu um selinho rápido e voltou a encostar a cabeça no peito dele. Ela o surpreendia a cada ato...a cada palavra...e ele sabia que nunca se acostumaria com isso....e como era bom não se acostumar.

Ele começou a depositar beijos pela mão dela e ela começou a se encolher para mais perto dele...e mais uma vez eles mergulharam nas sensações que suas ações provocavam.

Gina levantou o rosto para encontrar os lábios de Ferdinando indo em direção sua bochecha...ele continuou o caminho de beijos dos ombros dela à orelha onde não pode evitar falar lhe “segredos de liquidificador” fazendo a ruiva se arrepiar e respirar fundo. Gina buscava com as mãos os traços bem definidos dele por trás da camisa que o engenheiro usava.

O rapaz enlaçou a cintura dela e a deitou por cima do próprio corpo...as mãos que ainda estavam fixas na cintura passaram para a costa da moça até repousarem ao final da mesma.

Dessa vez , apesar do desejo dos dois, tudo era feito mais devagar, Gina contava e decorava cada curva dos braços do amado e podia sentir seus dedos deixarem digitais quentes pelo corpo dela.

Tudo era deliciosamente calmo porém ainda sim intenso. Ferdinando estava pensando se seria demais colocar as mãos por debaixo da blusa da moça...quando sentiu os dedos dela acharem uma brecha entre sua blusa e sua calça e agora eram as mãos dela que estavam por debaixo da camisa dele.

Ele soltou um suspiro preso ao perceber que era ela quem estava desabotoando a blusa dele e levou as mãos até as pernas nuas dela...como ele adorava o fato dela apenas usar shorts em casa.

Gina retirou a blusa do rapaz sem dificuldade e continuou os carinhos por sobre a pele quente dele. As mãos do engenheiro passeavam e apertavam suas pernas e a região entre suas coxas e ela gemia baixinho cada vez que ele se aproximava ainda mais da intimidade dela.

Porém ao sentir as mãos do engenheiro encontrarem os botões de seu short...mas uma vez...ela travou.

–Nando...espera...

–O que foi menininha? Você está bem? –A preocupação dele era adorável.

–Não é nada é so que...você não acha que estamos indo rápido demais?

–Eu não quero força-la a nada meu amor...se você quiser...a gente pode so ficar aqui...deitadinho..assistindo o resto do filme...o que você acha?

O Ferdinando de antigamente nunca faria isso...nunca teria essa paciência...esse respeito...esse...amor.

Ela sorriu agradecida e voltou a deitar a cabeça sobre o peito nu dele. Ele respirou fundo algumas vezes e tentou prestar atenção no filme para que se acalmasse mais rapidamente.

*

Juliana esperava que os amigos tivesse recebido sua mensagem dizendo que estava chegando...mesmo assim retirou os sapatos de salto antes de abrir a porta de casa.

Ao entrar no apartamento a professora se deparou com uma das cenas mais doces que a tempos não via...nem nos filmes de comedia romântica que assistia.

Ferdinando e Gina tinham adormecido no sofá, um nos braços do outro e pelo visto tinham enfim se entendido.

Juliana desligou a televisão e seguiu para o quarto suspirante...tudo estava certo...tudo estava em seu devido lugar.