Notas iniciais
Boa leitura. E espero que gostem.

-Prazer, Eliot. –Estendi minha mão para cumprimentá-lo.

Ele hesitou possivelmente assustado. Mas acabou estendendo sua mão para mim também.

-Prazer, Vicenza. –Ele me cumprimentou sério. –Você não é daqui, certo?

-Certo. Sou da Inglaterra. –Menti.

-E o que faz por aqui? Fugindo dos Volturi?

Eu congelei. Como ele sabia?

-Bom... Acho que sim.

Ele sorriu e pareceu relaxar.

-Então somos dois.

-Por que está fugindo? –Perguntei curiosa.

-Morei alguns anos na Itália, e acabei quebrando algumas regras. –Ele sorriu malicioso com alguma lembrança. –Os Volturi me alertaram algumas vezes, mas nunca lidei bem com regras. A loirinha tentou me pegar, mas não conseguiu, e eu acabei conseguindo escapar e voltei para o Brasil.

-Os Volturi e suas regras de conduta... –Sussurrei.

-Sim. Regras que quebrei. Mas me conte sua história.

-Minha mãe acabou tendo um caso com um vampiro, e eu nasci. Aro achou que eu podia fazer mal, mas me deixou crescer normalmente, como um tipo de experiência, eu acho. Quando ele descobriu o poder que eu tinha quis que eu ficasse na guarda com os outros, e eu não aceitei, e acabei tendo que fugir para longe, então resolvi vir para cá. –Parte verdade, parte mentira.

-Nossa. Você é hibrida? Como é isso? Você sente sede, e é rápida também, ou não?

-Sim. Sinto sede. Tenho um ótimo olfato, e minha visão também é boa. Sou mais rápida que um humano, mas não tão rápida quanto os outros vampiros. Tenho um dom, que pelo que saiba, é único.

Olhei para trás dele, onde o corpo da sua vitima ainda estava, e fiz uma careta de sede.

-O que? Não me diga que você é uma vegetariana! –Eliot parecia esperançoso.

-O que? Como assim “vegetariana”?

-São os que se alimentam de animais, não de humanos. Eu até queria tentar, mas minha sede não ajuda. –Ele se lamentou.

-E tem quem consiga? –Perguntei curiosa.

Como será isso? Não precisar matar pessoas para sobreviver?

-Sim. Tem alguns clãs aqui pelo Brasil. Mas conheço um casal que se diz vegetariano. Eles me indicaram o Canadá. Falaram que lá tem um clã totalmente vegetariano.

-Quem sabe um dia nós não vamos para lá. Não é? –Perguntei

Saímos daquele beco, e começamos a andar pela rua, até eu lembrar que meu hotel ficava ali perto.

-Não gostaria de ficar comigo no hotel? Não fica muito longe daqui. –Falei apontando para o hotel que ficava no final da rua.

-Tem certeza? Quer dizer... Não tem problema? –Eliot se surpreendeu.

-Não claro que não.

Ele aceitou, e nós voltamos para o hotel.

Eliot não estava mal vestido, mas precisava urgentemente de roupas novas.

Subimos pelo elevador, e fomos até meu apartamento.

Eliot era um vampiro completo, então não precisaria dormir. Mas seria útil manter as aparências.

-Se quiser tomar um banho, ali é o banheiro. Cozinha, quarto, e aqui é a sala. –Falei apontando para as portas que davam acesso a cada cômodo.

-Obrigado. Mas não tenho outra roupa, então não acho que seria útil um banho. –Ele falou se desculpando.

-Ah. Não tem problema. Vamos comprar algumas roupas. –Ofereci, e ele se assustou.

-Não precisa gastar dinheiro comigo.

-Eu não me importo. Na verdade adoraria fazer compras.

Ele foi tomar banho depois de concordar com a minha proposta. Iríamos ao shopping, e compraríamos roupas para ele, e talvez algumas para mim.

Quando saímos, o recepcionista olhou assustado para Eliot e me chamou.

-O que foi? –Perguntei assim que cheguei perto dele.

-Este homem, está com a senhorita? –Ele perguntou apontando para Eliot.

-Sim. Por quê?

Ele olhou novamente para o homem que me acompanhava, e sorriu amarelo para mim.

-Nada.

-Já podemos ir? –Perguntei igual a uma criança. E ele apenas assentiu.

Voltei para perto de Eliot, e fomos para o shopping, que não ficava longe.

Comprei muitas roupas para ele, que parecia estar gostando.

Comprei um terno, que pra mim, ficou lindo.

Durante todo o caminho, nós ficamos falando sobre nossas vidas, e eu mentindo sobre a minha.

Resolvemos que passaríamos a conviver juntos. Era mais fácil manter as aparências.

Mas um dia eu teria que contar quem eu realmente era.

Depois disso, voltamos para o hotel, e ele trocou de roupa. E agora estava muito mais apresentável.

Chegamos ao hotel pouco antes das 5h da tarde.

-Será que encontraremos outros como nós? –Perguntei sentada no sofá da sala, e ele no outro.

-Espero que sim. Já que vamos passar algum tempo juntos, seria bom encontrarmos outros.

Deitei, e fiquei pensando em onde poderíamos começar a procurar.

Ele disse que no sul tinham alguns clãs vegetarianos. Talvez fossemos para lá.

Fechei meu olho e fiquei pensando em como seriam não ter que matar para poder viver. Senti frio, mas logo passou.

Lembrei da Lissie, e fiquei imaginando como seria quando fosse visitá-la novamente.

Quando abri meus olhos novamente, já estava amanhecendo. Meu Deus. Quanto tempo eu dormi?

-Eliot? –Chamei.

-Estou aqui. –Ele falou alto, da sala.

Levantei, estava tonta, e acabei caindo de volta na cama.

Sentei-me, e esperei a tontura passar.

Quando levantei de novo, Eliot estava ali.

-Você está bem? –Ele perguntou, parecendo assustado.

-Acho que sim, só estou tonta. Mas quanto tempo eu dormi?

-Acho que umas 9 horas. –Ele riu. –E seu cabelo esta igual a fogo.

Olhei-me no espelho e meu cabelo estava realmente parecendo fogo, todo bagunçado e para cima.

Também ri.

-Acho que vou tomar banho e depois vou caçar, minha sede está me matando. –Falei já indo para o banheiro. –Quase literalmente.

-Nos vemos depois. –Eliot falou já indo para sala.

Tomei meu banho, demorado e relaxante, e lavei meu cabelo para que ficasse normal.

Sequei-o com o secador que tinha ali no banheiro, e ele ficou lindo.

Voltei para o meu quarto, apenas de toalha, mas antes passei pela sala.

-Eu vou fingir que não te vi de toalha. –Eliot falou se virando totalmente para a TV.

-Obrigada. Eu esqueci minhas roupas. –Anunciei.

Fui para o meu quarto, e peguei uma calça jeans, uma camiseta preta, e um tênis também preto.

Era com essa roupa que eu iria caçar.

-Vamos? –Perguntei aparecendo na sala.

-Claro cabelo de fogo. –Ele riu.

Nós fomos para uma parte mais abandonada da cidade. Não tinha quase ninguém na rua. Eliot foi para um lado, e eu para o outro.

Andei um pouco, e comecei a sentir cheiro que sangue.

Fui em direção ao cheiro, e não deu tempo de ver quem, ou o que eu estava atacando. Senti seu sangue passando por minha garganta, e amenizando a ardência que o cheiro causava.

Quando já tinha sugado todo sangue da minha vitima, olhei para quem estava nos meus braços, e me arrependi de ter feito isso.

Uma menininha, muito parecida com a Lissie, me olhava com medo. Mas infelizmente eu tinha acabado de sugar sua vida.

-Luiza! –Ouvi alguém chamando. –Volte aqui.

Estava próximo. Então a deixei no chão, e me escondi atrás de algumas moitas.

Uma mulher loira correu até a garotinha e começou a chorar.

Eu não conseguia acreditar que tinha feito aquilo. Matei uma criança. Isso era a coisa que eu mais odiava nos Volturi, e tinha feito isso?

Corri dali, e fui para o lugar onde encontraria Eliot.

Sentia as lágrimas escorrendo dos meus olhos, mas eram lágrimas de pavor.

-Vicenza? Você está bem? –Eliot perguntou, aparecendo ao meu lado.

Notei que eu estava sentada no chão. Chorando.

-Nós vamos para o sul. –Eu falei olhando para ele.

-Por quê? O que você fez?

-Matei uma criança... –Eu voltei a chorar. –Eu matei uma menininha... Uma criança.

Eliot me abraçou, e me pegou no colo.

Voltamos para o hotel, mas nem sei como passamos pela recepção sem notarem.

Eliot me colocou na banheira do apartamento, ainda de roupa, e ligou a água quente.

-Quer que eu fique aqui? –Ele perguntou.

-Por favor.

Eliot ficou ali enquanto eu tomava banho. Não me importou que ele me visse nua. Eu não estava pensando em nada a não ser na garotinha.

Eliot me ajudou a sair dali quando a água já tinha esfriado.

Arrumei minhas malas, e Eliot saiu para comprar um par de malas para ele.

Ele não demorou mais do que uma hora para voltar.

Ajudei-o a colocar suas roupas na mala, e fomos para a recepção.

-Gostaríamos de fazer o check-out. — Falei para uma das recepcionistas.

Ela fez nosso check-out, e nós fomos para o aeroporto.

Nós iríamos para o Curitiba, no Paraná.

Eliot falou que os vegetarianos moravam lá, e eu queria aprender com eles a me controlar.

A viagem demorou uma hora. Quando chegamos lá, fomos para outro hotel, ele ficava no centro da cidade.

Check-in ok, e já estávamos no apartamento. Pegamos a lista telefônica que tinha no apartamento, e procuramos pelo nome que Eliot falou: Os Hernandes.

Notas finais
O que acharam? Eu acho que ficou meio confuso, mas qualquer coisa perguntem.
Não sei quando posto por que to com um grande bloqueio. Mas mesmo assim, espero que semana que vem já esteja pronto. Bjs até o próximo.