De Todos Os Loucos No Mundo
1 Apresentemos minha vida
Notas iniciais
aproveitem e leiam o aviso legal se não tiverem lido, ele é bastante importante.
boa leitura.
A primeira coisa que eu pensei quando o vi foi o quão verdes eram os olhos dele. Imagine um tom de verde bom para os olhos, aquele verde um pouco azul e totalmente brilhante. Agora multiplique a beleza para mil.
Eram tipo assim os olhos dele.
Sem esquecer do cabelo castanho-claro aparado nos lados. Ou do corpo musculoso que devia ser maravilhoso de ficar abraçada, ou do sorriso dele que parecia iluminar a todos que passavam. E até a voz dele, grossa, meio rouca, boa de escutar.
E a segunda coisa que eu pensei foi que provavelmente ele seria uma encrenca muito grande.
Mas sério, por mim eu não me importaria de “encrencar” com ele.
O maior problema é que sim, ele era o tipo de cara que os pais matariam e as mães criticariam. O tipo de cara que as amigas reclamariam, os amigos ajudariam os pais a matarem, e as vadias da escola transariam.
E eu me peguei naquele momento de “seguir a mente ou seguir o coração?”. Estava havendo uma guerra tão grande entre os dois que no final eu decidi ignorar e esconder minha paixonite por ele. Segui minha vida, li meus livros, curti meu verão com meus melhores amigos: Melissa, João, Caio e a Laura quando voltou da sua viajem pra Grécia.
– Cara, você soube que o Marcos pegou a Joana? – Laura passava o rímel no carro enquanto o pai dela nos levava para a escola, para nosso último ano naquele inferno.
– Legal – me fingi de desinteressada, olhando pela janela.
– Ele se rebaixou tanto assim pra ficar com aquela vadia cara.
– Ele é o típico pegador, Laura. Ele fica com quem quiser.
– Se você tivesse numa balada, e ele começasse a chegar em você, você ficaria?
– No dia que você me vir numa balada, me interne.
Laura riu, e guardou o rímel na bolsa.
– Como você consegue?
– Consigo o que?
– Passar a maquiagem no carro e não borrar nenhuma vez se quer.
– Quando se nasce com um dom – ela terminou de passar o batom – a gente só evolui nele.
O pai dela nos deixou um quarteirão antes, para que encontrássemos com Caio e Melissa e ir andando pra escola com os mesmos. E o mesmo assunto sobre o Marcos foi o falado sobre o resto do caminho, enquanto eu e Caio olhávamos para o chão no caminho.
– Me pergunto o que tem de tão interessante nesse Marcos – Caio sussurrou pra mim.
Os olhos, o corpo, o sorriso, a beleza, ele ao todo, pensei.
– Quando descobrir me avisa – sussurrei de volta.
Caio sorriu. E mexeu no cabelo. Anos atrás eu havia ficado com ele, mas era amigo pegando amigo, então não deu em nada. As vezes eu pensava em como seria namorar ele, o apresentar para minha família, conhecer toda a família dele. Só pra saber mesmo.
Mas eu odiava namorar. Aliás, odeio. Essa coisa de todos acabarem namorando o seu próprio namoro me deixa tão irritada que eu não gostava de namorar. Até porque eu sou a típica leitora que espera ansiosamente por um personagem não existente e que respeita as garotas e que as ama.
Mas isso não existe, então continuo sozinha.
Nós nos sentamos mais ou menos do mesmo modo que sempre nos organizávamos nas salas de aula, e estávamos tão fissurados em conversar sobre Harry Potter que mal reparamos quando João entrou na sala.
– Caralho, o que houve contigo? – alguém gritou do fundo da sala.
Meus olhos encontraram os dele, e ele sorriu fraco. Ele estava com um olho roxo, alguns arranhões no rosto, uma cicatriz feia no canto do lábio, e andava mancando.
– Está tudo bem – ele disse, quando eu me levantei para o ajudar a sentar. – Hm, tentaram me assaltar, e eu tentei lutar.
– Que merda você tem na cabeça cara? – perguntei.
– Uma coisa chama instinto. – ele respondeu sarcasticamente. – Ainda bem que não tavam com nenhuma arma.
– Pura sorte – Melissa murmurou, sem olhar para ele. João ficou olhando para ela por alguns segundos, depois virou para frente sem responder.
– O que aconteceu?
Nenhum dos dois respondeu, então resolvi deixar para lá.
“Mas eu acredito em amor verdadeiro, sabe? Não acho que todo mundo possa continuar tendo dois olhos nem que possa evitar ficar doente, e tal, mas todo mundo deveria ter um amor verdadeiro, que deveria durar pelo menos até o fim da vida da pessoa”.
Estava tão fissurada no livro que mal prestei atenção quando o professor me fez uma pergunta. Continuei e ler, e concordar totalmente com o livro.
– Então, a partir de agora as coisas serão diferentes. Quem não prestar atenção e estiver tão focada em algo que não esteja relacionado a aula, será convidado a sair da sala. Ouviu, Gabriela?
Ergui meu olhar e vi um velho que nunca tinha visto antes na minha frente.
– Am, quem é você? – acabei perguntando.
Risadinhas na sala que só fez o velho ficar mais irritado.
– Sou seu novo professor de matemática.
– Hm, legal. Novo professor de matemática, eu quero saber onde está o antigo.
As risadinhas viraram risadas. O velho franziu as sobrancelhas e sorriu, claramente irritado.
– Que tal você descobrir isso na diretoria?
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Ir para a diretoria no primeiro dia de aula não é uma coisa que eu faço todos os anos, mas meu professor preferido ter sido substituído por um velho não me deixou nem um pouco feliz. O Michel era o melhor professor de matemática. Ele tinha acabado de sair da faculdade quando veio dar aula para a gente, e além de ser um maravilhoso professor ele era tipo, meio que da nossa idade e os alunos até encontravam ele em algumas baladas de vez em quando.
E ele adorava Harry Potter e Percy Jackson.
O diretor falou algumas coisas sobre respeito e sobre achar horrível da minha parte ter ido pra diretoria por falta de respeito, já que eu era uma aluna muito competente e educada, que não fazia nada de mal blá blá blá.
– Okay, agora me diga o porquê daquele velho estar no lugar do Michel.
– O sr.Castanha está no lugar do sr.Pereira pois ele ganhou uma proposta de trabalhar no exterior.
– Pera, pera. O velho tem o sobrenome de Castanha? Não vou conseguir chamar ele sem rir.
– Gabriela, respeito com o professor novo.
Revirei os olhos. Ouvi mais algumas coisinhas e fui liberada. Sai da sala e fui andando para a minha sala, quando meu celular tremeu.
Uma nova mensagem:
O novo prof se chama Joel Castanha Pinto!! N vai ter como n zuar c ele kra – Laura
Acabei rindo, e respondi:
Vai prestar a atenção no Pinto! Pera, se já n tiver caído.
Um segundo depois ela respondeu.
Vc precisa melhorar suas piadas
Antes que eu respondesse algo bom e engraçado, alguém esbarrou em mim. Meu celular voou da minha mão, e eu o observei cair em câmera lenta no chão.
– Ops – me virei pronta para xingar quando eu literalmente perdi o fôlego.
Marcos Oliveira foi o responsável pelo meu celular ter criado asas e voado. E agora ele seria o responsável pelo meu coração sair dentro de mim e resolver correr uma maratona de tão agitado que ele havia ficado.
Ele teve a ousadia de sorrir. O cabelo dele havia crescido, e os lados não estavam aparados, e a barba estava por fazer. A parte da frente da camisa do uniforme estava pra dentro da calça jeans, mostrando a fivela do cinto preto.
Por alguns segundos eu perdi a fala junto com o folego, e tive que piscar algumas vezes para retomar o controle.
– Ops? O meu celular provavelmente deve ter quebrado!
– A culpa não é minha se você tava parada no meio do corredor!
Ele andou até o meu celular, agachou o pegou, e analisou os danos.
– Você estava mexendo no celular, se não teria me visto.
– Okay, Gabriela. A culpa foi de nós dois.
Ele me chamou pelo meu nome.
– Pera, como você sabe o meu nome?
– Do mesmo modo como você sabe o meu.
– Não mesmo. Você tem sua “fama”.
– E você tem a sua – ele sorriu, e me entregou o celular.
Levantei uma sobrancelha.
– E qual seria a minha fama?
– A nerd bonita que anda com a minha primeira namorada e com o filho da dona do colégio, que provavelmente é gay.
– O Caio não é gay – respondi, mas a coisa que minha mente repetia era o bonita.
Marcos deu de ombros e botou as mãos nos bolsos.
– Bom, seu celular não quebrou.
Lembrei-me da existência do meu celular e o olhei para confirmar. Apertei o botão para ligar a tela e vi a foto do Rupert Grint que eu mais amava. Okay, nada havia acontecido de tão ruim.
– Ainda bem, você me compraria outro.
– Mas, como não quebrou... – Marcos deu de ombros e pressionou os lábios, fazendo uma careta descontraída.
Ele ficava bonito mesmo fazendo careta. Não era possível isso, não podia ser.
– Vai ficar parada aí me encarando ou vai me acompanhar até a nossa sala?
Pisquei e franzi as sobrancelhas.
– Eu não estava te encarando.
– Estava sim, em transe com a minha beleza.
Revirei os olhos e comecei a caminhar até a sala.
– Não estava não.
– “Negar, negar, negar até transar”.
– Você só pensa em sexo?
– Não. Penso também em como eu podia estar em casa dormindo.
– Ou como você podia estar em casa batendo uma punheta.
Marcos riu, e antes de bater na porta da nossa sala, disse com um sorriso brincalhão no rosto.
– A próxima eu dedico a você.
– Se fizer isso eu corto essa paradinha aí.
– Você vai adorar me ver nu.
Então ele bateu na porta, e antes de entrarmos eu murmurei:
– Ah, cala a boca.
Notas finais
o livro q a personagem está lendo é A Culpa É das Estrelas
gostaram? alguma ideia pro proximo cap? observações? criticas? elogios? simbora pros reviews!!
Fale com o autor