Days Of Hell
9 Capítulo 9 - A Fuga
Notas iniciais
Corríamos pelos corredores escuros. Tentávamos encontrar um esconderijo, uma saída. Não havia. Os gritos dos infectados pareceram despertar os que estavam escondidos dentro da delegacia, pois logo Walter e eu víamos outros saírem das salas e correrem para nós também.
Havia uma sala no final do corredor, era nossa única esperança, eu com uma arma na mão, e Walter também, junto com granadas. Se houvessem infectados na última sala seria nosso fim. Eles gritavam horrores, que ecoavam pela delegacia imunda e agora barulhenta pelos passos apressados dos corpos sem alma, estavam a apenas alguns metros de nós. Quando entramos na última sala, havia muitos mortos também nos cantos dela, e quando perceberam nossa presença, gritaram e pularam em cima de nós.
Incrivelmente para nossa sorte, tinha uma escada que dava para o andar se cima, e por um milésimo de segundo ao invés dos infectados colocarem suas mãos sangrentas e imundas em nós, colocaram-na no vazio e no ar que deixamos para trás. Walter e eu a subimos correndo.
As escadas estavam manchadas de sangue, por todos os lados. Havia uma porta que pelos feixes dela podíamos ver a luz, agora pálida, do dia. Os infectados nos seguiam desesperadamente, gritando. Quando chegamos ao topo da escada e saímos pela porta, era uma laje não muito grande onde podia se ver muitos tubos de ar, caixas, e outras coisas que quem as deixou lá as acharam inúteis. Walter e eu fechamos a porta e tentamos não deixar os infectados verem a luz do dia.
– Não vai adiantar... Eles vão entrar, e vão nos matar... Nós vamos morrer! –Gritou Walter mais que apavorado, agora.
– Não, eu aguento, pegue aquelas caixas, vamos tentar atrasá-los até termos uma ideia...
– Não adianta... Estamos em uma laje, como vamos sair daqui? Se pularmos será nosso fim!
– Walter AGORA!!!
Walter percebeu em meus olhos que não havia medo, mas sim, rancor e raiva, e fez mais uma vez, o que eu disse. Rapidamente pegou várias caixas de madeira que estavam espalhadas na laje e colocamos empilhadas na frente da porta.
– E agora? Pulamos? –Disse Walter se aproximando da ponta da laje.
– Não... Vamos... Vamos...
Não tinha escapatória... Não havia por onde sairmos...
– Lucca... Não tem mais jeito! Acho... Acho que também se conseguirmos sair dessa, não virá ninguém nos salvar, e ninguém a quem recorrermos! Eu... Eu prefiro me matar, ao vê-los arrancarem cada parte do meu corpo!
BUM! BUM! BUM!
Os infectados tentavam entrar, mas as caixas os impediam um pouco, fazendo-os colocarem só duas mãos imundas á luz do dia.
– Não Walter... Vamos pensar...
Eu me negava a não encontrar uma saída, me negava a aceitar o fato de que me matar seria uma morte um pouco melhor. Porque então conseguimos sobreviver até aqui? Se existir um deus mesmo, ele deve estar brincando conosco, nos fez ter esperança quando ela já estava perdida...
Walter acenou a cabeça para mim e parou na ponta da laje, que eu sabia que lá em baixo, estava o quintal duro e quente da delegacia.
Eu me recuso a morrer, tem que haver um jeito...
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarh! Os mortos gritavam.
Um jeito... Tem que haver um jeito... Pensei olhando e procurando pelo chão da laje por algo que eu não sabia, não havia nada que poderia nos ajudar...
Walter fechou os olhos e colocou um pé no nada, no precipício.
Então olhei para o céu, mas algo sujava a imagem, me impedia de ver com clareza o céu pálido e sem sol, era um poste de luz, mas o que poderíamos fazer? Não conseguiríamos escorregar nele até o chão.
Então foi neste momento que Walter se jogou.
Mas antes, eu o agarrei e ele quase despencou no vazio fúnebre.
– Não Lucca...
– Cale a boca! Veja...
Caminhei para perto do precipício que dividia o poste de luz, e a laje da delegacia, e então puxei com toda minha força os fios de um lado do poste.
– Você está louco? Vamos nos eletrocutar...
– Não... Cortaram a água e a luz do estado esqueceu?
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarh.
– O que vamos fazer então? –Disse Walter mais que apavorado, mas antes que ele pudesse terminar a frase, eu já havia arrancado os fios e já estava amarrando-os nos tubos de ar.
Quando terminei, forcei-os para saber se aguentaria o meu peso e o dele até o asfalto na rua, do lado esquerdo da laje, por onde desceríamos. E então, começamos, devagar, mas não muito por que se os infectados nos ouvissem ali, tentariam nos impedir, como a mulher do telhado tentou.
Clack! Clack!
Foi o som de nossos pés ao tocarem o asfalto, da rua vazia, mas não confiável, a nossa volta...
Comecei a correr para longe da Delegacia, que á pouco a morte quase nos pegou, e onde deixamos Gabi, infectada...
Depois do que passamos, estávamos cansados, abalados e com medo. Decidimos nos estabilizar, com cuidado, em uma pequena casa de esquina, vazia.
Depois de algumas horas de silêncio, Walter finalmente disse algo, sentado no chão da cozinha, como eu:
– L-Lucca... Você acha que somos os únicos que sobrevivemos? –Sussurrou.
– O que?... Claro que não! Você ouviu o garoto-locutor falando, não ouviu?
– Sim, eu trouxe o rádio no meu bolso! –Ele Disse tirando um pequeno rádio, pouco maior que um celular, do bolso.
– Você... Acha que podemos ouvi-lo mais? –Perguntei-
Walter acenou, e tornou a ligar o pequeno rádio... Após procurar a estação certa e ouvirmos chiados:
... E Por isso, conseguimos encontrar mais sobreviventes, em todo estamos em onze pessoas... Não sabemos se já podemos falar onde estamos, se os Militares ainda estiverem tentando dizimar os estados, eles podem estar ouvindo a transmissão, e nos encontrarem... Mas, quem só esta tentando se livrar disto tudo, a melhor opção é seguirem para o Norte...
Enquanto escutávamos o rádio, decidimos pegar qualquer carro, grande e rápido, abandonado na rua, para seguirmos pro Norte. Onde lá, estaria nossa última esperança. Encontramos um Reynalt Symbol Expression preto, parado na rua, próximo á casa que estávamos. Após alguns minutos Walter conseguiu ligá-lo através de alguns fios embaixo do volante, enquanto eu vigiava...
...Não temos informações sobre o Rio de Janeira, e nem sabemos se ele foi muito afetado como o resto dos estados do Brasil e do Mundo. Falávamos com o Francis do Rio, mas á algumas horas perdemos o contato... Acreditamos que o estado também foi infectado... Mas não temos certeza. Também á algumas horas perdemos nossas amigas, Luma e Diane, caso... Vocês estejam vivas e nos ouvindo, sigam para o Norte a partir do local que nos separamos... E nos encontrarão!...
Antes de começarmos a dirigir, examinamos um mapa que encontramos no carro, e marcamos as estradas que provavelmente estariam repletas de infectados, lembrando-nos de todas as pessoas que saíram desesperadas de suas casas para tentar fugir da epidemia... É claro que era uma suposição, mas teríamos que sair de São Paulo, a bomba explodiria a qualquer instante, poderia ser agora.
...Quanto a São Paulo... Não temos informações se há sobreviventes, mas caso vocês estiverem nos ouvindo... É quase impossível sair daí a esta altura, legiões de infectados estão nas estradas, que foram bloqueadas pelo governo para impedir o vírus de se manifestar mais em outros estados, que rodeiam São Paulo, falharam não é?
Chorando, e tremendo, era como estávamos tentando marcar as estradas que não tinham muitas curvas, e fossem apenas retas. Quando Walter, que aprendera á dirigir um mês atrás, pisou no acelerador, os infectados gritavam mais alto que as rodas do carro, perseguindo-nos, pulando no carro batendo no vidro, rachando-o. Mas o carro era rápido, e seu teto baixo, que fazia com que os infectado que infelizmente tivemos que atropelar, após buzinarmos e eles não saírem da frente, voassem por cima do carro e caírem no asfalto que deixávamos para trás, mas que logo eram esmagados pela multidão que não descansava e corria, para nosso encontro.
...Estamos tentando, fazer contato com outros países pelo sinal de rádio, se possível, já que a energia foi oficialmente interrompida, e parece que é no Brasil inteiro... Não sabemos também como o governo e a presidência estão lidando com tudo isso... Então por hora, estamos... Sozinhos!
Há 200 quilômetros por hora. O carro já estava ensanguentado, amassado e com os vidros rachados, quase quebrados, por causa dos infectados... Mas agora, estávamos em uma estrada deserta. Será que escolhemos o lugar certo? Já fazia uma hora e meia que estávamos fugindo de São Paulo, e segundo o mapa estávamos pelo caminho certo... Onde eles estão?
...Mas não desanimem! Parece que eles não enxergam, mas cuidado com os ruídos, eles escutam bem agora... Vamos fazer de tudo para descobrir mais sobre eles e compartilharmos com vocês, se ainda há alguém...
Se isto foi um erro? Não sabemos, mas estávamos com muita fome. Encontramos um Mini-Mercado a beira da estrada e enchemos o porta-malas de enlatados e águas, e sucos, remédios e roupas. Não sabíamos o que fazer, fomos bobos e inocentes de pensar que os mortos teriam desaparecido por um tempo. Fomos cercados, e por pouco conseguimos escapar com as comidas e tudo mais, que colocamos dentro do carro.
...Não fiquem em um só lugar por muito tempo, não façam barulho, não deixem que mordam você ou alguém do seu grupo, não confiem nos Militares, pois eles mataram boa parte do meu grupo, e se for pra matarem eles, os infectados... Acertem na cabeça.
– Na cabeça... -Disse Walter e eu o olhei, segurando as armas e as granadas que pegamos na Delegacia sobre meu colo.
Pouco depois, os pneus gritaram e o carro parou. Só olhei para Walter que com um aceno indicou a nossa frente algo. Quando olhei mais a frente... A alguns metros... Havia mais um posto... Só que não havia bombas de gasolinas, nem uma loja de conveniências, havia dois tanques de guerra, eu conseguia ver também, uma tenda, uma barraca, e em volta dela, uns dez militares. Se eles ouviram os gritos do pneu, era nosso fim, mas se não ouviram, os mortos que com certeza rodeavam aquela estrada, mesmo que não os pudéssemos ver, ouviram...
Fale com o autor