Days Of Hell
10 Capítulo 10 - Uma Lembrança Sombria
Notas iniciais
ATENÇÃO: MAIS UM CAPÍTULO COM UMA PERSPECTIVA RÁPIDA, E DIFERENTE. MAS QUE EXPLICARÁ MUITA COISA, SOBRE UMA PERSONAGEM QUE JAMAIS PODERÁ SER ESQUECIDA.
O velho de bigodes, que usava um velho chapéu arredondado, olhava pela janela assustado, segurando uma frigideira na mão, enquanto com a outra assinalava para que a sua única filha permanecesse embaixo da mesa. Aquela velha casa de madeira era o último esconderijo deles, já que os Militares destruíram tudo a sua volta, e mataram também todos seus entes queridos...
– Não saia daí filha... Fique aí em baixo, se eles conseguirem entrar na casa...
– Papai não! Eles vão o matar!
Ela era apenas uma garota comum do campo. Seu vestido branco estava manchado de sangue. Era o de sua mãe, que morrera horas antes em seus braços, quando foi infectada pela epidemia que se alastrou em sua pequena cidade no interior de Minas Gerais. Foram horas horríveis para a garota, sua mãe enlouqueceu e mordeu todos seus familiares, que ficaram loucos como ela, mas então o pai da garota a salvou, e juntos, conseguiram fugir.
BUM!
Um bando de seis Militares altamente carregados de armas e outras bugigangas conseguira arrombar a porta da pequena casa que abrigavam pai e filha.
– Vocês não irão me fazer mal... Argh! –Gemeu o velho ao se estatelar no chão, morto, quando um Militar lhe cortou a garganta usando sua adaga.
– Papai! –Disse a filha horrorizada, sua face se transformando em cachoeira, saindo debaixo da mesa e indo ao encontro do corpo do pai, onde a vida já havia se esvaído.
– Olhem rapazes! –Disse o Militar assassino segurando a garota pelos cabelos. –Olhem, que delícia de garota... O que acham? Vamos? Bom, o mundo está acabando mesmo não?
No mesmo instante em que os outros Militares chegavam perto da garota, ela com toda sua força socou, o homem que a segurava, em suas partes mais sensíveis, e então conseguiu sair pela porta, correndo, chorando, não sabendo para onde ir e escutando os xingamentos e os pés dos Militares sobre o mato seco. Agora sim a garota estava sozinha, ela perdera sua família inteira nesta epidemia que surgiu de repente, e agora? Para onde iria?
Ela corria, sobre o mato que não era mais verde, passava por algumas árvores petrificadas. Será que ainda conseguiria se livrar dos assassinos? Porque eles queriam matá-la? Porque estavam matando todos?
BRONC!
A garota bateu em alguma coisa e caiu no chão gelado.
– Ei Garota! Você está bem? –Perguntou um garoto louro rosado, com a aparência de apenas uns 19 anos, mas mesmo assim se percebia que era mais velho que ela.
– Eles... Eles... –Ela não conseguia dizer nada.
Então, o garoto parou e ouviu algo que a pobre garota não soube o que...
– Os Militares estão atrás de você? –Perguntou o garoto louro, fixando seus olhos azuis nos castanhos dela.
Então, antes mesmo dela responder, ele agarrou sua mão, e juntos, saíram correndo pela floresta sombria.
Ele a levou em segurança para uma gruta, onde lá ela pode ver que havia mais pessoas, mais três. Uma linda garota de pele morena e longos cabelos lisos e de olhos cinzentos, uma pequena garotinha de no mínimo 10 anos com o olhar assustado, e um rapagão alto, vinte e poucos anos, segurando uma arma. Lá o garoto louro que a salvara dos Militares, e que logo descobriu que os outros o chamavam de Kiwi, lhe explicou a situação, que a garota confusa já suspeitava. A epidemia foi causada pelo vírus a que todo mundo falava que podia curar qualquer doença, e também lhe explicou que quando as pessoas são infectadas, ficam agressivas e te comem vivo. Era loucura, mas verdade.
Jéssica, esse era o nome da morena de cabelos longos que gostava de dar ordens. Diane era a garotinha assustada. O rapaz forte, Jhonatan. Eles se encontraram logo após o surto começar, e juntos encontraram Diane sozinha num Mercado abandonado. Ambos perderam a família na epidemia.
A garota que foi salva ainda estava abalada, com o que acabara de ouvir da boca de Kiwi, e pela morte de seu pai, isso era realidade ou apenas um pesadelo horrível? Ela ainda tinha esperanças de acordar em sua cama quentinha, fazer o melhor café da manhã para seus pais, e depois caminhar no campo, alimentando os patos...
Ela não entendia muito de doenças e vírus, mas pensava se ainda teria alguma salvação para tudo isso, ela se lembrava de quando assistia os noticiários, que diziam que a epidemia havia chegado no Brasil. Ela então se lembrou da carnificina que foi quando seus vizinhos decidiram matar uns aos outros.
Sua vida no campo era quase perfeita, lembrava a garota. Ela queria se tornar veterinária, adorava cuidar dos animais, ainda se lembrava de seu cavalo negro, Trevor, e de como ele se animava toda vez que tomava banho.
Após algumas horas, a garota já não tinha mais lágrima para se chorar, e apesar de não conhecer os garotos que a aceitaram no “grupo” deles, já se sentia confortada e protegida para pronunciar um obrigado, a todos eles. Amanheceu...
Na gruta algo chamou atenção dos que lá se escondiam. Do outro lado do lago, sob qual se situava a poucos metros de seu esconderijo, eles viram que os militares enfileiravam sobreviventes, todos, crianças, homens, mulheres, velhos, família inteiras, que não poderiam fazer nada contra o forte armamento, e a inteligência que apenas dez homens usavam para tomar bairros inteiros.
PÁH! PÁH! PÁH!
Na presença obscura dos garotos, os Militares mataram um por um os sobreviventes, sem apenas demonstrar remorso. Quando terminaram, os garotos na gruta se assustaram ao ver que o lago estava repleto de corpos boiando, sua água, agora estava vermelha.
– Eles pensam que eles estão infectados! –Sussurrou Kiwi.
Apesar de terem encontrado Diane em um Mercado abandonado, eles não pegaram nenhuma comida e estavam com muita fome. Perto dali, conseguiram encontram uma cabana com mantimentos dentro, onde lá, o mais silenciosamente possível, pegaram o que puderam e depois Decidiram então, voltar para a gruta.
Enquanto comiam, a garota do campo reparou que Kiwi tirava dois computadores, e um belo microfone prata de sua bolsa...
– Para que isso?
– Ah! Eu não podia fugir de casa sem meus brinquedinhos hahaha, quero... Contar para todos o que meu pai descobriu! –Respondeu Kiwi.
– Acredite Kiwi –Disse a morena colocando uma mão sobre o ombro do garoto louro- Se não fosse tarde demais, ele com certeza teria salvado muitas e muitas pessoas! –Mesmo assim, Jéssica não conseguia tirar o tom de mandona de sua voz.
– E é isso que eu quero fazer, tentar salvar o máximo de inocentes que eu conseguir... Através deste rádio, vou falar tudo para as pessoas que meu pai descobriu. Tudo!
Dois dias se passaram e por mais que a garota soubesse que eles poderiam se separar a qualquer momento, ela sentiu um laço se formando entre eles, eles eram uma família agora, e também ela já se sentiu melhor para lhes dizer seu nome:
– Olha não te perguntamos nada, por que sabíamos que você precisava de um tempo... –Disse Jéssica.
– Eu sei, é que vocês foram tão bons para mim. Obrigada! E... Meu nome é Luma.
Jéssica sorriu e se levantou para fazer outra coisa, os dois garotos sorriram para ela, mas foi no sorriso de Diane, a garotinha, que ela prestou atenção, e sorriu de volta.
Foi com um tremendo susto que eles começaram a pegar suas coisas e fugirem da gruta. Muitos infectados começaram a entrar no local, e quando eles conseguiram fugir, os Militares que estavam do outro lado do rio, ainda, os avistaram e logo em seguida, sumiram por entre as árvores que os rodeavam.
Jhonatan atirava na maioria dos infectados, Jéssica com seu imenso facão, decepava a cabeça deles, sem dó, e sem pensar se algum em algum dia houver uma cura para eles, poderia salvá-los. Kiwi cuidava de carregar todos os pertences, e a garota Luma, segurava na mão de Diane, que corria depressa.
Luma não soube como foi possível, não soube como aconteceu, mas ela e Diane, segurando sua mão, acabaram se perdendo de Kiwi e os outros, deixando para trás o lago cheio de corpos flutuando. Foi aí que elas se encontraram com dois Militares...
– Ora, Ora, Ora! Olha só quem esta aqui! –Disse o Militar que a garota reconheceu-o da cabana, o que matou seu pai- Aquela garota... Duas sobreviventes... –Disse o Militar mirando sua metralhadora nas garotas.
– Nossa missão aqui já foi completa Tavarez! Se quiser podemos matá-las aqui mesmo! –Disse outro militar com um tom de medo em sua voz.
– Não, preciso ensinar uma coisa a esta grandinha aqui! Vamos levá-la conosco!
O coração de Luma deu saltos desesperados.
– E o que fazemos com a pequena?
– Isso ó! –Disse o Militar mirando para Diane, prestes a atirar a qualquer milésimo de segundo.
Luma entrou na frente.
– Não... Por favor! Leve-nos, mas não a mate... Vou com vocês, mas não a machuque! –Disse Luma desesperada.
– Tavarez, vamos logo, aqueles infectados podem nos encontrar a qualquer segundo, e são muitos, nossas munições estão quase acabando!
– Você que manda bonitinha! –Disse um dos Militares chegando perto de Luma e a cheirando no pescoço, o outro Militar que pegou Diane por um braço e começou a arrastá-la pode ver uma mão boba, e Luma tentando desvencilhá-la.
Os Militares levaram as garotas até a margem do lago, onde lá, escondidos entre os arbustos, tinha dois tanques de guerra, e mais Militares, fortemente armados, Luma olhou em direção á gruta, mas não havia sinais de seus amigos. Nenhum deles... Será que os infectados os mataram?
Eles as forçaram a entrar no tanque de guerra e então, levaram-nas embora.
Durante a viagem, os Militares pareciam homens loucos, Luma e Diane, mantiveram-se agarradas o tempo todo.
Duas horas se passaram e o tanque parou... Luma não sabia onde estava, mas ao sair, se viu em uma estrada repleta de árvores á sua margem. Tavarez arrastou-a sozinha para uma cabana. Lá a garota passou os piores momentos de sua vida. Foi agredida e violentada na maneira mais brutal possível por ele, mas logo desmaiou, por dor ou medo...
Quando acordou, estava caída no chão gelado de terra. Diane tentava vesti-la com o que sobrou de sua roupa. Ao conseguir se sentar, só conseguia pensar em sua família, e o que diriam se a vissem neste estado. Ela reparou que havia mais dois velhos na cabana, amarrados um de costas para o outro.
Luma pensou se sairia daquele lugar, se conseguiria fugir levando Diane, ou então ela também pensava em morrer, não queria viver neste mundo, e após o Militar imundo tirar sua virgindade, ela pensou se alguém ainda viria salvá-la, se alguém poderia fazer o favor de matar Tavarez seja da mais fácil ou da pior maneira possível...
Notas finais
PRÓXIMO: CAPÍTULO 11 - A CABANA
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