Days Of Hell

6 Capítulo 6 - Dor, Gritos & Mortes


Notas iniciais
A dor esta atuando. Lucca presencia mortes inexplicáveis e logo ele percebe o motivo. Ele encontrará suas respostas, mas ele terá de pagar um preço...

Eu me vi ali no meio de mortos e feridos. Quem fizera isso a eles? Onde estava minha mãe? E meu pai?

Eu ofegava, e pareceu que tudo a minha volta se movia mais lentamente, ouvia as pessoas murmurando: “Ajuda-me, eu estou ferida” “O que aconteceu?” “Quem fez isso?” “Socorro!”


Acho que eu estava ficando louco, não consegui lembrar-me de onde eu vim, do que eu descobri, só o que eu sei é que estou aqui, ao lado de uma enorme cratera, o ar muito denso pela fumaça. Eu tossia, minhas pernas não me aguentaram, cai de joelhos, desesperado,


Pude ver no centro da enorme cratera que ameaçara me engolir, que havia restos de casas e de pessoas. Mas eu não conseguia processar tudo isto em minha mente. Era complicado demais, devido ao fato de eu ainda estar tentando lembrar-me de onde eu vim. Afinal, quem era eu? No meio das pessoas miseráveis que sangravam e gritavam por um socorro que jamais viera.


Pude sentir que alguém se aproximava de mim e me puxara pelo braço para me recompor.


– Lucca! Lucca ... O que houve? -Vejo Gabi falando comigo coberta de poeira e desesperada como todos ali.


Eu não respondi, não por que eu não quis, mas por que as palavras fugiram de minha mente.


– Lucca, Lucca! O que aconteceu aqui? Você esta bem? –Minha prima continuou a gritar.


BAQUE!


Foi como se alguém me devolvesse á vida, quando a morte já a puxara.


– Gabi... Onde eu estou? -Consegui dizer-


– Lucca eu não sei o que esta acontecendo! Porque todas estas pessoas estão aqui?


Muitas pessoas continuaram a gritar e entre elas, vi Walter, perdido, sujo.


– Walter! -Grito-


Ele me olha com horror, não consegue dizer palavra alguma, vejo que Gabi, esta no

mesmo estado que ele, então a puxo e vou em direção a Walter, puxo ele pelo outro

braço e juntos os levo para longe da multidão, nos sentamos numa esquina, ao nosso redor agora, tudo está silencioso e escuro, de longe, ainda podemos ouvir as pessoas clamando por socorro.


– Vocês estão me ouvindo? -Disse-


Gabi e Walter acenaram as cabeças afirmando.


– O que aconteceu aqui?


Gabi abaixou a cabeça e começou a chorar.


– Gabi o que houve? Você precisa me contar o que esta acontecendo... Eu não sei! –O que eu podia falar? Afinal o que eu faria?


Gabi só chorava, mas Walter me fitava.


– Lucca...


– Walter, me diz o que aconteceu... Porque está todo mundo daquele jeito? Onde estão nossas casas?


– Veio do céu...


– O que Walter? Uma bomba? –Chutei, com medo da resposta.


– Nós estávamos indo no hospital ficar lá com você... De carro... Encontramos sua mãe no meio do caminho... –Agora Walter chorava-


–Minha mãe? E o que mais? O que aconteceu em seguida?


– Ela disse para continuarmos –Disse ele em soluço- Disse para irmos e ficarmos com você, que tinha que fazer uma coisa em casa... Continuamos quando o caminhão bateu em nós...


– Mas o que minha mãe faria em casa? Ela me deixou sozinho no hospital? O que aconteceu depois?


– Ela não nos contou o que ia fazer... Então quando o caminhão bateu em nós, ninguém nos socorreu... No carro estava eu, Gabi e Rosa... Mas quando acordei só Gabi estava do meu lado, Rosa tinha sumido! –Os soluços aumentaram agora-


– E essa cratera? O que aconteceu aqui? –Perguntei com medo da resposta-


– Veio do céu... Pensávamos que podia ser fogos! Mas não era... Explodiu nossas casas, e acho que as pessoas... URGH! –Walter chorava muito, e não tive mais coragem de perguntar nada a ele-


O que faríamos agora? E minha mãe que estava em casa? Será que...


PÁ! PÁ! PÁ! PÁ! PÁ!


Gritos, e correria.


Levantamos rapidamente ao ouvir estes disparos, que veio perto do buraco que agora, estava no lugar de nossas casas...


Gabi ousou olhar para o lugar de onde veio o som.


– Meu Deus...


– O que é?... O que é este barulho? -Walter olhou-


Admito, fiquei com medo e curiosidade, e logo em seguida olhei e vi uma multidão se aproximando, correndo depressa em nossa direção e percebi que alguns caiam enquanto corriam. Mas eles simplesmente não corriam, e sim fugiam. Eram homens fardados, militares, que matavam todos, sem ter motivos.


– Oh Meu Deus, eles estão matando pessoas... MEU DEUS! -Walter gritou-


– Vamos sair daqui, vamos, antes que nos matem também. -Grito-


– Pra onde vamos? -Gabi perguntou aos prantos-


Olhei em volta e procurei rapidamente um lugar para nos escondermos, e o lugar mais próximo foi uma escola com o nome de 'Faria Lima', que ficava a dois quarteirões de onde estávamos.


– Naquela escola, vamos logo! -Disse-


PÁ! PÁ! PÁ!


No meio dos tiros corremos para lá, um pouco a frente das pessoas que agora, deitavam em um sono eterno atrás de nós.


Cruzamos numa rua que dava acesso á parte de trás da escola, e rapidamente pulamos o muro, não muito alto, e nos encaminhamos para as portas dos fundos. E ao vermos á porta, percebemos que estava aberta. Eu poderia pensar que mais alguém estaria lá dentro, mas estava tão apavorado que não imaginei tamanha estranheza.


– Ah! A luz de nossos celulares Walter! –Disse Gabi quando entramos na escuridão absoluta da escola, tentando reprimir um choro-


Walter e Gabi pegaram os celulares que já não funcionavam mais, exceto pela luz.


– Vamos tentar chamar a polícia! Precisamos de ajuda! -Disse Walter-


– Acho que a polícia não virá... Não faço ideia do que aconteceu, mas deve ter haver com a tal epidemia! –Disse enquanto adentrávamos nos corredores-


– Eu assisti o jornal antes do que aconteceu e falaram que foi confirmado que ela, a epidemia, havia chegado ao Brasil... OH MEU DEUS! –Gritou Gabi-


– O que foi? –Perguntamos Walter e eu ao mesmo tempo, assustados-


– A Bomba, será que... Nossas famílias... Nossos amigos... –Gabi chorava tanto que parecia que fosse sufocar-


Mas ela tinha razão, e nossas famílias? O que será que aconteceu com todos? Estão mortos? E esta epidemia?


– Porque os militares estavam matando todas aquelas pessoas? O que fizeram? –Perguntou Gabi-


Como não percebi antes? Após Gabi fazer estas perguntas foi como se eu sempre tivera a resposta, era isso o que a mulher do hospital queria me falar:


– Por que... Por que estavam infectadas! Foi a epidemia... –Disse, lembrando-me de toda a conversa com a mulher no hospital-


– O que? –Perguntou Walter-


Sentamos no corredor escuro da escola, apenas iluminados com a luz dos celulares, e ali, contei tudo a eles sobre o que a mulher falara para mim, e tomei uma conclusão-


– Esta epidemia começou com o FH23! Foi por isso que bombardearam nosso bairro, para tentar extinguir a epidemia, que começou ali... Por causa de Val, ela manifestou estar infectada quando passou mal no banheiro hoje de manhã! –Disse o nome de Val tentando não lembrar onde ela estava agora- E foi por isso... Que aqueles militares estavam matando as pessoas por que eles pensam que elas estão infectadas!


Agora tudo parecia se encaixar, eu tinha resposta para tudo agora! O que eu ainda não sabia, era onde estava minha mãe, e meu pai... Eles não podiam estar na nossa casa quando a bomba explodiu, eles se salvaram... Tinham que ter se salvado!

Eu não podia acreditar que eles estavam mortos, não, eu já perdi minha irmã... Alguém tinha a matado...

Eu chorava no silencio, ficamos muito tempo sem falar, ficamos quietos assustados com o fato dos militares descobrirem que estávamos ali, o que fariam conosco? Certamente nos matariam pensando que também estamos infectados.


DUC! DUC! DUC!



Encontraram-nos, eles entraram na escola, estavam lá, e iam nos matar. Gabi segurou bem firme meu braço, e Walter inspirava profundamente, e bem ali, no final do corredor onde estávamos um vulto apareceu, e começou a caminhar em nossa direção.

Cambaleando sobre as luzes fantasmagóricas, os fechos da luz revelando sua face, rasgada, e suja de sangue. Nós conhecíamos o vulto, era Rosa. A menina que um dia Walter gostara. Porque sangue? Porque cambaleando? Será que estava infectada e poderia passar para nós o vírus?


Notas finais
Ela vem protegida pela sombra da morte, ela é a própria. Chama aqueles que andam ao seu lado, ela sente o medo, o desespero, ela sente fome. PRÓXIMO: CAPITULO 7 - O GRITO DOS MORTOS.