Days Of Hell

7 Capítulo 7 - O Grito dos Mortos


Notas iniciais
Lucca, Walter e Gabi estão cada vez mais assustado com a situação, ainda mais quando aparece uma Rosa, louca e perturbada tentando matar sua amiga, mas após isto eles descobrem que seus dias em São Paulo estão contados, ou na Terra...

Rosa vinha sobre a proteção da sombra, por isso não a víamos direito.



– Rosa... Você está bem? Está machucada? –Gritou Walter emocionado-



De repente, ela parou de andar, e ficou ali, olhando calmamente um de cada vez, eu, Gabi e Walter.



– Rosa, você se machucou no acidente? Porque saiu de lá e não nos ajudou?... Walter e eu ficamos sozinhos no carro quando tudo começou... Você... Você sabe o que está acontecendo? –Disse Gabi indo ao encontro de Rosa-



– Rosa porque o sangue? Fala alguma coisa, você está bem? Está ferida? –Disse Walter num tom de preocupação-



– Gabi espere! –Disse achando a cena um pouco estranha.



Porque Rosa não dizia palavra alguma? Porque ficava ali contemplando nós três perguntarmos e sermos ignorados?



Tudo aconteceu rápido e ao mesmo tempo.



Parece que Gabi ultrapassou o limite que Rosa estabeleceu, pois no mesmo segundo que a garota tentou tocá-la, Rosa soltou um agudo grito, como se tivessem lhe tirado as entranhas, um grito meio de menina, e meio de um monstro que parecia viver dentro dela. Gabi se assustou, recuou.


Rosa investiu para cima da garota, que acabara derrubando no chão e começava a esmurrar seu rosto, gritando igual uma louca. Walter tentou separar, “Rosa pare, o que está fazendo?!”.


Mas Rosa batia cada vez mais e se aproximava cada vez mais da garota que aos choros implorava para ela parar. Eu tinha que fazer alguma coisa, parecia que Rosa aumentara sua força, por que Walter conseguiu tirá-la de cima de Gabi.



VUC!



Eu e Walter jogamos rosa para trás e ajudamos Gabi a se levantar...



– Sua louca! Você está louca? Porque fez isso? –Gritou Gabi assustada- Ela quase me matou... Ela tentou me morder, acho... Não sei o que eu fiz para ela, mas ela tentou me matar!



– Rosa, porque você fez isso? –Perguntei-



A garota no chão se levantou, como um bêbado, e agora sua boca espumava. Uma mistura de saliva com sangue.



– Responda Rosa! –Gritei, mas no momento seguindo, mais três vultos apareceram no final do corredor pelo qual a garota viera.



– Lucca...



Mal ouvi a voz de Walter. Agora eu estava mais assustado, Gabi acelerava sua respiração de tal maneira que me assustada dez vezes ainda mais. Foi quando...



WHRAAAAAAAAA!!!



Os vultos gritavam e vinham correndo, não sabíamos o que fazer, mas por precaução saímos correndo pelo corredor escuro, fugindo dos vultos, que pareciam querer matar todos nós.



– Aqui! –Gritou Walter para uma sala escura, e quando entramos, ele trancou a porta.



Mas isto apenas não era o suficiente, eles esmurravam e chutavam a porta, gritando loucamente, querendo seja lá o que fazer conosco, loucos para entrarem. A porta parecia que não fosse suportar muito.



– E Rosa? Não podemos deixá-la lá com eles! –Gritou Walter, mais desesperado do eu já o vira-



– Walter... Ela tentou matar Gabi...



– Ela quase mordeu meu pescoço... Eu quero ir embora! Vamos chamar alguém... –Gabi chorava muito agora, e eu não sabia o que fazer, como sempre.



– O que faremos então? –Perguntou Walter-



BUM! BUM! BUMK



A porta estava se soltando das dobradiças...



– Oh meu Deus! Eles vão entrar... URGH! –Gabi gritara apavorada-



– Walter me ajuda aqui! –Gritei, tentando segurar a porta.



Mas Walter e eu não éramos fortes o suficiente. Gabi gritava apavorada, Walter tentava inutilmente pedir a Rosa para parar, e eu só via uma solução.



– Walter aguente firme! –Disse me afastando da porta e procurando uma mesa para colocar na porta e segurar a pressão que os vultos lá fora faziam- Gabi me ajude!



Juntos, Gabi e eu colocamos duas mesas grandes para segurar a porta...



– Estamos na sala do diretor! Vamos pegar os armários também... –Gritei novamente-



Após alguns minutos, a porta não parecia que iria cair agora, mas as tentativas e os gritos dos vultos continuavam...



– Lucca eu estou assustada! Eu quero sair daqui, vamos sair daqui, por favor! –Suplicou Gabi com os olhos inchados-



– Não podemos! Os militares estão lá fora esqueceu? Se nos verem vão nos matar? –Intrometeu-se Walter-



– Esperem, vamos ficar quietos... –Pedi-



– Porq... –Ia perguntando Walter, mas fiz um sinal com a mão e ele se calou-



Como eu previ. Os gritos, e as batidas foram se acalmando. Ás vezes era só os gritos, outrora, só as batidas. Gabi chorava em silêncio, e Walter, percebi, tentava escutar algo em relação a Rosa. Eu tremia muito, mas acho que eu sabia o que eram aquelas pessoas lá fora...



– São infectadas! –Sussurrei para Walter e Gabi, que fizeram cara de desentendidos- Infectadas! Elas se infectaram com a epidemia, e agora parecem estar com raiva, não estão no seu normal.



Ás vezes eles batiam, ás vezes gemiam, como se estivessem sentindo fome. Enfim, Walter, Gabi e eu, sentamos no chão frio da sala onde estávamos, e ficamos ali, escutando o caos que se passara do lado de fora da escola. Tiros, que ás vezes atravessara as paredes do lugar e nos obrigava a deitar no chão e proteger nossas cabeças (Os tiros acertaram o pequeno vitrô na parede provocando uma garoa de estilhaços de vidro). Gritos, semelhantes aos que Rosa deu no corredor escuro, e que os vultos soltavam atrás da porta, quando imploravam para entrar. Estridentes batidas de carros, pedidos de socorro e etcétera. Era uma guerra?



Estávamos presos na escola até o caos passar do lado de fora. A trilha sonora da noite, foi o grito dos mortos.



Os vultos do outro lado da porta pareciam terem ido embora. Mas mesmo assim não nos sentíamos seguros.



Não consegui dormir, mas sei que Walter e Gabi também não. Ás vezes os ouvia chorando no silencio. Porque eu não conseguia chorar agora? Será porque eu estava muito assustado? Ou porque eu não ligava com o que acontecera com os outros?



Calma Lucca! Vai ficar tudo bem, sua mãe e seu pai estão bem! E Val também... Val...



Uma faca em sua testa tirou sua vida. Mas quem fizera isso? Quem teve coragem de matá-la de uma forma tão brutal? Val... A garota mais inocente que eu já conhecera. Os sentimentos de tristeza ainda não viera me fazer derramar uma única lágrima, mas sabia, que uma hora ou outra eles viriam.


Acordei! Afinal... Eu dormi? Já estava de manhã, e quando olhei em volta da Sala, que agora se iluminava com pequenos feixes da luz do dia que passavam pelo vitrô destruído. Gabi estava tentando olhar algo debaixo da porta, e Walter mexia numa coisa, como um rádio antigo...



– O que estão fazendo? –Perguntei-



– Walter... Achou este rádio, e está ligando-o enquanto eu vejo se eles ainda estão aqui... Mas não! Já foram embora. –Disse Gabi com os olhos roxos se levantando e indo na direção de Walter-



– Parece que lá fora acalmou Lucca, podemos sair e buscar ajuda! –Disse Walter-



– Sério? Quanto tempo mais ou menos eu dormi? Eu dormi não é?



– Sim, dormiu! Mais ou menos umas 7 horas... Agora acho que pode ser umas 6 horas da manhã! –Respondeu Gabi-



Walter tentava ligar o rádio para saber notícias da noite anterior. Estávamos ansiosos, com medo, mas ao mesmo tempo curiosos para sabermos o que houve ontem á noite.



–Acho que consegui... –Disse Walter quando trocou as pilhas velhas do rádio, por pilhas novas que achou na bagunça da sala do diretor.



Quando a transmissão parou numa estação onde ouvimos a voz de alguém, Pareceu que não escutávamos mais nada além da voz do locutor:



[...] Isto é loucura, mas é o que esta acontecendo, eles encobriram a epidemia até onde aguentaram, e mesmo sabendo das consequências continuaram a infectar os pacientes com o FH23!



Entreolhamos uns aos outros...



E agora que já aconteceu a infecção, eles tentaram reverter essa situação. Soube que até explodiram as casas de alguns pacientes do vírus... Eu sei disso porque meu pai investigava o vírus, sinto muito por ele ter descoberto a verdade e logo após ser mordido! Aconteceu isso porque quando meu pai ia revelar a verdade para as autoridades, estavam todos infectados já, mortos! Mas façam o que lhes pedi, fiquem dentro de casa, e não saiam por nada deste mundo! Se não houver opção acertem-nos na cabeça, e não os enfrentem quando estiverem em muitos. Aqui foi um dos estados que a epidemia se manifestou primeiro, e acreditem... Eu tive experiência com os infectados, mas que agora chamaremos de mortos... Pois eles não voltam mais, uma vez infectado, nunca mais pode voltar ao normal!



Vi no olhar de Walter que ele entendeu, e Gabi também. Rosa estava infectada, nunca mais voltaria ao normal...


Mas agora... Nossos pensamentos e orações aos sobreviventes de São Paulo, e pediremos á Deus que eles consigam sair de lá o quanto antes. Antes que o governo se encarregue de explodir o estado inteiro, pois ele foi dado como perdido já! Foi o Estado com maior número de pacientes salvos, ou seja, o que tem mais pessoas infectadas, mortos... Que andam!



Queríamos ouvir mais, queríamos descobrir mais, mas acho que foi o suficiente. Bem após estas palavras o rádio começou a chiar e não voltou mais a voz triste e assustada do garoto-locutor.


– Estava certo! A epidemia começou com o FH23 e deve ter sido o governo mesmo que explodiu onde os pacientes moravam, minha casa... –Não consegui continuar, eu estava achando que era agora que meus sentimentos viriam...



– Mortos... Que andam? Como assim? –Gabi arregalava os olhos-



– Rosa... –Walter mal conseguia falar-



– O Pai dele foi mordido, igual... Rosa tentou fazer comigo! –Choramingou Gabi-



– Temos... Temos que sair daqui... Vamos embora, eles... Eles vão destruir São Paulo, você o ouviu? –Gritou Walter apavorado para mim, estava paralisado-



Como sairemos deste lugar? Como sairemos de São Paulo? Agora minha cabeça estava uma confusão lancinante. Realmente não tínhamos como sair deste lugar, ainda mais rapidamente antes que nos explodissem... E minha mãe? E a família de Walter? E de Gabi? Será que meus pensamentos estavam certos? Será que estavam todos mortos? Meu coração saltava para fora do meu peito, e neste momento, os gritos atrás da porta voltaram mais fortes, e parecendo sair de muitas e muitas bocas...


Notas finais
Ó, grito mortal que desencadeou o medo por onde antes podia se ver a felicidade. Ó, clamor ambicioso a procura de algo para comer. Ó, desesperança que nos atinge no coração como uma flexa mirada em seu alvo. Ó, tortura sem fim... PRÓXIMO: CAPITULO 8 - A DAMA DE VERMELHO