Days Of Hell

2 Capítulo 2 - O Adeus


Notas iniciais
Enquanto há uma esperança no horizonte, a mãe de Lucca parece não acreditar muito nisto. E em meio a dúvidas Lucca se sente deslocado até entre amigos.

Não sabia o que dizer a minha mãe.

Será que eu devo dizer que logo pensei em Val? Pela expressão que ela olha para mim acho que ela sabe que estou pensando nela!

– Filho acalme-se! Estas coisas que mostram na TV não são tudo verdade!

– Nossa mãe, quantas vezes você ouviu-os pararem toda a programação para anunciarem alguma coisa?

– Filho, vamos ter fé em deus! Se este for o milagre que deus vai fazer em nossa família amém! Se não... Temos que ter muita fé ainda!

As vezes minha mãe me irrita... não que eu não acredite em deus, mas nada acontecerá se ficarmos esperando milagres!

Eu e minha mãe ouvimos mais o noticiário...

– Há alguns meses recebemos a autorização do governo para começarmos os testes, e como eles funcionaram muito bem, começamos em humanos, este é Harry Fint -Outro homem apareceu de trás do jornalista, ele parecia feliz- Harry com apenas 2 anos foi diagnosticado com câncer na medula óssea, e hoje com 22 anos ele está completamente curado!

O mesmo problema que Val!

TSOU

A televisão desligou-se, mas eu não havia apertado o botão do controle, foi minha mãe. Ela parecia desesperada e eu via que ela tremia ao deixar a sala.

– Para onde você vai mãe? -Perguntei com medo da resposta-

– Rezar para nosso Senhor deus!

Ela se trancou dentro do quarto e continuou lá por algumas horas.

Até os 18 anos Val era uma pessoa comum, corria, dava risada, conversava sempre comigo. Mas agora, na fase terminal do câncer, ela esta mais quieta, quase não anda mais. Meus pais gostam de mantê-la em casa, por que assim que ela se for, ficará junto a família. Mas não acredito mais nisto, acredito na notícia que acabei de ver, e sei que isso pode ajudar Val, mas pelo visto minha mãe não acreditou muito nisso. Ela foi a quem mais sofreu com o estado de Val, e mudou muito desde então.

Perco a fome, e tudo o que eu quero fazer agora é dormir. Sigo em direção ao meu quarto quando meu telefone toca:

– Alô, o Lucca esta?

– Sou eu Walter, o que foi? -Reconheço a voz do meu amigo-

– Lucca você viu o noticiário?

– Sim, o que tem?

– Ah! é que você sabe que meu pai é médico e ele trabalha em um dos melhores hospitais do Brasil, e... Sua irmã... Acho que posso falar com ele para ajudá-la sabe...

– Sério? É que... Parece que minha mãe não acreditou muito sabe...

– Mas me pareceu ser verdade, passou em todos os canais!

– Acho que temos que esperar um pouco não é? Quem sabe...

– Sim, estou torcendo, e mesmo assim vou falar com meu pai ta? E.. Ah ei você vai na festinha de despedida do Douglas? Vai ser na casa dele!

– Ah, não sei, não gosto muito dos amigos do Douglas...

– Ah para ele é nosso amigo e outra agente vai pra se despedir dele e não dos amigos dele!

– Mas eu não entendo... Ele só vai viajar!

– Nossa Lucca! Como você é sem graça, ele vai viajar, mas só vai voltar daqui a 2 meses!

– Eu sei...

– Então é pra estar em frente á casa dele ás Sete horas está bem?

– É q...

– Desligando...

O Walter é meu amigo á sete anos, e ele sempre foi assim, nunca me deixou falar, as vezes irritava, mas me acostumei, ele pode ser assim mais é uma boa pessoa, um dos meus amigos...

São seis e meia da noite, e estou tomando banho escutando a rádio, e de novo aquela música...

♪ Now is the time to start,

let all our fears aside,

we will be stronger, a case apart,

your sorrow is mine, your fear is mine. ♪

Meu deus! Como eu odeio essa música!

Me visto e saiu de casa em direção a casa do Douglas, ele também é meu amigo, namora a minha prima, Gabi, e é um garoto legal.

Chego perto da casa e ouço o barulho do som, música no último volume, e com certeza muito bebida, acho que os pais dele não estão em casa. Convenço-me que eu não deveria estar a caminho de uma festa e me viro e começo a ir embora, quando eu escuto:

– Lucca! Lucca! Aqui! Onde você esta indo?

– Ah, desculpe-me Walter mais eu não to afim de ir...

– Ah para! Vamos deixa de ser antissocial vai ser legal... Vem!

Walter me puxa pelo braço, admito ás vezes tenho vontade de bater nele, mas esqueço-me que vamos junto ás aulas de Kung-fu e praticamente empataríamos em uma briga.

O som já faz zumbidos em meus ouvidos, e sinto muito cheiro de bebida alcoólica, vejo Daiany, irmã de Gabi e minha prima também, em um canto, Rose, mais uma amiga, e meio enrolada com Walter conversando com um cara bêbado, e enfim Douglas e Gabi no meio da multidão dançando...

– Douglas! Douglas! DOUGLAS! -Vejo Walter tentar chamar a atenção de Douglas-

– Não Walter ele esta dançando depois falo com ele!

– Não ele vai escutar! DOUGLAAAAAAAS!

Sinto-me deslocado, mas Douglas escutou...

– Olha quem eu tirei da toca pra se despedir de você -Disse Walter- Lucca!

– LUCCA meu parceiro, tudo bem?

– Oi Douglas, boa festa!

– Tudo o Walter que fez! Se você quiser bebida tem ali ta?

– Ah não, não bebo valeu!

– Para de ser careta! Vem... -Walter me puxou mais uma vez-

Já estava me irritando... Ele me jogou um copo e encheu de cerveja.

Logo desapareceu na festa...

Eu não vi outra saída, bebi um gole, dois, três, um copo, três copos e já não sabia quantos copos tinha bebido...

Eu saio da festa um pouco para respirar melhor... Sento-me em frente a casa de Douglas...

– Lucca você ta bem? -Perguntou Daiany-

– Sim só vou respirar um pouco, acho que estou meio tonto...

– Ah, é normal na primeira vez que bebe...

– hm...

Pouco a pouco as pessoas foram embora, as luzes se ascenderam, o chão foi limpo, e eu já estava ficando bom...

– O Douglas já esta com as malas no carro... Você não vai se despedir? -Perguntou Daiany-

– Sim...-Respondi-

Levantei-me e fui até o carro abracei meu amigo Douglas, ele se despediu de todos... E entrou no carro, e começou a acenar para nós, aquele aceno foi ficando distante cada vez mais, até sumir...

Eu, Walter, Gabi, Daiany e Rose, ficamos olhando para a direção em que ele foi, e conversando um pouco...

Todos estavamos cansados, um pouco bêbados, então, cada um foi para sua casa... Eu também.

Chegando em casa, tudo está escuro, o que me deixa encomodado, abro a porta e quando boto o pé na sala de estar, vejo minha mãe e meu pai carregando uma garota loira, mas um loiro desbotado, e muito pálida, era Val, de cadeira de rodas. Meu pai e minha mãe estavam felizes, e acho que já imaginava o motivo.

– Para onde vocês estão a levando? -Pergunto-

– Enquanto você estava fora, a Mãe de Walter veio aqui e entregou uma autorização vinda do pai dele, e como ele tem bons contatos ajudou a autorizarem Val a começar o tratamento! -Disse meu pai-

Olhei para minha mãe e vi nos olhos dela o que ela queria dizer:

"Sim filho, você estava certo! Isto pode curar sua irmã!"

Notas finais
Faz tanto tempo que não vejo Val sorrir, andar, comer direito... Esta cura vai animar o apetite dela! PRÓXIMO CAPÍTULO - O SANGUE DERRAMADO.