Days Of Hell

15 Capítulo 15 - O Labirinto da Morte


Notas iniciais
Para conseguirem salvar Diane e continuarem o caminho até o abrigo, Lucca, Walter e Luma, precisarão entrar nos esgotos, mas o que eles não esperavam era que até lá os infectados iriam atrás deles, fazendo com que Lucca lute frente e frente com um Infectado.

Δ


Foi como em uma brincadeira de esconde-esconde, quando eu corria o máximo que conseguia para me esconder. Era melhor eu pensar assim, ou eu ficaria apavorada, e quando uma pessoa faz coisas estando apavorada, não dão certas. Eu não devia ter gritado antes de observar que o buraco para o esgoto estava tão distante assim, mas eles estavam caminhando desconfiados em nossa direção, eu tinha que ajudar meus amigos. Na rua em que corria, só havia casas na direita, pois na esquerda um muro enorme crescera, devia ser de uma escola, ou de uma empresa.

Vamos Diane, corra! Não seja covarde.

Ousei-me olhar pelo ombro, e vi que os infectados estavam em meu encalço, e o buraco estava se aproximando, enquanto eu corria. Será que eles me pegariam primeiro? Eu não quero morrer! Não quero ter o mesmo fim que mamãe e papai... Dilacerados á mordidas.

Como no esconde-esconde, aconteceu tudo muito rápido. O infectado que acabara de agarrar meus cabelos tropeçou, arrancando uma mecha minha, e estatelando-se no chão duro. Os outros que vinham atrás dele tropeçaram nele, e juntos formaram um amontoado de corpos sem alma, me dando mais tempo para entrar no buraco. Ralando-me e quase não conseguindo entrar, cai com tudo no fundo do esgoto. Não houve pausa e eu já podia ouvi-los tentando entrar, todos de uma vez, após se levantarem e continuar a caçar sua presa.

O banho que antes eu havia tomado na casa do pai de Walter, acabou não sendo útil, pois me sujei e me molhei naquela água imunda e mal cheirosa. Ao me levantar consegui ver que a única luz daquele esgoto nojento era a do buraco, que agora, estava repleto de infectados. Para onde eu iria? Para que lado mesmo Walter me mandou ir? Se ao menos eu tivesse uma lanterna, diminuiria um pouco o medo, por não conseguir ver se algo me atacar. Por que não pedi uma faca ao Lucca? Estou indefesa!

De repente, algo me iluminava, vez sim, vez não;

As luzes iluminavam circularmente partes do meu corpo, não viera do buraco á minha cabeça. Era de lanternas apontadas para minha mim... Eram pessoas... Meu coração quase sofreu uma parada cardíaca, eu estava muito assustada, e voltara a chorar mais uma vez. Quem eram essas pessoas?


Δ


Agora nós só vivíamos correndo... Sempre, em qualquer ocasião, só fugíamos, o tempo todo. Walter estava de mão dada com Luma e corriam ao meu lado.

– Ela conseguiu! Agora temos que encontrar o córrego! –Disse enquanto corríamos pelas ruas, onde á pouco tempo, estava repleta de infectados, que agora, estavam caçando uma garotinha atrás de nós.

– Segundo o mapa, mais duas ruas e passaremos por uma ponte, a ponte do córrego! –Disse Walter.

Aquelas ruas estavam imundas, sangue e lodo manchava tudo á nossa volta. Corpos, pedaços de ossos, e restos de membros estavam espalhados por todos os cantos.

Será que Diane está andando na direção certa dos canos em baixo de nós? Será que lá não há nenhum infectado? Eu devia ter dado á ela uma das facas. Como pude ter sido tão burro a ponto de nem pensar nisto?

Nós três correndo sob aquela rua carniceira formávamos uma ponte, agora, Luma corria enquanto a mão direita estava segura com a de Walter, e a direita segurando a minha, não me senti mais sozinho.

Alguns infectados que não ouviram os gritos da garotinha, que agora estava na escuridão naquele buraco, ouviram nossos passos e agora nos perseguiam. Desta vez ninguém teve coragem de olhar sob o ombro para os infectados que vinham atrás de nós... Então, corremos mais empenhados para chegarmos no córrego que já estava próximo...

– Temos que pular!!! –Gritou Walter, apontando para a água imunda em baixo da pontezinha por onde passávamos. Eu e Luma concordamos, e então juntos, pulamos...

A ponte era pequena, mas cruzava as ruas sujas pelos infectados. No pequeno rio, ao seu redor, o mato crescia refugiando as casas que se situavam a beira dele, que por sinal, não era fundo, e quando caímos, nossos pés imediatamente doeram. A água não chegou a submergir nem nossos tornozelos, sendo assim, fomos obrigados a nos levantar rapidamente e entrar pela passagem, que era a saída de água, um cano grande que ia formando um túnel... E logo a escuridão, o fedor, e o medo nos engoliu.

PLAFT! PLAFT! PLAFT! PLAFT! PLAFT!

Os Mortos que vinham atrás de nós também se caíram, aparentemente sem ver, no riozinho, e nos perseguiam dentro dos canos...

– Ah! Eles estão aqui dentro! –Disse Luma á minha frente tropeçando e espirrando água com suas pisadas rápidas e vacilantes.

– Temos que atirar! –Gritou Walter.

– Não! Não podemos, ou outros escutarão, e aí sim estaremos mortos!!! –Gritei olhando para trás e vendo a luz da, agora saída, diminuir...

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh!

Os infectados gritavam nos canos, que ecoavam e fazia os gritos ainda mais altos. De repente o túnel acabou, e surgiram duas passagens para a direita e para a esquerda, eu segui para a esquerda, Walter e Luma devem ter seguido para o cano da direito, pois eu estava sozinho, perseguido por três infectados...

Estava muito escuro e eu só conseguia ver sombras, sentia que os infectados estavam ainda mais perto de mim. Eu só tinha uma faca, e era com ela que iria me salvar, pois desta vez, não tinha carro para fugir, nem uma residência para me esconder, eu estava neste labirinto sem saber por onde sair agora... E Walter e Luma? Será que eles estavam bem? E Diane? Onde ela estaria? Já posso imaginar que a garotinha tenha se perdido, pois o buraco por onde ela entrou não dava diretamente no córrego se ela seguisse o cano, isto era labirinto, um labirinto que qualquer um poderia morrer a qualquer momento...

Aaaaaaaaaargh!

O primeiro infectado vinha, e então eu segurei minha faca firme, e me virei para ele, eu vi a sombra da morte, seus olhos vermelhos e sem vida, brilhavam no escuro. Ele me agarrou pelos ombros aproximando sua boca cada vez mais perto de meu pescoço. Pensei que seria fácil, pensei que era só eu mirar em sua cabeça e enfiar a faca, mas o infectado era mais forte que eu, e me mobilizou, acabei caindo na corrente de água podre que procurava uma saída igual a mim.

Aaaaaaaaaaaargh!

Gritou o infectado em cima de mim e pude sentir o hálito de carne podre de sua boca, enquanto os outros se aproximavam. A faca ainda estava em minha mãe, e quando eu senti seus dentes no meu pescoço, enfiei a faca em sua cabeça, e logo me levantei e puxei-a, com um pouco de dificuldade, de sua cabeça. Os outros infectados vinham e logo aprendi, não podia deixar tocarem-me... Então, enfiei a faca na cabeça deles também, provocando uma segunda morte para eles.

Então foi como um pesadelo, eu ouvi mais infectados vindo pelo cano em que eu estava. Não fazia ideia de quantos, eu só sabia que tinha que correr...


Δ


Eu tropeçava e trombava com canos que surgiam pelo caminho, mas afinal, eu não via nada, estava praticamente cega... Onde estavam Walter e Lucca? Como foi que consegui me perder deles? Lembro-me que eu estava correndo e quando dei por mim, já estava sozinha...

Aqueles gritos dos infectados fizeram meus ossos tremerem, será que eles estariam atrás de mim? Como poderia me defender se não sei quantos infectados são? E com apenas uma faca de cortar carnes, de cozinha?

Estava muito escuro... E este cheiro de animal morto, de esgoto, vinha entrando por minhas narinas me fazendo ter ânsias de vomito...

BROW!

Cai, mas não me machuquei, pois algo amorteceu minha queda... Algo... Fofo! Aquele cheiro agora ficou mais forte, como se algum animal estivesse apodrecendo, e então eu descobri de onde ele vinha. Minhas mãos examinou o lugar onde cai, e percebi que não era apenas um animal, mas muitos! Eram ratos, ratazanas, e filhotes de roedores mortos, e ai bem em cima deles...


Δ


FLIN! FLIN! FLIN!

Na verdade eu não tinha certeza de que eles não me morderam, quando caíram desacordados, e com um buraco na testa, provocado pela faca que eu segurava. Mas por hora não sentia nenhuma dor. Ainda não acredito ter matado estes dois infectados com ela... E ainda mais estando apavorado do jeito que estou...

– Lucca?! –Chamava para a escuridão- Luma?! Diane?!

Onde estavam todos? Eu me lembro de estar correndo de mãos dadas para Luma, eu apenas me desvencilhei por um segundo, e no outro ela já não estava mais lá... Agora, eu estava neste encanamento enorme, sem saber para onde ir, e sem saber também como sair daqui...

Eu não tinha visão de nada, era como se alguém tivesse tirado minhas córneas. Eu apenas ouvia o som da água correndo, procurando uma saída, como eu. Mas eu também ouvia gritos, grunhidos, e algo, como mãos arranhando as paredes... Eu estava mais assustado ainda, já foi um milagre conseguir matar aqueles dois infectados sem ver, se viesse ao menos mais um, acho que já não teria a mesma sorte...

Os sons iam aumentando, cada vez em que eu caminhava e virava para á esquerda e para á direita, naquele negrume e naquela água lamacenta que me cobriam os pés... Tudo estava se formando a minha volta, aquele ‘túnel’ era pequeno, fazendo com que eu ás vezes sujasse meus braços e ombros ao me movimentar bruscamente, a luz entrava por aquele buraco no chão, que agora era teto, eu sabia onde estava, era por onde Diane tinha entrado... Mas afinal, onde ela estava?

– Diane?! –Chamei, mas não ouve resposta por um momento, mas em seguida, veio um grito de menina, um grito apavoradamente, como se estivesse sozinha sem ter com o que se defender...

Eu segui aquele grito, fui correndo o máximo que conseguia entre aquele cheiro podre, e entre aqueles canos sujos e escuros. Virei para a direita e depois para a esquerda, achando que já estava perdido, achando que não encontraria mais a saída. De repente...

BRONC!


Δ


Eu trombei em algo...

–Diane é você? –Perguntei cego...

– Lucca é você? –Perguntou a voz, que reconheci ser a de Walter.

– Walter... Onde você estava? Cadê Luma e Diane? –Perguntei...

– Não sei eu ia... –Um Grito nos interrompeu, o mesmo grito que Walter explicou que estava atrás, quando trombou comigo.

Ele me ajudou a levantar e então corremos em direção ao grito de uma garota, reconhecemos... Quando chegamos para ver a dona do grito, só víamos sombras, era um infectado em cima de alguém que gritava desesperadamente...

Por favor... Que ele não tenha mordido ela... Por favor!

FLINT!

A faca de Walter cortou a nuca do infectado que rapidamente parou de lutar...

– Luma? –Perguntei reconhecendo...

– Lucca? Ajude-me... Ele estava atrás de mim e então eu perdi minha faca enquanto corria, eu estava confusa, e não enxergo nada... –A voz da garota estava fraca, e apavorada...

– Luma calma! Já estamos aqui... Você encontrou Diane? –Perguntou Walter.

– Não... Eu não consegui... –Disse a garota chorando...

Ajudei Luma a se levantar... Eu conseguia ver as sombras de seu rosto, sujo e triste.

– Temos que sair daqui! Eles podem vir em mais quantidades... –Disse Walter.

– E Diane? Não podemos deixá-la, ela é só uma garota indefesa! Ela só tem onze anos! –Suplicou Luma...

A garota segurava nos braços de Walter, como se implorasse a própria vida...

– Eu encontrei o lugar por onde ela entrou e...

TACTACTACTACTACTACTACTACTACTAC!

Um barulho estridente nos pegou de surpresa, ecoando entre os canos, vibrando em nossos ossos, mas ao mesmo tempo abafado. Vinha de fora do esgoto...

– O que é isso? –Perguntou Walter...

– Diane!... –Chamou Luma e em seguida saiu correndo seguindo aquele som...

Os meus gritos e de Walter não a impediu de retroceder, nós a seguimos, correndo mais uma vez por aquele duto abafado, e mal cheiroso. Depois de alguns segundos o barulho ficou mais forte, e quase insuportável... O esgoto a nossa volta iam se formando, eu via a água correndo junto comigo, eu via as paredes lodosas e imundas me cercando, e mais a frente via Walter tentando alcançar Luma que já havia entrado na luz, que na verdade, era a saída dali...

Quando entrei na luz também, meus olhos demoraram um pouco para de acostumarem, mas o barulho persistia, quando meus olhos recuperaram a visão normal, eu consegui ver um helicóptero levantando voo e indo embora, possivelmente com uma garota de onze anos dentro dele...



Notas finais
O espírito da garota ainda estava ali com eles, que se perguntavam onde o corpo estaria. E de quem era a águia que voava levando embora uma das partes de suas últimas esperanças... PRÓXIMO: CAPÍTULO 16 - O ÚLTIMO ESCONDERIJO