Days Of Hell

16 Capítulo 16 - O Último Esconderijo


Notas iniciais
Após saírem do esgoto, Luma, Walter e Lucca, se escondem numa igreja e lá, eles terão de burlar suas dúvidas para seguirem em frente. O grande desfecho será a maior dúvida.

Estávamos em um beco, nos escondendo de vários infectados. Foi muito rápido, ouvimos as hélices do helicóptero e quando o vimos alçar voo, Walter saiu do córrego, o que não era muito difícil, e foi para as ruas gritar na esperança de que quem estivesse pilotando a máquina o ouvisse, ou pelo menos o visse, eu e Luma fomos atrás dele para tentar fazê-lo parar com os gritos, para não chamar a atenção dos infectados, mais foi o que ele já havia feito. Eles estavam na esquina parados, contemplando o nada, quando consegui me aproximar de Walter, foi como se eles todos combinassem de virar seus corpos para nós três, e logo saíram correndo atrás de nós, gritando, tropeçando, famintos por nosso sangue, como sempre...


Agora a rua estava infestada deles, novamente, pois parecia que, os que escutaram um grito de um uma garotinha, desistiram de persegui-la, e então decidiram nos caçar.



Após estarmos ofegantes, e entrarmos em mais um beco, sendo perseguidos por eles, vimos que no fim da pequena ruazinha em que estávamos, que mais infectados estavam vindo, nos encurralando. Apavorado, procurei um lugar para fugirmos, e reparei na cerca de tábua, um pouco a nossa frente:



– Aquela tábua esta solta! Vamos entrar ali, rápido! –Disse Luma rapidamente-



Soltamos a tábua e entramos bem silenciosamente, para que os infectados não descobrissem que estávamos ali. Após entrarmos tentei colocar a tábua no lugar, e quando eu o fiz, escutei os infectados que vinham nos perseguindo batendo de frente com os que nos encurralariam. Vimo-nos em um quintal, onde várias imagens de santos estavam sobre as paredes olhando e rindo para nós. Demorou um pouco para percebemos que estávamos nos fundos de uma igreja. Walter olhava meio assustado, como se nunca tivesse pisado em um lugar desses antes. Os fundos, por hora, pareciam vazios. Aquelas paredes enfeitadas estavam quase cobertas de musgo, como se não a limpassem havia anos...



Nunca fui muito religioso e nunca acreditei muito em milagres, mais depois que tudo isto aconteceu, não desconsidero, entramos pelas portas dos fundos, e demos de cara com os bancos. Estava muito escuro lá dentro, mas ainda podíamos enxergar um pouco, pois lá fora ainda era de dia. Segurei a faca firme, e gritei não muito alto, para descobrir se tínhamos companhia. Mas não houve ruído, acho que estávamos sozinhos... Novamente.



– Vamos trancar as portas que dão acesso para outras salas, assim se tiver algum infectado podemos ouvir o barulho deles batendo na porta, isso dará tempo para nós... –Disse-



Luma e Walter ajudaram, trancamos e colocamos vários bancos nas portas, e na frente de uma cruz enorme sentamos e descansamos um pouco. Permitimo-nos pensar em Diane, e no helicóptero pela primeira vez desde que saímos dos esgotos.



– Podemos ficar aqui por alguns dias não é? –Perguntou Walter.



– Não podemos ficar mais que um. Afinal, também não temos comida... Diane ficou com a mochila dos enlatados... Temos apenas água... –Respondi.



– Ela deve estar bem agora... Salva! –Walter parecia pensativo.



– Não sabemos se ela estava mesmo no helicóptero, Walter! E se ela ainda estiver nos canos? –Opinou Luma.



– Eu fui até o local por onde ela entrou... E chamei por seu nome... Ela estava no helicóptero, tenho certeza! –Respondeu o garoto.



– Eu tenho dúvidas, mas acho bem provável que ela estivesse no helicóptero também... –Disse, mas eu precisava dizer mais uma coisa também, para Walter, que sempre nos arriscava demais sendo impulsivo e tentando fazer as coisas do seu jeito- Walter, você não pode fazer mais as coisas sem perguntar para nós, somos um grupo, se quisermos sobreviver temos que agir de acordo um com o outro!



– Do que você está falando? –Perguntou ele á mim.



– Você saiu correndo atrás do helicóptero...



– Eu não queria...



– A questão não é essa, meninos! –Interrompeu Luma tristemente, sabendo que se deixássemos mais a vontade certamente uma discussão começaria- A questão é, quem salvou Luma, se é que ela estava no helicóptero.



– Acho... Acho que foi do abrigo, eles alçaram voo e foram para nordeste... É a direção para o Pão de Açúcar! –Disse olhando para Luma, que demonstrava tristeza e preocupação.



– O que acham? Continuamos ou... –O choro a interrompeu.



Olhei de relance para Walter, que desviou seu olhar e disse para Luma:



– Luma, eu tenho certeza que ela está com o pessoal do helicóptero... Eu a chamei, ela escutaria se estivesse lá nos esgotos, e todo o barulho que nós e os mortos causamos... –O tom de sua voz era de compreensão.



– Nós vamos continuar Luma... Também acredito que ela esteja no abrigo, agora! Afinal, estamos cada vez mais perto... –Disse a ela.



Todos nós concordamos que isto era o melhor, mas estávamos muito cansados para agirmos agora. Passaremos uma noite na igreja e quando amanhecesse, nos entregaríamos mais uma vez a própria sorte. Eu estava deitado e já era noite lá fora, eu tinha dormido ali mesmo, no chão gelado e duro no meio do salão, acordei por causa dos ruídos que vinham da frente da enorme cruz no altar da igreja, mas logo me aliviei, era Luma, que parecia rezar:



– Pai nosso que estás no céu, santificado seja vosso nome, venha nós o vosso reino, e seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu... Amém!



– Você está bem? –Ouvi Walter perguntando a ela, eu ainda estava deitado.



– Sim... É que vamos precisar de mais sorte ainda amanhã, e... Rezei por Diane.



– Ah... –Foi a única resposta que ouvi do garoto que parecia estar próximo a ela, na enorme cruz.



– Rezei por você também, e por Lucca...



– Precisamos de sorte mesmo para chegar no abrigo...



– Vocês sempre se desentenderam assim? –Ouve alguns segundos de silêncio, e eu tive certeza que neste momento, Walter olhou para mim deitado com a cabeça sobre uma das mochilas, no chão.



– Não é que... É só muita tensão... Só fugimos o tempo todo e...



– Walter, eu também só fujo o tempo todo, desde que isso começou... É melhor você não colocar a culpa nele, estamos juntos agora e qualquer desavença pode ser a nossa sentença!



– É que aconteceram coisas comigo Luma que não aconteceu com mais ninguém...



– Walter... Eu fui violentada, tinha acabado de acontecer quando você apareceu na cabana...



Houve alguns minutos de silêncio. Eu já havia desconfiado, mas agora tinha certeza. Nunca me senti tão feliz de ter matado todos aqueles malditos Militares.



– Eu sinto muito... Não... Não quis dizer...



– Eu sei –Interrompeu a garota- Que aconteceu tragédias com todos nós, não estou querendo dizer que a minha é mais triste que a sua, por que perder a namorada deve ser difícil!



– O que?!



– Lembra quando você estacionou o carro logo após a bomba? –Ela não esperou resposta para prosseguir- Você citou o nome dela, e eu acabei que adivinhando.



Houve mais silencio, e eu nem respirava muito forte para não perder nada sobre a conversa:



– Eu não tive nem a oportunidade de dizer a Rosa que eu gostava dela...



– Bom, sinto muito também...



– Sabe que ás vezes olho pra você, e me lembro dela? O jeito de como você olha para as pessoas!



Eu não vi, mas pude sentir que Luma ficara vermelha. Houve um barulho que eu reconheci ser o de um abraço apertado. Após alguns minutos, eles se juntaram a mim, que ainda continuava fingir dormir, e então deitaram e não se mexeram mais. Dormimos.



A luz que ia passando pelas janelas enormes de vidro, cuja nelas havia imagens de santos, também, nos iluminava agora, e a igreja já estava mais clara. Quando acordei, Luma e Walter examinavam um mapa, aberto no chão:



– Lucca, acordou! Vamos perguntar a ele... –Estranhei quando vi que Walter se referia a mim- Lucca, o que você acha de irmos pela serra até o Pão de Açúcar?


– O que? Por quê? –Perguntei.

– Por que, como vimos lá fora, está lotado de infectados... E provavelmente eles estão perto das praias mesmo! –Disse Walter, como se nada tivesse acontecido, como se eu e ele nunca houvéssemos brigado.

– As pessoas devem ter pensado em pegar um barco, não? Já que o solo não era mais seguro! –Opinou Luma.

– Vocês acham que é melhor irmos pela serra mesmo? –Perguntei...

– Sim! –Respondeu Luma e Walter juntos...

Estávamos um pouco cansados ainda, pois dormimos apenas sete horas, em compensação que não dormíamos á três dias. Por a mochila, com enlatados, ter ficado com Diane, estávamos com muita fome, e não havia nada para comer... O máximo que podíamos fazer era irmos o mais rápido possível para o abrigo, para termos segurança e comida, que com certeza lá tinha. Colocamos nossas bolsas nas costas. E eu coloquei minha arma na cintura, protegida por minha camiseta.

Examinamos o mapa, e concordamos pegar mais um carro perdido por ai, para chegarmos mais rápido no nosso destino. Segundo Walter, não podíamos sair por onde entramos, pelos fundos, pois quando ele foi verificar os infectados ainda estavam lá, ele disse que pareciam paralisados, não se mexiam por nada, e com medo de fazer qualquer ruído que fosse para eles escutarem, não chegou muito perto.

Quando verificamos pela frente, havia apenas alguns infectados perto de nós, que quando perceberam nossa presença, cortamos suas gargantas antes que pudessem gritar, chamando seus iguais. E então, encontramos algo para sairmos daquele lugar, seguros...

Um Caminhão Ford Euro V, sem o baú. Será que ele teria gasolina?

Quando Walter foi verificar, a gasolina estava em zero por cento...

– Se formos com ele, estaremos seguro, ele é rápido e difícil dos infectados quebrarem... –Disse me referindo ao caminhão.

Demoramos duas horas para conseguir sairmos daquele lugar, pois para conseguirmos gasolina, que poderia ser tirada de qualquer carro abandonado na rua, tínhamos que ter um galão e um pedaço de mangueira, e ainda tínhamos que fugir dos infectados que apareciam na nossa frente, foi sofrido, mas conseguimos. Enfim, estava tudo certo para nossa partida, e no momento em que Walter ligou o caminhão diretamente pelos fios, vários mortos correram em direção ao caminhão e começaram a bater nele e quebrar os vidros, que rachavam lentamente. O caminhão chegou até a balançar, e quase Walter o bateu quando levou um susto por um infectado ter rachado o vidro do seu lado. Mas conseguiu, atropelando e fazendo os infectados virarem um borrão vermelho, colocá-lo na estrada...

Subimos a serra e alguns infectados nos seguiam, mas eles desistiam logo quando o caminhão sumia pela estrada...

Após algum tempo, descemos do caminhão, e decidimos ir andando, pois estávamos perto de uma favela, e lá teria milhares de infectados... Enquanto andávamos, percebi que Walter estava diferente comigo, na verdade o seu normal, este era o meu verdadeiro amigo, não o outro idiota que tomava decisões precipitadamente. Ele até se ofereceu para limpar o sangue de minha faca, e eu aceitei...

Estávamos na serra, Walter e Luma caminhavam pela estrada que era rodeada por árvores, na minha frente. O tempo permitiu que o Sol nos esquentasse um pouco, mas não muito. Vi uma luz vindo em minha direção e me assustei, mas logo me permiti rir um pouco de mim, era o reflexo da minha faca que Walter a levantou, fazendo-a ficar em frente ao seu rosto, se eu forçasse minha visão, conseguiria ver meu reflexo, e também conseguia ver um vulto atrás de mim muito próximo. Era um infectado.

Meus movimentos foram rápidos e precisos, puxei minha arma de cano longo que estava na minha cintura, virei e apertei o gatilho, no que eu identifiquei ser, a cabeça do vulto. Após o grito da arma, o vulto caiu no chão, Walter e Luma grunhiram, e então chegaram perto de mim, que estava apavorado e confuso... Não era um infectado, era um Militar.

Notas finais
O gatilho pressionou a bala, que explodiu e voou para a face do homem que um dia salvara uma garotinha. Ali ele caiu sem vida, não aceitando sua hora que chegara. PRÓXIMO: CAPÍTULO 17 - UM HOMEM DE HONRA