Days Of Hell
11 Capítulo 11 - A Cabana
Notas iniciais
Não havia nenhum canto de pássaros, e aquelas árvores pareciam mortas... Petrificadas. O que estava acontecendo? Será que o vírus afetava a natureza? Desde que começou tudo isto, eu não vi mais nem pássaros nem qualquer outro animal cruzar meu caminho. Também... Eu nem reparei, pois tenho fugido com Lucca, este tempo todo...
Eu consegui manobrar o carro e esconde-lo entre as árvores. Mas a grande questão que nos perturbava, era: Será que eles escutaram?
– Eles parecem estar preocupados com outra coisa Walter... –Disse Lucca para mim, vigiando-os atrás de uma árvore.
– E agora?... Como passaremos? E Temos que sair daqui, os infectados ouviram o carro, tenho certeza... –Disse quase desistindo... Quase me entregando para os Militares.
– Vamos... Vamos arranjar um jeito. –Disse Lucca pensativo- Vamos pegar aquelas duas bolsas que achamos na Loja e colocar o máximo de suprimentos que pudermos! Vamos ter que ir andando entre as árvores para eles não nos verem!
– Mas... E os infectados? –Disse- Se nos encontrarem... Como vamos fugir?
– Não é a toa que pegamos estas armas e estas bombas! –Nunca tinha visto tanta determinação nos olhos de Lucca, isso eu invejava nele, ele tinha uma determinação, que eu jamais iria ter.
Fiz o que ele disse, peguei a bolsa dentro do carro e comecei a enchê-la de suprimentos, rapidamente, por medo dos infectados aparecerem de qualquer lugar, á qualquer instante.
Então, quando terminamos, adentramos entre as árvores, tentando não fazer barulho, como se não estivéssemos lá, como se não existíssemos. Estávamos chegando cada vez mais perto, porém do outro lado da estrada, de onde os Militares estavam, tínhamos que sair o mais depressa possível desta situação, a bomba estava a caminho, e cada segundo que demorávamos, estávamos mais perto da morte.
Podíamos ouvir as vozes roucas e medonhas dos Militares, eu até entendia o que diziam: “E nesta parte ela chorou hahahahahaha, mas foi muito gostoso!”.
Isto me chamou atenção, e apesar dos protestos silenciosos de Lucca, não o ouvi, e cheguei mais perto para espionar eles, quando...
– Sua mãe não lhe ensinou que é feio espionar? Moleque! –Um Militar me descobriu e me agarrou pela gola de minha camiseta, fiquei sem reação, mas depois fiquei inconsciente também, quando outro Militar veio ao encontro deste e me deu uma coronhada na cabeça... As árvores, os Militares, Lucca... Todos desapareceram e eu mergulhei na escuridão profunda.
Minhas pálpebras se abriam ás vezes e eu quase recuperava minha consciência, mas então, ela me deixava de novo. Eu me via sendo carregado... Via-me em volta de tanques de guerra... Me via entrando em uma cabana...
– Ei... Você... Você tá bem? –Eu abri os olhos e me sentei assustado no chão de terra, gelado, a tempo de ver a dona da voz, uma garotinha, correndo para o outro lado da cabana, para perto de uma menina, linda, mas seminua. Seu vestido, imundo de sangue e de terra, todo rasgado quase revelando suas partes intimas. Vi também dois velhos, um Senhor e uma Senhora, amarrados de costas um para o outro, estavam mais afundo da cabana não muito grande. Logo percebi que meus pés também estavam presos por uma corda em um nó.
Durante alguns minutos, fiquei olhando para eles, tentando entender a situação. Logo entendi, eles também estavam presos aqui... Mas o que será que fariam conosco? Porque a garota bonita estava seminua? Será que eles a...
Era horrível demais pensar, mas parecia que era a verdade, eles devem ter estuprado a pobre garota.
– V-Vocês estão presas aqui também? –Perguntei para sei lá quem... A garotinha me respondeu.
– Sim... Eles... Prenderam-nos aqui... Fizeram alguma coisa com eles, também! –Ela apontou para os velhos que agora percebi que estavam inconscientes, mas ainda respirando.
– E ela... –Disse acenando para a garota seminua, que me olhou assustada e com cara de choro...
– Ela... É minha amiga... Não sei o que fizeram com ela! –Disse a garotinha acanhada.
– O-O que vão fazer com a gente? –Perguntei para a garotinha... Fui idiota, será que ela sabia? Será que uma garotinha com, acho que, dez anos poderia me explicar a situação, além de eu desconfiar qual que seja? A resposta fria dela surpreendeu-me.
– Nos matar.
Δ
Eles pegaram Walter, e por pouco não me viram... O que faço agora? Como vou salvá-lo?
Quando estava espionando-os levá-lo para dentro da cabana, contei dez Militares... Acho que só havia isso lá.
Agora eu estava voltando correndo para o carro, não sabia o que fazer... Mas por sorte, Walter carregava a bolsa com suprimentos, e as armas...
Mas eu não estava pensando chegar lá feito louco atirando em tudo. Certamente morreria, mas, o que eu faria? Como o tiraria de lá? Será que se eu atraísse-os para outro lugar eu poderia entrar na cabana e salvá-lo sem ser visto?
Mas certamente se eu fizesse algo para eles ficarem curiosos e irem atrás, não iria todos, alguns ficariam vigiando, mas pelo menos seria mais fácil de conseguir salvá-lo.
E a bomba, ela vai explodir á qualquer minuto... Tenho que ser o mais rápido possível, ou junto com São Paulo, eu e Walter, seremos dizimados também.
Δ
Será que Lucca continuou sem mim? Será que ele tentará fazer algo para me salvar? E se conseguir? Não poderíamos deixar a garotinha nem os outros aqui também, teríamos de salvá-los juntos.
– Eu... Tenho um amigo que ficou lá fora... –Sussurrei para as garotas, com medo dos Militares ouvirem- Acho... Acho que ele tentará nos ajudar...
Após as palavras saírem da minha boca, a menina bonita, pela primeira vez olhou para mim, e pude ver que ainda havia esperança em seu olhar... Castanhos, e seus cabelos ondulados, também da mesma cor que os olhos. Ela era realmente linda.
Um Militar entrou com tudo na cabana, segurando uma metralhadora, mirou-a em um dos velhos, e estraçalhou-o com as balas. Eu gritaria se tivesse voz, mas não havia, não havia nem lágrimas, não havia nada. Olhei para as garotas que se encolheram e tamparam as orelhas com as mãos...
– O que você está pensando fazer Dhomini? Quer matar todos? Você se esqueceu do plano? –Gritou um Militar, entrando na cabana também, e segurando a mão do outro que mirava a metralhadora para mim...
– Eu não quero saber Tavarez! Vamos logo embora, seja de helicóptero ou de tanque de guerra, os infectados não poderão nos pegar lá dentro, e aqui eles aparecerão a qualquer instante!
– Eu dou as ordens aqui Dhomini, e eu já disse um monte de vezes que o local combinado para o helicóptero nos pegar é este, entre São Paulo e o Rio, se sairmos, aí que não nos encontrarão mesmo! –Disse Tavarez raivoso.
Algo naquela voz dava medo, dava um presságio estranho. Dhomini abaixou a cabeça e respondeu: “Sim Senhor! Desculpe-me” E saiu da cabana, Tavarez o olhou como se estivesse lutando contra seus demônios interiores, mas deixou o Militar passar por ele. E após dar risadinhas para mim, saiu da cabana em seguida.
Os restos do velho estavam ali, pude ver que a Senhor ainda estava viva pois respirava, mas não consegui ver se ela levou algum tiro também... Era uma cena horrível.
Está tudo acabado, vou morrer daqui a pouco... Lucca foi embora...
– Não chore... –Disse a garotinha para a menina bonita que ela abraçava fortemente. –Sabe... Quando eu estava triste, minha amiga cantava uma música linda para mim... É assim:
♪ Now is the time to start,
let all our fears aside,
we will be stronger, a case apart,
your sorrow is mine, your fear is mine. ♪
Era uma linda música mesmo, e um gesto muito maduro, porém inocente, da parte da garotinha... Logo a menina parou de chorar, e se recompôs.
– Qual o nome de vocês? –Tomei coragem e perguntei-
– Sou Diane... E ela é Luma... –Disse a garotinha.
Já tinha ouvido falar desses nomes em algum lugar, mas não sabia de onde...
– Eu sou Walter... O que houve com você... Luma?
– E-Eles...-Ela não olhou para mim- Me agrediram! –Deu de ombros a garota com a roupa rasgada-
Δ
Tem uma coisa que eu estou prestes a fazer... Mas estou apavorado... Se eu não fizer, podem matar a única pessoa que eu conheço neste mundo... Não tinha escolha. Não quero ficar só.
Eu decidi fazer isto após olhar para o rádio de Walter que esquecemos no banco de trás do carro, junto com outros mantimentos que deixamos para trás. Lembrei que ele pegou o radiozinho da sala do diretor da escola, depois lembrei que pegamos também mais coisas na delegacia, armas e granadas. Granadas.
Era isso que eu faria, vou explodir aqueles assassinos, e eles aprenderão que não devem matar pessoas inocentes. Mas isso me faria melhor que eles? Não sei.
Estou tão apavorado que nem percebi quando peguei as três granadas e me adentrei mais uma vez entre as árvores, chegando muito próximo deles... Tinham dez. Não estavam todos reunidos, mas com certeza com a bomba morreriam todos, minha sorte, é que estavam um pouco distantes da cabana, onde estaria Walter. Então, tirei o pino e joguei a primeira...
Δ
– Se meu amigo vier me salvar, levaremos você... Não vamos machucá-las! Estamos sozinhos também... Desde o início disto tudo!
– E-Eu acredito em você! –Disse Luma, me olhando suplicantemente.
Mas antes de um sorriso bobo atravessar meu rosto...
BUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!
Algo explodiu, fazendo o chão e a cabana tremer, me jogando para o lado das garotas que gemiam, e gritavam apavoradas...
Notas finais
PRÓXIMO: CAPÍTULO 12 - O ANJO DE FOGO
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