Daylight
11 Capítulo 10
Bella
Quando acordei naquela manhã de quinta-feira, certa de que seria apenas mais um dia normal na minha vida, não imaginei encontrar Irina em pé em frente a cama, com meu celular na mão.
Ela não estava olhando para a tela. Estava olhando para mim, como se tivesse ficado ali por algum tempo, me esperando.
— Bom dia. Você deixou no chão, fora do carregador. Eu ia carregar, mas acho que você deve explicações primeiro.
Demorei alguns segundos para responder. Ainda estava meio presa naquele espaço nebuloso entre o sono e a consciência, tentando encaixar tudo o que tinha acontecido na noite anterior para justificar aquele confronto logo cedo.
Eu lembrava de ter largado o celular no chão quando fui deitar, como se afastá-lo fosse uma forma infantil de fingir que nada mais viria dali. Não tinha vindo, pelo menos não até aquela hora.
Sentei na cama, sentindo o colchão afundar sob o meu peso. Ainda não tinha entendido onde ela queria chegar.
— Que tipo de explicação? — perguntei, a voz rouca, tentando ganhar tempo.
Irina ergueu o celular um pouco mais, não para mostrar a tela, mas para reforçar o ponto.
— Alguém te mandou mensagem de madrugada — disse. — E não parecia uma mensagem qualquer.
Senti o corpo todo gelar. Só podia ser uma mensagem de Edward e, mesmo que eu tivesse alterado o nome do contato, ele poderia ter dito qualquer coisa que nos denunciasse.
— Não parecia uma mensagem qualquer? O que você está dizendo?
Irina soltou uma risada curta, sem humor algum, e finalmente olhou para a tela do celular. Não demorou mais do que um segundo para voltar o olhar pra mim.
— “Você tinha razão. Perdemos o controle.” — leu em voz alta, dando ênfase em cada palavra. — Quer tentar de novo e me explicar que tipo de conversa é essa?
Antes que eu pudesse responder, Jake entrou no quarto, latindo alto. Irina revirou os olhos na mesma hora.
— Claro, seu guarda-costas pessoal também vai participar do assunto. Ele vai latir assim o dia inteiro? — perguntou.
— Ele sempre late de manhã e você sabe disso.
— Que seja, não mude de assunto. Quero saber do que se trata essa mensagem.
Meu coração batia tão forte que eu sentia a pulsação no pescoço. Pensei em mil respostas diferentes em frações de segundo e nenhuma parecia boa o suficiente, nenhuma parecia verdadeira sem abrir coisas que eu ainda não estava pronta para abrir.
— Não que seja da sua conta, mas é de um amigo — eu disse, sabendo exatamente o quão frágil aquilo soava. — Ele está passando por um momento difícil.
— Um amigo? — ela repetiu. — Que amigo é esse precisando falar com você na madrugada?
O latido veio de novo, mais alto. Irina suspirou fundo, como se o som estivesse fisicamente a empurrando para fora do controle.
— Você sabe o que mais me incomoda? — continuou, andando até a janela e abrindo a cortina. — Não é nem a mensagem em si, é esse clima de coisas não ditas. Sinto que estou sendo deixada no escuro.
— Você está exagerando — falei, antes de conseguir me impedir.
Ela se virou na hora.
— Você não pode me dizer o que eu estou fazendo, Bella — sua voz estava mais alta agora. — Eu acordei, seu celular estava no chão, com mensagem às quatro da manhã, e ainda tenho que ouvir esse cachorro latindo como se fosse o dono da casa.
— Ele é da casa — rebati, sentindo a irritação subir junto com o medo de ser descoberta. — Assim como eu e você.
Irina me encarou por alguns segundos, avaliando a resposta como quem mede o peso de algo antes de decidir se vale a pena carregar.
— Engraçado você dizer isso — disse, por fim, cruzando os braços. — Porque, quando algo faz parte da casa, geralmente nós cuidamos. Você não ignora quando uma planta começa a apodrecer.
A palavra ficou suspensa no ar, pesada demais para aquela hora da manhã.
— Não tem nada apodrecendo aqui — respondi, mais defensiva do que gostaria. — Você está criando um problema maior do que é.
— Ou você está minimizando porque é mais confortável — rebateu, num tom quase calmo demais. — Eu só estou tentando entender onde eu entro nisso tudo. Ou melhor, se entro.
O latido de Jake voltou, curto e irritado, como se reagisse ao tom dela. Irina lançou um olhar atravessado para o cachorro antes de voltar para mim.
— Se você estivesse no meu lugar, também se sentiria assim — continuou. — Acordar e perceber que a pessoa com quem você divide a vida tem conversas que não te incluem. Conversas íntimas.
— Você está forçando essa narrativa — falei. — É só uma mensagem, não tem nada de mais nisso.
— Então me explique, por favor — insistiu. — Porque, até agora, tudo o que eu ouvi foram respostas vagas.
O silêncio começou a me sufocar. Qualquer verdade que eu dissesse ali abriria portas que eu não tinha como fechar depois. E eu sabia disso com uma clareza incômoda.
Respirei fundo.
— A mensagem é do Emmett.
Irina piscou, surpresa — só por um segundo.
— Emmett? — repetiu. — Aquele Emmett?
Assenti, tentando manter a expressão neutra.
— Ele me mandou mensagem porque está tendo problemas com a Rose — continuei, escolhendo cada palavra como quem pisa em terreno instável. — Eles brigaram por causa da filha outra vez, Emmett estava bêbado, exagerou, disse coisas que não devia. Depois se arrependeu.
Não era exatamente mentira, ele realmente tinha feito tudo aquilo. Só não era a verdade inteira, porque não era sobre isso que as mensagens se tratavam.
Irina inclinou a cabeça, observando meu rosto com atenção excessiva, procurando alguma evidência da mentira. Talvez ela tivesse esquecido que eu sou atriz. E atriz premiada.
— Emmett — repetiu, com uma calma estudada. — Curioso.
Não desviei o olhar. Não pisquei rápido demais. Não corrigi o tom da voz. Uma vida inteira de set servia para isso também.
— Curioso por quê?
— Porque ele nunca foi exatamente… seu melhor amigo — disse.
Segurei um sorriso pequeno, quase indulgente. O tipo de expressão que não confronta.
— Isso não é verdade — respondi, com naturalidade. — O Emmett sempre foi meu amigo também. Muito antes de qualquer drama.
— Um amigo bem conveniente — ela rebateu. — Um pé em cada lado. Gente assim sempre sabe demais, não acha?
— Ou só se recusa a escolher lados — retruquei. — Nem tudo precisa virar um campo de batalha.
Jake se mexeu atrás de mim, arranhando o chão. Irina lançou um olhar rápido, impaciente, mas voltou a atenção para mim.
— Você realmente espera que eu acredite que ele acordou às quatro da manhã, brigado com a esposa, e decidiu que você era a pessoa certa para desabafar?
Inclinei levemente os ombros.
— Não foi um desabafo, só uma mensagem — pausa mínima. — E ele sabe que eu sou discreta, é para isso que servem os amigos.
Não era arrogância, era só uma constatação. Irina estreitou os olhos.
— Discreta ou cúmplice?
— Isso é injusto, você está insinuando de novo.
— Estou sendo cautelosa — corrigiu. — Porque o Emmett nunca foi só um amigo. Ele sempre foi um elo entre você e seu ex. E você sabe disso.
Claro que eu sabia. E justamente por isso não me alterei.
— O meu ex não entrou nessa conversa — falei, com firmeza suficiente pra não soar defensiva. — Você está trazendo ele para a pauta porque é mais fácil do que aceitar que nem tudo gira ao seu redor e que eu tenho uma vida fora dessa casa.
O latido de Jake ecoou de novo, mais alto. Irina respirou fundo, como se estivesse sendo testada.
— Eu não gosto do Emmett e você sabe disso — disse, sem rodeios. — Nunca gostei, porque ele sempre protegeu vocês dois.
— Ele protege as pessoas que gosta — respondi. — Talvez você devesse tentar.
Irina me encarou como se tivesse levado um tapa.
— Não ouse inverter a situação, Isabella.
— Eu não estou invertendo nada — respondi, ainda sem subir o tom. — Só estou dizendo que você está escolhendo enxergar uma ameaça onde não há nada.
Jake latiu de novo, mais curto, quase impaciente. Irina fechou os olhos por um segundo, inspirando fundo, e quando tornou a falar, o tom tinha mudado.
— Você sabe o que me assusta? — disse. — Não é o Emmett, nem o seu ex. É o quão fácil isso soa para você. Eu sei que alguma coisa na sua história não faz sentido, só não consegui identificar o que é.
Senti o golpe, mas não deixei transparecer.
— Talvez porque você esteja me interrogando como se eu estivesse sendo acusada de algo — falei. — Enquanto eu respondo sem hesitar.
— Respostas treinadas — ela corrigiu. — Você é atriz, Bella. Faz parte do seu trabalho convencer as pessoas.
A acusação ficou suspensa no ar.
— Se você acha que eu estou atuando, então já decidiu no que acreditar — respondi, tentando igualar ao tom dela. — E nenhuma explicação vai ser suficiente.
Irina riu, mas não havia humor nenhum no som. Era curto, tenso, quase um aviso.
— Engraçado você dizer isso — falou. — Porque, para mim, parece exatamente o contrário. Parece que você está escolhendo o que eu devo acreditar.
Jake latiu de novo, agora mais alto, e o som pareceu atravessar o quarto. Irina levou a mão à cabeça, apertando as têmporas.
— Dá pra você calar a boca? — explodiu. — É impossível conversar assim!
— Ele está latindo porque você está gritando — respondi, sentindo a paciência se esgotar. — Não ajuda.
— Eu já acordei com uma discussão, uma mentira mal contada e esse barulho infernal desse cachorro — ela retrucou, a voz falhando pela primeira vez.
— Uma discussão que você causou! Eu mal abri os olhos e você está jogando inseguranças em cima de mim e me cobrando por coisas inventadas na sua cabeça! E, sinceramente, Irina, se está tão ruim assim, você pode ir embora! — disse, antes de conseguir me conter. A frase saiu firme demais para ser retirada.
O silêncio caiu pesado, quase físico. Jake parou de latir e Irina me encarou como se não tivesse entendido direito.
— O quê?
— Você ouviu — continuei, sentindo o coração disparar, mas sem recuar. — Se ficar aqui é tão difícil, se tudo o que eu faço parece errado, você pode ir embora. Eu não estou te segurando.
Ela deu um passo na minha direção.
— Você está me expulsando?
— Não — respondi. — Estou cansada de ser colocada contra a parede toda vez que você decide desconfiar de mim, então estou te dando a opção de ir.
Irina balançou a cabeça, incrédula.
— Isso é inacreditável — disse.
Jake soltou um gemido baixo e se aproximou de mim. Passei a mão na cabeça dele quase por reflexo, como se precisasse de algo estável naquele momento.
— Você percebe o que está dizendo? — Irina continuou, a voz agora mais alta, descontrolada. — Você está me mostrando exatamente o quanto eu sou descartável.
— Não é sobre descartar — falei, sentindo a garganta apertar. — É sobre limites. E você passou de vários hoje.
Ela respirava rápido, o peito subindo e descendo visivelmente.
— Eu vou sair — disse, a mão tremendo ao girar a maçaneta do quarto. — Não porque você mandou. Mas porque quero te dar espaço para pensar se é isso mesmo que quer.
A porta bateu com força, seguida pela porta da frente. Jake voltou a latir, confuso, e dessa vez eu não disse nada. Só fiquei ali, parada, sentindo o peso da frase dela se acomodar em algum lugar fundo demais para ser ignorado. Era o que eu queria?
A pergunta ficou reverberando, sem resposta imediata.
Era fácil pensar que sim. Fácil demais. Pensar no alívio imediato, no silêncio depois da porta batendo, na casa voltando a um estado quase neutro. Mas o silêncio nunca vinha sozinho. Sempre trazia consigo tudo o que eu tinha empurrado pra debaixo do tapete.
Sentei na beira da cama devagar, sentindo as pernas falharem um pouco agora que a adrenalina começava a baixar. O quarto parecia maior sem ela, mais claro, quase demais. A luz da manhã entrava pelas cortinas abertas iluminando coisas que eu preferia manter na sombra.
Eu não tinha mandado Irina embora para sempre, mas também não tinha pedido que ela ficasse. E isso dizia muita coisa.
Peguei o celular de volta. A tela ainda estava apagada, mas eu sabia exatamente o que encontraria ali se desbloqueasse. Não a mensagem em si — aquela já tinha cumprido seu papel — mas o rastro dela. O que tinha colocado em movimento.
“Dar espaço”, ela disse. Espaço sempre soava como algo generoso. Mas também podia ser uma forma elegante de se afastar e sair por cima. A segunda opção era mais a cara da minha esposa.
Jake parou de latir e deitou aos meus pés, soltando um suspiro longo, quase humano. Aquilo me quebrou um pouco. Inclinei o corpo para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, o rosto nas mãos.
Eu tinha falado em limites. Tinha usado a palavra como se ela fosse uma defesa clara, organizada. Mas a verdade era menos nobre. Levantei, caminhei até a janela, olhei para a frente da casa esperando, contra toda lógica, ver o carro dela ainda parado ali. Não estava. Talvez não fosse isso que eu queria. Mas foi o que consegui.
Ainda era manhã e eu já estava estressada. Decidi encher a banheira e aproveitar aquele momento sozinha. Enquanto a água esquentava, tirei o pijama e me encarei, nua, no espelho de corpo todo do banheiro: olheiras suaves, cabelo bagunçado, o corpo de uma mulher de trinta e dois anos que trabalhava demais e se amava de menos. Não era um corpo feio, mas estava cansado, como eu.
Entrei na água devagar, sentindo um abraço que fez meus músculos relaxarem pela primeira vez naquela manhã. A briga com Irina ainda ecoava na minha mente.
Afundei mais um pouco na água, até que o calor tocasse a base do meu queixo. Era para ser um refúgio. Silêncio, isolamento. Um intervalo entre o que tinha sido dito e o que ainda precisava ser enfrentado, mas minha cabeça não desligava e as palavras de Irina voltavam como um eco.
Descartável.
Eu nunca quis que ela se sentisse assim. Nunca quis ser esse tipo de pessoa. E, ainda assim, ali estava eu: nua numa banheira, pensando em outro homem enquanto minha esposa saía de casa para “dar espaço”. Fechei os olhos.
A ideia de separação vinha com uma estranha mistura de alívio e pânico. Alívio porque eu não teria mais que medir cada notificação, cada silêncio, cada desculpa. Pânico porque separar, na minha vida, não era só isso, era um evento público.
Meu nome estava em contratos. Minha imagem era vendida como um símbolo de maturidade e crescimento. Irina sabia disso melhor do que ninguém.
Ela sabia dos bastidores. Sabia das campanhas negociadas em jantares privados. Sabia das festas onde eu tinha exagerado e precisado de ajuda para manter a postura. Sabia do quanto eu fumava quando achava que ninguém estava olhando.
Se ela resolvesse falar — insinuar traição, instabilidade, qualquer coisa — eu perderia mais do que um relacionamento. Eu perderia o controle da narrativa. E no meu mundo, o controle era quase tudo.
A água começou a esfriar, mas eu não me mexi.
E havia outra pergunta, mais difícil de encarar: e se eu arriscasse tudo… e Edward não arriscasse comigo? Eu estava pronta para destruir meu casamento por alguém que talvez ainda estivesse tentando decidir se me queria fora da sombra? Eu conseguiria viver sendo a parte escondida da história dele?
A amante.
A palavra escorregou pela minha mente com um gosto amargo.
Eu conseguiria aceitar encontros em horários estratégicos, hotéis discretos, despedidas antes do amanhecer? Conseguiria sorrir em eventos públicos ao lado da minha esposa enquanto ele estivesse em outro canto da cidade, vivendo uma vida que eu não poderia ocupar oficialmente?
Meu peito apertou.
Talvez o mais honesto fosse terminar tudo agora. Dizer que estávamos confundindo carência com amor antigo e que era melhor parar. Seria uma decisão segura.
Mas segurança era o que eu tinha escolhido dez anos atrás.
E eu ainda pensava nele.
O que eu queria? Não o que era mais prudente ou que causaria menos dano. O que eu queria.
Eu queria parar de mentir.
A constatação veio clara, quase brutal.
Eu não queria continuar casada enquanto desejava outro homem. Não queria continuar falando com ele como se fosse só amizade. Não queria mais viver no meio, nesse território covarde onde ninguém assume nada, mas sente tudo.
Se eu fosse encontrá-lo, não poderia ser para repetir o padrão. Continuar dividida estava me corroendo de dentro para fora.
Abri os olhos e encarei o espelho embaçado pelo vapor. Separar significava enfrentar o caos. Ficar significava anestesia. Arriscar com Edward significava incerteza. Parar com Edward significava luto. Não havia opção indolor.
A pergunta deixou de ser “vale a pena?” e passou a ser “eu aguento viver sem tentar?” E essa resposta veio mais rápido do que eu gostaria.
Não. Eu podia perder a reputação, podia enfrentar as fofocas, podia encarar tudo que viria com o fim de um casamento, mas não queria, daqui outros dez anos, estar deitada em outra banheira perguntando a mim mesma o que teria acontecido se eu tivesse sido honesta.
Levantei, sentindo o arrepio percorrer meu corpo. O descanso tinha se transformado em decisão, e não era impulsiva. Se eu encontrasse Edward, seria para colocar luz. Para entender se havia algo real ali — algo que sobrevivesse fora do segredo.
Voltei para o quarto, peguei o celular e dessa vez desbloqueei a tela. O contato com nome “E” ainda estava ali, inofensivo, funcional. Uma mentira bem vestida.
Hesitei antes de abrir a conversa. Porque, em algum lugar muito lúcido dentro de mim, eu sabia que o problema nunca tinha sido a mensagem. Tinha sido o quanto eu estava disposta a mentir para defendê-la, para guardar o que era verdade para mim.
Em um impulso, digitei as palavras que poderiam selar meu destino.
De: Bella Swan
Você precisa de ajuda?
A resposta não veio antes do fim da tarde. E eu ainda estava sozinha em casa quando o celular vibrou.
De: E.
Preciso de uma boa conversa. Você se importa?
Suspirei. Eu me importava? Eu conseguia ter apenas uma conversa com Edward, depois de tudo que aconteceu na manhã de hoje?
De: Bella Swan
Acho que posso lidar com isso.
Quer me encontrar no apartamento?
Por favor, diga que sim.
De: E.
Tudo bem se eu levar a Emerald comigo? Ela teve febre à noite e a mãe está trancada no quarto, não posso deixá-la.
Revirei os olhos e digitei um óbvio rapidamente, já me preparando para sair. Troquei de roupa, tentei prender o cabelo de uma forma que não parecesse arrumado demais, nem de menos, peguei a guia e levei Jake até o carro.
Eu tinha cruzado todas as linhas, e não ia voltar atrás.
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