Daylight

41 Visita inesperada


Notas iniciais
Olá moranguinhos e tomatinhos, tudo bem com vocês? Desejo que esteja tudo nos conformes :D Sei que demorei com esse cap, acreditem eu tentei fazer o mais rápido que pude, mas foi um capítulo delicado, intenso, muito bonito e o mais tenso pra mim (vocês entenderão ao decorrer da leitura). Eu espero que vocês gostem! Obrigada pelo carinho de sempre, vocês são fodas num nível inexplicável. Cada leitura, comentário, favorito e recomendação é um pedacinho de amor e gratidão! Obrigada por isso :D Quero agradecer a minha beta @Mrs_Takasu pela correção do cap e gostaria muito de agradecer a minha amiga de cano e leitora @LilyLirios pelo carinho, pelas palavras, pela força e por ter me incentivado tanto... Continue a nadar ♥ No mais, um excelente leitura! Beijos de morango e tomate :**

É tão particular o meu encontro quando é com você
O meu sorriso quando tem o teu pra acompanhar
As minhas histórias quando você para pra escutar
A minha vida quando tenho alguém pra chamar
De vida

(Singular — Anavitória)

Por Sakura

Sabe quando seu peito tá apertado e seu coração está tão miudinho do tamanho de uma ervilha?

Pois é. Este é o estado do meu coração.

Confusão, saudade, raiva, amor... Parecia o enredo de escola de samba no meu peito.

Desde aquela catástrofe no aniversário de Itachi, que Sasuke e eu não nos falamos, quer dizer, ele disse um “oi” pra mim no WhatsApp, mas eu respondi tão rápido e nem estendi o assunto para não cair na "armadilha Uchiha Sasuke”, o garanhão do sorriso torto.

Eu ainda estava chateada, muito chateada, com tudo o que aconteceu.

Daqui a uma semana eu estarei em Konoha e não sei bem como agir quando chegar lá.

Na verdade, eu preciso arranjar logo uma solução. Não dá pra ficar empurrando do jeito que está.

Durante esse tempo sem conversar com Sasuke eu me afundei em trabalho. Nossa, nunca fiquei tanto tempo naquele hospital.

Passei tanto tempo lá que "ganhei" uma folga por compulsória, ou era folga ou era folga. Eu não tinha opção de escolha. O chefe da emergência, Dr. Hidan, não queria me ver nem pintada de rosa depois de hoje.

Olha que irônico, meu cabelo é rosa.

Nossa Sakura, o que você tá fazendo? O que você tá falando?

Isso é falta de uma boa noite de sono.

Quando eu chegar em casa a primeira coisa que irei fazer é tomar um banho quentinho, colocar um par de meias de elfo doméstico livre, um moletom de flanela velhinho, e partiu cama.

(...)

Sabe aquela história de banho, meia de elfo doméstico livre, moletom de flanela velho e cama?

Pois bem, a primeira, a segunda e a terceira etapas foram concluídas com sucesso, mas a parte do partiu cama não rolou.

Eu estava sem sono e numa tentativa falha de alcança-lo levei meus travesseiros e o cobertor para sala. A ideia era assistir alguma coisa na Netflix até o sono chegar.

Pensei em colocar uma romance água com açúcar, mas aí é pra foder meu psicológico.

Então, não!

Terror nem fodendo! Tenho medo mesmo, me julguem!

Suspense também não. Meu coração já está bem fodido, portanto nada de susto ou psicopata maluco.

Optei por um filme de super-herói. Eu amo na verdade, mas tem algumas adaptações que só os anjos mais puros do Senhor para ter misericórdia.

Escolhi o primeiro filme de Thor. Beleza que o cara é um deus – literalmente – grego (nórdico na verdade), mas esse cabelo como mais laquê que tudo e um roteiro que eu fico me perguntando onde está até hoje, poderia me ajudar a dormir.

E deu certo... Porque eu não sabia se eu atravessava a ponte do arco-íris ou o Thor atravessava.

Mas tem dia que Deus está inspirado e tem algum filho da puta metendo o dedo na minha campainha de forma escrota.

Se for o filho do casal aqui do lado. Ah, aquela peste me paga!

Dei um pulo do sofá, podia sentir a baba escorrendo quente no canto direito na minha boca e me sentia o próprio Dragão cuspindo fogo.

— MAIS QUE CARALHOS! QUEM É O FILHO DA PUTA ESCROTO QUE NÃO TEM A PORRA DE UM PINGO DE EDUCAÇÃO PRA APERTAR UM BOTÃO? CACETE!

Antes de alcançar a porta e assassinar quem quer que estivesse do outro lado, eu meti o dedo mindinho na mesinha lateral.

— AH VÁ PRA CASA DO CARALHO! ESSA PORRA SÓ SERVE PRA BATER NAS COISAS! – senti uma lágrima solitária descer e respirei fundo. Peguei o controle remoto no chão, mas antes se encontrava na mesa lateral até meu dedo esbarrar naquela merda e coloquei na mesa outras vez.

Cheguei na porta e suspirei na tentativa – falha – de me acalmar.

Não funcionou!

Puxei a correntinha da trava da porta e girei a chave, já me preparando para soltar os fogos no indivíduo. A pessoa fica assistindo muito Game of Throne e está se achando os próprios dragões da Khaleesi.

Melhore, Sakura!

Só melhore!

— Mas que caralho, quem ousa bater na porra da minha por-... – Puta que pariu, não pode ser. Meus olhos estão me enganando com certeza. – Sasuke?!

MINHA NOSSA!

SOCORRO!

O QUE ESSE HOMEM ESTÁ FAZENDO NA PORTA DA MINHA CASA?

— Oi. – sua voz era um tanto temerosa, mas não menos sedutora. – Senti sua falta! – disse num repuxar de lado formando aquele sorriso que eu amo.

Eu estava atônita e Sasuke ansioso por uma reação da minha parte, mas definitivamente eu não sabia o que fazer.

Acho que eu não conseguia nem compreender a imagem de Sasuke na minha frente.

Parece tudo tão irreal.

Eu não estava preparada... Já tinha pensando mil vezes em como seria quando nos víssemos outra vez, depois daquele fatídico evento que não gosto nem de lembrar.

Repassei mil vezes a conversa em minha mente, claro que eu sempre tinha razão e esperava que ele seguisse meu roteiro, mas não. Ele aparece na porta da minha casa.

Mas como?

—Sakura... – ouvi Sasuke sussurrar baixinho me despertando do meu momento de entender que porra que estava acontecendo ali.

— Como você sabe o meu endereço? – nossa, bela pergunta de merda. Foi um ato desesperado como vocês podem notar. – O que você está fazendo aqui?

É...

Talvez...

Só talvez, eu estivesse um pouco – muito – histérica.

A julgar pelas feições de Sasuke, ele não esperava por tal reação da minha parte.

Minha nossa, como eu estava com saudades dele.

Mas eu também estava chateada, não tanto quanto antes, mas estava.

Minha cabeça era um misto de confusão, juntamente com meu coração que batia descompensado diante de tal aparição.

Ouvi um suspiro alto escapar dos seus lábios, enquanto ele abria os olhos me focalizando outra vez.

Se eu não sentisse meus pés na meia quentinha, podia jurar que tinha me perdido naquela escuridão que esbanjava o seu olhar.

A expressão de Sasuke era de alguém cansado. Parecíamos o reflexo um do outro, a energia que emanava dele era a mesma que emanava de mim, mas num lampejo em seu olhar, o cansaço passou à determinação e eu senti um frio percorrer pela minha espinha.

Ele finalmente viera.

Ele finalmente estava pronto para ouvir sobre esse hiato de nove anos em que estivemos afastados.

A coragem que eu tanto queria que ele tivesse, e finalmente estava ali diante dos meus olhos.

— Sasori me deu seu endereço. – sua voz rouca me trouxe a realidade quando ele respondeu minha pergunta de segundos atrás.

Mas espera aí...

Eu ouvi Sasori ou foi impressão minha?

— Como assim Sasori? – indaguei curiosa e talvez um tanto espantada.

— Sim, Sasori. – e mais uma vez o cansaço se abatia a sua voz. – Ele me deu seu endereço para que pudéssemos conversar. Eu pedi a ele com essa finalidade, na verdade. Eu não iria conseguir esperar por mais uma semana, Sakura. Essa situação está ficando insuportável pra mim. Será que a gente poderia conversar?

As palavras de Sasuke me atingiram em cheio. O desespero e o medo em sua voz eram palpáveis. E eu me senti mal por ter culpa naquilo.

— C-claro. – gaguejei, ainda arrebatada pela força das suas palavras.

Dei passagem permitindo a sua entrada. Sasuke observava meu apartamento não deixando passar um detalhe diante dos seus olhos. Seu olhar se fixou no bolo de edredom e travesseiros que se encontrava no meu sofá. Ele deixou uma risada anasalada escapar e eu revirei meus olhos diante de tal ato.

— Você continua bagunceira como sempre. – ele disse virando pra mim e ajeitando sua mala, que só agora eu a notei, ao lado da mesa de centro. Demorei meu olhar sobre ela e ele pareceu entender a pergunta muda que eu carregava. – Vou passar essa semana em Tóquio. Tenho mais um recall para coordenar na fábrica daqui.

— Hum... – foi só o que eu disse até o silêncio se abater sobre nós dois.

Minha cabeça maquinava e a de Sasuke não parecia diferente. Nós dois perdidos por não sabermos por onde começar.

Era tudo ou nada ali.

Suspirei tomando coragem, o mais difícil ele já tinha feito que era ter vindo até aqui. Eu tinha de fazer a minha parte também.

— Senta, Sasuke. – falei um tanto mecânica enquanto tirava o edredom e os travesseiros do sofá. – Fica à vontade. Eu vou levar isso aqui – apontei com o queixo para o embrulho em mãos – até o quarto e já volto.

Joguei tudo na cama, enxuguei minhas mãos que insistiam em suar no casaco, respirei fundo e voltei para a minha sala que parecia tão pequena agora.

— Você estava assistindo Thor? – indagou Sasuke e eu apenas assenti enquanto me sentava ao seu lado – numa distância confortável – no sofá. – Esse filme é um lixo.

— Foi justamente por isso. – comentei divertida na tentativa de quebrar o gelo. – Cheguei do plantão, mas estava sem sono e esse filme tem um roteiro tão ruim que nem o Chris Hemsworth aparecendo sem camisa me deixaria acordada.

— Hm. – ele se segurou pra não revirar os olhos, o que foi até engraçado vindo dele.

Ficamos em silêncio absoluto por mais alguns segundos.

Sasuke massageava suas mãos, num claro sinal de nervosismo e eu não estava tão diferente, mas não me expunha como ele.

— Bem... – começou nervoso e focalizou seu olhar em mim. Fechou os olhos e voltou a me encarar, suspirando baixinho dessa vez. – Primeiramente, eu gostaria de pedir desculpas pelo meu comportamento infantil no dia do aniversário de Itachi...

— Não é a mim que você deve desculpas. – não tinha intenção de interrompê-lo, mas quando dei por mim as palavras pulavam da minha boca. – Você deve desculpas a Sas...

— Eu sei. – foi sua vez em atravessar a fala. – Eu devo desculpas a Sasori. Na verdade, eu já o fiz e por isso eu estou aqui.

— Como assim? – indaguei dando um pulo do sofá. – Sasori não falou nada disso comigo. Por que ele esconderia isso de mim?

— Porque eu pedi.

— Como assim você pediu? – eu não entendia nada. – Uma hora você trata ele mal e agora estão de segredinhos, mas que porra é essa?

— Se você me deixar falar vai ser mais fácil pra te explicar. Será que você poderia se acalmar e me escutar?

— Eu estou calma. – só que não. Eu admito. – Pode falar. – disse por fim, me sentando ao seu lado outra vez.

— Como eu ia dizendo, primeiramente eu gostaria de pedir desculpas pelo meu comportamento infantil na festa de Itachi. No dia seguinte, eu te expliquei porque impliquei com você e Sasori, e isso acabou resultando em você mais chateada ainda. Eu reconheço que você tem razão, mas também lhe peço que veja que não é tão simples assim pra mim.

— Sasuke... – comecei, mas ele logo me interrompeu.

— Eu sei, eu sei. Minha insegurança, meu medo e meu ciúmes falaram mais alto que a minha racionalidade e eu coloquei a culpa nesses nove anos. Eu sei de tudo isso. – sua voz era calma, mas cansada. Ele parecia ter repetido esse discurso para si várias vezes. – Não foi fácil pra mim, engolir o meu orgulho e reconhecer isso. Mas meu orgulho se agarrava ao medo de te perder, e era justamente esse caminho que eu estava tomando.

“Eu fique perdido por dias, Sakura. E eu não me refiro só a essa semana não. – a voz de Sasuke embargava e eu sentia meu coração apertar. – Quando você terminou comigo doeu, mas nada comparado a sua ausência. Quando eu descobri que você foi embora eu me perdi, me perdi e muitas vezes não sabia como me encontrar. Acreditei por muito tempo que você voltaria e me traria de volta também. Mas não aconteceu. ”

“Com meu jeito torto, eu decidi seguir o meu caminho. Eu tinha de fazer alguma hora. Resolvi apagar você da minha vida, e mesmo assim, quando você surgia na minha mente eu tratava de trazer uma lembrança ruim e com isso alimentar um ódio contra você. ”

As palavras de Sasuke me golpeavam com força, meu coração apertava e minhas entranhas se reviravam freneticamente. Eu sentia o gosto salgado das lágrimas nos meus lábios.

Sasuke tinha a voz embargada e de vez em quando uma lágrima solitária escorria de alguns dos seus olhos. Não estava sendo nada fácil pra ele se expor e expor seus sentimentos de uma forma tão transparente pra mim.

“Por mais que eu alimentasse um ódio contra você, eu tinha esperanças de que voltasse. Quando tinha algum evento importante, como os casamentos dos nossos amigos, eu sempre esperava que você voltasse, mas você nunca veio. O coração é tão estúpido, que por mais que apanhe não para de bater. – sorriu sem emoção e limpou uma lágrima antes que escorresse. – Minhas esperanças morreram quando você não compareceu ao casamento de Ino e Sai. Além de ser sua melhor amiga, era a única que iria te visitar em Tóquio. Mas você não apareceu, outra vez. ”

“Foi ali que eu joguei a toalha, foi ali que eu me dei conta de que você nunca voltaria. Foi insuportável. A dor era insuportável, Sakura. Eu descobri que a única saída para mim, era ir embora de Konoha. Se eu fosse na esquina, eu me lembrava de você. Alimentar nossas lembranças com sentimentos ruins não estava me fazendo bem. Chegando a essa conclusão, resolvi me aprofundar nos estudos e no estágio. Tinha projetos de morar na Alemanha, mas antes que eu concretizasse tal façanha o mestrado nos Estados Unidos surgiu e eu me agarrei a ele como quem se agarra a vida, mesmo que eu tivesse de esperar por mais um ano para ir. ”

“O período que eu morei nos Estados Unidos foi o que menos pensei em você. Acabei conhecendo muita gente, viajei pela América do Norte, estudei, fui pra shows, curti algumas mulheres e no final, achei que estivesse curado e você não me afetaria mais. Antes de viajar para os Estados Unidos, meus professores já tinham me dito que eu seria um excelente professor e com o mestrado facilitaria para mim, ainda mais. Na época, eu não quis considerar, mas por fim fui tomando gosto quando tinha oportunidade de lecionar de alguma forma durante o período do mestrado. ”

“Como achei que estivesse curado de você, ou melhor, curado da sua ausência e juntando isso com a vontade de lecionar, eu optei por voltar. Coincidentemente, o casamento de Naruto e Hinata acabou chocando com o fim do meu mestrado, mas como você já sabe, dei um jeito de voltar mais cedo. – sorriu um tanto saudoso pois seus olhos desfocaram por segundos e depois fitaram os meus outra vez. – Quando Naruto me confirmou que você não viria, eu me senti aliviado e pela primeira vez a sua ausência não tinha me doído. Eu já estava conformado, admito que até animado e aquele sentimento me pareceu satisfatório. Eu estava no comando. – riu amargo diante de tal afirmação. – Ledo engano, este meu. ”

“Quando eu cheguei em Konoha, algo me dizia que eu teria surpresas, mas como sempre fui tão cético preferi deixar pra lá. Quando encontrei Itachi, achei meu irmão meio suspeito, mas talvez fosse apenas pela saudade. – Sasuke estava numa roda gigante de emoções. Suas feições ora eram alegres, ora eram tristes. Agora ele sorria mesmo que minimamente. – Cheguei no centro comunitário de Konoha e fui arrebatado pelas lembranças mais uma vez, mas me mantive firme. Não queria admitir que estava perdido ou tinha um mínimo de esperança. Teimoso, que sou fui até a nossa árvore. – dessa vez ele focou seus olhos em mim e sorriu outra vez. Não pude deixar de sentir um liquidificador no lugar do meu estômago, tamanha era beleza do seu sorriso e do seu olhar direcionado a mim. ”

“Pode parecer loucura, mas eu senti o seu perfume por ali. Na hora eu achei que fosse uma espécie de cheiro imaginário. – acabei rindo diante da sua revelação e vi as bochechas de Sasuke adquirirem uma coloração vermelha. Achei fofo, mas é melhor não comentar. – Cheguei até o local em que Naruto estava, e notei que meu amigo estava estranho, mas achei que fosse por conta do casamento. Porém, naquele mesmo dia, alguns minutos depois eu dei de cara com você. Tudo que eu sempre quis anos atrás, mas não naquele momento. ”

Sasuke parou de falar e o silêncio tomou conta do meu apartamento uma outra vez. Eu sabia e sentia o quão difícil aquilo estava sendo para ele. Reviver certos momentos pela visão de outro alguém não é uma coisa fácil de se fazer.

Era difícil saber que o cara que eu amo, alimentou ódio por mim durante todos os esses anos. Eu sei que fiz por onde, mas também não sei se conseguiria alimentar qualquer tipo de sentimento negativo por ele.

Durante aquele tempo, eu só queria não lembrar dele, afastava as lembranças pra não me alimentar de culpa. De fato, eu estava fugindo da minha própria realidade e do meu ato de ir embora de Konoha às escondidas.

São nessas circunstâncias que observamos a singularidade de cada ser humano, de como cada pessoa lida com determinados fatos.

Eu jamais julgaria Sasuke, por mais que ficasse triste com a forma que ele quis me afastar dos seus pensamentos e anseios. Somos todos humanos que carregam suas dores, amores e cicatrizes por onde quer que a gente vá.

— Foi um choque te ver ali, na minha frente. Acredito que pra você tenha sido o mesmo. – apenas assenti e ele continuou. – Eu queria gritar e ao mesmo nem olhar pra você, queria te abraçar e ao mesmo tempo te sacudir. Mas como sempre, você estava impassível, apesar das circunstâncias e eu não queria e nem daria o braço a torcer. Nosso orgulho e teimosia era o que parecia nos restar naquele momento.

— Eu sei. – falei num sussurro e Sasuke sorriu.

— Mas aquele dia tudo parecia e não parecia conspirar ao nosso favor. Você estava linda, pra começar e ainda era o casamento do nosso melhor amigo. Mantivemos a compostura, mas por dentro, ainda continuava aquele misto de confusões. Entramos juntos no altar, dançamos juntos, trocamos indiretas em nossos discursos de padrinhos, nos evitamos no decorrer do casamento, nos encontramos ao final e acabamos numa mesma cama sem roupa alguma.

— Foi bom. – eu disse sapeca e Sasuke riu.

— Foi ótimo. Hoje eu não me arrependo, mas na época sim. – e mais uma vez a felicidade se dissipou. – Aquilo me deixou ainda mais confuso do que eu já estava. Me senti fraco e acabei proferindo todas aquelas palavras a você.

— No fundo, eu mereci Sasuke.

— Sim... e não. Mas agora não podemos mudar isso. Desde a sua volta tudo ficou muito estranho. Era uma briga interna comigo mesmo, um lado que amou por você ter voltado e outro odiado. Ter cedido aos seus encantos não facilitou pra mim.

— Desculpa?! Eu acho!

— Não por isso. – e um puxar de lábios se fez presente. – Muita gente conversou comigo, principalmente meu irmão. Ele me disse coisas duras, mas confesso que também foram necessárias. E na minha cabeça, ainda muito confusa, eu resolvi te procurar pra colocarmos tudo em pratos limpos e foi aí que Sasori surgiu. No dia que eu achei que íamos nos entender, eu vi você e ele na frente do restaurante, num comportamento íntimo.

“ Eu fiquei sem chão, foi como se eu tivesse te perdido outra vez. Não pra uma fuga, mas pra um outro alguém. Eu fiquei puto, muito puto até comigo mesmo pela minha lerdeza em te procurar. Depois disso, eu conversei com meu pai e ele me ajudou a enxergar algumas coisas. ”

— Até tio Fugaku conversou com você?

— Sim, até Uchiha Fugaku, o cara que mete medo em qualquer um, mas desmaia quando sabe que vai ser avô. – ele soltou um pequeno risinho e eu o acompanhei. – Depois da conversa com meu pai e do tempo que ficamos sem nos falar, eu organizei meus pensamentos, ou pelo menos tentei.

“Quando cheguei em Konoha dei de cara com você no aeroporto. Parecia sina do destino, ou o que quer que seja. Ali, eu ainda não estava preparado, mas com Hinata e Naruto dando uma de cupidos eu não tive escapatória. As coisas entre a gente começaram a fluir, você tomou a inciativa, mas eu nunca te dava uma brecha, ou se dava, tratava logo de retirar. ”

“Nossos encontros, nossos beijos, as conversas, os carinhos estavam me confundido de novo. Eu queria voltar para o casulo e ao mesmo tempo queria me libertar. É paradoxo, eu sei, mas era um conflito real. Até chegar em Suna e ver você quase morrendo afogada naquela praia. ”

“Ali eu vi, que era tudo ou nada. Foi um choque e só eu sei o carrego comigo por ter de deixar chegar aquele ponto. Diante de tal fato, eu não pensei em nada, eu apenas queria te proteger e te ter do meu lado. No fundo, eu sabia o que tudo isso acarretava. Uma hora ou outra eu teria que ouvir você falar dos nove anos em que passou distante, e em algum momento eu teria que mencionar o ruivo que com você na frente do restaurante. ”

“ Eu estava inseguro e com medo das suas respostas. Eu sabia que você ansiava para que nós conversássemos sobre o lapso, mas eu sempre evitei. Até que algo de maior acontecesse, como foi o caso da sua conversa com Gaara e o encontro com o encosto do tal do Idate. Você conversou, explicou tudo para mim e eu achei que poderia empurrar com a barriga a questão dos nove anos e até mesmo a questão do ruivo. ”

“Mas chegou o aniversário de Itachi e a minha maior surpresa foi te encontrar com aquele ruivo de novo. Você me apresentou a Sasori, mas em nenhum momento me disse algo sobre ele ser gay e companheiro de Deidara. ”

— Sasuke, isso não era uma coisa que eu podia chegar e dizer assim. Só quem sabia que eles eram um casal, além de mim, era Itachi, Izumi, Ino e Sai. Eu não podia simplesmente anunciar aos quatro cantos. – suspirei tentando manter a calma. – E fora que você estava inacessível durante toda a noite. Me afastava e se empanturrava de bebida. Eu sempre tive amigos homens e você nunca teve problemas com isso, não podia imaginar que a questão era Sasori.

— Eu sei. Meu comportamento não ajudou e também concordo com você quanto a falar da orientação sexual de Sasori. – ele busca minhas mãos e as massageias com a sua. – Mas entenda que para mim também foi difícil e quando ele falou que morou com você minha cabeça deu mil voltas. Eu estava mergulhado no mar de incertezas e em vez de resolver a situação eu preferi ser um idiota.

— É, você foi bem idiota mesmo. Mas eu quero saber da parte em que você conversou com Sasori, se desculpou com ele e pediu para ele não me contar nada.

— Já estou chegando nessa parte, senhora apressada. – Bufei e revirei os olhos diante do apelido horrendo, mas ele riu da minha cara. Ótimo. – Depois que tivemos aquela briga no dia seguinte eu fiquei perdido mais uma vez. É comum quando o assunto é você. – me deu uma piscadela marota e eu ofereci meu dedo do meio. – Eu não sabia como chegar em Sasori e pedi desculpas pra ele. Parece simples, mas não pra mim. No sábado passado, eu resolvi correr afim de extravasar tudo aquilo e buscar uma saída para confusão que causei.

“Quando parei para descansar da corrida, na nossa árvore – ele riu para mim e eu devolvi. – Karin deu de cara comigo e começamos a conversar. Ela me disse que você tinha comentado da nossa briga, mas não explicou o motivo. Karin me ajudou anos atrás, quando você foi embora, e ela me deu forças para encontrar um foco. Anos depois e lá estava eu, quase da mesma situação. Conversamos durante um tempo, ela me deu uma aula devo dizer, sobre orientação sexual, preconceito e visão da sociedade. ”

— A Karin é mesmo um amorzinho.

— Sim, ela é. E agora está apaixonada, nunca pensei que estaria vivo para ver isso.

— Nem eu. Ela me contou algumas coisas também, mas pediu que eu não criasse falsas esperanças. Mal sabe ela que estou radiante por ela e Suigetsu se darem bem depois daquele fatídico atendimento.

— Somos dois. – ele sorriu. – Mas voltando a nossa história, Karin clareou e muito a minha mente e eu tive ideia de como pedir desculpas a Sasori, mas antes precisava de um favor de Neji.

— E como que Neji entra nessa história toda?

Sasuke não me respondeu e pegou a sua mochila que estava ao lado da sua mala. Abriu e tirou seu tablet de dentro.

— Eu pedi que Neji conseguisse as filmagens daquela noite em que vocês dois estavam juntos. Em nenhum momento eu tentei ou tive a intenção de atropelar Sasori. – ele falava me encarando. – Por mais que eu tenha ficado chateado eu não faria isso.

“Depois de conseguir o arquivo fui até casa de Sasori para me desculpar com ele. Pedi desculpas e ele aceitou, mas não queria ver o vídeo porque ele sabia que eu não quis atropelar ele. ”

— Ele me disse que viu você se aproximar, mas que em nenhum momento tentou jogou o carro nele. Além daquela rua ser bem larga e cheia de veículos estacionados. – suspirei. – Mas o barulho foi assustador. Eu fiquei meio desesperada e com medo que meu amigo tivesse se machucado.

— Exatamente o que ele me disse, ainda assim eu quis mostrar o vídeo pra ele, assim como quero mostrar pra você. – sem opção, Sasuke colocou o tablet em minhas mãos e deu play no vídeo. Eu nem precisaria ver, eu sabia que Sasori não estava mentindo e nem Sasuke, mas eu estava chateada pelo comportamento dele na festa. – Como você pode ver, eu não tive nenhuma intenção de atropelá-lo. Eu fui apenas um idiota e trata-lo mal e a você também.

— Eu sabia que você não estava mentido.

— Como?

— Depois que minha cabeça esfriou um pouco e Sasori conversou comigo eu passei a ponderar sobre isso. Mas eu estava tão triste pela forma como você tratou Sasori e desconfiou de mim, que me senti no direito de ficar chateada.

— Eu te entendo, mas teria tirado um peso gigante das minhas costas, Sakura.

— Desculpa. – sorri amarelo. – Mas então, me conta melhor como foi sua conversa com Saso.

— Além do pedido de desculpas, falamos sobre você, nos conhecemos, jogamos vídeo game e comemos pizza.

— Nossa, ficaram amiguinhos tão rápido assim? Espero que Deidara não fique com ciúmes.

— Que nada, Deidara estava com a gente. Parece que ganhei dois novos amigos.

— Puta que pariu, eu nunca saí com Saso e Dei, e você já leva vantagem quanto a isso. É um absurdo, estou indignada.

— Depois eu que sou ciumento, né?

Numa atitude muito madura da minha parte dei língua a Sasuke, que continuou rindo da minha cara e ao final me juntei a ele. Não tinha muito o que se fazer.

Eu estava feliz por Sasuke ter pedido desculpas ao Saso e ter ficado bem com ele.

— Por que você pediu a Sasori pra que ele não me dissesse nada? – perguntei. A curiosidade estava me matando.

— Porque eu queria conversar sobre isso com você primeiro, além de te fazer uma surpresa ou evitar que você não me recebesse.

— Muito esperto, o senhor!

— A gente faz o que pode. – sorriu de lado. Socorro. Jesus me abana! – Queria te contar também que estou fazendo terapia.

— Por que? – indaguei surpresa. Nunca esperava por uma atitude dessa do Sasuke.

— Por conta da minha insegurança, por todo sentimento ruim que eu alimentei sobre você e consequentemente sobre nós dois. Tive minha primeira consulta ontem. É muito recente, mas é um grande passo.

Me permiti refletir sobre as palavras de Sasuke. Ele estava diferente, mais maduro, mais centrado e ainda mais calmo. Apesar de ser um pouco responsável por tudo que causei a ele, Sasuke queria tentar mesmo assim.

Mesmo que fôssemos duas pessoas com um jeito torto e misturados entre teimosia e orgulho, existe amor na junção de nós dois. Um amor que sobreviveu há nove anos, há uma fuga, um afogamento, ciúmes, inseguranças e tantas outras coisas que eu se eu for listar não acabo hoje.

— Desculpe, nem sempre é tão fácil falar sobre isso. – disse Sasuke acabando com o silêncio. – Acho que antes de saber sobre os seus nove anos, eu tinha de falar dos meus nove anos. É difícil se abrir e se mostrar a tal ponto como fiz agora pra você, mas no meu íntimo foi o momento certo pra mim.

— Eu te entendo. Não é fácil pra mim também sabendo que fui a causadora disso tudo que te aconteceu. Eu sei da minha culpa, da minha fuga e do meu sumiço. Foi difícil pra mim também. Não tem como e nem quero comparar as nossas dores, só a gente sabe o que sentiu, só a gente sabe como doeu. – engoli o bolo que se formava na garganta e continuei. – Mais uma vez eu te peço desculpas por tudo que fiz e o modo como agi. Você sabe das minhas dores e dos meus problemas para tal ato.

— Eu sei e agora eu enxergo melhor também as suas dificuldades e as minhas. Nós erramos e o que fizemos ficou para trás. Se quisermos que isso dê certo temos que pensar e focar no daqui pra frente e quando visitarmos o passado que isso não nos machuque mais.

— Tão lindo ver você falando desse jeito. – eu disse apaixonada. Esse homem me leva com esse charme todo. – Fico tão feliz que você e Saso esteja tão bem. E fico ainda mais feliz que você esteja aqui tão pertinho de mim. – Sasuke pareceu tirar um piano das costas quando falei isso. – Mas antes de olharmos para o futuro quero te mostrar uma coisa. – peguei sua mão e puxei. – Vem!

Sasuke mais uma vez olhou ao redor com olhos curiosos. Entrou no meu quarto um tanto hesitante e ao mesmo tempo curioso. Atento a cada cantinho daquele espaço, que possuía nada mais, nada menos que uma cama de casal, dois criados–mudos, uma porta que dava para o banheiro e um guarda–roupa branco grande.

– Pensei que você demoraria mais para me trazer ao seu quarto. – era perceptível a malicia em sua voz. Sasuke estava mesmo um danadinho. – Bem diferente do seu quarto de Konoha.

— Muito engraçadinho, Uchiha. – mostrei a língua pra ele. – Nunca tive tempo e disposição para dar um up na decoração dele. Serve pra dormir, então me basta.

Abrir uma das portas e avistei aquela caixa azul–marinho em que eu não mexia desde que voltei da Índia.

— Sasuke, você pode pegar aquela caixa azul–marinho ali pra mim? – apontei para o objeto que ficava no ponto mais alto do guarda–roupa. Sasuke assentiu, mas não deixou de rir da minha falta de altura. Um amor, não é mesmo?

— Nossa, um pouco pesada. – ele disse assim que pegou a caixa. – Onde eu coloco?

Afastei a coberta e os travesseiros que trouxe agora pouco e indiquei a beirada da cama pra ele. – Pode por aqui, por favor. – ele o fez. – Agora pode sentar.

— Mais alguma ordem, senhorita Haruno? – perguntou sapeca. Era notável a sua tranquilidade.

— Não. Só mais tarde nesta mesma cama. – lancei uma piscadela e ele riu. – Bom, tudo o que você me disse agora pouco mexeu e muito comigo, mas confesso que estou feliz por você ter me contando tudo o que você passou. Eu fui embora, não nego. Hoje eu vejo que não foi a atitude mais correta a se tomar, mas não podemos mudar o passado.

“Diferente de você, eu nunca alimentei nenhuma lembrança sua ou nossa com ódio. Não te julgo por ter feito isso, você teve suas razões, mas agora é o meu lado que vou mostrar. – suspirei engolindo o nó que se formava em minha garganta. – Cada vez que eu lembrava de você e tudo que a gente viveu, eu sentia uma saudade imensa, mas eu sabia que não poderia voltar. Você merecia alguém melhor do que eu, alguém inteiro, carinhoso e que pudesse cuidar de você. ”

“Algo dentro de mim, me dizia que algum dia nos encontraríamos outra vez. – ri e observei Sasuke me encarar sério. – Passava esse reencontro na minha cabeça de diversas formas, mas em nenhuma delas eu tinha esperança de que retomaríamos o nosso relacionamento. Eu sei tudo o que te causei e por mais que doesse, eu não me importava desde que você estivesse feliz e pudesse me perdoar algum dia. ”

Abri a caixa e vi os olhos de Sasuke brilharem diante dela.

— São carrinhos colecionáveis? – ele perguntou em êxtase, Sasuke sempre fora apaixonado por aquilo. Assenti com a cabeça. – Posso pegar? – e o homem de 25 anos na minha frente parecia mais um garoto de 8.

— Claro que sim, são seus. – dei de ombros e os olhos arregalados de Sasuke se voltaram pra mim em choque.

— Meus? Como assim meus?

— Simples. Eu comprei pra você, pensando em você.

— Ainda assim, não entendo.

— Como eu te disse, nunca esqueci de você. – sorri e Sasuke ainda parecia meio perdido. – Cada data comemorativa importante para nós dois eu comprava um carrinho para sua coleção. Seu aniversário, nosso aniversário de namoro, dia dos namorados, natal, às vezes não precisa de nenhuma delas. Eu achava que um dia entregaria todos eles a você, uma forma de te mostrar que você nunca deixou de habitar meus pensamentos ou o meu coração. – soltei um suspiro pesado na tentativa de segurar o choro. O rosto de Sasuke era um misto de incredulidade e surpresa. – Os primeiros foram os mais baratinhos, mas não menos importantes, na época como eu não tinha muita grana sobrando comprava os mais baratinhos. Olhando um por um por um como você sempre fez. Se tivesse uma gotinha de tinta fora do lugar eu buscava outro.

Sasuke olhava para mim e depois olhava pra caixa.

Repetiu o ato incontáveis vezes.

Resolvi acabar com aquele silêncio.

— Eu sei que para você pode não significar nada, afinal são apenas carrinhos colecionáveis. – suspirei e senti minhas mãos suarem. – Mas isso era uma das formas que fazia com que eu me aproximasse de você. A saudade, era uma saudade boa, sabe? – sorri fraco, mas Sasuke não retribuiu.

— Não é que não signifique nada. – sua voz me arrebatou daquele topor que eu sentia. – Eu adoro carrinhos colacionáveis, você sabe. Mas...

— Mas?

— Eu nunca imaginei que você faria algo o tipo. Nunca pensei que você quisesse se lembrar de mim. Me parece doloroso. Quando a saudade que eu tinha de você apertava, me sufocava e eu só queria te afastar. Por isso a minha surpresa.

— Eu te entendo. Eu senti o peito apertar, a saudade sufocar, mas na época eu achava que era a coisa certa, e que um dia ficaria tudo bem pra nós dois, que você entenderia porque eu tive de fazer isso. Eu não queria ser um fardo, um peso pra você. Os carrinhos me davam uma paz porque eu sempre imaginava você sorrindo ao ganha-los, avaliando para achar algum defeito e depois os colocando na sua estante... Imaginar você feliz, me deixava feliz, Sasuke.

Sasuke absorvia minhas palavras em silêncio até começar a mexer na caixa e tirar os carrinhos de lá. Ele olhava cada um com afinco e sorria vez ou outra.

— E este fusca rosa aqui – me mostrou a miniatura cor-de-rosa dentro, em cima de uma base preta dentro de uma caixinha de acrílico. – é meu também?

Ele tinha de reparar logo naquele.

Logo nele.

— O fusquinha cor-de-rosa e vidro traseiro bipartido. – disse divertida pra esconder a tensão. – Ele foi o primeiro.

— Primeiro? – era palpável a curiosidade em sua voz.

— Sim, o primeiro que eu comprei.

— Mas por que um fusca... e rosa?

— Eu comprei esse carrinho no dia do seu aniversário. O primeiro aniversário seu depois do nosso término. – vi Sasuke engolir em seco. – Lembra que eu te falei que voltei a Konoha naquele dia, mas eu te vi com uma loira de mãos dadas? – ele assentiu pesaroso. – Pois bem, além de querer te ver eu cogitei que poderíamos conversar na época e repensar a questão do nosso relacionamento. Pensei que poderia dar certo se namorássemos a distância.

“Quando cheguei na estação de trem percebi que estava de mãos vazias. Fui em uma das lojinhas de lá e a primeira coisa que avistei foi esse fusca rosinha. Lembrei de uma conversa nossa em que você me explicou sobre o fusca, quando ele foi criado, a finalidade, as diferenças de um modelo para o outro e porque ele ficou tão popular. ”

— Por isso você lembra do vidro traseiro bipartido?

— Exatamente, mas não foi por isso que o presente era perfeito. – fechei os olhos e pude lembrar exatamente o momento em que comprei o objeto. Abri e encarei um Sasuke curioso. – Eu queria um carrinho que lembrasse a mim, para que você soubesse que eu estaria sempre presente, se fôssemos namorar a distância. E bem, o fusca é pequeno, eu sou pequena, ele é rosa da cor do meu cabelo e o motor faz um barulho irritante, você sempre me chamou de irritante, por isso achei o presente perfeito. Eu sempre estaria lá, era só olhar para o fusquinha.

Os olhos de Sasuke brilharam e um sorriso se fez presente em seu rosto. – Acho que temos um preferido aqui. – ele disse divertido e eu me senti feliz. – E esse tuk tuk aqui? – Sasuke agora tinha em mãos uma caixinha com um tuk tuk colorido dentro.

— Ah, esse foi o último que eu comprei. Adquiri essa miniatura em uma das lojas no Aeroporto Internacional Indira Ghandi, em Déli, na Índia. Achei que você fosse gostar de ter um modelo diferente na sua coleção. E... – senti minhas bochechas esquentarem. – E para mostrar a você, que onde quer que eu fosse, você estaria sempre comigo.

— Pelo jeito, temos dois preferidos aqui. – disse por fim.

Sasuke arrumou todos os carrinhos de volta na caixa outra vez e colocou a mesma ao pé da cama.

Se aproximou sorrateiro e sentou ao meu lado tomando minhas mãos. Meu coração batia tão rápido e tão forte que eu podia soltar de paraquedas e teria o mesmo efeito. Ele se aproximou e colou os lábios na minha orelha.

— Eu senti saudade de você, do seu cheiro, do seu toque, dos seus beijos... – ele sussurrava com sua voz rouca e eu já estava entregue ali. – Agora eu quero sanar todas essas saudades... – me olhou nos olhos e eu me joguei naquela escuridão.

— Eu... também.

Ainda com a mão em meu rosto Sasuke colou nossas testas e institivamente fechei os olhos sentido sua respiração quente em minha boca. Parecíamos adolescentes outra vez, medos e inseguranças davam lugar ao amor, cumplicidade e a confiança. Nós dois queremos que dê certo dessa vez.

Ele colou nossos lábios e eu senti as famosas borboletas no estômago. Isso pode soar clichê, eu sei, mas é uma sensação ímpar e inebriante, que passa rápido porque você acaba se concentrando no beijo e esquece as benditas borboletas.

O beijo era calmo, nossas línguas se chocavam sem pressa e tudo ficava intenso demais. Eu sabia aonde aquilo ia parar e por Deus, que chegue logo.

As mãos de Sasuke começaram a passear pelo meu corpo, apertando de forma leve e demorada. Não resisti e sentei em seu colo de frente para ele. Eu queria mais, muito mais.

— Tão apressada! – ele sussurrou entre nossos beijos e eu apenas gemi em resposta.

Meu moletom já decorava algum canto do meu quarto e para a surpresa de Sasuke quando suas mãos alcançaram meus seios já rijos pelo prazer, um gemido malicioso escapou dos seus lábios e ele passou a trabalhar. Estimulou, apertou, beliscou de leve e caiu de boca dando generosas lambidas e deliciosas sugadas.

Minha reação foi apenas arquear para trás e me deliciar com aquele prazer, até sentir o membro de Sasuke se fazer imponente pressionando o meu sexo através do tecido. Rebolei institivamente e Sasuke emitiu um grunhido sofrido contra meus seios.

Tomei seus lábios e mantive os rebolados no seu colo chocando nossas intimidades. Puxei sua blusa sem muita pressa. O corpo de Sasuke estava quente, macio e com isso passei arranhar de leve as suas costas. Tudo era muito calmo, mas era muito intenso. Coisa de pele, de toque e gemidos silenciosos. Absorvendo o prazer e o compartilhando na sua melhor forma.

Sasuke se remexeu um pouco e percebi que ele tirava seus sapatos, mas sem se desconcentrar de mim. Que poder!

Puxou meus cabelos pro lado e com meu pescoço exposto me sugou ali enquanto sua outra mão apertava minha bunda e fazia com que nossas intimidades continuassem a se chocar. Rebolei outra vez para a felicidade de um certo moreno.

– Sasssuke... – um gemido sofrido escapou pelos lábios e Sasuke levantou comigo em seu colo apertando firmemente as minhas nádegas.

Senti o colchão macio e frio de encontro com as minhas costas. Sasuke me observava de cima com olhos desejosos, enquanto ele retirava a sua calça revelando uma cueca branca e o volume generoso à mostra.

— Céus... – o sussurro escapuliu dos meus lábios e Sasuke sorriu se aproximando pegando meus pés e tirando minhas meias.

— Pensei que nunca mais veria você com calcinhas de bichinhos. – ele disse divertido e só agora eu tinha lembrado que usava uma calcinha com estampas do charmander. Pokémon de fogo para guardar a pepeca. Que irônico.

— Eu estou em casa, Sasuke. – disse manhosa. – Se eu soubesse que você apareceria aqui usava uma lingerie decente.

Ele riu. – Eu não ligo pra isso, Sakura. Nunca liguei. – Ssuke fazia uma massagem gostosa em um dos meus pés. – Homens que ligam pra esse tipo de coisa são uns idotas. E fora que uma calcinha com estampa do charmander é muito você!

Me afastei do seu carinho e me coloquei de joelhos na cama afim de encará-lo. – Você existe, mesmo?

— Existo. – confiante e me lançou um sorriso malicioso. – E posso provar.

— Ah, é? E como você faria isso?

— Assim! – me puxou pela cintura de forma possessiva e atacou meus lábios com desejo.

Passou seus lábios molhados contra minhas orelhas, pescoço e voltou a estimular os meus seios, enquanto uma de suas mãos invadiam a minha calcinha.

Sua mão era quente e seus dedos faziam leves movimentos em meu clitóris e vez ou outra acariciava meu sexo por completo.

Eu me contorcia de prazer e Sasuke parecia gostar de me ver a sua disposição e por saber que causava tudo isso em mim.

— Oh... Sasuke. – Arfei quando ele me penetrou em cheio. Eu estava sedenta demais por aquele toque.

— Você gosta? – Sasuke perguntou com aquela voz absurda de rouca. Apenas assenti sorrindo contra sua pele. – Uma pena que...

Fui jogada na cama sem nenhum pingo de delicadeza e observei o olhar lascivo de Sasuke a me analisar.

Pudor?!

Jamais meus caros!

Jamais!

Passei meu pé de leve sobre o volume delicioso em sua cueca e Sasuke grunhiu. Me levantei lentamente e passei mão em seu pênis com todo gosto.

— Minha nossa, Sasuke-kun! – disse sapeca depois de umedecer os lábios e ele sorriu diante de tal ato.

— Culpa sua, Haruno!

— Ops... então precisamos resolver isso!

— Eu também ac... Ohhhh... Caralho, Sakura!

Abaixei um pouco a cueca de Sasuke, o suficiente para abocanhar o seu membro com gosto enquanto o masturbava e olhava em sua direção.

O prazer de Sasuke me dava prazer e quando eu era a fonte dele era mais gostoso ainda.

Alisei de leve suas bolas enquanto ainda sugava seu membro, passando levemente o dente. Ele estava entregue e facilmente ia gozar se ele não me puxasse pra cima.

— Poxa! – resmunguei manhosa. – Estava tão bom lá embaixo.

— Eu sei, mas agora é minha vez.

Outra vez fui jogada na cama sem nenhum carinho e as mãos de Sasuke foram direto pra minha calcinha, que agora deve estar em algum canto desse quarto.

Sasuke abriu as minhas pernas e ficou me observando com aquela cara lasciva outra vez.

— Querido, você está me deixando constrangida. – senti meu rosto esquentar e ele riu.

Cretino.

— Você é linda, sabia?

— Sasuke você está falando de mim ou das minhas partes? – indaguei confusa.

— Estou falando de você inteira, Sakura. – que fofo! – Você vestida já é um pecado, nua então, não há sete pecados capitais que te vença. – esquece a fofura, esse homem é pura safadeza!

Apoiei os cotovelos na cama e o encarei. – Você vem pecar comigo ou terei que fazer isso sozinha? – coloquei a mão direita em meu clitóris e comecei a me masturbar.

— Céus... essa mulher quer me matar! – tirou minha mão de lá e segurou as duas acima da minha cabeça. – Hoje, nós vamos pecar juntos, irritante!

Suas mãos quentes passaram por meus braços e fincaram nos meus seios os estimulando. Sasuke mordia entre o vale dos meus seios e descia lentamente para o meu abdômen, contornando a minha barriga. Abri minhas pernas num instinto perigoso, mas Sasuke deixou apenas uma lufada quente de ar aonde já estava mais que pegando fogo!

Mordia e lambia o interior das minhas coxas segurando meus joelhos com força. Minha respiração já estava descompensada e o meu centro de prazer estava prestes a entrar em ebulição!

— Puta que pariu!!! – disse sôfrega quando Sasuke abocanhou meu sexo. – Não para, Sasuke! Por favor, não para!

Levei minhas mãos aos seus cabelos e os puxava com força, ele não parecia se importar. Lambia e chupava com maestria, de vez em quando umas mordidas bem de leve.

Eu estava perto, muito perto... E quando ia reclamar ele me penetrou de vez. Nem percebi que Sasuke tinha tirado a cueca, mas fiquei absurdamente feliz que ele o fez.

— Caralho!!! – exclamamos em uníssono.

A sensação de ser “invadida” por Sasuke e ser preenchida por ele da forma mais gostosa e quente possível é realmente indescritível. É um prazer absurdo, o atrito, a pegada, o olhar. Tudo era tão sexy e tão forte.

O sexo estava num ritmo alucinado e eu só queria mais e mais.

Sasuke estava concentrado em me dar prazer e mesmo que não estivesse, eu estava tão inebriada de prazer que só sabia gemer.

Uma de suas mãos segura as minhas acima da minha cabeça, enquanto a outra me apertava a coxa e sua boca se deliciava em meus mamilos mais rijos e vermelhos pelo excesso do prazeroso contato com aquela boca.

— Mais... forte!

E ele prontamente atendeu meu pedido sem hesitar e eu me desmanchei em puro prazer me derramando em seu membro.

Sasuke me virou de bruços e passou a morder minhas costas e pescoço. Puxou meu corpo e me colocou de quatro ainda concentrado nas carícias até desferir um tapa em minha bunda e estocar com ainda mais força.

— Oh... Sasuke!

— Você.é.muito.gostosa. – cada palavrada era seguida de uma estocada profunda. Sua mão desceu até meu clitóris e ele começou a estimulá-lo outra vez. – Goza pra mim, de novo.

— Sa... sssuke...

Minhas mãos apertavam os lençóis tamanho era o prazer que o sentia. No quarto eram ouvidos nossos gemidos, a cama batendo na parede e o barulho das nossas peles se chocando. Tudo aquilo culminava para um cenário ainda mais sensual e gostoso. O quarto cheirava a sexo e o cheiro exalava de Sasuke e eu.

— Eu vou go... – não conseguir terminar, eu só queria meu prazer.

— Nós.vamos. – e por fim uma última estocada profunda e ambos nos entregamos ao prazer.

Sasuke caiu sobre mim e despencamos na cama. Sua respiração quente era abafada pela minha pele me provocando arrepios. Estávamos descompensados, inebriados, apaixonados e completamente entregues.

Eu sentia o líquido quente de Sasuke escorrer pelas minhas pernas, mas eu não tinha forças para me mexer. O ar se fazia raro em meus pulmões.

— Não sei... nem... o que... dizer. – disse Sasuke. – Você ainda vai me matar, Haruno. – ele se jogou pro lado e tirou forças sabe Deus da onde e me puxou contra seu peito.

— Culpa sua... Uchiha!

Uma risada anasalada escapou de Sasuke e meu me permiti rir junto com ele. O momento não era de fala, nós já tínhamos falado demais.

Ele acariciava meus cabelos e eu inalava seu cheiro amadeirado com um toque de suor de sexo. Eu poderia engarrafar esse cheiro e ficar rica vendendo tal fragrância, mas digamos que eu seja um tanto egoísta demais!

— Estou acabada, posso dormir 20 horas, tranquilo.

— Então somos dois. – depositou um beijo em minha testa. – Você quer tomar um banho?

— Não tenho forças, Sasuke. – fiz bico. – E fora que eu prefiro dormir sentindo seu cheiro de sexo.

— Safada!

— Sou, não nego, gosto assim!

— É, eu também gosto. – deu um sorriso de lado, mas logo começou a se mexer. – Nossa Sakura, como seu quarto é quente!

— Querido, nós acabamos de transar e o ar está desligado!

— Você poderia ligar, por favor?

— Posso, mas preciso que você pegue um cobertor mais grosso lá no armário. Segunda porta da direita pra esquerda.

— Mas você me explora, viu?

— Vai logo Uchiha que eu não tenho a noite toda. – dei um tapinha em sua bunda e que bunda minha gente. Senhor!!

— Tarada!

— Disponha, querido!

Liguei a central, mas observava o andar de Sasuke e aquela bundinha branca linda. Se eu era o pecado esse homem era o purgatório! Jesus me socorre!

O quarto já começava a esfriar e Sasuke e eu quase nos fundíamos em baixo da coberta esperando que o sono chegasse.

A última semana foi tensa para nós dois, depois do sexo e toda tensão dissipada merecíamos o tão esperando descanso.

Eu estava quase caindo no sono quando senti que Sasuke parou de mexer em meus cabelos e parecia inquieto.

— Sem sono? – indaguei o encarando.

— Estou pensando.

— Em que, posso saber?

— Em algo. – revirei os olhos pra sua resposta.

— Jura, Sasuke?!

— Seria muito louco se...

— Se... – o encorajei.

— Se... eu te convidasse a morar comigo?

— Claro que não, Sasuke. Que bobage... O QUE? – pisquei atônita e suspirei profundamente – O que você disse?

Com um sorriso de canto e todo um charme natural ele disse – Você gostaria de morar comigo, Haruno Sakura?

Notas finais
Betado por @Mrs_Takasu Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=E3uVhi7UhwY ~~''~~''~~ Fui muito má com esse final? O que vocês acharam do capítulo? Comentem, porque eu amo as opiniões de vocês ♥ Obrigada pelo carinho de sempre e até logo :D