Daylight
17 Um dia quase perfeito
Notas iniciais
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém
chamado saudade.
(Veja bem, meu bem — Los Hermanos)
Por Sakura
— Sakura minha filha por que você tá chorando? — mamãe me perguntava preocupada e vinha correndo em minha direção.
Nós estávamos no jardim de cerejeiras e eu ainda era uma criança... eu me lembro muito bem daquele dia... Mamãe e eu fomos fazer um piquenique no nosso jardim à sombra de nossa cerejeira favorita.
Eu usava um vestido branco , tinha um laço vermelho em minha cabeça e usava um sapatinho de boneca rosa claro, mamãe usava uma roupa toda branca, a sua roupa de médica como eu dizia. Ela chegou em casa depois de um plantão cansativo e teve a ideia de fazer um piquenique, como tínhamos uma cesta pra preparar ela preferiu vir com a sua roupa de trabalho pra não perder tempo.
— Eu caí e ralei o joelho na raiz da árvore – eu disse com a voz chorosa – tá doendo e também tá sangrando;
— Ô meu amor, deixa a mamãe ver — ela me pediu e levantei meu vestido mostrando o machucado;
— Cuidado mamãe, tá doendo muito – eu tentava segurar o choro, mas foi em vão;
— Sakura, sua mamãe é médica lembra? — eu assenti em resposta – então, pode ficar tranquila – ela analisou o ferimento com todo cuidado e suspirou aliviada – não é nada, foi um apenas um pequeno arranhão... mamãe vai limpar e passar um remédio;
— Remédio? – perguntei assustada – vai arder?
— Vai arder só um pouquinho;
— Não quero mamãe – comecei a fazer birra... péssima ideia;
— Sakura, se não passar o remédio pode piorar – fiz beicinho, mas mamãe não se abalou – e outra, se não passar o remédio vamos embora porque você não irá poder brincar nem na terra e nem na grama;
— Poxa mamãe – resmunguei;
— É remédio ou casa, você escolhe – não tinha escapatória;
— Você promete que só arde um pouquinho? — ela assentiu – então, eu prefiro remédio.
Mamãe abriu a toalha xadrez na grama e pediu que eu sentasse sobre ela. Tirou uma bolsinha branca de primeiros socorros dentro de sua bolsa, na bolsinha tinha gaze, band-aid e merthiolate. Ela tirou tudo de lá e começou a limpar o ferimento.
— Ai mãe, isso arde muito – reclamei;
— É pro seu bem, Sakura – mamãe não hesitava em continuar limpando;
— Mas doi – comecei a chorar;
— Sabe filha, existe algo que dói mais que merthiolate – sério que existe algo que doi mais que isso?
— O que é mamãe?
— Saudade – ela falou e eu fiquei confusa;
— Não entendi mamãe? Como que saudade dói mais que mer...mer... esse remédio aí ? — apontei pro remédio e ela achou graça porque eu não lembrei o nome;
— Porque saudade doi aqui – ela colocou uma das mãos no meio do meu peito – doi o coração da gente;
— Como assim?
— Quando a gente sente saudade de algo ou de alguém o coração da gente aperta e aí dói – eu tentei entender o que mamãe dizia, mas eu não conseguia compreender... eu tinha apenas cinco anos;
— Poxa, se esse remédio já doi assim, não quero nunca sentir saudade – falei por fim, nem tinha me dado conta que mamãe já tinha acabado o curativo e o ardor já tinha passado;
— Ninguém escapa da saudade, minha menina – ela afagou meus cabelos;
— Eu corro, então – minha mãe riu e eu não entendi;
— Tudo bem – ela ria ainda – vamos arrumar as coisas pra começar nosso piquenique?
— Vamos – disse e sorri de orelha a orelha.
Eu e mamãe começamos a tirar as coisas da cesta que tinha bolo de chocolate, biscoitinhos, suco, água, pão, queijo, presunto, geleia, torrada e claro, dangos. Enquanto arrumávamos tudo sobre a toalha fomos interrompida por uma linda mulher de cabelos e olhos negros. Ela usava um vestido azul-marinho longo. Fiquei extasiada com sua beleza, mas parei meu olhar em duas mãozinhas que agarravam a sua perna, eu não conseguia ver direito quem era.
— Mebuki?! — a mulher bonita falou;
— Mikoto?! — agora foi mamãe – não acredito, você por aqui?
— Quem não acredita sou eu — falou a tal de Mikoto – quanto tempo;
— Põe tempo nisso – mamãe se levantou em direção a mulher — como você está? — cumprimentou dando-lhe dois beijos no rosto e a moça bonita retribuiu;
— Estou bem e você e o Kizashi?
— Estamos bem e Fugaku?
— Fugaku está ótimo, sério como sempre – ela riu, mas logo parou quando seus olhos pousaram em mim – essa é a Sakura?- perguntou espantada e eu corei;
— Sim, minha menina – mamãe sorriu – Sakura, essa é Mikoto uma amiga de longa data da mamãe;
— Olá, Mikoto-san – disse envergonhada;
— Own, que coisa mais fofa – sorriu pra mim – mas pode me chamar de tia Mikoto, tudo bem? — assenti – nossa que menina mais linda, Mebuki;
— Ela é sim – mamãe abriu um sorriso gigante – e seus meninos, como estão?
— Itachi, já está com dez anos ... me dá um trabalho que você nem imagina. Deixei ele na casa de um amiguinho e vim passear com Sasuke – ela olhou pra trás – Sasuke, você pode soltar um minuto o vestido da mamãe e cumprimentar as pessoas? — ah, então era um menino que segurava o vestido dela e seu nome era Sasuke;
— Não quero mamãe – o menino sussurrou, mas deu pra ouvir;
— Mas você vai – ela tirou as mãos do menino do seu vestido e o colocou na sua frente – Sasuke, essa é Mebuki e Sakura – ele olhou pra mamãe e depois parou seu olhar em mim, aqueles olhos negros... eu já tinha visto ele na escola. Ele é muito bonito e sempre vivia cercado de menina, eu achava aquilo muito chato por isso nunca me aproximei, mas sempre tive curiosidade;
— Olá, Mebuki-san e Sakura – ele cumprimentou a mamãe e a mim. Quando ele falou meu nome, senti meu coração acelerar, não sabia o que era aquilo... só sabia que era bom;
— Olá pequeno, nada de Mebuki-san, pode me chamar de tia Mebuki – mamãe sorriu pra ele e depois virou pra mim – o gato comeu sua língua, Sakura? Sasuke disse olá – corei na hora;
— Oi, Sasuke-kun – sorri sem graça – você quer brincar? — não sei porque chamei ele pra brincar ele nem era meu amigo
— Posso mamãe? — ele levou seu olhar a mãe;
— Pode sim, mas não saiam daqui, certo? — eu e Sasuke assentimos;
— Cuidado viu, Sakura?! — mamãe nos alertou;
— Tá certo, mãe – disse e me virei pra Sasuke – vamos?!
— Vamos – ele sorriu pra mim e eu corei como resposta. Ele tinha um sorriso tão lindo.
Passeamos pelo jardim, mas ainda não tínhamos dito nada, estávamos nervosos. Mas aquilo tava chato já, então resolvi falar alguma coisa.
— Então, quanto anos você tem, Sasuke-kun? — perguntei
— Tenho 4, mas faço 5 em duas semanas — ele disse;
— Ah... eu já tenho 5 – sorri pra ele – eu sempre te vejo na minha sala de aula;
— Nós somos da mesma série, Sakura – falou como se fosse óbvio – não sabia que nossas mães eram amigas;
— Eu também não, se eu soubesse tinha falado com você na escola, mas você sempre tem um monte de menina na sua cola – falei e ri, ele pareceu não gostar;
— Nem me fale, não gosto daquelas insuportáveis – bufou – se eu soubesse das nossas mães eu também falaria com você, mas você anda com aquele loiro baka;
— O Naruto-kun não é baka, ele é meu amigo – o repreendi – não fale assim dele – fiz bico;
— Ele é seu namorado, é? — corei com a pergunta;
— Lógico que não, você não ouviu o que eu falei? Ele é meu amigo – falei irritada;
— Desculpe ele falou;
— Tudo bem – eu disse – eu vou apresentar vocês dois e você vai ver como ele é legal;
— Duvido – ele disse seco;
— Veremos então – disse em tom desafiador;
— Você é sempre tão irritante assim? — me perguntou, mas que menino mais chato
— E você é sempre tão chato assim? — cruzei os braços e ele riu – qual foi a graça?
— Você fica bonitinha irritada – corei mais uma vez, acho que ele é doido – e aí, vamos brincar de pega-pega?
— Não posso, eu caí e machuquei meu joelho – levantei meu vestido e mostrei o curativo, ele fez uma careta;
— Doeu muito? — perguntou curioso
— Um pouco, mas na hora de passar o remédio ardeu muito – fiz uma carinha triste;
— Odeio quando minha mãe coloca esses remédios que ardem no machucado da gente;
— Eu também não gosto, mas a mamãe me disse que tem algo que doi mais que esse remédio;
— O que é? — ele me perguntou curioso
— Saudade – dei de ombros;
— Saudade?! — parecia não entender – deve ser insuportável;
— Sim, muito;
— Espero que eu nunca tenha isso – ele disse por fim;
— Eu também não, mas a mamãe disse que não tem como escapar – disse triste;
— É só a gente correr, que ela não pega a gente – ele disse como se fosse óbvio;
— Eu disse isso a mamãe, mas ela riu da minha cara – fiz beicinho;
— Então fazemos assim – ele pegou minha mão, fez um pouco de cócegas, mas eu não senti vontade de me afastar – a gente corre juntos e se ela nos pegar sentimos a dor juntos – ele abriu um sorriso enorme e eu retribui na hora;
— Tudo bem – apertei mais sua mão junto a minha e ele sorriu mais ainda.
Do nada uma música começou a tocar me fazendo despertar, era meu celular... mas eu não lembro de ter colocado pra despertar. Então me dei conta de que alguém me ligava, ai que ódio o sonho tava tão bom. Peguei o infeliz do celular, pensei em ignorar a ligação, mas era Ino, eu não podia fazer isso com ela, então atendi.
— Isso são horas, porca? — atendi de mau humor
— Testa, são nove da manhã já – disse entre risos, uma porca será assada hoje
— Mas hoje é sábado – resmunguei;
— Eu sei testa, acredite que se eu não precisasse eu não ligaria;
— Aconteceu alguma coisa? — falei séria;
— Queria te pedir um favor – lá vem;
— Diga;
— Você pode ir numa consulta médica comigo? — falou manhosa, sabia que tinha coisa;
— Num sábado? — perguntei incrédula;
— Tsunade-sama, me ligou e perguntou se eu poderia ir hoje, porque na terça ela estará viajando – me explicou;
— E por que Sai não vai com você? — perguntei
— Nem me fale daquele ingrato – eita, que Ino tá soltando fogo pelas ventas – ele tem uma reunião com um cliente importante e não pode ir comigo;
— Tudo bem porca, eu vou com você – não tinha como escapar;
— JURA?! — gritou, vou ficar surda... certeza;
— Juro, mas não precisa gritar;
— Desculpa – Ino se desculpando? Hormônios pra que te quero – Te pego em 40 minuto, tudo bem?
— Tudo bem, até daqui a pouco;
— Até, testa.
Depois de desligar o telefone voltei a lembrar do sonho que eu tive, aquilo de fato aconteceu... foi daquele jeito que eu conheci o Sasuke, depois dali não nos desgrudamos mais. Eu o apresentei a Naruto, eles demoraram um pouco, mas ficaram amigos . Éramos inseparáveis
Há muito tempo eu venho convivendo com saudade, hoje eu sei o quanto ela doi mais que merthiolate, medicamento que hoje em dia nem arde mais. Tinha saudade da mamãe, uma saudade que doía, mas eu sei que um dia eu irei encontrá-la, e a minha outra saudade era do Sasuke, uma saudade que eu não podia matar, por minha causa claro, ele nem queria falar comigo. Eu tenho saudade dele, do que a gente viveu, do que a gente não viveu, mas poderia ter vivido. Essa sensação apertar o peito, sufoca e parece que a gente vai explodir.
Me encolhi um pouco na cama e abracei um travesseiro me permitindo chorar. Eu soluçava como criança, mas eu não tinha muito o que fazer. Eu estou completamente confusa, queria conversar com ele e pedir desculpas... talvez a Ino tivesse razão, talvez eu devesse esperar a poeira baixar e quem sabe ele conversaria comigo.
Preciso conversar com o Itachi, ele poderia me ajudar, afinal ele conhece o Sasuke melhor do que ninguém, ligaria pra ele hoje depois que voltasse da rua com Ino. Mas antes de pedir sua ajuda eu faria uma ameaça de assassinato porque ele tá merecendo, vou liberar Naruto por conta de Hinata e meu afilhado, apenas por isso.
Decidi me levantar da cama e tentar abandonar um pouco os pensamentos tristes, eu precisava me arrumar pra ir na consulta médica com Ino. Fiquei mais feliz assim que lembrei que possibilidade de encontrar papai era grande, mesmo sendo um sábado.
Não demorei muito e fiquei pronta. Vestia uma calça jeans preta, uma babylook vermelha com um blazer branco por cima e nos pés um par de all star branco, meu favorito. Não senti a menor vontade comer, estava enjoada por conta de tanta bebida alcoólica que tomei nesses últimos três dias.
Depois de pronta não demorou muito e Ino chegou, assim que entrei no carro notei que ela não estava com uma face tão convidativa.
— Que cara é essa porca? — perguntei logo, odeio ver Ino desse jeito;
— Não é nada – mentira;
— Você mente mal pra caralho, Ino – bufei – me conta logo o que foi;
— Não escondo nada de você, né testa? — só fiz negar com a cabeça – Tô chateada com Sai;
— Por que ele não vai pra consulta com você? — indaguei;
— Não é só por isso – a voz dela estava embargada, do muito que eu conheço Ino ela se segurava pra não chorar – ele está sempre muito ausente, ultimamente;
— É o trabalho dele, Ino... advogado vive sempre ocupado – eu não sabia o que falar;
— Nem sempre foi assim Saky – lágrimas surgiram;
— Do que você suspeita? — espero que não seja o que eu estou pensando;
— Acho que ele tem outra – eu imaginei que seria isso, mas ainda tinha um fio de esperança;
— Ino – puxei seu queixo pra que seus olhos me encarassem – você acha mesmo que o Sai, em sã consciência trairia você? Você realmente acredita nisso? — eu particularmente não acredito, é capaz de Ino capar ele com toda certeza;
— Não, mas essa é a única explicação pra essa ausência dele – falou ainda mais chorosa;
— Você já conversou isso com ele? — ela negou com a cabeça – então, pare de tirar conclusões precipitadas e converse com ele;
— Você acha? — ela perguntou e não tinha mais a voz embargada;
— Tenho certeza – lhe dei uma piscadela e depois um abraço;
— Obrigada, testuda — me apertou no abraço;
— Não há de que – sorri – tive uma ideia;
— Qual? — ela perguntou animada;
— Que tal, depois da consulta a gente passear por Konoha? Comer dangos, fazer compras ou irmos no salão? — sorri de orelha a orelha – Igual quando éramos adolescentes;
— MELHOR IDEIA DO MUNDO, TESTAAAAA – agora fique surda real;
— Meu ouvido, porca — reclamei;
— Desculpa – colocou a mão na boca;
— Tudo bem – sorri.
Logo depois desse diálogo psicólogo/paciente Ino deu a partida no carro e fomos direito ao hospital. Não demoramos a chegar e nem demorou muito pra Ino ser atendida. Mais uma vez eu estava ali acompanhando uma grávida. Tsunade estava de ótimo humor, mas eu ainda me lembrava do que ela aprontou... ela se comportou como se nada tivesse acontecido. Meu nome é cá te espero, ainda terei uma conversa séria com minha madrinha.
(...)
— Ino, você quer saber o sexo do bebê? — Tsunade perguntou e eu vi os olhos da minha amiga brilharem;
— Já da pra ver? — ela perguntou e Tsunade assentiu – quero saber sim – disse sorrindo;
— É um menino — ela disse e sorriu pra Ino;
— Um menino? — a médica assentiu mais uma vez – Saky, eu vou ser mãe de um menino lindo;
— Parabéns, porca – falei e senti lágrimas brotarem nos meus olhos mais uma vez, eita Konoha que me faz chorar – você será uma mãe maravilhosa — dei um beijo na testa dela;
— Obrigada, testuda – ela sorriu pra mim com lágrimas nos olhos – você é a madrinha, viu?
— Jura? — perguntei surpresa;
— Não poderia ser outra pessoa – ela sorriu e mais lágrimas surgiram em meus olhos;
— Então, é logico que eu aceito – sorri – obrigada Ino;
— Eu que agradeço, Saky.
Mais um afilhado, não vou mentir que tô adorando ter essas crianças todas pra mimar. Ouvi também o coraçãozinho dele bater e mais uma vez a emoção tomou conta de mim. Depois que a consulta terminou, pedi a Ino que me esperasse um pouquinho porque eu iria dar um beijo no papai.
Chegando próximo a sua sala avistei a secretária maluca que não me deixou entrar pra visitá-lo poucos dias atrás, senti um desgosto, mas não tem jeito teria que passar por ela pra falar com pai.
— Yukiko, bom dia, meu pai está em sua sala? — sorri forçado;
— Sakura-sama, bom dia – me fitou surpresa, quem diria Sakura-sama – ele está sim, gostaria que eu a anunciasse?
— Não é necessário – dei mais um sorriso forçado – obrigada.
Saí em direção a porta da sala de meu pai, dei três batidas e assim que eu ouvi um entre, abri a porta.
— Pai?! — indaguei porque ele fitava os papeis em sua mesa;
— Minha filha?! — ele estava surpreso – que visita maravilhosa é essa?
— Oi pai – sorri e fui em sua direção pra lhe dar um abraço – vim com Ino em uma consulta e resolvi passar aqui pra te dar um beijo e um abraço;
— Ino?! Ela está bem? — médicos nunca mudam;
— Está sim, só veio fazer uma consulta de rotina por conta da gravidez – o tranquilizei;
— Ino, está grávida? — assenti em resposta – e você filha, quando me dará netinhos? — oi??? corei muito;
— Paaaaai – o repreendi;
— O que é que tem, seu velho não pode ter esperanças? — meu pai realmente estava muito engraçadinho – ainda mais depois do que eu vi naquele casamento – ah que ótimo, só o que me faltava;
— Não faço a menor ideia do que o senhor tá falando – menti, mal pra caralho por sinal;
— Sakura, seu pai é velho, mas não é burro – sorriu debochado e eu tentei ser indiferente;
— Não sei se terei filhos – desconversei — mas caso eu venha ter eu venho correndo te contar;
— Promete? — meu pai não confia em mim?
— Prometo – sorri e dei uma piscadela;
— Ótimo, estou ansioso por isso – só o que me faltava – a visita na segunda está de pé?
— Está sim – sorri animada pra ele;
— Maravilha – meu pai estava mais radiante que eu;
— Papai, agora eu preciso ir – levantei pra lhe dar outro abraço – vou passear um pouco com a Ino;
— Tudo bem filha – retribuiu o abraço e me deu um beijo na testa – quero mais visitas surpresas dessa;
— Pode deixar – bati continência como fazia quando era criança – até segunda;
— Até, te amo filha;
— Te amo mais, pai.
Saí de sua sala, eu estava muito feliz tanta coisa boa estava acontecendo no meu dia... como diz o ditado depois da tempestade sempre vem a bonança. Avistei uma loira sorridente a minha espera e fui até ela.
— Vamos para o nossa dia de garotas? — indaguei sorrindo;
— Só se for agora – ela me respondeu com um sorriso malicioso.
Saímos do hospital e nossa primeira parada foi o salão de beleza. Era o salão que Haku trabalhava, iria aproveitar e falar do batom, se bem que, será? Afastei meus pensamentos ruins, meu dia tava perfeito. Eu e Ino fizemos as unhas das mãos e dos pés, depois Ino foi fazer uma hidratação e deu uma escova em seu lindo e loiro cabelo cumprido. Eu resolvi cortar os meus, eles não viam uma tesoura a muito tempo.
— Então cerejeira do meu jardim, o que vai fazer? — Haku perguntou galante como sempre;
— Pensei num corte chanel na altura dos ombros e repicado nas pontas o que acha?
— Acho maravilhoso, simples e elegante como tem que ser – hesitou um pouco – que tal colocarmos um franjão lateral pra complementar?
— Acho ótimo – sorri pra Haku;
— Então mãos a obra.
Tesoura pra cá, cabelo pra lá, secador acolá e depois de longos quarenta minutos, sim eu contei, eu não tenho muita paciência pra salão, meu cabelo estava pronto e quando me olhei no espelho fiquei maravilhada. Haku definitivamente tem poder.
— O que achou? — indagou Haku;
— Está maravilho, eu amei — dei um sorriso caloroso pra ele – você é foda;
— Como eu te disse, Haku nunca erra – me deu um sorriso malicioso;
— Depende – ele me olhou intrigado – o batom não resistiu a noite toda – sorri maliciosa;
— O que você fez, mulher?
— Digamos que – coloquei a mão no queixo – bebi e beijei a noite toda;
— Tô chocado – fingiu a indignação – quem foi o bofe?
— Ah – meu sorriso sumiu – isso eu não posso contar – dei de ombros;
— Meu amor, se foi aquele moreno que você entrou de braços dados, ui – começou a se abanar – maravilhoso ele, que sorte hein?
— Como que você sabe?
— Eu não sabia, mas agora você confirmou – corei na hora, parece que corar está sendo frequente novamente;
— Puts – suspirei – enfim, melhor você procurar outra marca de batom;
— Aquele é o melhor do mercado – hesitou – não quero nem imaginar o que vocês fizeram pra o batom sair – deu outro sorriso malicioso;
— Nada demais — tentei disfarçar;
— Me engana que eu gosto – ele debochou – vou passá-lo mais uma vez em você, só que dessa vez com um fixador e quero ver ele sair dos seus lábios;
— Não precisa, Haku;
— Precisa sim, é pra fechar com esse cabelo bafo que você está agora;
— Se você diz – desisti, era melhor;
— Haku sabe das coisas, minha cara.
Haku fez uma maquiagem completa, isso sim... acho que ele ficou com pena das olheiras que eu estava depois das noites mal dormidas e do choro constante. Ele não fez nada muito exagerado, apenas um delineado leve nos olhos, cobriu minhas olheiras e finalizou com aquele batom vermelho carmim matte. Quando me olhei no espelho nem reconheci a Sakura que tinha saído um tanto desleixada de casa pela manhã.
— Haku, definitivamente você é o melhor – disse ainda surpresa;
— Eu sei – me deu uma piscadela. Convencido pouco ele, né?!
— Obrigada – disse enquanto me levantava da cadeira;
— Volte sempre, querida – me cumprimentou;
— Volto sim – sorri e saí pra procurar por Ino.
Encontrei com Ino na recepção e lá pagamos o serviço. A porca estava com uma carinha bem melhor, mas eu conversaria com Sai, daria um toque nele pra ficar mais perto dela. Sei que isso não é legal, mas eu fico preocupada com Ino. Daqui a pouco volto pra Tóquio e eu não poderei dar atenção a ela, e isso me partia o coração.
— Nossa testuda, você tá linda – Ino sorria pra mim – Haku, caprichou;
— Eu também amei e você está uma arraso com esses cabelos dourados soltos – dei uma piscadela pra ela;
— Eu faço o que eu posso – disse ela jogando os cabelos pra trás;
— Mas é convencia, viu?! — ela riu – então, vamos comer alguma coisa? Tô morrendo de fome;
— Somos duas, quer dizer somos três – o sorriso de Ino estava cada vez mais iluminado – vamos no Ichikaru? Tô desejando rámen;
— Puts, agora que você falou a boca encheu d'água – passei a língua nos lábios – vamos que eu tô morrendo de saudades daquele lugar;
— Eba – minha amiga bateu palminhas – Meu filho não vai nascer com cara de rámen;
— Baka – falei e ela riu.
Saímos do salão e fomos direto ao Ichikaru andando, tudo ficava no centro de Konoha, quando saímos do Hospital deixamos o carro num estacionamento público e faríamos tudo a pé.
Chegamos ao Ichikaru e Ino comeu três rámens, me perguntei se não era Naruto disfarçado de Ino porque aquilo não era normal. Ela comeu todos com um gosto danado, gravidez deve fazer isso com as mulheres. Eu comi apenas um e matei a saudade do melhor rámen que já comi na vida, tinha que voltar aqui mais vezes antes de retornar a Tóquio.
— Volte sempre Sakura-san e Ino-san – falou Ayame, filha de Teuchi dono do Ichiraku;
— Pode deixar que eu volto sim – falei sorrindo pra ela – Até a próxima;
— Vamos voltar muito, Ayame – falou Ino – Tchauzinho.
— Até – disse por fim Ayame.
(...)
Ino me fez rodar aquele centro de Konoha umas mil vezes, ela comprou metade daquele lugar. A maioria das coisas foram pra o bebê, ela também comprou umas roupas pra ela, segundo ela roupas de grávida, eu não fazia ideia do que era aquilo, mas ela sim, até pra Sai ela comprou uma gravata.
Eu comprei algumas roupinhas pra mim e dois pares de sapatinhos brancos de bebê, um pra o filho de Ino e Sai, e um para o filho ou filha de Naruto e Hinata. E claro, me entupi de dangos e comprei um saco cheio deles pra comer mais tarde.
Depois de tanto rodar por aquele centro de Konoha, Ino me falou que Sai tinha mandando uma mensagem pra ela convidando a gente pra jantar com ele no restaurante do Hyuuga's, o Byakugan. Eu tentei recusar o convite, mas Ino não deixou e implorou que eu fosse com ela, então eu aceitei.
O restaurante da família de Hinata ficava na parte nobre da cidade de Konoha, na zona sul. Arrumamos as compras na mala do carro e seguimos em direção ao restaurante. Chegamos lá bem rápido e Sai já nos esperava, ele nos cumprimentou e nós sentamos.
— Então Sakura, como está a sua estadia aqui em Konoha? — Sai me perguntou;
— Está tudo ótimo – respondi, não era totalmente verdade, mas eu não entraria nesse detalhe com Sai;
— E você pretende ficar? — pra alguém que não gosta de conversar ele estava bem curioso;
— Ah não, no fim das férias eu volto pra Tóquio – fiquei um pouco triste, eu não queria pensar sobre aquilo;
— Eu ia amar se você ficasse, testuda – Ino sorria pra mim, acho que ela percebeu o meu semblante um pouco triste;
— Não se preocupe porca, sempre que der eu vou aparecer, prometo – segurei na mão dela e lhe dei uma piscadela;
— Eu acho ótimo, testa – ela me deu um sorriso e eu sorri;
— Se vocês me derem licença preciso ir ao banheiro – falei e me retirei da mesa.
Fui ao banheiro e me olhei no espelho mais uma vez, por mais que eu tivesse gostado do meu cabelo eu ainda não tinha me acostumado com ele. Depois de tanto me auto-analisar fiz o que tinha pra fazer no banheiro, lavei minhas mãos, ajeitei eu cabelo mais uma vez e observei o batom que ainda continuava intacto.
Quando saí do banheiro e fui em direção a mesa senti meu coração apertar, ele estava ali conversando com Ino e Sai. Gelei e não consegui saí do lugar, até que Ino me viu e percebeu a minha reação. Ela assentiu com a cabeça como se confirmasse que era ele mesmo, embora eu não duvidasse. Minha amiga me deu um sorriso encorajador e segui até a mesa, mas ainda assim eu não sabia o que fazer... será que devo falar com ele? Pelo menos por educação, eu penso que sim.
— Sasuke – falei ao me aproximar da mesa e sentei na minha cadeira.
Ele me olhou surpreso, mas logo seu olhar de indiferença surgiu e ele não me respondeu. Me ignorou por completo e voltou a conversar alguma coisa com Sai. Senti meu coração apertar e uma vontade de chorar me consumiu, mas eu consegui me controlar.
— Sasuke, você tá cego ou surdo? — Ino chamou a atenção de todos – Sakura falou com você;
— Eu só vejo e escuto aquilo que me interessa, Yamanaka – ele disse frio e mais uma dor aguda atingiu meu peito;
— Quanta maturidade hein, Sasuke? — Ino estava furiosa;
— Ino, não se mete nisso – pediu Sai observando a reação de Ino;
— Deixa Sai – Sasuke disse e um sorriso sem humor surgiu em sua face – Você deveria falar sobre maturidade com sua amiga, foi ela quem fugiu daqui por medo de enfrentar seus problemas – aquilo foi como um tapa na minha cara, eu queria sair dali, queria chorar, queria gritar, mas eu só consegui ficar imóvel;
— VOCÊ É UM IMBECIL – Ino gritou chamando a atenção de todo o restaurante e partiu pra cima de Sasuke, só que Sai foi mais rápido e a segurou;
— Sai, você deveria controlar melhor sua mulher – Sasuke disse calmo e se levantou da mesa – Tenham uma boa noite, Ino e Sai – ele disse e se retirou da mesa;
— Mas que desgraçado – Ino bufava;
— Você também provoca, né Ino? — disse Sai;
— Você ainda vai defender aquele filho da puta? — ela disse entredentes;
— Eu não tô defendendo ninguém, apenas estou dizendo o óbvio – pela primeira vez na vida eu vejo Sai rebatendo Ino;
— Mas isso tá errado – Ino bufava;
— Esquece isso porca – consegui falar e ela e Sai me encaravam – Sasuke tem os motivos dele;
— Ele pode ter todos os motivos do mundo, mas educação eu pensei que ele tinha – bufou – e você como está?
— Eu tô bem – menti e menti mal pra caralho mais uma vez – mas o clima ficou pesado, acho melhor ir pra casa;
— Ah não, poxa Saky tivemos um dia tão legal, não deixa esse Uchiha babaca estragar – ela me pedia com olhos suplicantes, mas eu não podia, eu precisava sair dali;
— Não posso Ino... não serei uma boa companhia – ela me olhou triste – por favor não fique assim, eu tô bem... só preciso de um tempo e se me lembro bem você tem que contar a novidade ao Sai – forcei um sorriso;
— Que novidade? — Sai perguntou surpreso;
— Logo ela vai te dizer – forcei um novo sorriso – agora eu preciso ir;
— Tem certeza? — minha amiga insistiu;
— Tenho sim – levantei e lhe dei um abraço – obrigada pelo dia maravilhoso;
— Obrigada por tudo testuda – me deu um beijo na testa – eu te amo;
— Eu também te amo, porca – me desvencilhei do seu abraço e fui cumprimentar Sai – até mais, aproveitem muito o jantar;
— Saky e suas compras? — eu nem lembrava daquilo;
— Eu passo em sua casa na segunda e pego, pode ser? — ela assentiu – ótimo, até mais.
Me distanciei da mesa dos meus amigos em direção a saída, mas eu o vi e estacionei no lugar. Ele estava lindo, se encontrava sozinho, mas parecia esperar alguém porque estava verificando a hora, tinha um copo de uísque em sua frente, desde quando Sasuke bebe uísque? Perdida em pensamentos demorei a perceber que ele me fitava, fiquei surpresa, mas seu olhar era de raiva e logo fiquei triste mais uma vez baixando meu olhar pra esconder as lágrimas que surgiam. Dei meia volta e saí dali.
Cheguei na entrada do restaurante e pedi a recepcionista que chamasse um táxi pra mim. Ela disse que demoraria cerca de dez minutos e eu assenti avisando que esperaria do lado de fora. Me sentei em um banco de madeira que ficava na porta do restaurante e fiquei esperando o táxi.
As lágrimas não paravam de transbordar, por mais que eu tentasse limpá-las era em vão. A hora parecia não passar nunca... eu só queria tomar um banho e me jogar na cama pra chorar amassando um travesseiro que nem criança pequena.
— Sakura?! — ouvi uma voz grossa me chamar, enxuguei minhas lágrimas e olhei pra vê quem era;
— Fugaku-san?! — só que o tava faltando pra fechar o dia – que surpresa – tentei sorrir, mas não consegui;
— Fugaku-san?! Cadê o tio Fugaku?! — falou brincando e eu sorri com o que ele disse;
— Eu não sou mais aquela menina – disse sorrindo de leve, espero que ele não perceba minha cara de choro;
— Nada disso, você sempre será aquela menina pra mim – ele sorriu – não vai dar um abraço nesse velho? — Fugaku sempre foi muito rígido, mas comigo ele era um doce de pessoa. Dizia que eu era a filha que ele nunca teve;
— Mas é claro – me levantei e lhe dei um abraço apertado – estava com saudades – senti minha voz embargar, mas controlei o choro;
— Eu também minha menina – se desvencilhou do meu abraço – não consegui falar com você no casamento, você estava linda, estava não, está linda – disse sorrindo;
— Obrigada, Fugaku-san – ele fez uma careta – obrigada tio Fugaku – sorri;
— Bem melhor – ele me deu uma piscadela – Você estava no restaurante? — eu assenti – Itachi ou Sasuke estão por aí? — quando ele falou o nome de Sasuke eu lembrei daquela cena deplorável e senti um nó em minha garganta;
— Eu só vi... o Sasuke – o nome dele saiu num sussurro e ele percebeu meu desconforto;
— E o que você faz aqui fora? — mudou de assunto e eu agradeci mentalmente por isso;
— Estou esperando um táxi – dei de ombros;
— Se eu não estivesse atrasado te levaria até em casa – tão fofo;
— Não precisa tio, ele já tá vindo — sorri – mas obrigada mesmo assim;
— Não precisa agradecer... Bom agora eu preciso ir, bom te ver Sakura – sorriu e me deu mais um abraço;
— Bom te ver também, tio — sorri de vota – até mais;
— Até – ele disse e passou pela porta de entrada do restaurante.
E mais uma vez eu estava ali sozinha e nada desse bendito táxi chegar, será que dá pra piorar? NUNCA NA VIDA REPITAM ESSA PERGUNTA, NUNCA.
— Irmãzinha?! — o cara lá de cima só pode tá de sacanagem com minha cara, não é possível – você por aqui...
— Itachi?! — puta que pariu, só falta a Mikoto agora... vixe melhor nem pensar que atrai — o que você faz aqui?
— Nossa, que receptividade – ele sorria, mas depois de analisar minha carranca desfez o sorriso – isso aqui é um lugar público se você não percebeu;
— Eu sei muito bem o que é isso aí – apontei com o polegar pro restaurante;
— Quanto bom humor — debochou;
— Você nem sabe o quanto – respondi de forma seca;
— Você ainda que me matar, né? — sério que ele ainda pergunta isso?!
— Você ainda tem coragem de perguntar? — perguntei incrédula;
— Desculpa Sakura, eu fiz o que eu achei melhor – eu senti sinceridade em seu tom de voz, mas mesmo assim eu sentia raiva por isso;
— Mas você achou errado, bem errado por sinal – disse bem fria
— Você tá mais azeda que maracujá seco – não sei como essa praga ainda arranja jeito pra brincar – me desculpa, por favor?
— Agora não adianta muita coisa o estragado já tá feito... Sasuke me odeia mesmo, nem na minha cara ele olha mais e agora resolveu me ignorar também – senti lágrimas brotarem em meus olhos;
— Vocês se encontraram de novo? — Itachi é tão lerdo assim?
— Sim, nos encontramos há pouco no restaurante – disse com a voz embargada;
— Ah claro – bateu na própria testa – a gente vai jantar com o papai, nem me toquei que ele já poderia tá aí... vocês brigaram de novo?
— Depende do que você entende por brigar – suspirei – eu tentei cumprimentá-lo, mas ele me ignorou por completo e me disse algumas coisas em forma de indireta ou direta mesmo. Foi horrível eu fiquei sem reação, Ino ficou puta e Sai tentou segurá-la – baixei meus olhos mais uma vez e comecei a chorar, de novo;
— Não acredito que Sasuke fez uma palhaçada dessa – mais um chateado com Sasuke, a fila só faz crescer;
— Ele tá no direito dele, eu o abandonei, lembra? — elevei minha culpa mais uma vez;
— Sakura, eu entendo que ele esteja chateado, mas se comportar como uma criança já é demais... Eu vou falar com ele, isso não pode ficar isso – quando Itachi seguia em direção a porta do restaurante eu o impedi;
— Por favor, não se meta nisso – pedi através de soluços – não brigue mais com seu irmão por minha causa, por favor;
— Vem cá baixinha – ele me puxou num abraço – só porque você tá pedindo, mas é só por enquanto... se eu souber que ele aprontou outra dessa ele vai se vê comigo, viu?! — eu apenas assenti com a cabeça em seu peito – agora para de chorar que eu não quero ver minha irmãzinha desse jeito.
Fiquei abraçada com Itachi até o táxi chegar, não conversamos mais nada apenas nos despedimos assim que o táxi chegou. Não demorou muito e eu já estava na casa de Naruto, chegando lá peguei uma garrafa de sakê e comecei a beber, terei que repor o estoque no meu amigo.
Bebi todo o líquido que tinha na garrafa, joguei no lixo e subi as escadas cambaleando. Eu tava bêbada, mas consegui chegar até o quarto e acabei batendo a porta de forma exagerada. Comecei a tirar minha roupa, mais do que nunca eu precisava de um banho.
Já despida entrei no banheiro e logo me assustei com a imagem que refletia no espelho. Era uma bela mulher de cabelos rosas com um batom vermelho divino nos lábios, mas aquilo tudo era uma fachada, na verdade aquele espelho não refletia a pessoa infeliz e sozinha que eu tinha me tornado.
Odiei o meu cabelo, meu batom, meus olhos, e principalmente eu me odiei. Num ato impensado de raiva dei um soco no espelho partindo-o em vários pedaços e ganhando de quebra vários cortes superficiais na minha mão direita. Olhei o sangue escorrendo pelas costas da minha mão e percebi que a dor que eu sentia ali não era nada comparada a dor que eu sentia no meu coração.
Derrotada eu fui tomar banho gelado pra que o frio me causasse alguma dor afim de anular aquele buraco no peito, mas foi em vão. Nem o ardor da água e do sabonete em contato com o ferimento diminuiu aquilo que me atormentava e sufocava o peito.
É mamãe, saudade doi muito mais que merthiolate... aquele ardor junto dessa dor é fichinha e não adianta a gente correr porque um dia ela te pega. Mas a saudade que carrega culpa é ainda pior e é essa que eu trago no peito.
E foi assim que terminou meu dia quase perfeito até que meu telefone tocou... era Itachi, eu não queria atender, mas senti uma dor no peito, e se tivesse acontecido alguma coisa? E se ele e Sasuke tivessem brigado por minha causa? Resolvi atender
— Aconteceu alguma coisa, Itachi? — atendi logo perguntando
— Oi Sakura, aconteceu sim – ele parecia nervoso – acabamos de chegar em casa e encontramos minha mãe desmaiada no chão da cozinha;
— Por que não a levaram pro hospital? — dei um pulo da cama;
— Porque eu achei melhor ligar pra você, mas se você acha melhor levá-la pra hospital nós levamos;
— Tudo bem – fui direto ao guarda-roupa procurar o que vestir – chego ai em 10 minutos;
— Obrigado, Saky – e desligou.
Agora mais essa, eu não queria encontrar com Sasuke depois daquela discussão no restaurante e nem Mikoto depois daquele show no banheiro no dia do casamento, mas era uma emergência. Minha mão ainda sangrava, mas eu não tenho tempo pra cuidar disso.
Vesti uma calça jeans, uma blusa branca e um casaco de moletom azul claro. Peguei minha maleta médica dentro da minha grande mala, eu sempre carregava essa maleta pra onde fosse era relativamente grande e continha alguns medicamentos pra usar em caso de emergência, por fim calcei umas sapatilhas pretas e corri em direção ao carro.
Em menos de dez minutos eu já estava na frente da casa dos Uchiha's, a última vez que fui ali foi naquele dia em que tive minha briga maior com Sasuke e terminei meu relacionamento com ele. Senti uma dor aguda no peito, mas eu preciso ser forte.
Dentro daquele loucura toda o efeito do álcool já tinha passado, olhei pra minha mão mais uma vez e me amaldiçoei por dar aquele murro sem pensar. Peguei uma atadura dentro da minha maleta médica e passei a atadura em volta de qualquer jeito por minha mão e prendi com um pedaço de esparadrapo.
— Dá pro gasto – falei comigo mesmo.
Suspirei mais uma vez, peguei minha bolsa, minha maleta e fui em direção aquela velha e conhecida casa.
Para minha surpresa Itachi já me esperava na porta, deve ter ouvido o barulho do carro. Ele não parecia tão aflito e isso me deixou mais tranquila.
— Oi Saky – veio minha direção e me abraçou, mas eu não pude retribuir o abraço por conta das coisas que carregava, então encostei apenas a cabeça do seu peito – obrigada por vim;
— Ita-kun – forcei um sorriso – irmãos são pra essas coisas – dei uma piscadela
— Então – pigarreou – vamos?
— Vamos – respondi e seguir pra dentro da casa.
Três pares de olhos me encaravam, um deles me encarava com ternura os outros dois não foram tão amistosos deixando claro que não queriam a minha presença ali. Eles eram de Sasuke e Mikoto.
— Boa noite – falei da forma mais cordial assim que entrei na sala dos Uchiha's
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