Daylight
45 Três corações
Notas iniciais
Mas eu não quero ser confusão
Então por favor me deixa na sua vida
Mas vê se aquieta o seu coração
...
Seca o choro e fica aqui comigo
Que até assim tristinha, eu já sei
Que eu amo você!
(Oração do bebê — Bárbara Dias)
Por Sasuke
— Você está grávida, Sakura!
A afirmação dita por Tsunade ecoava na minha cabeça e parecia não findar.
Busquei por Sakura e seu rosto transparecia o choque.
Eu tentei falar alguma coisa, mas nem um balbuciar de palavras saía. Tsunade nos olhava como se estivesse estudando nossas reações.
Sakura está grávida!
Grávida!
GRÁVIDA!
E, obviamente, eu sou o pai!
Puta que pariu, eu vou ser pai!
PAI!
— Tsunade, isso é impossível. Eu tomo anticoncepcional! – Sakura falou. – Não faz sentido.
— Tanto faz, que você está grávida, querida. – a voz de Tsunade é suave. – Não esperava ouvir isso de uma médica, mas você sabe que não existe nenhum método contraceptivo 100%.
— Mas ainda assim... as chances são mínimas. – Sakura buscava justificativas, como quem tenta negar a verdade dos fatos.
— Como você mesmo disse, são mínimas, e por isso, existem. – disse Tsunade. – Por causa disso, indicamos que os casais cruzem os métodos para uma maior eficácia. No intervalo entre uma cartela e outra da pílula, você não percebeu a ausência da menstruação?
— Eu emendo uma na outra. Meu Deus do céu, isso não pode estar acontecendo. – Sakura diz chorosa e me olha. – Não pode. Sasuke, eu... eu... me desculpe.
A abraço de imediato e deixo que ela desabe contra meu peito. Eu ainda não sei o que fazer. Aquela história, que diz, que em segundos sua vida pode mudar está fazendo todo o sentido do mundo agora.
Tsunade nos observava sem nenhuma expressão no rosto. Ela já deu incontáveis notícias como essa, já viu muitas reações. Poderia até escrever um livro sobre. Deixei a médica de lado e resolvi focar na mulher que chorava em meus braços. Eu tinha de falar algo.
— Você não tem porque me pedir desculpas, Sakura. – falei baixo enquanto acariciava seus cabelos. – É meu filho também.
Só depois de proferir a palavra filho que eu percebi o tamanho daquele fato. Eu terei um filho ou filha. Eu serei pai. Uma existência além da minha, feita por mim e por Sakura.
Não sei dizer como, mas meu peito se encheu de uma forma que parecia que ia explodir. Era felicidade genuína. Só percebi que chorava quando uma lágrima salgada me alcançava a boca. Olhei pra Tsunade, que dessa vez sorria e sorri de volta.
Continuei acariciando os cabelos de Sakura e beije-lhe o topo da cabeça. Seu choro é silencioso, mas não menos molhado.
— Eu entendo que é uma novidade e tanto na vida de vocês, mas eu preciso passar as orientações para Sakura. – manifestou-se Tsunade. Ela ganhou minha atenção e a de Sakura de forma mínima. – Precisamos fazer exames, querida. Principalmente uma ultrassonografia, para sabermos como está o bebê. Você está com cerca de 9 a 10 semanas. Precisa parar de tomar, imediatamente, a pílula e evitar grandes esforços, ainda mais nos primeiros meses. Nada de carregar peso, escalar montanhas ou se cansar ao extremo. O sexo está liberado, mas sem piruetas queridos. Um papai e mamãe bem feito e estarão renovados.
Tsunade não regula muito bem da cabeça.
— Minha sala já está pronta, Sakura. Podemos ir lá para fazermos a ultra e exames de sangue. Vou chamar um enfermeiro para leva-la até lá.
— Eu não quero, Tsunade. – disse Sakura num silvo de voz. – Eu quero ir para minha casa, agora.
— Mas, Sakura, precisamos saber como está o bebê. Você se acidentou, pode ter ocorrido algum sangramento.
— Eu não sinto nenhuma dor na região e não tive sangramento algum. Fui ao banheiro antes de vocês chegarem à sala e está tudo bem. Eu só preciso ir para casa, agora.
— Sakura, você prec.... – tentei intervir em favor de Tsunade, mas o olhar que Sakura me laçou me fez paralisar. Eu não ganharia uma discussão ali, nem queria começar uma com ela daquele jeito. – Tsunade, é melhor irmos para casa. – disse encarado a médica. – Sakura e eu precisamos conversar.
— Vocês são dois idiotas, mas eu não posso obrigá-la a ficar. Sabem onde me encontrar. – disse derrotada. – Vou chamar um enfermeiro para levar vocês até o estacionamento.
Tsunade saiu da sala e Sakura ficou apática, olhando para vazio em silêncio. Ela parece perdida e aquilo partiu meu coração. Ao contrário dela, eu estou com vontade de soltar foguetes de tão feliz que me encontro.
Prefiro manter-me quieto. Não quero pressioná-la, Sakura nunca funciona bem dessa forma, exceto no trabalho.
Logo o enfermeiro chega junto com Tsunade. Coloco Sakura com cuidado na cadeira de rodas. Ela continua em silêncio e apática. A Senju me passa alguns cuidados que eu devo tomar com Sakura, além das pomadas para as dores musculares assim como as compressas de gelo.
O caminho até a nossa casa foi no mais ensurdecedor silêncio. Nem o som eu tive coragem de ligar. Parei em uma farmácia e comprei o que Tsunade ordenara e mais uma vez, Sakura nada disse.
Chegamos em casa e fomos direto para o nosso quarto. Não podia deixar que Sakura continuasse a me ignorar.
— Você está com fome? – perguntei quando a sentei na cama. Ela parecia uma criança. – Quer comer alguma coisa? – insisti.
Ela apenas negou com a cabeça.
— Você tem que comer, amor.
— Não estou com fome. – disse num fio de voz.
— Um banho, você tem de tomar.
— Não quero.
— Mas vai. – disse firme. – Pode deixar que eu mesmo lhe dou.
Ela apenas me olhou e assentiu.
A levei até o banheiro, a despi com toda paciência do mundo, por conta dos seus machucados, e a coloquei no chuveiro. Ela ainda continha a mesma expressão desde que saímos do hospital. Tentei ao máximo me manter impassível, mas me parecia sufocante demais.
Passei a pomada, que Tsunade receitou, no pulso e no ombro lesionados. A vesti e coloquei os acessórios da imobilização.
— Será que você poderia me deixar sozinha, Sasuke? – sua pergunta me pegou de surpresa.
— Amor, a gente precisa conversar. – disse o óbvio. — Desse jeito não dá para ficar.
— Eu sei, mas eu preciso de um tempo sozinha. Por favor.
Suspirei pesadamente. – Tudo bem, mas não poderá fugir disso por muito tempo. Existe algo maior que nós dois no meio disso tudo, agora.
— Não vou.
— Vou tomar apenas um banho. Dormirei no sofá, qualquer coisa, pode me chamar, está bem?
Ela apenas acenou afirmando.
Quando saí do banho, Sakura estava dormindo, ou parecia estar. Seu rosto estava vermelho e molhado, sinal de que ela chorou.
Eu ainda não conseguia entender o porquê dela está se sentindo assim. Na verdade, o que me incomoda são os sentimentos opostos que estamos sentindo, agora, com relação a gravidez.
Por não saber o que fazer, eu decidi buscar ajuda. Talvez Sakura me mataria por isso, mas eu preciso desabafar ou explodo.
Resolvi contatar via Skype meu irmão e Naruto para conversarmos. Pensei em chama-los para sair, mas Itachi estava meio que em lua-de-mel e eu não queria deixar minha namorada sozinha.
Por sorte, eles me atenderam. Me escondi na área de serviço, não queria que Sakura pudesse ouvir a conversa.
— O que você quer irmãozinho tolo? Tinha que atrapalhar minha lua-de-mel? – bradou Itachi possivelmente irritado.
— Desculpe, mas é caso de urgência.
— Meu Deus! A Terra vai tremer! Sasuke-teme pediu desculpas assim? Sem mais nem menos? Então é muito grave.
— Sem escândalos, dobe. A situação é séria. – falei firme. – Vocês podem conversar ou não?
— Para mim está tranquilo, teme. Hinatinha está no banho, temos tempo para conversar.
— Eu também posso falar, maninho. Izumi está ao meu lado, tem algum problema se ela ouvir?
— Tudo bem, mas o que conversarei com vocês não pode ser comentado com mais ninguém, principalmente com Sakura.
— Qual foi a merda que você fez dessa vez, irmãozinho tolo?
Engoli em seco. – Eu vou ser pai! – disse, como quem tira um curativo.
— O QUÊ?????? – os dois gritaram em uníssono.
— É isso mesmo que vocês ouviram. – minha voz estava cansada. Fora que eu não estava nada confortável encostado na máquina de lavar.
— Meu Deus, Sasuke-teme! A Sakura-chan vai matá-lo! Como pode fazer isso com ela? – incrivelmente Naruto não berrava, mas sua voz era irritada. – Ela vai ficar muito puta com você. Como pode traí-la, assim? Ou foi antes de vocês voltarem? É alguma americana maluca, a grávida?
Eu não podia acreditar que ouvia uma besteira atrás da outra. Naruto fazia um curso para ser idiota a este nível. Não existe alguém mais burro que esse ser-humano.
Para completar a desgraça e o arrependimento cair sobre mim, Itachi ria, como o relinchar de um cavalo.
Por que diabos, eu procurei esses dois, mesmo?
— Não é nada disso que você está pensando, dobe. – disse o óbvio. – A grávida é a Sakura, seu imbecil.
— Puta que pariu, Naruto. – disse Itachi entre risos. – Você é muito burro mesmo. — Pela cara de desesperado do Sasuke, é de imaginar, que a nova mamãe do pedaço é a Sakura.
Naruto parecia processar os fatos. Ele era meio devagar, então já viu. Ele fazia várias caras e bocas, mas conseguiu entender.
— Então está tudo bem, Sasuke-teme. – o baka sorriu. — Por que todo esse drama então?
— Sakura não reagiu muito bem à notícia. – disse. Preferia não encarar meu irmão e meu amigo enquanto contava. – Desde quando Tsunade nos contou, Sakura não fala nada. Pediu para ficar sozinha. Eu não sei o que fazer.
— Explica essa história direito, Sasuke. – pediu Itachi. – Ela já apresentava algum sintoma ou foi do nada?
Parei para lembrar e, realmente, muita coisa fazia sentindo. Sakura estava mais preguiçosa que o normal e comia mais também, mas como ela sempre foi muito boa de boca e sono não desconfiamos. Ela estava mais nervosa ultimamente, desconfiava da pílula, mas nunca imaginei.
— Parando para pensar, ela apresentava sim, mas nada que gritasse gravidez. – falei. – Fora que ela toma pílula, ou tomava até hoje. Ela achou que era alguma disfunção hormonal, mas nunca pensou em gravidez. Por isso, ela decidiu fazer alguns exames e, Tsunade contou para gente, hoje, quando fui busca-la no hospital. Para piorar, Sakura ainda tomou uma queda e está com ombro e pulso lesionados.
— Caralho, Sakura tem um ímã para esse tipo de coisa. – bradou Itachi. – Foram graves as lesões?
— Aparentemente não, mas Tsunade não permitiu nenhum medicamento anti-inflamatório por conta do bebê. – sorri com a última palavra. – Ela fará fisioterapia também, mas só depois do período de repouso.
— Como diz minha prima Karin: “Nossa, que bafão. Tô no chão”. – Narutou tentou fazer uma piada. Não colou. – Cadê a Sakura-chan?
— Está no quarto, pediu para ficar sozinha. – bufei. – Ela não está lidando muito bem.
— E você, como está lidando com tudo isso? – perguntou meu irmão.
— Eu estou feliz para um caralho. – disse sorrindo. – Um pouco assustado, mas muito feliz. Eu sempre quis ser pai, claro que queria ter planejado melhor e tal, mas ganhei um presente antecipado. – sorri bobo. Itachi e Naruto sorriam de volta. — Essa questão de Sakura também me preocupa.
— E por que você acha que ela está assim, teme?
— Não sei, Naruto. Realmente foi uma notícia de tirar o eixo, mas ela está apática. Só saberei de fato, quando conversarmos.
— Primo querido. – Izumi apareceu na tela do celular ao lado do meu irmão. – Meus parabéns, papai. – sorri e agradeci. – Bom, eu acho que entendo um pouco a Sakura. Eu fiquei assim também, Itachi não sabe, porque não estava comigo na hora. Foi um susto enorme no início e ainda tinha aquela questão do meu pai. Demorou para cair a ficha, sabe? Sakura e eu perdemos nossas mães muito cedo, perdemos um elo importante, por isso, deixamos de trabalhar um pouco esse lado, mesmo que tenhamos pai presente. Fora que somos independentes, querendo ou não, com filhos, perdemos um pouco da nossa autonomia.
— Izumi, você está me deixando com medo. – falei assustado, ouvi Naruto rir.
— É sério, Sasuke. É outro ser-humano, que vai depender por completo da gente boa parte da vida. Sendo sincera contigo, seu irmão também sabe disso, mas eu nunca almejei ser mãe e Sakura parece compartilhar da mesma opinião. – ela sorriu. — Foi um choque no início. Eu pensei mil coisas, primo.
— Mas não parece. Vejo que você está muito feliz agora.
— Tempo, Sasuke. Um dia de cada vez. Digerindo, pensando e refletindo. Não foi da noite para o dia. Gravidez não é só glamour, como as capas de revistas querem que a gente acredite. Existem muitas coisas a mais que isso. Nosso corpo se transforma, os hormônios gritam, um sono e enjoo que não acabam. São fases, Sasuke.
— Eu concordo com tudo que Izumi está dizendo. – se manifestou Hinata ao lado de Naruto. Nem notei quando ela apareceu. – Eu também fiquei muito feliz na hora, porque eu sempre desejei ser mãe, então para mim foi mais fácil. Só que vem todo o resto. Os medos, a cobrança...
— Não tem nada de bom, então? – perguntei confuso.
— Claro que tem. – disse Hinata. – É uma nova vida, fruto do amor de vocês. Um amor que não se mede. Você não sabe a cara do seu bebê, como ele vai ser, mas você já o ama ou ao menos se importa. É tudo novo. Tenha um pouco de paciência com a Sakura. Por mais que você seja o pai, o bebê cresce na nossa barriga, é inexplicável, o misto de emoções que isso causa. Você compreende?
— Um pouco.
— Até você está confuso, Sasuke. Por que com a Sakura seria diferente? – perguntou Izumi.
— É, vocês duas têm razão. – me senti mais aliviado. – E os maridos de vocês não servem para nada, que fique claro. – elas riram, enquanto Itachi e Naruto gritavam que eu era um belo de um filha da puta.
Ao fim da conversa, todos me parabenizaram, e eu me senti mais leve. Saí do meu esconderijo, ou melhor, área de serviço e dei um pulo no quarto, Sakura dormia. Se eu estivesse no lugar dela, talvez eu estivesse da mesma forma. Espero que ela não protele tanto assim nossa conversa.
Dei um beijo na sua testa e, ela se remexeu abrindo os olhos.
— Desculpe. Vim ver se estava tudo bem com você. – falei baixinho.
— Não tem problema. Por conta da dor, eu durmo e acordo. Não tem uma posição que preste. – resmungou. Nem parecia a Sakura apática de antes.
— Quer que eu pegue gelo ou passe a pomada?
— Não. Eu quero que você venha para cama.
— Mas você não queria ficar sozinha? – eu vou me foder com esses hormônios, já estou vendo.
— Não quero mais. Você fica, mas em silêncio, pode ser?
— Mas ainda iremos conversar amanhã, não é?
— Aham. – bocejou. – Agora deita na cama e me faz um cafuné.
— Folgada! – ela riu com os olhos fechados e meu coração se encheu de paz com aquilo. Acho que ao final, ficará tudo bem.
[...]
— Ai, mas que caralho! Merda! – ouvi Sakura gritar do banheiro. Eu estava dormindo profundamente, não vi, quando ela levantou da cama.
Me levanto num pulo e vou atrás dela, que está no banheiro.
— O que foi Sakura? Você se machucou? – cheguei perguntando. Notei que ela fazia um malabarismo, para tirar a roupa, mas, por conta dos machucados, ficava complicado. – Por que você não me acordou? – me aproximei e ajudei a se despir.
— Você estava dormindo, não queria te acordar. Inferno! – bufou. Ela estava brava, que ótimo. – Nem tomar um banho sozinha eu consigo.
— Calma, Sakura. Você está machucada, tenha um pouco de paciência consigo mesma. – falei enquanto abaixa seu short. – E você pode me chamar para que eu possa te ajudar. Você não está sozinha.
— Eu sei que não estou, mas odeio incomodar as pessoas.
— Não é incômodo e você faria o mesmo por mim. – belisquei seu nariz e, ela riu. – Muito melhor agora. Quer que eu te ajude no banho?
— Não precisa. Só na hora que eu precisar me enxugar, pode ser?
— Claro. Eu estarei no quarto, é só me chamar.
— Obrigada. – se aproximou e me deu um beijo cálido nos lábios. – Amo você.
— Eu também amo você. – disse por fim e saí.
Fiquei deitado na cama enquanto Sakura se banhava. Em nenhum momento ela falou sobre conversarmos, mas está melhor do que ontem. Estou mais animado.
Quando dei por mim, uma Sakura ensopada e mal enrolada na toalha estava em minha frente.
— Você não ia me chamar para te ajudar? – indaguei com falsa birra indo em sua direção.
— Eu consegui enrolar a toalha. – ela olhou pra si. – Ou pelo menos tentei. Deu meio certo.
— Sua teimosia extrapola os limites. Vem, vou te ajudar a se vestir. – comecei a enxugá-la. – Tem alguma roupa de preferência?
— Pega para mim aquele vestido rosa florido que está no cabide e uma calcinha de algodão, por favor.
— Um minuto.
Peguei a roupa, que Sakura escolheu, e fui vesti-la. Ela me observava com curiosidade, mas nada dizia. Fiquei bastante curioso com sua avaliação, mas continuei com minha tarefa. Passei as pomadas nas lesões e só agora notei que ela não tinha feito nenhuma compressa de gelo ainda.
— Você quer pôr o gelo agora? Você não fez isso nenhuma vez ainda. – a lembrei.
— Não precisa. As pomadas têm ajudado. – suspirou. – Precisamos conversar, Sasuke. – meu coração falhou uma batida.
— Eu sei. – confesso. – Mas estava esperando que partisse de você. Não queria pressioná-la.
— Obrigada por isso.
— Mas confesso que não entendi a sua reação ou a falta dela. Não sei se ficou triste ou alegre. – evitei encará-la, eu não podia fraquejar agora. – Eu sei que foi uma notícia e tanto, mas o jeito que ficou me deixou pisando em ovos.
— Sasuke, a notícia que recebemos, ontem, muda tudo. – Sakura está num misto de emoções.
— Você está com medo? – fui direto.
— O que você acha? – ela me encara com aqueles olhos verdes esbugalhados. – Eu estou apavorada, Sasuke.
— Sakura, tenha calma nã...
— Sasuke. – ela me corta. – Um filho muda tudo, acorda, pelo amor de Deus. A gente voltou há poucos meses e moramos juntos há uma semana. Estamos nos estruturando ainda. É tudo novo. E vamos combinar, eu estou longe de ser maternal.
A encarei e refleti sobre o que ela acabou de dizer. Por mais que fosse duro e difícil de admitir, é tudo verdade. Engoli em seco e perguntei – Você quer tirar? – aquela pergunta me doeu até a alma.
Sakura se remexeu um pouco na cama e soltou um longo suspiro. – Vou ser sincera com você, Sasuke. – me encarou. – Eu pensei nisso sim. – senti um aperto no peito. — Você me conhece e sabe que eu sou a favor das mulheres fazerem o que bem entenderem com seus corpos. Mas eu não quero fazer isso.
— Não?!
— Não. – ela sorriu e não pude deixar de fazer o mesmo. – Eu não sei te explicar, mas quando eu fiquei sozinha, eu pensei sobre tudo. Tudo mesmo. Desde quando era pequena até os dias de hoje. Tudo que me trouxe, nos trouxe até aqui... – uma lágrima solitária escapou do olho direito dela. – Eu senti algo forte, Sasuke. Não sei te explicar, mas é como se eu estivesse conectada com essa criança. Uma ligação inexplicável, uma espécie de amor puro, uma verdade real... – os olhos de Sakura estavam agora verdadeiramente inundados. – Eu não posso abortar, isso não é mais possível. Essa criança já está em mim mesmo antes de existir.
As palavras de Sakura provocaram uma avalanche de emoções em mim. Meu coração batia a mil e as lágrimas escorriam agora sobre o meu rosto.
— É verdade, isso que você está me dizendo? – perguntei enquanto a abraçava forte e a beijava em vários lugares do seu rosto.
— A mais pura verdade, papai Sasuke. – ela sorriu boba e eu também. – Me desculpa por ontem, mas eu precisava pensar sobre tudo isso. Mas, Sasuke...
— Sim?
— Eu realmente estou apavorada, por mais que eu deseje esse bebê. – sua sinceridade é papável. – E, se eu for uma péssima mãe? E, se eu fizer tudo errado?
Segurei seu rosto em minhas mãos e a encarei. – Amor, eu estou ao seu lado para dividir tudo com você. – beijei a ponta do seu nariz. – Eu também estou com medo, a gente não nasce sabendo, Sakura. Vamos com calma, está bem? – ela anuiu. – Uma coisa de cada vez. Além do mais, você é uma excelente pediatra, lida com criança todos os dias, tem mais experiência que eu.
— Mas não são meus filhos ali.
— Meus filhos. Gostei dessa pluralidade toda.
— Deixa de ser idiota, Sasuke. Eu não sou coelha.
— Nossa, que brava. – brinquei e ela riu. – Eu sei que os pacientes não são seus filhos, mas você tem noção de como lidar ao menos. Você zela e cuida deles com muito amor, mesmo que não tenham saído de você.
— E essa falta de instinto maternal?
— Instinto é algo natural, ele será acionado quando for a hora. Assim como o paternal. Não se prenda a isso. Eu estarei aqui com e por vocês. – faço um afago no ventre de Sakura o qual está quente. – Vamos dividir tudo. Confia em mim.
— Eu confio, amor. – me beijou os lábios e se aconchegou no peito. – Obrigada, Sasuke.
— Eu quem agradeço. Obrigado por tudo, Sakura. Eu amo você. – apertei a com cuidado.
— Nós te amamos também, papai.
— Você quer me fazer chorar, não é? – a encarei ainda a abraçando.
— Eu só disse verdades, meu bem. – ela limpou minhas lágrimas. – Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, Sasuke.
— E você na minha.
Beijei Sakura com todo amor e força do meu ser. Era lento e intenso. Eu amo essa mulher mais do que posso imaginar ou medir em palavras e, agora, eu a amo ainda mais. Não sabia que isso seria possível.
O beijo foi encerrado sem pressa e logo depois eu deitei na barriga de Sakura a acariciando, enquanto ela fazia cafuné nos meus cabelos.
— Sasuke?!
— Sim?! – disse com a voz embargada. Peguei no sono sem perceber.
— Preciso que se arrume.
— Para quê? Está tão bom aqui.
— Vamos ao hospital. Preciso fazer os exames, saber como está o bebê. – olhei pra Sakura, mas ela não parava de acariciar meus cabelos. – Além do mais, eu tenho que contar para meu pai antes que Tsunade o faça.
— Ela faria isso?
— Com certeza. Ela está bem da pá virada comigo por ontem. Não duvido que conte ao meu pai e faça ele vir me buscar aqui.
— É você tem razão. Vou correr e me arrumar.
— Obrigada, querido. Vou ligar pra Tsunade avisando que nós estamos indo para lá.
Dei mais um beijo nela e fui me arrumar. Hoje é um dia que entrará para história das nossas vidas e eu estava feliz demais com isso.
Por Sakura
Grávida.
Eu estou grávida.
Haruno Sakura está grávida.
Desde que saí do hospital, essa afirmação ficou rodando na minha cabeça, como um looping eterno.
De vez em quando, eu pegava Sasuke me observando curioso pelo caminho. Eu sabia que a minha falta de atitude o afetava, mas eu não sabia como reagir de outra maneira. Parecia um pesadelo ou uma brincadeira de mau gosto.
Eu nunca fui muito maternal, sabe?
Nem sonhei em ser mãe. Quando namorei o Sasuke, na adolescência, a gente até comentava, mas nada que afirmasse que seria um pedaço do nosso futuro. Bem, depois que eu fui embora daqui, essa possibilidade ficou ainda mais remota.
Mas o destino parecia gostar de me pregar peças. Depois que voltei pra Konoha, tudo foi acontecendo rápido demais e eu não tinha controle algum. Quando me vi, já estava morando com o Sasuke. Não que isso seja ruim, ao contrário, é maravilhoso. Contudo, um filho agora seria outra coisa.
Eu queria isso?
Ou melhor
Eu quero?
Me doeu, pedi-lo para que me deixasse sozinha. Me doeu e muito. Porém, eu não via outra forma de pensar sobre isso.
Quando ele deixou definitivamente o quarto, eu consegui pensar. Tentei, de alguma forma, raciocinar sem me auto punir ou a Sasuke por nossa falta de competência em evitar uma gravidez.
A possibilidade de engravidar tomando pílula é mínima, ou quase nula. Uma coisa eu tive logo certeza, essa criança tinha a minha teimosia e a de Sasuke juntas. Eu ri com esse pensamento.
Outros começaram a assolar e o medo foi um dos maiores. O medo de não conseguir, de não ser uma boa mãe, que meu filho ou minha filha me odiasse... Embora sentimento este não fosse o mais correto a se pensar, a grande reposta era saber se eu queria aquela gravidez e, consequentemente, tudo que vem junto com ela.
E foi aí que eu senti algo inexplicável. Uma conexão, uma calma, um preenchimento. Minhas mãos foram em direção ao meu útero institivamente, ele estava quente, vivo e presente. Já existia uma conexão e eu não queria interrompê-la, um aborto não cabia ali.
E, logo depois, o medo de não conseguir, outra vez, me assolou em cheio. Eu não tenho instinto maternal, aquela vocação nata para ser mãe, que a sociedade adora colocar na cabeça das mulheres, que todas nós temos isso. Não é bem assim. Não somos obrigada a nada.
E, no meio desses devaneios e pensamentos, eu acabei pegando no sono, mas acordava diversas vezes, ao longo da noite, por conta das dores no corpo. Numa dessas vezes, o Sasuke estava no quarto e eu pedi pra que ele ficasse ao meu lado. Era estranho quando ele não estava.
Logo pela manhã, nós conversamos e pude ver Sasuke respirar aliviado. Ele está muito feliz, ele sempre quis ser pai. Na verdade, ele sempre gostou desse modelo de família de comercial de margarina, mas com amor genuíno. Até porque, de vez em quando a gente briga mesmo e nem tudo são flores. As pessoas são diferentes umas das outras, então é comum que haja atritos de vez em quando.
No caminho para o hospital, eu roía as unhas por conta do nervosismo e da curiosidade em relação ao ser que crescia em meu ventre. Tsunade me disse mil coisas pelo telefone, 900 delas foram xingamentos, é muito amor. As outras 100 foram sobre a importância dos exames e foi aí que me deu conta de que essa seria a primeira vez que eu veria o bebê. Só de pensar na existência de uma outra pessoa dentro de mim, guardada e, completamente, dependente dos meus cuidados, nessa fase, faz meu coração bater mais acelerado e o misto de sentimento assolar.
Sinto Sasuke fazendo um carinho no meu ventre com uma das mãos, enquanto ele segura o volante com outra. – Um dango por seus pensamentos.
Só a menção da palavra fez com que eu sentisse o gosto do doce na boca, eu tinha de comer. – Querido, você entrou numa seara perigosa agora. – ele me olhou confuso. – Foi só você falar em dango que minha boca já está salivando.
— Perto do hospital tem algumas lojas, podemos parar lá antes.
— Melhor pararmos depois, senão vou querer comer, e, Tsunade me quer em jejum, para os exames. – disse inconformada.
— Tudo bem. – Sasuke sorriu. Ele estava só sorrisos hoje. – Agora me diga o que estava pensando enquanto comia as unhas?
— Estou um pouco ansiosa pelo ultrassom. – dei de ombros.
— Aquele troço todo borrado que a gente não enxerga nada? – bufei.
— Você, não enxerga nada!
— Não enxergo mesmo! Vocês, médicos, têm habilidades especiais; além de enxergarem coisas, naquele troço borrado, ainda escrevem com letras de garrancho.
— Uchiha Sasuke, você está dizendo que a minha letra é de garrancho?
— Amor, você já viu sua letra quando você escreve com pressa ou com sono?
— Idiota. Esses momentos não contam! E eu imprimo as receitas dos meus pacientes para que não tenha erro.
— Está vendo aí, até você sabe dos seus poderes ou a falta deles.
— Vai à merda, Sasuke.
— Não posso, vamos para o hospital agora.
— Idiota. – digo prendendo o riso que solto assim que Sasuke me olha. – Obrigada.
— Pelo que?
— Por me acalmar.
— A prática leva a perfeição, meu amor. – reviro os olhos. – E aí, está pronta? Acabamos de chegar. — só agora eu noto que já estamos no estacionamento do hospital.
Solto uma lufada de ar. — Estou sim, vamos lá!
Eu já me encontrava na sala de Tsunade, com aquele modelito lindo, que somos obrigadas a usar quando vamos ao ginecologista. Os exames laboratoriais já tinham sido feitos, depois da terceira pipeta, com sangue retirado, eu parei de contar. A cara de Sasuke foi a melhor coisa. Ele nunca foi muito chegado à hospital e à sangue.
A cara dele está igualmente hilária agora. O Uchiha nunca entrou numa sala de atendimento ginecológico. Ele olhava para tudo, com uma curiosidade peculiar, mas nada foi tão grande quanto ao choque que ele teve quando viu onde eu deitaria e, onde minhas pernas ficariam, para realização do exame.
— Toda vez que você vem aqui é isso? – me indagou baixinho. Tsunade estava no outro lado da sala éramos separadas por um biombo. – Não é desconfortável ficar desse jeito?
— Toda vez, meu bem. No início é desconfortável sim, mas depois você vai acostumando. Quando você tem confiança no médico, é ainda melhor, então pode ficar tranquilo, está bem?
— Tudo bem. – me deu um beijo na testa. Sasuke estava ainda mais carinhoso comigo. — Confio no que me diz.
— Tão bonitinho vocês dois. – disse Tsunade. – Estão preparados? – assentimos nervosos. – Queridos, serei sincera com vocês. Esse bebê será uma mudança gigantesca na vida de vocês, creio que já saibam disso. Eu gostaria que soubessem que estou aqui para o que precisarem. – era notável a emoção por trás da voz de minha madrinha, senti uma inquietação no peito. – Farei este parto com o maior amor do mundo.
— Eu sei disso, madrinha. – me segurei para não chorar. Os hormônios já estavam aflorando demais. – Obrigada.
— Obrigado, Tsunade. – Sasuke agradeceu.
— Agora, vamos ao que interessa! – vi minha madrinha preparando a sonda para a transvaginal. – O que foi, Sasuke, por que você está com essa cara de assustado?
— Você vai colocar isso dentro dela? – eu ri da pergunta dele. O Uchiha estava vermelho. – Não é um aparelho que passa em cima da barriga?
— Primeiro, faremos uma transvaginal, querido, portanto sim, eu vou colocar isso dentro da Sakura. – ele fez uma cara estranha. – Não se preocupe, Sasuke. Isso não causa nem cócegas, Sakura ainda preferirá o seu.
A cara de desgosto de Sasuke foi categórica e, eu não pude deixar de rir. Tadinho do meu namorado.
— Tsunade, o Sasuke nunca presenciou nada do tipo. Vá com calma. – tentei segurar em vão o riso pra desgosto do Uchiha. – Desculpa, amor, não consegui segurar. – ele nada disse, mas a cara birrenta estava ali.
— Tira essa cara de quem chupou limão ou te boto para fora daqui, Uchiha. – a cara de azedume continuou lá. — Eu ajudei a sua mãe a te colocar no mundo, tenho prerrogativas. – a mais velha resmungou. – Agora vamos a exame. – antes da ultrassom, Tsunade abriu a camisola hospitalar e passou a apalpar meus seios. – Você tem sentido dores nos seios, querida?
— Não, mas eles estão maiores.
— Certo. E as cólicas?
— Nada muito forte e nem duradouro. As mesmas que sentia quando não estava grávida, por isso não desconfiei de nada.
— Tudo bem. Você já parou com a pílula?
— Já.
— Ótimo. – ela pegou a sonda para o início da ultrassom. – Se você sentir algum incômodo, me fale está bem? – assenti. – Vamos começar.
Senti a sonda gelada, por conta do lubrificante, adentrar a minha intimidade. Senti Sasuke enrijecer ao meu lado, por isso peguei sua mão esquerda e a segurei num gesto para mostrar que está tudo bem.
— Como eu pensei, Sakura. – voltei a minha atenção ao monitor. – Você está entre a nona e a décima semana. – minha visão de repente nublou. Meus olhos estavam lacrimejando. Apertei a mão de Sasuke com mais força ainda. – Conseguem ver?
— Sim. – minha voz estava embargada. Olhei pra Sasuke e pela confusão em seu olhar ele não tinha conseguido ver.
— Aqui, Uchiha. – Sasuke ainda segurando a minha mão foi para mais perto do monitor. – Esses aqui são os cotovelos, aqui estão as mãozinhas, os dedinhos bem formados. Consegue ver? – ele assente e me olha com cara de bobo. – Aqui estão as orelhinhas e aqui estão os olhinhos. O sexo ainda não dá para saber, isso é mais para frente. Ele ou ela já se movimenta, os músculos estão se desenvolvendo, mas Sakura pode não sentir, o que não tem problema. Agora, vamos a melhor parte...
Batimentos cardíacos começam a ecoar pela sala. Sasuke me olha surpreso. – É o coração do bebê? – pergunta surpreso e eu assinto. – É rápido assim? – confirmo emocionada demais para pronunciar algo.
Tsunade fica em silêncio apenas nos observando. Sasuke se aproxima e me abraça tendo todo cuidado com meu ombro e pulso lesionados. O coração dele também estava acelerado, seus olhos estavam vermelhos e marejados.
— Eu te amo tanto. – ele diz. – Obrigado, Sakura.
Eu não consigo responder, contudo, de alguma forma, Sasuke sabe que a recíproca é verdadeira pelo jeito como me abraça e me beija os lábios.
Quando você acha que não, a vida vem e te surpreende. Uma surpresa e tanto, eu diria, uma vez que não esperava algo desse tipo acontecer. Se, um dia, eu ficar triste essa será a memória que repetirei em minha mente, para ficar alegre outra vez.
Depois daquele misto de emoções, Tsunade concluiu o exame e deu um tempo para nós dois nos refazermos das emoções sentidas naquele consultório. Completou o atendimento me parabenizando, me passou umas vitaminas, que eu teria de tomar, recomendações e reforçou os quinze dias em casa.
— Eu serei a avó mais babona do mundo. – disse minha madrinha, para meu espanto.
— Você vai deixar que meu filho ou filha te chame de avó? – indaguei. – Logo você? Naruto faz isso e você quase mata ele.
— Seu bebê é diferente, querida! Ele ou ela pode! – sorriu. – Jiraya será um avô muito babão também.
— Contanto que ele não ensine pornografias ao meu filho, está tudo ótimo. – Sasuke se manifestou.
— Credo, Sasuke. Você vai da felicidade ao azedume em 10 segundos. Deixe de coisa. – Tsunade tinha problemas em simpatizar com Sasuke. – Se for menina, eu mesmo ensinarei as coisas a ela!
Sasuke paralisou e ficou mais branco que já era. Me olhou desesperado. – Está tudo bem, querido! – tentei tranquiliza-lo, mas no fundo, estava rindo dele. Sou malvada? Um pouco, talvez. – Nosso filho ou filha ainda é um bebê, ok? Sem drama!
— O tempo passa rápido, Uchiha. Quando você menos esperar...
— Tsunade, por favor! – Sasuke ia encolhendo cada vez mais na cadeira. — Fica calmo, Sasuke. Está tudo bem. – voltei meu olhar à Tsunade, que tinha um sorriso maquiavélico na cara. – Madrinha, muito obrigada por tudo. Volto assim que os demais exames estiverem prontos. Vamos, Sasuke?
— Vamos. – pude sentir o alívio vindo dele.
Tsunade me abraçou outra vez e deu língua para o Uchiha. Muito carinhosa e adulta, claro.
Já no corredor do hospital eu lembrei que tinha de dar a notícia ao meu pai, ele seria vovô no fim das contas. Sasuke concordou comigo e partimos na direção da sala do Dr. Haruno, que por sorte não estava em atendimento ou cirurgia.
— Oi, pai! – me anunciei assim que entrei na sala.
— Oi, filha! – ele me olhou e passou a me analisar, pelo visto o incidente comigo não chegou aos ouvidos dele. – O que aconteceu com você, Sakura? – ele veio correndo em minha direção. – Oi, Sasuke. – falou sem ao menos olhar pra Sasuke, que respondeu apenas oi.
— Pai, você está sem barba? – a pergunta, sem mais nem menos, o desconcertou. A última vez que vi meu pai sem barba foi quando ele e a mamãe renovaram os votos. Isso cheirava a flerte com o sexo oposto.
— Sakura, não desvia da pergunta, por favor, o que foi que aconteceu com você?
— Posso entrar na sala? – ele assentiu dando passagem. – Sasuke e eu sentamos naquele sofá macio. Ai que vontade de um cochilo. – Eu caí ontem, mas estou bem não foi nada demais.
— Como que não foi nada demais? Você está com dois imobilizadores, um em cada braço. – meu pai estava com as mãos na cintura e batia o pé direito no chão. – Responde, Sakura!
Bufei revirando os olhos. – Pai, por favor, eu estou bem, não foi nada. Agora, por gentileza, senta aí. Sasuke e eu precisamos dar uma notícia.
— O que foi? Aconteceu algo com o apartamento de vocês?
— Calma, pai, respira. – olhei pra Sasuke que estava meio perdido, a notícia partiria de mim. Olhei para meu pai e falei: – Eu estou grávida. Sasuke e eu seremos pais!
O queixo do meu pai caiu! – O quê?
— Por favor papai, não me faça repetir!
— Isso é brincadeira, não é, Sasuke?
— Não, senhor. – Sasuke finalmente se manifestou. – Descobrimos ontem e, hoje, Sakura fez alguns exames. Tsunade nos informou que a gestação está entre a nona e a décima semana.
Olhei, para meu namorado, chocada. Ele gravou tudo que Tsunade disse, que orgulho desse neném!
— AI, MEU DEUS DO CÉU. – meu pai gritou. – EU VOU SER VOVÔ. – me olhou. – Isso é verdade, não é? Se for pegadinha eu te ponho de castigo, Sakura!
— Pai, bem menos, quase nada. – sorri. – Eu não brincaria com isso, o senhor será mesmo vovô!
— Meu Deus, Sakura! Eu vou ser vovô! – ele veio na minha direção e deu um abraço de urso. – Ai, milha filha, eu estou tão feliz. Tão feliz, minha pequena! – sorri e recebi o carinho de bom grado. É muito bom tudo isso!
Sasuke e eu ficamos muito felizes com a receptividade e o carinho de meu pai. Ele nos abraçou incontáveis vezes e agradeceu outras tantas. No fim, brindamos com suco de morango já que eu estava proibida de ingerir álcool, os cavalheiros, então, decidiram ser solidários a mim.
Eu encarava a estante da sala do meu pai e a quantidade de fotos de minha mãe me fez divagar. – Ela iria adorar ser avó! – falei. – E eu adoraria que ela estivesse ao meu lado nesse momento!
Meu pai se aproximou de mim e me abraçou de lado. – Mebuki já teria te arrastado para as compras. – disse brincalhão. – Sua mãe está ao seu lado, querida. Ela está tão feliz quanto todos nós de onde ela estiver.
— É, você tem razão! – sorri. – Cadê o Sasuke?
— Ele foi atender uma ligação. – dei de ombros. – Querida, eu tenho uma consulta em cinco minutos. Gostaria muito de ficar mais com você, mas o dever me chama.
— Que é isso, pai. Pode ir tranquilo. – sorri. — Eu vou apenas esperar o Sasuke e ir para casa.
— Ótimo filha. Vou para meu consultório. – me deu um beijo na testa.- Obrigado, pelo presente!
— Não pense que esqueci a falta da barba. – o rosto do meu pai ficou vermelho. – Num momento oportuno, o senhor me contará tudinho, Kizashi-sama!
— Agora eu tenho que ir, filha. – desconversou. – Até mais!
Aí tinha e eu iria descobrir.
— Sakura?! – Sasuke entrou na sala. – Seu pai saiu apressado, aconteceu alguma coisa?
— Ele foi atender um paciente e fugindo de mi.
— Fugindo de você?
— Sim. Aquela falta de barba tem nome e é nome de mulher.
— Isso te incomoda? Tá com ciúmes do papai?
— Claro que não. Só queria que meu pai confiasse em mim, me contasse! – falei a verdade. – Mamãe se foi há tanto tempo. Já está na hora dele deixar esse luto passar!
— Mas não rola nem um ciuminho? – Sasuke fazia um gesto diminutivo com o polegar e um indicador.
— Não. Só quero que eles se tratem bem, apenas!
— Se você diz, eu acredito. Mas então, vamos? Você não comeu nada hoje ainda e Tsunade disse que você não pode ficar...
— Sem se alimentar direito. – completei. – Eu sei, amor, eu sei! E por isso, pensei da gente almoçar no Centro Comunitário de Konoha, o que acha? Os dangos de lá são os melhores!
— Você está indo pelo almoço ou pela sobremesa?
— Os dois! Eu juro no dedinho se você quiser.
— Usando dedinhos numa falsa promessa, a senhorita já foi melhor, Haruno!
— Para de ser chato, Sasuke, e vamos logo. Estou com muita fome e, se lembre que agora como por dois.
— Então vamos, não quero que nosso filho pense que estou o privando de alimentos.
— Então vamos, papai Sasuke!
[...]
Depois de almoçarmos, Sasuke e eu fomos sentar ao pé da nossa árvore favorita, para comer dango e aproveitar esse sol de verão.
— Sakura, come com calma, o dango não vai fugir. – Sasuke reclama comigo.
— Isso aqui tá muito bom, tem certeza que você não quer? – disse me recostando ainda mais em seu peito.
— Não, meu amor, obrigado.
— Não sabe o que tá perdendo. – dei de ombros.
— Eu passo.
— Quando vamos contar à sua família?
— Bom, Itachi meio que já sabe. – olhei pra ele, que estava sem graça.
— Ou sabe ou não sabe, Sasuke. Quando você contou?
Vi Sasuke apertar os olhos. – Ontem à noite. – suspirou. -Eu precisava falar com alguém, Sakura.
— Eu não estou brigando com você. Só perguntei quando foi!
— Eu contei para ele e Naruto, consequentemente, Izumi e Hinata também sabem. – confessou. – Precisava de conselhos, no fim das contas, elas me ajudaram mais que eles. Fomos parabenizados.
— Será que Itachi contou para os pais de vocês?
— Acredito que não, mesmo ele sendo língua solta. – ele riu. – Tenho receio de contar aos meus pais e meu pai desmaiar.
Ri com a lembrança. – Eu tenho mais medo de sua mãe, claramente, eu não sou a favorita dela.
— Você acha que ela vai ficar brava?
— Brava não, pelo menos, eu acho. Desgostosa, talvez.
— Eu espero que não, ficarei muito triste se ela agir dessa forma.
— Então, não pensemos sobre isso agora, está bem?
— Mas precisamos contar.
— Eu sei, querido. Vamos contar, sim.
— Podemos marcar um jantar lá em casa, o que acha?
— Ótima ideia. Só deixa eu ficar melhor dessas lesões e me preparar psicologicamente, claro.
— Tudo bem, mas sem enrolar.
— Pode deixar, Sr. Uchiha.
— Vamos para casa? Estou um pouco cansado.
— Eu também. Só vou comprar mais um dango e vamos.
— Vem – se levantou e me estendeu a mão. — Eu te ajudo a levantar.
— Obrigada, amor.
[...]
Ficar de repouso é bom... até certo ponto. Eu já não aguento mais ficar em casa, estou mergulhada num tédio interminável e para melhorar – sinta o sarcasmo – os sintomas da gravidez afloraram de vez.
Na primeira semana, Sasuke tomou conta de mim. Ele trabalhava apenas no turno da manhã. Os enjoos vinham apenas pela manhã, acho que nosso bebê não curte ficar longe do pai.
Eu já estava muito melhor, pensei em adiantar a fisioterapia, mas Sasuke, Tsunade e Sasori montaram um complô do mínimo esforço contra mim, 15 dias em casa e ponto. Eles sabiam que, se eu pisasse no hospital, eu não faria apenas a fisioterapia. Como Sasuke tinha de voltar ao trabalho, integralmente, cada dia da segunda semana de repouso alguém vinha tomar conta de mim.
A primeira delas foi a Ino. Minha amiga chegou toda solícita com um lindo buquê de lírios em mãos. Foi só cheiro da flor chegar ao meu nariz, que o estômago embrulhou e fui correndo para o banheiro. Entre um vômito e outro, eu contei à Ino a novidade. Fiquei meio surda depois.
Hinata veio no dia seguinte. Diferente de Ino, ela me trouxe comida do Byakugan. Como não amar, não é mesmo? Ela já sabia da novidade, mas me deixou tão surda quanto Ino. Nesse mesmo dia, Naruto e Hinata jantaram conosco.
Depois de Hinata, foi a vez de Sasori. Ganhei uma massagem nas lesões e fiz alguns exercícios fisioterápicos. Deidara chegou à noite e jantamos todos juntos. Jogamos vídeo game até de madrugada.
Izumi foi quem cuidou de mim ontem. Ela já queria desenhar o quarto da criança e foi aí que eu notei que Sasuke e eu teríamos de nos mudar para um lugar maior. Nós dois dependíamos do escritório, então, não poderíamos simplesmente nos desfazer dele.
Depois que Izumi e Itachi foram embora, conversamos e decidimos que iríamos nos mudar. Venderíamos o atual apartamento que moramos e o meu lá em Tóquio, com o dinheiro, compraríamos uma casa.
Nós dois crescemos em uma casa, com quintal, espaço e, por isso, achamos que seria a melhor decisão para o bebê. Tínhamos que fazer tudo o mais rápido possível antes que a gravidez avançasse mais. Será trabalhoso, mas necessário.
Hoje, é o meu último dia de repouso. Tenten viria cuidar de mim, se um evento importante, e, de última hora, não surgisse para ela organizar. Eu teria de ficar sozinha e Sasuke não estava gostando muito disso.
— Querido, é apenas um dia. Eu estou bem melhor posso fazer as coisas sozinha!
— Sakura, Tsunade e Sasori foram taxativos, são quinze dias de repouso e não quatorze.
— Meu Deus, Sasuke! – eu já estava brava para cacete. – Eu não vou fazer nada imprudente, você pode confiar em mim ou tá difícil?
— Sakura, não é isso, eu confio em você!
— Porra, não tá parecendo. – Sasuke arregalou os olhos. — Eu sou médica, cacete!
— Calma, Sakura. – ele sentou ao meu lado na cama. – Me desculpe. Eu fico preocupado com você e nosso filho. Se você sentir enjoo, se desmaiar? Não vou me perdoar se acontecer alguma coisa a você ou ao bebê.
— Sasuke, não vai acontecer nada. Para de ficar pensando besteira, poxa. Eu tenho feito tudo direito. – disse firme. – Tomo as vitaminas na hora certa, já passo a pomada, coloco as compressas de gelo, troco de roupa sozinha. Só não consigo lavar o cabelo direito e você lavou ele para mim ontem, não vou precisar lavar hoje.
— Tudo bem, você venceu! – a derrotada é amarga pra Sasuke, posso ver nos olhos deles. – Mas se você precisar de qualquer coisa, me liga, está bem? Eu venho correndo!
— Pode deixar, eu ligo sim. – toquei na testa dele como ele faz comigo. – Eu prometo. – ele sorriu e selou nossos lábios.
Depois que Sasuke saiu, antes disso ele me deu um banho, eu finalmente tive um tempo só para mim. Tirei minha manhã apenas para estudar e ler um romance porque eu não sou de ferro.
Estava tudo caminhando muito bem. Eu não fiz nenhuma besteira e por incrível que pareça, não me machuquei em nenhum lugar.
Até eu decidir tomar uma vitamina de morango. Por quê? Porque eu estava morrendo de vontade. Quando eu estava no meio do procedimento, lembrei que a maioria dos utensílios e ingredientes ficavam no alto.
Uma pessoa coerente desistiria, não é? Pois é, eu não sou coerente e fui fazer essa porra. Consegui colocar tudo na bancada e os ingredientes no liquidificador, ponto para mamãe Sakura.
Não meus queridos, não comemorem. O ser humano, que vos fala, esqueceu o mais simples detalhe: A tampa do liquidificador.
Me encontro, neste exato momento, melada, da cabeça aos pés, de vitamina de morango. Minha cozinha está o caos. Está tudo rosa nessa porra e eu só quero chorar.
— Por que, Deusa, por quê? Olha, essa merda toda!
Não consegui conter o choro!
Mas até a porra do meu choro alguém veio incomodar. Alguém tocava a campainha – incessantemente — e eu não fazia ideia de quem fosse.
Andei pela casa no maior cuidado do mundo para não melar mais do que já estava. Quase escorreguei pelo meio do caminho!
— PORRA! JÁ VAI. – gritei para o filha da puta que estava tocando aquela merda de campainha! Minha cabeça estava para explodir.
Peguei a maçaneta com uma vontade tamanha, que se eu tivesse super força essa merda tinha amassado.
— QUEM É O FILHO DA PUTA QUE TOCA ESSA MERDA SEM PARAR? — Ah não caralho. Isso não podia acontecer. Só podia ser castigo. – Mikoto?
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