Daylight
46 A Sogra
Notas iniciais
Quando ela era apenas uma garota
Ela tinha expectativas com o mundo
Mas isso voou além de seu alcance
Então ela fugiu em seu sono
Paradise — Coldplay)
Por Sakura
A visita de Mikoto em minha casa parece até obra do capeta. Quinze dias de repouso e ela aparece justamente no último.
Ela me encara atônita, provavelmente, pelo meu estado deplorável. Eu estou toda emporcalhada de vitamina de morango.
— Mikoto? – a chamo outra vez.
— A própria. – ela diz com aquela típica arrogância Uchiha. O que ela está fazendo aqui? – Eu soube que a situação estava crítica, mas eu não sabia que era tanto.
— O que veio fazer aqui? – perguntei com toda dignidade que tinha mesmo melada de vitamina de morango.
— Será que eu poderia entrar? Eu não quero conversar o que vim para conversar, aqui na porta.
Suspirei tão pesado que alguns pingos rosas caíram ao chão. A contragosto, dei passagem para mãe de Sasuke entrar. Eu não estou nada feliz com essa visita.
— A casa de vocês é bonita. – ela disse. – Pena que está imunda.
— Foi um pequeno acidente.
— Eu não diria pequeno ma...
— Mikoto, sem rodeios, o que você veio fazer aqui?
— Vim visitar o meu filho, oras. Conhecer a casa onde ele está morando agora.
— A senhora sabe que ele não estaria em casa. – ela sabe muito bem que Sasuke trabalha. – Então, por favor, comigo esse jogo não cola.
— Tudo bem. Vamos por pratos limpos na mesa, então. – ela me focava com aqueles olhos negros tão parecidos com os de Sasuke. – Eu quero conversar com você.
— Como você sabia que eu estaria em casa?
— Izumi e Itachi foram lá em casa ontem. – senti um frio na coluna. Não estou gostando dessa conversa. – Itachi acabou falando demais. – puta que pariu. Ele contou tudo. – Ele me disse que você sofreu um acidente e por isso estava de repouso.
— Ele só te falou isso? – perguntei para garantir, vai que ela sabe de mais coisa, tipo meu bebê.
— Apenas me contou do acidente e o malabarismo que é o seu repouso. Sasuke tem que trabalhar, você precisa de alguém para te auxiliar. – bufou. – Eu achei que fosse frescura, mas a julgar pelo estado da sua casa, acredito que não. Ele tinha mais alguma coisa para me contar?
— Não. – menti. – Mas ainda não entendo sua visita, você não gosta de mim.
— Não posso negar, você não é a minha pessoa favorita. – suspirou. – Eu preciso conversar com você e não queria que o Sasuke estivesse por perto. Como Izumi acabou comentando que hoje você estaria sozinha, eu decidi que seria um bom momento para conversarmos.
— Se a senhora puder adiantar o assunto eu agradeceria. Eu preciso limpar a casa e tomar um banho.
— Não vou conversar com você nesse estado. – colocou a bolsa no sofá. – Vou limpar essa bagunça e ajudá-la no banho.
O que?
Meus ouvidos captaram mesmo aquilo?
Só pode ser loucura da minha cabeça.
E nem era manhã de natal!
— Não precisa, Mikoto. – disse ainda meio chocada. – Eu posso fazer isso sozinha.
— Teimosa como a mãe. – resmungou a mais velha. – Não Sakura, você não pode. Só me diga, por gentileza, onde está o material de limpeza.
— Na área de serviço, aquela porta atrás da cozinha. Tem certeza que a senhora vai mesmo fazer isso?
— Vou. – disse firme. – Pode ir para o banheiro e me espere para ajudá-la no banho.
— Mikoto, por favor!
— Sakura, me ajude a te ajudar, está bem? – suspirou. – Essa situação, não está sendo confortável para mim também.
— Tudo bem, não digo mais nada. – falei derrotada. – Vou esperar pela senhora no banheiro.
— Ótimo. Não vou demorar.
Caminhei até o quarto na maior paciência e incredulidade. Paciência para não melar mais a casa e incredulidade depois dessa cena.
Eu não sei o que a mãe de Sasuke está pensando ou fazendo.
Ela não sabia sobre o bebê, Itachi conseguiu se segurar, aposto que Izumi conseguiu freia-lo antes dele abrir aquela boca imensa.
Pensei em ligar para Sasuke, mas se o fizesse ele viria correndo para cá. E no fim das contas, eu posso resolver essa situação. Se Mikoto quer conversar comigo, eu conversarei com ela.
Eu sei que não voltaremos ao que era antes, contudo eu poderia tornar algo mais confortável para ambas.
Quando eu namorei Sasuke, ainda adolescente, nós éramos muito unidas. Cansei de sair com ela e minha mãe. Nessa época, ela me tratava com um carinho genuíno e fazia gosto do meu namoro com o filho mais novo.
Bom, depois de tudo, ela não é a minha maior fã. Eu a entendo, mesmo não dando o braço a torcer. De qualquer forma, Sasuke e eu estamos juntos, firmes e com um bebê a caminho.
Desviei dos pensamentos e me concentrei em entrar no box do chuveiro e não escorregar. Me sentei no banco de plástico, que Sasuke comprou para me dar banho. Não havia necessidade daquilo, mas aquele Uchiha teimoso disse que era melhor para lavar meu cabelo e eu não me cansaria tão fácil. Bobagem, eu sei, porém, preferi não brigar ou contrariar.
Sasuke está mais atencioso e carinhoso que antes. Enquanto eu não estivesse plenamente satisfeita, ela não sossegava. Fazer sexo nesses dias foi mais fácil do que eu pude imaginar, apesar de Sasuke montar um arsenal seguro na nossa cama com travesseiros e cobertas a fim de me deixar o mais confortável possível. O melhor de tudo foi ele achar que o pau dele fosse atingir a criança. Depois de gargalhar, o tranquilizei. Sasuke é uma figura.
Enrijeci quando ouvir os passos da mãe de Sasuke ecoar pelo quarto. Ela realmente me daria banho?
— Sakura? – ouvi sua voz me chamar.
— Estou no banheiro, Mikoto-san.
— Ah, sim, te achei. – falou quando me viu. – Sua sala e cozinha estão como novas, tem até cheirinho de lavanda.
Só de lembrar o cheiro de lavanda eu senti um embrulho no estômago, que não passou despercebido pela mais velha.
— Sakura, você está bem?
Respirei fundo. – Estou. – mentira. Eu tinha de contar logo a ela. – Obrigada.
— Foi bobagem. – ela está constrangida. – Você pode ficar em pé para que possa te despir? Ou você se sente mais confortável tomando banho de roupa, comigo?
Deusa, eu estou muito na merda!
Que situação!
— Querida, tudo o que tenho você também tem.
— Eu sei, só é estranho. – confirmei a contragosto.
— Então fique de roupa se achar melhor.
— Não... tudo bem. – sentia uma inquietação estranha. – A senhora pode tirar as talas primeiro, por favor?
— Claro.
Mikoto está muitíssimo paciente e ficou calada durante todo o processo. Eu já estou pelada e sentada no banco como uma criança.
Depois da mãe de Sasuke levar minha roupa suja até a máquina de lavar ela começou a me banhar.
A água está quentinha e eu fecho os olhos para sentir ainda mais o calor contra a minha pele. Um cheirinho de frutas vermelha se espalhou pelo ambiente, Mikoto esfregava meus cabelos numa massagem carinhosa.
Eu jamais admitiria, na vida, o quanto isso está bom.
Ela esfregou todo meu corpo com a esponja de banho, sempre muito cuidadosa. O toque dela era afável, nem parecia a mulher que adora trocar uma farpa comigo. O único trabalho que tive no banho foi lavar minha vulva e bunda.
Secou-me com o mesmo cuidado que me deu banho. Ela também não deixou que eu passasse a pomada. Perguntou se eu queria uma determinada roupa e me vestiu com a mesma delicadeza.
Senti algo remexendo dentro de mim, não, não é o bebê. É sentimento de acolhimento, cuidado, carinho... materno. Por mais que Sasuke tenha cuidado de mim com todo amor do mundo, com Mikoto parece diferente. Fiquei tantos anos sem o carinho da minha mãe, que acho que me esqueci como é.
Ela mexe e desembaraça o meu cabelo do mesmo modo que minha mãe fazia. Eu tentei, porém, não consegui conter a emoção que me assolou. O gosto salgado das lágrimas alcançou-me a boca.
— Sakura, você está bem? Eu te machuquei? – a voz dela é urgente.
Abri os olhos e a encarei através do espelho ou do que eu conseguia enxergar. – Por que a senhora me odeia tanto?
Ela parou de mexer imediatamente no meu cabelo e eu me amaldiçoei por isso. Me encarou com uma expressão indecifrável e soltou um logo suspiro em seguida. – Eu não a odeio, Sakura.
— Não? – indaguei num silvo de voz. – Então, por que me trata desta maneira? Mesmo depois do Sasuke ter me perdoado.
— Não é tão simples, querida. – não há cinismo no querida. – Vamos para seu quarto. Lá conversaremos melhor e você ficará mais confortável.
Assenti. Ela me ajudou a levantar e agora estamos cara-a-cara sentadas na minha cama. Meus olhos ainda estavam marejados.
Ela tomou minha mão direita – a lesionada – e passou a afagar com cuidado. Eu queria não gostar desses carinhos dela.
— Não sei se você sabe, mas eu conheci Mebuki ainda na escola. – sorriu. – Nos demos bem logo de cara. Éramos um quarteto incrível.
— Quarteto? – indaguei curiosa.
— Sim. Eu, Mebuki, Tsunade e Kushina. – sorriu nostálgica.
— A senhora conheceu a mãe do Naruto?
— Conheci sim. Ela era a mais espevitada e falante de nós, uma pena que se foi tão cedo.
— Naruto daria tudo para conhecê-la.
— Eu sei, ele é um bom menino. Mas a vida tem dessas coisas e a única saída é seguir em frente. – suspirou. – Essas mulheres foram muito importantes em minha vida. Eu vim de uma família sem muitas condições. Perdi minha mãe muito cedo e fui criada pelo meu pai, um agricultor, linha dura e completamente machista.
“Eu nunca quis ser uma senhora do lar, contudo, meu pai me educava para aquilo. Só fui à escola, porque não poderia ser uma esposa analfabeta. – ela não me foca, seu olhar está longe, como se estivesse no passado. – Eu não queria esse futuro para mim, eu queria estudar, ter uma profissão, ser dona do meu nariz e não propriedade de um homem.”
“ No último ano do ensino médio eu confessei à Mebuki tudo o que acontecia comigo, toda a minha história. Lembro como ela ficou chocada, parece até que foi ontem. – sorriu outra vez. – Ela achou um absurdo, mas foi categórica em dizer que eu deveria correr atrás do meu futuro, um futuro que eu escolhesse. Por isso, aceitei sua ajuda quando fui me inscrever na Universidade Konoha para o curso de Arquitetura e Urbanismo.”
“ Fomos aceitas, ela para medicina e eu para Arquitetura. Bebemos tanto sakê, para comemorar, que eu nem sei como meu pai não notou quando eu cheguei em casa. – riu sapeca. – Eu passei a estudar escondido do meu pai, ia para faculdade quando ele ia cuidar da terra. No início da faculdade, eu e Mebuki nos víamos muito, só que as coisas foram apertando e as visitas foram diminuindo. Logo depois ela conheceu Kizashi e eu, Fugaku. Eles se tornaram amigos por nossa causa”
— Eu não sabia disso. – falei surpresa. – Mamãe pouco comentava comigo dos seus tempos de universidade.
— Talvez, pelo fato dela mais estudar a se divertir.
— É, tens razão.- concluí. – Mas então...
— Ah, sim. Quando comecei a namorar Fugaku, não imaginei que seria tão sério. Ledo engano. – está estampado na cara dela o quanto ela ama o marido. Achei fofo. – Acabei contando para Fugaku a minha situação. Ele achou um absurdo também, porém, o pai dele foi desse mesmo jeito.
“ Meu pai acabou descobrindo que eu estudava escondido e me deu uma surra inesquecível. Foi terrível. – eu sabia dessa parte da história. Fugaku contou a Sasuke, que contou para mim. – Eu não tinha nem um mês de namoro com Fugaku quando aconteceu e mesmo assim ele me ofereceu sua casa para que eu fosse morar. Eu morava com ele e Madara.”
“Eu demorei um tempo para contar a sua mãe o ocorrido. Eu tinha uma vergonha imensa de tudo e apesar de não concordar com meu pai eu me sentia suja e errada por morar com um homem que não fosse o meu marido. – seu olhar é triste agora. Por mais que eu soubesse da história ouvi-la de Mikoto parece mais doloroso. – As meninas me ajudaram muito nessa época e Mebuki ofereceu-me sua casa. Como eu já estagiava na época e Fugaku e eu estávamos bem, vivendo dessa forma eu declinei do convite.”
“Fugaku e eu nos formamos, compramos o nosso próprio apartamento e, logo depois, marcamos a data do casamento. Faltando uma semana para o casório, eu descobri que estava grávida do Itachi. E mais uma vez a culpa assolou-me com relação às crenças idiotas do meu pai. Eu até tentei convidá-lo para o meu casamento, sabe? Sonhei que ele pudesse me levar ao altar, queria contar do neto, mas ele já tinha morrido e eu não pude ir ao funeral dele, Sakura”.
— Meus sentimentos, Mikoto.
— Obrigada, querida. Contudo, eu acredito que você deva estar se perguntando o porquê d’eu te contar toda essa história e o que isso tem a ver com te perdoar ou não.
— Talvez. – confessei.
— Eu sempre gostei muito de você, Sakura e sempre fiz muito gosto na sua amizade com Sasuke. – tô no chão com essa declaração. Por mais que eu soubesse que no passado tudo isso era verdade. – Quando vocês começaram a namorar, eu fiquei muito feliz. Claro que, eu sempre tive meu ciuminho de mãe, é normal. Mas sempre te achei uma menina forte, muito bem-criada e além de ser filha da minha querida amiga, Mebuki.
“Quando sua mãe ficou doente. – ela tornou a pegar na minha mão. – Eu vi o quanto você se manteve forte na frente das outras pessoas e até mesmo de Mebuki. Eu sabia que isso caía por terra quando você estava com Sasuke, eu via lá em casa, na época. Mebuki acabou partindo e algo dentro de você quebrou. Eu vi em seus olhos, mas não sabia o que fazer para ajudar e nem Sasuke.
“No fundo, eu sabia que uma ruptura iria acontecer. Você sempre foi uma menina muito corajosa, nunca gostou de mentir, diz na cara mesmo o que tem dizer. Todos acontecimentos a sufocou e você resolveu partir como quem procurar ar para respirar.”
— Como sabe?
— Porque eu sempre quis ser corajosa, mas no fundo eu tinha medo. Eu nunca enfrentei meu pai, nunca contei a verdade para ele, sempre abaixei a cabeça para tudo que ele me ordenava. – uma lágrima solitária desceu do seu olho direito. – Até no dia em que ele me bateu eu não consegui reagir. Eu só queria que aquilo tudo acabasse, eu estava farta de mentiras e morrer parecia mais fácil.
“Quando você foi embora eu te admirei e odiei ao mesmo tempo. – eu não consigo piscar o olho de tão atônita que estou ouvindo essas palavras. – Eu sabia que você estava imersa na dor, mas, mesmo assim, você foi atrás do que queria, a Universidade de Tóquio. Você iria de qualquer jeito, eu sei e você também sabe disso. Contudo, você partiu como uma espécie de fugitiva e deixou tudo e a todos para trás. Foi neste momento que eu te odiei. Você partiu o coração do meu menino, meu caçula, meu Sasuke.”
— Eu não podia, Mikoto. – senti outra vez as lágrimas. – Eu não podia arrastar o Sasuke para aquele inferno que eu vivia, eu não podia ser quebrada para alguém que era inteiro para mim. Eu não podia... – solucei. – Não podia.
Mikoto acariciava meu rosto e foi limpando as minhas lágrimas. – Eu sei, querida. Eu sei. Tem um ditado que diz que pessoas machucadas, acabam machucando outras pessoas, mesmo sem intenção. – sorriu. – Eu vi como Sasuke ficou, eu senti o que ele sentiu. Quando mexem com o filho da gente e o machuca, quebra filho e a mãe. Nesses momentos, a gente quer roubar a dor dele para gente, porque é mais fácil sofrer a ver um filho sofrer.
“Minha admiração e carinho por você, não poderiam ser maiores que o amor pelo meu filho, o instinto em protegê-lo fala mais alto. Não dá para explicar, a gente sente e pronto. Por isso que quando você voltou, eu sabia que Sasuke não conseguiria não te perdoar. Na verdade, eu acho que ele te perdoou no momento em que te viu.”
Ri. – Eu acho que não. Brigamos muito até chegar aqui. – falei.
— Justamente, Sasuke estava brigando com ele mesmo, porque já sabia que tinha te perdoado e te queria de volta na vida dele. Ele nunca deixou de amar você e por isso eu tive medo. Medo que você fizesse tudo outra vez, que você machucasse meu menino de novo. Por mais que Sasuke dissesse que não pensava mais em você, ele tinha um fio de esperança que você retornasse. Eu não sei se ele suportaria te ver partir de novo.
— Eu não faria isso, Mikoto.
— Hoje, eu sei querida. Eu sei, mas na época eu só queria que o Sasuke não sofresse. Eu fiquei com medo que ele fosse embora outra vez, porque esse menino me inventou de morar na Alemanha uma época, ainda na faculdade. Vê se pode?! – rimos. – E nós duas sabemos, que não era uma vontade genuína dele. Aqui ele tinha lembrança de vocês em todos os lugares.
— Eu sei. – confessei de cabeça baixa. – Me desculpe. Eu não queria causar tudo isso, mas foi como eu soube agir quando tudo aconteceu e...
Ela puxou meu queixo para cima. – Eu não tenho que te desculpar por nada, quem tinha de fazer isso, já fez, Sasuke. – sorrimos uma para outra. – Eu quero que você me desculpe por tudo que lhe causei, causei a vocês.
— Eu não tenho que desculpar Mikoto, por favor. Apesar de tudo, você queria proteger Sasuke. No seu lugar, eu faria o mesmo.
— Você saberá quando for mãe. – deu um tapinha leve na minha mão e foi nessa hora que a consciência pesou. Merda! Eu tinha de contar.
Suspirei. – Er... eu meio que já sei. – ela me olhou sem entender. – Eu estou grávida!
— Como? – os olhos negros estão esbugalhados. – Eu acho que não ouv...
— É isso mesmo, Mikoto. Sasuke e eu estamos grávidos.
— Ai-meu-Deus. – ela começou a se abanar. Puta merda, ela não pode desmaiar aqui. Eu não tô sabendo lidar com o histórico dessa família. – Ai meu Deus! Ai meu Deus!
— Mikoto, pelo amor da Deusa, não me assusta!
— Eu vou ser avó, eu vou ser avó.
— Mas você já seria do filho de Itachi.
— Mas agora são dois! – soltou um gritinho. – Duas crianças para mimar! Ai Sakura, eu não poderia estar mais feliz. Você e Sasuke não brincam em serviço, não. A prática deve ser corriqueira.
Corei!
Eu nunca conversei com ela esse tipo de assunto!
Deusa, me socorre!
— Me conte tudo. – disse eufórica. – Com quanto tempo você está?
— Agora, estou com quase 12 semanas.
— Tudo isso? Já? Quando vocês descobriram?
— Quando me acidentei!
— Espera, isso já faz duas semanas. – tô ferrada!. – Por que vocês não contaram para mim e Fugaku?
Sasuke, seu cretino, você me paga por isso. Logo agora que sua mãe voltou a me amar.— pensei comigo.
— Sasuke e eu ainda não sabíamos como fazê-lo, a verdade é essa. Ficamos com medo de Fugaku desmaiar outra vez, e bom, você não me tinha na sua maior estima. Estávamos pensando em fazer um jantar, mas não saberíamos se vocês aceitariam.
— Seu pai já sabe?
— Sabe. Ele é dono hospital, se eu não contasse ele iria acabar descobrindo.
— Itachi e Izumi sabem?
— Sabem!
— Aqueles cretinos não me disseram nada. – bufou. – Todos sabem, então?
— Sim. – falei de olhos fechados.
— Até Tsunade?
— Aham. Ela é a minha médica.
— Eu saí com aquela vaca ontem à tarde e ela não me disse nada, nadinha.
— Me desculpe mais uma vez, Mikoto. Não queria que chegasse a esse ponto!
— Eu deixarei passar dessa vez. – é um milagre meus amigos. – Só peço que de agora em diante não escondam nada de mim e Fugaku, por favor!
— Pode deixar, não faremos mais isso.
— Obrigada, Sakura. Será que você poderia me dar um abraço?
Fiquei surpresa e feliz. – Claro!
O abraço foi intenso e regado de muito carinho, mesmo que ela não tenha me apertado muito por conta do ombro.
— Você nos ajuda com o bebê, Mikoto? – perguntei com o findar do abraço. – Eu estou apavorada e com medo de fazer tudo errado.
— Mas é claro, que eu ajudo, minha querida. Esse bebê é um presente, vou amar estar ao seu lado e ao de Sasuke nessa fase. Filhos não vem com manual de instruções, você vai aprendendo a lidar com eles aos poucos, muitas vezes aprendemos com nossos erros, outras vezes acertamos de cara.
— Eu queria tanto que minha mãe estivesse aqui ao meu lado. – a tristeza é palpável em minha voz.
— Ah, minha querida, não fique assim. Eu sei, Mebuki seria uma avó incrível, mas eu também sei que ela olha por você, por vocês. – me acariciou a face. – Eu queria que ela e a mãe de Izumi estivessem aqui comigo, para sermos avós corujas tomando sakê depois da farra dos netos. – rimos. – Eu sei que elas estarão ao meu lado e ao lado dessas crianças lindas que estão por vir.
— Obrigada, Mikoto. Izumi, eu e nossos bebês têm muita sorte.
— Eu que tenho, minha queria!
Depois de finalmente nos entendermos, Mikoto e eu não paramos de conversar. E por incrível que pareça, maternidade não foi o assunto central. Para minha surpresa, ela até quis saber da minha estada em Tóquio durante esses anos, puxou minha orelha quando mostrei algumas fotos – por conta da minha aparência física desleixada – e disse que fará uma viagem, uma espécie de nova lua-de-mel com Fugaku para Índia. Ela quer aproveitar tudo de afrodisíaco, que a Índia tem a oferecer. Dei o maior apoio e disse que ajudaria no roteiro.
Por fim, decidimos fazer o jantar. Fugaku ainda não sabia da novidade e Sasuke não sabia que a gente se entendeu. Faríamos surpresa para os dois, de formas diferente, é claro. Fugaku ficou surpreso com meu convite e disse que ligaria para esposa. Coitado, mal sabe ele, que ela estava ao meu lado, quando ele ligou e o despistou, falando que o encontrava aqui e não viria junto com ele. Izumi e Itachi estavam em Suna, fazendo uma visita a Madara, e, por isso, não poderiam participar. Para Sasuke, nada dissemos. Nem mesmo, quando ele ligou, para saber como eu estava. Ele virá para casa de qualquer forma.
Como a geladeira não tinha muitos ingredientes, demos uma passada rápida no mercado. O jantar será tomates cerejas confitados com peito de frango recheado com cream cheese, um toque de brie e manjericão, além de torradas ao azeite. Uma mistura de França e Itália numa mesa japonesa. Só de pensar eu estou salivando. Quero só ver a cara de Sasuke!
[...]
Sasuke chegou em casa quando eu e Mikoto ainda arrumávamos a mesa. A cara dele de quem não estava entendendo nada, foi a melhor.
— Mãe? O que você está fazendo aqui?
— Boa noite, Sasuke. – disse ela e eu ri. – Você não cumprimenta as pessoas não? Não foi essa educação que eu te dei, menino!
— Boa noite, mamãe e Sakura. – fechou a porta. – Será que vocês podem me explicar o que está acontecendo? A casa está inteira. Qual o milagre? — Mikoto foi até Sasuke e deu-lhe um tapa no ombro. – Ai, mãe. – reclamou.
— Eu sou uma mulher de classe, eu jamais deixaria a casa de alguém abaixo. Me respeite.
— Será que vocês podem me explicar ou não?
Fui até Sasuke e lhe dei um selinho rápido. – Sua mãe veio até nossa casa para conversar comigo, e bom, nos entendemos de novo. Está tudo bem, nada de casas destruídas.
— É sério? – perguntou perplexo.
— É sim, amor. – olhei para Mikoto. – Conversamos sobre muitas coisas e entendemos uma a outra. – pisquei pra ele.
— Minha nossa, até que enfim. – Sasuke disse. – Eu já não aguentava mais vocês duas se tratando dessa forma.
— Isso são águas passadas, filho. Aliás, parabéns papai! – Mikoto abraçou o filho de forma terna e Sasuke me olhou embasbacado, outra vez, numa pergunta muda se eu tinha contado. Apenas assenti.
— Obrigado, mãe.
Ela se desvencilhou do filho. – Temos de contar a Fugaku, ele vai amar a novidade. Daqui a pouco ele chega para jantarmos.
— Espero que ele não desmaie. – soltou o Uchiha. – Que cheiro bom é esse? Parece tomate.
Sasuke é aficionado por tomates, sério. Acho até que ele prefere mais tomates a mim.
— E é tomate. Sua mãe fez tomates cereja confitados, frango com recheio de cream cheese, queijo brie e manjericão, e torradas ao azeite.
— Minha boca está salivando. – Sasuke agarrou a mãe a tirando do chão. – Obrigado, Dona Mikoto, por esse banquete.
— Me solta, Sasuke. Me coloca no chão, agora. Você vai amassar a minha roupa, peste. – ele a colocou no chão. – Agradeça a Sakura também, ela me ajudou. E vá tomar um banho, porque você está fedendo.
— Obrigado, pela comida, amor. – me deu um beijo na boca e saiu em direção ao nosso quarto. — Já vou.
— Tão bonitinhos, vocês dois juntos.
— Para Mikoto, assim você me deixa sem graça. – senti meu rosto esquentar.
— Bobagem! — abanou a mão para mim. — Será que Fugaku vai demorar?
— Ele não ligou dizendo que estava saindo da obra?
— Ligou, mas Fugaku ama um canteiro de obras.
Eu ia responder, mas a campainha tocou. Fugaku acabara de chegar e estava com a mesma cara de surpresa de Sasuke.
— Boa noite. — conseguiu dizer. — Mikoto, querida, você já chegou?
— Não Fugaku, eu estou lá em casa ainda. — rebateu a esposa. — Se eu estou aqui, é porque eu já cheguei!
— Calma, querida. — Mikoto revirou os olhos se afastando. Ela foi conferir o frango no forno. — Oi Sakura, tudo bem?
— Oi Fugaku-san! — sorri para o pai de Sasuke. — Seja bem-vindo!
Me deu um abraço terno. — Obrigado, querida. Sua casa é linda. Mas sane a curiosidade deste pobre velho. — hesitou olhando para mulher que estava a cuidar do frango. — O que Mikoto faz aqui tão cedo e ainda mexendo no seu fogão? — sussurrou.
— Ela apareceu aqui casa hoje no fim da manhã. — a surpresa estampou seu rosto outra vez. — Ela quis conversar comigo, colocar tudo em pratos limpos e sanar o desentendimento entre nós duas.
— Desentendimento dela com você, não é? Porque você não implicou com ela. Mikoto, às vezes, é tão cabeça dura, minha querida!
— Eu estou ouvindo, Fugaku. — a voz da matriarca reverberou. — Se não quiser dormir no sofá, pare de profanar besteiras. — voltou sua atenção ao frango outra vez.
— Viu? Cabeça dura. — sussurrou ainda mais baixo. — Pelo visto deu tudo certo entre vocês, não é?
— Sim, Fugaku-san. Estamos bem, agora.
— Fico feliz que este tormento tenha acabado! — sorri pra ele. — Onde está o Sasuke?
— Está no banho, daqui a pouco ele se junta a nós.
Enquanto Sasuke não chegava, Fugaku tentava se entender com a esposa, e conseguiu. Ela cedeu aos encantos do marido, não antes de puxar a orelha dele. Só agora, eu percebi, como sentia falta desses momentos também.
Me retirei da cozinha, dando privacidade ao casal, e fui buscar Sasuke no quarto. E para o meu deleite ele estava só de cueca e enxugando os cabelos. Uma cena memorável.
Ele me viu e riu. – Oi, gatinha, você vem sempre aqui?
— Às vezes – sorri, apesar da péssima cantada em forma de brincadeira. — Soube que tem um moreno gostoso que aqui habita, espio de vez em quando.
— Ele é melhor do eu? — Sasuke girou me mostrando todo seu corpo.
Sorri descarada. — Vocês são bem parecidos. Como os dois. — Sasuke ri.
— Você é tão direta amor. — me aproximei dele e lhe dei um beijo decente.
Uma mão de Sasuke segurava a minha cintura e a outra puxava-me a nuca, senti um arrepio gostoso com o contato. O beijo quente e intenso. Como eu queria fazer safadezas com ele.
— Querido… — disse sôfrega sentindo Sasuke beijar meu pescoço.. — Seus pais… eles estão na sala.
Sasuke continuou e aprofundou mais o beijo no meu pescoço já descendo para o meu colo. As suas mãos vieram para meus seios e os apertaram com força, arfei mordendo os lábios tentando reprimir um gemido.
— Meus pais estão na sala. — Sasuke sussurrou no meu ouvido. — Mais baixo, amor.
Cretino.
— Sasuke, não faz isso comigo, por favor. — pedi não querendo pedir. — Puta que pariu.
— Eu quero muito comer você. — falou rouco no meu ouvido enquanto descia a mão para baixo do meu vestido. Senti minha calcinha ser afastada para o lado e os dedos de Sasuke acariciar-me a vulva. — O que são tomate confitados perto de você molhada e pronta para mim?
— Oh… — ele não prefere tomates a mim. — Deusa… Eu não vou aguentar.
— Não quero que aguente.
— Sasuke, seus pais. — choraminguei sendo invadida pelos dedos de Sasuke…. — Puta que pariu. Eu quero gozar.
— Uma rapidinha, o que acha? — beijou-me o pescoço. Era tanto ponto de prazer que eu já estava ficando louca.
— Eu quero comer você. — falei e afastei Sasuke do meu corpo o jogando sentado na cama. — Abaixa essa cueca. — ordenei.
As orbes negras de Sasuke estavam nubladas de tanta luxúria. Ele tirou a cueca branca liberando sua maravilhosa ereção. Salivei vendo-o masturbar-se. A vontade de cair de boca é grande, mas uma rapidinha tem de ser rapidinha.
Peguei o pênis de Sasuke com gosto e ouvi o arfar doloroso. Passei meu polegar direito em sua glande já melada de pré-gozo, me posicionei em suas pernas e com a outra mão afastei minha calcinha para o lado enquanto pincelava o pênis de Sasuke em minha vulva molhada.
— Ca-ra-lho. — sibilou o moreno. — Sakura… — outro arfar.
Continuei a pincelar. – Isso é para você aprender a não a me deixar assim quando temos visita.
— Desc…. — sentei em seu pau. Eu quero foder, não desculpas. — Gostosa.
— Fala baixo, Sasuke.
Me apoiando em seus ombros eu subia e descia lentamente, torturando Sasuke. Suas mãos apertando minha cintura evidenciaram o desespero dele.
— Caralho, Sakura. Você me deixa maluco.
Joguei a cabeça para trás e continuei a subir e descer. Fechei os olhos para intensificar o prazer.
Senti Sasuke puxar meu vestido pra baixo e seus lábios famintos atacarem meus seios.
— Oh… Isso. — cravei minhas unhas com força nos ombros de Sasuke e mordi os lábios contendo o gemido. Eu estou tão perto… — Sasuke… — puxei sua cabeça de encontro aos meus seios. — Me chupa… com força. — com uma sugada memorável eu me desmanchei em Sasuke.
Apoiei minha cabeça no ombro de Sasuke aproveitando aqueles maravilhosos segundos de um orgasmo fodidamente bom.
Só percebi que Sasuke tinha gozado quando senti o líquido dele escorrendo por minhas pernas.
Ainda ofegantes rimos um pro outro diante de nossa peripécia.
— Eu… preciso de um banho. — falei.
— Precisa de ajuda?
— Eu aceitaria, se seus pais não estivessem lá fora. Demoramos demais.
— Foi por uma boa causa.
Sorri sapeca. — Eu diria excelente causa. — me levantei com cuidado sentido o esperma de Sasuke escorrer ainda mais. Dei um selinho em Sasuke. — Já volto.
[...]
Estávamos todos sentados à mesa, deliciando-nos com o banquete feito por Mikoto. Ela disse que eu ajudei, mas eu não fiz quase nada, porque ela não deixou. Para jogar azeite no tomate, foi uma luta.
Durante o jantar, eu trocava olhares com Sasuke e Mikoto. Nós três não sabíamos como contar a Fugaku sobre a gravidez e eu já estava ficando nervosa com aquilo.
— Eu sempre gostei de silêncio, mas tem algo errado aqui. — disse Fugaku encarando cada um de nós. — Será que vocês podem me contar o que está acontecendo?
— Pai… é que… bom…
— Eu estou grávida. — falei rápido e peguei a taça com o suco de uva tomando num só gole.
Do nada, Fugaku começou a gargalhar. Olhei para o homem sem entender nada, assim como Sasuke e Mikoto também não entendiam.
— Minha nossa. — disse o mais velho ainda rindo. — Vocês precisavam ver a cara de vocês.
— Por um acaso eu sou palhaça para você achar graça, Fugaku? — indagou Mikoto irritada. — Sakura dá uma notícia importante como essa e você gargalha desse jeito?
— Preferia que eu desmaiasse?
— Eu estou quase batendo em você com essa intenção.
— Calma aí gente. — se meteu Sasuke. — Não briguem. Pai, o senhor pode se explicar?
O Uchiha pigarreou. — Eu já sabia!
— Como? — Sasuke e eu perguntamos em uníssono. — Foi Itachi? — Sasuke disse.
— Não, dessa vez não foi Itachi. — me focou. — Foi Kizashi.
— Meu pai?
Assentiu. — Sim, foi ele. — eu ia falar, mas Fugaku continuou. — Almoçamos juntos hoje, e bom, ele acabou soltando a novidade sem querer.
— Puta que pariu! — as palavras saíram da minha boca.
— Ele me pediu desculpas, Sakura, e me explicou o motivo para qual você e Sasuke pediram segredo. — no dia seguinte a minha primeira consulta com Tsunade eu liguei pra papai e pedi que ele não contasse aos pais de Sasuke. — Ele me disse que vocês ficaram com medo, caso eu desmaiasse outra vez.
Abaixei a cabeça envergonhada me sentindo uma criança pequena que acabara de cometer uma travessura.
— Não fique assim, minha querida. Eu agradeço o zelo de vocês para comigo, mas não precisa. Meu coração é velho, mas aguenta. — disse sorrindo. — Aliás, meus parabéns. Estou muito feliz com a novidade, radiante na verdade.
— Obrigado, pai. — Sasuke sorriu.
— Obrigada, Fugaku-san. — agradeci ainda sem graça.
— E você, Mikoto, como reagiu à novidade? — perguntou a esposa.
— Eu estou maravilhada, é óbvio. Eu sinto tanta saudade dos meus meninos pequenos, meus bebês. — vi Sasuke revirar os olhos. – E, agora, teremos dois netinhos ou netinhas ou um de cada. — me olhou. — Falando nisso, querida, quando começarão a desmontar o escritório pra fazer o quarto do bebê?
— Sakura e eu iremos nos mudar.
— De novo? — indagou o mais velho.
— Sim. — respondi. — Eu dependo do escritório para trabalhar e estudar. No hospital, é sempre corrido, uma emergência ou outra acaba atrapalhando. Sasuke também utiliza do escritório para trabalhar e estudar. E ainda tem os meus livros. Não posso me desfazer do ambiente.
— Além do fato de Sakura e eu termos sido criados em casa. Tem mais espaço, mais conforto, por isso optamos por uma casa agora. — disse Sasuke. — Eu gostei muito desse apartamento, mas ele não contribui para o aumento inesperado da família.
— Vocês já procuraram uma nova casa? — indagou Mikoto.
— Ainda não tivemos tempo, por conta do meu acidente. Precisamos colocar esse apartamento e o meu em Tóquio à venda para comprarmos a nossa casa.
— Mas eu posso ajudar vocês com isso, estou no ramo é muito mais fácil e rápido. — disse Fugaku solicito. — Tem umas duas casas no condomínio que o Naruto mora, seria interessante vocês darem uma olhada. Eu posso falar com minha secretária e peço para ela agendar uma visita o que acham?
— Eu acho ótimo. Eu não entendo muito disso, Fugaku-san. Uma ajuda seria mais que bem-vinda.
— Eu agradeço muito, pai. Quero agilizar tudo para que Sakura possa ter uma gravidez tranquila.
— Vender esse apartamento aqui será fácil. — disse Mikoto. — Esse empreendimento foi vendido em quase sua totalidade e tem muitos interessados. Acho que em menos de 1 mês vocês podem se mudar.
— Tão rápido assim? — indaguei.
— Talvez mais rápido. — Fugaku falou. — Podem ir se preparando para a mudança. Quanto ao apartamento de Tóquio, você tem o contrato de compra e venda dele, Sakura?
— Tenho sim, está guardado.
— Ótimo, eu vou precisar. E quanto a este apartamento, eu posso anunciar para venda?
Olhei para Sasuke receosa. Era tudo ou nada outra vez. Ele sorriu e piscou para mim. Tudo que eu precisava.
Olhei pra Fugaku sorrindo. — Pode sim, Fugaku-san!
Brindamos, em comemoração, e conversamos até tarde da noite.
Tudo estava caminhando nos conformes. Graças a Deusa!
Sasuke e eu estávamos ainda mais felizes, se é que isso é possível. E eu finalmente voltaria a trabalhar.
Voltei num ritmo mais lento, a pedido de Tsunade. Sasori ficava comigo durante a fisioterapia, eu sabia que ele estava ali para que eu não deixasse para lá, ele me conhecia bem demais.
Quatro dias depois, Sasuke e eu fomos visitar as duas casas no condomínio de Naruto. Mikoto e Fugaku nos acompanharam. As duas casas eram ótimas, mas ambas precisavam de reformas o que atrasaria bem mais a mudança e a venda dos apartamentos.
Por fim, escolhemos a casa que ficava ao final do condomínio. O jardim e o quintal eram maiores que o da outra e a casa precisava de menos reparos também. Sasuke contou ainda como ponto positivo a distância da nossa futura com relação a casa de Naruto, que ficava no início do condomínio e a nossa ao final.
Para minha surpresa e a de Sasuke, dois dias depois, Mikoto nos ligou informando que um casal tinha interesse em comprar o nosso apartamento e se mudar o mais rápido possível. Eles eram recém-casados e moravam na casa dos pais dela. Segundo Mikoto, eles estavam enlouquecendo. Infelizmente, não daria tempo de reformar primeiramente a casa para que pudéssemos sair do apartamento. E, o de Tóquio, ainda nem fora anunciado a venda. Querendo ou não, precisávamos do dinheiro para comprar a casa. Minha reserva e a de Sasuke são excelentes, mas uma casa não é um bem tão barato assim e ainda tinha a reforma.
Eu e Sasuke ficamos pensando por um tempo, mas nenhuma solução aparecia. Diante do nosso desespero Mikoto foi ao nosso ainda apartamento e nos fez uma proposta.
— Queridos, eu entendo o desespero de vocês, por isso tomei esta iniciativa junto a Fugaku. Ele concordou comigo. — ela sorriu. — Como vocês não querem aceitar o nosso dinheiro, mesmo que para empréstimo na compra da casa, e por isso tenham que vender ao menos um apartamento. Eu queria convidar vocês dois a morarem conosco, até que a reforma na casa fique pronta.
Sasuke e eu ficamos sem reação diante da proposta na hora. Ele ainda a rebateu dizendo que tinha acabado de sair de casa e já iria voltar. Mikoto, muito calma, disse que seria apenas um tempo. Já que não poderiam ajudar com dinheiro, poderiam oferecer a casa deles. Eu também tentei contestar afirmando que seria um incômodo e um trabalho enorme, fora o que já estávamos dando com a venda dos imóveis.
— Sakura, não é trabalho nenhum, querida. É uma ajuda, um suporte para vocês nesse início. Fugaku e eu ficaremos muito felizes em recebê-los em nosso lar. Nós queremos ajudar. É genuíno. — disse firme. — De qualquer forma, vocês não precisam me responder agora. Pensem e reflitam. Não ficaremos tristes, se a recusa, for a resposta, está bem?
Aquilo ficou martelando na minha cabeça há dias. Dias esses, que o apartamento que nos abrigava foi oficialmente vendido e tínhamos pouco mais de uma semana para sair. O casal estava realmente desesperado para mudar tanto que ofereceram mais dinheiro pelo imóvel se saíssemos mais rápido.
Nesse meio tempo quase me esqueço do aniversário de Sasuke. Mas Itachi e Izumi me salvaram e um jantar foi organizado no Byakugan, assim como foi o de Itachi. A noite foi regada a comida, bebida — eu fiquei só no suco e água — e muitas conversas entre amigos. O mais surpreendente foi o pequeno discurso feito por Sasuke.
— Antes de mais nada, eu gostaria de agradecer a presença de todos vocês aqui nesta noite. Muito obrigado. — todos ficaram atônitos. Sasuke não era muito de querer chamar a atenção. — Mesmo que saibam a minha aversão aos aniversários, vocês estão aqui, comemorando comigo. Mas o melhor de tudo é que você — apontou para mim. — Está aqui comigo. — senti minha bochecha esquentar com os gritinhos dos nossos amigos. — Obrigado por estar na minha vida, por me escolher outra vez, por ser essa mulher incrível, inteligente, linda, maravilhosa e por me dá o melhor presente que eu poderia ganhar na vida. Nosso filho ou filha. Eu te amo, Haruno Sakura.
E a gritaria não cessou até que o beijo que Sasuke me deu, em seguida ao discurso, acabasse. Estamos tão felizes, que por estes momentos até tinha me esquecido do problema da casa.
Eu até falei com meu pai para passar esse tempo na casa dele, mas ele me disse que a casa estava em reforma. Com a notícia do neto, meu pai ficou super empolgado e mandou reformar um dos quartos da casa para quando meu filho ou filha fosse visitá-lo.
Precipitado era pouco para definir meu pai. Com embalo da reforma no quarto, ele resolveu ampliar para boa parte da casa. Ele queria me fazer surpresa, mas não imaginou que eu chegaria com essa proposta, e no fim, ficaria inviável, uma vez que o cheiro de tinta não me era agradável além de tóxico, e Sasuke alérgico a poeira.
Apesar de tudo, fiquei feliz pelo meu pai. Finalmente, ele está tomando as rédeas da vida dele, deixando que a memória da mamãe ficasse apenas em seu coração, nas lembranças e nas fotos.
Faltavam dois dias para deixarmos o apartamento. Tudo estava praticamente encaixotado e ainda não tínhamos para onde ir, na verdade tínhamos, ou era a casa dos pais de Sasuke ou um flat que papai nos ofereceu.
Estou sentada em minha confortável poltrona no escritório com um romance qualquer em mãos, olhando para minha estante, agora vazia, perguntando-me o que fazer.
Só percebi que peguei no sono quando Sasuke me acordou de forma carinhosa me carregando para fora no escritório e me levando para o que restara do nosso quarto.
— Desculpe, não queria te acordar. — disse me colocando na cama. — Você estava toda torta, achei que ficaria com dores.
— Obrigada, querido. Deita aqui comigo, preciso de carinho.
Sasuke prontamente fez o que eu pedi e se deitou ao meu lado. Me aconcheguei no seu peito nu e deixei que seu corpo me esquentasse enquanto ele me fazia um gostoso cafuné.
— Sakura, precisamos tomar uma decisão. O caminhão vem buscar os nossos móveis amanhã e não temos para onde enviar nossas coisas.
— Eu sei. Eu queria aceitar a proposta de sua mãe, mas fico com medo de atrapalharmos. — confessei.
— Amor, por incrível que pareça, ela quer mais a gente lá que o meu pai. Ele quer, mas ela quer muito.
— O que você acha?
— Não sei se minha opinião seria tão válida assim, eu morei com eles praticamente minha vida toda.
— Justamente por isso, sua opinião é tão importante.
— Meu pai e minha mãe são aquilo que você viu no jantar, na época da nossa adolescência. Agora eles são mais despreocupados porque Itachi e eu somos adultos.
— Pensei que era: “filho criado, trabalho dobrado”. — brinquei.
— Não com eles, pelo menos, não com meu pai. — ri. — E bom, agora, você e minha mãe estão as boas de novo, talvez, melhor que antes.
— É verdade. Mikoto me surpreendeu.
— Então, por que não vamos para lá? O convite está mais que de pé.
Pensei. Ponderei. Refleti.
Dê o nome que quiser, mas no fim:
— É, eu acho que a vale a pena. Serão poucos dias de qualquer forma. — concordei ainda receosa.
— Até que enfim. — Sasuke comemorou me apertando. — Não aguentava mais dona Mikoto me ligando.
— Ela fazia isso?
— Todo dia, pontualmente, às 3 da tarde! — olhei pra Sasuke incrédula. — Ela ligava pro meu trabalho, porque lá eu não recusaria.
— Pela Deusa, não consigo acreditar.
— Acredite. Suigestsu ainda a convenceu a nos levar lanches.
— Que cara de pau do seu amigo.
— Ele jogou a desculpinha de que não sabia o que era “comida de mamãe” há anos e minha mãe caiu, que nem trouxa.
— Até Karin caiu na lábia dele.
— É verdade. — Sasuke riu. — Quem vai ligar pra Dona Mikoto para contar a novidade?
— Você, obviamente.
— Provavelmente, ficarei surdo.
E Sasuke acertou, Mikoto deu um grito tão alto que eu pude ouvir do closet.
O que dará dessa nova estadia?
Eu realmente não sei, mas estou ansiosa para descobrir.
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