Daylight
34 Suna - Parte 2
Notas iniciais
Pode ser o que você quer
Ou o que eu tenho pra te dar
Uma vida inteira pra viver
Ou um só segundo pra lembrar
(Pode Ser — Banda do Mar)
Por Sasuke
Eu não queria acordar, mas assim que senti meu braço livre e um vazio na cama, despertei. Sakura não estava mais ao meu lado. Pareceu levantar agora pouco, porque o local em que estava deitada estava quente.
Levantei a contra gosta e fui procurá-la pelo quarto. Ela voltaria pra essa cama nem que fosse amarrada.
Fui até o banheiro e notei o óbvio, ela não estava lá. Antes, de sair do banheiro olhei meu reflexo no espelho. Aquela cara amarrada e rabugenta havia sumido juntamente com toda aquela tensão que eu carregava por dias. Sakura tinha o dom de me desmontar e montar como quisesse.
Não gosto nem de lembrar do que aconteceu antes da nossa tarde produtiva naquela cama. A sensação de perder Sakura mais uma vez, fez minha racionalidade passear há bons quilômetros de distância de mim. Eu só a quero e como quero.
Assim... Simples como respirar.
Suspirei e criei coragem para colocar uma roupa. Iria procurá-la e comeria alguma coisa.
A casa tinha poucas luzes acesas. Por conta da minha divertida tarde nem soube como terminou o churrasco, na verdade não sei bem como começou.
Fui me aproximando da escada e comecei a ouvir vozes conhecidas ressoando baixo. Desci uns poucos degraus e notei Gaara e Sakura no sofá, iluminados pela luz fraca do abajur na mesinha lateral. Ele estava deitado no colo dela.
Não, eu não estava com ciúmes. Naruto, Itachi e Gaara tinha uma relação especial com Sakura. São como irmãos de barriga diferente. Um dia eu tentei uma amizade como essa com ela, mas como vocês podem notar não deu muito certo.
E eu fico feliz que não tenha dado certo.
Sakura parecia consolar Gaara pelo que eu pude ver, apesar da falta de iluminação. Não queria ouvir a conversa deles, embora soubesse de como tudo aconteceu entre Gaara e Matsuri. Era um momento deles e não seria justo que eu ouvisse as escondidas.
Quando me preparava pra voltar ao quarto e já me encontrava no topo da escada novamente, Gaara fez uma pergunta que me fez paralisar. Por mais que eu não quisesse ouvir aquela conversa, aquela pergunta muito me interessava.
— Doeu em você? — Gaara fungou e continuou — Doeu ficar sem o Sasuke?
Continuei parado no mesmo lugar. Podia sentir minha respiração irregular diante de tal indagação. De soslaio, percebi que Sakura também ficara tensa, mas soltou uma lufada de ar e respondeu.
— Doeu – disse firme. — E como doeu — eu não precisava olhar em seus olhos pra saber que ela falava a verdade. — Mas teve algo que me doeu ainda mais.
Se doeu, por que ela foi embora? E o que doeu mais que isso?
— A morte da tia Mebuki? — indagou Gaara irrompendo meus pensamentos.
Claro Sasuke, a morte da tia Mebuki. Esse meu ciúme às vezes fod...
— A morte da minha mãe doeu, mas foi consequência da doença.- respondeu Sakura interrompendo meus pensamentos — Desde o início sabíamos que existia essa possibilidade. — o tom de voz dela era triste e eu fiquei mal com isso. — Ela é minha ligação de amor desde o nascimento, mesmo se eu não quisesse amaria minha mãe.
— Então o que foi que doeu mais em você do que ficar sem Sasuke?
Eu deveria fugir dali?
Eu queria mesmo saber a resposta?
— Deixar Sasuke. — a resposta de Sakura parecia uma lâmina afiada desferindo um corte sobre a minha carne. Meu coração apertou e senti meu peito doer. Nem que eu quisesse me afastaria dali. Não agora. — Nada me doeu mais do que deixá-lo e viver sem ele foi uma consequência dessa decisão.
Eu clamava por racionalidade, mas ela não aparecia de forma alguma.
Tantos questionamentos. Tantas dúvidas.
— Mas se doeu tanto, por que você o deixou? — Gaara foi certeiro na pergunta que eu queria fazer. A vontade abandonar aquela sala era zero.
Sakura demorava pra responder. Eu podia notar como aquilo também a incomodava, a tensão era presente em nós dois. Apertei minhas mãos e mesmo que eu não pudesse vê-las sabia que os nós delas estavam brancos tamanha era força que eu usava. Era tudo ou nada.
— Você não precisa falar, se não quiser Sakurinha. — queria matar Gaara por dizer tal disparate.
— Tá tudo bem, eu quero falar! — ela disse convicta. Fiquei aliviado e temeroso ao mesmo tempo.
Minhas dúvidas seriam sanadas, meus problemas com Sakura se resolveriam de uma vez por todas e aqueles nove anos seriam definitivamente esquecidos.
— BONITO! QUE BONITO, HEIN? QUE CENA MAIS LINDA. SERÁ QUE EU ESTOU ATRAPALHANDO O CALSAZINHO AÍ?!
— NARUTOOOOO!!!! – bradou Sakura levantando no sofá num rompante fazendo Gaara cair no chão. – VOCÊ QUER ME MATAR DO CORAÇÃO, SEU IDIOTA?! — Sakura bufava de raiva e eu também. — Você tá bem Gaara?
Sakura voltou sua atenção pro ruivo que apenas assentia em resposta sendo ajudado a levantar por ela
Se me olho fosse arma de fogo eu tinha alvejado o imbecil, aquele que eu chamo de melhor amigo, Naruto. Ele, mais uma vez, atrapalhou a porra de um momento importante como esse.
Pra piorar o imbecil estava de sunga e todo molhado, ou seja, deixando uma poça por cada canto onde passava.
Dá pra piorar?
Dá, claro que dá.
Naruto fez o favor de acender a luz da sala quando resolveu fazer a surpresa. Não deu outra, minha presença ficou em evidência porque ele também fez questão de chamar minha atenção.
— TEME!!!! — gritou o animal. — TAVA OUVINDO A CONVERSA DOS OUTROS, É?
Respirei fundo e comecei a descer as escadas. Eu queria matar Naruto, mas minha vontade passou assim que vi o olhar de Sakura sobre mim. A dúvida pairava por ali e eu não sei se conseguiria omitir que eu ouvi parte da conversa. Ou o quanto estava interessado nela.
— Meu nome não Uzumaki Dobe Naruto.- disse ácido tentando soar convincente. — Eu não faço esse tipo de coisa. Meu objetivo era ir até a cozinha beber água. — olhei com cara de tédio pra ele e voltei meu olhar pra Sakura que pareceu suspirar aliviada.
— Huuuummmm... — disse Naruto parecendo analisar a situação. — Mas a pergunta que não quer calar... Por onde andava você e a Sakura-chan que não apareceram no churrasco?
— É mesmo! — disse Gaara. Ótimo. Dois Narutos é o que eu tô precisando na minha vida. — Vocês ficaram na praia esse tempo todo?
Claro Gaara, estamos com roupa de banho até agora. Pensei irônico!
Era bem o que eu tinha vontade responder, mas Sakura foi mais rápida que eu.
— Aconteceu um pequeno incidente. — ela suspirou cansada. — Eu acabei me afogando, mas Sasuke me salvou e me trouxe pra casa. Fiquei muito assustada, tomei um banho e dormi.
Claro que ela omitiu alguns – deliciosos – fatos, mas isso não interessava a eles.
— COMO ASSIM, SAKURA-CHAN? — berrou Naruto e pela cara de Sakura resolvi responder.
— Ela caiu numa corrente de retorno, mas eu a peguei antes de cair na vala. — ela me deu um sorriso mínimo em resposta. — Sakura ficou um pouco assustada, preferiu ficar no quarto quieta e acabou pegando no sono.
— E você, teme? Por que não veio pro churrasco depois que a Sakura-chan dormiu?
Naruto não cansa de ser idiota e invasivo. Parece até doença dessa criança.
Senti Sakura ficar tensa e eu tentei manter a calma. Gaara também estava esperando a resposta. Ótimo.
Um bando de fofoqueiros.
— Eu fiquei preocupado com ela e preferi não me afastar. — respondi de forma polida, mas eu vi o sorriso cínico de Naruto. — Acabei pegando no sono também.
— Sono, né? — disse o dobe de forma maliciosa. — Aham... tá certo então. Fico feliz que esteja tudo bem com você Saky.
— Naruto, você tá melando a casa toda. — disse Sakura numa tentativa de fugir do assunto e do silêncio constrangedor. — Por que você estava na piscina até uma hora dessas?
— Porque eu queria me bronzear a luz da lua.- disse dando de ombros.
— Com certeza você não é desse planeta.- falei. — A luz da lua não bronzeia, animal.
— É sério? — o imbecil perguntou frustrado. E nós três negamos aos risos. — Mas que merda.
Sakura, eu e Gaara fomos limpar a bagunça que Naruto tinha feito. Eu estava com aquela sensação estranha de novo e tenho certeza que Sakura percebeu.
Eu fiquei com aquela conversa dela com Gaara na minha cabeça o tempo todo. Querendo saber aquela maldita resposta. Ela sempre perguntava o que eu tinha e dizia que não era nada, apenas impressão dela, que eu estava normal.
Ela sabia que não era verdade, mas não me apertava tanto porque Gaara estava por perto.
Aos poucos nossos amigos foram acordando e todos estávamos reunidos na sala. Sakura contou mais uma vez a história do afogamento. Todos nossos amigos ficaram assustados, mas também aliviados por estar tudo bem com ela.
Conversamos algumas bobagens, fizemos um lanche e combinamos a ida pra boate. Eu tava morto de cansado e encucado com o que ouvi mais cedo, mas fui voto vencido e vou ter que ir também.
O mais estranho da noite foi quando Ino me perguntou se o colchão de ar estava confortável. Pra todos os efeitos eu respondi que sim, afinal ninguém precisa saber da minha atividade de mais cedo com a Sakura. No fim das contas ela ia contar pra Ino mesmo, mas preferi deixar quieto e Sakura pareceu não se incomodar, Porém, o mais estranho foi o sorriso malicioso que Ino deu quando eu falei da minha experiência com o colchão inflável.
Que ela era louca eu já sabia, só não sabia que o grau era tão avançado.
Todos tomaram o caminho para os seus devidos quartos para começarem a se arrumar para a bendita noitada. Eu estava mais silencioso que o normal, mas minha cabeça estava um turbilhão de pensamentos.
Chegamos ao quarto e eu me joguei na cama com tudo, passei a admirar o teto pra não conversar com Sakura, mas este ser miúdo e ousado se deitou ao meu lado, ou melhor, deitou sua cabeça no meu peito. Ela conhece bem meu ponto fraco.
Por mais que eu estivesse em dúvidas não podia ignorar sua presença ao meu lado. Comecei a afagar seus cabelos e ela se aninhou como uma gata manhosa em meu corpo. Resolvi afastar meus pensamentos e passei a me concentrar no carinho em seus cabelos.
— Sem querer ser chata, mas já sendo tem certeza que não aconteceu algo? — indagou Sakura pela milésima vez naquela noite. — Você tá estranho, muito quieto.
Ele me conhece bem demais.
— Não tenho nada, é impressão sua. — intensifiquei os carinhos. — Tô cansado, preferia ficar por aqui hoje.
Sakura se virou pra mim e deu um sorriso gigante.
— Se você diz que não tem nada, eu acredito. — me lançou um sorriso malicioso e eu sabia que viria uma proposta indecente daquilo. — O que você acha.... da gente tomar banho junto, então? — pude ver seus olhos flamejarem num verde intenso. Essa mulher quer me matar.
— Se eu entrar naquele banheiro com você a última coisa que faremos é tomar um banho. — ela sorriu ainda mais com as palavras. — Pelo jeito, é exatamente isso que você quer.
— Acho que ler pensamentos é um novo poder que você adquiriu. — respondeu maliciosa. — Essa é a ideia, meu amor, fazer de tudo menos tomar banho.
Acredite, o meu amor não passou desapercebido.
— A proposta é tentadora, mas se a gente se atrasar Ino vai derrubar essa porta e nos pegar no flagra. Você viu que ela me ameaçou lá embaixo.
— Ela sempre se atrasa, Sasuke. — ela disse o óbvio. — A gente só vai usar isso ao nosso favor... E se precisar, eu te protejo. Me garanto contra Ino.
— Você sabe bem como convencer alguém, Haruno.
— Eu tenho minhas armas, Uchiha. — ela disse me lançando uma piscadela maliciosa. — Você tá vestido demais. — ela começou a tirar minha blusa e a beijar meu pescoço. Banho era a última coisa que ela tinha em mente.
— Pensei que a gente fosse tomar banho. — acusei como quem não quer nada.
— E vamos, mas precisamos suar primeiro. — Sakura estava corada, ainda mais linda. — Você é do tipo cama, mesa e banho. Preciso aproveitar.
— Como assim, cama, mesa e banho?
— Sasuke, você é de que planeta? — ela riu. — Você é um homem para se apreciar na cama, na mesa e no banho. E aqui neste quarto temos uma cama, uma escrivaninha que pode contar como mesa e um banheiro. Olha que maravilhoso.
— Sua aproveitadora de corpos. — cerrei os olhos pra ela que sorriu sapeca pra mim. — Tinha me esquecido desse seu lado sexual insaciável.
— É, mas eu não esqueci não.
— Então não me custa ajudar você nesse quesito, não é mesmo?
— Você deve me ajudar, porque senão for você, não serve. — Sakura fez um bico lindo e essa foi a deixa para que eu tomasse seus lábios e seu corpo... A balada podia esperar...
Por Sakura
Minha reconciliação com Sasuke não poderia estar melhor, puta que pariu, que maravilha. A gente tá tão bem, ele está tão atencioso, carinhoso e por Deus, que sexo é esse?! Se quando a gente namorava ele transava bem, hoje ele dá aula. Não vejo a hora de voltar logo dessa boate pra que a gente fique grudadinho nessa cama de novo.
— Sakura, você ainda tá assim? — indagou Sasuke saindo do banheiro... ele não podia estar mais gostoso do que agora, usando essa calça jeans aberta mostrando sua cueca preta, sem camisa e descalço. Estou no céu e não sabia.
— Minha nossa como você tá gostoso. — falei porque não deu pra segurar. — É pra admirar ou pode pegar também?
— Sakura... — Sasuke me repreendeu meio sem graça, ele sempre foi mais tímido nesse quesito. E eu adoro. — Não muda de assunto.
— Não dá, não posso negar fatos tão evidentes. — brinquei enquanto Sasuke sentava na cama. Suas costas estavam completamente vermelhas, culpa minha, admito. Peguei a toalha em suas mãos e passei a enxugar seus cabelos. — Você fica tão lindo coradinho de vergonha.
— Hn... — começou a linguagem do monossilábico.
Resolvi ficar quieta e me concentrei em enxugar seus cabelos. Sasuke é tão lindo que não parece real, quando eu penso nele chega o coração dá aquela acelerada, estar com ele me faz tão bem, tão viva e feliz.
Comecei a afagar seus cabelos, até que ele se deitou em meu colo. Era sempre assim, Sasuke nunca resistiu a um cafuné.
— A gente tem mesmo que ir? — indaguei meio preguiçosa e Sasuke abriu os olhos.
— Você sabe que Ino vai nos arrastar de qualquer jeito, você mais do que ninguém sabe disso.
— É, eu sei, estou apenas tentando me agarrar a uma tábua de salvação. — bufei e Sasuke riu. — Não sei onde você achou graça nisso tudo.
— Adoro esse biquinho que você faz quando finge que tá brava. — não teve jeito, derreti diante de tal afirmação. — Você não vai se arrumar?
Eu estava usando apenas um roupão, depois do "banho" com Sasuke e me aboletei no roupão como se ele fosse aquele moletom velho e confortável que a gente usa no frio. A atividade anterior foi intensa e eu só queria ficar agarradinha com Sasuke aproveitando esse momento de paz, mas pelo visto eu me lasquei.
— Eu vou, só tô com preguiça. Você acabou comigo. — acusei falsamente.
— Ah claro, só eu que acabei com você. — bufou. — Você viu o estado das minhas costas, Sakura? Ardeu pra cacete. Fora que não vou poder ficar sem camisa em casa tão cedo.
— Sorry, não deu pra resistir. — fiz cara de donzela inocente.
— Essa sua cara não vai adiantar nada e você só tá protelando o tempo pra se arrumar.
— Falando desse jeito até parece que você curte uma balada.
— Entre uma balada e uma Ino enchendo o saco, eu prefiro mil vezes uma balada. — ele disse por fim se levantando do meu colo. — Vai se arrumar antes que eu esqueça a minha racionalidade e mande esse roupão pra puta que pariu.
— Você pode fazer isso se quiser... — falei como quem não quer nada. — Eu até preferia.
— Não. — falou taxativo. — Vou terminar de me trocar no banheiro pra que você não me ataque de novo.
— Fresco! — gritei assim que ele bateu a porta do banheiro e se trancou lá dentro.
— Obrigada pelo elogio, Haruno!.
— Não de quê, Uchiha! — rebati.
O silencio se abateu e notei que Sasuke não iria sair do banheiro. Saco!!!
Ino me paga.
Levantei da cama a contra gosta e me dirigi até o guarda-roupa procurando o que vestir. Optei por uma lingerie azul marinho de renda, Sasuke não estava merecendo um recheio como esse, mas eu poderia sacaneá-lo mais tarde. Coloquei um cropped com estampas tribais em preto e branco, com mangas e uma saia preta com uma fenda em cada lateral. Nos pés uma rasteirinha caramelo com pedras azuis.
Se eu não queria me arrumar, imagina me maquiar. Puta merda, é foda ser mulher. Pulei, base, corretivo, pó e o caralho a quatro. Passei apenas meu batom vermelho, um lápis pra ressaltar os olhos e uma máscara para ajeitar os cílios e estava ótimo.
Bati na porta do banheiro avisando a Sasuke que já estava pronta. Não demorou muito e ele abriu a porta. Nem preciso dizer que ele estava um charme, um broto ou um pão, né? Ele usava uma bata branca com uma gola em V, sua calça jeans (agora devidamente fechada e guardando o meu precioso) e um sapatênis sem cadarço na cor cinza.
— Uau!! — exclama Sasuke em surpresa. — Você está linda.
— Obrigada, mas você ainda nem viu o que está por baixo. — digo provocante, lançando uma piscadela e mordendo os lábios.
Deu certo porque ele logo vem na minha direção e me toma em seus braços afundado seu rosto no meu pescoço deixando um rastro de suspiro quente. Estremeço. Sasuke parece saber todos os meus pontos de sensibilidade.
— Já disse que você fica linda com esse batom? — ele diz com a voz abafada devido ao contanto da sua boca com meu pescoço. Tento raciocinar, até carneirinho eu contei, mas ele não facilitava até se afastar e me encarar.
— Na verdade você disse uma vez que o odeia. — fala recobrando minha sanidade e me lembrando do episódio de quando ele e Naruto chegaram super bêbados, e eu tive que cuidar de Sasuke enquanto Hinata cuidava de Naruto. — Mas era porque eu ficava ainda mais sexy com ele.
— E você fica mesmo! — ele disse convicto. — Naquele dia eu não queria demonstrar fraqueza, então disse que odiava.
Sorriu como uma adolescente apaixonada e quando vou beijá-lo, Ino bate na porta do nosso quarto avisando que todos já estavam prontos e à nossa espera. Sasuke e eu bufamos juntos e damos um selinho rápido.
Saímos do quarto e Sasuke se afastou um pouco. Na verdade eu entendo o motivo. Apesar de termos namorado quando mais novos, agora não existia nada oficial e mesmo assim sofremos pressão dos nossos amigos para que nos acertemos de uma vez por todas. Sasuke queria ir com calma e eu também. Os outros não precisam saber de nós dois agora.
Eu e Sasuke ficamos de motoristas da rodada mais uma vez, mas na volta Ino prometeu que votaria dirigindo pra que eu pudesse beber. Agradeci minha amiga por isso, mas sei que a Yamanka não dá ponto sem nó.
Kankuro foi com os meninos e Gaara conosco. Ele dizia que estava em um harém, mas sem contar com Temari porque ela é sua irmãzinha. No fim das contas, ele ganhou um belo tapa e um dedo do meio.
O percurso até a boate foi rápido e nem demoramos pra entrar. Os No Sabuku são bem conhecidos e bem-vindos em vários lugares de Suna, nós que somos amigos ganhamos também com isso.
Ficamos numa espécie de área VIP por conta das mesas e cadeiras pra nossas grávidas e Shikamaru com seu sono eterno. Não sei como Temari e ele conseguiram fazer filho... se bem que pra isso arranja tempo que não tem.
Me sento entre Ino e Gaara. Sasuke estava lado de Kankuro que estava ao lado de Gaara, do outro lado de Sasuke estava Naruto, e o loiro só fazia tagarelar. O moreno não parecia chateado e até ria de umas piadas sem graça, de vez em quando eu notava seus olhares sobre mim e não pude deixar de sorrir toda vez.
Kakuro saiu da mesa dizendo que iria procurar companhia femininas disponíveis a algo mais. Ino sugeriu que ele usasse o Tinder, um aplicativo que promove um possível encontro entre pessoas, desde que uma curta uma a outra. Ele negou falando que era da velha guarda e que o melhor match de todos sempre será uma conversa olho no olho. Neste ponto eu tenho que concordar com Kankuro.
Conversamos várias besteiras, lembramos de fatos do passado e no fim das contas eu resolvi beber. Pedi um sex on the beach porque tinha muito tempo que eu não tomava esse drinque e pra mandar uma mensagem implícita a Sasuke. Ficando claro que o só queria o sex, já tive on the beach demais por hoje e areia nos lugares menos favoráveis possíveis.
Ino tentava me sondar de todas as maneiras, mas eu sempre conseguia fugir e acabava envolvendo todo mundo na conversa lembrando dos velhos tempos. Depois disso os casais saíram em direção a pista de dança sobrando Gaara, Sasuke e eu na mesa.
Eu já tinha perdido as contas de quantos drinques eu já tinha tomado, só percebi que foram muitos quando eu comecei a rir por qualquer coisa. Gaara contava suas aventuras na África quando ficou responsável pela exploração de uma mina na República do Congo. Eu ficava encantada com as histórias e tentei anotar mentalmente os pontos turísticos para conhecer depois. Provavelmente eu perguntaria tudo a ele de novo.
Disse aos meninos que iria dançar um pouco e beber uma água pra que o álcool não fizesse um estrago tão grande assim, Doce ilusão da minha parte.
Encontrei com as meninas na pista de dança e dançamos um pouco, mas elas já estavam cansadas porque estavam ali a mais tempo que eu. Dei de ombros e segui até o bar onde pedi uma água. Degustei a água como quem acabava de achar um oásis no deserto.
Eu estava tão feliz que sorria por qualquer motivo, espero que ninguém confunda isso com um possível flerte. Eu não tenho paciência pra esse tipo de gente que só porque o outro é educado contigo ou sorri pra você está dando te dando mole ou condição. Por favor, vamos parar com isso gente!
Quando estava prestes a levantar vejo Sasuke vindo em minha direção. Sua expressão era de preocupado e logo depois de alívio.
— Você tá bem? — indaga ele assim que chegou perto o suficiente pra que eu escutasse. Eu apenas assinto como resposta degustando minha água. — Fiquei preocupado quando vi todos voltarem a mesa menos você.
— Eu precisava beber água, me cansei dançando com as meninas. — dei de ombros. — E ainda bebi drinques demais, precisava me hidratar.
— Você tomou sete drinques, não sei como conseguiu chegar a pista de dança. — ele diz se sentando ao meu lado no bar.
— Sou forte, Uchiha. — digo o encarando. — Espero que tenha deixado claro minhas intenções com a escolha do drinque.
Sasuke engole em seco e vejo seu rosto corar. Que vontade de morder.
— Você quer transar na praia? — ele pergunta baixinho. É notável seu constrangimento.
— Eu quero transar, mas não na praia. — bebo mais um gole de água. — Prefiro uma cama, gosto de transar com conforto depois de uma bebedeira.
— Na noite da nossa formatura do colegial você estava bêbada e ainda assim transou comigo no banco de trás do carro.
Rio com a lembrança. Com certeza uma das minhas noites favoritas... Sasuke não podia dirigir e Itachi ficou de nos buscar, mas ele presenteou Sasuke dizendo que ele poderia voltar com o carro desde que não bebesse. Ele não bebeu, mas eu bebi por nós dois. Ainda no estacionamento do colégio eu agarrei Sasuke e transamos no banco de trás do carro.
— Aquele banco de couro era deveras confortável. — digo nostálgica e com uma puta vontade de repetir a dose, outro dia quem sabe. — E nem tiramos a roupa por completo... eu só queria você dentro de mim. — sussurrei essa última parte no ouvido de Sasuke se senti os pelos da sua nuca se eriçarem.
Sakura wins!
— Você realmente sabe como provocar um homem, Haruno. — ele me responde com seu típico sorriso torto.
— Eu sei realmente como provocar você, os outros não me interessam. — tento soar de um jeito sexy, mas por conta da bebida não sei bem ao certo se consigo e logo descubro a resposta positiva quando Sasuke toma meus lábios em fúria.
Me surpreendo com o gesto, mas em nenhum momento penso em não retribuir. O beijo se torna urgente e sinto as mãos de Sasuke sobre meu corpo. Suspiro e gemo em seus lábios em resposta. Ele sorri e toma minha boca mais uma vez.
— O MOTEL É DO OUTRO LADO DA CIDADE – grita alguém que não reconheço a voz. — VOCÊS PODEM SE COMER POR LÁ.
Sasuke e eu ignoramos o idiota que gritou próximo a nós dois e continuamos o que estávamos fazendo.
Até que surgiu um momento em que chegamos a seguinte conclusão:
— Eu... preciso... de você... agora... — diz Sasuke ofegante depois de interromper nosso beijo.- Definitivamente agora.
— Eu... — puxo o ar com força tentando alcançar a minha racionalidade. — Concordo com você.
Ficamos por um tempo nos encarando e nos recuperando da falta de ar provocada por aquele beijo. O motel viria bem a calhar agora, senão tivéssemos oito amigos que dependessem da gente pra irem embora daqui.
— Vamos convencer todos a irem embora? — diz Sasuke completamente recuperado do fôlego. — Já está tarde de qualquer forma.
— Vamos logo!- falo rápido pegando sua mão . — Não temos tempo a perder.
Passamos pela pista de dança o mais depressa possível tentando não atropelar as pessoas, o que é quase impossível. Rimos do nosso desespero.
Estávamos quase chegando a mesa de nossos amigos quando esbarro em alguém. Direciono meu olhar a seu rosto pra pedir desculpas, mas a surpresa me faz ficar muda.
— Dra. Haruno. — fala num tom ácido, — Haruno Sakura. — umedece os lábios ao pronunciar meu nome com gosto me causando enjoo.
Sinto o peitoral de Sasuke sob as minhas costas e seu braço direito abraça minha cintura. Me sinto confortável por saber que ele estava ali.... mesmo sabendo que ele não está nem um pouco satisfeito com a situação.
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