Daylight
35 Suna - Parte 3
Notas iniciais
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
(Só tinha de ser com Você — Tom Jobim e Elis Regina)
Por Sasuke
— Dra. Haruno. — falou uma voz desconhecida por mim. — Haruno Sakura.
Pela reação de Sakura boa coisa não era, toda aquela atmosfera sexual e sensual havia sumido. No mesmo instante puxei o corpo de Sakura junto ao meu e passei meu braço direito por sua cintura. Sua respiração estava acelerada e ela estava nervosa.
O homem a frente a olhava de um jeito que me tirava do sério, ele não tinha um pingo de receio em correr os olhos pelo corpo dela. Sakura estava incomodada, assim como eu.
— Morino Idate. — Sakura cuspiu seu nome com um resquício de fúria.
— Dr. Morino Idate. — corrigiu o rapaz de forma cínica e Sakura apenas bufou. — Renomado médico de Tóquio. — Sakura bufou mais uma vez e eu podia jurar que ela estava revirando os olhos agora.
Então o desgraçado é médico e ainda por cima de Tóquio. Provavelmente deve ter feito faculdade com ela, já que ele não aparenta ser mais velho que nós dois. Com cabelos e olhos castanhos o cara se vestia como um mauricinho, todo engomadinho. Seu terno com certeza era caro.
— Esqueci que você tinha conseguido se formar. — disse Sakura assumindo uma postura de ataque. Parece que ela tinha se recuperado do choque. — Agora se você me der licença, eu tenho mais o que fazer. — se virou pra mim. — Vamos Sasuke?
— O que é isso, Haruno? — disse o tal Idate antes que eu pudesse responder. — Estou tão feliz em revê-la, na verdade é um prazer.
— A recíproca não é verdadeira. Nunca fui com sua cara e agora não seria diferente. — Sakura tava puta e se eu fosse esse cara sairia da frente dela. — Vamos Sasuke. — dessa vez era uma afirmação.
Sakura se desvencilhou do meu braço e pegou a minha mão. Começamos a caminhar em direção a mesa dos nossos amigos, mas aquele babaca é um tanto insistente e puxou Sakura pelo braço com força.
— É verdade, você nunca foi com a minha cara, em compensação com meu irmão você ia com a cara e até intimidade com ele você tinha. — acusou Idate e o choque da sua afirmação abateu Sakura e eu. — Um homem casado Sakura, você não tem respeito? É mesmo uma vagab...
Antes que ele terminasse a frase, o baque foi ouvido em meio a troca de música pelo DJ.
O soco foi certeiro e Idate caiu no chão com o impacto.
Não, o soco não foi meu. Infelizmente.
Sakura foi mais rápida que eu.
— VOCÊ É UM CRETINO IDATE. — gritava Sakura. — EU NUNCA TIVE NADA COM SEU IRMÃO E MESMO SE TIVESSE NÃO SERIA DA SUA CONTA. NEM VOCÊ E NEM NINGUÉM TEM O DIREITO DE ME CHAMAR DE VAGABUNDA. SEU MAURICINHO DE MERDA.
Fui pra cima do imbecil, mas a rosada me segurou.
— Não se bate em cachorro morto, Sasuke.
— Esse cara te chamou de vagabunda e você acha que eu vou deixar por isso mesmo, Sakura? Nem pensar.
— Esquece isso, só vamos embora. Por favor. — suplicou.
A forma como ela me pediu me deixou preocupado. Sakura parecia que ia se desmanchar em lágrimas se não saísse dali. Todos estavam nos olhando e logo os seguranças estariam ali, é melhor atender ao seu pedido.
— Vamos embora. — digo por fim.
— VAI MESMO EMBORA SUA CRETINA, VAI QUE SEU CLIENTE ESTÁ ANSIOSO PRA TE COMER. TINHA ME ESQUECIDO QUE ALEM DE MÉDICA É PUTA.
— DESGRAÇADO....
Sakura se desvencilhou e foi pra cima daquele canalha mais uma vez. Deu uma pisada certeira e com gosto em seus países baixos e depois mais uma, dessa vez com o outro pé. O puxou pela gola da camisa e desferiu mais um soco.
— Estou poupando o mundo de filhos gerados por você, seu babaca. — cuspiu as palavras na cara daquele idiota.
Eu tava puto, mas assistia aquela cena com orgulho da minha rosada. Antes que ela cometesse um homicídio eu a puxei. Os seguranças e nossos amigos chegaram bem na hora.
As meninas ficaram com Sakura em um canto mais afastado e eu expliquei aos seguranças e aos nossos os amigos o ocorrido. Falei que a agressão partiu de Idate e que Sakura apenas reagiu, eles ficaram um pouco desfiados no início, mas o fato de ser amigo dos No Sabuku ajudou bastante.
Pra não deixar qualquer dúvida fomos até a sala de filmagens e tudo ficou confirmando quando eles registaram que Idate puxou o braço de Sakura com força e ela apenas reagiu.
O babaca foi levado pra uma sala onde prestaram os primeiros socorros. Apenas uma boca partida e uma possível infertilidade.
Sakura preferiu ir a delegacia de Suna registar a ocorrência, porque não confiava naquele imbecil, mas ele não quis prestar queixa quando chegou lá. Os policias e até mesmo o delegado riram dele por apanharem de uma mulher, mas quando viram a mulher, a risada cessou. Sakura sempre colocou medo em qualquer um.
Gaara, Kankuro e eu fomos com ela até a delegacia. O restante do pessoal foi pra casa, as meninas estavam bem nervosas. Ino também queria bater em Idate, pelo visto ela também o conhecia.
Quando estávamos voltando pra casa, Sakura desabou em choro no carro. Fiquei preocupado, mas ela não fazia nada além de chorar baixinho. Gaara voltou dirigindo e ela veio deitada no meu colo no banco traseiro. Minha camisa estava ensopada quando chegamos.
Agora com a cabeça fria passei a racionalizar a situação. Era evidente que aquele cara queria ter tido algo com Sakura e pelo visto não conseguiu. Mas o que me incomodou mais foi o fato dele ter falado do seu irmão dizendo que ele tinha tido um caso com Sakura.
Eu não sou idiota de achar que Sakura não se envolveu com ninguém nesses nove anos, até eu me envolvi com outras mulheres mesmo que não tenha chegado a ser sério como eu tinha com ela, mas não posso dizer que não fiquei com ciúmes. A reação dela ainda piorou a situação... ela ficou transtornada, enfurecida. Será que ela teve mesmo um caso com um homem casado?
Todos estavam acordados à nossa espera, exceto Shikamaru, porque ele só dorme. Se não fosse por Ino, Sakura seria bombardeada de pergunta. Contamos o ocorrido na delegacia e depois cada um seguiu o rumo para seus quartos. Antes, eu passei na cozinha e peguei uma bolsa de gelo pra mão de Sakura que estava um pouco roxa e dolorida pelos socos desferidos.
Sakura estava calada, mas ainda assim preferiu tomar banho comigo. Dessa vez foi um banho de verdade.
— Você não vai me perguntar nada sobre Idate? — indagou Sakura agora que estávamos deitados e abraçados.
— Confesso que estou curioso, mas pensei que não queria falar sobre isso agora. — disse enquanto afagava seus cabelos úmidos. — Achei que estivesse cansada depois tudo.
— Estou cansada sim, — se virou pra mim. — Mas quero dividir isso com você, as acusações de Idate foram graves. Quero que conheça o lado verdadeiro da história. Prometo que serei rápida e objetiva, eu sei que você também está cansado.
— Pode falar, sou todo ouvidos. — dei um sorriso mínimo pra ela. Nos sentamos um de frente pro outro.
— Bom... eu não sei se você sabe, mas minha vida não foi nada fácil em Tóquio. — falou meio receosa. Uma hora ou outra esses nove anos viria à tona de todo jeito. — Eu consegui um financiamento pra Universidade, mas era apenas 50%. O dinheiro que eu tinha era o que estava guardado na poupança, usei boa parte dele pra matricula, mensalidades, alimentação... eu sabia que não ia durar muito, então eu resolvi conseguir um emprego assim que cheguei lá.
— E a herança que sua mãe te deixou? — indaguei confuso
— Meu pai não facilitou as coisas pra mim, ele disse que eu só teria acesso a esse dinheiro quando fizesse 21 anos, maioridade aqui no Japão. — ela explicou e eu assenti. Confesso que não esperava isso de Kizashi. — Ele queria que eu voltasse de qualquer jeito pra Konoha, mas eu já tinha feito o mais difícil, que era sair de Konoha. — deu de ombros. — Consegui um emprego de garçonete no bar que ficava perto do campus, trabalhava meio período. Dividia o dormitório com uma colega, mas não lembro do seu nome, eu quase nunca parava no quarto. Quando não estava na sala de aula, ou trabalhando estava na biblioteca estudando.
"Conheci Idate numa tarde de trabalho e desde sempre ele deu em cima de mim ou dava um jeito de chamar minha atenção. Insuportável, como sempre. O jeito lascivo como ele me olhava sempre me enjoou e pra piorar ele ainda tratava as mulheres como objeto."
— Babaca. — disse me arrependendo de também não ter batido nele. — Desculpa, pode continuar.
— Ele é realmente um babaca. — riu. — Eu trabalhei nesse bar por pouco mais de um ano, lá ele não importunava mais porque o dono do bar sempre destinava outra pessoa pra atender no meu lugar, depois disso passei a ser monitora na faculdade e tirava uma grana melhor que no bar. O que eu não sabia era que Idate fazia medicina, pra minha desgraça. Eu adiantei algumas matérias e acabei alcançando a turma dele. — bufou – Ele perdia a matéria de propósito só pra que eu desse aulas a ele, eu soube disso depois. Essa brincadeira de ser meu aluno na monitoria durou um ano e eu continuei dispensando ele, subitamente ele melhorou as notas e se tornou o segundo melhor aluno da turma, depois de mim, claro. — gabou-se. — Participamos de um grupo de pesquisa, ele tentou mais uma vez e eu pensei em sair do grupo, mas o professor que coordenava o estudo convidou Idate a se retirar da pesquisa e ele não teve outra alternativa.
— Que cara insistente... mas onde o irmão dele entra nessa história?
— O irmão de Idate, Morino Ibiki, foi meu professor no último semestre. Eu sempre fui bem vista pelos professores na faculdade e querendo ou não, o sobrenome Haruno pesou. — disse séria. — Eu acabei me afeiçoando a ele pelo médico, professor e pessoa que ele era. Eu terminei a faculdade em cinco anos e não em seis. Estava em dúvida sobre qual especialidade seguiria, se cardiologia com cirurgia cardiovascular ou pediatria. Eu tinha de decidir logo por conta da residência.
"Conversei com Ibiki-sensei na época e ele perguntou qual das duas eu gostava mais, no fim das contas eu não tinha uma preferida. Ele me sugeriu que fizesse as duas, só que em hospitais diferentes, seria trabalhoso, mas eu acatei a sugestão. Ele coordenava um grupo de residentes em um hospital particular de Tóquio que tinha convênio com a Universidade e me convidou pra ser uma de suas alunas. Nessa época eu já tinha recebido a herança de minha mãe e poderia fazer isso tranquilamente."
"Fazia residência em cardiologia com cirurgia cardiovascular no Mitsui Memorial, o hospital particular que Ibiki coordenava a turma de residentes e fazia residência em pediatria no Hospital Universitário de Tóquio que pertencia a Universidade"
— Meu Deus, Sakura! Como você conseguiu isso? — perguntei perplexo. — E seus amigos, sua vida social? Você não fazia nada além de trabalhar e estudar?
— Eu não conseguia fazer amizade com ninguém, não queria me apegar. — explicou.- Fiz apenas um amigo, o nome dele é Sasori um amor de pessoa e também médico. — os olhos de Sakura brilharam quando ela falou desse tal Sasori e eu me senti incomodado. — Tirando Sasori, eu só saía com Ino quando ela aparecia por lá.
— Você... Você não — como era difícil fazer essa pergunta e ainda piorava quando eu olhava seus olhos curiosos. — se envolveu com... ninguém? Digo... namorado ou algo do tipo?
— Como eu te disse, eu não queria me apegar a ninguém e ter um relacionamento mais sério só tomaria meu tempo. O que tivemos foi muito forte, Sasuke. — a encarei.- Não seria justo com a outra pessoa, ela já entraria no relacionamento perdendo pra você. — riu e eu não pude evitar de rir junto. — Não tive casos fixos, mas as mulheres sentem as mesmas necessidades que os homens. Quando o ponto alto da minha, digamos carência, batia eu saía com alguém, transava e voltava a minha rotina de estudo e trabalho.
— Você fala isso assim, como se não fosse nada? — tentei controlar meu ciúme. Sem sucesso. — Nessa naturalidade toda?
— Sasuke, por favor. — Sakura se controlava, ela não queria brigar. — Sexo casual é a coisa mais natural do mundo. Aposto que você transou com muitas americanas peitudas e nem por isso eu estou me matando por dentro, eu não sou sua dona Sasuke e nem você o meu.
— Verdade. — confirmei a contra gosto. — Desculpa...
— Até o sol nascer eu penso sobre isso. — tocou com dois dedos em minha testa e eu já sabia que estava desculpado. — Tem mais alguma pergunta ou posso continuar o restante da história?
— Nenhum médico conseguiu ganhar seu coração? — provoquei e ela bufou.
— O casamento dos meus pais me mostrou que eu não nasci pra namorar outro médico. Não sei como eles conseguiam administrar tanta coisa, os horários nem sempre eram os mesmos, passavam dias sem se ver direito... — colocou a mão direita no queixo e estava com uma cara de pensativa. — Com certeza eu fui feita na sala de um dos dois...
— Credo, Saskura. — bradei. — Puta que pariu, você não tinha coisa melhor pra analisar não?
— Desculpa, foi inevitável. — riu. — Você e Itachi podem ter sido feitos em cima de uma planta baixa, já pensou nisso? — fiz uma careta de desgosto e ela parecia se divertir com isso. — Tá certo, parei. Mas voltando a sua pergunta, eu nunca quis me envolver afetivamente com ninguém da área de saúde. Médico, enfermeiro, fisioterapeuta entre outros. Sempre tive uma queda pelos de exatas. — deu um sorriso malicioso. — Você é meu engenheiro mecânico preferido, é o único.
— Idiota. Sua sinceridade às vezes me assusta, sabia?
— Você que é polido demais, quem vê até pensa que não bate punhetas.
— E não bato mesmo, você suga toda minha vitalidade. Não sobra tempo pra isso.
— Pensei que você gostasse... — disse se fingindo de ofendida.
— É... eu até gosto... — desdenhei
— Vai se ferrar, Uchiha. — me lançou os dois dedos do meio. — Baka.
— Te irritar me diverte.
— Depois eu que sou irritante. — revirou os olhos. — Te odeio.
— Não, você não me odeia. E sim, você é irritante. — bufou. — Agora termine de contar a história.
— Aonde que eu estava, mesmo?
— Na parte em que decidiu fazer as duas residências.
— Ah sim, claro. — suspirou. — No primeiro dia da residência eu descobri que Ibiki e Idate eram irmão. Eu pensei que seria o inferno na terra e realmente foi, mas demorou pra que isso acontecesse. Idate estava mais maduro, era fingimento, e não dava mais em cima de mim, mas a minha relação com Ibiki o incomodava.
"Eu me esforçava muito e Ibiki admirava, era evidente que eu era a preferida. Ele é um grande médico, sempre preocupado com seus pacientes, atencioso. Parecia com meu pai e talvez eu tenha permitido apegar-me a alguém, mas nada com segundas ou terceiras intenções. Por conta da vida corrida Ibiki e eu almoçávamos juntos, discutíamos muitos casos, sempre que eu tinha alguma dúvida eu recorria a ele, até mesmo quando eu tinha certeza do que era."
"A família Morino é formada por vários médicos, então era obrigação de Idate ser sempre o melhor, mas sua relação com o irmão não era das melhores. Idate começou a dar em cima de mim outra vez e mais uma vez eu o afastava, até que um dia Ibiki viu e chamou a atenção do irmão, Idate não gostou nada e abandonou a residência"
"O clima tinha ficado muito melhor, eu conseguia trabalhar em paz e isso me fazia muito bem. A residência estava chegando ao fim e eu já tinha sido convidada pra incorporar o corpo médico do hospital".
— Quando foi que as coisas começaram a dar errado?
— Em um dos meus almoços com Ibiki, estávamos discutindo um caso de um paciente que tinha feito um transplante de coração, Ibiki simplesmente me beijou. — era notável a incredulidade em sua voz diante de tal ato de Ibiki. — Foi horrível, Sasuke.
— Ele te beijou, assim do nada?
— Exatamente assim. Lembro até a hoje do choque que senti na hora. — suspirou. — Acho que eu só acordei pra realidade quando o estalo do meu tapa em sua cara ressoou pelo restaurante. Nesse dia eu descobri que o ego inflado era genético, Ibiki teve a cara de pau de dizer que eu dava condição pra ele, que eu sempre ficava sorridente ao seu lado e que se eu não quis Idate só podia estar interessado nele.
— A idiotice e a falta de escrúpulos é genético, pelo visto. — disse raivoso, eu estava com vontade de socar dois irmãos com muita força agora.
— Foi horrível, Sasuke. — falou triste. — Eu descobri que admirava um idiota, um cara que eu via como uma espécie de pai, que me dava conselhos, sanava minhas dúvidas e me parabenizava por cada passo que eu dava no ramo da medicina.
Era notável o sofrimento de Sakura e eu só pensava que queria estar ao seu lado num momento difícil como esse. Me sentia um impotente por não poder fazer nada.
— O que aconteceu depois?
— Eu fiz um escândalo naquele restaurante e ameacei denunciá-lo ao Conselho de Medicina do Japão. Ele tentou pedir desculpas, disse que foi apenas um engano, mas não adiantou. Foi o fim. — Sakura mexia na fronha com impaciência. — No dia seguinte eu pedi pra trabalhar com outro médico responsável, como eu era a melhor residente não houve problema.
— E onde Idate entra nisso?
— Aquele filho de um estrume nos seguia para provar que eu e o irmão dele tínhamos um caso. Ele tirou uma foto do beijo que Ibiki que me deu e veio me chantagear, dizendo que se eu não ficasse com ele, ele mostraria a foto para a esposa de Ibiki, suas duas filhas e ainda iria me expor pra todos os médicos, hospitais, a tudo que ele conhecesse para mostrar quem era a verdadeira Haruno Sakura, a destruidora de lares. Ele tinha me dado uma semana de prazo.
— Esse cara só deve assistir a novela mexicana, só pode. Me diz que você socou ele? Que fez pior do que fez hoje?
— Ele tinha ido me ameaçar no hospital, não pude fazer nada, mas vontade não me faltou. — bufou. — Remoí por dias pensando no que fazer, mas a contra gosto resolvi falar com Ibiki. — fiz uma careta em desgosto. — Eu não levaria a culpa por algo que eu não fiz, Sasuke.
— Eu sei, mas não acho que falar com Ibiki tenha sido a melhor solução pra resolver a situação. — disse o óbvio. — Querendo ou não, vocês dois estavam na mão de Idate.
— Acredite, foi a melhor coisa que eu fiz. — sorriu sapeca e eu não entendi mais nada.
— Como assim, Sakura?
— Cerca de uns quatro dias depois da ameaça de Idate eu fui falar com Ibiki. Ele parecia estar constrangido, mas eu não conseguia confiar mais, por motivos óbvios. — suspirou. — Ele disse que ia falar com o irmão e resolveria a situação.
— E então?
— Decorreu o "prazo" — Sakura fez o sinal de aspas com a mão — que Idate tinha me dado e Ibiki não tinha me falado mais nada. Fui procurá-lo mais uma vez e quando já estávamos conversando, Idate invadiu a sala do irmão com a esposa de Ibiki. — Sakura riu e eu estou tentando achar a graça. — Foi uma confusão dos diabos, Idate nos acusava, mostrava a foto e Ibiki parecia uma pamonha por não saber o que fazer. Mas o ponto alto foi a gargalhada escandalosa a esposa de Ibiki.
Eu estava incrédulo, até onde eu sabia mulheres não gostam de ser traídas ou supostamente traídas como era o caso. Na verdade ninguém gosta de ser traído...
— Sakura isso não faz sentindo, por que essa criatura caiu na risada?
— Simples, ela já estava querendo se separar de Ibiki, mas ele não dava o divórcio. Viu nessa suposta traição, uma oportunidade pra conseguir o que queria — Sakura ria com a lembrança. — Foi hilário, Sasuke. Ela até me agradeceu deixando Idate e Ibiki sem ação. Mas eu disse a ela que não tinha nenhum caso com o marido dela, expliquei toda a situação nos mínimos detalhes e de alguma forma ela acreditou em mim.
— E depois?
— Foi um escândalo no hospital e infelizmente respingou em mim. Ninguém acreditava que eu não fosse amante de Ibiki, porque ele traía a esposa com metade do hospital. — arregalei os olhos pra ela. — Então, eu só era mais uma. No início eu fiquei muito chateada, meu orgulho estava mais que ferido, mas no fim das contas, a única que precisava acreditar, acreditou. Mesmo que tenha me custado o emprego novo, e até minha reputação eu não carregava a culpa de nada.
— Depois disso você nunca mais cruzou com os irmãos Morino?
— Até o fim da residência eu apenas via Ibiki nos corredores do hospital, mas nem o cumprimentava, pra mim não existia. Já Idate, não o via desde o escândalo que ele mesmo provocou até hoje eu me esbarrar com aquele traste.
— E como você conseguiu trabalho depois?
— O hospital abafou o escândalo, até porque um médico e conselheiro estava envolvido. Chega um momento em que as pessoas esquecem também. Por sorte, me convidaram pra trabalhar no Hospital Universitário. Não ganhava muito, mas para uma iniciante estava ótimo. Dois meses depois fui chamada pra trabalhar em outro hospital público em regime de plantão e foi aí que eu entrei no mundo das cirurgias de vez. Esse hospital é o que estou até hoje, ou pelo menos estava, já que eu volto pra Kanoha de vez depois de junho.
— Você vai mesmo voltar? — não pude esconder o quanto isso me alegrava e ao mesmo tempo me deixava ansioso.
— Vou sim, Uchiha. Mas ainda é segredo, não quero estregar a festa de despedida que Ino está fazendo pra mim. — riu sapeca. — Só espero que ela não tenha o filho no meio da festa por conta da surpresa. Isso é a cara de Ino.
— Seria uma despedida, inesquecível. — gargalhamos juntos. — Mas... e nós? Como... nós vamos ficar?
Sakura pareceu surpresa diante da minha pergunta e eu também. Talvez ouvir esse relato de uma parte do seu passado tenha me deixado confortável ao ponto de me abrir quase que por completo pra ela, como antes.
— Pra que possa existir um nós, é preciso que o dois queiram isso, Sasuke. — deu um sorriso mínimo. — Eu amo você, mas eu preciso que você seja tão sincero quanto eu. Você quer isso? Você também quer um nós?
— Eu pensei que soubesse a resposta no momento em que fiz a pergunta, sua irritante. — debochei e ela riu. A puxei pro meu colo e colei nossas testas. — Eu quero um nós, mas... eu te peço um pouco de paciência, vamos com calma tá bem?
— Menos na cama, ok? Com calma na cama é péssimo.
— Sakura!!! — bradei. — Mas será possível que você não leva nada a sério?
— Minha nossa, Sasuke. Se continuar assim enfarta antes dos 30. — ela passou o dedo em minha testa desfazendo o vinco que ali se encontrava. — É só pra descontrair e outra, não é como se fôssemos casar amanhã. Claro que vamos com calma, até porque eu não quero ninguém se metendo no nosso relacionamento. Já basta nossos amigos... de repente todo muno virou o sábio do conselho amoroso. Isso é um saco às vezes.
— Nem me fala... Eu não aguento mais Itachi, Naruto e até Fugaku Uchiha me dizendo coisas óbvias.
— Até tio Fugaku está no meio? — Sakura riu. — Minha nossa.
— Meu pai é um fã ferrenho da sua pessoa, Itachi e Naruto nem se falam.
— Ino gosta de você, mas tem momentos em que ela quer arrancar sua cabeça.
— A recíproca é verdadeira.... Loira intrometida. — Sakura me deu tapa. — Seu tapa doi, sabia?
— Não fale assim da porquinha, só eu que posso. — cerrou os olhos pra mim e me deu um selinho. — Vamos dormir? Eu tô caindo de sono. — ela disse com a cabeça enterrada em meu pescoço.
— Vamos, vamos dormir.... Haruno teimosa. — ela grunhiu em protesto e eu dei uma beijo em sua testa antes de nos ajeitarmos na cama.
— Boa noite, Uchiha.
— Boa noite, Haruno. — a aconcheguei mais no meu peito e dei um beijo no topo de sua cabeça.
Me perdi no cheiro dela e dormi como um bebê.
...
— Doeu em você? — Gaara fungou e continuou — Doeu ficar sem o Sasuke?
Continuei parado no mesmo lugar. Podia sentir minha respiração irregular diante de tal indagação. De soslaio, percebi que Sakura também ficara tensa, mas soltou uma lufada de ar e respondeu.
— Doeu – disse firme. — E como doeu — eu não precisava olhar em seus olhos pra saber que ela falava a verdade. — Mas teve algo que me doeu ainda mais.
Se doeu, por que ela foi embora? E o que doeu mais que isso?
— Deixar Sasuke. — a resposta de Sakura parecia uma lâmina afiada desferindo um corte sobre a minha carne. Meu coração apertou e senti meu peito doer. Nem que eu quisesse me afastaria dali. Não agora. — Nada me doeu mais do que deixá-lo e viver sem ele foi uma consequência dessa decisão.
Acordei num rompante... Às vozes de Sakura e Gaara ainda ecoavam na minha cabeça... Aquela pergunta maldita ainda rondava na minha mente
Sentia a mesma dor no peito mais uma vez...
— Deixar Sasuke. Nada me doeu mais do que deixá-lo e viver sem ele foi uma consequência da minha decisão.
Mas por que?
Se doeu tanto assim por que ela foi embora?
E por que demorou tanto tempo pra voltar?
Mais questionamentos, mais dor no peito e um sufocamento amargo...
Senti algo se mexer, era ela, era Sakura que estava em meus braços dormindo e ressoando baixinho. A expressão suavizada e os fios róseos moldando aquele quadro perfeito que é ela.
— Eu preciso saber... — disse baixinho e apertando em meus braços. — Eu preciso de uma resposta... — sussurrei em desespero
— Sasuske... — Sakura me chamou. — Você... já tá acordado? — bocejou e se aninhou ainda mais a mim. — Isso é... barulho de chuva?
Só agora que Sakura falou eu pude notar os sons a minha volta... chovia e chovia forte. Não só chovia como trovoava também. Como pode depois de um dia tão ensolarado como o de ontem?
— É chuva sim. — respondi e em seguida outro trovão. Sakura se assustou. — Ainda tem medo de trovão?
— Não tenho medo, mas eu não gosto. — disse me apertando com força. Ela estava realmente com medo. — Espero que não atrase nossa viagem de volta.
Eu nem lembrava que voltaríamos hoje pra Konoha, aconteceram tantas coisas que parece ter passado dias.
— Eu também espero que não. Você dormiu bem? — indaguei e ela levantou os olhos me fitando.
— Até tentei, mas tive alguns sonhos estranhos como se o dia de ontem passasse na minha cabeça como um filme. — lembrei do meu sonho e a inquietação me abateu de novo. — Você também se mexeu muito agora pela manhã... pesadelos?
— Não exatamente... — evitava de encará-la.
— Sasuke, aconteceu alguma coisa? — indagou e puxou meu queixo para que pudesse olhá-la. — Você tá estranho.
— É...
— É... quer me dizer algo? — assenti. — Então diga... não pretendo sair desse quarto tão cedo.
— Céus... como isso é difícil...
— Sasuke, você tá me assustando. — disse preocupada. — Você tá sentindo alguma coisa? Alguma dor?
— Não, não é isso... é que... — puxei o ar com força. — Eu ouvi sua conversa com Gaara... — ela me olhou surpresa. — Eu não queria ouvir, juro, mas quando você disse aquelas coisas pra ele eu não consegui sair, mas Naruto apareceu e você já sabe o resto.
— Eu devia imaginar. Você estava muito estranho naquela noite mesmo depois da nossa tarde. — ela não parecia estar chateada. — Mas por que você não me disse? Por que não falou comigo, Sasuke?
— Eu... eu tive medo. — confessei. — Talvez fosse mais fácil ouvir você falando isso pra outra pessoa, talvez fosse mais fácil não encará-la ao ouvir a resposta. — desviei meus olhos do dela.
— O que você quer saber Sasuke? — perguntou doce. — Pode me perguntar o que você quiser e eu te respondo... Olha pra mim Sasuke, me ajude a te ajudar. Não quero brigar contigo, não depois de ontem, Uchiha.
O silêncio se abateu no quarto.
Sakura não dizia nada, mas eu podia senti-la inquieta.
Quanto a mim? Estava em busca de uma coragem que me faltava.
Mais uma trovoada, mas dessa vez ela não se assustou. Talvez nem tivesse ouvido.
— Se doeu tanto... — tomei coragem. — Por que você me deixou? Por que... você foi embora? Por que nunca voltou ou melhor demorou tanto pra voltar? Não... não faz sentido pra mim Sakura.
— Finalmente – ela disse... contente?! — Pensei que não fosse me perguntar nunca.
Não disse nada, eu não queria mais falar apenas ouvir. Sakura entendeu, deu um pigarro e seus olhos se tornaram opacos como alguém que mergulha em tristeza.
— Você lembra do dia em que fui atender sua mãe depois do desmaio? — assenti em resposta. — Você recorda que eu tinha um machucado na mão e quando me perguntaram o que foi...
— Você disse que tinha sido um copo, mas eu sei que não foi isso.
— Você me conhece bem. — sorriu. — Não, não foi um copo, foi um murro no espelho.
— Por que diabos você socou um espelho?
— Porque antes d'eu socá-lo ele refletia uma Sakura linda, feliz e plena. — disse triste — E aquilo não era eu. Quando soquei o espelho e ele se partiu vi meu reflexo em pedaços. Aquela era a verdadeira Sakura, a Sakura quebrada. A mesma Sakura que olhou em seus olhos naquele bangalô, no restaurante e viu toda a dor que tinha te causado... Eu não podia estar plena, feliz quando na verdade eu sou quebrada...
— Sakura... — a chamei, mas ela levou sua mão direita, que ainda estava inchada, a minha boca me impedindo de falar.
— Quando minha mãe morreu eu quebrei por completo... eu perdi meu norte, meu chão. — lágrimas se formavam em seus olhos e meu peito podia sentir a sua dor. — Eu pensei que com o tempo as coisas fossem melhorar, mas não, só fizeram piorar. Meu pai me pressionava, as pessoas me olhavam com pena e sempre perguntavam se eu estava bem. Eu queria gritar, Sasuke. Como eu poderia estar bem? Eu vivi aquele inferno quase um ano vendo minha mãe definhar diante dos meus olhos, vendo meu pai chorar pelos cantos e eu só queria ser forte. Eu só chorava com você, nos seus braços eu podia fazer isso e bastava pra mim. Mas o pior veio e minha mãe se foi.
Ela se permitiu chorar baixinho e eu me senti o pior dos idiotas por fazê-la lembrar daquilo.
Suspirou e tomou fôlego pra continuar.
— A ida pra Tóquio era como uma tábua de salvação... de fato eu queria fazer medicina lá, mas eu teria ficado se minha mãe não tivesse morrido ou ainda estivesse em tratamento. Você não saía do meu lado, Sasuke. Sempre atento, sempre pronto pra quando eu desmoronasse mais uma vez, pra me proteger de mim mesma... mas isso não estava certo
— Eu nunca me importei em te proteger, Sakura. Eu sempre estava ao seu lado porque eu te amava e ainda te amo... sua dor era a minha dor.
— Eu sei que você nunca se importou em fazer isso e eu te amo ainda mais por isso, mas não era certo. Você deixava de fazer suas coisas para estar ao meu lado, você deixaria seus sonhos, se você pudesse respirava por mim. Você vivia uma dor que não era sua, Sasuke.
— Mas Sakura...
— Eu não podia fazer você de porto seguro a vida inteira, Uchiha. — disse amarga. — Eu não sou perfeita e nunca fui, mas você enxergava uma Sakura assim, alguém que eu não era. Você estava mais que inteiro na relação quando eu era apenas frangalhos. mais lágrimas transbordavam em seus olhos . — Quando eu te chamei pra ir embora comigo eu fui egoísta, pensei apenas em mim porque eu te amava demais por não te ter do meu lado. Quando eu percebi que você não aceitaria foi a deixa que eu precisava pra ir embora de vez.
— Eu fui em sua casa no dia seguinte pra dizer que ia com você, mas você já tinha partido. Partiu sem me dar um adeus.... Eu fiquei devastado, Sakura. Eu sempre estive ao seu lado e iria pra Tóquio por você.
— Exatamente, você iria por mim e não por você. Percebe o quanto isso soa egoísta? -soluçou. — Eu não queria isso, Sasuke. Eu não podia carregar mais essa culpa comigo.
— Você poderia ter ao menos se despedido, sabia? — acusei. — Talvez eu me sentisse menos pior. Ou a gente poderia ter mantido um relacionamento a distância.
— Se eu tivesse me despedido de você eu nunca teria ido, Sasuke. Te deixar foi a coisa mais difícil que eu fiz... eu renunciei o seu amor, a sua presença porque eu não me sentia o suficiente pra você e eu não era. Eu não podia dar algo a alguém que estava inteiro quando nem meus cacos eu conseguia juntar. — apertou os olhos com força. -- Um ralacionamento a distância não daria certo, porque em nossa primeira briga por conta dela eu não hesitaria em voltar. Pisar em Konoha era como reviver uma dor insuportável.
Nós dois chorávamos, cada qual com sua dor. Eu tentava entendê-la, mas eu tinha a minha própria dor para administrar.
— Quando eu cheguei em Tóquio... — ela continuou a falar em meio a soluços. — Eu descobri que a dor nos acompanha pra qualquer direção que sigamos. Por isso decidir não me apegar a ninguém, foquei nos estudos e trabalho... Era uma forma de não pensar na mamãe, em você, no meu pai e nos meus amigos. Me tornei fria, racional, mas como você pode ver é apenas uma espécie de armadura pra que as pessoas não possam entrar.
— Por que você nunca voltou? Por que demorou nove anos?
Sakura parecia tensa como quem guardava algo pra si. Suspirou buscando coragem e disparou a bomba.
— Na verdade, eu voltei no mesmo ano que parti.
— Como... assim? — eu a encarava incrédulo. Os nós das minhas mãos já estavam brancos. — ME RESPONDE, SAKURA? — perdi o controle.
— No dia do seu aniversário num ato de desespero eu peguei um trem pra Konoha. — disse de olhos fechados. — Fui até sua casa, mas não tive coragem de tocar a campainha... por ser seu aniversário eu sabia que nossos amigos iriam te visitar, portanto me mantive distante pra quando você aparecesse eu pudesse falar com você. Não tardou e você apareceu de mãos dadas com uma garota loira. — perdi o chão quando Sakura proferiu tais palavras e me encarou. — Você a beijou no portão da sua casa e foi ali que eu descobri que tinha te perdido pra sempre.Você tinha refeito sua vida mas eu não o culpo pelo contrário, a culpa foi minha. Eu tinha ido embora e fui mais uma vez sem precisar te magoar de novo.
Eu estava perplexo diante das palavras... foi o primeiro aniversário sem Sakura desde os cinco anos. Eu estava mais que fodido, lembro de ter enchido a cara e ter pegado a primeira mulher que apareceu na minha frente, ela grudou em mim e foi comigo até em casa porque morava na mesma rua que eu. Eu me deixei levar... mas eu nunca podia imaginar que Sakura assistia tudo aquilo.
— Por que você não falou comigo? — acusei em desespero. — Por que não foi até mim?
— Eu não tinha o direito de ferrar sua vida outra vez, Sasuke. — as lágrimas escorriam de forma violenta agora. — Eu não podia... você estava... melhor... sem mim.
— MAS RESOLVEU FERRAR MINHA VIDA APARECENDO NOVE ANOS DEPOIS? — levantei da cama num impulso de raiva e comecei a gritar. — POR QUE VOCÊ VOLTOU ENTÃO?
— Eu não sabia que você estaria aqui...- disse chorosa, mas ela não gritava ao contrário de mim. — Disseram que você não estaria aqui, mas quando eu te vi... eu não podia mais fingir que não sentia nada... eu não podia.
Ela se aproximou e tocou meu rosto. Tentei desviar, mas eu ansiava o seu toque. Ela me olhou profundamente e mergulhei naquele verde que me acalmava e me atormentava na mesma medida.
— Eu amo você, Uchiha Sasuke. — disse firme e eu senti meu coração falhar. — E vou te provar isso todos os dias se for necessário. — colou sua testa na minha. — Até que você entenda.
Como Sakura, eu também não podia mais fingir que não sentia nada por ela. Mesmo que ainda demorasse a entender seus motivos por completo eu a queria do meu lado, mesmo diante de todas essas revelações eu a queria comigo.
— Você é realmente irritante. — disse e ela sorriu. — Eu te amo, Sakura. — segurei seu rosto com delicadeza. — Promete que não vai mais a lugar nenhum? Promete que não vai fugir mais?
— Prometo, Uchiha possessivo. — zombou. — Mais alguma coisa?
— Quero você, agora.
— Desde quando você é tão mandão assim?
— Aprendi com a melhor. — lancei meu sorriso de canto.
— Cretino... Você sabe que eu não resisto a esse sorriso.
Tomei seus lábios em fúria, mesmo surpresa ela não resistiu. Eu queria Sakura por completo, sem mágoas, sem dores, só amor.
Explorava cada parte exposta do seu pescoço e ela gemia de prazer me dando mais espaço. Tirei suas roupas com pressa e ela fez o mesmo comigo, estávamos sedentos de luxúria um pelo outro.
Beijava, mordiscava e lambia todo seu corpo deixando um rastro de saliva, seu gosto era o melhor de todos.
— Ah Sasuke.... — gemeu quando eu abocanhei seu seio esquerdo e beliscava o direito. — Minha nossa...
Troquei de seio e depois fui descendo por sua barriga, mordia e apertava sua cintura. Depositava beijos e mordidas em sua virilha, desci até as coxas e pude ouvir um pequeno protesto seu, eu já chegaria lá. Mordi seu pé e fui subindo.
Sakura estava exposta e eu gostava disso... soltei uma lufada de ar quente em sua intimidade e a sentir se contrair. Lambi todo seu sexo, me concentrei em sua entrada a sugando com força e ela urrava de prazer puxando meus cabelos me motivando ainda mais.
Foquei em seu ponto inchado o sugando com cuidado e a penetrei com dois dedos.
— Tão... molhada...- falei contra sua intimidade.
Sakura rebolava em meus dedos e boca.... ela nunca gostou de ser comanda e ia em busca do seu próprio prazer. Não demorou muito e se desmanchou em gozo... suguei todo seu líquido com prazer.
— Sasssuke – gemeu alto
— Gos-to-sa. — disse contra sua barriga e fui subindo abocanhando seu seio direito para meu deleite e o dela. Eu não queria que ela deixasse de gemer por um segundo sequer.
Beijei sua boca com luxúria deixando rastro do seu próprio gosto que estava em minha boca. Fui até seu ouvido e mordisquei seu lóbulo direito com doçura.
— Fica de quatro pra mim, Sakura... — pedi com a voz rouca e senti Sakura se arrepiar. Ela só fez assentir em reposta.
A virei com cuidado e passei a mordiscar, lamber e beijar suas costas. A enorme tatuagem desenha em sua pele leitosa deixava tudo mais sexy e gostoso de admirar. Puxei seu corpo contra o meu para que ela se apoiasse em seus joelhos. Rocei meu membro em sua entrada molhada e ela gemeu.
— Que tortura, Sasuke-kun... — disse manhosa dando uma pequena rebolada. Essa mulher vai me matar.
A penetrei sem aviso e um grito agudo explodiu em sua garganta. Me abaixei e passei a morder suas costas e tocando seu ponto mais sensível. Sakura parecia enlouquecer se movimentando de encontro ao meu membro.
— Ahhhhh Sasuke-kun... eu vou...- intensifiquei o carinho em seu clitóris e quando senti seu líquido em meu membro passei a estocá-la.
Apertava sua cintura com força e ia mais fundo que podia.
— Mais rápido... — clamava Sakura e eu a obedecia prontamente.
Eu estava perto e ela sabia.
— Vai Sasuke-kun....
— Eu... vou... — disse sôfrego me derramando dentro dela. — Puta... que.... pariu. — me apoiei em suas costas lhe dando uma leve mordida. — Caralho... Sakura.
Saí de dentro dela vendo meu líquido escorrer por suas coxas... Sakura desabou na cama e eu ao seu lado. Nossas respirações irregulares preenchiam o quarto e o cheiro e luxúria dava o toque a mais.
Ela se virou pra mim com um sorriso sapeca e me deu um selinho demorado.
— Você me destruiu, Uchiha.
— Digo o mesmo, Haruno... — ela sorri – Queria tomar banho, mas tô sem coragem.
— Somos dois – disse com os olhos pesados. — O sono é mais forte.
— Depois a gente toma banho. — a puxei pra junto de mim e ela se deitou em peito. — Pode dormir, minha irritante. — ela sorriu com os olhos fechados e depois puxou o ar com força contra meu peito.
— Esse seu cheiro de sexo... é maravilhoso – se aconchegou ainda mais e simplesmente apagou.
Apenas sorri com sua afirmativa e também me entreguei ao sono...
Por Sakura
— SAKURA-CHAN, SASUKE-TEME VOCÊS ESTÃO ACORDADOS? O ALMOÇO TÁ NA MESA E DAQUI A POUCO VAMOS EMBORA... — gritava Naruto enquanto batia na porta do quarto, que sabe-se lá porque não tinha despencado depois de tanto apanhar.
Eu estava morrendo de sono, mas depois dessa gritaria toda eu não tinha como não acordar. O sonho tava tão bom, o peito de Sasuke também... Saco.
— Já estamos indo, dobe. — Sasuke falou com a voz rouca embargada de sono. — Pare de gritar desse jeito.
— TEME MAL EDUCADO. — gritou Naruto e eu ri. — DA PRÓXIMA VEZ EU DEIXO VOCÊS COM FOME. TCHAU IDIOTAS.
— Tadinho do Naruto. — falei entre risos e Sasuke me olhou com a cara amarrada. — Não sei como não se mataram ainda.
— Com muito esforço. — me deu um beijo na testa. Sasuke estava tão carinhoso, mesmo depois da nossa conversa. — Dormiu bem?
— Dormi sim e você?
— Como se não houvesse amanhã, se Naruto não tivesse quase arrombado a porta.
— Vamos nos arrumar? Nossos amigos só devem estar nos esperando pra comer e ainda temos que voltar pra Konoha hoje. Preciso tomar um banho urgente. — ele me olhou maroto. — Nada disso, é um banho de verdade. Eu ainda preciso dirigir pra Konoha, não posso dormir no volante. — Sasuke bufou. — É sério, Uchiha. Vamos?
— Que jeito?! — me deu um selinho demorado e me puxou pra fora da cama. — Vamos, Haruno.
...
Após o banho preferimos arrumar logo nossas malas e descemos para almoçar. Assim que chagamos na sala de jantar nossos amigos nos encaravam de forma interrogativa. Fingi que não era comigo e me sentei ao lado de Temari e Sasuke se sentou ao meu lado.
— Como passou a noite, Saky? — indagou Gaara preocupado.
— Demorei a pegar no sono. — o que era meio verdade, já que eu conversei com Sasuke boa parte da madrugada. — Meu corpo estava cansado, mas minha mente não relaxava.
— Sexo ajuda a mente relaxar, testuda. — disse Ino de forma cínica e a mesa ficou muda assistindo a cena. — Deveria ter usado desse artifício.
Porca maldita e intrometida.
— Obrigada pelo conselho porca, quem sabe da próxima vez. — foquei na comida. Yakisoba que eu amo pouco, só que não. — Quem fez essa delícia? — apontei pro macarrão.
— Hina-chan. — respondeu Naruto apertando a bochecha da esposa. — A melhor cozinheira do mundo.
— Não é pra tanto, Naruto-kun – disse Hinata visivelmente envergonhada.- Vamos comer gente?
— Vamos!!!! — respondemos todos juntos.
Ao decorrer do almoço senti uma inquietação por parte de Temari, que se remexia na cadeira a todo momento. Perguntei se tinha algo errado, ela me respondeu que era comum porque não conseguia achar uma posição confortável pra se sentar ou deitar. Eu não insisti, mas continuei a observar.
Pra nossa sorte a tempestade tinha passado e poderíamos voltar pra Konoha sem maiores problemas.
Ajeitamos as bagagens no carro até a parte chata chegar: a despedida. Abracei Gaara com força e baguncei seus cabelos.
— Não demore a ir pra Konoha, está bem? — indaguei e ele assentiu. — Obrigada por tudo.
— Não precisa me agradecer, Saky. Senti sua falta. — tocou no meu nariz. — Não suma de novo, tá certo?
— Pode deixar... não tenho mais porque sumir. — dei uma piscadela. — Olha... uma hora essa dor melhora. O futuro nos reserva surpresas inimagináveis. — olhei pra Sasuke e voltei pro ruivo. — Confie em mim.
— Pode deixar, chiclete. Confio sim. — me deu um beijo na testa. — Nos veremos em breve.
Me despedi de Kankuro e fui a procura de Shikamaru. Temari ainda continuava inquieta e isso me preocupava.
— Shika... — o chamei. — Acho melhor você ir no carro com a gente, tô achando Temari muito estranha.
— Você também notou? — mesmo preguiçoso Shika sempre foi muito observador. — Ela disse que não é nada, mas eu conheço Temari.
— Ela disse o mesmo pra mim, acho que você indo no nosso carro ela se sentirá melhor.
— Vou fazer isso, vou pedir pra Hinata trocar de lugar comigo... ela é mais fácil de convencer do que Ino.
— Com certeza. — rimos juntos.
Voltei pro carro, terminei de ajeitar as coisas, coloquei a maleta médica aos pés de Ino do banco do carona e pegamos a estrada. Temari e Shikamaru também estavam conosco, mas no banco traseiro.
A porca me encarava na estrada como quem tentava tirar conclusões, mas eu estava altamente concentrada no caminho. Por Shikamaru está no carro ela se controlava.
Já estávamos na metade do caminho pra Konoha quando Temari deu um grito estridente no carro.
— TEMARI... — gritou Shika preocupado. — O QUE FOI?
— Tá.... doendo... minha barriga – ela respondeu e a adrenalina já percorreu o meu corpo. O que eu estava temendo podia acontecer. — Acho.. Que vai... nascer...
— AI MEU DEUS – gritou Ino em desespero. — E AGORA SAKURA?
— Calma, porca. — disse firme. — Eu preciso que fique calma, você vai ter que dirigir pra mim. Você consegue?
— Eu... — ela tremia. — Consigo. Vou conseguir.
Eu precisava pensar.... Já estávamos mais perto de Konoha e dirigindo um pouco mais rápido logo chegaríamos ao hospital.
Acostei o carro, desci e peguei minha maleta médica aos pés de Ino.
— Confio em você porquinha. — disse pra minha loira intrometida. — Parece que seu afilhado vai nascer.
Me joguei no banco traseiro a frente de Tema e cheguei o banco do carona pra frente pra ter mais espaço. Ino arrancou com o carro em alta velocidade.
— Onde dói Tema? — indaguei. Shikamaru me olhava em desespero, Temari estava apoiada em seu colo.
— A barriga... — puxava o ar... — O pé da barriga, minhas costas... dói tudo, Saky.
Senti um líquido escorrer e um cheiro de água sanitária. A bolsa tinha rompido.
— Merda... — praguejei baixinho. — Tema.... — disse com calma. — Sua bolsa estourou
— Ai meu Deus... — gritou a Nara.
— Eu preciso que você fique calma, está bem? — indaguei. — Na medida do possível. Shika, me ajuda, ok?
— Tsu... — um grito. — Tsunade é minha... médica.
— Eu sei, eu já vou ligar pra ela, mas eu preciso ver sua dilatação. Tá bom? — ela apenas assentiu em resposta.
Abri a maleta, coloquei uma luva emborrachada na mão direita. Por sorte, ela estava de vestido o que facilitava muito.
— Preciso tirar sua calcinha, tá bem? — Temari assentiu confirmando. — Certo.
Tirei a calcinha dela e fiz o exame.
— Há quanto tempo você tá sentindo essas dores? — indaguei.
— Ontem a noite senti.... um pouco. — disse nervosa. — Hoje de manhã... doeu também. — ela estava suando e apertava a mão de Shika com força. — Eu pensei que... pensei que não fosse nada.
— Temari, não faça mais isso. Você tá grávida, qualquer sinal é importante. — ralhei e me repreendi por isso. — Você tá com 5 centímetros de dilatação. Preciso ligar pra Tsunade.
Liguei pra minha madrinha da forma mais calma possível... a última vez que fiz um parto eu estava na faculdade ainda. Não estava preparada. Mas eu tinha que estar.
— Sakura? — atendeu Tsunade. — Aconteceu alguma coisa? — Tsu parecia adivinhar as coisas, podia o ser o termômetro "a mãe tá parindo", que minha mãe dizia que ela tinha.
— Você está no hospital?
— Não, acabei de sair do meu plantão. O que foi que aconteceu, menina?
— Eu preciso que você volte. — Temari deu um grito que me assustou. Minha nossa. — A bolsa de Temari rompeu, estamos na estrada indo pra Konoha, estamos perto, mas ela grita muitode dor e está com cinco centímetros de dilatação.
— Certo. Eu preciso que você fique calma, Sakura. — eu tentava repetir esse mantra pra mim mesma. — Eu já estou voltando pra lá e vou preparar a equipe. Enquanto tempo você acha que chega?
— Acredito que em meia hora. — do jeito que Ino dirigia até menos.
— Ótimo, estou te aguardando. Fique calma, eu confio em você. Faça o exame de toque sempre que sentir a necessidade e monitore os batimentos cardíacos e a pressão dela.
— Obrigada, Tsu. — desliguei a ligação e voltei a olha pro casal aflito. — Tsunade está indo pro hospital e já está preparando a equipe. Vai dar tudo certo. Shika?
— Sim... — ele estava aflito.
— Vou ligar para os meninos pra avisar que estamos indo ao hospital, ok?
— Tá certo, Saky.
Liguei pra Sasuke que me atendeu temeroso. Todo mundo estava com o sentido alerta pelo visto.
— Sasuke — falei com pressa. — Temari entrou em trabalho de parto, estamos indo pro hospital do meu pai.
— Eu tentei te ligar quando vi o carro de vocês em alta velocidade.
— Eu tinha de acudi-la e liguei pra Tsunade. Nos encontramos lá.
Não esperei que ele respondesse e desliguei. Já podia ver as árvores de Konoha preencherem as paisagens. Estávamos perto.
Aferi a pressão dela, que estava normal pra suas condições, 13/8. Os batimentos estavam levemente elevados. Fiz mais um exame de toque e ela tinha dilatado mais um centímetro.
— SAKURAAAAAA- ela gritou fazendo meu coração parar. — TÁ DOENDO, EU VOU MORRER.
— Meu amor, pelo amor de Deus – clamava Shika. — Já vai passar, só mais um pouquinho.
— Tema, vai dar tudo certo. — disse confiante. — Já estamos chegando.
Num ato de desespero, Shikamaru arranca a própria blusa e deu pra Temari morder. Uma cena bonita, mas na atual situação eu só queria que o hospital chegasse. Só faltava mais um pouco.
Ela gritava com o pano na boca e aquilo me apertava por dentro. Minha nossa, eu não prestaria pra ser obstetra. Acho que não sirvo nem pra parir... eu não tenho condições, gente.
— Saky... — me chamou Temari sôfrega. — Eu... eu preciso te contar uma coisa... não posso... morrer com... isso.
— Para com isso Temari. — a repreendi. — Você não vai morrer, por Deus. Para.
— Ino, Hinata, Tenten e eu. -ela começou me ignorando. — Bolamos... um plano pra aproximar você do Sasuke. Você... — ela reprimia a dor. — é muito cabeça dura e ele também.
— TEMARI, ESQUECE ISSO. — gritou Ino e eu sabia que tinha merda nisso aí. — CHEGAMOS.
Nunca desejei tanto uma emergência na vida. A equipe médica já nos esperava na porta.
Tema foi colocada as pressas na cadeira de rodas e foi levada até a maternidade, Tsunade acompanhava tudo. Deixei meus amigos na sala de espera e fui a sala de parto. Já tinham trocado a roupa de Temari e ela estava "presa" a uma máquina de cardiotocografia, que monitorava o feto e as contrações.
Ela gritava alucinada e só melhorou depois que aplicaram uma peridural. Shikamaru foi trocar de roupa e eu também, mas antes fui falar com meus amigos.
— Como ela tá, Saky? — perguntou Ino preocupada. Sai, Hinata, Naruto e Sasuke já tinham chegado também. — E o bebê?
— Tá tudo bem agora, porquinha. — respondi e ouvi um suspiro de alívio de cada um dos meus amigos. — Ela está bem e o bebê também. Estão sendo devidamente monitorados... Eu vou acompanhar o parto e volto assim que acabar. Depois precisamos conversar, Ino.
Ela sabia exatamente do que eu falava.
...
Depois de duas horas, Temari finalmente tinha atingindo a dilatação adequada e a palavra força foi mais utilizada que em todos os filmes de Star Wars juntos.
Shikadai nasceu saudável, com pouco mais de quatro quilos e 52 centímetros de comprimento. Meu primeiro paciente recém-nascido era a cara de Shiakamaru e tão preguiçoso quanto ele. Chorou tão rápido quanto dormiu.
Meus amigos estavam radiantes e eu muito feliz por ter presenciado a cena.... foi realmente emocionante.
— Tá pensando em mudar de especialidade? — sugeriu Tsunade no meu pé de ouvido.
— Nem pensar, prefiro abrir pessoas e operá-las. — disse pra desgosto dela. — Gosto das minhas crianças fora da barriga.
— Como sua mãe. — disse ela com um sorriso bobo. — Obrigada por ter iniciado esse parto, estou mais que orgulhosa de você.
— Obrigada, madrinha.
Saí da sala pra acompanhar Shikadai até o berçário, depois disso fui chamar nossos amigos.
— Nasceu!!! — falei empolgada.. — Eles estão ótimos... o menino é a cara de Shikamaru. Depois de nascer preferiu dormir a comer. — todos riram. Hinata e Ino tinham lágrimas nos olhos. — Querem conhecer o pequeno?
Levei todos até o berçário, mas ele não podiam entrar, apenas eu. Fui até Shikadai e os apresentei para meus amigos. Não sem se por obra do destino ou acaso, nesse mesmo dia, só nasceram meninas, exceto ele. Será que ele achará isso tão problemático quanto o pai?
Eu não conseguia deixar de fazer uma piada.
Todos estavam emocionados vendo aquele pequeno ser que continuava a dormir. Nunca vi tantos olho brilhantes, até mesmo o par de olhos negros mais bonito que eu conheço.
Um belo jeito pra terminar um domingo, não?!
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