Daylight
33 Suna - Parte 1
Notas iniciais
Não tinha medo de reconciliação
Mas já previa toda confusão que haveria
Pediu um tempo pra acalmar o coração
Brincando de recomeçar
(Todos os amores são iguais — Maglore)
Por Sasuke
A notícia de dividir o quarto com Sakura me deixou mais feliz do que eu imaginava, mesmo que a gente tenha quase se matado hoje três vezes.
Se ela gostou? Sinceramente eu não sei, mas pra quem dividiu a cama, o que é um quarto não é mesmo?!
O bendito quarto ficava no fim do corredor e era enorme. Pelo visto a reforma que Temari falou é recente, como eu estava longe por quase dois anos não fiquei por dentro da últimas mudanças.
A cama é enorme, dava pra Sakura e eu dividir numa boa sem nos tocarmos no meio da noite. Mas ela tinha me dado um ultimato e eu respondi a altura. Orgulho é foda. Estou pensando seriamente em abolir da minha vida.
Além da cama, tinha uma poltrona num tom escuro de laranja, quase ferrugem que ficava próxima a janela do quarto. Uma escrivaninha e uma cadeira office bem simples ao lado direito da cama. Tinha um quadro acima da mesa com o desenho do mar e um pôr do sol. Típico.
Ao lado esquerdo da cama ficava a porta do banheiro e ao lado da mesma tinha um guarda-roupa amplo cor de marfim. Tudo praticamente da mesma cor nessa casa. Meus olhos doem.
O banheiro também era grande e ainda tinha uma banheira. Esse quarto é mesmo de hóspedes? Porra, os No Sabuku gostam de receber bem seus convidados.
Sakura estudava o ambiente no mais absoluto silêncio assim como eu. Subi com as minhas bagagens e as dela porque sou um cavalheiro. A maleta médica dela era maior que a mala de roupa.
— Sakura — chamei sua atenção quando ela fitava alguma coisa pela janela que dava pra varanda do quarto. — Por que você trouxe sua maleta médica?
Pergunta bosta, eu sei. Sakura não desgrudava disso nunca, mas eu tinha que chamar a atenção dela de algum jeito.
— Eu sempre levo ela pra qualquer lugar. — respondeu de forma doce bem diferente da Sakura de agora pouco. Bipolar, eu sei. — Sem contar que estamos com três grávidas. Todo cuidado é pouco.
— Compreendo... Bom... — puta merda preciso de um assunto. — Você... Não me respondeu naquele dia... — sussurrei a última parte. Eu tinha receio de tocar naquele assunto.
— Eu apenas vi a mensagem no dia seguinte. — respondeu sem vacilar e me encarando. — Não achei necessário.
— Hn — disse por fim e o silêncio se instalou no cômodo.
Como o assunto tinha morrido e eu não sabia como ressuscitá-lo, resolvi desfazer minha mala, mesmo que eu fosse embora amanhã. Apenas uma desculpa pra não abandonar aquele ambiente.
Sakura resolveu me acompanhar no processo. Eu poderia arriscar que ela estava tão nervosa e sem saber o que fazer como eu.
— Sabe, Sasuke... — ela começou ainda com a cara enfurnada no guarda-roupa — Eu precisava de um tempo pra organizar as coisas. — agora ela me encarava, mas suas pequenas mãos estavam inquietas. Um claro sinal de nervosismo. — Eu achava que a gente estava indo bem... e depois eu senti que coisa meio que desandou...
— Sakura – a chamei, mas ela me interrompeu.
— Deixa eu terminar. — assenti em resposta e ela suspirou antes de continuar. — Durante esses dois dias eu pensei muito sobre isso, sobre nós dois e talvez eu concorde em partes com você no caso de irmos com calma. — ela me deu um sorriso mínimo e só aquilo já tinha me dado uma puta vontade de abraçá-la e beijá-la na tentativa de fazeê-la desistir da minha própria ideia.
Mas eu não o fiz
Minha racionalidade às vezes me assustava.
Reconheço que a atitude de Sakura foi extremamente madura e eu não esperava toda essa naturalidade que ela demonstrava. Embora, estivesse evidente em seus olhos que ela não queria aquilo.
Ela disse que esperaria e estava cumprindo com sua palavra.
— Eu disse que esperaria pelo seu tempo. — ela continuou a falar devido ao meu silêncio. — Mas o fato de você não querer conversar sobre esses nove anos ou os motivos pelos quais me levaram a sair de Konoha não quer dizer que eles não existiram. — engoli em seco enquanto sentava na cama assimilando tudo que ela tinha me dito. Ela se aproximou, afagou meu rosto enquanto me encavara com olhos gentis. — Estarei aqui quando você quiser e estiver pronto pra conversar. — me deu um beijo na testa e saiu do quarto.
Eu olhava aquela bagunça que Sakura tinha deixado em cima da poltrona enquanto refletia mais uma vez sobre essa última conversa. Às vezes seria mais fácil se esses nove anos não tivessem mesmo existido. Não daria tanta merda como deu até agora.
Cansado daquele ambiente resolvi sair do quarto e procurar meus amigos. A ideia de vir a Suna foi para desanuviar e ajudar Gaara nesse momento delicado. Sakura e eu podemos ficar pra depois.
Encontrei todo mundo no quiosque junto a piscina. Meus amigos conversavam animadamente e eu tentava me contagiar um pouco com aquilo. Decidimos que vamos a praia aproveitar o sol, segundo Ino.
Fui até o quarto colocar uma sunga por baixo do short e fomos a praia que ficava a menos de um minuto de distância da casa dos No Sabuku, afinal só era preciso abrir o portão do quintal que dávamos de cara com a praia.
O dia tava caprichado, o sol de rachar e o mar variava entre o azul e o verde.
Verde como os olhos dela.
Isso é o universo esfregando certas coisas na sua cara. Aprendam!
As meninas tinham se afastado, resolveram dar uma volta pela praia e deixaram o trabalho pesado com a gente. Que era basicamente arrumar as cadeiras de praia e os guarda-sóis.
Shikamaru dormia, Sai desenhava – na boa, quem desenha numa praia?- e Kankuro estava surfando. Naruto, Gaara e eu ficamos conversando numa boa até Naruto fazer merda, ou seja, ele foi indiscreto pra caralho.
— Gaara... — começou o loiro – Por que Matsuri-chan te deixou?
— Dobe... — o repreendi e ainda dei um tapa na sua cabeça.
— Minha cabeça, Teme.
— O próximo é na cara. — falei entredentes, mas logo despertei com a gargalhada de Gaara.
Naruto e eu não entendemos nada e esperamos que Gaara voltasse ao normal pra entender o que era aquilo.
— Como eu senti falta dessas brigas de vocês — falou o ruivo. — Relaxa, Sasuke. A pergunta do Naruto não me abala, pelo menos não como antes. — dessa vez ele falava sério.
— Você não tem problemas em falar sobre isso? — indaguei curioso.
— Se eu não falar, eu explodo. — suspirou o ruivo. — Antes eu fingia que não era real, que logo ela voltaria e pronto. Mas o tempo foi passando e ela não voltou, então a ficha caiu.
— Mas então, o que aconteceu? — indagou o loiro curioso. — Você e a Matsuri sempre se deram tão bem.
— Isso é verdade. — disse Gaara enquanto focalizava um ponto na areia. — A gente sempre se deu muito bem, casamos cedo, contrariamos as regras... mas chegou uma hora que não deu mais. — suspirou. — Matsuri sempre foi do mundo... ela tinha o sonho de passar um ano inteiro viajando, absorver e observar todo tipo de cultura pelo mundo. Combinamos de fazer essa viagem assim que estivéssemos estabilidade financeira para tal e depois dela voltaríamos a Suna e teríamos um filho. Tudo perfeitamente planejado e calculado. Diferente de mim, a família dela era simples e ela sempre gostou de conquistar as coisas através do seu próprio mérito, por isso também toda a nossa cautela.
Gaara em nenhum momento nos encarava, mas era possível ler suas expressões. Em momentos ele sorria, outras vezes ficava sério. Quando fechava os olhos com força parecia que a dor chegava ao seu ápice.
— A viagem nunca aconteceu... — agora Gaara falava olhando para o mar. — A gente trabalhava muito e gostávamos disso. Quando finalmente a viagem iria acontecer meu pai resolveu sair pra prefeito de Suna. Por conta da imagem familiar eu tive que ficar e Matsuri entendeu e ainda me apoiou.
"A nossa carga de trabalho aumentou ainda mais depois e suspendemos a viagem mais uma vez. Viajávamos por todo Japão, às vezes passávamos mais tempo viajando do que juntos. Isso foi nos afastando. Eu achava que era apenas um momento. ".
Gaara fez uma pausa demorada e apertou os olhos mais uma vez. Naruto me encarava preocupado e parecia se sentir mal por ter começado aquilo tudo.
Antes que eu tomasse alguma atitude, Gaara voltou a falar.
— O primeiro mandato do meu pai foi um sucesso e ele decidiu concorrer mais uma vez e mais uma vez eu tive de ficar em Suna. Matsuri não opinava mais, apenas consentia. — suspirou. — Meu pai ganhou de novo e logo voltamos a nossa rotina de trabalho, até que numa dessas viagens ela acabou passando mal. Ela sofreu um aborto espontâneo. — Naruto e eu nos encaramos no mesmo instante e Gaara notou a nossa surpresa. — Perdemos um filho que nem sabíamos que existia. Matsuri se sentiu a pior das mulheres e por mais que eu tentasse dizer pra ela que a culpa não era sua, ela não acreditava. Doeu em mim, mas por ela eu me mantive forte. Com muita insistência ela começou a fazer terapia e foi melhorando.
— Nossa Gaara, que barra... — interrompeu Naruto.
— Ela foi melhorando, mas a nossa relação ia na contramão. Ela voltou a trabalhar e logo passou a viajar ainda mais. Eu vi meu casamento desmoronando na minha frente e pela primeira vez eu fiquei desesperado. Num ato impensado eu resolvi montar um roteiro de viagem que durasse um ano. — o ruivo sorriu. — Começaríamos na Oceania e terminaríamos na Ásia. Quando contei a Matsuri e mostrei as nossas passagens, ela ficou louca de felicidade e depois de muito tempo eu voltei a ver aquele brilho no olhar que só ela tinha.
— O que deu errando, então? — interrompeu Naruto, mais uma vez.
— A viagem estava marcada, mas só começaria em dois meses por conta dos nossos empregos. Faltando pouco mais que uma semana para nossa volta ao mundo a empresa me fez uma proposta tentadora. Tinha uma mina de pedras preciosas na África, mais precisamente na República do Congo que nunca tinha sido explorada por conta da área de difícil acesso e por ser perto de solo vulcânico.
— E você escolheu o trabalho.... — acabei pensando alto e Gaara assentiu em resposta.
— Eu expliquei a ela que era uma oportunidade única, que era um sonho que eu iria realizar, mas eu esqueci que o sonho dela teria sido adiado por anos. — Gaara desabafou. — Quando eu voltei da África eu propus a Matsuri que tivéssemos um filho. Eu convivi com muitas crianças lá no Congo e acabei me apegando, queria essa realidade pra mim. O que era pra ser uma conversa se tornou uma briga insana e todo aquele diálogo que não tivemos por anos foi jogado na cara um do outro em questão de minutos. O ponto auge da nossa briga foi quando eu disse a ela que ela não queria ter filhos porque sabia que não tinha capacidade pra segurar um em seu ventre.
— Gaara... — o choque de Naruto foi automático.
Eu não conseguia acreditar que Gaara, meu amigo de anos e uma das pessoas mais gentis que eu conheço foi capaz de proferir palavras tão arrasadoras a uma pessoa que ele tanto amava, na verdade ama.
— Eu sei Naruto, eu sei – era visível a dor nos olhos de Gaara e sua impotência diante de tudo aquilo. — Não tem nome pra definir o que eu fiz... cretino nem ao menos se aproxima. Eu me arrependi de ter falado aquilo logo depois das palavras proferidas, mas já era tarde. Meu relacionamento terminou ali. Ela nem ao menos me respondeu, me repreendeu ou me bateu. A dor expressada em seu olhar era surreal.... por dentro ele deveria estar em pedaços e o pior de tudo é saber que o causador era eu.
Naruto e eu não sabíamos o que falar. Gaara não se espantou com isso, ele podia notar que tentávamos digerir aquilo que tínhamos acabado de ouvir.
Voltei minha atenção ao mar e preferi ficar em silêncio, mas ainda continuei pensando sobre. Naruto e Gaara voltaram a conversar, mas eu não fiz questão de prestar atenção.
Será que é assim que os grandes amores acabam?
Meus pensamentos dispersaram quando uma cabeleira rosa ganhou minha total atenção. Sakura, Ino, Temari e Hinata estavam na beira do mar tirando diversas fotos ou paravam transeuntes para tirar fotos de suas poses loucas.
Sakura sorria, ela estava feliz e isso me aqueceu por dentro. Por mais que tudo entre nós dois estivesse complicado e bagunçado, eu sabia que eu também era um dos motivos dos seus sorrisos.
Eu nunca me cansaria de olhar pra ela... e depois de tanto tempo eu só caí em mim quando ela apareceu na minha frente naquele bangalô.
— Vai um babador aí, teme? — indagou Naruto tirando a minha atenção de Sakura. — Você não tira os olhos da Sakura-chan
— Tsc...
— É sério cara, mais um pouco e você tá fazendo castelinho de areia junto com essa baba.
— Você é mesmo um idiota, Naruto. — bufei. — Tô babando por ninguém não.
— Ah claro e eu sou virgem. — Naruto disse revirando os olhos.
— Coitada da Hinata. — fingi indignação. — Fez o filho com o dedo porque o marido não dá conta.
— Você é um imbecil, Sasuke. Vá a merda.
— Não posso.
— Por que não?
— Porque não tô afim de te encontrar por lá. — falei entre risos.
— Baka. — bufou e saiu arrancando risadas de mim e Gaara.
Naruto foi buscar Hinata e acabou trazendo o restante das meninas, menos Sakura que resolveu se sentar em uma canoa velha a beira mar e passou a observar a imensidão azul. Ela adora o mar, mas sempre teve medo de entrar por conta de um quase afogamento quando ela ainda era criança. Tirando seus problemas com tubarões, ela tem pavor de tubarão e mesmo assim assiste a todos os filmes com tubarões assassinos. Ela é um poço de paradoxo.
O pessoal decidiu voltar pra casa de Gaara pra começarmos o churrasco porque depois iríamos descansar, pois segundo Ino mais tarde era hora de balada. Recolhemos tudo, mas na hora de voltarmos disseram que eu ficaria a cargo de chamar Sakura.
Suspeito. Mas eu fui.
Por Sakura
O clima entre Sasuke e eu estava oscilando mais que a alta do dólar, mas o conflito era sempre aparente. Acabei dando um ultimato pra ele no quarto e nada.
Ele simplesmente trava. Às vezes eu preferia que ele me xingasse pra ao menos esboçar alguma reação... Mas nada acontece. E pra piorar a tensão sexual entre nós dois só fazia aumentar.
Apenas um detalhe, ela nunca foi pequena.
Tirando um pouco aquele moreno teimoso da minha cabeça, Gaara estava mesmo abatido. Ainda não tínhamos conversado abertamente sobre o assunto Matsuri, mas assim que eu tivesse oportunidade o chamaria pra conversar.
Agora que estamos na praia resolvi desencanar um pouco de Sasuke. Minhas amigas e eu decidimos caminhar na areia e aproveitar o sol, mas acabou que não deu muito certo. Temari e Ino logo se cansaram.
Avistamos os rapazes, mas ficamos na beira do mar tirando fotos. Com seu jeito discreto Ino sempre parava as pessoas para nos fotografar. Cada momento vergonha alheia.
— Vamos meninas, façam corações com suas mãos e apoiem na barriga. É uma foto clássica de grávidas. – disse Ino depois de ter parado a décima pessoa pra tirar uma foto nossa.
— Acontece que eu não tô grávida, Ino. – falei. – Não tinha necessidade de você parar outra pessoa.
— Você não tá grávida, mas tá no clima com as amigas. O que é que custa? – rebateu a Yamanaka.
— Tudo bem, porca. – desisti e fiz a pose. – Agora chega de foto, Ino.
— Chata. – implicou ela.
— Vocês duas não tem mesmo jeito, não é? – indagou Temari.
— Isso é amor em excesso, Tema. – respondeu a porquinha e caímos na gargalhada que foi interrompida por um Naruto chateado.
— O que foi que aconteceu, Naruto-kun?! – indagou Hinata com aquele jeito fofo que ela só tem.
— O Sasuke que é um idiota, nada demais. – respondeu.
— Agora que você notou, Naruto? – disse Ino. – Sasuke é o pior dos idiotas, só a Sakura pra amar aquilo.
— A gente não manda no coração, porca. – sem que eu quisesse as palavras tinham soltado da minha boca.
— OWWWWWNNNNNNNNN – disseram meus amigos em coro.
Fiquei corada do dedão do pé até o último fio de cabelo.
— A Sakurinha tá apaixonada. — caçoou Naruto. — Lamento a falta de bom gosto.
— Vai se ferrar, Naruto. — falei com raiva.
— Sem querer interromper a briga de vocês, mas eu preciso sentar.. — disse Temari. — E ainda acordar o preguiçoso do Shikamaru.
— Vamos voltar todos, então? — perguntou Ino e todos assentiram, menos eu.
— Eu vou ficar aqui mais um pouco. — disse por fim e me dirigir a uma canoa velha que ficava à beira mar.
Sentei naquele pedaço de madeira velho e com a tinta descascada. Passei a admirar o mar.
Por mais que eu tivesse medo de entrar no mar ele me transmitia uma calma sem igual. De quebra ainda recarregava minha energias.
Antigamente eu não tinha medo do mar e uma vez cogitei em nadar com Willy a orca do filme Free Willy. Louco, né? Eu sei. Mas por volta dos meus 12 anos eu entrei no mar que parecia calmo, as ondas cada vez me puxavam, quando eu vi não tinha mais pé e com a correnteza forte eu não conseguia voltar e nem pegar impulso nas próprias ondas. A minha sorte foi que um garoto que portava uma prancha de bodyboard me salvou. Ele me emprestou sua prancha e eu consegui voltar. Foi tudo tão rápido, mas ficou marcado até hoje.
Ainda tem os filmes de tubarão. Eu assisto a todos, até mesmo aquele em o tubarão é feito por uma computação gráfica mal feita. Curto os documentários também. Acho que isso foi uma forma pra justificar meu medo pra não entrar no mar.
Mas hoje o mar está tão convidativo, que eu nem me importaria com tubarão ou sal na pele. Eu queria, ou melhor, eu quero uma dose de liberdade.
— Pensando num possível ataque de tubarão e evitando de entrar no mar? — disse Sasuke atrás de mim. Estava concentrada naquela imensidão azul que nem notei sua chegada.
— Também. — olhei pra ele e pude ver aquele sorriso de canto. — Mas hoje o mar está bom demais pra não aproveitar. — me levantei e suspirei profundamente como quem busca coragem. — Você vem?
— Precisando de apoio moral? — ele disse com desdém. Eu já disse que odeio esse garoto?
— Não. Apenas quis ser educada. — respondi ácida. — Com licença.
Não olhei pra ele e segui meu caminho. O sol alto estava de rachar, mas a água estava bem geladinha. Me arrepiei.
Por mais que continuasse a caminhar o arrependimento batia e a água nem estava na minha coxa.
Parei. O desespero começou a me tomar. Merda.
Dei um passo pra trás, mas não saí do lugar. Senti uma mão gelada nas minhas costas. Se eu não conhecesse aquele toque teria gritado.
— Está sendo educado e aceitou meu convite? — falei brincalhona assim que ele se colocou ao meu lado. Ele deu aquele maldito sorriso de canto e senti meu coração falhar. Quando se ama isso acontece.
Fiquem atentos aos sintomas!
Sasuke estava lindo e sereno. Aquele corpo sob o sol é como tortura se você não puder tocar.
— Na verdade estou apenas concordando que o mar está bom demais para não aproveitar. — ele disse me encarando. Aquele olhar negro e profundo que me faz queimar por dentro. — Você vem? — ele disse tomando a frente, mas parou quando eu não respondi nem me mexi.
— Tô com medo... — confessei.
Sasuke não riu, não debochou. Surpreendente ele me deu a mão.
Minha racionalidade foi pra puta que pariu e peguei sua mão sem pensar duas vezes. Pode vim um exército de tubarões que eu tô preparada.
Pausa para dica da tia Sakura: O amor tem dessas loucuras. Te dar forças pra você realizar o impossível. Borboletas no estômago e coração acelerado pra mostrar que você está viva(o).
Caminhamos juntos até que água ficasse um pouco acima do meu umbigo. A decisão de parar foi dele. Durante todo o processo ele não tirava os olhos de mim.
— Tá bom aqui pra você? — ele perguntou.
— Acho que sim. — a insegurança na minha voz era palpável.
— Eu estou aqui com você, Sakura. Não precisa ficar com medo. — me encorajou.
— A gente pode ir mais pro fundo um pouquinho?
Ele não respondeu, apenas assentiu e me levou mais ao fundo.
Paramos com a água abaixo dos meus seios e acima do umbigo de Sasuke.
Eu ainda estava tensa e apertava a mão dele com toda força que eu tinha. Pra minha surpresa ele se colocou atrás de mim e passou o braço com nossas mãos dadas pela minha cintura. Ainda apoiou sem queixo em minha cabeça.
As borboletas no estômago foram parar na garganta de tanta felicidade por aquele gesto. Mesmo que tudo ficasse confuso depois.
Não queria racionalidade agora, queria apenas sentir.
As ondas estavam calmas e se a água fora gelada minutos atrás agora não estava mais. Quanto a nós dois o silêncio reinava porque palavras não precisavam ser ditas. Nosso momento, nossas ações falavam por si.
Eu queria estar ali e ele também. Pude sentir um sorriso involuntário se formar em meus lábios.
— Senti sua falta esses dias.... — confessei baixinho e por um momento eu esperei que ele não tivesse ouvido.
— Eu também. — ele falou tão baixinho quanto eu.
Sorri... me aconcheguei ainda mais em seu peito. Ele não recuou, pelo contrário, me apertou ainda mais.
Por mais que a gente tentasse se matar 90% das vezes era pra essa calmaria que a gente sempre voltava.
Esse sempre foi o nosso jeito de se entender. É nesse abraço que eu quero morar.
Tudo estava as mil maravilhas até que eu senti algo na minha perna. Gelei.
— Sasuke... tem um bicho na minha perna. — falei paralisada. Embora fosse notável o desespero em minha voz. — Aí meu Deus, eu vou morrer.
— Não tem bicho nenhum em sua perna, Sakura. — disse Sasuke entre risos. Só agora eu tinha notado que ele tinha me largado. Saco. — É só uma alga. — ele disse me mostrando um monte de folha verde.
— Não Sasuke, eu tenho certeza. Tinha uma bicho na minha perna.
— Então olha...
Olhei e advinha?
Não tinha porra nenhuma na minha perna.
Uma alga e eu achando que era um tubarão. Se fosse, eu nem estaria aqui contando essa história.
Sasuke começou a rir. O ser gentil e delicado foi para o raio que o parta. Idiota.
— Eu fiquei com medo de verdade, tá? — falei indignada, mas o traste não parava de rir. — Para Sasuke... É sério.
— Você... — mais risada debochando do medo da Sakura. — Você precisava... ver sua cara... — mais gargalhada sem graça. — Foi hilário.
Deixei ele rindo e me preparei pra ir embora.
— Sakura.... — me chamou. Fingi que não ouvi e continuei.- Sakura volta aqui. Eu só estava brincando com você.
— Pode continuar brincando soz... — antes de concluir minha fala fui interrompida por uma onda forte do caralho. Aliás por várias.
Entrei num looping eterno de água salgada e areia. Não sei da onde tinha saído tanta onda de um mar tão calmo.
Minha garganta queimava pela água engolida. Eu estava num inferno em pleno mar.
Se nos contos de fada o príncipe vai a cavalo branco salvar a princesa na minha história ele vem de sunga preta.
Acho que prefiro a minha versão.
Você sabe que que a pessoa tá na merda quando ela faz graça da sua própria desgraça. Prazer, Haruno Sakura.
— SAKURA... — Sasuke gritava e me sacodia em desespero. Se continuar assim eu desmaio.- Sakura, você tá bem?!
Eu não conseguia responder. Eu tentava respirar e doía. Comecei a tossir e parecia ser sem fim.
Sasuke ainda chamava por meu nome e perguntava se eu estava bem. Na tentativa de acalmá-lo apenas acenei com a cabeça confirmando que sim.
Mas tem horas que o destino gosta de caprichar pra zoar com você.
Na tentativa de acalmar e aliviar a respiração coloquei minha mão direita sobre meus seios. Espera aí... tá faltando um pedaço de tecido por aqui.
Instantaneamente olhei pra baixo e constatei algo que eu não queria que fosse verdade. A parte de cima do meu biquíni tinha sumido nas profundezas do mar sem fim. Nessas horas que eu preferia um tubarão.
Gritei assustando Sasuke e fodendo ainda mais minha garganta.
— O que foi Sakura? — perguntou Sasuke assustado.
Eu não respondi, apenas olhei pra baixo. Ele seguiu meu olhar e paralisou ali. Por Deus, aquilo não é hora de ser tarado.
Cobri meus seios imediatamente. Mesmo que não fosse surpresa nenhuma pra Sasuke, eu não queria ser conhecida por ser a Miss Topless de Suna. Tinha algumas pessoas em volta observando o ocorrido. Me desesperei ainda mais.
— Sasuke... — falei sentido a garganta queimar.- Me tira daqui.
Ele ainda estava em transe... Merda.
— SASUKE!!!! — gritei com toda a força.
Ele finalmente acordou e me pegou no colo. Abracei minhas pernas em sua cintura e meus braços em seu pescoço.
Senti uma mão sua em minha cintura e outra segurando minha nuca.
—Vou te levar pra casa. — ele disse enquanto saia em disparada pra casa de nossos amigos. As pessoas em volta eram apenas borrões.
Me aconcheguei naquele colo. Minha garganta ainda doía, mas aquilo era o que menos importava pra mim.
Autora
Sasuke correu com Sakura em seus braços como se não houvesse amanhã. Ele estava assustado e desesperado com tudo que tinha acabado de acontecer.
A sorte dele é que a casa de Gaara não ficava longe. Pouco tempo depois ele já atravessava o portão do fundo da mansão.
Com receio de expor Sakura mais do que ela já tinha sido exposta ele entrou pela porta da cozinha.
Quando seguia em direção a escada Ino apareceu na porta da sala. Ela fez menção de se aproximar, mas Sasuke fez um pequeno sinal de negação com a cabeça e esboçou um "tá tudo bem" mudo. Ino apenas assenti e observou os amigos subirem as escadas.
Sasuke logo chegou ao quarto que ocupava com Sakura e suspirou aliviado. Sakura estava quietinha, mas se agarrava com força em seu corpo.
Ele decidiu se sentar na cama pouco se importando com a roupa molhada e a areia envolta nos corpos. Instintivamente passou a acariciar os cabelos de Sakura. Agora com o sangue frio, ele passava a analisar a situação. Ele podia tê-la perdido mais uma vez e dessa vez pra sempre. Só de pensar nisso seu coração se apertava e uma angústia sem fim tomava conta de si.
Ele a embalava como se ela fosse a pessoa mais importante. E de fato era, mesmo que ele não quisesse admitir, ele sabia e sentia isso.
Ele também estava muitíssimo grato por ela está bem ali do seu lado. Não se perdoaria se tivesse acontecido coisa pior.
— Você tá bem? — por mais que ele soubesse a resposta queria começar a conversar aos poucos com Sakura.
Ela não respondeu, apenas assentiu e relaxou um pouco seus membros que estavam presos a Sasuke. Ele não gostou daquilo, mas sabia que ela se sentia segura o suficiente pra fazer isso.
— Sente alguma coisa? — insistiu. Ele queria ouvir a voz dela.
— Minha... — ela começou e pigarreou logo depois. — Minha garganta... ela está ardendo.
Em nenhum momento Sakura saiu de sua posição. Sua voz chocava com a pele de Sasuke e ambos gostaram daquela sensação. Ela podia sentir o coração dele acelerado e sua pele arrepiada. O coração dela estava tão palpitante quanto.
Depois de alguns minutos longos minutos Sakura se sentiu segura a ponto de se afastar e olhou nos olhos do Uchiha. Com certeza, aqueles olhos são a sua salvação e sua perdição. Nesses nove anos afastada dele, era o que ela sentia mais falta. O olhar de Sasuke transpassava qualquer armadura que ela impunha, qualquer barreira de proteção.
No dia que terminou e se "despediu" dele, ela não o encarou, porque sabia que não conseguiria partir. Agora mais do que nunca, a rosada não queria perder nenhuma oportunidade de mergulhar naqueles olhos negros.
A Haruno colocou suas duas mãos sobre o peitoral de Sasuke e suspirou como quem buscava coragem para pronunciar qualquer palavra que fosse. Durante este contato eles não deixaram de se encarar um minuto se quer.
— O que foi que aconteceu? — perguntou a rosada baixinho. — Eu estava saindo da água e do nada senti minhas pernas serem arrastadas.
O Uchiha podia ver o medo no olhar dela e no seu tom de voz temeroso.
— Você caiu numa corrente de retorno. — respondeu calmo, mas Sakura esboçou um olhar interrogativo como quem pensava: "que diabos é uma corrente de retorno?" — É uma corrente que vai em sentido contrário as ondas. Ela tem uma força absurda e te joga numa espécie de vala. Pra sair você tem que ir por uma das laterais. Não esperei que você entendesse o que estava acontecendo e te tirei de lá o mais rápido possível.
Ela deu outro abraço apertado nele. Agora consciente, Sasuke sentiu os seios de Sakura de encontro com seu peito. Mas sabia que ela não fazia de propósito.
— Obrigada por me salvar, Sasuke. — ela dizia em seu ouvido. — Eu não iria saber como lidar com aquilo. O mar me odeia mesmo.
Ele riu com esse jeito dramático dela com um toque de humor, Sakura sempre foi contra padrões e ter a mesma reação das pessoas normais.
— Na verdade eu acho que ele gosta muito de você. Ele até quis te ver pelada. — brincou o Uchiha.
A Haruno deu um grito e cobriu os seios.
— Minha nossa. Eu esqueci completamente. — seu rosto estava corado. — O mar é um velho tarado!
Dessa vez o Uchiha caiu na gargalhada. Por mais inusitada que fosse a situação, a rosada dava um jeito de torná-la engraçada. Ela podia ter morrido afogada, mas fazia uma piada chamando o mar de tarado.
— Não ri, Sasuke. Isso é trágico quando sua princesa favorita é a Ariel. — bufou Sakura.
— Pensei que Mulan fosse sua princesa favorita. — o Uchiha rebateu.
— É a minha segunda favorita. — disse como se fosse óbvio. — A Ariel é mais velha, tem prioridade. Fora que tem o cabelo diferente das outras, assim como eu. — ela explicava como quem defendia uma tese de mestrado.
— Hum... acho que posso compreender. — ele deu aquele típico sorriso de canto. Isso era a segunda coisa que Sakura sentia mais falta... ela tem a terrível mania de enumerar certas coisas. — Você quase me matou do coração. — o Uchiha pose homem de ferro confessou.
— Desculpa? — ela deu um sorriso amarelo. — Eu não vi corrente nenhuma, o mar estava calmo. Quando vi já estava me afogando.
— Não disse que a culpa é sua. Só que fiquei preocupado. — ele encostou sua testa na dela que não esperava por essa ação. Mas em nenhum momento pensou em se esquivar. — Não faz mais isso, Sakura.
— Prometo que não entro mais no mar.
— Não é sobre isso que eu tô falando.
— É sobre o que então?
— Sobre você ir embora. Sobre você se afastar. — Sasuke disse sôfrego, como se tirasse toneladas de suas costas. — Não se afasta mais.
— Mas foi você que pediu pra gente ir com calma. — a rosada tentou se defender. — É difícil ficar perto de você e não poder te tocar. Dói.
— Então, não fica longe. — ele disse segurando o rosto de Sakura em suas mãos.
— Mas foi você que insis...
— Esquece o que eu falei. — interrompeu a rosada. — Esquece e fica. Ouve o Sasuke de agora.
Finalmente, finalmente Sasuke tinha aberto seu coração e se entregado aos seus sentimentos. Sakura estava atônita, não sabia se ria ou se chorava. Sabe quando você quer muito uma coisa e de repente acontece e você não sabe como reagir? Pois é assim que ela está agora.
Sasuke estava entregue e ela precisava reagir. As palavras lhe faltavam, mas deixou seu corpo e suas reações falarem por si. Ela acabou com a mínima distância que havia entre os corpos e beijo Sasuke tão profundamente como quem precisa do ar pra sobreviver.
Ele correspondeu a altura. O calor entre os corpos era uma atmosfera palpável. Um casal apaixonado e sem amarras. As mãos de Sasuke buscavam por todo corpo miúdo de Sakura e a apertava com força. Em resposta, a rosada deixava os gemidos escaparem nos lábios do seu algoz.
Ela o arranhava como uma felina que marcava território sobre o detentor do seu prazer. Ele a deitou sobre a cama ficando por cima e passou a olhar nos olhos dela. Uma imensidão verde tão perigosa quanto aquela lá fora que quase a levou pra longe de si. Tomou seus lábios mais uma vez em desejo.
Distribuiu beijos por todo corpo de Sakura, que pra sua felicidade já estava quase todo desnudo. Despejou toda vontade guardada assim que pôs os olhos nela com aquela roupa ainda na casa de Naruto. E teve que se controlar ainda mais quando ele a desafiou num jogo silencioso de uma troca de pneus.
O sal na pele de ambos era apenas um tempero a mais, a hipertensão de uma transa intensa e altamente prazerosa. Ele passou a se concentrar naqueles seios de bicos rosados e rijos pelo prazer dos toques de suas mãos e boca. A rosada gemia em resposta arranhando as costas do Uchiha e puxando seus cabelos com toda força que tinha.
Se livraram da única peça que ambos tinham em seus corpos. A urgência em estar dentro dela e a dela de tê-lo dentro de si era descomunal. Mal havia se livrado do biquíni da rosada e Sasuke a penetrou logo em seguida. Sakura deu um grito fino entorpecido de prazer. Era tudo o que Sasuke queria ouvir.
— Mais rápido... — a rosada pediu, ou melhor, exigiu. — Mais forte. — e logo depois mordeu o ombro tatuado do moreno que despertou ainda mais para os anseios dela.
Os gemidos, os choques entre os corpos e o prazer intenso eram a sinfonia produzida naquele quarto. Mais fundo, mais rápido e mais forte ele ia pra deleite dela. O ápice do prazer era o novo céu deles.
Mas uma transa não é uma transa quando apenas um comanda o jogo. Numa força inexplicável, Sakura inverteu as posições e passou a cavalgar no membro imponente de Sasuke. Sua cabeça jogada pra trás imersa no prazer e seus seios expostos era o quadro perfeito pra o Uchiha que segurava a sua cintura dando firmeza aos seus movimentos. A tocou no seu ponto mais sensível e a viu se desmanchar em prazer.
Sakura tinha gozado e ele queria mais. Inverteu as posições e voltou a ficar por cima. A penetrava lentamente numa forma de torturá-la, mas a cara de poucos amigos que a rosada fez foi o que ele queria pra retomar o ritmo anterior.
— Sasssssuke... — ela chamava por seu nome como se ele estivesse longe. Mas se ele se juntassem mais um pouco se fundiriam.
Gozaram juntos, sôfregos e inebriados de tesão e luxúria. O mundo poderia acabar que eles estava satisfeitos.
— Caralho – disse Sasuke puxando o ar de encontro ao peito de Sakura. — Você acabou comigo.
— Bem-vindo ao clube, Uchiha. — eles riram e se mantiveram na mesma posição. — Tô mais que acabada. — ela alisava os cabelos de Sasuke. — Precisamos de um banho, devo ter areia em lugares que nem prefiro imaginar.
Sasuke levantou um pouco e passou a analisar o cenário da cama. Aquilo estava um caos, mas estava tudo tão bom que não se preocupava com a areia em lugares indeterminados.
— Eu não me incomodo. — disse dando de ombros. — Tá bom demais pra levantar.
— Eu concordo com você, mas... — ele fechou a cara com o mas. — Tenho uma proposta melhor pra gente....
— Nunca existe uma proposta melhor depois de um mas... — bufou o moreno.
— Você é insuportável quando quer, Uchiha. — ela riu. — Mas o que você acha da gente tomar um banho, juntinho, aproveitar a água quentinha e depois trocarmos o lençol de cama pra ficarmos abraçadinhos peladinhos como se não houvesse amanhã?
— É...- ponderou Sasuke. — Acho que pode haver uma proposta melhor depois de um mas... — ela sorriu em resposta. — Mas você pode esperar só mais cinco minutos? Eu tô realmente acabado e não quero ver quando a água bater em minhas costas. — Sakura deu um sorriso amarelo assentindo.
Eles ficaram bem mais que cinco minutos agarrados, mas foram tomar o banho quente. Na verdade eles mais transaram que tomaram banho. Depois de tanto desejo reprimido é isso o que acontece.
Sasuke trocou o lençol de cama porque Sakura sempre foi um desastre pra executar tal tarefa. Ela tem habilidades pra abrir e operar uma pessoa, mas pra trocar um lençol é uma negação, e isso sempre foi motivo pra Sasuke caçoar dela. Só que não dessa vez. Ele fez tudo de bom grado porque a recompensa era dividir a cama com ela.
Deitaram e ficaram mais grudados que casal apaixonada na primeira semana de namoro. Conversavam trivialidades e Sasuke comentou que mais tarde iam pra uma boate porque Ino encheria o saco até todo mundo aceitar. Ela sabia que era verdade, então era melhor descansar... Deixaram o cansaço tomar conta e adormeceram um no braço do outro.
Sakura acordou num rompante. Teve um pesadelo com o que aconteceu mais cedo. Ela se afogava, sua garganta e seus pulmões queimavam. Uma sensação estranha e assustadora. Olhou pro lado e via que Sasuke dormia sereno, por isso teve cuidado pra se desvencilhar dele. Colocou uma roupa simples e foi até a cozinha pra tomar um copo de água na tentativa de se livrar daquele ardor incômodo. Queria logo voltar pros braços de Sasuke.
Tomou três copos de água numa rapidez absurda que por pouco não se engasga. Quando passou pela sala viu Gaara sentado no sofá. Por mais que a luminosidade não favorecesse ela conhecia aqueles cabelos vermelhos de longe. Eram parecidos com os de Sasori.
Ela se aproximou e viu que o amigo fitava um porta-retrato na mesa de centro. Era uma foto dele com Matsuri no casamento deles. Ela viu uma lágrima solitária escorrer no rosto do amigo. Ficou indecisa entre acudi-lo ou se afastar. As pessoas reagem de forma diferente a dor, ela mais do que ninguém, sabia disso.
Antes que ela tomasse alguma atitude, o amigo reagiu primeiro.
— Por que dói tanto, Sakurinha? — ele sabia que era ela porque a tinha visto entrar na cozinha.
Ela se aproximou e se sentou ao seu lado. Antes de responder, colocou a cabeça de Gaara em seu colo e passou a afagar seus cabelos.
— Porque você a ama. — respondeu docemente. — Porque ela é importante pra você. Por isso dói.
— Doeu em você? — ele fungou. — Doeu ficar sem o Sasuke?
A única pessoa pra quem Sakura tinha respondido aquilo era Ino. Nem mesmo Sasori tinha perguntando isso a ela com tanto tempo de convivência.
— Doeu – respondeu sem hesitar. — E como doeu. Mas teve algo que me doeu ainda mais.
— A morte da tia Mebuki?
— A morte da minha mãe doeu, mas foi consequência da doença. Desde o início sabíamos que existia essa possibilidade. — suspirou a rosada lembrando dos momentos com sua mãe e seus últimos dias. — Ela é minha ligação de amor desde o nascimento, mesmo se eu não quisesse amaria minha mãe.
— Então o que foi que doeu mais em você do que ficar sem Sasuke?
— Deixar Sasuke. Nada me doeu mais do que deixá-lo e viver sem ele foi uma consequência dessa decisão.
— Mas se doeu tanto, por que você o deixou? — Gaara perguntou como se fosse o óbvio.
Sakura ponderou em responder. Aquela foi a questão que te atormentou por anos e explicar de uma forma que fizesse Gaara entender não era tão simples.
Aquilo era tão seu, que compartilhar era ainda mais doloroso. A partir dessa decisão o que Sakura mais ganhou foi julgamentos, mas ninguém queria está no seu lugar e entender as suas decisões.
No fundo, ela sabia que Gaara não a julgaria. Ele apenas buscava uma forma, ou uma fórmula pra que ele mesmo pudesse lidar com sua dor. A dor de não ter a pessoa que se ama ao seu lado e sabendo que boa parte disso a culpa é sua.
O que Sakura não sabia, é que um certo Uchiha tinha ouvido toda a conversa e ansiava tanto por aquela resposta quanto Gaara.
— Você não precisa falar, se não quiser Sakurinha.
— Tá tudo bem, eu quero falar! — disse dando um sorriso terno pra seu amigo.
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