Daylight

36 Pra entender um sentimento, ele precisa pulsar em você


Notas iniciais
Olá moranguinhos e tomatinhos ♥ Demorei?! Quase nada, né? Eu queria agradecer imensamente a você por lerem essa história que eu tanto amor escrever. Cada comentário, acompanhamento, favorito, recomendação é amor na sua forma mais linda. Descobri que divulgaram a minha fic num grupo do facebook e encontrei um monte leitora linda. Derreti igual a morango na calda de açúcar ♥ Obrigada pelo carinho imenso e por receptividade ♥ Boa leitura

Livre, pra rir do que é ruim
Então chorar de feliz
Livre, não por acaso, acaso não condiz
Quando condiz com o que se quis

E só o tempo só pra descobrir
Se a liberdade é só solidão
E só o tempo só pra descobrir
O que vai ser

(Liberdade ou Solidão — Tiago Iorc)

Por Sakura


Depois de apresentar Shikadai a todos, me encarreguei de ligar prós No Sabuku pra avisar que o novo membro da família tinha chegado com muita saúde e muito sono.

Gaara ficou muitíssimo feliz e avisou que viria o dia seguinte pra Konoha com o irmão e os pais. Voltou a chover e eles acharam arriscado pegar o helicóptero a essa hora e ainda com esse tempo. Pois é, a galera de lá tem um helicóptero, gente chique é outro nível.

Eu estava mega cansada e ainda tinha de devolver o carro para locadora. Pagaria uma multa básica pelo atraso e pela meleira que o líquido amniótico fez. Paciência, o importante é que Shika Jr. nasceu com saúde e Tema está ótima.

Quando volto pra sala de espera da maternidade encontro apenas Sasuke. Não me canso de olhar pra ele... Minha nossa como é bonito, gostoso, cheiroso, gostoso, com pegada, gostoso, inteligente, lindo e... eu já disse gostoso? Pois senão disse, eu digo agora. Gostoso pra cacete.

Ele está cansado, esta nítido pela forma como ele está sentado nessa cadeira desconfortável e como está encostando a cabeça na parede com os olhos fechados. Sasuke odeia hospitais.

Toco seus ombros com delicadeza e ele desperta com seus olhos cansados. Me lança um daqueles sorrisos de canto. Maldito... lindo!

— Cadê todo mundo? — pergunto tentando não derreter com aquele simples sorriso.

— Foram embora. — diz dando de ombros. — Todos estavam cansados e vão trabalhar amanhã.

— E por que você não foi com eles? Você também trabalha amanhã e está morrendo de sono.

— Estou cansado, mas não me despedi de você, na verdade a gente mal se falou quando saiu de Suna.

— Por motivos de emergência. — ressaltei. — Era só pedir pra alguém me chamar que eu viria te liberar.

— Não queria atrapalhar seu trabalho, não custava esperar.

— Você é um fofo, Uchiha. — já estava derretida que nem manteiga no pão dele, leiam direito eu disse pão e não outra coisa. — Obrigada por me esperar. — afaguei seus cabelos e lhe dei um beijo na testa — Já estou liberada, vamos?!

— Vamos. — se levantou e me deu um selinho. Estranhei, Sasuke não é muito de demonstrar muitas coisas em público. — O que foi?!

— Fiquei surpresa com seu gesto, você sempre teve vergonha. — disse por fim. — Mas eu gostei.

Ele negou com a cabeça e sorriu.

Seguimos até o estacionamento em silêncio, mas minha cabeça era uma montanha russa que só. Dúvidas, incertezas certas. Certezas nem tão certas assim.

Ele me levou até meu carro, ou melhor, o carro da locadora.

Pensei que ia ganhar um beijo quente, mas nada. Fiquei só na vontade.

— O que você vai fazer agora? — indagou Sasuke e eu senti uma felicidade brotar.

— Sinto cheiro de proposta indecente e confesso que estou adorando isso. — ele riu. — Eu aceito.

— É sério, Haruno. — ele tenta soar sério, mas temos uma fortaleza risonha aqui.

— Vou levar o carro na locadora e depois vou pra casa do meu pai.

— Sua casa?! — soou como uma pergunta afirmativa... isso existe?! Ok... tô surtando.

— Casa do meu pai... — reforço o que disse anteriormente. — Deixou de ser quando fui embora. Não é a mesma coisa que antes.

— Confuso isso....

— O dia que você sair de casa, vai entender. — dou de ombros. — Mas o que você queria propor?! Eu não esqueci.

— O que você acha da gente ir pra um hotel e passar a noite juntos? — perguntou com o rosto corado. Gente, como um cara que fez sexo selvagem pode corar dessa forma?! Fico boba. — Eu vou com você até a locadora e te trago amanhã pro trabalho.

Sorriu.

Sasuke está mesmo disposto a um nós e eu queria muito fazer uma dancinha de comemoração como nos filmes adolescentes americanos. Mas eu faço essa dancinha de forma mental. Porque a imaginação é um presente.

— Eu sabia que tinha proposta indecente no meio. — ele corou mais ainda. Cute Cute da Saky. — Eu te falei a minha resposta antes mesmo de saber a proposta. Só preciso avisar a meu pai porque ele sabe que volto hoje, não quero deixa — lo preocupado. Você também tem de avisar aos seus.

— Eu meio que já avisei. — da de ombros.

— Uchiha Sasuke o rei das propostas indecentes agindo sorrateiramente.... Eu aprovo. — lanço uma piscadela marota.

— Eu sei... Então, vamos?

— Vixe, ele tá apressadinho. — brinco. — Eu aprovo de novo. — agora lanço um joinha como o baka do Naruto.

— Só entra nesse carro e vamos logo.

— Nessa pressa toda, só não vale gozar rápido.

— Sakura!! — bradou. — Estamos no estacionamento de um hospital.

Me aproximei do seu ouvido.

— Nessa pressa toda, só não vale gozar rápido. — sussurrei e mordi o lóbulo da sua orelha esquerda.

— Irritante!

Eu sabia que ele estava sorrindo!

Levei o carro até a locadora, no fim paguei três taxas. Uma por não ter enchido o tanque do carro, outra por devolver depois do horário e mais uma pelo líquido derramado. Paciência.

A parte boa nisso tudo é que eu passaria a noite com o Uchiha. Essa fase inicial de namoro é tão gostosa. Se bem que ainda não definimos de fato se isso é um namoro. A idéia é um nós, acho que dá no mesmo.

O caminho até o Konoha's Flat foi silencioso, ambos estávamos cansados, eu estava pior que um trapo. O quarto é enorme, deve ter sido um absurdo de caro. Já tô vendo a briga amanhã pra dividir a conta. Melhor não pensar nisso.

— Estou só o pó. — disse me jogando na cama sentido a maciez daquele colchão que mais parecia uma nuvem. — Nunca pensei que o dia terminaria assim.

Sasuke me olha e dá um sorriso de canto. Ele arruma nossas malas metodicamente lado a lado e a maleta médica um tanto mais afastada. Que senso de organização, esse homem trabalhando deve ser um escândalo.

— Tenho direito a massagem nos pés? — peço dengosa enquanto ele se aproxima da cama.

— Que tal uma massagem nos pés num banho de banheira? — pergunta respirando em meu pescoço. Socorro!!!!! Alguém não me tira daqui.- Segunda proposta indecente da noite, Uchiha?! — digo me arrepiando com seus beijos em meus ombros. — Imagina a terceira. Será um escândalo.

— Que apetite sexual é esse? — ele indaga risonho. — Você não acabou de dizer que estava só o pó?

— Eu sou um pó legal, sou um pó que transa.

Ele gargalhou gostoso com minha afirmação, adoro esse Sasuke de bom humor, leve, apaixonado... Nossa tô muito na merda mesmo

.- Vou preparar nosso banho, tá? — assenti. — Alguma preferência de sais, senhorita?

— Será que eles tem jasmim?

— Não sei.

— Se tiver, ótimo. Senão põe lavando ou rosas vermelhas. Essas nunca faltam.

— Já volto. — mais um beijo estalado no pescoço. — E não durma.

— Não posso dormir, vou te ver pelado. Isso me fez perder o sono completamente.

— Ninfomaníaca — ele disse de costas indo até o banheiro. Pude ver seu rosto vermelhinho.

Tadinho, estou deixando ele mais que sem graça. Mas eu realmente estou muito tarada... Se bem que, é Uchiha delicioso Sasuke, né mores? Não tem como não ficar assim!

...

— Sakura... — ouço Sasuke me chamar longe e alguém me tocar, mas eu não vejo ninguém. — Sakura... eu disse pra você não dormir.

— Só mais cinco minutinhos...

— Nada de cinco minutinhos... A banheira já está nos esperando com sais de jasmim amarelo, água quente e eu já tô pelado.

— Acordei! — levantei num rompante. Quem precisa de cinco minutos? — Mentindo pra mim, Uchiha?! Não tô te vendo pelado não.

— Não tem nada por baixo da toalha, então tô pelado.

— Ah é?! — podia sentir o sorriso malicioso em meus lábios, enquanto ia em sua direção e puxava o tecido branco. — Ops... caiu!

Meu brinquedo favorito estava indeciso, não sabia se ficava completamente duro ou se abatia pelo cansaço. Tá na hora de entrar em ação.

Minhas foram diretas ao alvo e passei a masturbá-lo.

— Sakura!!!! O que você tá fazen... — parece que alguém perdeu a racionalidade por aqui. — Caralho.

Quando seu membro estava do jeito que eu queria, abocanhei com vontade como quem ganha um picolé suculento.

— Puta que pariu! — ele urrou, essa é minha deixa. — Não... para.

Continuei sugando com gosto e vontade. Sasuke não sabia se puxava meus cabelos ou perdia completamente o controle deixando seu membro ser sugado.Passei a masturbá-lo e a suga-lo ao mesmo tempo alternado entre o rápido e o devagar.

— Eu vou... — disse entredentes.

Sim querido, você vai!

Intensifiquei os carinhos e comecei as sentir os espamos percorrer o corpo do moreno. Era a hora.

Senti o líquido quente invadir a minha boca, tomei todo pra mim enquanto Sasuke gemia de prazer. Puta que pariu, ele gemendo é muito sexy.

Tirei seu membro da minha boca e limpei o canto da mesma. Sasuke despencou na cama.

— Céus... — ele estava deveras ofegante. — O que... foi isso?

— Sexo oral? — perguntei me deitando ao seu lado. Também estava cansada, poxa.

— Que sexo oral. — Sasuke tinha uma expressão serena e estava de olhos fechados. — Puta que pariu.

— Que bom que você gostou. — disse me aninhando a ele. — Foi bom pra mim também.

— Gostar é pouco... e não foi bom não, foi ótimo. — me deu um beijo na testa, sua respiração ainda estava entrecortada. — Vamos tomar banho?

— Preguiça... — digo me afundando em seu pescoço.

— Pensei que você queria massagem nos pés, mas já que é assim...

— Tá bom, tá bom. Eu vou, mas você tira minha roupa?

— Eu tiro o que você quiser.

Não, não teve nenhuma insinuação sexual depois disso, Sasuke e eu estávamos cansados.

A água da banheira estava tão quentinha e o cheiro de jasmim amarelo só fez melhorar ainda mais.

Mas o melhor era dividir aquele pequeno objeto com Sasuke. Qualquer coisa com ele tem sido tão bom. Era como nos conhecer de novo, mas ao mesmo tempo não era. Só sei que é bom.

Por mais que eu não seja adepta de grude o tempo todo, tê-lo junto não me enjoava.... pelo contrário eu já estou pensando como vai ser em junho estando em Tóquio. Já estou sofrendo por atencipação, pelo menos eu virei a cada 15 dias a Konoha.

Enquanto eu fica divagando em minha saudade, Sasuke esfregava minhas costas com carinho e repetia o gesto quantas vezes fossem necessárias.

— Posso saber no que a senhoria está pensando? – indagou ele chamando minha atenção. – Sou tão ruim com uma esponja na mão?

Ri diante de sua indagações. Me encostei em seu peito e puxei seu braço esquerdo passando para minha cintura.

— Não!!! – sorri pra ele o olhando de soslaio. – Isso está divino, muito gostoso mesmo. Nesses momentos em que relaxamos a mente resolve trabalhar.

Ele me apertou ainda mais pra junto dele e afundou seu rosto em meu pescoço. Pude sentir a pequena camada de barba de Sasuke roçando em minha pele deixando a região mais sensível. Isso é uma novidade, ele tinha pouquíssima barba quando fui embora.

— Mas então, o que se passa nessa cabeça rosa?

— Estava pensando sobre o mês que vem. – confessei. – Está tudo tão bom aqui e finalmente a gente... Se entendeu, do nosso jeito, claro. – ri e ele me acompanhou. – Mas domingo que vem eu volto pra Tóquio, eu sei que volto logo depois, mas já tô sofrendo com saudade antecipada. E fora que não vai ter ninguém pra esfregar minhas costas tão bem.

— Interesseira! – disse em tom zombeteiro. – Eu também vou ficar com saudade... mas vai passar logo. Prometo compensar quando você voltar.

— Hummmm.... Terceira proposta indecente da noite, você está mesmo um pervertido. E eu tô adorando. – digo com malícia e sinto Sasuke me puxar ainda mais contra si. – Estou muito melhor em saber disso, mas ainda quero minha massagem nos pés. – digo me virando de frente pra ele e esparramando água por todo banheiro por conta do movimento.

— Sakura! Você parece uma criança de cinco anos. Molhou tudo! – Sasuke não sabia se brigava ou dava risada. – Me dá os pés!

— Todos seus. – digo me encostando no lado oposto da banheira e Sasuke começou a massagear meus pés. – Minha nossa, eu poderia viver com essa massagem 24 horas.

— Não exagera. – ele dizia apertando meus pés com força. – Você tá muito cansada, né?!

— Um pouco, mas nada que uma noite de sono não resolva. — digo dando de obros. — Sasuke?

— Sim...

— Você pega muito cedo amanhã na fábrica?

— Pego às oito, por que?

— Você podia ir comigo visitar Yagura. Sexta ele estava um pouco debilitado por conta da quimio, acho que uma visita nossa vai fazer bem a ele. O que você acha?

— Tudo bem, mas precisamos sair mais cedo pra ter mais tempo com ele e não nos atrasarmos.

Pelo visto, Sasuke tinha gostando tanto de Yagura quanto eu.

— Tudo bem, saímos mais cedo. — lanço uma piscadela pra ele que sorri de volta.

Acho que no meio do banho eu peguei no sono porque acordei devidamente vestida e na cama. Eu estava mais cansada do que eu imaginava.

Sasuke dormia ao meu lado e ressonava baixinho. Sua expressão era tranquila e ele estava babando. Fofo.

Olhei no celular e vi que ainda eram quatro da manhã, eu ainda tinha um pouquinho de tempo pra dormir e conhecendo Sasuke como conheço ele programou o despertador. Me aconcheguei em seu peito e aspirei seu perfume amadeirado que fazia meu coração acelerar.

...

— Sakura...- Sasuke me chamava, mas sua voz estava longe. — Acorda, Haruno. — me sacudia com delicadeza, — A gente vai se atrasar...

— Dois minutos, por favor...

— Não senhora, levanta. — puxou o edredom com força e eu senti minhas pernas congelarem. — Vamos, Sakura.

— Frio, que frio. — me encolhi em posição fetal e olhei com raiva pra Sasuke. — Você é muito malvado.

— Malvado seria se eu jogasse água em você na cama, estou pensando seriamente em usar da próxima vez.

— Você não teria coragem... — desafiei.

— Pensando bem, acho que vou usar agora. — se levantou e foi em direção ao banheiro.

Fodeu! Eu vou me foder!

Já tô indo! — me levantei num pulo. — Não precisa disso.

Chego no banheiro na velocidade da luz e tenho a visão do paraíso. Sasuke pelado dentro do boxe tomando banho. Eu nem tomei meu remédio da pressão, gente. Espera aí... eu não tomo remédio pra pressão.

Não pensei duas vezes e tirei minha roupa mais rápido do que levei pra chegar ao banheiro. Bati no boxe e ele se virou pra mim.

— Será que poderia me juntar ao cavalheiro? — pedi de forma fofa, só a forma porque meus pensamentos eram mais impuros que mente adolescente com hormônios. — Tá calor aqui fora.

— Eu pensei que você estivesse com frio. — ele disse cínico. — E desde quando a senhorita é tão polida desse jeito?

— Depois não reclama que sou bruta. — digo entrando no boxe. — Minha nossa, socorrro. Essa água tá gelada,

— Você não tava com calor? — revirei os olhos pra ele. — É tão bom te tirar do sério de vez em quando. Você fica com um biquinho lindo.

Lancei dois dedos do meio em resposta. Meu humor matinal não é dos melhores, acho que deu pra notar.

— Esquenta essa água, pelo amor de Deus. — pedi. — Eu vou congelar desse jeito, Sasuke.

— Calma, não precisa tanto. — ele abria a outra torneira. — Está melhor agora?

Coloquei o pezinho e pude sentir a água ficando morninha. Que delícia.

— Muito melhor, agora com licença. — me virei de costas pra ele e me concentrei no banho.

...

Tomamos um café da manhã bem rápido e dessa vez não houve brincadeiras adultas. Era segunda-feira e segunda-feira é dia de trabalhar, até nas férias que é o meu caso.

Chegamos ao hospital bem rápido e fomos direto pra minha sala. Encontrei com Rin e perguntei sobre Yagura. Ela me disse que ele ainda estava um tanto debilitado, a reação a quimio tinha sido pior dessa vez.

Eu sabia muito bem como as coisas aconteciam, passei por isso durante muito tempo com minha mãe.

Rin permitiu que Sasuke e eu fôssemos visitar ele, mas que não demorássemos.

Chegamos no quarto do pequenino e ele estava deitado em sua cama e via desenho na TV. Sasuke e eu anunciamos a nossa chegada e o rostinho dele se iluminou, aquilo aqueceu meu peito por dentro. É incrível como tinha me apegado a ele e Sasuke também.

— Tia Sakura, tio Sasuke. Vocês por aqui?! — ele disse elétrico quase derrubando o suporte do soro. — Opa...

— Cuidado, Yagu. — falei e dei um beijo em sua testa. Ele estava febril e eu não tinha gostado disso. Depois Sasuke foi em sua direção e afagou sua cabeça, enquanto eu procurava por seu prontuário. Não tinha nada de grave, fiquei mais aliviada. — Sim, eu e o tio Sasuke estamos por aqui e você como está?

— Tô bem, tia. Quase não vomitei. — ele disse animado, mas eu sabia que era mentira. Seu aspecto magro e seus olhos fundos entregavam. Sorri passando confiança pra ele. — Fiz um desenho pra vocês.

— Desenho? — indagou Sasuke e ele assentiu. — Esse eu quero ver.

— Tá ali na mesa. — Yagura respondeu apontando com o queixo. — Você pode pegar, tia?

Fui na mesa e lá estava o desenho com traços infantis e coloridos por toda a parte. Era lindo.

Yagura tinha desenhado a mim, ele e o Sasuke. Ele estava no meio de nós dois com as mãos dadas. Respirei fundo, aquele desenho tinha mexido comigo mais do que devia.

Sasuke e Yagura me observavam curiosos, ambos com expectativas sobre o que eu diria ou como agiria.

— Está lindo, Yagu. — digo com a voz um tanto embargada e vejo Sasuke me lançar um sorriso mínimo. — Não sabia que você era um artista.

Ele sorriu e seus olhos cor de rosa sorriram juntos.

Mostrei o desenho a Sasuke que o pegou em minhas mãos.

— Não é que Sakura tem razão? Você desenha muito bem. — disse Sasuke e Yagura só faltou babar. — Pensei que você só tinha talento pra quebra-cabeças.

— Eu sei fazer um monte coisas, viu tio?! — ele disse fazendo bico. Sasuke e eu rimos da sua reação. — Vocês adultos são estranhos.

— Coisa de gente grande. — digo sentando ao seu lado na cama. — Mas posso saber o motivo desse desenho tão lindo?

— Foi uma atividade da tia Karin. — explicou dando de ombros. — Ela pediu pra que eu desenhasse algo legal que aconteceu num momento difícil. Conhecer você e o tio Sasuke foi a melhor coisa que me aconteceu em um momento ruim... olhando por esse lado o câncer não é tão mau, ele me deu pessoas importantes e que gostam de quebra-cabeça.

A revelação de Yagura me atingiu em cheio, foi como um soco direto na boa do estômago me causando falta de ar... ele simplesmente via algo que eu nunca pensei em ver. O abracei no segundo seguinte com vontade de protegê-lo de tudo de ruim que viesse acontecer.

Durante o abraço pude ver que Sasuke nos observava, as palavras também tinham o atingido. Uma lágrima solitária escorria por seu olho esquerdo, o puxei para o abraço e ele não hesitou.

Ficamos assim por tanto tempo que só paramos quando fomos interrompidos por Rin. Era hora de deixar Yagu descansar.

Ao fim do encontro prometemos voltar pra terminamos o quebra-cabeça junto com ele.

Sasuke foi até a minha sala no mais puro silêncio, estava compenetrado com o pensamento longe. Eu respeitava e entendia seu silêncio.

Nos sentamos no sofá novo que eu tinha pedido pra colocar na minha sala, tinha feito algumas mudanças, deixando algumas do tempo da minha mãe.

Sasuke continuava a olhar o papel em minha mão. Era o desenho que Yagura tinha feito pra mim com nós três.

Eu estava começado a ficar assustada com todo esse silêncio e resolvi chamar sua atenção.

— Sasuke... — chamei baixinho, olhou pra mim e voltou sua atenção ao desenho. — Você tá bem?

— Estou. — era mentira, eu sabia. — Bom... — soltou um pigarro me encarando. — Eu preciso trabalhar.

— Tudo bem... -digo me levantando junto com ele. — Nos vemos mais tarde?

— Eu passo na sua casa a noite, pode ser? — assinto dando um sorriso. — Então, até mais tarde.

Me deu um selinho demorado e um abraço apertado.

— Amo você, Uchiha.

— Te amo, Haruno.

Mais um encostar de lábios rápidos demais pra meu gosto, uma porta fechada e a solidão de um recinto.

Por Sasuke

Conhecer você e o tio Sasuke foi a melhor coisa que me aconteceu em um momento ruim... olhando por esse lado o câncer não é tão mau, ele me deu pessoas importantes e que gostam de quebra-cabeça.

A voz de Yagura ficava martelando em minha cabeça numa sinfonia repetida e sem fim. Por que? Como uma pessoa pode se afeiçoar a outra dessa forma? O que eu tinha dado àquele menino? E por que ele parecia tão importante?

Tem umas coisas que acontecem na vida da gente que nos fazem refletir e auto refletir, mas que não sabemos ao certo o porque até uma hora tudo fazer sentido. Sentido esse, que não havia chegado.

Cheguei ao trabalho sem ao menos ter notado o tempo que gastei pra chegar até aqui. Juugo já tinha chegado e estava todo animado, mas como não correspondi as suas expectativas ele se calou. Meus amigos me conheciam o suficiente pra saber quando eu não queria conversa.

A hora do almoço não tardou a chegar, Juugo torrou a minha paciência e eu fui almoçar com ele. Conversamos sobre Suigetsu e seu acidente na semana passada, ainda contei pra ele que queria juntá-lo com Karin pra valer. Ele disse que eu não sabia executar o trabalho de um cupido porque minha vida amorosa é horrível. Mal sabe ele a verdade dos fatos. Preferi me abster.

A tarde tivemos uma reunião chata pra cacete, fui designado mais uma vez pra coordenar um recall em Tóquio. Tentei de todo jeito delegar a função pra Anko, mas Kabuto foi irredutível. Era eu e pronto. Apesar da cara feia de Anko, eu fiquei feliz saber que a viagem seria apenas em junho, ou seja, era uma forma de matar a saudade da minha irritante. Com certeza, ela iria adorar a notícia.

...

Cheguei em casa e para minha surpresa ela estava completamente vazia. Eu estava morto de cansado e ainda tinha que dar um pulo na casa de Sakura, ou melhor, do pai dela.

Tomei um banho revigorante, me arrumei e quando estava prestes a sair tenho meu quarto invadido pelo ser mais inconveniente da terra, vulgo meu irmão.

— Veja só, se não é o eu irmãozinho tolo prestes a sair sorrateiramente. — diz Itachi com um sorriso enorme. — Isso tudo aí é pra rosinha?

— Não bate na porta não? — revira os olhos como resposta. — Nem sei porque pergunto.

— Ai Sasuke, para de ser chato. Depois de um final de semana em Suna, você me volta azedo desse jeito. Eu senti sua falta, sabia?

— Eu não senti nenhuma.

— Nossa, que ingrato filho da mãe. — bufou. — Não vou sair do seu quarto até você me contar as novidades.

— Que novidades, Itachi?

— Fala logo que você se acertou com a rosinha.

— Como você sabe? — merda, eu tinha caído na estratégia de Itachi.

— Eu não sabia, mas agora eu sei. — riu. — É o velho jogar verde...

— E colher maduro. — completei. — Sim, Itachi, estamos juntos. Mas ainda é meio que segredo, a gente não quer ninguém se metendo. Já deu confusão demais essa história.

— Não sei por quanto tempo vocês acham que vão esconder isso, mas tudo bem. Fico feliz por você, irmãozinho. — toca dois dedos em minha testa e me dá um abraço apertado. Eu retribuo porque eu amo esse baka. — Quando é o casório?

— Que casório, Itachi? A gente mal se acertou e você já quer me casar, vá cuidar do seu casamento e deixe minha história com Sakura em paz.

— É só brincadeira, viu Sasuke? — colocou as mãos na cintura. — Você é uma criatura estranha, faz sexo e não fica de bom humor. E uma coisa é diretamente proporcional a outra.

— Eu não sei como vou morar num prédio onde você contribuiu nos cálculos, não sei como você pensa.

— Carinhoso feito coice de mula, é só ficar sem ter onde morar. Muito simples.

Lancei os dois dedos do meio pra ele. Estou andando muito com Sakura.

— Cadê o restante do pessoal dessa casa?

— Papai e mamãe saíram pra jantar. Izumi está no banho, essa mulher me fez comprar metade das lojas de bebê do shopping. Eu tô bem fodido, carreguei sacola a tarde toda.

— Quem mandou arranjar filho?! Dá nisso aí.

— Reza Sasuke, mas reza pra você não ser pai porque minha vingança será maligna, lenta e mortal.

— Tô morrendo de medo. — guardo meu celular e a carteira nos bolsos. — Agora eu preciso ir. Sakura tá me esperando.

— Irmãozinho?

— Sim?!

— Estou muito feliz por vocês dois. — toca em minha testa com aquele gesto familiar outra vez. — Vai ficar tudo bem agora.

— Eu sei. Obrigado, irmão. — retribuo o gesto de carinho. — Avisa aos nossos pais que eu saí e talvez não durma em casa hoje.

— Danadinho.

— É sério, Itachi.

— Pode deixar irmãozinho tolo, que eu aviso sim.

— Obrigado... fui.

Quando estava perto do carro sinto meu celular vibrar, era Kakashi.

— Fala Kakasahi. — digo entrando no carro.

— Sasuke! — sua voz estava séria. — Preciso que venha me encontrar.

— Aconteceu alguma coisa? — indago preocupado. — Estou indo me encontrar com Sakura agora.

— Sakura e eu estamos no mesmo lugar.

— Você está na casa de Sakura?

—Não. Eu estou no hospital e Sakura também.

— Kakashi, cadê a Sakura? — pergunto irado ligando o carro.

— Calma, Sasuke. Ela está bem, mas eu preciso que você venha até o hospital.

— Estou indo.

Desliguei na cara de Kakashi e arranquei o carro deixando rastros do pneu no asfalto. A adrenalina percorria meu corpo e eu sentia meu sangue ferver, Que diabos tinha acontecido agora?!

Entrei no estacionamento e coloquei o carro na vaga de qualquer jeito. Avistei Kakashi com Rin e fui correndo em direção a eles.

— Cadê Sakura? — perguntei ofegante.

— Calma, Sasuke.

— Calma um caralho, Kakashi. Cadê minha mulher?!

— Sasuke, fique calmo. — disse Rin de forma tranquila. — Sakura está bem, ao menos fisicamente.

— O que aconteceu, Rin? — perguntei num tom mais moderado dessa vez.

— Ela perdeu um paciente na sala de cirurgia. — aquilo me atingiu em cheio. Senti os olhos de Kakashi e Rin em mim. — Foi o primeiro paciente dela.... isso nunca tinha acontecido antes. — o tom de voz de Rin era carregado de compaixão, ela entendia a dor de Sakura melhor do que eu.

— Onde ela está? — perguntei num fio de voz. — Eu preciso vê-la.

— Ela está em observação. Te levamos até o quarto dela.

— Por que ela está observação, Rin?

— Ela acabou desmaiando logo que saiu da sala de cirurgia e precisou ser medicada. — respondeu Kakashi tomando minha atenção.

— Tsunade e Kizashi-sama estão monitorando ela, você precisa ficar calmo pra não passar mal também. — disse Rin.

— Sakura precisa de você agora, Sasuke. Você quer tomar um copo de água?

— Eu só quero ver a Sakura, Kakashi. Só isso.

— Nós iremos te levar. — Rin respondeu por ele.

— Obrigado.

O caminho até o quarto de Sakura parecia uma eternidade. Pessoas me cumprimentavam, mas eu não via ninguém.

Paramos em frente a uma porta branca com detalhes em azul. 707 era o número fixado em sua porta.

Por conta da minha falta de ação, Rin bateu na porta e quando recebeu permissão pra entrar pude ouvir ela falar que eu tinha acabado de chegar. Abriu mais a porta e me deu a passagem.

Assim que entrei naquele quarto, ouvi a porta atrás de mim ser fechada. Notei um bolo na cama enrolado num colcha azul e cabelos róseos distribuídos pela fronha branca com emblemas do hospital também em azul. Tsunade estava a seu lado afagando seus cabelos.

— Como ela está? — pergunto não tirando os olhos dela. Sua expressão calma me tranquiliza, mas não sei o que esperar quando ela acordar.

Me aproximo ainda mais me colocando ao lado da cama e de Tsunade.

— Agora ela está bem, mas foi um choque. Sakura sempre teve êxito em todas as suas cirurgias, nunca tinha perdido um paciente. — suspirou. — Mesmo que estejamos acostumados a lidar com mortes, perder um paciente é sempre difícil. Lembro até hoje do primeiro bebê que perdi. Pensei que nunca mais faria um parto na vida, acredito que quando o paciente é criança a frustração é ainda maior.

— Mas... a culpa... foi dela? — me arrependi no mesmo instante que ouvi as palavras proferidas por mim.

— Não, querido. — encarei Tsunade pela primeira vez naquela noite. Ela parecia ver a culpa estampada em meus olhos — A criança já chegou aqui muito debilitada e tinha mais de um problema cardíaco. Pouco seriam os médicos que encarariam um desafio como esse, era arriscado, tudo ou nada. Ela sabia do risco, nós sempre sabemos.

— Acho que posso entender. — será mesmo que eu compreendia? — Onde está Kizashi-san?

— Consegui mandar aquele velho teimoso pra casa, ele não queria sair do lado dela. Mas eu prometi cuidar de Sakura até ele voltar.

Tsunade parecia cansada, com certeza não deve ter saído do lado dela depois do ocorrido.

— A senhora parece cansada, eu posso ficar com Sakura agora enquanto o pai dela não chega.

— Senhora é a senhora sua avó, Uchiha. Me respeita que eu não tenho idade pra ser chamada de senhor. — revirei os olhos em resposta. Tsunade não muda mesmo. — Mas... eu agradeço e aceito a oferta. Cuida bem da minha menina, está certo?! Senão você perde o que tem bem no meio das suas pernas. — engoli em seco.

— Pode deixar, prometo cuidar muito bem dela.

— Assim espero. — me lançou uma piscadela não tão ameaçadora assim. — Boa noite, Sasuke.

— Boa noite.

Fiquei a observar Sakura e me concentrei em sua quietude. Só de pensar na dor que ela sentiu hoje ao perder um paciente na sala de cirurgia me deixava apavorado. Foi exatamente assim que eu fiquei quando ela perdeu Mebuki. Seus gritos de agonia eram com lâminas afiadas que me torturavam. Eu tomaria toda sua dor se pudesse.

Depois das nossas últimas conversas eu sei que ela me mataria por isso, Sakura não queria mais viver numa bolha onde ela não pudesse sentir ou fingir que não sentia nada. Eu não seria esse cara que a colocaria de volta na bolha. Mas isso não quer dizer que eu não estaria por perto.

Tirei meus sapatos, abaixei aquelas grades da cama e deitei ao seu lado. Camas hospitalares tem suas vantagens.

Eu queria que Sakura soubesse que eu estaria literalmente ao seu lado quando acordasse e seria daqui pra frente a partir de agora.

Para de lutar contra os meus sentimentos foi a melhor coisa que eu fiz na vida. Parei de bater em mim mesmo e passei a ser um humano sem hematomas emocionais.

...

Senti uma agitação na cama... eu tinha pegado no sono com Sakura em meus braços. Abri os olhos num rompante

Sakura se remexia e estava com os olhos molhados, mas não estava acordada. Era um pesadelo.

— Sakura... — chamei com carinho. — Acorda, amor. — afaguei seus cabelos.

Demorou um pouco, mas ela acordou.

— Sasuke!!! — sua voz era chorosa.- Eu perdi, Sasuke. Eu.... perdi. — a abracei forte, não tomaria sua dor, mas a dividiria com ela.

— Eu sei... eu sei.

— Eu perdi... eu... eu... não podia. — chorava contra meu peito. — Era... só uma criança. A culpa é minha, Sasuke.

— Sakura!! — chamei sua atenção e por um instante ela se calou. — Você sabe que não foi culpa sua, então nunca mais repita isso, está bem?! Você fez o que estava ao seu alcance, não se martirize por algo que não fez.

— Não é tão simples, isso nunca tinha acontecido comigo, Sasuke. É tão difícil...

— Eu sei, amor. — enxugava seus olhos com cuidado. — Você não pode controlar o mundo, Sakura. As coisas acontecem independente da nossa vontade, o risco sempre existe.

— O nome dele era Sasuke... o bebê se chamava Sasuke.

Nem que eu quisesse eu estaria preparado pra isso. Nem mesmo a minha racionalidade em excesso saberia lidar com aquilo, e nem Sakura.

— Ele tinha apenas oito meses – ela continuou. — Nem falava, mas guardava em si as maiores dores físicas que uma pessoa pode aguentar. Isso é perverso. Eu fiz medicina pra salvar vidas e não para perdê-las em minhas mãos.

— A culpa não foi sua, Sakura. Você sabia dos riscos.

— Minha cabeça sabe disso, mas meu coração não. A sensação de impotência é absurda e devastadora.

— Vai passar.

— Eu sei... só queria que fosse logo.

Nos entregamos aos carinhos e ao silêncio. Eu só precisava estar lá por ela e também por mim. Eu não queria estar num lugar que não fosse esse, que não fosse ao seu lado. Eu sentia um alívio em saber que ela sabia disso.

— Você me leva pra casa?

— Mas você está em observação, alguém precisa te dar alta médica. — ela riu pela primeira vez depois de desabafar.

— Eu tô bem, Sasuke. E se você não se lembra eu também sou médica.

— Mas nesse caso a senhoria é paciente.

— Tudo bem... Vou por conta própria. — disse se levantando da cama.

— Por que é tão teimosa? — disse sério. — Custa esperar?!

— Sou teimosa, sim. Agora preciso ir.

— Espera Sakura, eu te levo. — digo levantando da cama. — Só preciso calçar meu sapado.

— Vamos, Uchiha. Eu não tenho todo tempo do mudo.

— Puta que pariu, tô indo teimosia.

Saímos do quarto com Sakura vestida naquela roupa hospitalar linda, só que não e fomos pra sua sala.

Ela se trocou na velocidade da luz e ainda ficou atormentando meu juízo com essa pressa. Durante o caminho até sua casa, que foi completamente silencioso, eu a pegava chorando quieta. Era doloroso, mas pela forma que ela escondia ou tentava esconder preferi não comentar.

Quando estávamos entrando em casa demos de cara com seu pai que estava saindo para vê-la no hospital. Pela cara dele, ele iria aplicar um sermão, mas Sakura foi mais rápida.

— Eu não aguentaria mais um minuto naquele hospital. Não adianta vim com reclamações, pai.

— Mas Sakura, custava me esperar lá? — reclamou Kizashi. — Por que é tão teimosa e impulsiva?!

— Eu disse a mesma coisa. — me meti e ganhei uma olhada mortal.

— Calado, Uchiha. — disse brava e eu me recolhi na minha mera insignificância. — Pai, você me conhece desde que nasci, não faça perguntas que já sabe a resposta. Agora, por favor, faz uma sala pra Sasuke enquanto eu tomo um banho. Obrigada. De nada.

Subiu as escadas em disparada e me deixou sozinho na sala com seu pai.

— Minha nossa, igualzinha a Mebuki. — ele disse rindo.

— Não lembro da tia Mebuki sendo teimosa. — o pai de Sakura soltou uma risada anasalada. — Sakura é um furacão cor de rosa quando decide algo.

— Ah, Sasuke. Você não sabe de nada, meu jovem. — riu e se sentou naquele sofá vermelho que ele dizia detestar. — A personalidade de Sakura é toda de Mebuki, eu arrancava os cabelos quando as duas estavam em TPM. A sintonia entre elas era tanta que o período era o mesmo.

— Nossa... tia Mebuki parecia ser tão calma.

— Só parecia. Mas o que tinha de durona por fora tinha de mole por dentro.

— Acho que conheço alguém assim. — confessei e ele sabia exatamente de quem eu estava falando.

— Minha filha tomou uma rasteira e tanto da vida. — soltou um suspiro longo. — Você sabia que o menino se chamava, Sasuke?

— Ela me disse.

— E você sabe o que isso significa, não sabe? — parei pra pensar e cheguei a uma conclusão que eu não queria pra mim. — Perder aquela criança foi como perder você, Sasuke. Por mais que vocês sejam pessoas diferentes, existe uma ligação.

— Eu preferia que isso não fosse verdade.

— Ela também não. Em momentos delicados, principalmente no caso de uma cirurgia, a nossa racionalidade precisa estar presente por completo ou o mais completo possível. Eu sei da capacidade da minha filha e também que ela fez tudo que tivesse ao seu alcance, a pediatra chefe assistia a cirurgia. Mas quando Sakura percebeu que o menino não reagia aquilo a atingiu em cheio, ela não conseguiu nem dizer o horário da morte.

— Isso eu não sabia...

— Sakura já passou por lutas que nem imaginamos em passar, Sasuke. Não existe armadura invencível, assim como a felicidade, a dor sempre pode chegar. O que ela sente hoje, logo vai passar por Sakura é assim. Ela levanta a cabeça e supera, porque ela é mais teimosa que a dor ou a tristeza. — bateu nos próprios joelhos. — Bom, pelo que eu vi hoje vocês finalmente se entenderam. Estou muito feliz com isso. — olhou pro relógio. — Acho que vou madrugar nos hospital hoje. Bom dia Sasuke e cuide bem da minha filhota.

Olhei a sala ao meu redor processando tudo pelo que já tinha passado ali e pelas palavras que tinha acabado de ouvir. Não pense que estaria aqui outra vez e muito menos nessas circunstâncias. Tudo naquela sala era como antes, assim como Sakura e eu. Na verdade, Sakura e eu estamos melhor que há nove anos.

Fui subindo as escadas mergulhando num mar de nostalgia até parar em frente a porta do seu quarto. Agora eu podia entender como ela se sentiu quando tinha ido a minha casa, e como se sentiu quando entrou no meu quarto.

Pude ouvir o choro que vinha do outro lado, no fundo eu sabia que ela chorava, mas eu também sabia que ela precisaria do seu espaço. Eu esperaria o tempo que ela precisasse, porque a partir do momento que eu aceitei Sakura em minha vida eu sabia que a levaria comigo pra sempre.

E agora mais do que nunca, ela jamais estaria sozinha.

Notas finais
Musica do cap: https://www.youtube.com/watch?v=O-Abl77MRiY E aí, o que acharam? Beijocas