Daylight
37 Despedida?
Notas iniciais
Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim.
(Pétala — Djavan)
Por Sakura
Minha estada em Konoha estava chegando ao fim... na verdade minhas férias estavam chegando ao fim e consequentemente a estadia em Konoha também. Mas depois eu voltaria como moradora definitiva.
Nem parecia que tinha se passado um mês, ou quase um mês na verdade. Hoje o dia amanheceu bastante ensolarado, altamente convidativo para um dia de sábado. Ino acertara outra vez, mesmo que a previsão dissesse que o dia seria de chuva.
Ela teve a brilhante ideia de fazer a minha "despedida" no salão de festas do Centro Comunitário de Konoha. Eu simplesmente adorei, aquele lugar era muito significativo pra mim. No domingo pela tarde eu estaria no voo de volta pra Tóquio.
"Só mais um mês, Sakura". Era o mantra que eu repetia pra mim mesma com tamanha ansiedade que eu tinha de voltar. Nem pareço a mesma Sakura que chegara como um bicho do mato, encolhida e que queria voltar o mais rápido pra sua vida apagada de "trabalho/casa casa/trabalho".
Aquele velho ditado "o mundo dá voltas" fazia todo sentido pra esse momento da minha vida. Tantas coisas aonteceram... boas e ruins.
A melhor de todas elas, com certeza foi Sasuke. Depois de tantos encontros e desencontros, trocas de afetos e provocações estávamos mais firmes do que nunca. Incrível a forma como ele e mudou e ao mesmo tempo é tão ele. Ino dizia que isso era coisa de mulher apaixonada, que Sasuke era o mesmo Sasuke chato de sempre, mas eu sabia que não.
Ainda tinha meus amigos e meu pai... era tão bom se sentir acolhida de novo e pertencer a um lugar novamente. Não me arrependo de ter ido a Tóquio, jamais. Mas com a cabeça e maturidade que eu tenho hoje, com certeza eu não partiria daquela maneira. Os erros ensinam, te moldam, te fazem crescer. Querer apagá-los é como apagar a sua existência, sua vida e seu aprendizado.
A pior coisa que me aconteceu foi o primeiro paciente que perdi o outro Sasuke da minha vida. Uma criança que nem ao menos poderia chamar a sua mãe de "mamãe", ou iria no primeiro de dia de aula ou daria o primeiro passo. É tão insano esse fio da vida, tudo tão inesperado, e simplesmente ele se rompe.
Eu nunca tinha perdido um paciente e levava isso comigo numa espécie de vitória utópica. Meus professores sempre me disseram que perder pacientes era inevitável e por mais que palavra fossem ditas, nada te prepararia pra quando acontecesse de fato. Nada te prepararia ao constatar aquele corpo inerte e sem vida na sua frente.
Eu tentei, por Deus como eu tentei. Era difícil, eu sabia, mas eu sempre operava meus pacientes como alguém que logo sairia saltitante dali, não literalmente, mas ele logo estaria fazendo isso. O fato do bebê se chamar Sasuke pesou ainda mais. Não é um nome comum e ainda é nome do cara que eu amo e carrego desde os meus cinco anos. A morte daquela criança representa um buraco na família, a inversão da ordem natural das coisas, era um pedaço de uma mãe e um pai. Um vazio que nem mesmo outro filho iria preencher. Só de imaginar a dor era insuportável. Dá aquela notícia foi uma das piores coisas da minha vida, eu reprimi tanto as emoções que explodi logo em seguida e só lembro de tudo ter ficado turvo dando espaço para escuridão.
Acordei com Sasuke deitado ao meu lado e tudo veio à tona. De fato, tudo aquilo tinha acontecido. Os braços de Sasuke parecia diminuir a dor, mas depois de muitos anos de choros solitários eu precisava de um momento só. Meu Uchiha teimoso pareceu entender o recado e me cedia espaço sempre que precisava, nem sempre tão sutil. Era admirável seu esforço. Durante toda a semana ele me buscou no hospital e dividiu até dangos comigo.
A conversa com a doida da Karin me ajudou muito, ela me alertou que antes de ser médica, eu sou um ser humano suscetível a dores e emoções de diversas formas. Yagura também preencheu minha semana com sorrisos e uma melhora considerável no seu quadro. E ainda, teve a porquinha que foi me visitar duas vezes nessa semana com a desculpa de falar da festa, mesmo sabendo que eu não acreditaria naquilo. Ela nunca falava da festa no fim das contas.
— Acordada, Haruno? — aquela voz rouca me arrepiou os pelos do pescoço me puxando pra uma deliciosa realidade. — Hoje é sábado, pode dormir um pouco mais.
Eu tinha convencido Sasuke a dormir comigo na casa do meu pai, que logo passaria a ser a minha outra vez. No início ele estava bastante resistente, preocupado com o que meu pai iria pensar, como se meu pai não soubesse que sua filha não tinha um hímen intacto desde os quinze anos. Era um iludido esse Uchiha.
Com muita insistência e uma sopa de tomate eu convenci esse ser mais teimoso do universo. Era nostálgico e deveras gostoso Sasuke no meu quarto outra vez. A noite passada foi incrivelmente deliciosa, regada de muito vinho, suor, gemidos e peças de roupas espalhadas pelo quarto. Papai não ter dormido em casa favoreceu e muito pra que eu não precisasse me conter, o plantão de Haruni Kizashi nunca fora tão favorável.
— Estou sem sono. — eram pouco mais de 08:30 da manhã. — Daqui a pouco temos que nos arrumar pra ir ao Centro comunitário pra minha falsa despedida.
— Ino marcou pra que horas?
— 14 horas, mas se eu conheço bem aquela porca ela já deve estar por lá.
— Que horas são? — Sasuke continuava com o rosto enterrado no meu pescoço, sua voz estava mais rouca que o de costume. Senhor, me ajude!
Me virei um pouco e peguei o celular no criado-mudo. Não era pouco mais 08:30 e sim 09:47 da manhã. Pensei tanto que nem vi o tempo passar.
— São 09:47h.
— Ainda tá cedo e eu tô moído da noite passada. — acusou-me e eu não pude deixar um sorriso escapar por meus lábios.
— É feito de açúcar, Uchiha? — provoquei. — Você já foi mais resistente.
— Não provoca, Haruno.
— E se eu quiser? — mordi os lábios em excitação e senti Sasuke sorrir contra minha pele. Eu estava terrivelmente e deliciosamente fodida.
— Aí ... — passou a me encarar com aqueles olhos negros e intensos. — Eu vou ter que acordar e te provar o contrário.
— É mesmo?
Eu sorria sacana e provocava Sasuke passando minhas mãos por cada parte do seu corpo, cada músculo, cada gomo daquela barriga, passando o dedo com leveza pelo caminho da felicidade. Até que senti o meu objeto de desejo despertar... Não pensei duas vezes e passei a acariciá-lo. Sasuke grunhiu baixinho fechando os olhos como se quisesse segurar o prazer pra si.
— Parece que alguém acordou primeiro que o dono. — eu adorava o provocar e era muito boa nisso, modéstia a parte. — Então, Uchiha, você é feito de açúcar?
— Nesse exato momento... humm – eu continuava as carícias porque eu queria que alguém perdesse o juízo. — Puta que pariu, Sakura... nesse momento... eu
— Nesse momento... eu? — eu dizia contra sua pele sincronizando a fala com a atuação das minhas mãos em seu membro perfeitamente ereto. Membro mais ereto é uma boa cominação logo de manhã. Isso resulta numa Sakura muito feliz e com a pele excelente.
— Nesse momento eu estou louco pra devorar você. — Sasuke disse de uma só vez sem vacilar e tomou meus lábios como quem precisa de água no deserto.
Era uma vez uma Sakurinha não mais inocente e sem pecados...
E ela transou loucamente para sempre.
...
Depois da nossa maratona de sexo matinal, Sasuke disse que tinha que passar em casa porque não tinha trazido roupas limpas pra reunião de mais tarde. Não reclamei, apesar de querer passar esse restinho de férias com ele. Vida de adulto nem sempre é tão legal, não sei porque a gente tem pressa de crescer.
Enfim... Não há muito a se fazer quanto a isso.
Me restava tomar um banho, comer alguma coisa e esperar Sasuke chegar pra me levar a festinha.
Ia me levantar pra tomar banho, se meu celular não vibrasse histericamente sobre o criado mudo. Será que Sasuke já estaria pronto? Não tem nem meia hora que ele saiu.
Pra meu alívio não era Sasuke, era Sasori. Aquele filho de uma mãe, cabelo de menstruação com ferrugem que praticamente me abandonou em Konoha por conta do seu mestrado em Suna.
— Olha se não é a calda de groselha que resolveu aparecer. — falei assim que atendi e ouvi Sasori bufar do outro lado. — Achei até que tinha me esquecido.
— Já acabou o drama, cabelo de chiclete? — indagou e essa foi a minha vez de bufar. — Como você tá?
— Bem. Estou com saudades, como você tá?
— Estou bem, tive alguns probleminhas, mas estão praticamente solucionados. — suspirou. — Meu orientador acabou trocando meu trabalho com o de outro orientando, que vinha plagiando o texto do nosso próprio orientador.
— Puta merda! — falei tentando conter o riso diante da burrice desse rapaz. — Plágio já é algo bastante sério e irresponsável, mas a lerdeza desse cara ultrapassa medidas estratosféricas. Mas como o professor trocou os trabalhos?
— Por conta dos sobrenomes. Como você sabe, o meu é Akasuna, só que o do infeliz é Akasuma. E o professor puto da vida não foi olhar nossos nomes, deu uma confusão dos diabos e nesse meio tempo minha vó ainda ficou adoentada, uma gripe forte e por conta da idade tudo fica mais complicado.
— Meu Deus, Saso. Que merda, mas como está Chiyo-baasama? — indaguei preocupada. A avó de Sasori era como minha avó também. — Ela está bem, não é?
— Está sim, mas ela é teimosa igual a uma chiclete que eu conheço por ai. — ele riu. — Não respeitou o repouso necessário.
— Baka. — fiquei aliviada, mas não deixaria de revidar. — Fico feliz que tudo esteja bem. Manda um beijo meu pra ela e diga que pedi pra ela nos visitar.
— Assim que estiver com ela dou seu beijo e ela vai comigo pra Konoha passar uns dias quando eu voltar.
— E você volta quando?
— Na segunda ou terceira semana de junho, não sei ao certo ainda. Resolvi terminar minha monografia de uma vez e me livrar disso. Deidara que não gostou muito, mas no fim ele entendeu.
— Ainda tinha esperança de te ver antes de voltar pra Tóquio, mas eu entendo sua decisão.
— Você volta quando pra capital?
— Amanhã pela tarde.
— Poxa, cabelinho de iogurte... nem deu tempo da gente conversar direito. Vou ter que esperar mais um mês pra te ver, é?
— Eu venho dois finais de semana pra Konoha, a gente vai se ver antes de um mês, cabelo de sangria.
— Pelo menos isso. — hesitou um pouco, mas logo voltou a falar. — Então... como está sua situação com Sasuke? Você estava tão tristinha da última vez que nos falamos.
— Por incrível que pareça Saso, estamos bem. — sorri débil. Mesmo que Sasori não visse meu sorriso, ele saberia que eu estaria sorrindo por conta da minha voz melosa e apaixonada. — Nos entendemos e estamos juntos. Ele estava agora pouco comigo. — dei mais um sorrisinho.
— Não acredito!!!! — dizia em êxtase. — Você estava dando pro moreno delícia e eu aqui preocupado com seu bem-estar. — ri alto diante de suas afirmações. — Você está melhor que eu, com certeza. Estou tão feliz por você Saky, precisamos logo nos ver pra você me contar tudo nos mínimos detalhes.
— Posso te falar agora, se quiser.
— Chiclete, isso merece ser ao vivo e regado a sakê.
— Como nos velhos tempos? — perguntei nostálgica.
— Como nos velhos tempos. — sorri. — Mas agora eu preciso ir, preciso voltar pra minha pesquisa e concluir isso.
— Tá certo então, Saso. Boa sorte com sua pesquisa e volte logo. Amo você.
— Obrigado, Saky. Use camisinha. Amo você.
Ia dar uma resposta desaforada a Sasori, mas ele já tinha desligado.
Ri que nem boba mais uma vez e decidi por fim tomar um banho pra me arrumar. Sasuke é um maníaco pontual e eu sou a rainha dos atrasos, melhor evitar conflitos.
Por Sasuke
— Sasuke? — indagou minha mãe batendo na porta do meu quarto. — Posso entrar?
Eu tinha chegado da casa de Sakura, mas tinha pressa em voltar pra levá-la a festa de falsa despedida. Meus pais, meu irmão e minha prima/cunhada estavam na sala de jantar almoçando quando eu cheguei, falei estritamente o necessário e vim até o meu quarto pra agilizar.
Eu estava meio sumido daqui mesmo, saía muito cedo, voltava muito tarde e ontem eu acabei dormindo fora mais uma vez. Eu sabia que minha mãe não estava gostando desse tipo de comportamento, mas eu já tenho 25 anos e sou dono do meu nariz. Não queria discutir, embora eu soubesse que ela viria mais cedo ou mais tarde falar comigo.
Suspirei para manter a calma.
— Pode entrar, mãe. — falei e ela logo entrou no meu quarto.
— Vai sair de novo, filho? — sua voz era calma e isso me deixava ainda mais assustado.
— A senhora sabe que sim. — me mantive sereno, ou tentei. — Hoje é a despedida da Sakura, até Itachi e Izumi vão.
Ela se sentou na beirada da cama de frente pra mim e passou o olho pelo quarto. Dona Mikoto nunca foi de fazer rodeios, talvez ela estivesse tentando não brigar ou se alterar como eu também estava tentando. Infelizmente, Sakura é um assunto tabu pra ela.
— Essa semana você esteve tão ausente. — dessa vez ela me encarava. — Senti sua falta.
— Eu precisei estar ausente mãe, aconteceram algumas coisas e eu não podia estar aqui.
— Entendo... — deu um suspiro alto e continuou. — Você e ela... estão juntos, não é?
— Se a ela que a senhora está se referindo for a Sakura, então é ela mesmo. — custava minha mãe chamá-la pelo nome?
— Mesmo depois de tudo, Sasuke? — o tom irônico em sua voz era evidente. — Depois do abandono, dos anos sem qualquer tipo de contato fingindo que você não existia? Sem contar as lágrimas que você chorou por ela... Ainda assim vocês estão juntos?
Eu queria gritar, explodir... eu estava com raiva. Eu sofri? Claro que sofri, mas minha mãe não cansava de jogar isso na minha cara, me colocando como o coitadinho da história, o menino frágil e indefeso.
É foda quando você tenta esquecer algo, seguir em frente, mas sempre tem alguém que quer te afundar naquela dor. O pior de tudo é quando sua mãe decide fazer isso.
Mas não, não valia a pena brigar. Nada que eu dissesse iria adiantar, ela retrucaria e procuraria uma brecha pra brigar e mostrar que eu estou errado.
Suspirei e a encarei de forma séria.
— Sim mãe, estamos juntos outra vez e muito mais felizes do que antes. – ela bufou em resposta. – Eu não quero e nem vou brigar com a senhora, então por favor não venha me convencer do contrário.
— Vamos ver até quando dura essa felicidade toda. – se levantou e antes de sair do quarto me avaliou outra vez. – Depois não diga que eu não te avisei.
E saiu do meu quarto.
Não tinha muito o que fazer, logo eu estaria fora de casa, mas não queria que a situação entre minha mãe e eu ficasse desse jeito.
Por hora, paciência, era o que me sobrava.
Fui terminar de me arrumar, ainda tinha que buscar Sakura. Espero que meu mau humor passe logo.
(...)
Antes de sair de casa falei com Itachi, ele chegaria um pouco mais tarde a reunião, mas não iria faltar de jeito nenhum.
Quando estava chegando próximo ao carro vi que me pai se concentrava em molhar as plantas do jardim que ficava em frente a nossa casa. Isso sim é uma novidade.
— O senhor molhando as plantas? – falei divertido.
— Sua mãe e eu discutimos. – disse dando de ombros. – Quis dar um tempo e resolvi molhar as plantas. Ajuda a pensar.
— E porque vocês discutiram?
— Porque eu disse pra ela não ir no quarto te dizer as coisas que eu imagino que ela disse. – desligou a mangueira. – Sua mãe é tão teimosa, filho. Ela acha que você ainda é aquele garoto não de cinco anos que chorou quando a Sakura rasgou a cabeça do seu dinossauro de pelúcia verde na escolinha.
— A Sakura é realmente muito cruel. – disse divertido e meu pai riu. — Nem lembrava mais que ela tinha rasgado minha pelúcia preferida.
— Sua mãe nunca esquece! – dessa vez quem riu fui eu. — Você não sossegou por dias e nunca conseguimos achar outro igual.
— Como vocês contornaram a situação?
— Graças a Sakura. Ela levou pra casa e pediu pra Mebuki fazer uma "cirurgia" nele.- com a mangueira ainda em mãos fez o sinal de aspas quando se referiu a cirurgia. — Depois disso, Sakura virou sua super heroína. Foi a primeira vez que sua mãe ficou com ciúme dela.
— Céus, como minha mãe é complicada. Eu era apenas uma criança.
— Eu sei filho, mas na cabeça de sua mãe ela tinha que ser a única pra você. — revirei os olhos em resposta. — Não é que ela não goste de Sakura, ela só não quer que você se machuque de novo, Sasuke. Ela precisa de um tempo até se acostumar com tudo isso.
— Eu dou o tempo que ela quiser, desde que ela não procure briga pro meu lado. Não foi uma decisão fácil, pai. Sakura e eu penamos muitos pra estarmos juntos hoje. Eu também tenho medo, mas não quero e não vou deixar ele ser maior do que eu sinto por Sakura. No fundo, eu colocaria minha conta em risco quantas vezes fossem necessárias. Você me entende?
— É claro que eu te entendo, filho. Eu sinto o mesmo por sua mãe. — me deu um tapinha no ombro. — Quando você for pai um dia vai entender que até quando erramos tentamos acertar, com sua mãe não é diferente. Dê um tempo a ela.
— Vou fazer isso. — na verdade eu não teria outra opção. Brigar mais com minha mãe realmente não estava nos meus planos. — Mas se ela brigou com você, quer dizer que você apoia a minha decisão. — não era uma pergunta. Era uma afirmativa e eu me agarrava a ela.
— É claro que sim, Sasuke. Eu adoro a Sakura e sei que vocês e amam. — me lançou um sorriso. — Não tem porque não ficar ao seu lado nessa questão.
— É bom ter seu apoio e do Itachi.
— Vocês vão manter um relacionamento a distância?
Esqueci que pouca gente sabia que Sakura voltaria e não fazia mal contar a verdade a seu Fugaku agora. Pelo contrário, ele ficará ainda mais feliz.
— Sakura vai voltar a morar em Konoha. — disse e pude ver a surpresa diante dos seus olhos.
— Mas você não ia pra despedida dela agora?
— Basicamente. Pouquíssimas pessoas sabem que ela vai voltar.... Ino resolveu fazer uma despedida e Sakura vai aproveitar pra dar a notícia.
— Ah, sim. — ele pareceu absorver a informação. — Sakura é muito esperta.
— Ela é...
— E você é mais novo bobo apaixonado do pedaço. Eu, você e Itachi podemos formar um time.
— Muito engraçadinho, pai. — ele riu e eu senti minhas bochechas ficarem vermelhas. Ótimo. — Bom, eu preciso ir.
Dei um abraço em meu pai e segui rumo ao carro.
Estava atrasado e eu odeio atrasos.
No caminho até a casa de Sakura fiquei pensando sobre o comportamento da minha mãe... por mais que meu pai pedisse tempo e consequentemente paciência, tudo isso me parecia difícil. Sakura e eu tivemos um trabalho grande pra podermos no entender. Eram tantas feridas abertas, agora já cicatrizadas, pra minha mãe chegar agora e me dizer essas coisas.
Passei tanto remoendo sobre isso que perdi qualquer linha raciocínio quando dei de cara com Sakura a minha espera em frente a portão da sua casa. Minha nossa.
Ela estava linda dentro daquele vestido verde e all star branco... parece até minha Sakura de nove anos atrás, mas ainda mais bonita.
Meu pai tem toda razão.
De fato, eu sou o novo bobo apaixonado.
Se ela usasse um saco de batatas comum barbante amarrado na cintura ela ainda seria a criatura mais linda nesse mundo.
Piegas, eu sei. Estou apaixonado. Me julguem.
Sakuar se aproximou do carro e eu baixei o vidro do lado carona. Ela se apoiou na janela e me lançou seu sorriso caloroso com brilho nos olhos.
— Será que o senhor poderia dar uma carona a uma pobre donzela perdida na cidade grande?
Eu ri.
— Acho que o seu dia de sorte, senhorita. — ela se afastou da porta e eu puxei a trava abrindo a porta pra ela.
Sentou ao meu lado e me deu um selinho demorado. Difícil a vida, não mesmo? Acho que não pra mim.
— Você demorou. — ela disse, mas não era em tom de advertência. — Pensei que tinha acontecido algo. Você nunca se atrasa. — ela me conhecia bem demais.
— Não aconteceu nada. Apenas fiquei conversando com meu pai e perdi a hora. — preferi abster Sakura da verdade, pelo menos por enquanto. Não queria estragar o momento.
— Ah, sim. Fico mais tranquila. — me deu mais um selinho. — O senhor está muito bonito e muito cheiroso também.
— Devo confessar que a senhorita está um tanto encantadora e linda neste vestido. — sorri malicioso. — Esse decote desperta e muito minha imaginação. Estou pensando seriamente em desviar a rota.
— Você fala do meu decote, mas não viu o tamanho da calcinha que estou usando por baixo dele.
— Céus, Sakura. — essa mulher vai me matar. — Até dois minutos atrás você era uma donzela perdida na cidade grande.
— Querido, estou longe de ser donzela e Konoha está muito distante de ser uma cidade grande. — ela riu. — Mas a calcinha é um fato verídico.
— Está decretado, vamos mudar a rota. — disse batendo a mão direita contra o volante.
— Não precisa. No jardim tem bangalôs e nós conhecemos bem isso. — me lançou uma piscadela e sorriu marota. — Podemos dar uma escapadinha a qualquer hora.
— É, você tem razão senhorita. Muito pertinente sua colocação.
Trocamos mais um beijo demorado e liguei o carro em seguida.
O dia seria definitivamente longo.
Eu também tinha outras coisas a acertar.
Por Sakura
O lugar estava lindo, simples, ao ar livre e aconchegante. Ino acertara em tudo, aquela filha da mãe tem um bom gosto maravilhoso. Era uma festa reservada, no máximo trinta pessoas ou um pouco mais. Algumas mesas estavam forradas com uma toalha na cor lilás ou rosa, além de um arranjo com flores brancas em cima. As cadeiras de acrílico transparente ornavam perfeitamente.
Fora o cheirinho de carne e batata frita que sobressaía. Eu não sabia que seria um churrasco, ela tinha me escondido essa informação. Meu estômago fez questão de se mostrar presente. E pra me deixar ainda mais feliz tinha uma mesa apenas com doces. Era tanto dango que eu perdia a conta.
Notei que todos meus amigos estavam lá. Inclusive Temari e Shikamaru com o pequeno Shikadai, De fato, não era recomendável, ele ainda não tinha uma semana, e nem cumpriu o cronograma de vacinas, mas eu tenho certeza que não demorariam por lá.
Todos foram notando a minha presença a cada vez que me aproximava. Olhavam de mim pra Sasuke e só agora eu tinha percebido que nossas mãos estavam entrelaçadas. Busquei os olhos de Ino e não demorei pra achar aquelas pedras azuis e aquele sorriso malicioso em seu rosto. Olhei pra Sasuke, que me olhava de volta. Sorri. Nós estávamos felizes demais pra guardar isso por mais tempo.
— Olha, se não é a nossa ilustre homenageada que acaba de chagar. — anunciou Ino, mesmo todos já tendo notado a minha presença. — Chega mais Testuda e você pode participar também, Uchiha.
Sasuke revirou os olhos em resposta. Era uma troca de amor esses dois, que só vendo.
— Porquinha. — disse indo em sua direção. Sasuke soltou minha mão para nos dá privacidade — Está tudo tão lindo. Obrigada.
— Você merece, testa. — me abraçou fortemente. — Que chegada triunfal foi essa? De mãozinha dada e tudo? Não foi só a mão que foi dada, né? Sua pele está incrível. Você deve ter trepado horrores, olha o tamanho desse sorriso. — disse aos sussurros. Ainda bem.
— Vai se foder Ino. — a repreendi e ela riu na minha cara. Vaca. — Estamos juntos, porca maldita.
— Querida, está meio óbvio, né? Por que você demorou pra me contar? Na verdade desde quando vocês estão juntos?
— Uma coisa de cada vez, porca. Te explico tudo ainda hoje, mas antes eu preciso falar com todos e dar um aviso.
— Aviso? Que porra é essa, Sakura? — ela estava irritada e eu sabia que era por conta de mais um segredo,
— Você vai saber, Prometo que é coisa boa.
— Ai minha nossa. Você também tá gravida? — perguntou com as mãos no rosto. A minha sorte foi que ela não gritara.
Puta que pariu.
Quase tive uma síncope.
Meu Deus, Ino é louca. E eu sou mais ainda por andar com ela.
Coloquei a mão no peito e respirei fundo ou meu coração saía pela boca.
— Não.é.nada.disso.Ino. — falei entredentes parecendo que o capeta tinha incorporado. — Você vai saber na hora certa.
Dei um beijo na testa dela e fui falar com o pessoal.
Notei que Sasuke já estava junto a Naruto e Itachi. No mínimo sendo bombardeado de pergunta.
Cumprimentei Temari e Shiakamaru primeiro. Fiquei com uma vontade de morder as bochechas de Shikadai, mas me contive, óbvio.
— Gaara e Kankuro mandou beijos e abraços pra você. — disse Temari. — Gaara ainda disse pra você não demorar a voltar ou ele vai te buscar em Tóquio.
— Ele mesmo já me disse isso. — disse enquanto alisava o cabelo espetado de Shikadai.
— Ele me pediu pra avisar de novo. — senti Temari hesitar um pouco. — Lembra que eu falei que tinha que te contar um segredo... bem... aquilo foi... loucura da minha cabeça, sabe? Eu não estava no meu juízo perfeito.
Eu nunca vi Temari perder as estribeiras. Shakimaru também estava inquieto. Pelo visto ele também sabia. Com toda certeza aí tinha e eu iria investigar, mas por hora eu diria que está tudo bem. Recuar também é uma estratégia.
— Está tudo bem, Tema. Foi uma situação deveras complicada, tá tudo bem. — sorri tentando soar o mais verdadeira possível. — Não tem com que se preocupar.
Mentira. Tem sim.
— Tudo bem. — ela estava meio incerta, mas pareceu acreditar na minha boa índole. — Já que falamos com você, estamos de saída Saky. Shikadai é muito pequenininho e por mais que tenha sono de pedra como o pai eu fico preocupada com toda essa exposição.
— Também acho melhor, Tema. — devolvi Shiakadai para os braços dela. — Obrigada pela presença dos três.
Temari e Shikamaru se despediram e foram embora logo em seguida.
Perto da churrasqueira estavam Kiba, Shino, Lee, Karui e Chouji. Cumprimentei cada um deles e fui na mesa onde estavam minha madrinha Tsunade, Jiraya, Rin, Kakashi e Iruka. Tsunade me avisou que Shizune chegaria mais tarde junto com meu pai.
Voltei minha atenção as duas mesas mais badaladas do lugar. Ino, Sai, Naruto, Hinata, Karin, Itachi, Izumi, Tenten, Neji e meu Sasuke estavam por lá. Cada qual entretido em seu subgrupo de conversas. Cumprimentei a todos, exceto Ino e Sasuke, obviamente.
Estava distraída conversando com Hinata sobre o tempo em que passara na casa do meu pai e ouvindo um pouco das suas queixas de saudade quanto a minha presença até Itachi a aparecer e me puxar educadamente, só que não, até um canto para conversar. Mereço.
— Finalmente você e meu irmão saíram daquele fode e não sai de cima, né? — disse e depois deu um gole em seu sakê.
— Querido, a gente fode em diversas posições. — falei o óbvio e Itachi caiu da gargalhada. Coitado tava tão vermelho quanto o cabelo de Karin.
— É por isso que... — puxou o ar com força. — É por isso que eu prefiro você a meu irmãozinho tolo. Se eu tivesse dito isso a ele assim, ele teria me dado um murro certeiro no queixo e mandado eu me foder.
— Alguém tinha que ter senso de humor nesse relacionamento, né? — dei de ombros.
— Então tá sério mesmo, é? — assenti. — Como Sasuke a pediu em namoro?
— Por favor, Itachi. Sasuke e eu não precisamos disso. São formalidades juvenis.
— Você tem razão. — Itachi deveria está mesmo bêbado para concordar. — Fico feliz por vocês, rosinha. Não pensei que dois cabeças duras demorassem tanto pra se acertar. Mais um pouco e eu trancava vocês em um cômodo escuro.
— Não. Já basta a surpresa que você e Naruto prepararam. — sorri com a lembrança. — De qualquer forma, obrigada.
Itachi abriu os braços e eu me joguei como uma criança pequena que busca colo. Ficamos assim por um tempinho até eu me lembrar do aviso que eu tinha que dar.
Reuni todo o pessoal naquela salão, que era o menor do local, mas parecia tão grande quando eu tinha todas as atenções voltadas pra mim.
Olhei pra Sasuke e ele me deu uma piscadela. Respirei fundo e voilá.
— Bem, antes de mais nada. Eu gostaria de agradecer a Ino por essa reunião maravilhosa. — as palavras fluíam com tranquilidade. — Obrigada, porquinha. — a diaba loira estava com lágrimas nos olhos. Suspirei pra me acalmar. — Obrigada a cada um de vocês por estarem aqui, me sinto lisonjeada e muito feliz. — a hora era agora. — Eu sei que a ideia hoje era uma despedida, porque estarei retornando pra Tóquio amanhã. De fato, eu volto pra lá, mas dentro de um mês eu voltarei e voltarei para ficar de vez em Konoha.
Silêncio sepulcral.
Mas que diabos, ninguém tinha ouvido o que eu tinha acabado de dizer?
Busquei o olhar de Sasuke e ele estava tão perdido ou mais do que eu.
Definitivamente eu queria que o chão se abrisse pra que eu pudesse me enfiar por completo ali.
— Agora, rapazes. — anunciou Ino e de repente confetes coloridos começaram a estourar no ar.
Tenten, Hinata e Karin tinham uma faixa em mãos com a seguinte frase:
Bem-vinda de volta, Saky!!!
Elas sabiam, todos sabiam.
Mas como?
Que pessoa fodida, eu sou. Nem uma surpresa eu sabia fazer.
Karin, Ino, Hinata, Tenten e Karui vieram me abraçar de uma só vez e só não pularam por conta das gravidezes de três ali.
— VADIAS!!!!!! — gritei, mas não estava com raiva. Só queria entender. — Como vocês sabiam?
— Uma velha, peituda e tarada não conseguiu ficar calada. — disse Ino.
— Tsunade?! — perguntei desacreditada.
— E quem mais seria? — indagou Tenten.
— Eu tinha suspeita. — confessou Karui. — Mas Tsunade confirmou.
— Calma aí, cabelo de chiclete. — disse Karin apertando minha bochecha. — A gente só quis devolver a surpresa.
— Você não tá feliz, Sakura-chan? — indagou Hina com aquela voz doce que só ela tem
— É CLARO QUE ESTOU. — gritei sentindo a voz falhar embargada pelo choro. — Abraço coletivo mais uma vez!
E mais uma onda de risadas, abraços e gritinhos tomou conta de todas nós.
Esse estado de felicidade poderia durar pra sempre. Eu não me importaria.
Fui abraçar meus amigos também e depois fui tirar satisfação com Dona Senju Boca Grande Tsunade. Mas ela estava cagando pra mim, culpa do sakê.
— Sakura, querida. Você precisa saber que é importante pras pessoas, além daquele Uchiha antissocial. — deu um gole no seu sakê. — Fora que temos três grávidas aqui. Imagina uma série de partos em massa?
— É... talvez você tenha razão. — anui a contragosto. — De qualquer forma, obrigada Tsu.
— Não há de quê, afilhada querida. — me deu um abraço sufocante com aqueles seios enormes. — Vá aproveitar sua festa, porque eu vou fazer a minha festa particular na cama lá de casa. Vá trepar também Saky. Faz bem pra pele.
Como faz pra desouvir um negócio desse, minha gente?
Puta que pariu!!!
Nem deu tempo de responder. Ela saiu puxando Jiraya pelo braço. Os dois estavam bêbados. Queira Deus que chegassem vivos em casa.
Foquei o olhar no jardim de cerejeiras e a vontade de visitar a minha velha e conhecida árvore se abateu sobre mim. Voltei meu olhar para as pessoas e todas elas estavam concentradas em suas conversas. Não sentiriam a minha falta por ali.
Acho que se eu pudesse pular esse mês eu o faria. Não me aguentava de ansiedade pra voltar. Meu coração palpitava, minhas mãos tremiam e minha mente não conseguia se focar em apenas uma coisa.
Cheguei na minha cerejeira favorita e logo passei a mão naquela marca que estivera ali por anos. Minha marca com Sasuke. Fechei os olhos enquanto a acariciava e vi todos os momentos da minha vida com ele se passarem em minha mente. Era intenso e forte demais. Muitos caminhos tortuosos e complicados, a felicidade e alegria eram ainda mais saborosas e significativas.
Senti um gosto salgado na boca... eu estava chorando, mas chorando de felicidade pelo turbilhão de emoções que eu estava sentindo. Me sentei naquelas raízes e permiti que a brisa primaveril enxugasse meus olhos e me mostrasse toda sua leveza.
Fiquei tanto por ali que nem notei que alguém se aproximava.
Era ele.
Com um sorriso maroto nos lábios e um dango em mãos. Gente como faz pra guardar num potinho?
— Um dango por seus pensamentos. — ele diz e eu sou toda sorrisos. Foi a mesma coisa que ele disse no dia do casamento de Naruto e Hinata, neste mesmo lugar.
— Estava pensando em nós.
— Hum... — colocou a mão no queixo. — Nós, parece muito bom.
— Muito bom. Extraordinariamente bom.
— Posso me sentar? — ele indaga cauteloso. Ele vem respeitando tanto o meu espaço.
— Você deve. — digo e ele sorri.
Sasuke não se senta ao meu lado, ela senta atrás de mim e coloca suas pernas a minha volta. Ousada e folgada que sou, uso seu peito como travesseiro.
— Muito melhor. — digo sentindo a respiração de Sasuke na minha orelha.
— Concordo. Bom... — hesitou um pouco. — O que você estava pensando sobre nós? — surpreendentemente ou não ele dá uma mordida no dango. Alerta Sasuke não está bem, embora a semana inteira ela tenha comido um pouquinho comigo.
— Você comendo dango? — eu nunca deixaria de perguntar.
— Apenas pra tirar o gosto de batata frita da boca. — dá de ombros e coloca o dango em minhas mãos. — Você não respondeu a minha pergunta.
— Estava pensando sobre tudo, oras. O dia que a gente se conheceu, a nossa amizade, nosso primeiro beijo, pedido de namoro, aniversário de namoro, nosso término, quando eu te vi depois que fui embora, minha volta, quando eu te vi dentro daquele bangalô e seu olhar pesado sobre mim. — Sasuke me apertou um pouco mais contra ele numa espécie de apagar lembrança. — A minha queda em cima de você naquela mesma noite... — sorri e ele também. — nossa briga no dia seguinte, nossos encontros e desencontros, nossas alfinetadas e trocas de carinhos, no dia que você me levou pra ver estrelas e agora aqui. São tantas coisas, Sasuke. Eu sou tão grata por tudo isso. O amor em si já é algo mágico, quando correspondido então... Ele tem uma força absurda. Fala por si... Eu te amo, Uchiha.
Silêncio... Sasuke estava mudo. Parecia reflexivo.
Assimilava as palavras e eu pude ver um sorriso escapar.
Me apertou e passou a me encher de beijos pelo rosto, pescoço. Onde pudesse ele tava beijando.
— Eu te amo, irritante. — disse ofegante. — Mas vamos fazer isso aqui direito.
— Como assim? — indaguei curiosa.
— Você quer namorar comigo, Senhorita Haruno?
— Sasuke... — podia ouvir as batidas do meu coração com a surpresa e era capaz dele ouvi-las também. — Eu pensei... que nós já estivéssemos...
— Não é um namoro se não tem um pedido, oras. — sorriu brincalhão. — Eu ainda tenho um pezinho na velha guarda. Mas você ainda não respondeu a minha pergunta.
— Mas é claro que eu aceito, seu idiota. — dei um abraço de urso no meu agora, oficialmente, namorado.
— Carinhosa como uma granada. — disse me arrancando um selinho. — Ah, já ia me esquecendo.
— Do quê?
— Apressada... Só um minuto. — passou a vasculhar o bolso da sua bermuda cinza e tirou de lá uma caixa de veludo preta com um laço cor de rosa. Não, não parecia ser um anel. — Aqui. — me entregou.
— O que é isso, Sasuke? — perguntei sentindo todo peso do mundo naquela caixa.
— Você só vai descobrir se abrir. — me lançou uma piscadela. Ele também parecia ansioso.
Desfiz o laço sem tirar os olhos daquela caixinha, eu estava nervosa demais pra olhar pra Sasuke, ele se contentaria com a minha reação. Assim eu esperava.
Mas não durante muito tempo.
Laço desfeito, coração na boca, então busquei aqueles olhos negros curiosos e ganhei mais um sorriso. Era a minha deixa.
Abri e pra minha surpresa era uma das coisas mais lindas que eu já vi.
— Sasuke... — disse surpresa. Podia sentir meus olhos marejados. — É lindo...
E definitivamente delicado. Dentro na caixinha tinha uma corrente de ouro, não muito fina e nem muito grossa. Mas meu foco foi todo para o pingente. Era uma estetoscópio, que tinha as hastes em formato de coração, cada oliva auricular tinha um brilhante e no receptor uma esmeralda.
Minha nossa!
Eu estava boba e descrente. Eu estava um misto de emoção, na verdade. São muitos sentimentos para catalogar. Me perdoem por isso.
— Você gostou? — indagou Sasuke um tanto receoso.
— Se eu gostei? — ele assentiu eu em resposta. — Eu amei, Sasuke. É perfeito, é lindo... estou sem palavras.
Lhe dei um beijo e pude sentir que agora as lágrimas não estavam mais presas aos meus olhos, como escorriam por todo meu rosto. É real, deliciosamente real.
— Eu te amo, te amo, te amo, te amo... — falava contra seus lábios e Sasuke sorria como um menino bobo. — Posso falar mil vezes e nunca será o suficiente.
— Eu me sinto da mesma forma, meu amor. — ah, como é bom ser chamada de meu amor. — Posso colocar em você? — apontou o queixo pra caixinha em minhas mãos.
— Por favor...
Sasuke pegou o colar com toda delicadeza do mundo e abriu o fecho para colocá-lo no meu pescoço. O metal dourado estava gelado quando foi de encontro com a minha pele quente.
— Pronto.
— Como estou? — perguntei já virada pra ele.
— Ainda mais linda do que já é.
— Bobo.
— Por você muito mais que isso, Irritante.
Selei nossos lábios mais uma vez.
(...)
Ficamos agarradinho por bastante tempo, mas o sol já estava se pondo e meu pai tinha chegado com Shizune, que esperava encontrar a mãe e o padrasto aqui, mas não se surpreendeu com a falta deles.
Já de noite só restavam no recinto eu, Sasuke, Tenten, Neji, Hinata, Naruto, Itachi, Izumi, Ino, Sai e Karin.
— Puta merda!!!!! — bradou Karin. — Eu não sou mais uma vela, eu sou o castiçal inteiro por aqui. Minha nossa, é casal que não acaba mais.
Todos caíram na gargalhada!!!!!!
— Você só tá solteira porque quer. — eu disse como quem não queria nada. — Conheço um que adoraria ser seu par. — pisquei pra Sasuke e a ruiva pareceu captar a mensagem.
— Mas nem fodendo, dona Sakura. — disse Karin nervosa com as bochechas da cor do seu cabelo. — Sui é estranho... tem cabelo branco com mechas azuis e olho dele é roxo. ME POUPA SAKURA. — a gritaria é tradição da família Uzumaki.
— Sui, né? — disse Sasuke. — Já está intima assim, é Karin? E outra, como você sabia que Sakura falava dele?
— Eu a vi piscando pra você, seu idiota. — Karin ficava cada vez mais nervosa. — E é Sui porque... porque... porque o nome dele é complicado. Pronto.
— Nome complicado, Karin? — dessa vez Naruto se manifestou. — Nunca vi você sem jeito pra falar de homem. — colocou a mão direita no queixo pensativo. — Isso é amor, tô sentindo.
— VÃO A MERDA TODOS VOCÊS. — gritou Karin e tomou seu sakê de uma só vez. — Tchau, insuportáveis.
E assim, um cometa carmim passou por nós. Karin foi realmente embora. Louca.
Ficamos todos atônitos até cairmos na gargalhada outras vez.
Depois dessa saída flamejante, Itachi e Izumi também resolveram ir embora também. O casal estava cansado.
(...)
Como em toda festa, uma hora os meninos se reúnem de um lado e as meninas se reúnem de outro. Eu tinha coisas a investigar.
— Então quer dizer que você e o Sasuke estão juntos, testudinha?
— Sim, porca. Nós estamos.
— Finalmente. — disse Hinata levantando as mãos pros céus.
— Depois de tanto trabalho. — sussurrou Tenten, mas eu ouvi assim como Hinata e Ino que se entreolharam em pânico.
— Como assim depois de tanto trabalho, Tenten? — indaguei curiosa e eu vi a morena encolher os ombros, mas logo recuperou a postura .
— Vocês são dois cabeças duras, né linda? — disse Tenten. — Deu trabalho montar pla...
— TENTEN. — gritou Ino. — CALA A BOCA.
Hinata ficou parecendo um pimentão de tão vermelha que estava. Ah, mas vai dar merda.
— Cala a boca uma porra. — disse irritada. — Falem agora!!!! Temari já tinha largado algo parecido e agora eu tenho certeza que tem coisa por aí. Abram essas bocas a.go.ra.
— Merda. — praguejou Hinata.
— Fodeu! — dessa vez foi Ino.
Tenten parecia muito tranquila e tomava seu sakê com elegância. Nem parecia que estouraria uma bomba nuclear nesse centro comunitário.
— Calma minha cara, o mundo não vai acabar. — disse Tenten com toda pompa. — Nós fizemos o que achamos correto a se fazer. Não é nada demais, ok? Aliás você está com a pele ótima. Está dando muito não é mesmo?
Que diabos que esse povo tirou pra falar da minha vida sexual – que está ótima por sinal – e da minha pele também? Eu já sabia disso, OK?
— Vai se ferrar, Tenten. Não interessa ou que eu dei ou deixei de dar, mas que diabos. — eu tava puta, muito puta, putassa eu diria. — Dá pra vocês falarem o que vocês fizeram?
— Da primeira ou da segunda vez? — perguntou com certo cinismo Tenten.
— Puta que pariu!!!! — bradou Ino. — Cala a merda da boca Tenten, sua traíra filha da puta.
— Saky, por favorzinho.... — veio Hinata toda fofa.
— Hinata... não começa. Eu só quero saber a verdade. — pedi.
— Tudo bem. — disse a Uzumaki. — Bom, eu sabia que você e Sasuke se encontrariam no casamento e eu estava morrendo de medo do que poderia acontecer. Acabei desabafando com Tenten e ela teve um plano.
— Plano?! — indaguei sem entender porra nenhuma.
— Sim, Sakura. — disse Tenten. — Quando Hinata me falou, até eu fiquei com medo de vocês se matarem e tomei a iniciativa pra que tudo ocorresse bem. Basicamente, Jiraya e Tsunade não sumiram à toa e você entrou ao lado de Sasuke. Diria até que vocês são o melhor casal de padrinhos que o Japão respeita.
— Eu... não... acredito nisso. — disse. — Ino, você sabia disso?
Vi Ino se encolher pra me responder. Inferno.
— Eu acabei descobrindo testa, mas bem depois do ocorrido. — defendeu-se.
— Mas isso não impediu que vocês tivessem outro plano mirabolante, não é mesmo? — esbravejei. — Qual foi o outro plano de vocês? Trancar Sasuke e eu num quarto pra fazermos as pazes?
— Calma, lá rosinha. — interviu a mulher de Neji. — Nós temos classe, ok? Isso é plano de adolescente. — bufei em resposta e ela soltou um longo suspiro. — As meninas vieram me procurar...
— Ino chamou a mim e a Temari. — se intrometeu Hina. — Fomos almoçar na floricultura e ela disse o quanto aflita estava por sua conta e do Sasuke. Eu acabei falando, sem querer, que Tenten tinha me ajudado no casamento. Como não conseguimos pensar em nada, fomos atrás da minha cunhada.
— Elas chegaram lá e montamos um plano. Na verdade, já estava praticamente tudo favorável pra que vocês se entendessem. — explicou Tenten. — Vocês ficariam sozinhos no quarto lá em Suna, porque Karin não iria mais. Iriam conversar uma hora ou outra. Só colocamos o colchão de ar no meio pra ficar tão evidente.
— Não entendi porra nenhuma. — levantei as mãos em questionamentos.
— Muito simples. — disse Ino um pouco menos afetada. — Estávamos confiantes que vocês se entenderiam, apesar de quase se matarem durante aquela viagem. Minha nossa é muito amor reprimido.
— Sério, Ino?
— Seríssimo, Saky. — disse Hinata chamando minha atenção. — A Ino-chan está coberta de razão. Meu Deus, se saísse bala do olhos de vocês, era troca de tiro na certa. Como a gente sabia que vocês estavam em pé de guerra e ficaria pior dividir o quarto, inserimos o bendito do colchão, mas...
— Ele estava completamente inutilizado. — se intrometeu Tenten. — Temari fez daquele colchão uma verdadeira peneira, ou seja, por mais que Sasuke tentasse encher não ia adiantar e a gente sabia que você não seria tão ruim pra deixar ele dormir no chão. Vocês dividiriam a cama de qualquer jeito. O que viesse é lucro, querida!
— Eu achei que não daria certo. — disse Ino de forma analítica. — Porque era tudo muito simples. Mas Tenten disse que o pulo do gato é a simplicidade. Planos mirabolantes demais sempre dão errado.
— Isso é um fato, minha cara. — disse Tenten orgulhosa de si mesma.
— Eu estou chocada com vocês. — desabafei. Eu tava puta e não tava.
— Foi com a melhor das intenções. — disse Hina com aquele jeito fofo dela que a gente tem vontade de guardar no potinho. — Desculpa.
— Eu... eu não sei o que dizer. — suspirei fundo pra manter um pouco de racionalidade. — Eu estou e não estou chateada, confusa eu diria, mas peço que não se metam mais nisso, por favor.
Me retirei.
Eu não tinha condições de ficar ali, eu tinha todo direito de estar chateada por isso. Eu sabia que elas tinham feito aquilo com a melhor das intenções, mas não é tão simples assim. Minhas amigas entraram numa seara que não competia a elas, poxa!!
— Testa... — disse Ino vindo na minha direção. — Me desculpa, por favor. Eu não fiz por mal.
— Eu sei que não Ino, mas você dividiu coisas que eu apenas tinha contado pra você. Você é minha melhor amiga, porca. Eu não esperava por isso, só preciso de um tempo pra pensar sobre. Esse tempo em Tóquio vai me fazer bem nesse quesito.
— Mas Sakura...
— Eu estou te pedindo um tempo, Ino. Acho que eu tenho esse direito.
— Sim, você tem. — concordou a contragosto. — Acho que já deu de festa por hoje.
— Também acho.
Me despedi dos meus amigos, as meninas sabiam porque eu estava daquele jeito, mas não me disseram nada. Falei com elas "normalmente" e agradeci a Ino mais uma vez pela festa.
Sasuke ia me levar até a casa do meu pai.
— Você tá estranha, o que foi que aconteceu? — indagou o Uchiha no caminho.
— Descobri umas coisas hoje e não gostei. Mas não quero falar sobre isso.
— Certeza?
— Sim, certeza.
Um silêncio tomou conta daquele carro e me ajudou a refletir o quanto eu era idiota. Não podia ter feito aquilo com Ino. Aquela porca sempre se preocupou comigo e cuidou de mim quando ninguém mais cuidaria.
Foi um deslize? Foi.
Mas foi com a melhor das intenções e com muito amor.
— Sasuke, toca pra casa de Ino. — falei urgente.
— Oi? — indagou confuso.
— Só faz o que eu te pedi, por favor.
— Tudo bem, senhorita nervosinha. — me lançou uma piscadela. Sasuke estava de ótimo humor. Sakê fazendo efeito real. — Casa de Ino.
Eu roí todas as unhas durante o caminho até a casa da porca. Me julguem.
Chegando lá eu gritei em desespero por seu nome e não demorou muito pra que ela aparecesse com um pijama infantil e um pote sorvete nas mãos. Tadinha da minha porquinha.
Corri em sua direção com lágrimas nos olhos.
— Porquinha você me perdoa? — pedi desculpas tirando aquele pote de sorvete e dando pra Sai pra poder abraçar minha loira favorita. A abracei com força.
— Claro que eu te perdoo, testa. — a apertei mais ainda. Me esqueci que uma criança podia nascer com este ato. — Você me perdoa também?
— Sim, mil vezes sim. — disse e começamos a dar gritinhos histéricos e emitir palavras de amor.
— Alguém pode me explicar o que tá acontecendo? — ouvi Sai perguntar.
— Eu também queria saber. — disse Sasuke mais perdido que pinto no lixo.
— Coisas de amiga. — disse Ino me soltando. — Vocês não querem entrar um pouco? Saky e eu precisamos conversar.
Olhei pra Sasuke com olhos pedintes igual ao gatinho do Shrek, porque isso derruba qualquer pessoa gente.
— Se não for incomodo, por mim tudo bem. — disse Sasuke.
Sakura wins.
— Vou preparar uma massa pra nós quatro, então. — disse Sai empolgado. — O que você acha amor?
— Acho que você é o melhor marido do mundo. — deu um selinho em Sai. — Mas agora preciso fofocar com Saky. Nos chamem com a comida na mesa, tchau boys.
Dei de ombros e segui a porquinha até o seu quarto.
Pelo visto, a noite seria longa...
Fale com o autor