Daylight
28 Perder uma aposta nem sempre é tão ruim assim....
Notas iniciais
Não consigo dormir com tantos filmes passando
Se eu fecho os olhos vejo infinitos momentos
Sempre voltando no tempo e mudando o futuro
Tentando me encaixar
(Soldadinho — Supercombo)
Por Sasuke
Ainda sob o efeito daquele bilhete de Sakura eu encarava o teto do meu quarto tentando mais uma vez, de forma frustrada, buscar por uma resposta. Eu me sinto perdido, mas não de uma forma ruim!
Puta que pariu, nem eu estou me entendendo!
Levantei de uma vez e fui tomar meu banho, queria ver como meu pai estava depois de ontem. Tomei um banho quente dessa vez, não tinha nenhum calcinha perdida pra afetar meus hormônios, hoje.
Terminei o banho, me vesti e fui procurar pelos outros moradores de casa. Não tinha ninguém na cozinha e nem na sala. A porta do quarto de Itachi estava fechada, provavelmente ele Izumi ainda estariam dormindo. Fui até o quarto do meus pais e notei que a porta estava apenas encostada, dei uma leve batida e quando ouvi um “pode entrar”, entrei.
Meu pai estava acordado, mas minha mãe dormia de forma tranquila. Ele apenas a observava. Meu pai sempre teve um verdadeiro fascínio por minha mãe, sempre disse pra mim e Itachi que nunca viu mulher mais bonita que ela. Que ela fazia seu coração bater de forma inconstante.
Talvez, os Uchihas sejam muito sentimentais. Apesar do nosso jeito sério e algumas vezes frio não quer dizer que nós não sentimos. Sentimos demais e nos perguntamos até que ponto mostrar. Amor e medo correm lado a lado... Analisando por este lado faz todo o sentido como estou lidando com tudo isso.
— Pai, o senhor está melhor? — indaguei baixinho pra não acordar minha mãe.
— Estou sim – ele disse sorrindo sem tirar os olhos dela – Vamos tomar um café? — dessa vez ele me encarava.
— Vamos sim. — respondi e saí do quarto.
Cheguei na cozinha e ajeitei algumas coisas na mesa e logo depois meu pai apareceu.
— Que susto que você deu na gente ontem, pai!
— Me desculpe filho, mas foi mais forte do que eu. — ele dizia enquanto aprontava a cafeteira. — Pareceu tão irreal, fiquei muito emocionado.
— Percebi... Vou pensar mil vezes antes de te dar uma notícia dessas.
— O que?? — ele arregalou os olhos. — Sakura também está grávida? Santo Cristo dois netos...
— Não pai, o senhor entendeu tudo errado. — só o que faltava. — Sakura não está grávida, ainda bem. Só falei, que caso um dia eu venha a dar uma notícia como Itachi deu ontem, eu terei que pensar numa forma em que o senhor não desmaie.
— Ah, sim. — ele sorriu e sentou ao meu lado na mesa. — Mas pra você ter comemorado que a Sakura não está grávida quer dizer que rolou, né? — OOOOOOIIIIIII?! Qual foi do meu pai?
— Pensei que o senhor soubesse...
— Bem que eu ouvi uns barulhos estranhos ontem a noite... — ele falava com uma mão no queixo. — Você podia ser mais silencioso, filho.
— Pai, Sakura e eu não fizemos nada ontem... O senhor ouviu Itachi e Izumi, isso sim. — e aquele traste ainda ficava sacaneado a mim e Sakura quando a gente namorava, agora depois de velho quer aparecer.
— Então... você e ela... só no dia do casamento? — fala sério, estou discutindo a minha rotina sexual com meu pai. Mereço!!
— É pai, mas será que a gente pode mudar de assunto?
— Que bobagem, filho. Eu sou seu pai.
— Eu sei e é esse o problema.
— Desde pequeno você sempre foi assim, Sasuke... Todo tímido e comedido.
— Já entendi pai, será que podemos tomar nosso café? — ele apenas riu em resposta.
Tomamos nosso café em silêncio e depois eu voltei para o meu quarto e o meu pai para o dele. Nada de Itachi ou Izumi... o amor está no ar.
Peguei meu celular e percebi que tinham algumas chamadas perdidas. 17 de Naruto e 1 de Kakashi. Vou ligar primeiro pra Naruto, porque 17 ligações não é normal. Pode ter acontecido algo com Sakura também, será?
Liguei e não demorou muito tempo pro dobe me atender. Deve estar realmente desesperado.
— ATÉ QUE ENFIM, TEME. TE LIGUEI MIL VEZES.- ele gritava e eu afastava o telefone
— Não precisa gritar, dobe. — bufei – Mas fala qual o motivo do desespero?
— Hina-chan e Sakura-chan tiveram a brilhante ideia de fazer a noite das garotas aqui em casa – por algum milagre dessa vez ele não gritava. — Eu não vou ficar sozinho com esse bando de mulher aqui.. vamos marcar a noite dos rapazes? Tem tempo que não saímos todos juntos e no meu casamento comentamos sobre isso. Vamos Teme... Diz que sim, por favor.
— Seu desespero era por conta disso? Tenha dó Naruto.
— E você achou que era por causa de quê?
— Nada não, pensei que tinha acontecido alguma coisa.
— A Sakura-chan tá bem, Teme. Pode ficar despreocupado. — ele dizia entre risos. — Ela já chegou aqui e foi dormir.
— Não disse que tinha nada a ver com Sakura.
— Você não precisa dizer, Sasuke. Eu sou seu amigo e te conheço muito bem.
— Baka – ralhei.
— Sem ofensas, ok? Vamos sair ou não?
— Por mim tá tranquilo, mas você liga pros caras, beleza?
— Tô fazendo isso já. Marquei no Mokuton, o que acha?
— Por mim tá ótimo, um sakê artesanal é sempre muito bem-vindo.
— Então tá fechado. Os caras vão de carona com as esposas e depois elas vêm aqui pra casa. Eu vou daqui mesmo.
— Você vai de carona comigo dobe, eu passo na sua casa, te pego e vamos pro Mokuton. Não dá trabalho nenhum e eu terei certeza que você vai chegar seguro em casa.
— Own, que amigo fofo... eu até acreditaria se isso tudo não fosse pra vê a Sakura-chan. Te conheço seu teme.
— Seu ingrato, eu aqui preocupado com você e você vem com essa.
— Você quer enganar quem, teme? — o filha da mãe ainda debochava. Maldito.
— Dobe é só isso? — falei seco.
— Nossa, que humor transformador... já teme, já acabou.
— Ótimo. Agora tchau.
— Calma, Sasuke. Nem te falei o horário.
— Fala logo... — já tava impaciente.
— Te espero aqui às 19, beleza?
— Beleza, agora tchau.
Nem ouvi ele se despedir e desliguei na cara dele. De vez em quando eu sou um pouco doce mesmo, faz parte do meu charme. Agora é hora de ligar pra Kakashi, não sei exatamente o que ele poderia querer comigo, desde que eu cheguei a gente só se falou no dia do casamento de Naruto e Hinata. Liguei e rapidamente ele atendeu.
— Sasuke?!
— Oi Kakashi, aconteceu algo?
— Precisa acontecer alguma coisa pra que eu possa falar com meu afilhado favorito?
— Claro que sou o favorito, sou o único. — debochei!
— Ingrato – bufou – Te liguei pra saber se você tá livre hoje na hora do almoço... tava querendo sair pra conversar com alguém.
— Cadê a Rin? Ela te botou pra dormir no sofá, foi? — gargalhei. Kakashi quando vinha com essas tinha alguma coisa, geralmente era treta com Rin.
— Baka... Não é nada disso, só queria almoçar com meu afilhado, colocar o papo em dia. Rin está de plantão e só a noite pra gente se ver. Sem contar que o senhor ficou quase dois anos fora, como pode ser tão displicente assim com seu padrinho? Quase seu segundo pai – fingimento puro de Kakashi só não vê quem não quer.
— Quanto drama pra fazer um convite pra almoçar...
— Responde logo, Sasuke... vai ou não?
— Vou sim, coroa! — ele odeia quando eu chamo ele de coroa.
— Coroa, sua cara. — ralhou! — Me respeita, Sasuke!! — comecei a gargalhar.
— Você sempre fica estressadinho com esse apelido, sabe quando vou parar?
— Quando?!
— Nunca – e tome mais gargalhada.
— Baka.
— Mas então, onde vamos almoçar? — indaguei.
— Em algum restaurante do Konoha Shopping....
— Você quer almoçar num shopping? — indaguei incrédulo. Odeio almoçar em shopping.
— Sim... Talvez eu precise comprar um presente pra Rin de casamento.
— Eu sabia que tinha alguma coisa... Você não dá ponto sem nó Hatake Kakashi, quer usar do meu bom gosto pra comprar um presente pra Rin.
— Nada disso foi apenas uma sugestão... São 15 anos juntos Sasuke.
— Caralho. — o tempo passou voando.
— Pois é... Caralho. — ele tava meio desesperado.
— Tudo bem, vamos almoçar no shopping.
— Obrigado afilhado querido. 13 horas está bom pra você?
— Tá ótimo. Até mais tarde coroa...
— Filho de uma..
— Êpa... olha como fala de Dona Mikoto. — ouvi Kakashi bufar do outro lado da linha
— Tchau Sasuke!! – e desligou na minha cara de forma gentil.
É, pelo visto meu dia estará movimentado... almoço com Kakashi, saideira com os caras. Até que não tá ruim não. Resolvi ir mais uma vez ao quarto do meus pai... minha mãe já estava acordada e estava no pé do papai. Não me perguntou nada da noite anterior, mas falou que levaria meu pai até Kizashi-san na segunda-feira.
Aproveitei e avisei a ela que não almoçaria e nem jantaria em casa. Ela disse pra que eu ficasse tranquilo que ela cuidaria do papai e que eu tinha mais era que saí mesmo. Voltei pra meu quarto e resolvi trabalhar um pouco, daria mais uma olhada nos relatórios referentes ao recall que ficou de ser entregue na segunda.
Passei praticamente a manhã inteira fazendo isso até que notei o horário e fui tomar meu banho pra sair com meu padrinho. Enquanto eu estava me arrumando o inconveniente do meu irmão veio me incomodar batendo na porta. Eu estava apenas de boxer, mas resolvi colocar uma calça no caso de Izumi está com ele... vai que ela se apaixona? Melhor evitar.
— Entra, Itachi – falei assim que coloquei a calça sem fechar os botões ( N/A: Sim, a autora é muito má).
— Nossa Sasuke, que visão do inferno – disse Itachi quando notou as minhas vestimentas. Muito fresco mesmo.
— Vai se foder, Itachi. Estou no meu quarto.
— Nossa.... quanta gentileza. — falou de forma irônica.
— Você veio até aqui pra discutir minha educação ou falar comigo algo importante?
— Sasuke, você brochou na noite passada, foi? Porque você tá mais indigesto que comida estragada. — revirei os olhos diante dessa afirmação, Itachi é mesmo um idiota.
— Eu não transei na noite passada, mas por falar em transa, nosso pai ouviu a orquestra sinfônica da sua transa... Como que você tem cabeça pra sexo depois do desmaio do nosso pai? — que irônica minha pergunta. Quando eu vi a calcinha de Sakura esqueci rapidinho do meu pai.
— Nós homens temos duas cabeças e a de baixo se esqueceu completamente do fato – meu irmão é um completo descerebrado — E fora que Sakura estava aqui em casa. Sabe há quanto tempo eu queria que Izumi passasse uma noite comigo na minha casa e sem precisar ser escondido? — apenas neguei com a cabeça – Pois então, tem muito tempo. Eu tô feliz cara, vou casar com a mulher que eu amo e ainda serei pai. Eu já ouvi o papai e a mamãe transando muito durante a minha infância e adolescência, ele me escutar uma vez só não faz mal.
— Ok, você venceu – falei levantando as mãos pra cima em sinal de rendição. — Mas então o que você quer falar comigo? — indaguei de forma suave dessa vez.
— Essa noite eu e Izumi vamos jantar com Neji e Tenten... vamos convidá-los pra serem os nossos padrinhos também, mas antes vamos contar a história e tal... enfim. Tô com receio de deixar nossos pais sozinhos, você vai ficar com eles?
— Eu vou sair hoje à noite também. Mas fica tranquilo Itachi, qualquer coisa mamãe entra em contato com a gente. Sakura disse que foi só um susto por conta das emoções e Dona Mikoto vai levá-lo ao médico na segunda-feira.
— Sei lá Sasuke, fico com medo. — Itachi estava muito preocupado... pela reação dele acho que ele se sente até culpado. — Tô pensando em fazer um filho só pra não ter que dar uma notícia dessas mais uma vez. — acertei, Itachi se sente realmente culpado.
— Irmão... — falei indo em sua direção e sentado de frente pra ele. — A culpa não foi sua... ninguém imaginou que aquilo aconteceria.
— Difícil Sasuke... Madara e meu pai proibiram meu relacionamento com Izumi desde sempre. Aí quando meu pai relaxa o dela fica puto e o meu desmaia. Parece até conspiração.
— Itachi — toquei em seu ombro direito – Você e Izumi chegaram a um ponto que independeria da vontade do pai de vocês para que ficassem juntos. Madara ter ficado contra não é nenhuma novidade, que Izumi não me escute, mas nosso tio não é muito certo. Em compensação nosso pai caiu na real e está do lado de vocês. — suspirei – Você precisa colocar na sua cabeça que o que houve não foi culpa sua, simplesmente aconteceu. E veja pelo lado bom, Sakura estava aqui em casa e prestou o socorro necessário mais que imediato. — ele sorriu um pouco. — Então trate de parar de se culpar.
— Obrigado, irmãozinho tolo – revirei os olhos e ele tocou na minha testa com aquele toque familiar. — Sasuke, posso te dizer uma coisa?
— E desde quando você pergunta isso? — indaguei divertido. — Você já vai falando sempre.
— É que... quando você fala da rosinha, seus olhos brilham e você sorri.
— É impressão sua. — eu juro que tentei falar mais sério, mas não saiu. Itachi me conhece bem demais.
— Se você diz... — ele riu sabendo que eu mentia. — Vai pra onde agora?
— Almoçar com Kakashi – dei de ombros. — Ele disse que quer conversar comigo.
— Hum... Bom almoço pra você, irmãozinho tolo. — dei o dedo do meio pra ele. — Nossa, quanto carinho. — disse por fim e saiu do meu quarto.
Terminei de me arrumar... coloquei uma camisa cinza de algodão, calça jeans escura e meu all star preto. Apesar de já está pronto demorei um pouco pra sair... Kakashi tem a terrível mania de se atrasar pra tudo, nunca vi. E ainda usava umas desculpas péssimas. Resolvi analisar mais alguns relatórios e depois saí.
Meia hora que estou aqui no shopping e nada de Kakashi chegar... Sempre assim, nem sei porque ainda me estresso com isso. Fui pra uma livraria me distrair enquanto meu padrinho não chegava, mas pouco tempo depois ele me ligou dizendo que tinha chegado ao shopping e me pediu pra encontrá-lo na praça de alimentação.
— Me desculpa pelo atraso, Sasuke – ele disse assim que me viu. — Eu fui ajudar uma velhinha a atraves... — o interrompi.
— Me poupa das suas desculpas esfarrapadas, Kakashi. — ele deu um sorriso sem graça. — Com esse atraso você ajudou o asilo inteiro a atravessar a rua não só uma velhinha.
— Ok, ok.... — ele levantou as mãos em sinal de rendição.
— Onde vamos comer? Tô morrendo de fome – eu sentia meu estômago devorando a si mesmo.
— Eu estou afim de comer uma costela de porco assada com molho barbecue, então pensei no Yakiniku Q, o que acha?
— Só de você falar minha boca encheu d'água... Vamos logo. — falei afoito e seguimos em direção ao restaurante.
O Yakiniku do shopping é um pouco pequeno, eu prefiro a unidade que fica ao lado do Ichiraku, mas as costelas de porco servidas são as mesmas. Conseguimos pegar uma mesa no canto para podermos conversar de forma tranquila. Já tínhamos feito os pedidos e esperávamos nossas comidas chegarem... Costela de porco assada, com molho barbecue e fritas, ou seja, estômago feliz!
— Mas então Kakashi, você não me chamou aqui á toa e minha intuição me diz que também não foi só pra comprar um presente pra Rin.... Então, desembuche logo.
— Que afilhado mais ingrato. Eu queria mesmo te ver Sasuke, você ficou um bom tempo fora, voltou e a gente nem conversou. Você já foi mais apegado a mim. — ele disse fingindo indignação.
— Kakashi, eu tenho já 25 anos, por favor. Quanto drama. — ele bufou. — Minha volta foi um tanto conturbada, tem pouco mais de uma semana que estou de volta, então vamos com calma.
— Eu sei, eu senti muito sua falta... Você sabe que Rin e eu optamos por não ter filhos, mas você sempre ocupou esse lugar na minha vida.
Eu fiquei um tanto chocado com as palavras de Kakashi. Ele sempre foi um padrinho maravilhoso, fazia todas as minhas vontades e é muito meu amigo. Mas ele nunca tinha me falado isso, ele é muito sério e nunca esperei ouvi-lo dizer que sou como um filho pra ele. Notei que ele percebeu a minha cara de espanto porque deu um sorriso mínimo diante da minha reação. Ainda bem que ele não usa mais aquela máscara.
— Kakashi – falei sério – Nunca esperei ouvir isso de você.
— Eu sei... Tô ficando velho e aí a gente fica um tanto sentimental. — eu e ele caímos da gargalhada. — Tô feliz que você está de volta, mas...
— Mas?! — indaguei.
— Confesso que estou um pouco preocupado também.
— Preocupado?! — franzi o cenho. — Qual o motivo pra tal preocupação?
— Sakura... — ele sussurrou como quem conta um segredo. — Como que você tá lidando com a volta dela?
— Bom... melhor do que eu esperava. — não era completamente mentira, mas também não era completamente verdade. Eu estou confuso, mas tentando agir de maneira equilibrada.
— Vocês não brigaram nenhuma vez? — ele riu e depois ficou sério. — Não quero parecer intrometido, estou apenas curioso. Vocês sempre iam as turras quando adolescentes — de fato ele estava curioso, mas tinha algo a mais.
— Tá tudo muito recente pra nós dois. Brigamos uma vez, mas tudo conspira pra que a gente se encontre... Conversamos e demos boas risadas também. Mas eu confesso que estou um tanto confuso, às vezes sinto a necessidade de reorganizar os sentimentos.
— Compreensível, provavelmente Sakura deve se sentir assim como você. — hesitou. — Mas como você se sentiria se ela voltasse a morar em Konoha?
Tá, agora está tudo ainda mais embolado, aonde Kakashi queria chegar com aquela conversa? Tudo bem que Sakura demorou nove anos pra pisar em Konoha de novo, mas voltar a morar aqui já são outros 500. Eu diria quase impossível.
— Kakashi, não estou entendendo aonde você quer chegar... Não acredito que Sakura volte a morar aqui.
— Rin vai me matar por isso! – ele sussurrou mais pra ele do que pra mim – Mas eu não posso esconder isso de você. Há rumores de que Sakura volte a morar aqui e que venha trabalhar juntamente com seu pai. Rin me contou que ela já vem atendendo as crianças de forma recorrente e no seu próprio consultório. Parece que ela vai começar a fazer pequenas cirurgia na semana que vem. Pensa comigo Sasuke, que pessoa, em plenas férias, trabalha dessa forma?
— Sei lá, Kakashi. — falei de forma óbvia. — Isso não combina nada com a Sakura que foi embora daqui.
— Realmente não, mas as pessoas mudam. — disse dando de ombros. — Rin pediu pra que eu não te contasse porque são apenas suspeitas, mas eu não poderia esconder isso de você.
— Obrigado pela preocupação, padrinho. Mas como você mesmo disse são apenas suspeitas. — suspirei. — Pra mim são apenas suspeitas infundadas.- eu realmente queria acreditar nisso.
— Você a conhece melhor do que eu e acha isso, então eu acredito. Eu apenas não podia esconder isso de você. Eu gosto muito de Sakura, mas eu me preocupo com você.
— Mais uma vez obrigado... Mas Kakashi você me julgaria mal se acontecesse algo entre nós dois? Ou numa hipótese mais absurda ainda... caso um dia a gente voltasse a namorar? Fica claro que é uma hipótese bem remota. — falei firme e ele apenas balançou a cabeça esboçando um sorriso mínimo.
— Claro que não, Sasuke. Você é adulto e sabe muito bem o que faz e outra, um homem quando ama perde por completo seus sentidos. Digo isso por experiência própria, cada dia com Rin e eu descubro algo novo por menor que ele seja. — Kakashi com cara de bobo apaixonado é realmente impagável.
— Você é a primeira pessoa que não esfrega na minha cara meus sentimentos por Sakura – confessei.
— E precisa? Tudo que você precisa saber está dentro de você.
Eu não disse mais nada porque não tinha resposta e porque nossa comida foi servida. Comemos em silêncio e voltamos a conversar quando tinha apenas ossos no prato. Não falamos mais sobre Sakura, mas isso não impediu o turbilhão de pensamentos que invadiu minha mente. Kakashi me contou os planos de comemoração do aniversário de casamento com Rin. Depois disso ele me arrastou até a Shouton, uma joalheria.
— Excelência Hatake Kakashi, a que devo a honra da sua ilustre presença em minha humilde loja? — falou uma mulher de cabelos azuis e olhos negros assim que entramos na loja, que poderia ser tudo menos humilde.
— Guren! — disse Kakashi – Aos finais de semana eu sou apenas Kakashi, nada de excelência ou juiz. — ela riu e eles se cumprimentaram. — Vim comprar um presente pra Rin.
— Maravilha... — ela disse e depois passou a me analisar. — Quem é esta beldade ao seu lado? Não vai me dizer que é seu filho. — Kakashi riu.
— Quase – meu padrinho respondeu. — Sasuke é meu afilhado, mas é como se fosse um filho. Sasuke Guren, Gurem Sasuke.
— Prazer. — falei tímido enquanto ela me analisava dos pés a cabeça. Aquilo estava realmente incômodo.
— Acredite, o prazer é todo meu. — me senti um completo pedaço de carne com aquele olhar. Kakashi percebeu meu incômodo e soltou um leve pigarro chamando a atenção de Guren. — Por aqui rapazes.
Seguimos Guren loja a dentro e sentamos em frente a um balcão de vidro com várias joias expostas. Kakashi era mais indeciso que tudo pra comprar um presente pra Rin, depois de tantos anos juntos e ele ainda não sabia escolher.
— O que você acha dessa pulseira, Sasuke? — perguntou Kakashi me mostrando uma pulseira de ouro branco com vários tipos de pequenas conchas penduradas. — Rin desde pequena gostava de catar conchas na praia.
— É muito bonito e pelo visto tem significado, acho que ela vai gostar – disse por fim e ele sorriu.
— Ótimo – disse Kakashi. — Mas acho uma pulseira pouco demais. Guren, será que você poderia me mostrar uns brincos?
— Claro, Kakashi.
Guren e Kakashi começaram a conversar sobre estilos de brincos e eu simplesmente fiquei entendiado e parei de me concentrar na conversa. Até que um pingente de ouro amarelo em formato de estetoscópio roubou por completo a minha atenção.
Ele era simples e delicado. Suas hastes formavam um coração, no lugar das olivas auriculares tinham dois brilhantes e no receptor possuia uma esmeralda. Aquele pingente simplesmente era a cara de Sakura... Ela tinha aprendido a usar essa ferramenta ainda adolescente e eu já fui seu “paciente” algumas vezes, mas nada supera aquela vez...
Sakura e eu tínhamos um pouco mais de um ano juntos... Nosso namoro ia as mil maravilhas. As brigas eram poucas, as transas eram muitas e o amor só fazia aumentar e se consolidar. Estávamos sozinhos na casa dela, seu pai estava trabalhando e tia Mebuki tinha saído com minha mãe pra irem ao cinema.
Estávamos no quarto de Sakura, nus e abraçados. Ela estava deitada em meu peito enquanto eu brincava com seus cabelos. Um dos meus momentos preferidos de paz... Até Sakura virar o rosto pra mim com brilho nos olhos.
— Amor, será que a gente pode fazer um teste? — Sakura indagou com um sorriso travesso.
— Que teste, Sakura? — indaguei com uma sobrancelha arqueada, Sakura sempre tem umas ideias mirabolantes.
— Calma, Sasuke-kun... se um dia eu te matar é de amor. — ela disse e deu uma mordida no peito. Protestei e ela nem ligou. — De amor e de mordidas também.
— Você tem um prazer peculiar com mordidas... Meu corpo bem sabe disso.
— É porque... — ela disse se aproximando do meu ouvido. — Você é muito gostoso Sasuke-kun. Dá vontade de provar o tempo todo... Culpa sua.
— Aham... claro que a culpa é minha – disse irônico e ela riu.- Mas então qual é o seu teste?
— Bom, eu vi um documentário que falava sobre as reações do corpo humano e os estímulos. Até que uma parte interessaste me chamou atenção. Quando nós beijamos ou fazemos sexo nosso coração trabalha mais intensamente, mas quando quando beijamos ou fazemos sexo com alguém que nós amamos ou temos um sentimento mais profundo nosso coração bate ainda mais rápido.
— E?
— E, que eu gostaria de fazer a mesma análise.- ela falava como uma criança sapeca. — E nada melhor que um casal apaixonado como nós dois pra fazer isso. Por favorzinho? — ela pediu com as mãos unidas.
— Tudo bem, mas como você vai fazer isso?
— Com o estetoscópio da mamãe. — ela disse levantando num pulo e mostrando toda sua nudez. Claro que eu fiquei olhando que nem um idiota.
— Conheço alguém que adora secar o corpo nu da namorada... — ela disse enquanto ia até o banheiro pegar seu robe preto com desenhos de flores de cerejeiras na barra. — Que coisa mais feia.
— Você é muito gostosa Sakura. Dá vontade de olhar o tempo todo... Culpa sua. — falei cínico.
— Usando minhas palavras contra mim, que coisa mais feia Uchiha.
— Aprendi com a melhor, Haruno! — lancei um sorrido debochado pra ela, que me deu um selinho como resposta e saiu do quarto.
Não demorou muito e Sakura já estava de volta com o estetoscópio em mãos se sentando ao meu lado na cama.
— Antes do nosso teste, eu vou te explicar algumas coisas com relação ao estetoscópio. — ela anunciou e eu apenas assenti. Ela sorria de uma forma calorosa. — Você já sabe o que é um estetoscópio e qual a sua utilidade, então vamos pular essa parte. Não sei se você sabe, mas o primeiro estetoscópio foi feito com papel em 1816, quando o médico francês, Renè Laennec estava atendendo uma senhora e teve essa brilhante ideia, depois ele desenvolveu um feito com madeira. — ela explicava de forma séria e por mais que aquilo não fizesse parte do meu futuro profissional fazia parte do dela. Se faz bem a Sakura faz bem a mim. — E hoje chegamos a este. — ela disse mostrando a ferramenta de trabalho de sua mãe. — Essas hastes são chamadas de extensores, essa parte que colocamos no ouvido se chamam olivas auriculares e por fim este sino é chamado de receptor, que pode ser tipo campânula ou diafragma. — eu apenas assentia tentando gravar os nomes tão complicados.
— Você sabe que vai ter que repetir esses nomes algumas vezes, né?- ela riu.
— Eu sei, Sasuke-kun. Mas vamos a parte que interessa...O teste. — ela me lançou um sorriso malicioso. — Eu vou ouvir o seu coração e você vai ouvir o meu, certo? — apenas assenti em resposta.
Primeiro ela conferiu meus batimentos e depois nos beijamos. Era um teste que eu estava tentando levando muito a sério, mas se Sakura não avisasse a hora de parar a gente continuaria e chegaríamos a coisas melhores. Merda.
Logo após o beijo ela começou a conferir meus batimentos e um sorriso lindo brotou em seus lábios.
— Sasuke-kun... — ela disse de olhos arregalados. — A diferença é grande.
— Isso se chama efeito Sakura – lhe lancei uma piscadela. — Mas agora é a minha vez, só não sei se saberei usar esse troço.
— Fique tranquilo, eu colocarei o receptor no lugar certo pra você. Mas vamos esperar uns cinco minutos até meu coração se acalmar.
Esperamos os cinco minutos e eu comecei a ouvir o coração de Sakura. Tive que segurar meus instintos quando ela abriu um pouco o robe pra colocar o receptor junto ao corpo. Parte dos seus seios ficaram à mostra.
O coração de Sakura batia de forma constante pelo que eu notei, mas ainda assim não é muito confiável a minha avaliação. Partimos pro beijo e foi mais intenso que o último. Dessa vez nós dois tivemos que nos segurar.
Mais uma vez passei a escutar o coração de Sakura e não pude deixar de sorrir. É realmente incrível e assustador as batidas de um coração descompensado. Sakura ainda estava ofegante por conta do beijo e suas bochechas estavam levemente coradas... Uma bela visão.
— De fato seu coração está num ritmo mais acelerado... O documentário não estava mentindo. — disse e ela sorriu. Colocou o estetoscópio no seu criado mudo e sentou em meu colo.
— Isso é o efeito Sasuke, você me deixa desse jeito. — disse jogando os braços em meu pescoço. — Eu sei que não sou uma namorada muito romântica nem nada do tipo, mas essa é uma forma diferente, mas não menos verdadeira pra dizer que eu te amo. Que só de te ver meu coração fica descompensado e quando a gente se beija isso se intensifica ainda mais... Se um dia você duvidar dos meus sentimentos por você é só lembrar das batidas do meu coração. Eu amo você, Uchiha teimoso.
— E eu amo você, Haruno irritante.
As batidas do coração de Sakura começaram a ecoar na minha mente e desde aquele dia sempre passou a me acompanhar...
— Sasuke?! Sasuke, você tá me ouvindo? — falou Kakashi me puxando pra realidade e eu finalmente levei meu olhar até ele. — Estou te chamando tem uns minutos, mas seus olhos não desgrudam desse vidro.
— Desculpe, Kakashi... estava com o pensamento um pouco longe. O que foi?
— Já escolhi o outro presente de Rin – ele disse contente. — Esse par de brincos. — ele me mostrava um par de brincos pequeno e delicado com diamante azul. Deve ter sido uma pequena fortuna. — Vou até o caixa pagar e estamos liberados.
— Ok – disse dando de ombros vendo meu padrinho indo em direção ao caixa e voltei a encarar aquele pingente.
— Parece que você gostou muito da peça... — disse Guren, tinha me esquecido por completo dela. — É a única que veio aqui pra loja e até hoje não saiu. Algo que lembre ambientes hospitalares nem sempre são bem vistos.
— A peça é realmente linda e me lembra uma pessoa importante. — Guren nunca saberia quem é, mas não deixou de ser estranho dizer isso em voz alta.
— Se você a levasse me faria um favor... Ninguém se interessa por ela e só fica ocupando espaço.
Não vou mentir que fiquei tentado a comprar a peça, mas qual o sentindo? Por que eu compraria algo que lembre a Sakura pra dar de presente a Sakura? Eu nem sabia ao certo o que tinha sobrado de nós dois... Por mais que a realidade fosse dura é a única verdade que eu conheço. Eu queria de verdade deixar a vida me levar, mas não é tão fácil. Por hora, não fazia sentido nenhum em comprar aquilo.
— Não, obrigado. — disse e levantei indo atrás de Kakashi.
Eu e Kakashi ainda demos uma volta pelo shopping e conversamos mais algumas besteiras e logo ele se despediu dizendo que tinha que preparar um jantar romântico pra Rin.
Fiquei rondando pelo shopping pensando naquele maldito pingente em formato de estetoscópio que não saía da minha cabeça e nas lembranças que me levaram a ele. No fundo eu sabia que sentia medo.
Medo de deixar Sakura se aproximar de novo, medo dela ir embora outra vez e medo de não conseguir esconder mais o que eu sinto. Eu não posso negar que tinha sentimentos por Sakura, talvez eu nunca tenha deixado de ter, mas com esse lapso temporal de nove anos eu achei que o sentimento tivesse acabado. Parece que eu caí numa ilusão.
Sabe aqueles momentos loucos da vida, que quando você coloca na cabeça que quer fazer algo e nem pensa direito sobre isso... Vai lá e faz? Pois é, isso sou eu andando apressado de volta àquela maldita joalheria comprar o que não devia.
Entrei na loja num rompante chamando a atenção de algumas vendedoras e de Guren, que sorriu ao me ver. Talvez pelo fato de que ela soubesse o que eu estava fazendo ali.
— Vim buscar a peça. — anunciei um pouco ofegante e ela arregalou ainda mais o sorriso.
— Já mandei preparar a embalagem eu sabia que voltaria. — ela disse confiante. — Alguma ideia pra corrente?
— Nem muito grossa e nem muito fina. Resistente e ao mesmo tempo delicada.
— Tenho uma ideal. — Guren me lançou uma piscadela.
A joia foi colocada em uma caixinha preta de veludo e com um pequeno laço rosa em formato de flor em cima. A vendedora fez o laço com tanta destreza que me perdi na execução do mesmo. Antes d'eu pensar em me arrepender o pagamento já tinha sido efetuado. Na pior das hipóteses eu poderia trocar por algo, mas de verdade eu queria vê-o no pescoço de Sakura.
— Foi um prazer enorme fazer negócios com você, Sasuke-san. — disse Guren. Dessa vez ela não me olhava como um pedaço de carne e eu agradeci mentalmente por isso. — Espero que ela goste do presente.
— Eu também. — sussurrei mais pra mim do que pra ela. — Obrigado e boa tarde.
— Boa tarde. — ela respondeu e eu saí da loja.
A pequena sacola não pesava quase nada, mas parecia ter todo peso do mundo. Eu devo ser mesmo um idiota. Com certeza ela ficaria feliz com o presente, não pude deixar de esboçar um sorriso imaginando Sakura abrindo o presente e se surpreendendo com aquilo.
Cheguei em casa pouco mais que cinco da tarde e agora estava deitado na minha cama olhando pro conteúdo daquela caixinha. Eu devia estar mesmo maluco, mas por incrível que pareça eu não conseguia me arrepender.
Como eu daria aquilo de presente a Sakura?
E por que motivo? O aniversário dela já tinha passado e provavelmente no natal ela não estará aqui.
— Sasuke?! — disse meu irmão invadindo meu quarto. No susto fechei a caixinha pra que ele não visse o que era.
— Não bate mais na porta não? — indaguei chateado, odeio que entrem sem pedir licença.
— Eu tô batendo na porta já faz um tempo, chamando seu nome e você não me responde. Tava preocupado por isso entrei. — ele entrou no quarto e se sentou na cama. — Aconteceu alguma coisa, Sasuke?
— Só estava distraído com meus pensamentos...
— E que caixinha é essa? Comprou uma joia pra quem? — ele disse apontado pra caixa que ainda estava em minhas mãos.
— Isso não é nada demais – falei e guardei a caixinha do meu criado-mudo – Mas o que você queria comigo?
— Só queria te avisar que marquei o jantar com meus amigos um pouco mais tarde. Como vamos jantar no Byakugan, Neji vai cozinhar pra gente... vamos madrugada a dentro pelo visto. Você vai demorar muito saindo com seus amigos?
— Itachi, relaxa. Quando você voltar pra casa eu já estarei aqui, desde quando o seu irmão é irresponsável desse jeito?
— Tudo bem, se você diz fico mais aliviado. — ele pareceu me analisar. — Tem alguma coisa te incomodando, Sasuke? — tudo que eu quero é um Itachi questionador.
— Nada não, só estou atrasado pra saída com os meninos. — olhei a hora do meu celular e notei que estava próximo das 18 da tarde. — Vou me arrumar. — disse me levantando. — Você quer mais alguma coisa?
— Não. Vim apenas te dar o recado.- deu de ombros e saiu do meu quarto.
Me despi e fui tomar banho pra o encontro com os garotos. Passei tempo demais embaixo do chuveiro, dizem que água quente ajuda a pensar. Dei voltas e voltas com meus pensamentos e nada. Resolvi dar um fim naquilo.
Saí do banho e comecei a me arrumar. Coloquei uma boxer branca porque não tinha mais nenhuma escura, vesti uma calça jeans cinza, uma bata preta de algodão e nos pés meu bom e velho all star. Ajeitei meus cabelos a meu modo e por fim um perfume.
Antes de sair de casa falei com meus pais, meu irmão e Izumi. Todos estavam reunidos na sala como uma família feliz num comercial de margarina jogando conversa fora. Eu ficaria com eles se não tivesse que sair.
Da minha casa pra casa de Naruto foi rápido apesar de ir dirigindo sem pressa. Cheguei um pouco antes do combinado, mas foda-se o dobe sabe o quanto eu sou pontual. Estacionei o carro e fui em direção a porta tocando a campainha. Não demoraram a atender, mas o que me surpreendeu não foi isso, foi quem abriu a porta.
Sakura abriu a porta e logo eu reconheci a minha camisa. Ela tomou um susto quando me viu.
— Sasuke?! — ela indagou surpresa. Eu passei a analisá-la de cima a baixo parei meu olhar na minha camisa que estava em seu corpo, ela percebeu e pareceu ficar um tanto envergonhada. Mas eu notei os olhares de Sakura sobre mim, dessa vez eu me senti um pedaço de carne feliz — O que faz aqui? — ela indagou com o rosto um pouco corado.
— Boa noite pra você também Sakura. — disse de uma maneira provocativa passando por ela e entrando na casa de Naruto.
— Ah... Boa noite – ela respondeu sem graça.
— Percebi que gostou da camisa. — hoje eu estava realmente insuportável é o efeito Sakura. Tudo culpa dela..
— Tava sem pijama. — que desculpa mais esfarrapada que ela deu. Resolvi fingir acreditar — Mas logo te devolvo.
— Sem problemas, sem pressa. — é realmente adorável ver Sakura toda sem jeito.
— Mas então, por que tá aqui? — ela indagou enquanto eu sentava no sofá
— Vim buscar Naruto. Ele disse que você e Hinata organizaram uma noite das mulheres, ele quis fazer o mesmo, só que com os homens. — respondi dando de ombros.
— A ideia não foi bem minha. Karin e Temari que deram a ideia e Hina sugeriu que fosse aqui porque a maioria das garotas estão grávidas. Pelo visto, a ideia foi acatada.
— Sim.- concordei. — Apenas Itachi e Neji não vão sair conosco... Itachi e Izumi marcaram de sair pra jantar com Neji e Tenten.
— Hum – ela disse pensativa. — Eles falaram que Neji e Tenten seriam os outros padrinhos. Mas onde os rapazes irão aprontar hoje à noite?
— Do jeito que você fala parece que vamos tocar o terror. — se bem que é mais ou menos quase isso.
— Quanto drama, Sasuke. — ela disse revirando os olhos
— Vamos apenas ao Mokuton, tomar um sakê artesanal e falar besteira.
— Nada demais.- ela disse e eu assenti.
— Exatamente... até porque a maioria dos rapazes irão de carona com as esposas e depois elas irão buscá-los quando saírem daqui. Como a reunião será aqui não tem porque Hinata levar Naruto e como eu não tenho esposa não me custa nada levar e trazer esse baka.
— Vê se não exagera na bebida, já que você vai voltar dirigindo. — ela advertiu mas não brigava
— Pode ficar tranquila, Sakura. Não dá pra beber muito e tomar conta da Naruto, ele é muito fraco pra bebida.
— Eu sei, eu sei. Mas eu fico preocupada.
— Não fique, ao contrário de Naruto eu sou responsável. — me gabei, mas eu sempre fui muito responsável mesmo.
— Tudo bem. Agora me diga como está tio Fugaku? — ela perguntou se sentando ao meu lado.
— Ele tá bem. Por todo tempo que estive em casa durante o dia minha mãe ficou no pé dele, mas acredito que mesmo quando eu saí ela continuou. Itachi e Izumi ficaram dando suporte também.
— E você tem ideia de quando ele vai até meu pai? — Sakura realmente nasceu pra ser médica. Sempre tão preocupada.
— Minha mãe quer levar ele na segunda-feira. Ela ficou até de ligar pra Kizashi-san.
— Que bom. — ela disse por fim.
Depois desse pequeno diálogo ficamos em total silêncio. Eu fiquei pensando sobre as lembranças que eu tive hoje, o presente que eu comprei pra ela e porque eu comprei. A gente se olhava uma vez ou outra mas nada de um assunto surgir...
Até eu lembrar das palavras de Kakashi mais cedo. Ele tinha certeza que ela voltaria a morar aqui. No fundo eu queria saber a verdade, mas quanto essa verdade me custaria? E se a verdade não fosse condizente com que eu queria? Mas eu queria que ela ficasse ou fosse embora? Minha cabeça era um conjunto de nós.
— Sakura?! Será que eu posso te fazer uma pergunta? — falei rápido pra não perder a coragem.
— Claro – ela deu um sorriso.
— Por que você está trabalhando no hospital de seu pai durante seu período de férias? — eu precisava saber a verdade de uma vez por todas.
Senti os músculos de Sakura retesarem diante da minha pergunta. Eu sabia que tinha ido direto demais, mas aquilo era necessário.
Ela abria a boca e fechava como quem buscava uma resposta, mas não conseguia pronunciar uma palavra se quer. Ela respirou profundamente e começou a falar.
— Sasuke – hesitou um pouco – Eu vou v....
— SASUKEEEEEEEEEEE, VOCÊ JÁ CHEGOU? — o dobe chegou gritando atrapalhando a nossa conversa. Não consegui entender nada que Sakura disse, mas notei a frustração em seus olhos.
— Não!! – respondi com desdém. — Você tá vendo espíritos. — Naruto mais atrapalha que ajuda
— BAKA. — ralhou o loiro.
— Baka é você que tá me vendo aqui e perguntou se eu cheguei. — bufei – E vê se para de gritar!
— Meninos, não briguem. — interviu Hinata – Boa noite, Sasuke-kun e boa noite, Saky. — ela puxava Naruto pelo braço para que ambos descessem a escada.
— Boa noite. — Sakura e eu respondemos juntos
— Saky, você ainda não tá pronta? — indagou Hinata.
— Não. Eu acordei um pouco antes de Sasuke chegar. — respondeu Sakura eu não pude deixar de me surpreender. Sakura estava dormindo quando falei com Naruto mais cedo. Ela passou o dia inteiro dormindo?!
— Tem muito tempo que você tá aí, Sasuke-kun? — indagou Hinata sempre doce.
— Não Hinata, cheguei tem uns 15 minutos.
— ENTÃO TEME, VAMOS? — qual a necessidade dessa praga gritar tanto?
— Vamos dobe. Estava apenas esperando você. — respondi a Naruto.
— Hinatinha, meu amor aproveite sua noite. — Naruto dizia a Hinata enquanto dava um abraço nela — Te amo, volto logo. Tchau Saky.
— Tchau meu amor. Curta muito também. — disse Hinata. — Se divirta também, Sasuke-kun.
— Obrigado, Hinata. — disse por fim. — Boa reunião pra vocês. Até mais.
— Obrigada. — responderam Sakura e Hinata ao mesmo tempo. — Tchau, meninos. — disse Sakura acenando pra nós dois.
Naruto e eu saímos da casa dele e seguimos até o carro. Achei Naruto quieto demais, isso não combinada em nada com ele. Mas foi só a gente entrar no carro que tudo isso mudou.
— Pode ir me falando tudo da noite passada.
— Não tem nada pra falar, Naruto. — falei concentrando meu olhar na estrada. — Acredito que Sakura contou tudo que tinha pra te contar.
— Ela não me disse nada, quem me contou foi Hina. Vem cá, o pessoal da sua família tá bem do coração? Primeiro é a tia Mikoto que desmaia, agora tio Fugaku... Daqui a pouco é você e Itachi.
— Relaxa, dobe. Foi apenas a emoção da notícia, meu pai vai ser avô. Ele ansiava muito por isso. — falei dando de ombros
— É eu tô sabendo, mas nunca desconfiei de Itachi e Izumi...
— Normal, estranho seria se você tivesse notado. Você vive no mundo da lua, dobe.
— Obrigado pela parte que me toca. Mas me conta aí como foi a noite ao lado da Sakura-chan?
— Normal... — tentem soar convincente.
— Normal? Conta outra, teme... a Sakura-chan hoje de manhã estava só sorriso e sono também.
— É mesmo? — indaguei mais curioso do que eu devia.
— EU SABIA QUE TINHA ACONTECIDO ALGUMA COISA. EU SABIA.
— Para de gritar, dobe. Não aconteceu nada do que você tá pensando. — falei sério. — Sakura e eu apenas conversamos. Ela disse que quer voltar a ser minha amiga.
— E o que você disse?
— Basicamente que preciso de um tempo pra assimilar essa volta dela.
— E o que ela achou disso?
— Que vai esperar o tempo que for preciso.
— Então você tá ferrado, teme.
— Eu sei dobe, eu sei. — disse por fim e caímos na gargalhada.
Chegamos ao local e vimos alguns dos nosso amigos em uma mesa mais ao fundo do bar. Shikamaru, Chouji, Kiba e Shino já tinham chegado. Assim que ele nos viram acenaram pra mim e Naruto. Não demorou muito e o Lee chegou, depois de Naruto ele era uma das minhas maiores preocupações. Lee quando bebe fica um tanto descontrolado.
— Cadê o Sai que não chega? — indagou Kiba.
— É mesmo, já era pra ele ter chegado – disse Lee.
— Pessoal ele é casado com Ino. Ela deve tá indecisa sobre qual roupa usar. — falei o óbvio.
— É verdade, teme tem razão. — disse Naruto e caímos na gargalhada.
— Posso saber o motivo da risada? — indagou Sai nos assustando
— Piada interna – disse Chouji
— Por que você demorou tanto? — indagou Shikamaru
— Ino não sabia o que vestir – respondeu Sai e caímos da gargalhada mais uma vez. Obviamente ele não entendeu nada.
Conversamos sobre muitas coisas, principalmente sobre meu mestrado e a viagem de lua de mel de Naruto. O dobe disse que ele poderia se passar por um australiano, mas é se achar demais. Tudo estava indo bem, apenas Shino que não falava muito. Desde sempre ele foi assim caladão. Controlei Naruto o máximo possível pra ele não chegar em casa trocando as pernas.
A conversa estava indo bem até tocarem no nome de Sakura. Eu sabia que eles seriam indiscretos, porque discrição nunca foi o forte dos meus amigos.
— Qual foi dessa volta da Sakura? — disse Kiba. — Depois de tanto tempo pensei que ela não voltaria mais.
Todos os meus amigos olharam pra mim como se eu pudesse dar algum tipo de resposta. Eu apenas continuei a bebericar meu sakê.
— Ela deve ter os motivos dela – disse Naruto. — O que importa é que ela está de volta.
— De volta e muito gostosa. — sussurrou Shino e eu senti meu sangue ferver.
— Entre ficar calado e falar merda, é melhor ficar calado, Shino. — bradei.
— Também acho. — disse Lee. — Isso não é jeito de falar sobre uma mulher. Que falta de respeito, Shino-san. — eu até podia implicar com Lee de vez em quando, mas dessa vez eu tinha que concordar com ele.
— Melhor mudarmos de assunto. — disse Sai. — Sakura é um assunto delicado pra nosso amigo Sasuke. — revirei os olhos como resposta.
— Estou preocupado com Gaara – disse Shikamaru. — Meu cunhado está um pouco abatido por conta desse divórcio com Matsuri.
— Qual foi o motivo do divórcio deles? — indaguei curioso.
— Ele não entrou muito em detalhes comigo – respondeu Shikamaru. — Mas Temari me disse por alto que os dois tinham metas de vida diferente. — me assustei com aquilo, eu conhecia bem aquela realidade. — Apesar de terem a mesma profissão Matsuri e Gaara almejavam coisas distintas. Ela queria viajar pra executar seus trabalhos e não queria filhos. Ele queria continuar morando em Suna e queria um filho... Acho que dá pra ter uma noção.
— Eles deviam ter visto antes de se casarem... — disse Chouji com a boca cheia de comida.
— As pessoas mudam, meu amigo. Assim como a maioria de nós Matsuri e Gaara começaram a namorar muito cedo. A gente cresce, amadurece e os sonhos vão mudando. Por mais que o amor exista, só ele não basta. Foi melhor cada um ir pro seu canto e seguir com seus projetos e sonhos. Na vida é assim, a mesma liberdade que nos é dada para escolhermos ficar com alguém também nos é dada para não querermos mais ficar com aquela pessoa. — refletiu Shikamaru. De fato, ele tinha toda a razão. Eu sabia exatamente o que Gaara está sentindo.
Depois daquela conversa sobre o divórcio de Gaara e Matsuri eu passei o resto da noite praticamente calado, ria de algumas piadas, controlava o sakê de Naruto e só. Kiba, Shino e Lee foram os primeiros a irem embora. Depois as esposas chegaram para buscar os restantes. Sobrou apenas eu e Naruto.
— Teme, o que você tem? — indagou Naruto.
— Não tenho nada, dobe.
— Sasuke vai mesmo mentir pra mim? Desde aquela conversa sobre o divórcio de Gaara que você ficou com essa cara emburrada, não disse quase nada e ainda ficou no meu pé por conta do sakê.
— Dobe, você é chato pra caralho. Não é nada demais... eu só tô cansado.
— Sasuke, até quando você vai mentir pra si mesmo? Qual o sentido de esconder tudo isso?
Naruto quando quer sabe bem ser inconveniente, mas eu sei que no fundo ele está preocupado. É complicado falar sobre isso quando eu mesmo não tenho resposta. Tomei um gole de sakê como quem busca coragem pra falar.
— Kakashi me disse uma coisa hoje...
— O que exatamente?
— Ele acha que Sakura vai voltar a morar aqui em Konoha. — disse e tomei mais um gole de sakê. Percebi que Naruto arregalou um pouco os olhos.
— Como assim, Sasuke? — ele indagou confuso. — Seria ótimo ter a Sakura-chan de volta, mas nós sabemos que ela tem a vida dela em Tóquio, trabalho, casa...
— É exatamente sobre isso que pensei quando Kakashi me contou suas suspeitas. — suspirei. — Mas a suspeita não parte só dele. Rin acha que Sakura vai voltar a morar aqui também... Ela falou a Kakashi que Sakura tem seu próprio consultório de atendimento, que vem atendendo as crianças de forma recorrente e que vai começar a fazer cirurgias. No hospital comentam que ela vem morar em Konoha pra trabalhar com o pai. O que deixa Kakashi intrigado é o fato de uma pessoa está de férias e simplesmente trabalhar dessa forma como ela está trabalhando.
— Realmente é suspeito mesmo. — refletiu Naruto. — Eu não perguntei nada a Sakura-chan sobre isso porque não vejo a necessidade dela omitir esse fato. Mas isso não quer dizer que as suspeitas de Kakashi e Rin sejam menos verdadeiras.
— O que me deixa mais confuso é o fato dela voltar não combinar com a Sakura que foi embora por justamente não querer trabalhar com o pai dela. Eu realmente não entendo... é como se ela jogasse nosso namoro pro alto à custo de nada.
— Hum... Então é isso que te incomoda. — disse Naruto me encarando. — Nós dois sabemos que Sakura-chan não foi embora apenas por isso.
— Eu sei que não, mas não deixa de ser menos doloroso. Você é uma das pessoas que mais sabem como eu fiquei depois de tudo. Parece que foi um sofrimento em vão.
— Eu estaria fazendo um monte de questionamentos na minha cabeça também, mas você sabe onde encontrar as respostas. Apenas Sakura-chan pode te dizer isso.
— Eu ainda acho que isso é loucura de Kakashi. Ela só deve estar querendo ajudar ou sei lá fazer alguma coisa diferente nas férias.... Sakura vai logo embora de novo. — disse virando todo o copo de sakê.
— Você tá com medo Sasuke... medo dela ficar aqui e você não poder mais esconder o que sente. — bufei diante das palavras de Naruto. — Você pode enganar quem você quiser menos a mim e a você mesmo. Eu sei que no fundo, bem la no fundo você quer que isso seja verdade.
— Se você diz... — desdenhei.
— Eu tenho certeza, teme. Você não me engana com esse jeito durão, isso é só fachada... tudo isso aí é amor guardado pra Sakura-chan.
— Baka – bradei. — Eu tenho tanta certeza que ela vai embora que até podemos apostar sobre isso.
— Você sempre ganha a maioria das apostas, mas vale o risco.
— Vamos apostar 30 doses de sakê... Se Sakura voltar pra Tóquio, eu ganho e você toma 30 doses, mas se ela ficar em Konoha, você ganha e eu tomo as 30 doses.
— Tá louco teme, 30 doses de sakê?! Acho que nem a vovó Tsunade aguenta
— Então fracionamos isso e eu vou te ajudar dobe. Nós dois tomamos 15 doses agora e quando soubermos a resposta quem perder toma as outras 15.
— Tá preparado pra perder, teme? — indagou Naruto e eu ri.- Tenho certeza que a Sakura-chan vai ficar e você também quer acreditar nisso.
— Só na sua cabeça, dobe. Eu vou assistir de camarote você tomando as outras 15 doses... será um momento glorioso.
Começamos a beber as 15 doses... até a quinta estava tranquilo, mas depois dessa Naruto e eu já não falávamos nada com nada e ríamos de tudo como dois idiotas. Praticamente expulsaram a gente do bar, tomaram a minha chave do carro e nos colocaram em um táxi.
(...)
Acordei sentindo meu mundo girar e minha cabeça doer. Eu estava numa cama confortável e aquele cheiro não me era estranho... era o cheiro de Sakura. Tentei forçar minha cabeça pra poder lembrar como eu fui parar ali, mas era doloroso demais. Pra piorar eu sentia meu estômago queimar e minha boca estava seca.
Olhei pro lado e vi que Sakura me encarava preocupada, mas eu também diria que um pouco furiosa. Deu merda e foi grande.
— Até que enfim! — ela disse, mas eu não sabia se ela gritava ou falava normal.
— Aonde que eu tô e por que minha cabeça doi tanto?
— Você está na casa de Naruto, mas precisamente no quarto de hóspedes. Sua cabeça dói porque você chegou bêbado de madrugada.
— Puta que pariu!! — não lembro de nada.
— Sasuke, eu tava morrendo de preocupação. Eu jamais imaginaria que você chegaria naquele estado depois de me garantir que era responsável e tomaria conta de Naruto. — ela tava puta, mas ela precisava parar de gritar ou minha cabeça vai explodir.
— Sakura – ralhei. — Não grita, minha cabeça vai explodir.
— Eu não tô gritando – mentira, estava sim.
— Essa sua voz irritante tá fodendo com meus neurônios – acabei falando sem pensar e percebi que Sakura não gostou nem um pouco, afinal quem gostaria?
— A dona da voz irritante aqui que tomou conta de você. Te deu banho, te vestiu e te colocou pra dormir.
— Vai jogar na cara? — eu tava puto e ela gritando não estava ajudando.
— Não seu imbecil, eu estava preocupada! — e eu estava sendo um idiota.
— Desculpa. — disse sem olhar nos olhos dela.
— Tudo bem.
— Você me viu nu? — que pergunta mais idiota. Não Sasuke ela fechou os olhos quando te deu banho e foi pelo tato.
— Você fez questão de tirar sua cueca e me entregar! — o que? Eu tô ficando maluco?
— Eu não fiz isso.
— Fez sim e ainda trocou juras de amor com Naruto. — merda, merda e merda!!!!!
— Tá... agora eu posso me matar. — enfiei minha cabeça embaixo da coberta. — Maldita aposta. — saiu mais alto do que eu esperava
— Aposta? Que aposta Sasuke? — ela ouviu, que caralho.
— Deixa pra lá, Sakura. — tentei me esquivar — É bobagem.
— Fala logo, Sasuke!
— Nós apostamos 30 doses de sakê... — falei como não quer nada.
— 30 doses de sakê, Sasuke? Vocês são loucos – ela deu um tapa no meu ombro. Sakura é incrivelmente forte.
— Ai – reclamei. — Caralho Sakura.. — tirei minha cabeça de baixo da coberta, mas desmaiar cairia bem agora — Cada um bebeu 15 doses e quando descobríssemos a resposta o perdedor tomaria as outras 15.
— E o que foi? — pra que ela quer saber? Não tem necessidade disso.
— Bom... — hesitei – Apostamos com relação a você...
— Como é? — ok, vou morrer hoje mesmo.
— Calma, Sakura... Não é nada demais. — tentei aliviar pra meu lado – Naruto apostou que você voltaria a morar em Konoha e eu apostei que você continuaria a morar em Tóquio. — falei rápido como quem arranca o curativo. Eu não conseguia olhar pra ela.
O silêncio se abateu no quarto e eu olhei de soslaio pra Sakura que abria e fechava a boca como se buscasse uma forma de falar. Eu não sei onde eu tava com a cabeça pra apostar uma merda dessa... Vou ter que aturar Naruto bêbado depois disso, claro se eu saísse vivo daquele quarto. Sakura estava uma fera e a vítima mais próxima era eu.
— Te prepara Sasuke... — Sakura disse interrompendo meus pensamentos.
— Pra que?
— Você vai tomar mais 15 doses. — ela me lançou um sorriso malicioso e arqueou uma das sobrancelhas. Engoli em seco — Eu vou voltar a morar em Konoha!
— O QUE? — disse mais alto do que eu queria a encarando incrédulo.
— Exatamente isso que você ouviu... Eu vou voltar a morar em Konoha. — ela dizia como se não fosse nada e eu não sabia o que falar. Ela percebeu o meu silêncio e voltou a falar. — A pediatra chefe do hospital vai voltar pra sua cidade natal e meu pai perguntou se eu não queria assumir o lugar. Confesso que no inicio eu fiquei um pouco perdida e com medo, mas resolvi aceitar.
— Você nunca quis trabalhar no hospital da sua família, por que isso agora?
— Eu nunca disse isso, Sasuke. — meu peito era um misto de sentimentos diante das palavras dela. — Eu nunca quis assumir o lugar do meu pai, eu nunca quis que comandassem a minha vida e me dissessem o que era certo ou errado fazer. Mas não foi só por isso que eu voltei...
— E foi por que então? — eu não sei ao certo se queria saber a resposta que ela tinha pra dizer.
— Na verdade por quem. — ela me olhava com olhos gentis e eu senti meu coração acelerar. — Eu voltei por mim e por você...
Aquilo me deixou sem chão, sem palavras e sem ações... Eu percebi que Sakura queria uma resposta, mas essa resposta eu não poderia dar ainda.
— Eu já disse que ainda não tô pronto, Sakura... — disse num sussurro e ela sorriu.
— Eu sei que não, mas eu te falei que esperaria o tempo necessário. — ela disse confiante e aquilo me assustou. E não sei quanto tempo aguentaria com Sakura de volta. — Tenho que te mostrar uma coisa...
— O que é? — perguntei percebendo que ela pegava algo no criado-mudo ao seu lado. Era uma porta-retrato.
— Lembra do dia que a gente se conheceu? — ela indagou e eu apenas assenti como resposta. — Você consegue lembrar se tiramos alguma foto?
— Não... só lembro da gente correndo feito louco naquele dia mesmo que seu joelho estivesse machucado. — sorri com a lembrança. — Foi um dia divertido.
— Foi sim, mas tiramos uma foto. — ela virou o porta-retrato e eu vi uma foto de nós dois pequenos naquele dia. — Quando eu cheguei no consultório da minha mãe ela estava lá. Eu nem lembrava que tinha essa foto lá, mas eu fiquei feliz quando a encontrei. Você lembra do que a gente conversou nesse dia?
— Dor, merthiolate e... saudade. — falei sentindo o gosto amargo daquela palavra.
— Aquele foi um dos melhores dias da minha vida, Sasuke. Eu passeei com minha mãe no nosso lugar preferido e conheci o menino que eu sempre via na escola. Você sempre chamou minha atenção. — ela confessou corando e sorrindo. — Mas a melhor parte daquele dia foi quando você me deu as mãos dizendo que dividiria a dor da saudade comigo. A gente nem se conhecia direito e mesmo assim você não hesitou em me dar as mãos e dividir o que quer que fosse.
— Você também sempre chamou minha atenção... impossível não notar alguém de cabelos rosa. — ela revirou os olhos pra mim e eu ri. — Seus olhos verdes também são bem chamativos.
— Obrigada, pelo carinho. — ela disse irônica e se aproximou mais a mim. — Sasuke, eu sei que eu machuquei você... sumi e não dei notícias. — eu queria que ela parasse, eu não tava pronto pra falar sobre isso.
— Sakura, por favor...
— Eu sei, você não tá pronto, mas eu preciso te dizer algumas coisas.... Eu amo você, Sasuke. — ela tocou no meu rosto e eu estremeci. Perto demais, perto demais. — Você é importante pra mim e por isso eu não vou desistir de você, a não ser que você me queira longe. Se você quiser assim eu me tornarei invisível aos seus olhos.
— Eu não quero você longe... — falei num sussurro, admitir aquilo em voz alto foi reconfortante. Eu não conseguia mais esconder. O sorriso que Sakura deu aqueceu ainda mais o calor no meu peito e eu me perguntava se ela poderia ouvir meu coração bater.
Sakura se aproximou ainda mais e nos beijamos. Não tinha como resistir a ela e no fundo eu não queria isso. No início o beijo era cálido, nós dois estávamos tímidos e contidos, mas Sakura chegou mais perto e eu não resisti e a coloquei no meu colo, então tudo mudou.
Nossos beijos se tornaram mais intensos e voluptuosos. Sakura puxava meus cabelos e eu apertava suas coxas em resposta. Minha dor de cabeça foi embora como num passe de mágica. Ela gemia nos meus lábios e aquilo estava me deixando louco. Ela tirou minha blusa num rompante e quando eu começava a despi-la meu celular tocou assustando a nós dois.
A racionalidade nesses momentos tende a fugir, mas eu tinha dormido fora de casa e provavelmente já era bem tarde. Sakura entendeu o recado, pegou o celular, me entregou e saiu do meu colo sentando-se ao meu lado... era Itachi. Meu irmão extrapolou o nível de fazer merda em apenas uma semana.
— Fala Itachi. — falei seco e vi Sakura soltar uma risadinha.
— Nossa quanta receptividade. — ele disse se fingindo de ofendido.
— Fala logo o que você quer Itachi.
— Dona Mikoto tá preocupada com você e pediu pra te ligar. — caralho, minha mãe vai me matar. Esse apartamento tem que ficar pronto logo. — Você tem noção de que horas vai chegar?
— Não... o carro ficou no restaurante, ainda tenho que ir lá buscar. Avisa pra ela que eu tô bem e que daqui a pouco eu tô casa.
— Tudo bem... manda um beijo pra Saky e usa camisinha irmãozinho tolo. — bufei e desliguei na cara dele.
— Alguém precisa dizer a Itachi pra ele ser um pouco menos inconveniente. — Sakura disse e eu ri. — Assim não dá pra seguir os conselhos dele e usar camisinha.
— É... — eu disse sem graça. — Mas acho que foi melhor assim... precisamos ir um pouco mais devagar.
— Você tem razão... transar com um homem sem o perdão dele não é o melhor caminho. — ela riu.
— Tô falando sério, Sakura.
— Eu sei que sim. Foi apenas pra descontrair o ambiente.
— Tudo bem. Acho melhor eu ir, ainda tenho que pegar o carro pra depois ir pra casa... Você sabe onde estão minhas roupas?
— Na secadora. — franzi o cenho — Naruto acabou vomitando em você e acabou sujando suas roupas. Coloquei pra levar e depois pra secar, com certeza já estão secas e prontas pra usar.
— Que nojo... sempre Naruto. Será que você pode pegá-las pra mim? Não seria nada conveniente andar de cueca pela casa do meu amigo.
— Relaxa, vou buscar. Você aproveita e já vai tomando seu banho.
Sakura saiu do quarto e eu fui direto ao banheiro. Tomei um banho quente e tentei não pensar muito sobre o que aconteceu agora há pouco. Saí do banho e peguei uma das toalhas que estavam penduradas.
Minhas roupas estavam estiradas em cima da cama e não tinha sinal de Sakura no quarto. Me arrumei e quando eu estava pra sair do carro notei o porta-retrato que Sakura me mostrou quando estávamos na cama. Não pude deixar de esboçar um sorriso, eu estava feliz, finalmente ela tinha voltado.
Desci as escadas e encontrei com Sakura na cozinha cortando tomates. Eu não ficaria chateado em ver aquela cena se repetindo mais vezes. Ok Sasuke... vamos com calma.
— Cadê o restante dos moradores dessa casa? — indaguei.
— No quarto, Naruto não estava se sentindo bem e foi dormir. Hinatinha preferiu ficar com ele. — explicou Sakura. — Eu imagino que você esteja com fome sobrou alguns pedaços de pizza da noite anterior, quer que eu esquente pra você?
— Não precisa, pizza fria depois de uma bebedeira cura qualquer ressaca. Fora que eu gosto de pizza fria.
— Nisso eu tenho que concordar com você. — ela deu um sorrio me oferecendo o prato com tomates cortados.
Comemos e agora eu estava no carro com Sakura indo ao Mokuton buscar o “meu” carro. Não conversamos nada no carro, era ouvido apenas a musica que saía do som. Acredito que nós estávamos pensando sobre tudo o que tinha acontecido mais cedo.
Ela estacionou em frente ao Mokuton que estava com poucas pessoas no momento. Ainda era cedo mesmo que fosse um domingo.
— Sasuke, posso te pedir um favor?
— Claro...
— Eu apenas contei da minha volta pra você, será que poderia guardar segredo quanto a isso?
— Posso, mas por que não contou a ninguém?
— Ino vai fazer uma festa de despedida pra mim e eu queria fazer uma surpresa pra todo mundo.
— Ino também não sabe? — perguntei incrédulo.
— A porquinha nem sonha com isso. Achei melhor contar na festa porque eu venho pra Konoha de forma definitiva apenas em julho. Passarei junho em Tóquio realizando os procedimentos cirúrgicos que já estavam agendados. Só venho pra Konoha no mês de junho duas vezes pra operar as crianças daqui e pra atendimentos mais urgentes.
— Tudo bem, seu segredo está guardado. Agora eu preciso ir... obrigado, Sakura.
— Por nada – ela sorriu. — Boa sorte com seus pais.
— Obrigado. — fui dar um beijo em sua bochecha, mas ela acabou virando o rosto e demos um selinho. — Desculpe.
— Eu que roubei um selinho seu, Sasuke. Não tem porque se desculpar. — ela disse com um sorriso travesso nos lábios e eu sorri de volta.
— Até mais, Haruno.
— Até, Uchiha.
Saí do carro e logo avistei Yamato no Mokuton. Ele me passou um sermão de leve e disse que vai puxar a orelha de Naruto amanhã na academia. Ele fez questão de ressaltar que se aquilo ocorresse outras vezes ele faria questão de ligar pra meu pai e pra Iruka, o tio de Naruto. Depois de 25 anos na cara e ainda sou obrigado a passar por isso.
Cheguei em casa e tomei outro sermão, só que dessa vez foi de Dona Mikoto e Seu Fugaku. Não revidei, apenas deixei que eles falassem e quando o discurso acabou eu pedi licença e fui pro meu quarto. Tomei um banho e um comprimido pra dor de cabeça.
Deitei na cama, mas o silêncio estava incômodo e eu sempre gostei do silêncio. Resolvi ouvir música. Peguei meu celular e os fones de ouvido... por ironia do destino can't stop do Red Hot começou a tocar.
Essa foi a primeira música do Red Hot que eu apresentei a Sakura, quando a gente ainda nem namorava. Ela viu o clipe aqui em casa e ficou babando pelo Anthony que está praticamente todo clipe sem camisa.
Abri a primeira gaveta do meu criado-mudo e peguei a caixinha que continha o presente que eu tinha comprado pra Sakura. Passei o polegar por aquele singelo pingente e não pude deixar de sorrir. Agora não seria tão difícil arranjar um motivo pra dar a ela.
Como será daqui pra frente?
Essa era uma pergunta que ressoava pela minha mente...
Depois de tanto pensar e penar por uma resposta cheguei a conclusão de que só o tempo dirá.
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