Daylight

29 Você topa?


Notas iniciais
Olá tomatinhos e moranguinhos, como vocês estão? Eu sei que prometi voltar mais cedo, mas eu acabei ficando doente. Peguei uma gripe daquelas com direito a febre e garganta inflamada. Ainda tô tomando remédio mas já estou bem melhor oooo// Antes de mais nada eu gostaria de dizer que eu estou muito feliz... A fic recebeu sua terceira recomendação EEEEEBBBBBAAAAAA. A querida leitora LightB proferiu palavras lindíssima sobre a fic e a autora que vos fala. Eu queria agradecer mais uma vez pelas palavras ditas. Chorei de emoção com essa recomendação e dedico esse capítulo pra você ♥. Mais uma vez muito obrigada. O capítulo de hoje tá puro amor e é narrado por nossa rosada ♥ Obrigada pelos favoritos e comentários do capítulo anterior. A quem eu não respondi pode ficar tranquilo que irei responder assim que postar este aqui. **** Leiam as Notas Finais****

Meu bem tu tem minha saudade
Minha verdade, meu querer
Então se deixa ser
Mais de mim ter
Mais de mim que já é
Que já tem

(Tua — Anavitória)

Por Sakura



A segunda-feira de manhã de um hospital é uma verdadeira loucura. Cheguei aqui às 07:00h e desde então não parei. Mei vem me passando a maioria dos pacientes e eu fico feliz por isso. Algumas crianças, geralmente os meninos. estranharam meu cabelo, boa pate delas perguntavam se era verdadeiro. As meninas adoravam e pediam pras suas mães e pais pra terem um cabelo igual ao meu.

Depois das onze o número de pacientes diminuiu consideravelmente e agora não tem mais ninguém pra atender. Resolvi organizar algumas coisas em minha sala... era tão louco dizer minha sala. Tudo era tão minha mãe nela, pra onde eu olhasse eu via dona Mebuki. Mas apesar de tudo eu não me senti uma invasora, eu me sentia acolhida e dando continuidade no que ela acreditava e hoje no que eu acredito.

Eu ainda preciso de uma secretária pra me ajudar, mas ainda não tinha pensado em ninguém. Talvez eu devesse fazer uma seleção, acho que seria o mais coerente. Vou falar com meu pai mais tarde sobre isso.

Quando eu percebi me peguei pensando em Sasuke e olhando o porta-retrato que eu mostrei a ele ontem, resolvi colocar o objeto de volta ao seu lugar. A mesa da minha mãe que agora era minha mesa.

Eu não podia acreditar em como as coisas estavam agora entre nós dois. Claro que ainda é perceptível suas reações um pouco mais freadas. Sasuke se entrega e ao mesmo tempo retrai. Um segundo de racionalidade e tudo se esvai. Se o telefone não tivesse tocado teríamos transado ontem com certeza e eu não me arrependeria disso como não me arrependi quando aconteceu depois do casamento de Naruto e Hinata. O duro foi a reação de Sasuke sobre aquilo depois e talvez esse seja o meu maior medo. Por mais que externamente eu exale confiança, por dentro eu ainda tenho meus medos e receios com relação a nós dois. Mas o amor que eu sinto por ele é infinitamente maior que meus receios e medos. Não pude conter o sorriso só de olhar pra foto, esse Uchiha teimoso ainda acaba comigo.

Me desvencilhei dos meus pensamentos quando ouvi alguém bater na porta. Era Rin uma das oncologistas do hospital e esposa de Kakashi, o padrinho de Sasuke.

— Olá Rin. — disse assim que ela entrou na sala. Ela não estava sozinha trazia um paciente que eu conhecia muito bem. — Olá Yugura.

Yagura é um dos pacientes de Rin, tem oito anos e possui linfoma não-Hodgkin desde os seis. Rin trabalha juntamente com o hematologista Asuma no caso de Yagura na busca de um melhor tratamento para sua cura. Ele não se dá bem tão bem com as outras crianças e não gosta da sua aparência. Ele perdeu os cabelos por conta do tratamento, seus olhos são cor de rosa e possui diversas cicatrizes pelo corpo, e uma no rosto por conta da cirurgia de retirada dos tumores.

Um dia em que fui visitar as crianças na semana passada eu o vi sentado e isolado em um canto. Ele logo me chamou a atenção e eu perguntei a uma das crianças porque ele estava sentando sozinho e ela me explicou o motivo. Resolvi me aproximar dele, que não rejeitou o contanto.

— Olá... será que posso me sentar aqui com você?- perguntei pra ele que estava envolvido num jogo de quebra-cabeça. Ele me viu e abriu um sorriso... me perguntei o porquê dele se manter afastado quando me pareceu tão receptivo. — Meu nome é Sakura.

— Como as cerejeiras – ele disse com brilho nos olhos e eu assenti. — Meu nome é Yagura.

— Oi Yagura, posso me sentar com você?

— Pode sim, tia.

— Mas me conta, por que você não está com as outras crianças? -perguntei e ele fez uma carinha triste.

— Eles não gostam de mim tia. Eles zombam de mim por causa da minha cicatriz no rosto. — ele apontou com o dedinho para a linha em seu rosto. — E zombam meu olho porque é cor de rosa.

— Mas seu olho é tão lindo... — ele me olhou assustado, mas depois suas bochechas coraram e ele sorriu. — E a cicatriz em seu rosto mostra a sua força.

— Como assim minha força? — ele indagou sem entender a minha metáfora. Compreensível quando se tem oito anos.

— Cicatriz é uma marca que carregamos para demonstrar que somos mais fortes que o nosso problema. Quando eu era criança me machucava diversas vezes, meus joelhos são todos cobertos de cicatrizes. Doía tanto passar remédio, eu chorava muito, mas assim que eu podia estava correndo de novo. Quando eu fiquei mais velha olhava para os meus joelhos e ria com as lembranças que as cicatrizes me traziam.

— Mas tia... — eu vi Yagura lutar pra não chorar. — Minha cicatrizes são por causa da doença o que tem de bom nisso? — pra uma criança de oito anos, ele é realmente muito perspicaz.

— Elas demonstram que você é mais forte que a doença, elas são um sinal de triunfo. — lancei uma piscadela pra ele que sorriu.

— E o meu olho? Ele é cor de rosa... é cor de menina. — ele disse cabisbaixo.

— E quem disse que rosa é cor de menina? Rosa é apenas uma cor e ela é de quem quiser usar. Se fosse assim meninas tão teriam olhos verdes ou azuis porque tem um monte de gente chata que diz que é cor de menino.

— É verdade... — ele sorriu.

— Suas cicatrizes e a cor dos seus olhos é o que faz de você único, Yagura. Quando as pessoas te zombam por isso é porque elas ainda não entenderam. E assim como você elas também enfrentam suas próprias lutas.

Ele não me respondeu, mas fez algo que eu jamais imaginaria. Ele me abraçou e pra ser sincera não existe outro lugar no mundo onde eu não queria estar.

— Oi Sakura – disse Rin. — Tem um paciente meu que estava doido pra ver a amiga dele de cabelos róseos. — vi Yagura corar e sorri com isso. — Soube que você não teria ninguém pra atender por agora aí resolvi trazê-lo.

— Sem problemas Rin. Só atendo agora a partir das duas da tarde.

— Mas você não vai almoçar? Não quero te atrapalhar, Sakura. — disse Rin preocupada. — Yagura pode vir outra hora.

— Não vai me atrapalhar, Rin. Vou pedir que tragam o meu almoço e o de Yagura, almoçamos por aqui mesmo. Não é mesmo Yagu?

— Sim, tia Saky. — ele veio correndo me abraçar.

— Tudo bem, então. Yagura se comporte e muito obrigada, Sakura. — disse Rin e saiu do consultório.

— Mas então mocinho a que devo a honra dessa visita ilustre? — indaguei divertida.

— Tava com saudade, tia.

— Eu também meu amor. Vou pedir nosso almoço tá bom? — ele assentiu em resposta. — Você quer brincar do que por enquanto?

— Quebra-cabeça.

— Imaginei... espera aí que vou pegar. — fui na estante e peguei uma das caixas de quebra-cabeça que tinham ali. Por ser pediatra minha sala era cercada de brinquedos. — Tem do Batman. Mickey com seus amigos, Hora de Aventura, e Cavaleiros do Zodíaco qual deles você vai querer?

— O que tem mais peças, tia.

— Então vamos montar o do Batman. — peguei a caixa e coloquei na mesa. — Vou pedir nossa comida. Você pode ir arrumando as peças na mesa? — ele apenas assentiu em resposta.

Pedi meu almoço e o de Yagura, enquanto ele não chegava ficamos brincando de montar o quebra-cabeça. Eu lembro que quando era pequena não gostava muito, na verdade eu era bem ruim mesmo e achava uma chatice. Mas agora era realmente gratificante brincar com aquilo. Eu conseguia enxergar as peças antes de Yagura, mas deixava ele acertar a peça na maioria das vezes e eu participava uma hora ou outra. Ele sempre me parabenizava e eu fazia o mesmo com ele.

Ouvi uma batida na porta e fui até lá pensando que seria o meu almoço e o de Yagura, mas foi melhor que isso.

— Sasuke? — pisquei meus olhos duas vezes pra vê se não era um sonho. — Você aqui?

— Boa tarde, Sakura. Às vezes me pergunto onde está sua educação. — ele disse e eu apenas revirei os olhos.

— Boa tarde, Uchiha. Posso saber o motivo dessa ilustre visita?

— Não vai me convidar pra entrar? — dei a passagem pra que ele passasse. — Não sabia que você estava atendendo. Me desculpe, volto outra hora.

— Não estou atendendo, Yagura não é meu paciente é meu amigo. Ele é paciente da Rin e tem um pouco de dificuldade de socializar com as outras crianças. — sussurrei essa última parte. — Mas então, por que você está aqui? Aconteceu alguma coisa? Seu pai e sua mãe estão bem? Itachi e Izumi?

— Calma, Sakura. Está todo mundo bem. — senti um alívio. — Meu pai acabou não ligando para o seu pra marcar uma consulta, minha mãe ficou possessa da vida por isso e me obrigou a trazer meu pai até o seu porque ela iria sair com Izumi pra resolver algumas coisas do casamento e do enxoval do bebê.

— E cadê tio Fugaku?

— Tá com seu pai agora, que por sinal “sugeriu” — ele fez o sinal de aspas com as mãos. — Que eu viesse até aqui.

— Fazendo uma visita forçada, Uchiha? — falei de forma provocativo e vi Sasuke esboçar um sorriso de lado.

— Não... eu já estava pensando em vir aqui, mas seu pai facilitou as coisas consideravelmente.

— Bem a cara dele mesmo. Mas fico feliz que tenha vindo até aqui, você ainda se lembra dessa sala?

— E como me lembro, já fui atendido aqui muitas vezes. Tia Mebuki era a única mulher, depois de minha mãe, que eu não tinha vergonha pra tirar a camisa. — ele disse nostálgico e eu ri.

— Mas depois de grande e bêbado não tem vergonha de tirar a cueca. — gargalhei e Sasuke ficou corado de tão sem graça. — Você fica tão lindo com vergonha, Uchiha.

— E você faz questão de rir da minha desgraça... Eu estava bêbado, Sakura. Não foi intencional. — ele tentou se explicar.

— Tsunade diz que quando a bebida entra a verdade sai. — Sasuke bufou. — Pronto Uchiha, parei de brincar.

— Tia Sakura, terminei de montar o quebra-cabeça, nosso almoço já chegou? — indagou Yagura virando pra mim e Sasuke. — Quem é esse tia? — ele apontou pra Sasuke, Yagu estava tão entretido no quebra-cabeça que nem notou a presença dele ali.

— Yagura, esse é um amigo meu, o nome dele é Sasuke. Mas você pode chamá-lo de tio Sasuke.

— Olá tio Sasuke, o senhor gosta de quebra-cabeça? -Yagura já foi perguntando.

— Oi Yagura, eu gosto sim. Você tá montando um? — indagou Sasuke curioso.

— Já acabei, mas eu posso bagunçar de novo pra gente montar junto com a tia Sakura. O queba-cabeça é do Batman.

— Do Batman? — perguntou Sasuke empolgado. — Ele é um dos meus super-heróis favoritos.

Sasuke foi até a mesa e se sentou ao lado de Yagura. Ficamos os três montando o quebra-cabeça, foi realmente divertido e um tanto louco. Jamais imaginaria que Sasuke aparecesse assim do nada na minha sala. Eu tinha me esquecido como Sasuke tinha desenvoltura com criança, Yagura adorou montar quebra-cabeças com ele.

— Tio Sasuke, você é namorado da tia Sakura? — acabei engasgando com a água que eu tava tomando quando Yagura perguntou isso a Sasuke. Mas ele não pareceu se intimidar com a pergunta.

— Não, somos apenas amigos. — ele disse esboçando um sorriso de lado.

— Ainda bem que não. — confessou Yagura despertando minha curiosidade.

— Por que não, Yagu? — perguntei.

— Porque tio Sasuke é muito bonito. Seria um concorrente muito difícil pra mim. — não pude deixar de sorrir diante da fala de Yagura.

— Mas a tia Sakura é muito velha pra você. — falou Sasuke e eu senti uma vontade imensa de mostrar um dedo pra ele, como não podia apenas revirei os olhos como resposta.

— Mas é menina mais bonita que eu já vi. — disse Yagura sorrindo pra mim. — Você não acha, tio Sasuke? — sorri pra Sasuke esperando a resposta.

— Com toda certeza, Yagura. — confirmou Sasuke lançando uma piscadela pra mim. Senti meu peito aquecer como uma adolescente.

O telefone da minha sala tocou dispersando todo aquele clima na sala. Era uma enfermeira do setor de oncologia infantil dizendo que a mãe de Yagura tinha chegado ao hospital e queria vê-lo. O almoço que era bom não tinha chegado e Yagura não podia ficar sem comer, uma vez que eu tinha esquecido a minha fome. Pedi que uma enfermeira viesse buscá-lo em minha sala e levasse até o seu quarto. Liguei diretamente pra cozinha e pedi que encaminhassem o almoço dele até o quarto.

— Tio Sasuke, o senhor vem aqui mais vezes montar quebra-cabeça comigo?- perguntou Yagura parado na porta antes de sair da minha sala.

— Claro que sim, da próxima vez eu vou trazer um quebra-cabeça com mil peças pra gente montar. — respondeu Sasuke e Yagura arregalou os olhos.

— MIL PEÇAS? — ele gritou empolgado e Sasuke assentiu. — EBA. — ele levantou os bracinhos em comemoração e largou da mão da enfermeira pra correr até Sasuke e dar um abraço nele. — Obrigado, tio.

— Por nada, pequeno. — disse Sasuke passando a mão na cabeça de Yagura que não rejeitou o toque.

— Agora eu preciso ir. Tchau tia, tchau tio. — disse Yagura e saiu da sala.

— Nunca vi Yagura tão feliz desse jeito, Obrigada por isso, Sasuke. — lancei um sorriso pra ele em agradecimento.

— Não fiz nada demais, Sakura.

— Pra você não, mas pra ele fez toda a diferença.

— Fico feliz por isso. — ele esboçou mais uma vez aquele sorriso de canto. Não tô sabendo lidar com isso. — Mas eu ainda não revelei o verdadeiro motivo da minha visita.

— Pode falar que eu sou toda ouvidos.

— Você vai fazer o que hoje à noite? — será que eu fiquei feliz em ouvir essa frase? Será?

— Não tenho nada em mente, por que a curiosidade?

— Queria te chamar pra sair. — dancei internamente diante daquele convite. — Você topa? — e como topo.

— Claro... Vamos pra onde?

— Pensei no Yakiniku Q, lá no centro. Aposto que tem muito tempo que não come os hambúrgueres de lá. O que acha?

— Que ideia maravilhosa... Vou me entupir de besteira.

— Eu imagino. Você sai que horas daqui?

— Às sete.

— O mesmo horário que eu saio da fábrica. Te pego às oito na casa do Naruto, pode ser?

— Eu vou dormir na casa do meu pai hoje, mas você não precisa me buscar porque eu tô de carro.

— Nada disso, faço questão de te buscar. Te pego às oito na casa do seu pai então.

— Se você faz tanta questão, tudo bem. — eu tava curiosa pra saber o motivo dessa mudança repentina de Sasuke. — Sasuke, sem querer ser indelicada ou algo do tipo, mas por que isso agora? Não que eu esteja achando ruim, pelo contrário estou amado. Eu só queria entender.

— Você não quer ser minha amiga de novo? — apenas assenti em resposta. — Então, estou fazendo isso por nós dois. Não precisa ser só você a tomar atitude pra que isso funcione.

— Eu sei que não... estou apenas surpresa por isso.

— Acredite, eu também estou.

Depois desse convite surpresa Sasuke foi embora juntamente com tio Fugaku, que passou na minha sala pra buscá-lo e pra me dar um beijo. No fim das contas meu almoço nunca chegou e eu tive que aproveitar um intervalo entre as consultas pra beliscar algo.

Eu tava mais feliz que o normal, eu era só sorrisos. Mas não era pra menos...

A tarde passou voando e eu acabei terminando os atendimentos mais cedo. A emergência estava tranquila e não precisava de outro pediatra ali. Passei na sala do meu pai, ele também estava livre e resolvemos ir mais cedo pra casa. Era a primeira noite que eu passaria na minha casa depois de tantos anos, meu pai parecia mais ansioso do que eu.

— Posso saber por que a minha menina está só sorrisos hoje? — indagou meu pai assim que eu apareci na sala de casa e me sentei ao seu lado no sofá. — Isso tem a ver com uma visita de um certo rapaz de cabelos pretos?

— Não faço a menor ideia do que o senhor está falando, pai. — deitei minha cabeça em seu colo e ele bufou. — Tô falando sério seu Kizashi.

— Você nasceu pra ser médica filha e não atriz. — ele disse afagando meus cabelos. — Pode contar a verdade pra seu pai.

— Ele me convidou pra sair hoje à noite... eu já me belisquei algumas vezes pra vê se eu não tava sonhando.

— E por que você estaria sonhando? — ele disse sério.

— Depois de tudo pai, parece meio irreal. Eu sinto que ele ainda está machucado.

— Sakura, vocês dois não tem mais 17 anos. Você já experimentou se abrir com Sasuke pra falar sobre isso?

— Já pai, mas ele sempre coloca um muro entre nós dois e diz que não tá pronto. — suspirei pesadamente. — Eu diria que é compreensível.

— É sim, mas ele não pode dizer que não tá pronto pra sempre.

— Eu sei...

— E fora que o Sasuke seria um bobo se ele não quisesse ficar com você.

— Pai, estamos indo aos poucos... Tentando ser amigos de novo.

— Querida, você dois já passaram da fase da amizade há muito tempo. — meu pai disse e riu. Ótimo essa falta de credibilidade na amizade.

— Pai!! — ralhei.

— Desculpa. Não está mais aqui quem falou. — ele deu um beijo em minha testa. — Que horas você e o Sasuke vão sair?

— Ele vem buscar às oito, por que?

— Porque já são sete e trita e sete, filha.

— Puta que pariu. — coloquei as mãos na cabeça. — Preciso me arrumar. — dei um beijo na testa de meu pai e subi voando pro quarto.

Cheguei no meu quarto e fui direto pro banheiro. Tomei um banho quente pra me ajudar a relaxar e quando estava entrando em desespero sobre qual roupa usar meu celular apitou. Era uma mensagem de Sasuke avisando que se atrasaria uns dez minutos. Agora me respondam quem manda mensagem avisando que vai se atrasar DEZ minutos? Só um maníaco por horário como ele. Mas eu achei fofo, desculpem a minha bipolaridade.

Por fim decidi colocar meu macacão preto de alcinhas, cavado nas laterais e com tecido solto nas coxas. Admito que o decote é um pouco generoso, mas a cidadã que vos fala não tem tanto peito assim. Por fim coloquei uma sandália branca com um salto bem pequeno e uma bolsa-carteira preta.

Passei apenas um lápis nos olhos e máscara. Mas na boca não podia faltar o batom vermelho... eu tava ficando viciada nele, mas depois daquela declaração de Sasuke eu tinha um motivo a mais pra usar.

Me olhei no espelho e gostei do que vi. Não pude deixar de sorrir que nem uma boba.

Eu ainda estava no meu quarto quando a campainha tocou, admito que senti um frio na barriga. Eu estava nervosa.

— Qual é Sakura? — me repreendi. — É apenas o Sasuke. — bufei. — Talvez seja por isso mesmo.

De vez em quando eu converso comigo, mas prometo que sou normal. Quem nunca falou consigo mesmo, não é?

Antes de sair do quarto tomei a pílula porque nunca se sabe. Milagres acontecem, ué.

Desci e encontrei os dois homens da minha vida conversando, não pude deixar de sorrir diante da cena.

— Boa noite, rapazes. — anunciei minha presença. — Oi Sasuke. — ele não me respondeu, apenas esboçou aquele sorriso de canto que eu amo e me analisou dos pés a cabeça.

Ele estava lindo com uma camisa polo azul marinho, calça jeans e seu all star preto. Seus cabelos bagunçados lhe davam um charme peculiar e seus olhos negros poderiam me incendiar se quisessem.

— Filha você está linda. — disse meu pai quando me viu, mas logo se virou pra Sasuke. — Cuida bem da minha menina, Sasuke. Bom passeio pra vocês. — disse meu pai pegando o rumo da escada e passando por mim depositando um beijo em minha testa.

— Tenho que concordar com seu pai, você está linda Sakura. — ele disse depositando um beijo na minha bochecha esquerda e eu senti o local formigar. — A propósito, boa noite. — sorri em resposta.

— Você também está muito bonito, Uchiha.

— Obrigado, Haruno. — ele deu mais um sorriso de lado. Já aviso que eu não estou bem. — Então, vamos? — ele me deu seu braço e eu prontamente aceitei.

— Vamos.

Estávamos à caminho do restaurante quando uma música um tanto sexy começou a tocar. Era Do I wanna know? do Arctic Monkeys.

— Essa música é um perigo. — falei.

— Por que essa música é um perigo? — indagou o moreno curioso.

— É uma música feita pra transar.

— Por que música pra transar?

— Ela é sexy, as batidas ritmadas podem perfeitamente simular o ato de vai vem. — ok eu tava demais, mas foi ele que perguntou. — Tudo nela é envolvente. É uma entrega completa. — olhei pra Sasuke que engoliu em seco o que eu disse. Tadinho, da próxima vez ele pensa duas vezes antes de perguntar.

— Essa música nunca mais será a mesma pra mim. — confessou. — Tem outras músicas que se assemelhem a este perfil, digamos transante?

— Tem várias... Paint it, black dos Rolling Stones, Seven Nation Army do Whites Stripes, Black Magic Woman e Corazón Espinado do Santana, Animals do Maroon 5, Smooth Sailing e Make It Wit Chu do Queen Of The Stone Age, Feeling good da Nina Simone, mas a versão do Aviici ficou muito boa também. — suspirei. — Essas são as que eu lembro...

— Imagina se você lembrasse de mais alguma... — Sasuke apertava o volante com força até os nós dos seus dedos ficarem brancos. — Você já deve ter usufruído bastante delas com outras pessoas. — ele sussurrou essa última parte, Sasuke tava com ciúmes, mereço. Se ele soubesse da minha vida sexual acho que ele choraria.

— Já usufrui sim, mas apenas comigo mesma. — lancei um olhar malicioso pra ele captar a mensagem.

— Acredito que estamos numa seara perigosa, melhor mudarmos de assunto.

— Eu acredito que essa seara é perfeita, mas não é todo mundo que sabe conversar sobre isso.

— Você é mesmo um perigo, Haruno.

— Você nem sabe o quanto, Uchiha. — ele apenas balançou a cabeça sorrindo.

Chegamos ao restaurante e fomos conduzidos para uma mesa mais ao fundo, Sasuke sempre gostou dos lugares mais isolados onde a conversa dos outros não incomodem. Sentamos nos futons um de frente pro outro. Fizemos nossos pedidos porque ambos estávamos famintos.

— Confesso a você que é um pouco estranho essa situação. Esse lapso de nove anos é como um entrave entre nós dois. Às vezes eu não sei como agir ao seu lado. — Sasuke foi direto e acredito que tenha sido difícil pra ele falar isso.

— Pra mim também não é fácil e às vezes eu também não sei o que fazer. Mas simplesmente funciona... flui. Eu sou a mesma Sakura de sempre, apenas um pouco mais velha, mais madura e com roupas melhores. — disse dando de ombros e ele riu.

— Minhas roupas continuam as mesmas. — concluiu Sasuke e nós dois caímos na gargalhada. — Você é feliz, Sakura?

— Quando eu descobri que felicidade é um estado e não uma meta, tudo fez a diferença pra mim. Eu sou muito feliz... tenho um profissão que eu amo, estou perto do meu pai, perto dos meus amigos e perto de você.

— Você não facilita mesmo, não é Haruno?

— Jamais, Uchiha. Que graça teria se eu facilitasse?

— Nenhuma e não combina com você.

— Exatamente. Mas então me conte sobre você, o que fez durante esses nove anos. Precisamos extinguir esse lapso temporal de acontecimentos.

— Basicamente estudei e trabalhei.

— Nossa Sasuke, que chato. Aposto que tem mais coisas aí... por que você não me fala do seu mestrado ou da sua vontade em ser professor? Eu nunca imaginei Uchiha Sasuke como professor.

— Esses quase dois últimos anos foram os mais intensos em estudo, mas eu aproveitei muita coisa também. Conheci praticamente todo os Estados Unidos e uma parte do Canadá, fui pra alguns festivais de música e comi muito fast food. A vontade de ser professor veio na faculdade, eu fui monitor de algumas matérias durante o curso e era bom nisso. Diversos professores teciam elogios a mim e disseram que seria muito bom se escolhesse a carreira. Demorou, mas eu me convenci de que seria verdade e agora está muito perto disso acontecer.

— Que maravilha, Sasuke. — eu estava realmente feliz por isso. — Sasuke-sensei. Acho que você será o professor mais assediado da faculdade.

— Meu objetivo é passar conhecimento e não flertar com alunos e alunas.

— Mas eles irão fingir que não sabem disso. Se eu fosse sua aluna eu faria isso. — disse como não quer nada e Sasuke apenas sorriu pra mim.

— Você é um perigo, Haruno.

— Você já me disse isso duas vezes hoje, tô começando a acreditar que é verdade.

Depois disso nossa comida chegou e passamos a comer praticamente em silêncio, também trocávamos sorrisos e olhares. O hambúrguer, a batata frita e o milk-shake de chocolate estavam divinos.

Sasuke não estava tão travado quanto antes e eu ficava muito aliviada por isso. Nos entupimos com as besteiras e ficamos lotados até a alma.

— Nossa, acho que não cabe nem uma bala no meu estômago. — falei com as mãos na barriga.

— Somos dois. — Sasuke disse e levou o guardanapo até a boca, nesse momento notei sua tatuagem e uma curiosidade surgiu.

— Sasuke, posso te fazer uma pergunta? — ele apenas assentiu. — Por que você tatuou um falcão em seu ombro esquerdo?

— Você viu? — perguntou meio sem graça.

— Eu te vi pelado, sua tatuagem não passaria desapercebida.

— Sutil como uma granada, você. — acusou, mas com tom brincalhão. — Num alto de uma bebedeira na época da faculdade eu resolvi fazer uma tatuagem. Tem um bar próximo a universidade, a maioria das pessoas que frequentam são alunos, professores e funcionários. Nessa época tinha um estúdio de tatuagem dentro do bar e como eu estava muito bêbado eu fui. Eu não lembro exatamente como escolhi o desenho. — ele riu recordando do acontecido.- A minha sorte é que o tatuador era muito bom e desenho ficou bonito.

— Mas por que um falcão?

— Como eu te disse, não lembro. No dia seguinte quando eu cheguei em casa minha queria me matar e meu pai nem olhava na minha cara. Me arrependi da besteira que eu fiz e busquei o tratamento para retirar. — ele riu de novo. — Mas Itachi não deixou, ele disse que estava muito bonita e que eu não deveria removê-la.

— E você não removeu... — disse como se fosse óbvio.

— Mas não foi apenas por isso. Eu fui estudar um pouco sobre falcões e gostei do que li. Falcões são aves de rapina diferenciadas, são menores e também são bem leves, mas seu estilo de voo é diferenciado por conta das suas asas que favorecem à caça em ambientes mais abertos. A velocidade de voo é impressionante e ultrapassa com folga 400km/h. E eles preferem viver em montanhas, penhascos e desertos. Não é uma ave comum.

— Você, velocidade, lugares isolados e falcão, um belo conjunto eu diria. Faz todo o sentindo pra mim.

— Pra mim também e foi por isso que eu não removi, acho que no final das contas fui um bêbado consciente. — rimos da sua conclusão. — Mas então qual foi o motivo da sua tatuagem?

— Você notou, é? — indaguei como não quer nada.

— Eu te vi pelada... — ele disse num tom malicioso sentindo o gosto de devolver minhas palavras. — E seria uma pouco difícil não notar quando ela toma praticamente toda a região das suas costas e parte do seu braço direito.

— Bem, acho que você já deve imaginar o que ela significa... Eu a fiz logo assim que cheguei em Tóquio. Foi uma forma de deixar um pedaço de Konoha em mim, essa árvore tem tantos significados pra mim e ela me lembra tanta gente especial. É uma forma de nunca está sozinha.

— É... pra mim faz todo sentido também. Percebi que você colocou a data do último natal de sua mãe.

— Sim... — suspirei me lembrando daquele dia. — Foi o último dia feliz dela... ela estava tão radiante e tão viva.... — senti uma lágrima solitária escapar.

— Sakura... — Sasuke levou sua mão até meu rosto limpando a lágrima e fez um carinho. — A gente não precisa falar disso se você não quiser.

— Está tudo bem. — esbocei um sorriso mínimo. — Falar da mamãe sempre mexe comigo.

— Compreensível, mas não gosto de ver você chorando.

— Tem coisas que nunca mudam, não é mesmo?.

— Nunca.- ele disse dando seu sorriso de canto. — Mas então o que faremos agora?

— Vamos dar uma volta na praça e comer dangos, o que acha?

— Não era você que não tinha espaço pra uma bala.

— Pra bala não tem mesmo não, mas pra dango tem sempre.

— Você não existe, Sakura.

— Existo e existo muito, Sasuke-kun.

Foi uma briga pra pagar a conta, porque Sasuke queria pagar sozinho e eu não queria deixar. Desde sempre a gente briga por isso, eu sempre quero dividir e ele nunca quer deixar. Mas eu ganhei como na maioria das vezes e ele ficou com um bico enorme.

Agora estávamos sentando em um dos bancos da praça perto de um parquinho vazio. Antes passamos em uma barraquinha de dangos que já estava quase fechando, acabei comprando três. Eu era uma monstrinha quando o assunto era doces.

— Meu Deus Sakura, você vai aguentar comer isso tudo? — indagou Sasuke segurando minha bolsa pra que eu pudesse comer.

— Claro que eu vou. — devorei o primeiro na velocidade da luz. — Nossa... — disse ainda de boca cheia. — Isso tá uma delícia.

— Calma Sakura, o dango não vai fugir. — eu dei língua e ele riu. — Olhando assim nem parece que é uma médica de prestígio.

— Médicas de prestígio também comem doces, Sasuke-kun. Você podia ser menos azedo de vez em quando, sabe?! Não custa nada e faz bem pro coração.

— Tá certo. — ele disse por fim.

Comi meus dangos, mas não falamos mais nada. De novo aquele silêncio chato e incômodo, até que o vento frio passou e eu comecei a bater o queixo. Por mais que fosse primavera a noite ventava muito em Konoha e minha roupa não contribuía em nada.

— Você tá com frio, né? — indagou Sasuke.

— Tô sim. — confessei receosa porque não queria que nosso encontro acabasse.

— Vem, vamos pro carro. — disse Sasuke e eu apenas assenti, e o segui.

[...]

— O céu está tão lindo. — disse assim que entrei no carro de Sasuke. — Cheio de estrelas.

— Está realmente muito bonito. — Sasuke concordou comigo. — Mas pode ficar ainda melhor.

— Como?

— Assim. — Sasuke puxou a parte de cima do carro e para-brisa ficou ainda maior.- Pra sua sorte o teto desse carro é panorâmico o que permite uma vista privilegiada como essa.

— É lindo, Sasuke. — fiquei ainda mais maravilhada com o céu acima. — Eu podia ficar a noite toda admirando.

— Não seja por isso. — ele ligou o carro e saímos do centro de Konoha.

— Aonde vamos?

— Você vai ver.

Demorou um pouco e chegamos num lugar que eu conhecia, mas não sabia porque motivo Sasuke tinha me levado ali.

— Por que estamos da Universidade de Konoha? — indaguei.

— Estamos apenas passando pela Universidade de Konoha. Perto dela tem um rochedo alto que foi feito pra observar o céu.

Pouco tempo depois de passarmos pela universidade chegamos ao rochedo. O lugar era desértico e nem parecia que ficava em Konoha uma cidade cercada por florestas. Não tinha ninguém por ali além de nós dois. Ele estacionou o carro e assim como eu passou a admirar a vista.

— Que lugar lindo, Sasuke. O céu parece mais próximo da gente.

— Eu sempre quis te trazer aqui. — confessou.

— E por que nunca trouxe?

— Porque só conheci esse lugar depois que você foi embora.- engoli em seco diante de suas palavras. — O pessoal de geologia queria fazer um luau diferenciado e desde então eu sempre venho aqui.

— Eles conseguiram um luau diferenciado. — brinquei e Sasuke riu. — Aposto que já veio a muitas festas aqui.

— Engano seu. Aquela foi a primeira e única, bebida e lugares altos não combinam.

— É verdade. Mas então você sempre vinha mesmo assim? — ele apenas assentiu em resposta. — Aposto que trouxe muitas garotas pra cá.

— Engano seu de novo. Você é a primeira que eu trago aqui. — ele disse me encarando. — Assim como você é primeira de muita na coisa na minha vida.

— Acho que estamos quites, então.

Sasuke não disse mais nada, apenas abaixou o meu banco e o dele. Ficamos os dois em silêncio observando aquele céu estralado. Não eram necessárias palavras, mas mesmo assim eu buscava uma forma de expressar algo pra ele.

— Obrigada, Sasuke.

— Pelo que?

— Por tudo.. por ser você, pela noite, por este lugar e... — nos encaramos. — Por essa chance.

A resposta de Sasuke veio através de um beijo. Um beijo calmo, mas intenso com misto de saudade e vontade. As palavras não ditas foram expressadas por um dos melhores beijos que eu já dei. O beijo cumprido durou e demos vários outros ao decorrer da noite e depois disso fomos pro banco de trás do carro onde ficamos abraçados.

Não fizemos nada além de nos beijarmos não porque não queríamos, mas não sentimos necessidade de ir além. Queríamos apenas desfrutar a companhia um do outro como quem mata uma saudade apertada de anos. O mundo poderia acabar ali e agora que eu seria a mulher mais feliz do mundo.

Sasuke me deixou em casa ainda de madrugada e se despediu com outro beijo caloroso e intenso. Eu não queria largá-lo e acredito que ele também não, mas decidimos ir aos poucos porque não tinha a menor necessidade de pressa. O sabor desfrutado aos poucos dava mais intensidade ao gosto.

Deitada na minha antiga cama, apenas de pijama eu ficava repassando o dia em minha mente. Sorria como uma boba apaixonada que descobre que a pessoa que a gente ama corresponde aos mesmos sentimentos que o seu. Apenas despertei dos meus pensamentos quando meu celular vibrou. Era mensagem dele.


Uchiha Teimoso diz:

Cheguei tem uns 10 minutos

Obrigado pela noite.



Eu:

Agora posso dormir despreocupada

Eu que agradeço pela visita inesperada e pelo convite

A noite foi ótima


Uchiha Teimoso diz:

Fico feliz que tenha gostado

Boa noite, Haruno.



Eu:

Boa noite, Uchiha

Beijo na boca


Uchiha Teimoso diz:

Você é mesmo um perigo

Mas eu rio na cara do perigo

ahahahahahahhaha



Eu:

Tá certo, Simba

ahahhahahahah

;**


Uchiha Teimoso diz:

;**

Naquela madrugada o sono não demorou a chegar e mesmo que eu dormisse pouco acordaria no dia seguinte ou neste caso o mesmo dia com o maior sorriso do mundo.

Notas finais
E aí, vocês gostaram? E esse casal, Brasil? Comentem, comentem e comentem ♥ ♥ ♥ Os links das principais das músicas do cap (ouçam e me contem a opinião de vocês): https://www.youtube.com/watch?v=VuZvrMWwQiY https://www.youtube.com/watch?v=bpOSxM0rNPM Se tiver mais músicas pra lista transante podem comentar também ahahahahah. Beijocas