Daylight
32 Na estrada
Notas iniciais
Seus olhos e seus olhares
Milhares de tentações
Meninas são tão mulheres
Seus truques e confusões
Se espalham pelos pêlos
Boca e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me agarram pelas pernas
Certas mulheres como você
Me levam sempre onde querem
(Garotos II — O outro lado — Leoni)
Por Sasuke
Depois daquele desastroso encontro com Sakura os dias que passaram a seguir não foram melhores. Ela visualizou, mas não respondeu a minha mensagem.
Às vezes eu me pegava pensando se o que eu tinha feito foi tão errado assim, afinal eu tenho todo o direito de questionar. Tudo se resumia a eu e ela.
Eu apenas queria que a gente definisse o que estávamos fazendo. Talvez o tempo longe dela tenha feito eu esquecer que Sakura não é tão adepta a definições... ela simplesmente vive, mas eu não.
Como Suigetsu tinha se machucado e Juugo estava no congresso, trabalho não é algo que faltou pra mim nessa quinta e sexta. Mas eu não tinha concentração e foco pra executar minhas tarefas diárias.
Por diversas vezes, nesses dois dias, me peguei tentando enviar uma mensagem pra Sakura. Aquela barrinha piscando era uma angústia sem fim. Era como se ela me dissesse "você está perdendo tempo seu idiota" ou "Sasuke, seja homem e fala logo com ela." ou ainda "O máximo que ela pode fazer é continuar te ignorando, mas não custa tentar."
E no fim das contas eu fui um fraco. Não consegui escrever absolutamente nada... Só de pensar que Sakura me ignoraria de forma tão evidente fazia meu estômago revirar.
Quando eu via que ela estava online eu fechava rapidamente o WhatsApp como se minha vida dependesse disso. Eu era mais uma vez aquele garotinho no jardim de infância que observava sua colega de sala, mas não tinha coragem de falar com ela.
Toda essa situação parecia não ter fim e por mais que eu não quisesse, eu precisa desabafar com alguém e sobrou pra Naruto.
Ele veio até a fábrica na quinta-feira à tarde pra conversarmos. Como minha sala estava vazia, privacidade é o que a gente tinha de sobra.
— Nossa, que cara azeda é essa, teme?! — me cumprimentou Naruto assim que entrou na sala onde eu trabalhava. — Parece que a situação é mesmo séria.
— É sobre a Sakura. — fui direto e taxativo.
— Nem precisava me dizer que era sobre a Sakura-chan. — me deu um abraço e depois se sentou na cadeira em minha frente. — Isso esta evidente na sua cara. Mas me diga, o que foi que aconteceu?
— Café? — perguntei enquanto ia até maquina de café e tentava desviar um pouco do assunto. — Tem capuccino, descafeínado ou se preferir achocolatado.
— Vamos mesmo falar sobre café? — ele perguntou com desdém. — Parece que foi pior do que eu pensei.
— Eu apenas queria ser cordial, dobe. — falei seco. Eu estava deveras irritado. — Mas educação não é pra todo mundo.
— Cordialidade e esse tom de voz ácido não combina, amigão. — deu um sorriso mínimo. -Mas eu aceito um achocolatado porque café é ruim pra cacete.- bufei.
— Perdoa Senhor, ele não sabe o que diz. — falei enquanto pegava o sachê do achocolatado.
Naruto apenas revirou os olhos como resposta e eu me ative a máquina de café que fazia seu trabalho perfeitamente demonstrando uma eficiência que me faltara desde que cheguei ao trabalho.
Podia sentir os olhos de Naruto cravados em mim como se me estudasse. Ele sabia que eu sempre gostei do silêncio e oportunidades como essas eram raras. Assim como Itachi, Naruto me conhecia muito bem demais.
Por fim as bebidas ficaram prontas então eu voltei a minha confortável cadeira e entreguei a bebida de Naruto, enquanto a minha repousava ao lado do teclado.
— Pelo visto a merda foi grande. — disse meu amigo cortando o silêncio. — Nunca te vi observar com tanta atenção a produção de um simples café.- sorriu. — Essa é sua técnica pra fugir das coisas que te afligem.
A convivência com Hinata estava fazendo muito bem a Naruto. Nunca pensei que ele atingiria um elevado grau de sabedoria.
— Eu sei o que você tá pensado, Sasuke. — bebericou o seu achocolatado e depois sorriu. — Posso parecer tapado ou até mesmo lerdo, mas eu sei das coisas quando eu vejo. Principalmente quando elas acontecessem com pessoas que são importantes pra mim.
Naruto, ao contrário de mim, nunca teve dificuldades em demonstrar sentimentos. Ele dizia que amava e ponto. Minha perspectiva sobre isso mudou quando o que eu sentia por Sakura passou a ser mais forte que a minha racionalidade.
Era tão fácil amá-la e dizer isso pra ela, que eu simplesmente não cansava. Fazer Sakura sorrir era ter a certeza de que um coração pulsava com força em meu peito. Minha relação com todos melhorou e eu me tornei mais amigável, e sociável.
Quando ela se foi, tudo isso caiu por terra. Eu me tornei pior do que o Sasuke que eu já fora um dia. A amizade com Juugo e Suigetsu deu certo por sermos os isolados e os que sobravam na sala de aula.
— Eu não sei como agir quando estou com ela. — confessei me sentindo um fraco. — Numa hora estamos muito bem e numa outra hora não estamos mais.
— Isso eu também já sabia, mas que tal você me contar o que de fato aconteceu? — bebericou sua bebida mais uma vez. — Como a Sakura-chan está essa semana na casa do pai eu estou completamente por fora dos acontecimentos
— Depois daquela fatídica noite de bebedeira, ainda la na sua casa Sakura e eu conversamos mais. Ela fez questão de reforçar que não vai desistir de mim. — ri sem humor. — E que se afastaria de mim se eu pedisse.
— Mas você não quer isso... — deduziu meu amigo sabiamente.
— Não, eu não quero. — beberiquei um pouco do meu café. — Mas eu não tinha noção de quanto a queria por perto. A racionalidade me abandona e meus instintos falam por si.
— Como assim?
— Eu acabei encontrando com Sakura na segunda quando fui levar meu pai ao hospital. A ideia era apenas fazer uma visita cordial, mas quando eu vi acabei fazendo um convite pra que saíssemos mais tarde pra jantar.
— Eu queria ser um mosquitinho pra ver essa cena. — brincou Naruto e eu apenas revirei os olhos.
— Baka! — ralhei.— Não foi nada demais, não faça festa por pouca coisa.
— Pouca coisa?! — indagou Naruto incrédulo. — Teme, isso é um puta avanço. Estou ainda mais surpreso que tenha partido de você o convite.
— Ambos estamos surpresos então. — disse dando de ombros.
— Mas pra você tá com essa cara e azedo desse jeito o encontro deve ter sido uma bela porcaria, né?!
— O primeiro não, mas o segundo...
— Espera... teve mais de um? — arregalou os olhos. — É isso mesmo que eu ouvi?
— É dobe, se eu soubesse que você iria reagir assim não tinha te contado.
— Credo, Sasuke. Você está insuportável não deve ter transado pelo visto, deixou a pobre Sakura-chan literalmente na mão.
— Naruto!! — falei sério. — Sakura e eu não nos resumimos apenas a sexo. Tem muito mais que isso envolvido.
— Sasuke... foi apenas uma brincadeira. — bufou. — Será que a agora da pra você me contar? Tô ficando preocupado de fato.
— Eu vou te contar e por favor, não me interrompa. — ele apenas assentiu. — Como eu já te disse eu convidei Sakura pra sair na segunda. Foi melhor do que eu esperava... Jantamos, nos divertimos, conversamos e demos alguns beijos... — Naruto deu um sorriso malicioso. — Pode tirar esse sorriso da cara porque não rolou nada a mais que isso. Foi um momento de calmaria que não tinha necessidade pra chegarmos as vias de fato. — Meu amigo me olhou com cara de desgosto e eu apenas ignorei. — Nos falamos ao decorrer da semana e marcamos um encontro, um passeio de bicicleta no jardim do Centro Comunitário de Konoha.
— Sasuke, quem marca passeio de bicicleta?! Pelo amor de Deus que encontro sem graça.
— Calado, dobe. — bradei e Naruto me deu língua. Realmente muito maduro. — O passeio de bicicleta acabou não acontecendo, mas Sakura e eu passamos a quarta juntos da mesma forma. — Naruto abriu a boca, mas eu fui mais rápido. — Suigetsu, meu amigo e colega de trabalho acabou se acidentado enquanto consertava uma máquina. Levei ele até a emergência do hospital da família de Sakura e foi justamente Sakura que o atendeu.
— Sakura não é pediatra?
— É dobe, mas ela estava ajudando na emergência dos adultos nos casos mais simples. Suigetsu sofreu um corte e só precisou de uma sutura. — Naruto assentiu. — Acontece que Sakura tinha prometido que passaria um tempo com um dos pacientes da Rin, que ela se apegou e ele a ela. Eu o conheci na segunda quando acabei convidando Sakura pra sair. — suspirei. — Ele ia fazer quimioterapia naquele dia, mas se recusou por conta dos efeitos colaterais que não permitiriam que ele brincasse com Sakura. Resolvi ajudá-la e convenci o pequeno a fazer a sessão.
— Opa... espera aí... Vamos recapitular. Você ajudou a Saky com um paciente dela?
— Mas você é muito burro mesmo. O paciente é de Rin não de Sakura. Ela só é apegada com ele, tem um carinho especial.
— E pelo visto não é só ela, né? — brincou Naruto. — Você fica com a maior cara de bobo quando fala do guri.
— Enfim... — desconversei. — Passamos o fim da tarde e o começo da noite com o garoto. O nome dele é Yagura.
— Você passou toda a sessão de quimio com o garoto? — indagou Naruto incrédulo e eu apenas assenti. — É Sasuke, você tá mesmo arreado pela Sakura-chan... de novo. — revirei os olhos como resposta e ele riu. — Mas e seu amigo que se machucou?
— Mandei ele pra casa com Karin. — disse dando de ombros.
— Karin, minha prima? — perguntou confuso.
— A própria.
— E como foi que Karin entrou nessa história? — indagou o dobe.
— Ela que veio dar o recado a Sakura de que Rin a estava procurando, pra falar de Yagura.
— Ah sim... Karin estava de bom humor pelo menos? Porque ultimamente tá foda.
— Como se ela não fosse sempre assim. Suigetsu disse que ela foi quase insuportável.
— Coitado dele. — Naruto balançou a cabeça em sinal de negação. — Você é um amigo da onça, isso sim.
— Eu acho até que eles combinam. — falei como não queria nada e vi Naruto revirar os olhos pra mim. — Falo sério... quando você ver os dois juntos vai me dar razão.
— Eu acho que você deveria tomar conta da sua vida amorosa e esquecer a de Karin e Suigetsu. — meu amigo foi direto e ácido. — Minha prima está ótima do jeito que está, já você não tá nada bem. Deveria se concentrar em coisas mais importantes, Teme.
— Obrigado pela sinceridade em demasia. — ironizei.- Sua amiga é mais complicada que tudo.
— Só a Sakura-chan que é complicada, né? — bufou. — Vocês dois são complicados. Nunca vi um casal se parecer tanto e ao mesmo tempo ser tão diferente.
Eu não disse mais nada e o silêncio voltou a se manifestar... eu sabia que Naruto esperava que eu dissesse algo, mas eu ainda absorvia tudo que ele tinha me dito desde que chegou aqui.
Essa situação toda me irrita, pensar demais tem me irritado mais ainda e a indecisão que me consome o peito aberto em feridas. Minha vida tava tão organizada, programada e seguia tranquila até Sakura chegar e bagunçar tudo de uma vez. Mais uma vez.
— Na quarta a noite... — comecei novamente a contar o fato a meu amigo que estava atento a mim. — Quando saímos do hospital fomos jantar mais uma vez. — fechei minhas mãos com força até que meus nós ficassem brancos. — Fomos ao Ichiraku porque ela queria comer rámen. — sorri com a lembrança e continuei. — Uma garçonete deu em cima de mim e Sakura fingiu não se incomodar. Se fez de forte com aquele jeito marrento só dela.... e do nada eu perguntei o que estávamos fazendo.
— Jantando? — indagou Naruto como se fosse óbvio.
— Não estava me referindo ao jantar. — suspirei. — Eu me referia a ela e eu. O que nós dois estávamos fazendo nos comportando daquele jeito. Como se fôssemos velhos conhecidos, como se esse lapso de nove anos não tivesse existido. Sakura disse que queria ser minha amiga, mas estávamos indo pra outra coisa mais que amizade.
— E o que Sakura-chan achou disso?
— Claro que ela ficou puta da vida. — falei como se fosse óbvio tentando conter minha irritação. — Ela disse que se afastaria se eu pedisse. — confessei num sussurro olhando pra meu copo de café que agora estava vazio.
— Mas você não quis isso. — disse Naruto, mas eu não consegui encará-lo.
— Não... não quis e não quero. — confirmei a contragosto e afundando meu orgulho. — Mas a situação em que nos encontrávamos não podia continuar. — dessa vez encarei Naruto, que me olhava confuso. — Disse a ela que era melhor que parássemos com os beijos ou algo parecido para não confundirmos as coisas.
— Sakura aceitou?
— Aceitou, mas não ficou nem um pouco feliz com isso. — suspirei cansado. — O resto da noite foi uma merda. Ela não dizia mais nada e nem na comida ela tocou direito. No caminho até a casa do pai dela não nos falamos... ela acabou pegando no sono. Quando chegamos na casa de Kizashi-san tivemos mais uma discussão. Confesso, que boa parte por minha culpa... pressionei Sakura e não foi nada bom.
— Às vezes fica um pouco difícil te entender, teme. Você pede espaço a Sakura-chan, mas não oferece esse mesmo espaço a ela. Se cala e não se expõe... uma hora vocês terão de conversar porque senão um dos dois vai se cansar.
Eu não queria admitir, mas Naruto tinha toda a razão e conciliar racionalidade com emoção está mais difícil pra mim.
— Eu sei – confessei num sussurro, mas qualquer um podia notar o peso das minhas palavras..
— Vocês se falaram depois disso?
— Eu mandei uma mensagem pra ela, mas ela não me respondeu e não fala comigo desde então.
— Você sabe o que isso quer dizer, né? — meu amigo indagou já sabendo a resposta.
Não respondi, apenas levantei e fui preparar outro café.
Hoje vamos viajar pra Suna e diante da minha ansiedade não consegui dormir direito. Combinamos de nos encontrar às sete da manhã na casa de Naruto e ainda são cinco horas.
Na tentativa de conter a minha ansiedade resolvi correr... eu estou sedentário demais e preciso liberar endorfina.
(...)
Corri apenas pelas ruas do meu bairro pra não perder o horário de ir pra casa de Naruto. Meus pais saíram assim que cheguei dizendo que iam na construtora resolver algumas coisas, já Itachi e Izumi só vivem naquele quarto. Já encomendaram a criança, mas parece que à vontade de fazer sexo não passa.
Realmente, eu estou de péssimo humor. Não é porque minha vida sexual tá indo ladeira abaixo, que o mundo vai deixar de transar em solidariedade a mim.
Fui tomar um banho pra me arrumar e ir pra casa de Naruto. Minha mala já estava pronta e eu poderia tomar café sem pressa.
Cheguei na cozinha e mais um cômodo vazio, mas a mesa já estava posta. Santa Dona Mikoto. Desfrutei do silêncio e do café preto sem açúcar tentando não pensar em nada.
Quando já estava pra sair da cozinha Izumi entra desesperada abrindo a geladeira com mais força que deveria. Ela usava um pijama de Itachi que ficava realmente engraçado nela.
— Vai tirar o pai da forca priminha?- perguntei chamando sua atenção.
— Ai que susto, Sasuke. — disse com os olhos arregalados. — Quer me matar do coração?
— Quem se assustou fui eu com você entrando na cozinha desse jeito. Que desespero todo é esse?
— Vim pegar gelo... — ela disse se virando pra geladeira e pegando uma forma de gelo.
— Pra que você quer gelo? — indaguei sem entender porque alguém vem desesperado atrás de um gelo uma hora dessa da manhã. — É pra baixar o fogo do Itachi? Nem com você aqui 24 horas ele sossega? — Izumi riu em resposta.
— Não é pra Itachi, primo. É pra mim. — ela disse indo em direção a pia pegando um copo no escorredor. — Tô muito enjoada.
— E o que gelo e enjoo tem a ver? — isso tá ficando cada vez mais confuso.
— Tsunade me falou que mastigar gelo ajuda a diminuir os enjoos e cheirar limão também.
— Que estranho... gravidez é estranho... — ela riu. — Mas Tsunade já colocou tanta criança no mundo e já lidou com tanta grávida que deve saber o que fala.
— Exatamente. — disse Izumi confiante. — O gelo realmente funcionou comigo, mas o limão nem tanto.
Izumi se sentou ao meu lado e deu uma mordida sofrida no cubo de gelo. Mas a cara de satisfação dela parecia que aquilo era um dango ou qualquer coisa do tipo.
— Você não ia pra Suna, hoje? — ela indagou depois de saborear o gelo.
— Eu vou. Tô esperando só mais um pouco pra sair de casa. — ela deu um sorrio triste e eu entendi o motivo. — Tá com saudade de casa?
— Apesar de ter nascido e me criando em Konoha eu vivi bons momentos em Suna. — deu mais um sorriso triste. — Mas o que eu sinto falta mesmo são dos meus irmãos, meu trabalho e até do meu pai...
— Mas você sabia que isso poderia acontecer... — eu não estava a melhor das pessoas para consolar alguém.
— Eu sei, Sasuke. Mas entre imaginar uma coisa e quando de fato ela acontece é bem diferente. Eu amo seu irmão e nunca fiquei analisando variáveis porque eu sempre achei que meu pai um dia cairia na real. E como você sabe isso não aconteceu, mas isso não quer dizer que eu não sinta falta dele.
— Itachi sabe disso?
— Sabe... eu não escondo nada do seu irmão. Ele até sugeriu que fôssemos em Suna conversar com meu pai, mas eu achei melhor não. — sorriu triste mais uma vez. — Ele está irredutível e eu não quero mais confusão por minha causa. Já consegui um novo emprego aqui, Itachi e eu temos um apartamento que logo será entregue, meus irmãos, meus tios e você estão do nosso lado e agora temos mais um membro Uchiha que vai nascer e depende da minha proteção. — dessa vez ela sorria de forma alegre e passava as mãos pelo ventre. — Apesar de tudo eu estou muito feliz. Estou vivendo em plenitude como sempre quis, sem amarras ou fingimentos.
— Você acha que tio Madara um dia cai na real e aceita de uma vez essa situação?
— Já pensei muito sobre isso, mas agora não penso mais. Depois daquele ultimato que ele me deu e a descoberta da minha gravidez eu resolvi jogar pra cima. — suspirou. — É um desgaste desnecessário e isso não me compete mais.
— Queria olhar as coisas de forma tão objetiva como você faz... — acabei pensando um pouco alto e vi a cara surpresa de Izumi.. — Bom... — olhei pro relógio em meu pulso. — já tá na minha hora. Tchau priminha e dê um abraço no baka do eu irmão.
— Eu te levo até a porta, primo. — ela se levantou e me acompanhou pela sala em direção a porta. — Se você pensar demais vai surtar, Sasuke.
— O que? — indaguei com a mão na maçaneta e de costas pra Izumi. — Do que você tá falando?
— De você e Sakura obviamente. — ela tocou meu ombro e eu me virei. — Se você pensar demais, vai acabar ficando louco.
— Não é tão simples.... — sussurrei.
— Na verdade é muito simples. — ela deu um sorriso. — Para de pensar e se permita sentir. Tudo que você precisa saber está bem aqui. — ela apontou pro meu coração. — Boa viagem e aproveite muito as praias de Suna.
— Obrigado, Izumi. — disse por fim saindo de casa.
Cheguei na casa de Naruto e todos já estavam lá sentados na mesa do jardim, exceto Sakura e Karin. Temari, Ino e Hinata conversavam animadamente e quando me viram deram um sorriso que eu diria malicioso. Temari e Ino até entendo, mas Hinata? A pessoa mais fofa do mundo. Pode ser só impressão minha também. Shikamaru dormia abraçado com um travesseiro e Naruto e Sai conversavam.
— TEME, ATÉ QUE ENFIM VOCÊ CHEGOU. — gritou Naruto me recepcionando.
— Dobe, eu estou bem aqui do seu lado não precisa gritar. — ele me deu dedo o que já era previsto e eu apenas ignorei, — Bom dia.
— Bom dia. — responderam em coro meus amigos, exceto Shiakamaru que nem pra respirar ele acordava.
— Então, vamos partir que horas? — indaguei numa forma de perguntar indiretamente onde estavam Sakura e Karin.
— Estamos esperando Saky chegar. — respondeu Ino. — Ela tá perto.
— E a Karin vem com ela? — perguntei.
— Karin não vai mais. — respondeu o dobe. — Ela está em Kusa pro aniversário do meu tio que ela tinha esquecido, por isso apenas nós e a Sakura-chan iremos pra Suna.
— Hn... — disse por fim.
Enquanto Sakura não chegava eu, Naruto e Sai arrumamos as malas dos rapazes no meu carro.
Pouco tempo depois que acabamos Sakura chegou.... Ela não simplesmente chegou, ela fez questão de anunciar sua chegada de forma escandalosa. Parece até que fez pacto com Naruto e Ino.
Ela dirigia um Jeep Renegade vermelho com um som nas alturas pouco se fodendo se a vizinhança queria dormir até mais tarde num dia de sábado. As meninas começaram a dar gritinhos e Shikamaru acordou perguntando onde era o terremoto.
— Bom dia, gente. – anúncio Sakura saindo do carro. – Eu cheguei.
— Como se ninguém tivesse notado. – as palavras acabaram pulando da minha boca. Eu tava nervoso depois do nosso último encontro desastroso e por ser ignorado após isso.
— Eu disse bom dia, Sasuke. – ela disse cínica. – As vezes me pergunto onde está sua educação.
Todos os nossos amigos olharam pra mim esperando que eu respondesse. Sakura queria jogar e eu reconheço o quão boa jogadora ela é começando por usar minhas palavras contra mim. Apenas bufei em resposta e depois engoli em seco quando vi como Sakura estava vestida. Um blusa minúscula branca deixando sua barriga a mostra, um short jeans rasgado que mostrava demais pra meu gosto e claro era notável que estava com um biquíni vermelho por baixo da roupa e pra piorar era de lacinho pra acabar com o ser humano aqui.
Reprimindo pensamentos impuros....
Reprimindo pensamentos impuros.
— Tsc... Você está atrasada. – falei quando alcancei o mínimo de racionalidade. – O combinado eram sete horas.
— Tive um pequeno problema com o carro, mas pelo visto eu não sou a única atrasada por aqui. Cadê a Karin?
— Ela não vai testa. – respondeu Ino. – Hoje é aniversário do pai dela e ela foi pra Kusa, então a gente só esperava por você.
— Tudo bem, então vamos? – disse Sakura. – Meninos, vocês podem ajudar com as malas?
— CLARO, SAKURA-CHAN. – não preciso nem dizer quem respondeu.
— Saky, a gente não ia no carro do seu pai? – escutei Ino perguntar a Sakura.
— Meu pai vai precisar do carro, então eu resolvi alugar um pra gente viajar ainda com estilo.
— Põe estilo nisso testuda. – as duas caíram na gargalhada. – Você ta linda e tem um Uchiha que não tira o olho de você. – as duas me encaram e eu senti meu rosto esquentar por ser pego no flagra. Fingi que não era comigo e me ative as malas.
Depois de colocar as malas no carro de Sakura e resolvermos os últimos detalhes cada qual seguiu seu rumo até o carro determinado. As meninas estavam mais agitadas, já os rapazes só Naruto que não conseguia se conter. Pensei seriamente em coloca-lo no carro com as meninas, mas foi apenas uma ideia mesmo.
O carro delas ia na frente, apenas uma medida protetiva. Não que eu não confiasse em Sakura no volante, apenas precaução por conta da estrada.
O meu carro estava silencioso o que deveria ser considerado um milagre. Shikamaru dormia, Sai estava desenhado, ele dizia que é seu hobby preferido pra relaxar. Já Naruto estava apenas olhando a estrada ao redor e parecia pensativo. Diferente de quando estávamos saindo de sua casa.
— Aconteceu alguma coisa, dobe? – indaguei preocupado mesmo que o silêncio não me incomodasse. — Você tá muito calado.
— Não tenho nada demais, teme. Só estou com sono. – ele disse dando um bocejo. Parecia até Shikamaru.
— Não dormiu noite passada?
— Não. Hina-chan não me deu folga. – ele riu. – Quando não queria transar, queria comer alguma coisa diferente. Essa gravidez de Hinata tá me deixando louco, mas eu até que gosto.
— Ao menos você transa...
— Nisso eu tô melhor que você, Teme.
— Baka! – ralhei.
— Só estou dizendo a verdade. Se você ficasse mais um pouco observando a Sakura-chan ia bater punheta e gozar no meu jardim.
Mas não é mesmo um idiota?!
— Vou apenas ignorar sua existência, dobe. – falei seco.
— Teme e sua falta de senso de humor. Foi apenas uma brincadeira, mas que você estava babando na Saky você tava sim.
— Eu também vi, Sasuke. – disse Sai.
— E eu também. – disse Shikamaru despertando do seu coma. – Isso é realmente problemático.
— Vão se foder todos vocês. – bradei irritado. – Melhor continuar no silêncio que estava.
Ouvi meus amigos rirem em reposta e resolvi ignorar pra manter a minha sanidade, e pra não entregar os pontos mais do que eu já havia entregado.
Liguei o som pra ignorar por completo os murmúrios dos meninos e me foquei em dirigir, mas meus pensamentos mais uma vez me traíam quando a música começou a ecoar e a voz de Johnny Cash na canção Hurt eclodiu pelo carro...
I've hurt myself today Eu me machuquei hoje
To see if I still feel Pra ver se eu ainda sinto
I focus on the pain Eu me concentro na dor
The only thing thats real É a única coisa real
The needle tears a hole A agulha abre um buraco
The old familiar sting A velha picada familiar
Try to kill it all away Tento matá-la de todos os jeitos
But I remember everything Mas eu me lembro de tudo
Por Sakura
Eu não falava com Sasuke desde o nosso último e fracassado encontro. Ele até me mandou uma mensagem avisando que havia chegado em casa, mas eu apenas vi no dia seguinte e não respondi.
Minha cabeça estava um mar de confusão e meu peito em passos descontentes. Apesar de tudo, Sasuke tinha razão ou um pouco dela.
Aqui vai uma dica da tia Saky: não mensurem o tamanho da razão. Eu faço isso e não dá certo. Como diz Shikamaru é realmente problemático.
Curti uma leve fossa pelo ocorrido até Ino me salvar. Aquela porca me encheu de porcarias e carinhos. Me ouviu e também puxou minha orelha, fiquei um pouco melhor após o nosso encontro.
Depois de muito analisar esse tempo sem falar com Sasuke me ajudou a colocar as coisas minimamente no lugar. Ele não ia facilitar, mas eu também não faria pressão. Nós dois temos nossas razões para tal.
Quem tá de fora julgaria esse meu silêncio como algo infantil, mas eu fiquei com receio que voltássemos a brigar. E fora que eu precisava de um tempo pra não descarregar tudo em cima dele.
Não fraquejei por pouco e por excesso de trabalho. O hospital está uma loucura e na sexta eu fiz minha primeira cirurgia. Obviamente Mei supervisionou, mas ao final ela disse que não tinha menor necessidade de fazer isso. Enquanto minha vida profissional ia as mil maravilhas a amorosa ia descendo ladeira abaixo.
Mas o que seria do amor se ele não causasse esse frio na barriga ou nosso coração acelerado quando lembramos daquele alguém especial?
Totalmente piegas, eu sei. Podem me julgar que eu não tô ligando.
Apesar de tudo, eu estava ansiosa por Suna. Tinha muito tempo que eu não pisava naquelas praias. Eu também estava preocupada com Gaara, a gente sempre teve uma relação muito boa, ele e Naruto possuem muitos aspectos em comum tirando apenas o jeito escandaloso do loiro. O No Sabuku é um dos poucos caras e amigos meus que Sasuke não tinha ciúme, embora nunca houvesse necessidade pra ter de nenhum outro. Só aquele Uchiha maldito que é cego ao ponto de não ver que não existe nenhum outro pra mim.
Agora eu estava saindo da locadora de automóveis indo em direção a casa de Naruto e Hinata para podermos viajar pra Suna. Minha ansiedade era quase palpável...
Como agir com Sasuke quando o encontrasse?
Como ele me recepcionaria?
Será que ele tava muito chateado?
Esses entre outros questionamentos rodeavam minha mente de forma frenética. Apesar de tudo não cedi a tentação do álcool pra desopilar a mente porque eu sabia que daria merda.
Mais uma dica da tia Saky: álcool e whatsapp é uma combinação extremamente perigosa. Se livre de um ou de outro. Se você escolher a bebida lembre-se de moderar.
Coloquei maps do Maroon 5 pra tocar pra me acordar e pra animar o caminho até a casa de Naruto. Eu tinha que chegar com estilo, porque se não for pra causar eu nem saio de casa.
Adentrei no condomínio onde meus Uzumakis favoritos moravam e quando cheguei mais perto da casa deles notei que meus amigos já estavam no jardim.
Ele também estava lá.
Preciso nem dizer como tava o coração, né?
O que eu fiz?
Agi naturalmente.
Só que não.
Abri os vidros do carro e como o som estava nas alturas acabei comunicando ao condomínio inteiro que a louca de cabelo rosa havia voltado. Estacionei, me olhei no espelho retrovisor, inspirei e expirei o ar com mais força que o necessário.
Você é uma mulher adulta, independente, linda e nenhum homem é mais que você.
Repassei esse mantra mentalmente encarando minhas orbes verdes diante do espelho.
Eu estava pronta. Eu estou pronta!
Inspirei e expirei mais uma vez, dessa vez calmamente e abri a porta do carro.
As meninas estavam frenéticas com a minha chegada e até Shakimaru despertou do seu sono de Bela Adormecida um pouco desorientado.
— Bom dia, gente. — anunciei e dei um sorriso a todos. — Eu cheguei. — disse como se fosse óbvio e passei a analisar Sasuke.
O filho da mãe estava lindo.
Juro que quase babei... veja bem, eu disse quase. Aquela camisa preta colada em seu peitoral me afastava completamente da minha racionalidade. Como eu queria passar a mão e a boca por ali.
Foco Sakura, foco!
— Como se ninguém tivesse notado. – Sasuke falou seco, mas eu vi faíscas em seus olhos. Notei também que ele me avaliava de forma mais aberta possível.
Ele queria jogar, mas escolheu a oponente errada... ou melhor, a oponente certa.
Se ele queria jogar eu também jogaria, mas quem ditaria as regras seria eu.
— Eu disse bom dia, Sasuke. – falei de forma cínica e qualquer um poderia ter notado isso. Primeira cartada. – As vezes me pergunto onde está sua educação.
Senti meu oponente retesar diante da minha afirmação.
Sakura 1; Sasuke 0
Senti meus amigos tensos diante da áurea que se formava entre nós dois, mas eu me mantive ereta e não abaixei meu olhar diante de Sasuke por nem um segundo.
O jogo está apenas começando, bebê!
— Tsc... Você está atrasada. – ele disse seco, eu diria que tentando desconversar – O combinado eram sete horas. — esse maníaco pontual. Argh!
— Tive um pequeno problema com o carro, mas pelo visto eu não sou a única atrasada por aqui. — falei tranquila. — Cadê a Karin?
Resolvi desfocar um pouco de Sasuke. Recuar também é uma estratégia.
— Ela não vai testa. – respondeu Ino. – Hoje é aniversário do pai dela e ela foi pra Kusa, então a gente só esperava por você.
— Tudo bem, então vamos? – disse dando de ombros. – Meninos, vocês podem ajudar com as malas?
— CLARO, SAKURA-CHAN. – Naruto gritou todo animado.
— Saky, a gente não ia no carro do seu pai? – Ino perguntou vindo em minha direção.
— Meu pai vai precisar do carro, então eu resolvi alugar um pra gente viajar ainda com estilo. — falei animada.
— Põe estilo nisso testuda. – caímos na gargalhada até que Ino parou e focou em algo atrás de mim. – Você ta linda e tem um Uchiha que não tira o olho de você. – ela disse maliciosa e eu olhei pra trás na mesma direção que ela. Notei que Sasuke nos observava e tive certeza que ele ouvia nossas conversas quando suas bochechas adquiriram um tom avermelhado.
Que fofo.
Que vontade de morder.
Depois que o encaramos ele voltou a ajudar os rapazes com a mala.
— Hoje é dia de maldade, porca. — sussurrei pra Ino.
— Você não presta, testa. Mas eu gosto assim.
— Isso é nada mais, nada menos que influência sua.
— Sakurinha minha, a Ino aqui sabe das coisas. — ela me lançou uma piscadela. — Vai por mim, que não tem erro.
— Metida! — ralhei e caímos na gargalhada mais uma vez.
Os meninos terminaram de arrumar as malas no carro e tomamos o rumo até a estrada que nos levaria a Suna. Notei que o carro dos meninos vinha atrás da gente, pude ver que Sasuke dirigia com afinco. Isso era uma das coisas que ele mais gostou de fazer. Lembro que sempre que podia ele pegava o carro do pai escondido e me fazia surpresas na madrugada.
Me desfoquei do carro que nos seguia e me atentei a estrada e as meninas no carro que eu conduzia. As meninas estavam eufóricas e no fundo tocava spice up your life das Spice Girls. Na hora do refrão enlouquecíamos cantando e fazíamos coreografias estranhas.
Que saudade que eu sentia de tudo isso e eu só me dei conta quando passei a viver novamente cada momento como esse compartilhado com pessoas importantes.
Quando estávamos perto de Suna senti o carro desalinhar pela estrada como se não estivesse balanceado. Puta merda... espero que não seja o que eu tô pensando.
Fui reduzindo a velocidade, liguei o pisca-alerta e parei o carro no acostamento.
— Aconteceu alguma coisa, Saky? — Ino perguntou assim que parei o carro e tirei o cinto. Temari e Hinata não perguntaram nada, mas esperavam curiosas por minha resposta.
— Acho que o pneu do seu lado furou. — respondi. — Preciso verificar.
Tomei o maior cuidado e saí do carro andando rápido até o lado de Ino para verificar o pneu.
— Merda. — praguejei ao notar o pneu murcho. — Vai ter que trocar.
— Jura, Saky?- indagou Ino e Temari bufou.
— Infelizmente sim. — respondi à contra gosto. — Vou precisar que vocês saiam do carro.
— Você sabe trocar pneu, Sakura-chan? — perguntou Hina.
— Sei sim. — confirmei confiante. — É bem simples.
— Testa você é meu orgulho. — disse Ino enquanto saía do carro junto com Temari e Hinata.
— Menos porca, bem menos quase nada. — falei e Ino me deu dedo.
— Eu te ajudaria se minha barriga não impedisse. — disse Temari passando a mão pela barriga avantajada.
— Relaxa Tema, está tudo sob controle. — falei lançando uma piscadela pra ela. — Vou pegar os equipamentos necessários pra isso.
— Você não acha melhor esperar os meninos? — perguntou Hina. — Eles estavam logo atrás da gente.
— Não precisa, Hina. Trocar pneus não é nenhum bicho de sete cabeças. — falei enquanto ia ao porta-malas do carro para pegar o estepe e as ferramentas necessárias para a troca.
Peguei tudo que era necessário para trocar o pneu. Levei o estepe para junto do pneu murcho e deixei ao lado junto com as ferramentas. Antes de iniciar a troca eu precisava colocar o triângulo na estrada.
Tranquilizei as meninas mais uma vez e andei um pouco mais que 80 metros pra colocar o triângulo e voltei até o carro pra começar a troca de pneus.
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Sakura de fato não estava nervosa, ela só não contava que o bendito do pneu fosse furar quando elas estavam perto de chegar a Suna.
Antes de começar a rosada lembrou da sua blusa branca e ponderou por segundos pensando se deveria tirar ou não, mas no fim resolveu por tirá-la. Afinal graxa e blusa branca não é uma boa combinação. No mais, ela estava de biquíni por baixo e isso não seria um problema.
As outras meninas observavam atentamente a amiga que organizava as ferramentas de forma metódica pra execução da tarefa. Elas estavam confiantes na amiga, mas se sentiam inúteis em não poder ajudar. Ino e Hinata não faziam ideia de como se troca um pneu, Temari até sabia, mas por conta da sua gravidez avançada não podia fazer certos movimentos. Ela tinha acabado de entrar no 9º mês.
Quando Sakura posicionava o macaco o carro dos meninos estacionou logo atrás chamando a atenção de todos. Os rapazes saíram com pressa do carro, até mesmo Shikamaru que dormia até agora pouco.
— O QUE ACONTECEU SAKURA-CHAN? — perguntou Naruto visivelmente preocupado indo até Hinata.
— O pneu furou. — a rosada respondeu se levantando. — Ia começar a trocar agora.
Sasuke a observava impassível, mas era só por fora que ele estava assim. Na sua mente ele tentava não fantasiar a rosada de biquini trocando um pneu. Ele sabia que Sakura nunca fora frágil, mas ele também nunca cogitou a hipótese de vê-la em tal situação. Até trocando um pneu ela não cansava de ser linda.
"Eu tô mesmo ferrado com essa mulher" pensou Sasuke.
— E você sabe trocar um pneu? — perguntou Sasuke na tentativa de chamar a atenção de Sakura. Ele conseguiu. — Podia ter esperado a gente chegar pra ajudar. Tivemos que parar pra abastecer. — concluiu o moreno.
— Eu sei trocar um pneu, Uchiha. — a voz de Sakura saiu um pouco raivosa e audaciosa. Ela se sentiu desafiada e estava disposta a jogar.
— Tem certeza, Haruno? — Sasuke aceitou o desafio. — É um trabalho muito pesado pra uma mulher tão delicada. — ironizou e sorriu de canto.
Ok... Sasuke pegou deveras pesado. Piada machista é pedir pra morrer, mas nossa rosada não se intimidou. As orbes esmeraldinas faiscaram diante do desafio imposto e os amigos em volta ficaram mudos e tensos mais uma vez naquela manhã. O dia estava apenas começando.
— Tá vendo aquele lindo capô, Uchiha? — Sakura indagou enquanto apontava para o carro preto que Sasuke dirigia. — Senta ali e observa como se troca um pneu.
— Você vai demorar tanto assim que eu vou precisar me sentar? — rebateu o moreno. Sasuke gostava daquele jogo tanto quanto Sakura.
— Não Uchiha. Eu só não quero que você perca nenhum lance e se sinta mais confortável, enquanto a mulher delicada aqui – apontou pra si com o polegar direito. — Faz o trabalho que você diz ser tão pesado.
Sasuke não respondeu... ele nem sabia como. Apenas observava aquela mulher que de pequena e delicada não tinha nada. Ele sentia falta dessa petulância e ousadia que só ela tinha, mas infelizmente seu orgulho e o orgulho dela ainda eram uma barreira difícil a ser quebrada. Difícil, mas não impossível.
O restante dos casais observavam em silêncio, outra hora riam baixinho, mas sempre quietos.
Sasuke não sentou no capô do seu carro, ele ficou ao lado de Sakura um tanto afastado, mas bem concentrado em tudo o que ela fazia. Observava cada pedaço daquele corpo e a pele leitosa e macia de Sakura que ele gostava tanto de ter em contato com suas mãos.
Já a rosada tentava não se intimidar com aquela aproximação de Sasuke e resolveu cantarolar enquanto ajeitava o macaco para elevar o carro para a troca do pneu. O carro era grande e pesado e a Haruno teria que usar um pouco mais de força.
Sakura encaixou o macaco na caneleta, a parte metálica da estrutura da carro que tinha a função de servir a ferramenta. A rosada puxou um pouco o ar e expirou lentamente como quem buscava força pra começar a girar a manivela.
Foi mais fácil do que ela imaginava e ela não pode deixar de sorrir com a facilidade em girar uma simples manivela. Observou se o carro estava apoiado no macaco e se o objeto estava perpendicular ao chão. Tudo certo. Sorriu mais uma vez.
Sasuke estava impressionado, mas não duvidava daquela irritante. Diversas vezes tinha vontade de se meter, porém quando ia comentar algo, Sakura já estava executando a tarefa que ele diria pra ela fazer.
Sakura tirou a calota sem dificuldade e com a chave de roda começou a folgar os parafusos. Voltou novamente ao macaco e elevou mais um pouco o carro, quando achou que elevou o suficiente retornou as parafusos removendo-os por completo. Pra ela a parte mais chata vinha agora, remover o pneu.
Das oito vezes que Sakura trocou pneus na vida, sete o pneu estava preso ao suporte pelo desgaste e pela ferrugem. Ela possuía essa vasta experiência porque ela comprou um carrinho velho ainda em Tóquio quando começou a estagiar e precisava está em vários lugares diferentes. Porém o carro deu mais dor de cabeça a Sakura do que a ajuda propriamente dita. Foi aí que sua paixão por bicicleta reacendeu.
"Não emperra, não emperra, não emperra" Sakura repetia esse mantra enquanto repousava as mãos sobre o pneu. Seu rosto se mantinha impassível, não queria demonstrar nenhum sinal de fraqueza a Sasuke, mal sabe ela que o moreno estava de olho na gota de suor que escorregava entre os seios dela e ia numa velocidade rápida demais em direção ao cós do seu short.
"Como eu queria ser aquela gotinha de suor" pensava o Uchiha malicioso. Depois da morte daquela fatídica gota, Sasuke voltou a observar Sakura que agora retirava o pneu com facilidade deixando-o de lado e pegando o estepe pra colocar no lugar. Depois de encaixado, Sakura passou a colocar e apertar os parafusos. Colocou muito da sua força ali, era necessário.
Abaixou o carro com auxílio do macaco, retirou-o da sua posição, verificou novamente os parafusos e colocou a calota. Sakura se levantou, olhou pro Uchiha com uma sobrancelha arqueada e sorriu minimante de forma audaciosa. Sakura wins!
— Aprendeu como se troca um pneu, Uchiha? — disse em tom de deboche. — Ou isso é muito pesado pra você?
Sasuke umedeceu os lábios e olhou pra o relógio. Ela levou 11 minutos pra executar a tarefa. Foi bem rápida, mas ele não diria isso a ela pelo simples motivo dele fazer isso em 7 minutos. Por que será, não é mesmo?
— Parabéns você conseguiu, mas... — sempre vem o mas pra derrubar você. — Demorou cerca de onze minutos. Eu faço isso em sete.
— Que fofo, você contou. — ela respondeu ironicamente. — Quantidade não é qualidade, querido.
Ácida como Sasuke lembrava e gostava. Ele se limitou a dar um sorriso de canto, que causou um estrago em Sakura mesmo que ela não demonstrasse.
— Serviço concluído. – disse Sakura pros amigos que assistiam ao jogo do casal mais teimoso da face da terra. – Podemos pegar a estrada novamente e ir pra Suna.
— Aleluia. – disse Ino levantando as mãos pra cima. – Pensei que ia derreter aqui.
— Da próxima vez eu uso você de macaco, porca. – disse Sakura divertida.
— Calma testa, não é pra tanto. – respondeu Ino e todos caíram na gargalhada.
Sasuke e Sakura tiveram mais uma troca de olhares e sorriram um pro outro. O jogo tinha dado uma trégua afinal.
Com ajuda do moreno, a rosada guardou o pneu e as ferramentas na mala do carro depois que Sasuke voltou com o triângulo em mãos. Depois de Sakura limpar as mãos todos voltaram aos seus respectivos carros e seguiram viagem até Suna.
Com pouco mais de trinta minutos eles chegaram a casa da família No Sabuku. Gaara e Kankuro esperavam os amigos com os portões abertos. Sakura entrou primeiro com o carro e depois Sasuke a seguiu.
A casa era imensa como Sakura lembrava, não pisava há mais tempo nela que pisava em Konoha. Por fora, a mansão continuava a mesma com um jardim imenso com várias espécies de flores que deixavam aquele lugar ainda mais cheiroso e acolhedor. A piscina era relativamente grande e arredondada, tinha uma churrasqueira e uma espécie de cozinha ao lado com mesas e cadeiras cor de areia e geladeira e freezer em material inox. A fachada da casa era toda pintada de branco fosco. Tinha uns sofás e pufes antes da porta principal.
A família dos irmãos de Temari sempre foi abastada, eram envolvidos com perfuração de petróleo e o pai deles, Rasa-san foi até prefeito de Suna por duas vezes. A mãe deles, Karura-san sempre foi um amor de pessoa.
— Gaara!!! — disse Temari saindo do carro e indo abraçar o irmão. — Que saudade que eu tava de você, seu baka.
— Maninha... — ele respondeu levemente animado. — Que saudade! — ele abraçou Temari como pode, visto a barriga enorme que ela estava. — Tô feliz por você está aqui.
— Eu também estava morrendo de saudades. — ela disse emocionada. Aqueles hormônios.
— Quer dizer que é só do Gaara que você sente saudades? — Kankuro perguntou insinuando ciúme. — Eu sempre soube que o Gaara era seu preferido.
— Baka. — respondeu Temari se desvencilhando do irmão caçula e indo até Kankuro. — Senti sua falta também, mas o Gaara é o caçula. Tem prioridades.
— Filha da mãe! — ralhou Kankuro e todo mundo caiu na risada.
Sasuke observava Gaara com curiosidade. De fato, ele estava triste mesmo. Olheiras maiores que as já costumeiras que moravam em seu rosto, parecia mais magro, com um olhar longe e seus sorrisos eram mínimos.
Os amigos se cumprimentaram e festejaram diante do reencontro. Era como se voltassem mais uma vez a adolescência. Só que os tempos eram outros por ali.
Gaara deu uma atenção maior a Sasuke e Sakura porque sentia bastante falta dos amigos e pelo fato deles terem se visto muito rápido no casamento de Hinata de Naruto,
— Gaarinha — disse Sakura o abraçando. — Que saudade que eu tava de você e de Suna.
— Eu também senti sua falta, rosadinha. — respondeu o ruivo se desvencilhando dela. — Eu te busco em Tóquio se você ficar tanto tempo longe de novo.
O que o No Sabuku disse causou mais efeito em Sasuke do que em Sakura. O moreno acreditava que ele falava brincando, mas aquilo não deixou de incomodar. No fundo, Sasuke se sentia um idiota por não ter ido atrás de Sakura mesmo pra ouvir "não quero mais nada com você". Na cabeça do Uchiha é como se o relacionamento não tivesse acabado, era como se ele tivesse sido deixado no limbo. Realmente complicado.
Agora ele iria atrás de Sakura se ela fosse pra Tóquio desistindo mais uma vez de Konoha?
Ou melhor
Ele deixaria Sakura se reaproximar e finalmente a perdoaria?
Sasuke ficou tão imerso em pensamentos que nem notou que Gaara falava com ele.
— Mano, em que planeta você estava? — perguntou o ruivo assim que conseguiu a atenção de Sasuke — Viajou legal por aí.
— Estava apenas lembrando se tinha colocado um item importante no relatório que o chefe pediu. — Sasuke mentiu. Sakura percebeu, mas se manteve calada. — Aí lembrei que está tudo certo.
— Sasuke, estamos no final de semana pra se divertir e não pensar em trabalho ou... casamentos falidos. — Gaara sussurrou essa última parte.
Sasuke e Sakura se olharam penosos. Eles entendiam alguma (muita) coisa de coração partido.
— Mas como você mesmo disse... — Sakura tomou a frente. — Viemos pra nos divertir e não pensar. A gente pode começar colocando em prática, não acha?
Gaara deu um sorriso mínimo assim como Sasuke.
— Exatamente rosinha. — disse Gaara bagunçando os cabelos de Sakura.
O trio entrou em casa porque Temari gritava como uma louca pra passar as orientações dos quartos.
Por dentro a casa estava diferente aos olhos da rosada. Os móveis não eram os mesmos, mas tinham o mesmo tom de areia. Karura-san dizia que era pra combinar com as areias das prais de Suna. Tinha um sofá enorme no centro e uma tv de LED presa na parede. Vários porta-retratos com fotos da família No Sabuku espalhados pela sala da casa, que ainda tinha uma mesa de jantar com dez cadeiras. A família adorava receber hóspedes pra confraternizações.
— A casa passou por algumas reformas. — anunciou Temari – Dez quartos foram reduzidos pra cinco, pra que fossem transformados em suítes. — A esposa de Shikamaru estava um pouco nervosa porque era hora do plano. Ela tinha de se manter impassível. — Hinata e Naruto ficam no quarto dos meus pais. É o maior e o melhor da casa, um presente para os recém casados.
— Obrigada, Temari-chan. — Hinata disse daquele jeito fofo que só ela tem.
— Shikamaru e eu ficamos no meu quarto, Gaara ficará no quarto com Kankuro cedendo seu quarto pra Ino e Sai. — engoliu em seco. A hora era agora. — O quarto de hóspedes ficará pra Sakura e Sasuke. Como Karin também viria ela ficaria com vocês, mas em cima da hora ela nos avisou que não viria. No quarto tem uma cama de casal, mas eu trouxe um colchão inflável, porque de qualquer forma quem ficaria na cama de casal seria Karin e Sakura, afinal Sasuke é um cavalheiro e não deixaria as meninas no colchão de ar de solteiro. Tem algum problema pra vocês dividirem o quarto?
Temari, Hinata e Ino pediam internamente aos céus que o casal problema não procurasse problema. As meninas só queria reaproximar o casal e sabiam que eles não conversariam de outra forma senão fosse assim, uma vez que a casa estava cheia e eles poderiam se evitar dessa forma.
Nem Sasuke e Sakura esperavam por essa. Assim como foi na divisão dos carros eles acharam que com o quarto seria a mesma coisa. Quando eram adolescentes eles dormiam amontoados e juntos mesmo que fossem casais. Só que agora era diferente... Eles eram casados, adultos e queriam seu espaço. Sem contar que três daquelas mulheres estavam grávidas.
O casal do orgulho e teimosia já tinham dividido a mesma cama quatro vezes desde que Sakura voltou... dividir um quarto não seria problemático assim ou seria?
Os amigos em volta sentiam a tensão no ar de novo. Três vezes naquele mesmo dia.
Por Ino, eles preparavam pipoca pra assistir a solução daquele conflito. Toda aquela tensão dava fome!
— Não tem problema, Tema. — disse Sakura firme. — Dividiremos o quarto, não a cama! — disse por fim deixando o clima mais tenso.
Temari voltou seus olhos pra Sasuke esperando por sua resposta.
— Por mim também não tem problema. — Sasuke disse mais rouco que o normal. O jogo estava tomando forma. — Como Sakura disse vamos dividir o quarto e não a cama.
" Por Deus, será que essa tensão sexual entre esses dois não vai terminar nunca? Eles precisam muito transar loucamente." Pensou Ino sem esboçar qualquer tipo de emoção. Tinha pego algumas dicas com Tenten.
— Já que tudo está resolvido vamos levar as malas aos cômodos? — indagou Temari e todos assentiram. — Bem-vindos a Suna meus amigos!
Ino, Temari e Hinata se afastaram um tanto da multidão e conversaram rapidamente.
— Primeira parte executada com sucesso. — disse Temari.
— Se eles não se mataram até aqui isso já é uma vitória. — falou Hina esperançosa.
— Eles vão se matar. — disse Ino com sorriso malicioso. — Mas não desse jeito que Hinata tá pensando. — por fim lançou um olhar paras as amigas que sorriram cúmplices.
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