Daylight
22 Hospital Haruno Mebuki
Notas iniciais
Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar
(Amor pra recomeçar — Frejat)
Por Sakura
Ouvi o despertador tocar... já era hora! Acho que finalmente consegui descansar por todos esses dias em que mal dormi direito. Me sentia leve e feliz, apesar do dia louco de ontem.
Pensando nesse final de semana nada comum precisava ligar pra Itachi pra saber da minha amada ex-sogrinha que agora não quer me ver nem cintilando com pele de diamante, mas apesar disso tudo meu lado de médica fala mais alto.
Resolvi levantar e me espreguicei preguiçosamente, não sei porque, mas eu me sentia tão animada... talvez seja pelo fato de que minha vida está entrando nos eixos, pessoas importantes estavam de volta ao meu cotidiano e eu não me sentia mais tão sozinha.
Pra o clima ficar perfeito eu precisava de música uma bem animada por sinal e logicamente a minha banda preferida veio a minha mente. Coloquei animals do Maroon 5 pra tocar e comecei a dançar que nem uma louca, não posso negar que a letra me remeteu aquele pequeno bangalô, a cama batendo na parede e o corpo nu de Sasuke sobre meu, completamente entregue a ele.
Senti meu rosto queimar com a lembrança e um sorriso malicioso surgiu na minha face...Foco Sakura, foco!!!
Me despi e fui em direção ao banheiro... tomei um banho geladinho pra abaixar esse fogo matinal por culpa daquele Uchiha teimoso.
— Ai Sasuke, se eu te pego de novo não sobra nem o pó – eu tava mega tarada, cruzes até parece que tô ovulando... mas ainda bem que existe anticoncepcional pra isso, senão eu já tava surtando por ter transado com Sasuke sem camisinha.
Sai do banho e fui direto pegar o anticoncepcional na bolsa pra tomá-lo, notei que eu tinha esquecido de tomar ontem. Depois daquela loucura de dia me esqueci completamente. Médica responsável que só, casa de ferreiro o espeto é de pau.
Comecei a me arrumar... coloquei uma calça jeans rosa bebê, uma blusa branca sem decote, um blazer cinza de algodão e um par de sapatilhas pretas! Só depois de pronta que eu notei o quão nervosa eu estava com essa visita ao hospital!
Com toda loucura que fora minha vida esses dias nem parei pra pensar sobre essa visita. Confesso que no início eu aceitei na intenção de me reaproximar do meu pai, mas conhecendo meu velho como eu conheço, aí com certeza tem.
Afastei meus pensamentos interrogativos e resolvi dar um crédito ao meu pai. Iria desarmada e de coração aberto e fora que eu estava morrendo de saudade de um ambiente hospitalar, é sempre assim quando você ama o que faz.
Não levei minha maleta médica, mas lembrei de pegar os resíduos do soro que despejaria no lixo hospitalar. Nesse momento olhei meu estetoscópio e senti que deveria levá-lo, afinal ele conhecia aquele lugar melhor do que eu e por muito anos ele foi utilizado lá por minha mãe.
Fiquei um tanto nostálgica ao lembrar disso e não contive uma lágrima solitária que surgiu no meu rosto. Sempre que podia, mamãe me levava ao hospital eu ficava observando ela atendendo seus pacientes, a seriedade como ela se portava movendo-se pelos corredores, a felicidade que estampava seu rosto quando salvava uma criança, a tristeza que a abatia quando ela perdia uma.
Por mais que mamãe não estivesse presente em corpo, ela sempre estará viva em meu coração e nas lembranças boas que compartilhamos. Sorri, hoje não era dia de tristeza ou choro... mamãe estaria orgulhosa me vendo naquele ambiente que um dia fora sua segunda casa.
Desci e fui até a cozinha, resolvi tomar um café da manhã caprichado com direito a ovos mexidos e torradas com geleia de morango, meio misturado eu sei, mas adoro essas misturas loucas. Estava realmente com muita fome.
Antes de saí de casa dei um longo suspiro e pedi que o dia fosse maravilhoso. Depois de tantas emoções vividas depois da minha chegada em Konoha, uma dose de agitação hospitalar me fará muito bem.
Dirigi até o hospital e por conta do trânsito tranquilo cheguei com um pouco mais de 10 minutos. Cheguei antes do horário marcado com papai... decidi esperar no carro enquanto mexia no celular. Tinha mensagem da Ino-porca, Naruto e Hina. Respondi a todos eles e comecei a ver as fotos que Hina me mandou de Sidney. As paisagens eram lindas e os sorrisos dos meus amigos nas fotos eram de aquecer o coração de qualquer um.
Estava tão absorta nas fotos que não vi que alguém se aproximava, até que a pessoa bateu na janela do carro me despertando. Reconheci de prontidão aqueles cabelos quase violeta.
— Sakura-sama, bom dia – hesitou – desculpa perguntar, a senhora está à espera de alguém?
Olá Yukiko, bom dia – dei o meu melhor sorriso, eu não estava mais chateada com ela, mas esse tratamento que mudou da água pro vinho me incomoda um pouco – eu marquei um encontro com meu pai, mas acabei chegando um pouco mais cedo e resolvi esperar aqui no carro;
— Mas por que a senhora não espera na sala dele? — ela indagou curiosa.
Confesso que estou um pouco envergonhada com isso, não que a sala de meu pai fosse algo inalcançável, mas era seu espaço e por mais que eu fosse sua filha eu não me sentia à vontade. Há nove anos atrás eu transitava sem problemas, só que agora ainda não é a mesma coisa. Prefiro ir aos poucos.
— Porque a sala dele deve está trancada – menti, mas saiu convincente – e eu não sabia que horário você chegava – essa parte era verdade;
— Ah sim, tudo bem. Hoje eu acabei me atrasando um pouco – ela me pareceu um tanto sem graça, embora não me devesse qualquer tipo de explicação – fiquei estudando até tarde e o dormitório da faculdade é um tanto afastado – as bochechas dela coraram;
— Yukiko, você não me deve explicações – falei de forma sincera e tranquila pra que ela não interpretasse de outra forma – mas eu sei bem como é essa vida de universitária que trabalha – falei e ela riu;
— Tudo bem, mas é que... — ela começou a massagear as mãos em completo sinal de nervosismo – depois do nosso.. hã... primeiro contato eu fiquei meio receosa – confessou, eu ri e suas bochechas coraram mais uma vez;
— Compreendo Yukiko, mas não se prenda a isso. Naquele dia eu também não estava nos meus melhores momentos – saí do carro – vamos começar do zero a partir de hoje – estendi a mão – prazer, Haruno Sakura;
— Sakamoto Yukiko – ela apertou a minha mãe de volta e sorriu;
— Pronto, agora sim – sorri mais uma vez e ela pareceu relaxar;
— Vamos, vou levá-la a sala de Kizashi-sama – ela disse e eu gelei;
— Não tem necessidade Yukiko – tentei ser firme;
— Nada disso, Kizashi-sama vai ficar incrivelmente feliz com a senhora esperando por ele na sala dele – hesitou – estou esperando pegar sua bolsa Sakura-sama;
— Tudo bem – disse por fim, sem escapatória.
Peguei minha bolsa, tranquei o carro e segui Yukiko até a sala de meu pai. Ela perguntou se eu queria água, café, suco, chá, se eu tava confortável, se eu precisava de algo. Respondi não a todas elas e fiquei com pena da menina... eu devo realmente ter assustado ela!
Agora eu estava na sala do meu pai, ele não atendia seus pacientes aqui, apenas no consultório que ficava nesse mesmo andar, mas no lado oposto. Eu estava nervosa, mas resisti a vontadede roer as unhas e até minha mão boxeadora está melhor.
Observei a sala do papai e várias memórias vieram à tona. Lembrei da mamãe e quando a gente vinha fazer uma surpresa pra papai e almoçávamos com ele aqui mesmo na sala ou apenas quando a gente só vinha dar um beijo nele. A sala dele tinha muitas fotos, vi mamãe na maioria dos retratos e senti meu peito apertar.
Vi mais uma foto antiga que tinha papai e eu em torno dos meus seis anos de idade. Eu estava examinando papai com o estetoscópio rosa da mamãe. Sorri com a lembrança, mamãe tinha tirado aquela foto e papai fazia uma cara de falso doente.
Chorei, mas chorei de soluçar... era um misto de saudade e culpa que eu carregava no peito...Saudade da minha mãe e do meu pai e culpa por tê-lo deixado tanto tempo afastado de mim.
— Filha, que surpresa boa – meu pai disse interrompendo meu momento. Ele sorria, mas seu sorriso morreu quando ele viu meu estado – Sakura aconteceu alguma coisa?
Não conseguia falar nada e apenas neguei com a cabeça. Ele veio na minha direção, notou o porta-retrato em minhas mãos e entendeu o motivo das minhas lágrimas. Ele começou a afagar meus cabelos e deu um beijo no topo da minha cabeça.
— Eu lembro bem desse dia, você queria de qualquer jeito me examinar – ele riu e me virou de frente pra ele – você sempre foi tão decidida e teimosa minha filha – mais lágrimas surgiam cada vez que ele falava algo – e eu tenho muito orgulho da mulher que você se tornou.
— C-como q-que o senhor – suspirei e tentei engolir o nó que se formava em minha garganta – como que o senhor pode se orgulhar de mim pai? Eu abandonei todo mundo, o senhor, meus amigos e meu namorado – comecei a chorar mais uma vez e enterrei meu rosto no peito do meu pai que me abraçou forte.
Ficamos um bom tempo naquela posição e eu encharquei a camisa de meu pai, mas ele pouco se importou e continuou a afagar meus cabelos. Quando eu consegui me acalmar papai puxou meu rosto mais uma vez e me encarou de forma séria e ao mesmo tempo carinhosa.
— Eu tenho muito orgulho de quem você é Sakura – tentei protestar, mas ele me impediu – Você perdeu sua mãe com 17 anos depois de uma doença devastadora, você se manteve forte quando eu mesmo não consegui. Eu fiquei com medo de te perder minha filha, por isso não queria que você saísse de Konoha, mas você sempre me surpreendeu Sakura. Você saiu de Konoha, foi pra Tóquio, estudou medicina e ainda trabalhava para se sustentar, se formou como a melhor da turma, se especializou em pediatria e cardiologia, e ainda se tornou uma brilhante cirurgiã... e você não quer que eu tenha orgulho de quem você é minha filha?
Como meu pai sabia daquilo tudo? Nunca conversamos nada sobre a faculdade e duvido muito que Ino tenha contado. Eu não conseguia proferir nenhuma palavra, as lágrimas tinham cessado, mas eu estava atônita depois de ouvir tudo isso.
— Mesmo depois de inúmeras tentativas para falar com você, só depois de muito tempo eu percebi o quanto você ainda estava magoada e machucada. Por isso eu resolvi parar de te procurar, dar o espaço necessário a você e quando chegasse a hore você voltaria – ele suspirou e riu – olha onde estamos hoje, minha flor?!
— Obrigada, papai – consegui dizer – fico feliz que estejamos próximos novamente – meu pai sorriu pra mim e me deu mais um abraço apertado – Mas pai, como o senhor soube disso tudo? — perguntei curiosa;
— Filha, seu pai tem muitos contatos em Tóquio – cerrei os olhos e dei um sorrisinho pra ele – é sério Sakura e você sabe que é verdade. Muitos dos seus professores são meus amigos e alguns médicos do hospital que você trabalha em Tóquio também são;
— Tá certo, vou acreditar então, Kizashi-san – o abracei mais uma vez;
— E então, vamos ou não vamos dar uma volta no hospital?
— Sim, capitão – bati continência e meu pai riu... era uma antiga brincadeira nossa.
Saímos e demos a volta no hospital inteiro... por onde passávamos meu pai me apresentava como sua filha. No início eu morria de vergonha, mas depois eu estava muito contente com tudo aquilo. As pessoas me olhavam diferente, eu não era mais aquela menina em que as pessoas cobravam algo ou sentiam pena... fiquei extraordinariamente feliz com isso.
Paramos em diversas alas do hospital. A emergência estava um tanto movimentada por isso não demoramos muito por lá, visto que Nawaki-sama estava muito ocupado a frente do local. Ele é irmão mais novo da madrinha e sempre me tratou com muito carinho.
— Sakura? — disse tio Nawaki em surpresa quando me viu – Meu Deus, como você esta linda e tão crescida. Estou me sentindo um velho caquético;
— Nossa, tio Nawaki não precisa tanto. Se minha madrinha escuta o senhor falando que se sente um velho caquético sendo que você é mais novo que ela não irá restar pedra sob pedra – ele gargalhou do que eu disse;
— Sua madrinha que não me escute – ele chegou perto do meu ouvido e sussurrou – mas eu sei que ela se banha no formol – ri alto – eu não te falei nada, viu Sakura?
— Pode deixar tio – ele me abraçou – tô muito feliz em te ver;
— Eu também, formiguinha – ele sempre me chamou assim por conta do meu amor por doces – agora eu preciso ir;
— Tudo bem tio, ainda tenho muito o que ver por aqui;
— Apareça mais vezes;
— Pode deixar.
Depois da emergência fomos ao setor de Oncologia, lá eu encontrei Hatake Rin a esposa de Kakashi e médica chefe do setor. Rin é muito doce, mas eu nunca tive muito contato com ela. Pouco antes d'eu ir embora ela começou a trabalhar no hospital, porém no casamento de Hina ficamos mais íntimas e eu gostei muito dela.
— Sakura querida, a que devo a honra da visita? — Rin indagou sorridente pra mim;
— Meu pai pediu que eu viesse – respondi um tanto desconcertada – tem um tempinho que não venho aqui;
— Nunca é tarde, não é mesmo? — eu apenas assenti – gostaria de ir ao setor pediátrico de oncologia? Seu pai me disse que você é uma excelente pediatra e as crianças adoram receber visitas;
— Claro, Rin – respondi empolgada.
Lá em Tóquio sempre que eu podia eu visitava as crianças no setor de oncologia pra brincar com elas, contar histórias ou apenas pra fazer companhia mesmo.
Durante o tour pelo hospital meu pai me deixava no setor e ia atender seus pacientes, por isso a maioria das vezes ficava apenas eu e o médico ou médica chefe do setor.
Não sei quanto tempo eu fiquei ali com as crianças, só sei que nos divertimos muito. Contei história, conversei com as crianças, joguei video game, brinquei de mímica... fiz tanta coisa que até perdi a conta. O coração ficou tão mais leve, senti saudade do meu trabalho e dos meus pacientes mesmo que o contato que eu tenha com eles não seja tão recorrente. Eu era apenas responsável pelas cirurgias e emergência nos plantões.
Meu pai teve que ir me buscar pra que pudesse sair de lá, me senti como uma criança pequena de novo.
— Filha, hora de visitar a neonatal. Sua madrinha está ansiosa pra te ver – disse meu pai na tentativa de me tirar de lá;
— Só mais 10 minutos pai, por favor – implorei feito criança;
— Eu conheço seus 10 minutos, dona Sakura – sorri amarelo pra ele – depois que dermos a volta completa no hospital eu deixo você ficar o resto do dia todo se quiser aqui com as crianças;
— Tudo bem – respondi derrotada – crianças, a tia Sakura precisa ir agora;
— AAAAAAHHHHHHH – um coro de crianças resmungando;
— Mas não se preocupem, está bem? Tia Sakura volta hoje ainda pra brincar com vocês – falei sorridente vendo o brilho nos olhos das crianças;
— EEEBBBBAAAA – mais um coro de crianças, só que agora de felicidade.
E de lá papai e eu fomos até a neonatal, que estava lotada de crianças umas mais quietas, outras um tanto mais escandalosas, mas todas com cheiro de vida. Fiquei um tanto emocionada com aquilo e uma lágrima solitária escorreu. Eu estava muito sentimental desde que voltei pra Konoha.
Não tinha muito o que fazer na neonatal a não ser ver os bebês. Acabei encontrando Karui e conversamos quase nada. Ela estava ocupadíssima e por conta da gravidez ela fica duas vezes mais cansada.
De lá fomos até a sala de Tsunade, que por um milagre divino não tinha nenhuma paciente ou nenhum parto pra fazer. Papai me deixou lá e foi resolver algumas coisas que surgiram, embora tenha achado que ele não quisesse ficar e ouvir uma conversa feminina.
Bati na porta do consultório de minha madrinha e depois de ouvir um sonoro “entre”, nada educado dela, eu entrei.
— Dinda? Tá podendo falar? — falei ainda encostada na porta;
— Ah é você Saky? — ela sorriu – mas é claro que posso.
Fui até ela e nos abraçamos... está com Tsunade é como está perto da mamãe. Eu me sentia amada e protegida. Depois de nos cumprimentarmos sentei na cadeira em frente a sua mesa e notei que ela me observava com olhos curiosos.
— A que devo a honra da ilustre visita? — indagou curiosa – não vai me dizer que você também tá grávida – me lançou um sorriso malicioso;
— Não é nada disso, dinda – corei e fiquei um tanto desconcertada com o que ela disse – meu pai pediu que eu visitasse o hospital e cá estou indo de ala em ala matando a saudade daqui;
— Entendi, uma pena... já tava na esperança de fazer um parto seu;
— Madrinha! — ralhei e ela riu;
— O que tem demais nisso, Sakura?
— Não é isso... é só que todas minhas amigas estão grávidas, meu pai também tocou nesse assunto de neto e agora a senhora. Acho que vou surtar- eu disse e ela riu;
— Bobagem Saky e eu só estava brincando com você, por favor não se sinta pressionada;
— Tudo bem, desculpe o estresse;
— Sem problemas... e como está indo a visita?
— Está indo tudo bem – suspirei – mas sinto que existe algo mais além disso. Meu pai não te disse nada?
— Não me disse nadinha, mas conhecendo Kizashi como conheço, realmente aí tem – ela riu – mas fique tranquila;
— Eu tô com receio de ser aquela história de novo de assumir o hospital – falei um pouco envergonhada;
— Sakura – ela me chamou e eu a encarei – o hospital é da sua família e é natural que um dia ele passe pras suas mãos, mas não acredito que seja isso. Da última vez que seu pai tentou isso você foi embora pra Tóquio – senti uma pontada no peito com o que Tsunade disse;
— Eu sei – respondi sem emoção;
— Mas não vamos falar disso agora – voltei novamente a encará-la – me diga como está sua estadia aqui em Konoha;
— Está indo tudo bem revi meus amigos, você e o papai, matei a saudade da minha cidade – disse dando de ombros;
— E você e Sasuke em que pé estão as coisas?
Tanta coisa pra perguntar e Tsunade me vem falar de Sasuke... Todo mundo me pergunta dele, parece até coisa combinada.
— Como assim em que pé estão as coisas? — tentei me fazer de desentendida e Tsunade me lançou um carranca;
— Sakura, eu posso ser tudo menos idiota. Eu vi como você e o Uchiha ficaram naquele casamento;
— Vale ressaltar que a culpa disso, boa parte foi da senhora e do Jiraya, não é Dona Tsunade? — rebati, mas ela não se abalou;
— Eu estava apenas fazendo sexo minha cara. Jiraya estava viajando há 15 dias e eu tô acostumada a transar todo dia... aconteceu – falou com uma cara de falsa boba;
— Ok, ok – fiz cara de nojinho – eu não preciso saber os detalhes da sua vida sexual;
— Tá melhor que a sua, tenho certeza – me desafiou;
— Não é pra tanto... transei no mesmo dia que... — puta que pariu, Tsunade jogou verde e colheu maduro. Entreguei o ouro ao bandido, ou melhor a bandida – Sacanagem isso aí, me pegou direitinho;
— Ah querida, isso se chama experiência de vida – ela riu e eu fiquei com cara de idiota – mas então como vocês estão?
— Não estamos – confessei de malgrado – rolou um sexo maravilhoso, mas no dia seguinte foi péssimo. Depois que passou a bebedeira a gente viu a besteira que a gente fez;
— Querida, colocar a culpa no álcool não... eu já te disse que muitas vezes ele pode ser o seu melhor amigo – vocês conseguem ver que tipo de pessoa é minha madrinha? Louca de pedra – e muitas vezes ele só externaliza aquilo que não temos coragem de demonstrar;
— Se a senhora diz – dei de ombros – pior que Sasuke, só Mikoto. Ela me odeia – falei logo tudo, tá no inferno abraça o capeta e segue;
— O que foi que ela aprontou? Mikoto sempre foi tão tranquila e doce;
— Acho que ela me odeia por ter abandonado o Sasuke e acha que me tratando mal vai afastar Sasuke de mim... na verdade eu desisti de entender;
— Mikoto precisa entender que o você dá ao Sasuke o que ela não pode dar;
— Senju Tsunade!! – ralhei;
— Ah querida, é verdade e fora que tá na cara que você ama Sasuke – ela riu – Sua mãe sempre me dizia “quem gosta dos meus filhos a minha boca adoça”. Mikoto tinha que levantar as mãos pro céu e agradecer por alguém amar o filho dela. Porque aquele Uchiha, ô menino tinhoso;
— Não quando se é uma fugitiva em potencial;
— Sakura, até quando você vai ficar com isso? Santo Deus, você voltou e está aqui – ela falou de forma dura – Coragem minha afilhada, coragem;
— Eu sei que eu tô aqui, mas isso não apaga o que eu fiz e...
— Haruno Sakura – agora FODEU, chamou pelo nome completo – vou te dar um conselho pra você nunca mais esquecer, ouviu bem? — eu apenas assenti em resposta. Tsunade quando queria botava medo até no capeta – o passado não é livro de cabeceira meu doce. Ele é um livro pra você ter na estante e consultar apenas quando estritamente necessário. O fato de você ter ido embora já passou, você fez o que achava certo e hoje você está aqui, dando sua cara à tapa e mostrando o quanto humana você é. Agora pare com esse seu martírio particular, se liberte disso;
— Eu não sei se consigo – falei a contragosto;
— Querida, ficar insistindo que você foi embora, que fugiu e afins não vai ajudar em nada. Você já está aqui meu doce. Só tenha um pouco de paciência – ela disse e por fim me deu um sorriso enorme e nem pareceu aquela mulher assustadora de pouco tempo atrás;
— Tudo bem, madrinha – sorri – eu vou conseguir;
— Muito bem – bateu na mesa e eu tomei um puta susto – é assim que se fala... e quanto a Mikoto deixa aquela Uchiha teimosa comigo – vi um sorriso malicioso nascer nos lábios de Tsunade;
— Dinda, não precisa fazer nada... por favor, deixa isso pra lá;
— Calma, meu doce. Só farei uma visita a uma amiga querida quando voltar de viagem – eu não me tranquilizei nem um pouco com aquilo – só tomaremos um sakê e vamos fofocar um pouco – com sakê no meio já sei que vai dar merda, mas eu sei que minha madrinha se garante, então o jeito é confiar;
— Não está mais aqui quem falou – levantei as mãos em sinal de rendição – confio na senhora;
— Faz muito bem – ela disse e sorriu;
— Dinda, me diz uma coisa? — ela assentiu e eu continuei – Como foi que a senhora e o tio Jiraya se acertaram? Eu lembro que vocês viviam que nem cão e gato... e ainda teve seu casamento com o Dan-san, eu sempre quis saber porque vocês não deram certo, vocês eram tão perfeitos juntos – ela fez uma carinha pensativa diante das minhas indagações, será que ela ficou chateada? — desculpe, eu não deveria tocar nesses assuntos;
— Não tem problema, querida. Só tem muito tempo que não falo sobre isso, mas por você eu abro uma exceção – ela sorriu e minha preocupação se desfez – Eu não see se você sabe, mas Jiraya foi meu primeiro amor – um sorriso iluminou em seu rosto e seus olhos brilharam de forma plena quando ela falou no nome do tio Jiraya – mas como você disse a gente vivia feito cão e gato. Tudo era muito inconstante, a gente se amava e se odiava na mesma proporção;
— Que loucura – pensei alto;
— Sim, uma loucura. Nós dois sempre fomos muito intensos e nossas emoções iam pelo mesmo caminho... Mas na época da faculdade tudo deu uma desmoronada, ambos estavam muito envolvidos com seus cursos. Eu com a medicina e Jiraya com letras. — suspirou – era muito trabalho, seminários, congressos, pressão e estresse. A gente quase não se via e quando nos víamos brigávamos. Nós não conseguíamos afastar nossos problemas e focar no momento em que compartilhávamos e a nossa relação foi desgastando, então chegamos ao ponto em que não dava mais e resolvemos romper, antes de sermos namorados éramos amigos – aquilo tocou um tanto meu coração, porque minha situação era parecida – no início foi complicado, porque apesar de tudo eu sentia falta daquela peste – gargalhou divertida – mas o tempo foi passando e seguimos em frente. Nos víamos algumas vezes, tivemos até algumas recaídas pelo caminho.
“ Logo depois nos formamos e começamos a trabalhar, eu aqui no hospital e ele numa pequena editora de Konoha. Tentamos mais uma vez, moramos juntos e no início foi tudo muito bom. Não tinha um canto da casa sem que tivéssemos batizado, se é que você me entende”
— Eu entendo dinda, mas prefiria não entenderr;
— Até parece que é essa puritana toda – bufou – enfim, o início foi muito bom, mas entramos novamente numa fase de brigas constantes e mais uma vez resolvemos romper pra que o respeito entre nós dois prevalecesse. Ficamos muito tempo sem nos ver, na verdade evitamos por muito tempo, porque toda vez era uma recaída e o arrependimento no dia seguinte. Foquei no meu mestrado e Jiraya em seu livro “Jardim dos Amassos” — ela cerrou os olhos – aquele escritor de uma figa resolveu escrever nossas performances sexuais, apenas mudando o nome dos personagens – puta que pariu, Jiraya não tem medo de morrer – acabou que o livro fez muito sucesso e Jiraya foi fazer um tour pelo Japão e com pouco tempo ganhou o mundo.
“Eu fiquei muito feliz por ele claro, mas eu sabia que nossa história tinha realmente chegado ao fim. Foram dias difíceis, mas eu superei. Um belo dia eu fiz um parto de emergência, a moça tinha sido atropelada, perdeu muito sangue e a chance de salvá-la era pequena, então focamos no bebê, a gravidez estava no sexto mês, mas tínhamos que tentar. Conseguimos e aí nasceu a pequena menina de cabelos e olhos negros. Ela foi direto pra incubadora e a mãe de fato não resistiu. Como eu tinha feito o parto fui dar a notícia ao parente que aguardava apreensivo e foi ai que eu conheci o Dan, a criança que nasceu era Shizune e a paciente que faleceu foi a irmã de Dan e mãe de Shizune”
Levei minhas mãos a boca em sinal de surpresa, eu não fazia ideia que foi assim que eles tinham se conhecido. Fiquei realmente em choque.
— Madrinha, eu não fazia a menor ideia – disse surpresa;
— Compreensível, são poucas pessoas que sabem dessa história – suspirou como se buscasse coragem e continuou – Eu lembro como Dan ficou desesperado, era sua irmã caçula e eu fiquei destruída com aquela cena. Ele ficou um pouco melhor porque sua sobrinha tinha sobrevivido e quando ele se acalmou eu o levei para vê-la. A cena foi de partir o coração, você sabe que nós que somos profissionais de saúde acabamos criando uma casca protetora para nos mantermos firmes para nossos pacientes, só que naquele dia eu simplesmente não consegui me conter e me entreguei as lágrimas junto com ele.
“ Nos abraçamos, pode parecer estranho, mas foi simplesmente natural. Ele vinha todos os dias ao hospital pra visitar a sobrinha e sempre nos víamos. Shizune ficou mais de 60 dias internada, a saúde dela estava bem frágil e eu sempre recorria a sua mãe, acabou que Mebuki também se apegou a Shizune, por isso que ela foi escolhida pra madrinha. Depois que Shizune foi pra casa, eu e Dan nos víamos apenas quando ele trazia a sobrinha pra consultas de rotina. E aí nessas consultas rotineiras ele me chamou pra jantar, como ele não tinha quem cuidasse da sobrinha fui jantar na casa dele. Lembro que fiquei morrendo de medo, mas com a cara e a coragem eu fui. Só por ter visto Shizune já tinha valido a pena, eu nunca pensei que fosse me apegar tanto a um ser humano como eu me apeguei a ela. O jantar foi maravilhoso, lógico a comida veio do Byakugan e depois de muita conversa e sakê, nos beijamos. Foi bom, mas ainda assim estranho, eu estava acostumada com o beijo de Jiraya e seus toques. Mas ele estava longe e eu sabia dentro de mim que não tinha futuro pra nós dois. Continuei visitando Shizune e dei uma chance pra Dan, demorou um pouco, mas depois começamos a namorar e depois de 2 anos de namoro decidimos morar juntos, pouco tempo depois Jiraya voltou pra Konoha com uma namorada. Me lembro bem daquela espanhola, a mulher era tão linda que chegava dar raiva, mas eu estava com Dan e estava realmente feliz e ainda tinha Shizune que me chamava de mãe e de fato eu me sentia a mãe dela. O tempo foi passando, Dan voltou a viajar á trabalho, não sei se você se lembra, mas ele era biólogo marinho. Ele esperou a Shizune crescer um pouco pra voltar a viajar à trabalho, então tinha vezes, muitas vezes por sinal que era só eu e ela. Dan e eu nunca chegamos a casar de fato, mas dizíamos que eramos casados porque nos sentíamos assim.”
— Mas o que aconteceu pra vocês terem se separado, já que a senhora se dizia feliz com ele? — interrompi Tsunade, já tô que não me aguento de curiosidade;
— Nós aparentávamos ser um família feliz, mas era uma sobrevida Saky. Eu e Dan nos acomodamos e fomos empurrando com a barriga um relacionamento que não tinha mais jeito, chegou uma hora que éramos mais irmãos do que companheiros. Não existia aquele frisson, seguíamos um roteiro, vivíamos num piloto automático. — suspirou – Dan sentia falta de suas viagens e eu sentia falta de mim, aquela Tsunade intensa, viva e louca;
— Como a senhora era com Jiraya? — indaguei;
— Também, mas independente dele eu sempre fui assim — sorriu – Com Jiraya eu... como que eu posso dizer...
— Transbordava?!
— Exatamente! E com Dan eu não conseguia nem ser eu mesma, não por culpa dele, mas por culpa minha que permitiu que isso acontecesse. Mas voltando, quando eu caí na real sobre isso eu conversei com sua mãe e ela me deu uma lição daquelas;
— Bem a cara da mamãe isso – falei e não pude deixar de sorrir. Tsunade sempre trazia as melhores lembranças dela;
— Logo depois desse puxão de orelha eu e Dan rompemos, Shizune preferiu ficar comigo e Dan em nenhum momento se opôs a isso... Pronto, história contada;
— Nada disso, a senhora não me disse como voltou a se entender com Jiraya, Dona Tsunade – ouvi Tsunade bufar;
— Bom, depois da minha separação, descobrimos a doenca de Mebuki – senti meu coração falhar – Todos os nossos amigos se uniram pra dar aquela força a sua mãe. Eu e Jiraya nos reaproximamos, mas não aconteceu nada demais. Tínhamos traumas passados o suficiente, mas voltamos a nos relacionar como amigos – suspirou triste – depois daquele ano sua mãe nos deixou e eu fiquei muito triste, Mebuki sempre foi a irmã que eu escolhi pra mim – senti meus olhos lacrimejarem e Tsunade segurou minhas mãos – por isso eu não queria terminar de contar o resto, não gosto de te ver assim meu doce;
— Pode continuar, Dinda – sorri em meio as lágrimas;
— Igualzinha a mãe na teimosia, nunca vi – sorri pra ela mais uma vez – eu estava mergulhada em tristeza diante da perda grande que passamos e quem me tirou dela foi Jiraya. Não, não começamos a namorar aí, mas ele vinha me visitar todos os dias, me fazia rir, levava sakê, jogava poker comigo e muitas coisas mais. Não vou mentir que fiquei balançada, mas foram tantas tentativas frustradas que eu preferia repelir os pensamentos, até que um dia:
— Tsunade, mulher quando você vai perceber que eu quero você de volta em minha vida? — Jiraya me perguntou sério e um tanto impaciente, mas eu já fazia parte da vida dele;
— Jiraya, eu já faço parte da sua vida... Somos amigos e passamos bastante tempos juntos – eu falei aquilo, mas no fundo eu tinha esperança de que ele me repreendesse. Eu sempre amei aquele homem;
— Não querida, eu a quero de volta mais do que amiga – senti meu coração falhar na hora – a quero de volta como minha amante, minha companheira, minha mulher...quero dormir e acordar todos dias como você ao meu lado e quero que você seja a primeira coisas que meus olhos possam ver quando eu despertar;
— Jiraya... — eu estava incrédula, eu jamais esperaria uma declaração daquela – eu não sei o que dizer;
— Diga que sim, pelo amor de Deus;
— Mas... — eu tinha medo, muito medo que tudo aquilo acontecesse de novo – e se acontecer tudo aquilo de novo? Não sei se eu suportaria aquilo mais uma vez;
— Querida, o passado é um livro pra ficar na estante e não um livro de cabeceira – ele sorria e eu sentia lágrimas invadirem meu rosto – vamos começar do zero e usar nossa experiência de vida e maturidade para nos guiar... Eu te amo, minha Tsu;
— Eu também te amo, seu tarado – falei entre risos e lágrimas;
— Sou apenas seu tarado;
— Sim, só meu – falei e já fui o agarrando.
— Daí você já imagina o que aconteceu, não é Saky? — Tsunade me lançou um sorriso malicioso;
— Sei sim, por favor me poupe dos detalhe – suspirei – que história hein, Dinda? Fico tão feliz por vocês dois;
— Eu também meu doce, mas por que você me perguntou sobre isso?
— Apenas curiosidade – sorri amarelo pra ela;
— Com o Sasuke você transborda, não é mesmo? — ela indagou e eu senti meu rosto corar, acho que nem preciso responder;
— Hum... — merda, não sei porque esse nervosismo – Sim – ela riu – eu o amo e também o odeio, as vezes eu quero matá-lo em outras eu só quero ele do meu lado. Ele me faz transbordar em todos os sentidos;
— Sua calcinha que o diga;
— Senju Tsunade!!! — ralhei de novo com ela;
— Meu doce, gozar é bom, faz bem pra pele e deixa a gente mais leve – não sei como uma pessoa dessa é médica – e quando é com a pessoa que a gente ama é melhor ainda;
— Falta o outro lado colaborar – dei de ombros – facilitaria muito;
— Seja firme, uma hora o Uchiha teimoso vai caí em si. Dê um tempo pra ele, paciência querida, se fosse ao contrário você também ia querer um tempo pra respirar e esperar a poeira baixar pra enxergar melhor;
— Verdade, a senhora tem toda razão;
— Eu sei meu doce, eu sei.
Conversamos mais um pouco e logo meu pai chegou levando a gente pra almoçar. Chegando lá no refeitório mais uma onda de apresentações me assolou, meu pai estava todo babão me apresentando pra todo mundo que não me conhecia e me reapresentando pra quem eu conhecia.
Finda as apresentações fomos comer, tinha muito tempo que eu não comia nesse refeitório. Eu lembro que quando era pequena e até adolescente também eu ficava por muito tempo por aqui. Hoje está sendo o dia de ondas nostálgicas.
Encontrei Karin e Temari, dei um beijo nelas e expliquei porque estava ali. Elas deram a ideia de sairmos no sábado noite, somente as mulheres. Tema disse que me adicionaria ao grupo no whatsApp: Mulheres que mandam. Eu concordei, disse que iria no sábado e que arrastaria Hinata mesmo que ela estivesse em lua de mel. Me despedi delas e fui até mesa de meu pai.
Depois do almoço eu e papai voltamos pra sala dele... ele estava um tanto calado, mas gesticulava muito com as mãos em sinal de ansiedade, acho que chegou a hora da verdade.
— Pai, o que o senhor tem? — indaguei curiosa e ele soltou uma lufada de ar demorada;
— Filha, vou direto ao ponto – hesitou – eu gostaria de te fazer uma proposta, mas antes eu gostaria de saber como é o seu trabalho no Hospital de Tóquio;
— Olha pai é bastante corrido, viu? — sorri me lembrando das loucuras dos meus plantões – eu fico com a maioria das cirurgias cardíacas das crianças e trabalho em regime de plantão;
— Você não tem pacientes fixos? Não tem rotina de atendimento diário?
— Não, até surgiu uma possibilidade um tempo atrás. Eu teria meu consultório e tudo, mas surgiu uma oportunidade única na minha vida e tive que pedir licença do hospital. A vaga acabou ficando pra outro médico;
— Que oportunidade foi essa? — ele questionou curioso e eu pensei que ele soubesse de tudo na minha vida;
— Eu me inscrevi em um programa de voluntariado pra prestar assistência médica em comunidades carentes ao redor do mundo – como eu disse, ondas nostálgicas batendo mais uma vez – Eu fui a pediatra escolhida para prestar assistência em Mumbai, na Índia. O alojamento ficava em Dharavi, uma favela que ficava localizada no centro da cidade. Eu teria que ficar seis meses prestando assistência e eu aceitei na hora, eu queria muito aquilo, então a oportunidade no hospital teria de esperar;
— Sério filha? — apenas assenti em resposta – e como foi lá?
— Pai, foi simplesmente maravilhoso. Eu aprendi tanta coisa, conheci tanta gente... no início foi um choque imenso porque é uma realidade bem diferente da minha, a desigualdade social é gritante, mas eu estava realmente empolgada. Me apeguei aos moradores, as crianças, a cultura deles e fiz o melhor que pude nesse período de oito meses em que fiquei lá!
— Mas não eram seis meses, filha?
— Eram, mas eu consegui mais dois meses e fiquei radiante por isso. Depois eu voltei a Tóquio, ao hospital e a minha antiga rotina;
— E quando foi essa viagem?
— Eu saí de Tóquio no fim de maio do ano passado, cheguei em Nova Déli onde fiquei por três dias e segui pra Mumbai. Retornei ao Japão no início de fevereiro e agora estou aqui em Konoha;
— E como conseguiu férias tão rápidas?
— Eu tinha férias acumuladas na casa;
— Compreendo – suspirou – você não tem vontade ter o seu próprio consultório e ter uma rotina de atendimentos? Saí um pouco dessa vida conturbada de plantões?
— Sabe pai, tenho vontade sim, mas depois de ter recusado a proposta do hospital lá em Tóquio tenho que esperar agora;
— Entendo – hesitou – filha, quero te propor algo, mas por favor me escute com calma;
— Pai, você tá me assustando;
— Não é pra tanto filha — sorriu — A pediatra aqui do hospital voltará pra sua cidade natal no mês que vem, estávamos buscando profissionais competentes pra assumir o lugar, mas você chegou aqui e uma luz se acendeu em minha mente. Você quer se tornar a nova pediatra-chefe do hospital de Konoha?
Fiquei chocada, eu poderia imaginar tudo menos que meu pai me propusesse isso. Claro que eu estou extremante honrada e surpresa, mas não sabia o que responder.
— Pai, eu não sei o que te dizer... nunca imaginei que o senhor fizesse uma proposta como essa;
— Sem pressão filha. Fiquei à vontade pra pensar sobre isso, não precisa me responder agora. Você ainda tem metade do hospital pra visitar. Eu queria te perguntar isso ao final da visita, mas eu estava ansioso demais, eu sei que é uma mudança muito grande em sua vida e fiquei um tanto receoso em te propor isso, mas eu não me perdoaria se não o fizesse;
— De fato é uma proposta e tanto e ainda estou em choque com isso, mas também confesso que é algo a se pensar – ele sorriu quando eu disse isso – será uma mudança e tanto em minha vida, um novo recomeço, um novo lar no meu antigo lar;
— Eu sei minha flor, eu gostaria muito de que você voltasse a morar em Konoha, trabalhar junto com seu pai, mas eu não te forçarei a nada;
— Obrigada por isso pai... pela proposta e por não me pressionar – sorri – queria te pedir algo;
— O que você quiser filha – ele sorriu pra mim;
— Eu gostaria de visitar a ala de pediatria, a emergência pediátrica e se possível – suspirei buscando coragem e tentando não chorar – visitar a antiga sala da mamãe;
— Com toda certeza, querida.
Saímos da sala do meu pai mais uma vez e fomos direto ao setor de pediatria do hospital. A ala de oncologia pediátrica não ficava aqui, ficava no setor de oncologia mesmo e eu sempre senti uma vontade imensa de mudar isso. Falarei com papai sobre isso depois.
A emergência pediátrica é bem diferente da adulta. Aqui tudo tem mais cor, as pessoas são mais sorridentes, os enfermeiros trabalham com roupas coloridas, os médicos são mais despojados e tudo é mais leve. Esse é meu lugar.
A pediatra é uma bela mulher, com longos cabelos castanhos e olhos verdes. Observando de longe notei como ela atendia e olhava pras crianças: sempre sorridente e brincalhona. Gostei dela, uma pena que ela iria embora..
— Mei-san, boa tarde – disse papai – gostaria de te apresentar a minha filha Haruno Sakura;
— Olá Kizashi-sama, que surpresa boa – ela sorriu – nossa que filha linda. Prazer Sakura-san — estendeu a mão e eu correspondi – me chamo Terumi Mei;
— Oi Mei-san, o prazer é todo meu – sorri de volta;
— Mei-san, minha filha também pediatra assim como você – disse meu pai babão que só ele – uma das melhores de Tóquio;
— Por favor, pai – senti meu rosto esquentar;
— Isso é orgulho, filhota – disse ele me deixando ainda mais envergonhada;
— É verdade Sakura-san? – indagou Mei e eu assenti com o rosto mais vermelho que tomate – Nossa, que coisa boa. A senhorita tem um excelente bom gosto – e nós dois caímos na gargalhada;
— Bom, deixarei as moças conversando – disse papai – com licença;
— Até mais Kizashi-sama – disse Mei.
Esperei meu pai se afastar de nós duas e puxei assunto com Mei.
— Meu pai me disse que você vai voltar pra sua cidade... não gosta daqui? — indaguei curiosa;
— Eu adoro Konoha, mas eu sinto falta de Kiri... não existe nada como o nosso lar – senti algo em meu peito esquentar, aquilo é verdade, eu sentia falta do meu lar – Amo meus pacientes, mas eu sempre tive pretensão de voltar pra minha cidade e depois de quase três anos eu finalmente consegui;
— Fico feliz por você Mei- disse sorrindo pra ela;
— Obrigada, Sakura-san. Gostaria de dar uma volta pelo local?
— Com toda certeza – afirmei convicta.
“Passeamos” por toda a ala de pediatria, de vez em quando Mei me deixava sozinha porque tinha um paciente pra atender. Não sei quanto tempo eu fiquei ali, mas com toda certeza eu não conseguiria visitar o restante do hospital. Fiquei brincando com as crianças na brinquedoteca, li histórias, joguei video game mais uma vez, as crianças amaram meus cabelos. Me apelidaram de princesa Jujuba, me disseram que ela é de um desenho chamado Hora de Aventura, com toda certeza terei de assistir pra poder conversar com elas.
Agora eu me encontrava no consultório de Mei e notei que não era a sala da mamãe. Gostaria de saber quem atende por lá.
Conversamos muito sobres as novas técnicas cirúrgicas e notei que ela era muito experiente e estudiosa. Fiquei contente por papai ter uma profissional tão competente.
— Então Sakura, você sente vontade voltar a Konoha? — indagou Mei;
— Pra ser bem sincera, eu achava que não, mas depois que eu pisei aqui... parece que tudo mudou – confessei;
— Nada como nosso lar, não é mesmo?
— Hoje posso afirmar isso com toda certeza;
— Espero que você assuma meu posto como pediatra-chefe – ela disse sorrindo e eu fiquei surpresa;
— Meu pai te falou? — perguntei curiosa;
— Não, mas assim que ele falou um pouco de você pude notar algo e agora que você me perguntou isso... pude confirmar;
— Ah, entendi;
— Gostei muito de você Sakura e do pouco que vi, percebi que é uma boa profissional. Eu vi seu jeito com as crianças, seus olhos brilham quando estão com elas;
— É verdade, como minha mãe eu acredito que as crianças são o futuro da humanidade;
— Com toda certeza.
Depois de conversar mais um pouco com Mei, retornei até a sala de meu pai e como ele não estava fiquei esperando por ele. Fiquei refletindo sobre a proposta que ele tinha me feito e ponderei sobre tudo. Não tinha nada em Tóquio que me prendesse lá, a não ser meus pacientes, mesmo que o contato fosse apenas uma consulta ou no máximo três.
Konoha, tem minha família, meus amigos, o emprego dos sonhos e ainda tem aquele Uchiha teimoso que eu amo. Tudo me traz de volta pra cá, mas antes eu precisa fazer mais uma coisa, visitar a sala da mamãe.
Meus pensamentos foram interrompidos assim que notei meu pai adentrando em sua sala. Ele deu um sorriso imenso assim que notou minha presença ali e eu sorri de volta.
— Minha menina, está me esperando tem muito tempo?
— Não pai;
— Como foi a visita na ala pediátrica?
— Melhor, seria impossível – ao dizer isso o sorriso de meu pai se iluminou
— Fico muito feliz por você, querida;
— Obrigada pai, mas eu ainda preciso fazer algo;
— Visitar a sala da sua mãe?
— Sim;
— Faremos isso agora – ele sorriu;
— O senhor se importa se eu fizer isso sozinha? — era um momento só meu este e eu preciso disso;
— Eu imaginei que quisesse dessa forma. Pedirei que Yukiko te leve lá.
— Obrigada.
Meu pai entregou uma chave pra sua secretária e ela foi comigo até a antiga sala de minha mãe. Descobri que ela estava fechada e ninguém atendia ali. Percorri o caminho todo em silêncio e Yukiko fez o mesmo, acho que ela tem noção do que se passa neste momento. Quando chegamos em frente a porta da sala, ela me entregou a chave e me deu um sorriso sincero e encorajador. Sorri de volta.
Coloquei a chave da fechadura e a cada volta que ela dava meu peito descompensava. A chave não tinha mais nenhuma volta pra dar, levei a mão a maçaneta e abri a porta. Entrei devagarinho olhando para o chão, fechei a porta e me encostei na mesma. Levantei os olhos e senti que eles já estavam marejados.
A sala continuava do mesmo jeito que eu me lembrava. Em um dos cantos estava a antiga maca e duas balanças. Uma para bebês e outra pras crianças maiores. Nessa parede tinha um galho de cerejeira Sakura pintado na parede com vários pássaros dourados pousados e outros em pleno vôo. Mamãe sempre me dizia que aquela pintura era em minha homenagem, porque eu era seu maior e melhor presente.
Na parede oposta a essa tinha um mural de foto bem grande. Ali tinham fotos de diversas crianças, pacientes da mamãe. Ela tinha um carinho enorme por eles e as mães e pais sempre a presenteavam com fotos em sinal de agradecimento e mamãe as homenageava depositando suas fotos ali.
Atrás da sua mesa tinha uma enorme estante branca com diversos porta-retratos e brinquedos espalhados por ela. Me aproximei pra ver todas aquelas fotos. Tinha uma dela grávida numa praia, uma do seu casamento com papai, uma minha bebê, outra dela com papai brindando com vinho e uma minha com o uniforme da escola e um laço vermelho no cabelo.
Passei a mão por cada uma delas e senti meu peito palpitar, meus olhos lacrimejarem e uma enorme saudade invadir sem pedir licença. Chorei de soluçar e por momento eu queria que Sasuke estivesse aqui comigo, queria me aninhar em seu colo e morar ali. Mas minha realidade era outra.
Voltei meu olhar sobre sua mesa e mais fotos apareceram por ali. Uma que eu conhecia bem e que eu tinha uma cópia na minha caixa de lembranças. Eu usava o jaleco da mamãe e estava com seu estetoscópio no pescoço, papai e mamãe também estavam nessa foto. Tinha outra minha sozinha comendo dangos com a boca toda melada, eu deveria ter uns 10 anos.
Mas nenhuma foto me surpreendeu como aquela que se encontrava perto do monitor de computador antigo, que minha mãe usava. É uma foto minha com Sasuke, no dia que a gente se conheceu lá no jardim das cerejeiras. A gente estava embaixo da árvore, sentado sobre as raízes da nossa cerejeira, estávamos sorrindo e Sasuke tinha o braço sobre meus ombros.
Eu não lembrava de jeito nenhum dessa foto e nem que minha mãe tivesse colocado ela em sua mesa. Ela adorava Sasuke, não me surpreende que essa foto esteja em sua mesa, fiquei surpresa de não lembrar dela ali.
Me sentei naquela cadeira que mamãe usava e fiquei lembrando de vários momentos que tivemos juntas, eu não pisava nessa sala desde quando mamãe ficou doente e não conseguia mais trabalhar. Eu imaginei incontáveis vezes que ela se curaria e voltaria aqui pra atender seus pacientes uma outra vez, sonhei com ela na minha formatura e que ela acalmasse meu coração quando fosse atender meu primeiro paciente como médica de fato.
Saudade do que ela foi, quem ela foi e de quem ela seria. Eu poderia está ficando louca, mas ainda sinto o cheiro dela aqui na sua sala. Tudo aqui é tão minha mãe e talvez esse tenha sido o motivo de meu pai deixar tudo como sempre foi. Uma forma de mantê-la viva.
(...)
Ouvi alguém bater na porta e eu apenas ordenei que entrasse.
— Você estava demorando... já estava ficando preocupado – falou meu pai me analisando por completo;
— São... — suspirei – são tantas coisas, tudo aqui lembra ela, tudo é a mamãe;
— Eu sei, querida. Eu não consegui mexer em absolutamente nada nesta sala, venho aqui sempre que posso e principalmente quando sinto falta de sua mãe. Ela era uma mulher muito especial Sakura e me deu os dois maiores presentes da minha vida. O amor e você que é o fruto mais precioso dele;
— Papai... — falei sôfrega com lágrimas inundando meu rosto mais uma vez e fui correndo até meu pai pra abraçá-lo.
Ficamos assim por um bom tempo, colo de pai era o que eu precisava naquele momento. Compartilhamos a mesma dor e somos o suporte um do outro e eu não poderia ir pra outro lugar que não fosse Konoha. Recomeçar... é isso que eu preciso.
— Pai? — o chamei e ele me encarou – eu aceito, aceito trabalhar aqui no hospital como pediatra;
— Jura, Sakura? — ele perguntou contente, mas um tando descrente;
— Juro – falei e sorri. Mais uma vez ele me abraçou.
— Que dia mais feliz, minha filha;
— Sim, pai. Um dia muito feliz, mas eu queria te pedir algo;
— O que quiser?
— Eu queria começar o quanto antes – ele fez uma cara de surpresa – gostaria de acompanhar o funcionamento de perto, fazer alguns atendimentos;
— Mas você não está de férias?
— Estou, mas eu sinto falta desse ambiente – falei e ele sorriu pra mim – não precisa ser algo taxativo como um emprego de verdade, é mais observação e estudo de como tudo funciona aqui. Eu nunca tive pacientes regulares e quero ter noção, conhecer os pacientes de Mei que serão meus e tal.
— Tudo bem, mas tem duas condições...
— Pode falar;
— Final de semana a senhorita nem pisa no hospital. Me sentirei culpado por tomar todas suas férias e você merece curtir com seus amigos;
— Isso é fácil... e qual a outra?
— Quero que você fique com essa sala – arregalei os olhos e levei as mãos a boca quando ele disse isso;
— T-tem certeza pai? Não queria me desfazer da sala e das coisas da mamãe;
— Tenho certeza, querida. E você não ira se desfazer da sala e das coisas dela... aproveitamos tudo que der pra aproveitar e mantemos o restante se você quiser;
— Pode ser;
— E fora que não existira outra pessoa no mundo merecedora dessa sala quanto você e sua mãe ficaria muito feliz;
— Obrigada, papai – o abracei mais uma vez;
— Sairíamos pra jantar se eu não tivesse uma cirurgia pela frente;
— Tudo bem papai, podemos fazer isso amanhã;
— Com certeza... agora seu pai precisa se preparar para a cirurgia. Como você voltará pra casa?
— Tô com o carro do Naruto, fique tranquilo;
— Tudo bem. Até amanhã filhota, você me fez o homem mais feliz do mundo hoje;
— Eu também estou muito feliz, pai – sorri e ele sorriu de volta;
— Vai ficar por aqui ainda?
— Aham, só mais um pouquinho;
— Tudo bem, até amanhã – me deu um beijo na testa e saiu.
Fiquei mais um tempinho na sala que agora seria minha e não pude conter o sorriso gigante que se formou em meus lábios. Pela minha família e por mim eu daria o meu melhor.... chegou a hora de recomeçar.
Não resisti e antes de sair da sala peguei o porta-retrato que tinha minha foto com o Sasuke e segui direto pra sala com meu pai, coloquei o porta-retrato na bolsa e segui pra ala de oncologia pediátrica, eu tinha feito uma promessa pras crianças de que voltaria.
Cheguei lá e foi só festa... brinquei tanto que parecia até criança. Quando eu estava lendo o Pequeno Príncipe pras crianças fui surpreendia por algo que eu nunca imaginaria.
— Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser... — antes de concluir a fala da raposa, fui interrompida;
— TIO SASORI – gritou uma das crianças e eu não podia acreditar que era a mesma pessoa;
— Olá, crianças – Sim, era aquele Sasori – Tud... Sakura? — chamou meu nome assim que notou a minha presença;
— Saso? — perguntei incrédula assim que o encarei;
— Sakura!!! — eu me levantei e ele veio na minha direção;
— Saso, que saudade – falei enquanto abraçava meu amigo – como assim você aqui?!
— Eu trabalho aqui;
— E como eu não sei de nada? — perguntei um tanto triste. Saso sabia da minha história, a gente se formou junto e ele era meu único amigo em Tóquio — Pensei que estivesse em Suna;
— Não se preocupe, tenho explicação pra tudo – ele disse sorrindo – vamos jantar juntos? Devo está saindo daqui umas 19:30h... tá bom pra você?
— Tá ótimo... vamos aonde?
— Byakugan, pode ser?
— Claro... mas o que você veio fazer aqui?
— Vim dar um beijo nas crianças;
— Você conhece o tio Sasori, tia Sakura? — perguntou uma das crianças;
— Conheço sim meu amor, ele é um grande amigo da tia Sakura;
— Ele é um tio muito legal – disse outra criança;
— Ele é sim – disse por fim.
Ficamos brincando um pouco mais com elas e Sasori voltou pra seu consultório porque ele ainda tinha dois pacientes pra atender. Em torno de umas 19:15h me despedi das crianças e fui na sala de meu pai pegar minha bolsa, ele ainda não tinha retornado. Fui pra recepção esperar o Saso que apareceu quase 8 da noite;
— Pra quem disse que ia sair 19:30h, hein? — disse brincando com ele;
— Vida de médico, Saky... você bem sabe disso;
— Sei sim;
— Você tá de carro ou quer carona?
— Tô de carro... com quanto tempo você chega lá no Byakugan?
— Uns 20 minutos;
— Nos vemos em 20 minutos... até daqui a pouco Saso;
— Até Saky.
Dirigi por Konoha e com menos de quinze minutos cheguei no Byakugan, assim que entrei notei que Sasori não tinha chegado ainda. Pedi uma mesa pra dois e um sakurayu pra mim, afinal tinha tanto que eu não tomava e não queria tomar sakê.
Pouco tempo de espera e ainda com o chá pela metade Sasori deu as caras. Queria dar uns tapas naquele baka, mas também estava morrendo de saudades.
— Até que enfim, cabelo de menstruação – disse sacaneando com a cara dele – pensei que tinha desaprendido a dirigir;
— Falou a menina do cabelo de iogurte, me poupe Saky;
— Senti sua falta, baka;
— Eu também, molho rosê – ele disse bagunçando meus cabelos e me puxando pra um abraço;
— Agora me conte tudo, seu baka. Espero que tenha uma ótima desculpa porque tô pra te matar.
Nos desvencilhamos do abraço e sentamos em nossos lugares.
— Tenho sim Saky, mas vamos pedir a comida logo porque eu tô morrendo de fome;
— Eu também;
— Você tá tomando chá, Sakura? Não creio nisso – ele disse incrédulo;
— É o chá que eu mais gosto e é feito com flor de cerejeira sakura, deixa de ser recalcado seu baka – falei e ele me deu dedo esse puto – nem digo onde tu enfia esse dedo;
— Eita boca suja, nunca vi
— Fala isso, mas me ama – falei convencida;
— Agora não estou amando tanto – levantou as mãos e chamou um dos garçons – vai querer comer o que, menina do chá?
— Que tal gyoza de entrada e para o prato principal tonkatsu? — sugeri;
— Tá com fome, hein?
— Comida é vida, querido – disse bebericando um gole do meu chá;
— Por favor, você traz uma porção de gyoza, dois tonkatsu e uma dose de sakê – disse Sasorio e o garçom assentiu saindo da mesa – depois que eu contar minha história, quero saber da sua;
— Pode deixar, Sasori-sama;
— Como você sabe, eu saí de Tóquio no início do ano passado pra voltar pra Suna e eu fiquei lá por tempo – eu nada disse então ele continuou – mas em junho surgiu a oportunidade pra substituir uma médica que estava no período de licença maternidade no hospital aqui em Konoha. Como Konoha e Suna são bem próximas eu decidi arriscar, porque eu tava focando no mestrado, seria uma grana extra por tempo limitado e sem preocupações. Quando eu vi o nome do hospital eu me toquei que era o da sua família, então resolvi ligar pra contar a você, mas eu não conseguia falar contigo de jeito nenhum. Liguei pro hospital e eles me disseram que você estava na Índia e só retornaria dentro de seis meses. Obrigado, por me avisar da sua viagem, sua sem coração;
— Desculpe, mas é que foi tud...
— Agora você vai ouvir a minha história, depois você conta a sua – ele me interrompeu e eu preferi ficar muda – O tempo da licença acabou, mas a médica não voltou a trabalhar. Pediu aquele auxilio pra cuidar do filho recém-nascido e como você sabe ele dura um ano. Seu pai conversou comigo e disse que estava gostando do meu trabalho e queria me efetivar independente da decisão da médica. Eu tinha me apegado a cidade, gostava do meu trabalho e acabei conhecendo uma pessoa maravilhosa – ele sorriu, fez cara de apaixonado – Decidi ficar, quando acabou os seis meses eu liguei mais uma vez pra saber de você e me disseram que você ficaria por mais 2 meses na Índia, nesse meio tempo eu acabei me mudando e você sabe como é a loucura de uma mudança. Liguei semana passada pra o hospital e eles me disseram que você estava de férias, juro que eu quis te enforcar e quando menos espero dou de cara com você aqui, confesso que tô chocado. Preciso saber dessa reviravolta sua aí;
— Desculpe Saso, por não te avisar da viagem pra Índia, mas foi tudo tão corrido que realmente não deu tempo, me desculpe;
— Tudo bem, dessa vez passa. Agora me conte porque você tá aqui;
— Bom, você sabe que eu tinha pretensão de voltar pra tentar consertar algumas coisas do meu passado – ele assentiu – Teve a viagem pra Índia e eu tive que postergar, voltei de lá e retomei meu trabalho pra o hospital. Recebi o convite de casamento do meu melhor amigo Naruto, eu não podia recusar e era uma boa oportunidade pra voltar, então eu voltei e desde segunda-feira passada que estou aqui;
— E como está sendo a sua estadia em Konoha?
— Aconteceu tanta coisa Saso, mas a que mais vai te chocar é que eu revi meu ex-namorado Sasuke;
— O quê???? O moreno alto, bonito e sensual? — indagou perplexo;
— Menos Saso, bem menos;
— Ah Saky, pelo amor de Deus. Se na adolescência ele já era lindo, não quero nem imaginar agora;
— Um espetáculo... até provei – só vi Saso arregalar a boca e os olhos;
— C-co-omo assim? — indagou gaguejando eu ri;
— Te conto tudo – o garçom chegou na nossa mesa e colocou nossa comida – mas antes vamos comer – ele fez uma cara de indignação.
Comemos aquelas delícias e eu contei toda a história a Saso... da minha chegada a Konoha, o casamento, as peripécias com Sasuke, o amor da minha ex-sogra, da visita ao hospital e da minha decisão de voltar a Konoha. Eu nunca vi Sasori tão ouvinte na vida quando está apenas nós dois conversando.
— Sakura, que volta movimentada essa sua – ele disse ainda de olhos arregalados – mas e você e Sasuke, como estão?
— Não estamos, resolvi esperar um pouco. Como você mesmo sabe foi tudo um tanto conturbado... acho melhor assim. E agora eu estou de volta – sorri – agora me conte do seu amor;
— Bom – Sasori corou, nunca na vida eu tinha visto aquilo – o nome dele é Deidara, ele é mais velho que eu, engenheiro civil, inteligente, bem humorado e seu hobby preferido é fazer esculturas de argila. Ele não é tão reservado quanto eu, mas a família nunca o aceitou;
— Ain Saso, que feliz eu tô por você e pela sua carinha você tá gostando muito dele;
— Estou sim Saky – sorriu desconcertado – vamos até morar juntos;
— Juuuuuura?
— Juro, estamos esperando o apartamento ficar pronto – ele disse sorrindo e eu achei tão fofo;
— Que notícia maravilhosa, meu amigo. Uma pena que a família dele seja assim, infelizmente nem todos tem uma família como a sua;
— Essa é uma das duras realidades, que nós homossexuais enfrentamos. Em compensação a isso ele ganhou uma avó, Chiyo baa-chan adora ele.
A avó de Saso é maravilhosa... eu amava quando ela ia a Tóquio. Sasori perdeu os pais quando criança e desde então foi criado por sua avó, que sempre o amou de forma incondicional. Quando ele contou a ela que é homossexual em nenhum momento ela recriminou o neto e disse que o apoiaria em tudo que ele precisasse. Ela é incrível e além de tudo é uma médica muito competente, uma ortopedista extraordinária. Saso também é ortopedista como ela.
— Como está a Chiyo baa-sama? Estou morrendo de saudades dela e claro que ela iria amar Deidara... só a sua carinha de felicidade já diz tudo;
— Vovó está muito bem e ela também senti saudades suas. Quando eu me mudar, de novo, ela ficará um tempo comigo em Konoha mimando os netos;
— Também quero mimos, sou a neta preferida dela;
— Nem se acha você, né?
— Eu não me acho querido, eu sou;
— Menos Sakura, bem menos – gargalhamos juntos.
Conversamos mais um pouco, mas já estava ficando tarde e nós dois tínhamos hospital no outro dia de manhã.
— Saso, tá ficando tarde...vamos embora?
— Vamos sim, Deidara tá me esperando, ele vai dormir lá em casa hoje e amanhã antes do hospital eu ainda tenho academia. Voltei com o krav magá tem um tempo.
Eu e Saso entramos no krav magá depois que Sasori quase morreu por apanhar de uns babacas homofóbicos enquanto a gente saia de uma boate gay em Tóquio. Eu apanhei também, mas Saso bem mais do que eu, porque ele tentou me defender também. Se a polícia não tivesse chegado eu não sei o que seria de nós dois.
— Saudades krav magá – falei saudosa – desde a viagem pra Índia que parei. Só tenho feito andar de bicicleta por Tóquio;
— Volta sua bobona... eu malho na Rasegan;
— A academia do Naruto — disse surpresa;
— Melhor ainda pra você;
— Verei isso amanhã, mas prefiro à noite;
— Tá certo, vampira. Tem à noite também. Agora vamos?
— Vamos – falei e senti Saso jogar o braço sobre meus ombros.
Esperamos o manobrista trazer nossas carros, Saso me abraçava, me dava beijo na bochecha e dizia que estava morrendo de saudade. Meu carro chegou primeiro que o dele e ele me levou até o carro e abriu a porta pra mim.
— Bom te ver, iogurte – me deu um beijo na testa. Eu já estava dentro do carro – até amanhã;
— Até, extrato de tom... — fui interrompida por um carro que passou por alta velocidade ao nosso lado e quase atropela Sasori. Fiquei desesperada e senti minhas mãos tremerem – BABACA – gritei para o motorista filho da puta e sem noção – Saso, você tá bem? — disse saindo do carro eu estava com as pernas trêmulas.
Algumas pessoas se aproximaram perguntando se estava tudo bem, Sasori acalmou todas elas e a mim também.
— Calma, Saky. Tô bem;
— Você quase foi atropelado, caralho – disse com raiva;
— Como você mesmo disse foi quase – suspirou – calma, rosinha. Você consegue dirigir até em casa?
— Acho que consigo – minhas pernas tremiam menos agora;
— De qualquer forma vou atrás de você pra saber que está bem;
— Não precisa Saso, quem quase morreu foi você e não eu;
— Mas você tá mais assustada que eu – hesitou – entra logo nesse carro;
— Não precis...
— Entra logo, Sakura!!
— Tá bom, mandão.
Entrei no carro como ele mandou e dei a partida assim que ele entrou no seu carro. Dirigi devagar, mas cheguei logo na casa de Naruto e Hina. Saso não saiu do carro, apenas buzinou e seguiu pra sua casa.
Tomei banho e coloquei um pijama confortável, peguei o celular na bolsa e notei o porta-retrato com minha foto e do Sasuke. Fiquei a admirando por um tempo e resolvi colocar no criado mudo ao lado da minha cama. Já estava deitada quando Sasori me mandou uma mensagem dizendo que havia chegado em casa e que Deidara me mandou um beijo e que queria me conhecer.
Mandei um beijo pros dois e disse que em breve sairíamos juntos. Tô segurando mais vela que castiçal nessa Konoha. Afastei esses pensamentos e fiquei admirando ainda mais a minha foto com Sasuke, sorri lembrando daquele dia e logo caí no sono.
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