Daylight
21 Fábrica Caverna Ryuuchi
Notas iniciais
Tudo nesse tempo morto
A qualquer momento pode
Acontecer
Pode pegar fogo nesse
Apartamento
De ressentimento pode o chão
Se abrir
(Tempo morto — 5 à seco)
Por Sasuke
Despertei sentindo uma súbita ponta de felicidade, talvez seja pelo fato de que hoje eu conversaria com Sakura. Eu dizia pra mim mesmo “calma Sasuke”, mas é um tanto em vão. Pensava mil formas de como falar com ela, sentia meu peito apertar e minhas mãos suarem... definitivamente eu parecia um adolescente outra vez.
Mas antes de conversar com ela eu tenho um dia todo pela frente, muita gente pra reencontrar, meu posto pra reassumir e um chefe pra conversar. Ao lembrar de tudo isso senti um pouco da ansiedade diminuir e o coração um tanto mais controlado.
Acordei cedo, eram 06:17h da manhã e o expediente na fábrica começava as 08:30h, mas aí eu lembrei que teria que pedir carona a meu irmão porque em hipótese alguma eu pediria o carro de dona Mikoto emprestado pra nada, prefiro evitar conflitos já me bastam os do final de semana. Como eu trabalho numa montadora de veículos e como um dos engenheiros de lá cargo relativamente algo, tenho direito a um carro, normas da empresa.
Antes de me levantar cheirei aquele travesseiro ao meu lado mais uma vez, provavelmente eu não o lavaria tão cedo... o cheiro de Sakura é realmente maravilhoso e me fazia uma falta absurda e lá estava eu, Uchiha Sasuke pensando nela mais uma vez.
Levantei logo, senão eu moraria naquela cama agarrado naquele bendito travesseiro. Tomei um banho, dessa vez quente, e me arrumei. Coloquei uma calça jeans escura, uma camisa social azul-marinho e meu all star preto de couro... me vesti um pouco melhor porque eu não voltaria pra casa pra me arrumar iria direto da fábrica a casa de Naruto conversar com Sakura e não poderia ir de qualquer jeito.
Cheguei a cozinha e encontrei apenas meu pai tomando seu café, provavelmente depois daquele puxão de orelha triplo minha mãe não nos faria companhia e Itachi não estava à mesa porque deveria está dormindo ainda.
— Bom dia, pai – falei entrando na cozinha e fui em direção ao armário pegar uma xícara de café;
— Bom dia, filho – meu pai respondeu sem me encarar, só agora notei que ele lia algo em eu tablet, provavelmente o jornal de Konoha – dormiu bem?
— Dormi sim – hesitei – cadê a mamãe?
— Chateada conosco e me ignorando por completo – me pai me encarou divertido, desde quando meu pai tem esse bom humor matinal?
— E por que todo esse bom humor? — perguntei curioso;
— Simples, sua mãe sabe que está errada e em vez de me dar razão ela prefere me ignorar – ele riu – mas são mais de 30 anos de casamento e isso já não me afeta mais. É o jeito dela e eu a amo assim.
Fiquei um tanto atônito com essa declaração do meu pai, ele nunca foi de expor seus sentimentos dessa maneira. Fico me perguntando o que aconteceu nesse tempo em que fiquei fora, meu pai estava muito diferente mais sorridente, mais sentimental.
— Pai, o senhor está muito diferente;
— Como assim diferente, Sasuke?
— Está mais sorridente, bem humorado e mais sentimental – ele fez uma cara surpresa ao ouvir minhas palavras;
— Você prefere o Fugaku carrancudo de antes? — ele parecia um tanto desapontado e eu me arrependi de ter dito aquelas coisas pra ele;
— Lógico que não pai – suspirei – eu estou adorando esse novo Fugaku, só queria entender o motivo dessa mudança, apenas curiosidade.
Seu semblante desapontando se desfez e eu fiquei mais aliviado, era realmente bom conversar abertamente com meu pai. Na minha adolescência foi bem diferente disso e quando eu decidi fazer engenharia mecânica e seguiria um rumo completamente oposto a Construtora Uchiha, foi um verdadeiro Deus nos acuda, mas agora é tudo tão diferente.
— Sabe filho, pouco tempo antes de você viajar pros Estados Unidos eu comecei a tomar remédios pra controlar a pressão, remédio pra colesterol e mais um monte de remédio que eu nem lembro mais pra o que era – fiquei um tanto surpreso quando ele disse isso, eu nunca vi meu pai tomar remédio algum ou notei que sua saúde estivesse frágil – Fora os problemas da Construtora que eu sempre carreguei nas costas, eu sempre estava estressado e fui guardando aquilo tudo pra mim – suspirou – numa consulta com Kizashi, que além de meu cardiologista é meu amigo, ele pediu, na verdade ordenou que eu desacelerasse ou poderia infartar a qualquer momento.
Engoli em seco quando meu pai me disse aquilo, eu o encarava incrédulo e não conseguia proferir uma palavra sequer. Meu pai parecia notar minha confusão, mas antes que o silêncio se abatesse completamente sobre nós dois ele continuou a falar.
— Eu fiquei mais ou menos com essa cara que você ficou quando ele tinha me dito aquilo – meu pai falou achando graça de tudo aquilo – foi um baque tremendo. Eu apenas conversei com sua mãe e ela me deu uma bronca daquelas e foi aí que eu caí na real – suspirou – pensei na sua mãe e em vocês, eu não poderia mais ser aquele Fugaku sério, estressado e que vivia em função do trabalho, por isso eu mudei. Eu quero continuar com sua mãe por mais 30 anos se possível e quero ver você e seu irmão construindo suas famílias e me dando netos para que eu possa estragar, afinal avô é pai com açúcar.
Sim, eu não estava tendo um sonho, meu pai disse realmente aquelas palavras pra mim e eu não pude evitar um sorriso, quem diria que Uchiha Fugaku iria proferir palavras como aquela.
— Pai, eu simplesmente não sei o que dizer – disse por fim;
— Filho é só seguir o que falei, construa sua família e me presenteie com netos – me lançou um olhar sorrateiro, aí tinha – candidata pra esposa já tem – claro que ele falaria aquilo;
— Não faço ideia de quem o senhor está falando, pai – falei colocando café em minha xícara;
— Tem cabelos rosas, olhos verdes e nome de flor — ele disse sorrindo e tomando um gole do seu café;
— Realmente muito engraçadinho, Fugaku-san;
— Você já sabe minha opinião quanto a isso – hesitou – e fora que um filho seu com Sakura seria uma graça – eu fitei seus olhos divertidos;
— Pai! — ralhei;
— Ok, ok – levantou as mãos em sinal de rendição, mas continuou a gargalhar e eu não pude evitar de rir junto com ele.
— Posso saber qual foi a piada, também gostaria de rir – falou Itachi observando a cena.
Meu irmão estava com a cara de quem não tinha dormido nada, seu cabelo estava solto e úmido, sua camisa social estava aberta e ele trazia seus sapatos na mão... uma péssima visão pela manhã, eu diria. (N/A: Fica claro que a autora não concorda com essa afirmação, adoro um boy de cabelo grande, úmido e desarrumado... ok parei!!!).
— Bom dia pra você também, Itachi... todo sem educação, nunca vi – fiz exatamente o que ele fez comigo ontem;
— Tenha um pouco mais de personalidade, seu baka – ele falou e revirou os olhos pra mim – bom dia pai
— Bom dia filho;
— Mas então, qual o motivo de tanta graça? — perguntou meu irmão
— Estávamos apenas conversando sobre o futuro, família, esposa e filhos – meu irmão fez uma caráter ao ouvir aquilo da boca do nosso pai, mas no fundo eu sabia que ele desejava tudo que meu pai tinha falado;
— Entendi – falou meu irmão, notei seu desconforto com aquilo. No fim das contas ainda era mais fácil minha relação com Sakura do que a de Itachi com Izumi – Não tenho nada a falar sobre isso – disse por fim meu irmão.
O silêncio se instaurou na cozinha ficando claro o momento um tanto não tão agradável como estava antes. Eu queria achar uma forma de ajudar Itachi, afinal essa mudança do meu pai poderia ajudar e talvez ele fosse mais receptivo. Por outro lado se eu tentasse um diálogo com meu pai e não desse certo meu irmão me mataria. Pensaria melhor sobre isso e logo tomaria uma decisão.
— Itachi, você me dá uma carona até a fábrica? — perguntei sumindo com aquele silêncio chato da cozinha;
— Lógico que sim, mas você não prefere meu carro emprestado? — indagou com a boca cheia, típico dele;
— Não precisa, eu pegarei um carro lá — tomei um gole de café – a carona já é o suficiente;
— Beleza – hesitou meu irmão – cadê a mamãe?
— De birra no quarto, ela não tá muito feliz com as coisas que dissemos a ela ontem – explicou meu pai.
E mais uma vez o silêncio se abateu naquela cozinha, só que dessa vez foi um silêncio “normal” que sempre rodeava os nossos cafés da manhã.
Colocamos nossas louças na pia, meu irmão terminou de se arrumar e eu fui até meu quarto pegar minha mochila com meu material de trabalho. Meu pai foi na frente porque tinha que adiantar algumas coisas e 15 minutos depois saímos eu e meu irmão.
A fábrica era um tanto afastada da cidade, logo depois do campus da Universidade de Konoha, então da minha casa até ela durava em torno de 30 minutos o trajeto. Meu irmão estava um tanto quieto e eu sabia que tinha algo errado.
— Itachi, o que é você tem? — perguntei preocupado;
— Estou apenas cansado – mentira;
— Vai mesmo mentir pra mim?
— Desde quando trocamos de posição? — indagou divertido, mas logo sua expressão se tornou séria – Izumi estará em Konoha na quinta à noite;
— Fazendo? — será que finalmente eles tinham se acertado?
— Ela vai dar uma palestra na Universidade de Konoha sobre Arquitetura Sustentável na sexta pela manhã – hesitou como se buscasse coragem pra falar – mas ela quer conversar na quinta a noite comigo;
— Você sabe do que se trata? Conseguiram se entender?
— Eu não sei de nada, perguntei a ela, mas ela disse que só na quinta – suspirou – espero que seja para nos acertamos de vez. Eu não sei até quando conseguirei levar adiante essa situação, mas eu também não quero perdê-la;
— Não sofra por antecipação, Itachi. Isso não vai te fazer bem e vocês precisam se acertar de uma vez, não é mesmo? — vi meu irmão pressionar o volante do carro – Vai dar tudo certo – falei por fim e toquei em seu ombro;
— Obrigada, irmãozinho tolo – revirei os olhos diante do apelido carinhoso.
Não dissemos mais nada, eu tinha que agir rápido e arranjar uma forma de conversar com meu pai sobre isso. Minha mãe não seria problema, mas ela nunca soube do relacionamento dos dois, porém com toda certeza ela pensaria na felicidade de Itachi e não que Izumi é sua prima. Pensar sobre isso me deu até um pouco de ciúme de meu irmão, minha mãe não quer ver Sakura nem pintada de ouro, mas a vida é minha e quem escolhe a pessoa que eu quero ser feliz sou eu.
Ao chegar nos portões da fábrica me despedi do meu irmão e voltei meu olhar àquela enorme construção a minha frente. Caverna Ryuuchi, uma marca e uma montadora de carros com mais de 80 anos de história. Fundada pelo avô de Orochimaru-sama, Mitarashi Hakuja mais conhecido como o sábio cobra branca e esse é justamente o símbolo da nossa marca, uma cobra branca enrolada em uma espada.
Estando ali mais uma vez fui abatido por uma onda nostálgica de acontecimentos, lembro-me da minha primeira visita ainda como estudante do ensino médio desesperado pra decidir o futuro, lembrei da meu primeiro dia de estágio e como eu estava nervoso, lembrei de quando fui contratado como engenheiro mecânico júnior assim que saí da faculdade não demorando muito a chegar a engenheiro mecânico sênior e até o dia da minha partida para os EUA.
Entrei na fábrica e fui direto pra antiga sala que dividia com meus amigos e logo depois iria conversar com Orochimaru-sama para deixá-lo a par de tudo com relação a minha volta. Cumprimentei todos pessoas por onde passava reconhecendo algumas e notando rostos novos.
Peguei o elevador e apertei o botão do terceiro andar que não demorou muito a chegar e fui direto a minha ex futura sala. Dei duas batidas e quando ouvi um sonoro “entre” abri a porta e dei de cara com meus dois amigos Suigetsu e Juugo.
Nossa sala é grande, mas é bem simples no quesito decoração... paredes brancas que continha apenas um quadro com símbolo da marca Ryuuchi, cada engenheiro tinha sua mesa com seus devidos computadores, uma impressora no canto da sala ao lado de um armário na cor preta e o maior e o melhor investimento que fizemos uma máquina de café, para evitarmos de irmos sempre a copa, que ficava ao lado da mesa de Juugo no sentindo contrário a porta da sala.
Suigetsu é formado em engenharia da computação e vinha de Kiri, cidade vizinha a Suna. Ele veio apenas pra estudar em Konoha, mas acabou se encantando pela cidade e decidiu morar aqui.
Juugo é formado em engenharia elétrica e vinha de Oto, cidade que ficava entre Konoha e Kumo. Ele também veio pra Konoha pra estudar, mas como não possuía qualquer vínculo familiar que o levasse de volta a Oto, resolveu fazer de Konoha o seu lar.
Eu conheci os dois na Universidade e como ambos cursávamos engenharia, mesmo que ramos diferentes, pegamos diversas matérias juntos, depois passamos a estagiar juntos e desde aquela época nos tornamos amigos.
— SASUKE?! – gritaram meus dois amigos assim que me notaram;
— O próprio, em carne e osso – falei num tom divertido. Senti falta dos meus amigos.
Os dois levantaram, vieram na minha direção e me deram um abraço fraterno cada um... era bom está de volta.
— Cara, você não voltaria em julho? — perguntou Juugo;
— Voltaria, mas eu adiantei as coisas no mestrado para poder vim ao casamento de Naruto – expliquei a eles;
— Quanto tempo que você tá de volta? — dessa vez Suigetsu que perguntou;
— Desde quinta estou aqui – respondi;
— E só hoje que você vem encontrar com a gente? — Suigetsu perguntou incrédulo;
— Que amigo você é, viu Sasuke?! — Juugo parecia mesmo ofendido e eu não pude evitar de rir;
— Gente, eu cheguei na quinta quase na hora do casamento e aconteceu tanta coisa de lá pra cá que vocês não fazem ideia. Não tive cabeça pra absolutamente nada, me desculpem – eu não pediria desculpa, mas queria amenizar toda aquela situação;
— Uchiha Sasuke, pedindo desculpas? — Juugo me encarava incrédulo;
— É você mesmo Sasuke?! — Suigetsu não estava muito diferente dele;
— Sim, mas não se acostumem – disse por fim;
— Então, quando vamos sair pra colocarmos o papo em dia cara? — indagou Juugo – você tá com uma cara de que tem muita coisa pra contar.
Juugo sempre foi extremamente observador e conseguia ler a áurea das pessoas. Sempre muito tranquilo, mas não é recomendável que pisem em seu calo.
— Eu e Juugo iremos naquele barzinho rústico do Hashirama o Mokuton, que fica ao lado do Byakugan. Vamos tomar aquele sakê artesanal maravilhoso que eles fazem lá... e aí, o que acha Sasuke?
— Realmente uma proposta tentadora, mas hoje à noite eu tenho um compromisso inadiável e não poderei ir – falei, afinal hoje eu conversaria com Sakura. Lembrar disso me deixou ansioso mais uma vez;
— Compromisso inadiável, é? — perguntou Juugo e eu assenti – com certeza tem mulher no meio – deu um sorrisinho malicioso;
— Quem foi a felizarda ou não, que caiu na lábia de Uchiha Sasuke? — perguntou malicioso Suigetsu, só o que estava me faltando;
— Mais fácil ser o contrário – acabei falando sem pensar e eles começaram a gargalhar, tô fodido – vamos parar de graça? — bradei sério – é mulher sim e maravilhosa por sinal – me gabei;
— Vixe... o cara tá apaixonado Juugo e eu tô vivo pra ver isso... Uchiha Sasuke de coleira, 2016 não tá brincadeira – depois disso o ruivo e o cabeça branca dos meus amigos começaram a gargalhar e eu fiquei com cara de baka. Até quando não quer, Sakura provoca um caos em minha vida, eu devo estar ficando louco mesmo;
— Eu tô melhor que vocês, que não pegam nem resfriado... por favor, melhorem – tentei parar de ser a piado dos meus amigos, mas não deu muito certo, então eu esperei eles terminarem de relinchar.
Os dois estavam mais vermelhos que tomate, se continuassem a rir daquela forma iam morrer por asfixia, pelo menos o mundo se livrava de dois bakas.
— Foi mal, Sasuke – começou Juugo – mas é realmente hilário que isso seja verdade;
— É crime por um acaso? — indaguei raivoso;
— Não cara – disse Suigetsu – mas você foi um cara avesso a paixões, que a gente nunca imaginou que isso um dia pudesse acontecer;
— Vocês dois sabem muito bem da minha história – eu já tinha contado de Sakura pra eles em uma das nossas bebedeiras na época de faculdade – só que agora é diferente;
— E quando iremos conhecê-la? — perguntou o ruivo;
— É Sasuke, quando vamos conhecê-la? — indagou Suigetsu curioso;
— Vamos com calma, tá legal?! — suspirei – tem muita coisa acontecendo e eu ainda não posso fazer isso – eles me encararam sem entender nada – conversarei com vocês sobre isso depois, sairemos essa semana ainda;
— Beleza, cara – falou Suigetsu – Sabe de uma coisa, Sasuke? No fundo eu te admiro – não entendi porra nenhuma daquelas palavras pra quem riu da minha condição que nem um cavalo pouco tempo atrás – eu tô cansado dessa vida de solteiro, quero alguém pra dormir e acordar, alguém pra dividir a vida... você não tem nenhuma amiga pra me apresentar não, Sasuke? — eu estava um tanto estarrecido diante daquela declaração, nunca esperei aquilo de Suigetsu;
— Por Deus, o que está acontecendo com vocês dois? — perguntou Juugo completamente incrédulo — ser solteiro é a melhor coisa da vida.
— É sério que você quer alguém Suigetsu? — perguntei e meu amigo cabeça branca assentiu – uma pena que eu não... espera — não, eu tenho sim – acabei de lembrar que eu tenho uma amiga solteira sim, o nome dela é Karin – me controlei ao máximo pra não rir, Karin não suporta compromisso sério, mas seria engraçadíssimo ver meu amigo correndo atrás dela – ela é psicologa e uma mulher muito bonita;
— Karin, é? — perguntou ele e eu assenti – já gostei do nome – tá fodido e ele nem viu a peça, me controlei mais uma vez pra não rir – trate logo de nos apresentar, obrigada – lancei uma piscadela marota pra meu amigo, mal sabe ele o que te espera;
— Pelo visto vocês não vão desistir disso mesmo – bradou Juugo – mas mudando de pau para cacete, ainda bem que você voltou Sasuke... eu e Suigetsu não estamos aguentando mais trabalhar com Anko, que mulher mais insuportável e o pior é que a gente não pode falar nada, afinal é filha do chefe essa praga – bufou o ruivo.
Mitarashi Anko é filha de Orochimaru-sama e irmã gêmea de Kabuto, ela se formou em engenharia mecânica junto comigo, começamos e terminamos o curso juntos. Não gosto nem um pouco dela, sempre deu em cima de mim a faculdade inteira, ela é muito inteligente e bonita também, mas eu nunca senti qualquer tipo de atração por ela e depois que eu descobri que era filha de quem era, aí que eu não dei cartaz mesmo.
Olhei pra minha mesa e vi que estava uma bagunça e eu odiava aquilo, precisava logo reassumir meu posto e arrumar aquele lugar porque eu odeio desorganização.
— Como que pode uma mulher com nome de doce ser tão azeda assim? — ralhou Suigetsu – graças aos céus que você voltou... eu, Juugo e os estagiários estávamos a ponto de surtar com ela mandando na gente o tempo todo;
— Eu imagino, mas eu estou de volta pra salvar vocês como um amigo maravilhoso que sou – me gabei – e quem são os estagiários?
— Konan e Yahiko – me respondeu Juugo – eles são ótimos e estão conosco há seis meses já, essa semana eles estão de folga por conta da semana de provas da universidade;
— Nunca ouvi falar deles – pensei alto;
— Porque eles não são daqui – me explicou Suigetsu – eles vieram da cidade de Ame, forasteiros como eu e Juugo;
— Isso não me importa – falei – contanto que sejam inteligentes, isso me basta;
— Sasuke, não esqueça que eles estão aqui pra aprender – me repreendeu Juugo – vá com calma;
— É mesmo Sasuke, concordo plenamente com Juugo;
— Calma, rapazes... serei melhor que Anko – meus amigos riram e eu também – agora eu preciso ver o chefe e mais tarde volto pra reassumir meu posto e salvar vocês da cobra júnior. — eles gargalharam mais uma vez – até daqui a pouco;
— Até – falou Juugo;
— Finalmente a equipe Taka ataca outra vez – falou Suigetsu – até, Sasuke;
— Péssima piada cabeça branca – ralhei;
— Ah, vai se foder apaixonadinho – falou Suigetsu e eu lhe mostrei meu dedo de meio e saí da sala ao som do riso de Juugo.
Ao saí da minha sala fui direto ao elevador a próxima parada é no quinto andar, espero que Orochimaru-sama não esteja em reunião, ele é um homem extremamente ocupado a minha sorte é que ele gosta de mim e do meu trabalho, sempre que pode me atende.
Cheguei no andar da presidência, aqui sempre foi tudo mais sofisticado e chique. As secretárias sempre bem vestidas e maquiadas, todos os móveis muito bem planejados, várias obras de artes entre elas esculturas e quadros espalhados por todo andar.
Passei cumprimentando a todos e todas que me encaravam mais uma vez com surpresa nos olhos, não queria explicar pela milionésima vez como as coisas aconteceram e resolvi ignorar indo em direção a sala de Orochimaru.
A secretária dele ainda era a mesma e facilitaria pra que eu conseguisse falar com ele. Parei em frente a sua mesa, mas ela ainda não tinha notado a minha presença pigarreei e chamei sua atenção.
— Tayuya, Bom dia – falei e dessa vez ela notou a minha presença – Orochimaru-sama está podendo falar?
— Sasuke? — perguntou surpresa – Bom-dia, ele acabou de chegar, só um momento que irei te anunciar;
— Obrigado – disse por fim.
Ela contactou o nosso chefe pelo telefone e não demorou muito pra avisar que ele permitiu a minha entrada em sua sala.
— Sasuke, Orochimaru-sama já está a sua espera – falou a ruiva;
— Obrigado, Tayuya;
— Não precisa agradecer, estou fazendo apenas meu trabalho – disse seca, doce e suave como um coice de mula. Ela era meio bipolar também, faria o casal perfeito com Juugo.
Dei duas batidas na porta e entrei na sala de Orochimaru, o lugar continuava o mesmo... paredes brancas, móveis pretos, quadros em preto e branco... tudo extremamente mórbido e frio, assim como meu chefe. Ele me encarava sem nenhuma surpresa no olhar, na verdade ele nunca tinha muita expressão facial, certeza que era por causa das intervenções cirúrgicas que sempre fazia para se manter mais jovem, mal sabe ele que o efeito é reverso, mas isso não vem ao caso agora.
Resolvi por fim quebrar aquele silêncio.
— Orochimaru-sama, bom dia;
— Sasuke-san, que surpresa é essa? — esse cara só podia tá de sacanagem com minha cara, melhor ignorar – pensei que nos veríamos apenas em julho;
— Eu precisei voltar mais cedo – expliquei – meu melhor amigo se casou e eu não podia faltar a esse evento. Consegui adiantar o mestrado e retornei de vez pra Konoha, cheguei na cidade na quinta no fim da tarde;
— Ah, sim o casamento de Naruto e Hinata? — assenti em resposta, Orochimaru é amigo pessoal do pai de Hinata e com certeza foi convidado – soube que foi muito bom, mas não pude comparecer;
— Foi uma excelente festa – embora eu tenha preferido o pós-festa... Foco Sasuke, foco – uma pena que o senhor não pode comparecer;
— Coisas da vida, mas a que devo a honra da sua ilustre presença? — direto como sempre – veio reassumir seu posto?
— Também, gostei muito do período que fiquei fora estudando, mas sinto falta do meu trabalho e assim que terminasse o mestrado voltaria para meu antigo cargo. Gostaria de devolver o dinheiro que foi depositado pra mim como ajuda de custo, mas que não precisei usar no período em que estive nos Estados Unidos;
— Eu lembro que acordamos isso – Orochimaru conseguiu dar um sorriso forçado por conta do botox – Você voltará ao seu antigo cargo, mas seu salário não poderá ser o mesmo... agora você é um engenheiro mecânico especializado em engenharia automotiva com ênfase em sustentabilidade – confesso que me achei um pouco – mesmo que volte a seu antigo posto suas responsabilidades aumentarão de agora em diante e por consequência o seu salário também... quanto ao dinheiro da ajuda de custo não precisa nos devolver, ele já estava no orçamento e planejamento de gastos da empresa;
— Agradeço a confiança Orochimaru-sama, estou muito feliz por essa espécie de promoção, mas com relação ao dinheiro eu faço questão de devolvê-lo;
— E eu faço questão de não aceitar, mas para que você se sinta mais confortável nem os meses de maio e junho serão depositados já que você está de volta;
— Eu me sentiria confortável devolvendo tudo de uma vez, mas aceito como o senhor achar melhor – disse por fim;
— Ótimo – hesitou – soube que você irá lecionar na Universidade de Konoha, é verdade?
— Está quase 80% acertado, preciso verificar quais matérias estão disponíveis para que eu possa lecionar, caso nenhuma delas me interesse ficarei como professor substituto;
— Parece que serei seu chefe por lá também – o encarei confuso e ele pareceu notar – desde do início do ano sou Coordenador do Curso de Engenharia Mecânica da Universidade de Konoha e será um prazer tê-lo como docente na universidade – me explicou.
Caralho, aquilo era muito surreal... esse homem não tinha tempo para se coçar, que dirá pra coordenar um curso tão grande como esse.
— Estou de fato muito surpreso com a notícia, espero que goste também do meu trabalho como professor;
— Pra mim não foi surpresa alguma, anos de gordas doações pesou na decisão do Reitor – sorriu cinicamente – se você for dedicado como engenheiro que é a docência será fácil pra você;
— Obrigada, Orochimaru-sama;
— Não precisa me agradecer, faça apenas seu trabalho;
— Com toda certeza;
— Vou mandar Tayuya avisar a Anko que você já está de volta e pedir que minha filha desocupe a sua mesa na sala que você divide com rapazes;
— Certo. Agora irei me retirar pra que o senhor possa trabalhar;
— Mais uma coisa Sasuke – olhei atento pra ele – tivemos um problema em uma peça do Ryuuchi-sport e de terça a sexta serão os dias do recall do lote 429 que apresentaram defeito na descarga, lá em Tóquio. Preciso que você analise tudo e faça a devida correção. Anko que iria, mas como você está de volta prefiro que vá no lugar dela. Você irá amanhã pela manhã e retorna na sexta no fim da tarde, tudo bem pra você?
Uma viagem agora não cairia bem, mas diante da minha atual situação aqui na fábrica eu não poderia recusar e eu conseguiria conversar com Sakura hoje à noite.
— Claro que sim, estarei amanhã em Tóquio verificando tudo de perto – disse por fim;
— Obrigado, Sasuke... bem-vindo de volta;
— Eu que agradeço – disse por fim e saí da sua sala.
Eu estava realmente feliz pelo reconhecimento do meu trabalho, parece que dessa vez minha vida está indo por um caminho plenamente feliz... pra ficar melhor só me acertando com Sakura de vez e de novo eu estava pensando nela. Se Sakura soubesse do poder que ela tem sobre mim eu estava realmente fodido da minha vida.
Afastei esses pensamentos e fui mais uma vez a minha sala onde eu voltaria finalmente a trabalhar junto com meus amigos. Entrei sem bater e anunciei.
— Estou oficialmente de volta;
— Obrigado, senhor – Suigetsu falou se ajoelhando no chão;
— Mais uma vez a escravidão foi extinta – falou Juugo, puta que pariu que exagero;
— Vocês dois são tão dramáticos;
— Porque não foi você que conviveu com aquela insuportável – disse Suigetsu – nunca fiquei tão feliz com a presença de um homem.
Diante dessa declaração eu e Juugo rimos alto e Suigetsu nos acompanhou depois... é realmente bom estar de volta. Conversamos horas a fio e depois fomos almoçar na fábrica mesmo, revi outros colegas, cumprimentei Kabuto vice-presidente da empresa e Kimimaro o designer automotivo... eles eram próximos, mas não meus amigos digamos que eu só um tanto anti-social.
Voltamos pra sala e demos de cara com Anko tirando suas coisas da minha mesa e arrumando-as em uma caixa. Pela cara de desgosto que ela fez com certeza não curtiu dar de cara com a gente.
— Então é mesmo verdade, você está de volta Sasuke – ela falou de forma seca;
— Tão verdade que você está arrumando suas coisas pra dar o fora daqui – falou Suigetsu e eu lancei eu um olhar de reprovação pra ele;
— Fica quietinho ai vovô, que a conversa não chegou chegou no asilo – rebateu Anko arrancando risadas de Juugo e eu me segurei pra não rir;
— Rapazes, será que vocês podem nos dar licença?! — falei;
— Claro Sasuke – disse Juugo e saiu da sala arrastando Suigetsu.
Esperei meus amigos saírem e encarei Anko, queria saber qual o problema dela comigo e porque ela é tão azeda com as pessoas. Não acho que seja pelo fato dela ter sido rejeitada por mim, mas se for isso está na hora de acabar.
— Anko, qual o seu problema comigo? — perguntei sério;
— O mundo não gira ao redor do seu umbigo, Uchiha Sasuke – ela falou de forma dura e me lançou um olhar furioso;
— Eu sei que não, mas que você tem um problema comigo isso você tem – suspirei pra tentar manter a calma – isso é pelo fato de que eu nunca me interessei por você de outra forma que não fosse profissional? — eu estava me sentindo ridículo em perguntar isso, mas foi preciso.
Depois que eu fiz essa pergunta a Anko o silêncio se instaurou sobre nós, mas que logo foi quebrado por uma gargalhada alta e um tanto maquiavélica dela.
— Qual a parte do mundo não gira ao redor do seu umbigo que você não ouviu? — ela riu mais uma vez e eu fiquei sem entender porra nenhuma – meu problema com você é outro;
— Sabia que tinha um problema, você pode me dizer o que eu fiz?
— Você nasceu... Sabe Sasuke, esse tempo que você ficou fora foi realmente feliz. Meu pai começou a olhar pra mim, valorizou o meu trabalho, me colocou a frente de coisas que jamais imaginei que ele me colocaria, mas bastou você pisar aqui mais uma vez e tudo voltou a como era antes – ela me encarava com fúria e ao mesmo tempo angústia... a quanto tempo ela vem guardando aquilo? — nem do recall eu irei mais participar, eu que organizei, dei duro pra resolver o problema e agora você irá no meu lugar;
Eu não sabia o que dizer, de fato aquilo tudo que ela disse foi um choque... eu nunca pensei que existisse qualquer tipo de competição, Orochimaru sempre gostou do meu trabalho e sempre elogiou, mas eu nunca imaginei que isso tivesse atingido Anko dessa forma. Eu simplesmente aceitei ir a Tóquio para fiscalizar o recall porque eu não podia negar, afinal acabei de voltar do meu Mestrado e recebi uma promoção... minha intenção nunca foi atingir Anko.
— Anko – respirei fundo – eu nunca tive a intenção de roubar a atenção do seu pai, sempre fiz meu trabalho da melhor forma possível e nunca quis competir com você, então não há um jogo a vencer quando a outra pessoa nem sabe que é um jogador. Você criou essa disputa sozinha, sempre foi mal humorada, tratando as pessoas com arrogância e impaciência – hesitei, depois de despejar tanta coisa eu precisava ir até o fim – eu nunca soube que você se sentia porque você nunca me disse, e outra eu não aceitei o recall de propósito foi seu pai que me pediu e eu não tinha condições de recusar, se eu soubesse que era tão importante pra você eu teria recusado.
Ela me encarava surpresa, mas ainda era visível a fúria em seu olhar. Antes que o silêncio domasse o espaço e se tornasse constrangedor resolvi tomar a palavra novamente.
— Falarei com Orochimaru-sama, digo que aconteceu um pequeno imprevisto e desisto de viajar pra Tóquio;
— Não quero te dever um favor, Uchiha – ela me disse séria – e muito menos aceitar pena vindo de você;
— Não é pena, Anko... só estou buscando uma solução para acabar com esse impasse. Foi você quem organizou todo o procedimento do recall nada mais justo que você tome a frente – disse por fim;
— Não, Sasuke. Meu pai já tomou a decisão dele, então cabe a mim respeitar e aceitar, mas não será sempre assim... está avisado, Uchiha – ela falou friamente, pegou sua caixa e saiu da sala batendo a porta como uma criança birrenta que deixa o pirulito cair no chão.
Logo depois meus amigos entraram na sala com suas caras interrogativas direcionadas a mim.
— Mano, o que foi que você disse a cobra júnior pra que ela saísse com aquela cara de que comeu e não gostou? — indagou Suigetsu;
— Só disse a verdade;
— Que verdade, Sasuke? — dessa vez Juugo que perguntou;
— Preciso de um café – disse por fim.
Preparamos um café e eu contei aos meus amigos o teor da conversa que tive com Anko, eles ficaram tão surpresos quanto eu porque eles também acreditavam que o problema dela sempre foi com o não dito anos atrás por mim e repetido sempre que ele insistia na época da faculdade.
O restante do dia passou de forma rápida e por volta da 7 da noite eu saí da fábrica. Consegui pegar um carro e agora não precisaria de mais ninguém para me locomover é pra glorificar de pé. Estava mais uma vez ansioso pra me encontrar com Sakura, mas ainda me perguntava se era realmente a hora da verdade e se eu estava pronto pra perdoá-la... às vezes eu pensava que esquecer o passado seria mais fácil e menos indolor. Mas eu também paro e penso que Sakura vale tudo isso... por mais dividido que eu estivesse a vontade de tê-la em minha vida mais uma vez era maior.
Passei no centro de Konoha e comprei uns dangos pra ela... eu tô parecendo um idiota apaixonado, isso sim, mas o sorriso dela valia a minha idiotice, nossa que piegas!
Dirigi até casa de Naruto com o coração na mão, o caminho era relativamente curto, mas hoje parecia que eu estava dirigindo até Suna. Pra variar perdi um retorno duas vezes... mas que caralho.
— Calma, Sasuke – disse pra mim mesmo.
Cheguei na casa de Naruto e estava tudo escuro... senti uma pontada de descontentamento, será que ela não está em casa? Antes de deixar o negativismo se manifestar fui até a campainha... Buzinei 1, 2, 3 até perder a conta e nada de Sakura aparecer.
— Onde será que Sakura está? — me perguntei baixinho.
Me amaldiçoei mil vezes por não ter ligado pra ela avisando que viria, mas a burrice em pessoa aqui inventou de fazer surpresa, puta que pariu... ela podia estar em qualquer lugar. Já era mais de 8 da noite, resolvi esperar.
Mais de quarenta minutos se passara e nada de Sakura. Eu falava “só mais 10 minutos” a cada vez que os 10 minutos se passavam. Eu já estava um tanto impaciente e ainda lembrei que teria que viajar na manhã seguinte.
Passaram-se mais meia hora e nada... estava realmente triste e frustrado, logo quando eu tomo uma atitude de falar com ela, Sakura desaparece pra foder comigo.... vai ter sorte assim na casa do caralho... Talvez não fosse a hora certa.
Não queria voltar pra casa, o clima com dona Mikoto não estava dos melhores, então é melhor evitar. Lembrei que meus amigos do trabalho estavam no Mokuton, até que um sakê artesanal não cairia mal agora.
Pra não cair na mesma coisa duas vezes na mesma noite resolvi ligar pra saber se eles ainda estavam lá.
— Sasuke? — Juugo atendeu no terceiro toque;
— Oi Juugo, vocês ainda estão no barzinho?
— Estamos sim cara, por que?
— Me esperem que eu tô chegando – falei já entrado no carro;
— Mas você não tinha um encontro amoroso hoje? — brincou Juugo e eu senti minhas bochechas inflarem;
— Mudança de planos – afivelei o cinto e liguei o carro – chego em 15 minutos – desliguei antes que ele me falasse mais alguma coisa.
Eu tava meio puto da vida, mas não tinha muita coisa a se fazer... eu não sabia onde Sakura estava e agora estava indo beber. Só poderia falar com ela quando voltasse de Tóquio... merdaaaa, a viagem, me esqueci completamente.
Se bem que são apenas quatro dias seria moleza fazer uma pequena mala.
Quando estava na rua do Mukoton senti meu coração acelerar ao avistar uma cabeleira rosa, Sakura estava em frente ao Byakugan, talvez hoje fosse meu dia de sorte. Não pude conter o sorriso que se formou em meu rosto... mas como a vida é filha da puta que lhe dá um chute no estômago e rouba seu biscoito preferido, meu sorriso morreu assim que vi um ruivo, filho do capeta por conta daquele cabelo, abraçando Sakura pela cintura e lhe dando um beijo demorado na bochecha.
Senti meu coração apertar e o ódio emanar sobre meu corpo... Sakura disse que me ama e já está se abraçando com outro na rua com beijos e sorrisos?!
— Que porra é essa? — bradei irritado.
Eu vi aquele palito de fósforo em forma de gente levar Sakura até o carro dela... deu uma de galanteador barato e abriu a porta pra ela que agradeceu com um sorriso maior que o do Naruto. Isso só fez meu ódio aumentar... Ai que raiva.
Pra fechar a noite... o sacana colocou a cabeça pra dentro do carro pela janela e beijou Sakura... ELE BEIJOU A MINHA SAKURA... eu não sei exatamente onde, mas com certeza foi na boca o beijo.
Eu tava emputecido no mais alto grau possível, deixei a irracionalidade tomar, acelerei o carro com tudo e quase faço um extrato de tomate daquele ruivo imbecil... ouvi algumas pessoas que reclamaram do meu comportamento, tava pouco me fodendo.
Saí costurando pelas ruas de Konoha, rodei, rodei, mas decidi ir pra casa... assim que cheguei lá mandei uma mensagem pra Juugo e Suigetsu falando que tinha acontecido um problema e que não poderia ir ao bar.
Eles me mandaram mensagem perguntado o que tinha acontecido, mas eu resolvi ignorar... não tava afim de falar sobre aquilo.
Estacionei o carro na garagem e entrei em casa tentando manter a calma. Vi que minha mãe e meu pai estavam na cozinha e resolvi passar direto, mas minha mãe parece que tava adivinhando.
— Boa noite, Sasuke – disse séria – não vai jantar?
— Não – falei seco – estou estourando de dor de cabeça;
— Que modos são esses?
— Mãe, agora não tá? — suspirei tentando manter a calma – tô com a cabeça cheia de coisa e preciso dormir cedo. Viajarei amanhã pra Tóquio só volto na sexta-feira;
— Mas Sasuke...
— Mas nada mãe – a interrompi – com licença.
Deixei ela reclamando sozinha e fui pra meu quarto... bati a porta com mais força que o necessário e me joguei na cama fitando o teto, de novo.
A imagem de Sakura abraçada com aquele ruivo ficava passando como um filme na minha cabeça. Senti meu estômago embrulhar... será que agora eu tinha perdido Sakura de vez?
Fui até meu guarda-roupa e peguei uma caixa antiga... lá estavam guardadas todas as lembranças que eu tinha dela. Tentei mil vezes jogar aquilo fora, mas eu nunca consegui até que um dia eu entoquei ela no fundo do guarda-roupa e nunca mais a olhei.
Mas agora eu simplesmente precisava daquilo. Vi diversas fotos nossas, que antes ficavam no meu mural. O sorriso dela é simplesmente apaixonante, aliás tudo nela é apaixonante... eu tô me sentindo um verdadeiro idiota.
E de novo eu estava chorando por ela, que agora devia estar nua nos braços daquele ruivo maldito. Fiquei ali por tanto tempo que perdi completamente a hora até que lembrei da viagem e que tinha arrumar a mala... essa viagem veio num excelente momento.
Eu precisava de um tempo pra colocar a cabeça no lugar, repensar mais uma vez a minha vida e dar um jeito na minha cabeça confusa.
A contra gosto guardei todas fotos, exceto uma em que Sakura estava sorrindo de forma natural e nem percebeu que estava sendo fotografada por mim. Eu lembro muito bem daquele dia, estávamos em uma das praias de Suna, nossa última viagem juntos, tínhamos ido passar a virada de ano por lá. A família No Sabuko tem uma casa de praia enorme lá e todos os amigos resolveram viajar pra lá para romper o ano. Foi realmente divertido e Sakura e eu estávamos tão bem e felizes.
Mas agora a minha realidade era outra. Guardei aquela foto em minha carteira, era um martírio pessoal confesso. Coloquei a caixa novamente em meu guarda-roupa e comecei a arrumar a mala pra viagem do dia seguinte.
Eu me sentia perdido, mas eu tinha um trabalho a cumprir e talvez este me ajudasse a tirar um pouco Sakura da minha cabeça já que do meu coração é completamente impossível.
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