Daylight

47 Família Uchiha


Notas iniciais
Olá tomatinhos e moranguinhos ♥ Cheguei com mais um capítulo de Daylight *-* Agora só faltam 3 para o final... Segura o lencinho... Gostaria de dedicar esse capítulo a duas pessoas muito importantes: @LilyLirios e @HetelUchiha. Esse capítulo é o presente de aniversário de vocês... parabéns minhas amoras lindas da minha vida ♥ Gostaria de agradecer a todos pelo carinho de sempre ♥ Uma excelente leitura ♥_♥

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

(Oração — A Banda Mais Bonita da Cidade)

Por Sasuke

Já faz uma semana que Sakura e eu estamos morando com meus pais. Para nós dois, aceitar dividir o teto com eles, enquanto nossa casa fica pronta, não foi a coisa mais fácil do mundo. A final, nós tínhamos acabado de conquistar o nosso canto, nossa privacidade por completo, um lugar para chamar verdadeiramente de nosso.

Mas um pequeno ser surgiu e já vem causando todo esse alvoraço. Quem diria, que meu próprio filho ou filha me tiraria de casa e me “forçaria” a morar com meus pais outra vez. Parece até brincadeira, mas não é. Contudo, eu confesso que estou radiante com este novo ser.

Eu sempre quis ser pai. Sakura me sacaneia me chamando de “papai de comercial de margarina”. Eu acho engraçado, porque é verdade. Mas nossa felicidade é real, ao contrário das propagandas que a gente ver por aí. Eu estou mesmo felizão. Mesmo que eu tenha meus medos, uma criança é muita responsabilidade.

Sakura também está feliz, ela só é um pouco mais contida do que eu. Talvez pelo fato dela lidar com crianças todos os dias. De vez em quando a pego acariciando e conversando com seu ventre, que cresceu um pouco e está mais evidente agora. É uma cena muita fofa e aquece o coração deste homem que vos fala. Eu também converso com nosso bebê, sempre que posso deito na barriga dela e converso sobre meu dia ou o lançamento de um carro novo. São momentos que por mais que eu coloque em palavras eles não serão suficientes para expressar o amor que tenho por tudo isso que está acontecendo.

Meus pais estão realmente felizes em nos terem aqui. Eu ainda nem acredito, que minha mãe e Sakura se entenderam de fato. Eu achei que seria impossível. Mas não foi. Dona Mikoto tem sido tão companheira e atenciosa com Sakura, muito mais do que comigo. Tem feito de tudo para agradar a Haruno. A geladeira e os armários estão entupidos de doces.

Meu pai tem sido atencioso ao extremo, do jeito dele, claro. Vem nos ajudando com a venda dos apartamentos, compra e reforma da nossa casa. Além de conselhos diários de como lidar com uma mulher grávida com hormônios em ebulição.

Eu continuo firme e forte na terapia. Tem me ajudado muito, acho que por isso não sinto tanta pressão pelas coisas novas que vem surgindo. Tudo eu levo para Utakata e conseguimos encontrar uma solução. Se você puder, faça terapia. A sua saúde mental vale e muito.

Hoje eu não pude buscar Sakura no hospital por conta do trabalho e por isso, pedi a minha mãe que fosse buscá-la. Até agora, com a ajuda de Tsunade, consegui segurar a onda de Sakura com relação a bicicleta. Eu sei que não vai durar por muito tempo. É só passar o período de maior risco da gravidez e Sakura vai correndo comprar uma bicicleta e acelerar o aparecimento dos meus cabelos brancos.

Acabo de chegar em casa e dou de cara com uma cena inusitada: uma Sakura adormecida no colo de Dona Mikoto, enquanto a mesma lhe afaga os cabelos róseos. Nem nos meus melhores sonhos eu poderia cogitar algo parecido.

— Boa noite, filho. – minha mãe falou baixo sem deixar de acariciar os cabelos de Sakura. – Você demorou. Sakura tentou te esperar, mas ela estava muito cansada e acabou dormindo. Estou com pena de acordá-la. – sorri.

— Boa noite, mãe. – falei baixo também. – Coisas do trabalho, uma peça minúscula de um carro dando dor de cabeça. Cadê o papai?

— Fugaku já foi se deitar.

Olhei para o relógio e já passavam das dez. É mesmo tarde. Me aproximei das duas. – Vou colocar Sakura no quarto e a senhora pode ir dormir também.

— Não, Sasuke. Você acabou de chegar da rua, está sujo. Vá tomar um banho e depois você vem busca-la. Tem bolinhos de arroz, sashimis de atum e sopa de tomates. – minha barriga chegou a protestar.

— Tudo bem, não demoro. – depositei um beijo na testa da minha mãe e uma na testa de Sakura.

Tomei um banho quente para relaxar. O dia fora mesmo agitado e pra piorar, a hora extra. Eu amo meu trabalho, mas tudo com relação a Sakura fala mais alto agora. Quero estar ao lado dela, sempre que possível. Bem que Itachi me disse que seria assim, já que ele está da mesma forma que eu, só que com Izumi.

Saí do banho, coloquei uma calça de moletom confortável e fui descer pra buscar Sakura para o quarto. Ela tem uma péssima mania de dormir em um sofá ou uma poltrona.

Quando cheguei ao andar de baixo minha mãe não estava mais na sala e Sakura estava de pé colocando a mesa pra mim. Ela logo notou a minha presença.

— Oi amor, boa noite. – sua cara estava amassada pelo sono. – Tentei te esperar pra jantar, mas eu estava morrendo de fome.

Me aproximei dela e lhe dei um selinho demorado e um abraço apertado. O cheiro do xampu infantil que ela usa invadiu minhas narinas. Sakura e o jeito só dela de ser. Impossível não se apaixonar.

— Boa noite. – a olhei ainda abraçado a ela. – Sabe que não precisa me esperar, principalmente nesses dias que eu demoro a chegar, por mais raros que sejam. – belisquei seu nariz. – Cadê minha mãe?

— Ela já foi dormir. Eu acabei despertando logo depois que você chegou e ela ia aproveitar para colocar a mesa pra você jantar, mas eu não deixei. Ela estava cansada, mas se recusa a parar. Acho que a teimosia é genética.

— Olha quem fala, não é mocinha?! – brinquei. – Como você conseguiu fazer Dona Mikoto subir? Ela dificilmente escuta meu pai.

— Eu prometi a ela que sairíamos amanhã, junto com Izumi, para comprarmos algumas coisas dos enxovais dos bebês.

— Ah, agora está explicado. A senhorita tem o poder de persuasão incrível.

— É um talento natural querido! – gabou-se. – Agora deixa de conversa e vem comer.

— Eu ia te colocar na cama primeiro.

— Mas eu não estou com sono agora e vou desfrutar da companhia do meu amorzinho.

— Tão romântica! Você deveria ficar grávida mais vezes.

— Vá para a merda!

— Não, eu vou jantar.

Me sentei à mesa e puxei Sakura para sentar sobre meu colo. Ela se enroscou no meu pescoço e eu passei meu braço esquerdo por sua cintura e com a direita eu me servia, primeiramente, de sopas de tomates.

— Essa sopa está uma delícia. – Sakura disse. – Acho que vou tomar um pouquinho com você.

— Você tomou? – ela assentiu. – Você nunca foi muito fã.

— Eu sei, mas eu fiquei com vontade de tomar algo quentinho. Apesar de estarmos no verão, o clima esfriou hoje, até choveu. – tomou uma colherada da sopa. – Sua mãe fez chocolate quente e sopa de tomates pra mim.

— Minha mãe está criando um monstro.

— Com ciúmes, Uchiha? – provocou.

— Claro que não, quero mais é que você fique muito bem alimentada. Quer um bolinho de arroz?

— Quero sim.

— Você está mesmo com fome.

— Estou. – disse de boca cheia. — Acho que é pra compensar os enjoos. Hoje foi um dia daqueles.

— Vomitou muito? – assentiu. – Por que não me ligou, Sakura?

— Porque o enjoo não ia passar, querido, isso é normal, Sasuke. E de qualquer forma, eu estava no hospital, fique tranquilo. Tsunade vai, ao menos, uma vez por dia na minha sala, meu pai também, Sasori fica comigo na fisioterapia e sua mãe gruda em mim quando chego em casa. Ela fez uns chás pra mim hoje, melhorei muito e só fiz comer depois disso.

— Mas custa ligar?

— Não custa meu bem, mas é preocupação desnecessária, entende? Gravidez não é doença, eu já disse isso mil vezes a você.

— Mas eu fico preocupado, não tem jeito. Eu gosto de cuidar de você.

— Eu sei. – me deu um selinho. – Pode cuidar de mim agora me dando comida na boca.

. Sorri. Sakura não tem jeito. Me dobra em dois tempos. – Quer bolinho ou sopa?

— Eu queria mesmo o peixe, mas não posso porque está cru. – Tsunade proibiu Sakura de comer qualquer coisa crua. Coisas de gravidez. — Me dá bolinho, então.

— Abre essa boquinha linda.

Mamãe capricha no tamanho dos bolinhos de arroz, então Sakura demorou uma vida mastigando, enquanto eu me deliciava com a sopa.

— Querido, sexta tem ultrassom. Acho que dará para descobrir o sexo.

— Sério? – perguntei animado. Por mais curioso que eu estivesse, seja menino ou menina eu estou radiante. Assim como eu, Sakura não tem um favorito.

— Sim. Você vai comigo?

— Mas é claro. Só passa para mim horário, que avisarei lá no trabalho.

— Ótimo. Agora me dá sopa.

— Folgada!

[...]

Como a consulta de Sakura é apenas ao final da tarde, eu não tive problema algum em sair do trabalho uma hora mais cedo.

— Boa tarde, Fuu-san, a Sakura está sozinha na sala? – indaguei a secretária de Sakura assim que cheguei próximo a sua sala.

— Boa tarde, Sasuke-san. – sorriu. – A Sakura-sama está com Yagura-san na sala dela.

— Vou entrar então, obrigado Fuu-san.

— Não há de quê, Sasuke-san.

Bati a na porta do consultório de Sakura e assim que ouvi um entre abri a porta.

— Boa tarde. – me anunciei. – É aqui que uma médica de cabelos rosas atende? Soube que ela é muito bonita.

— Tio Sasuke. – gritou Yagura. Ele veio correndo em minha direção e me deu um abraço. – Você voltou! – ao contrário das outras vezes Yagura estava sem a roupa hospitalar e a julgar pela cara chorosa de Sakura ele deve ter alta hoje. Ela tinha comentado que estava próximo.

— Olá, garotão! – fiz um afago em sua careca, que apontava minimamente nascimento de cabelo. Me abaixei pra encará-lo. – Eu voltei sim. Como que você está?

— Eu estou bem, vou pra casa hoje. Tia Rin disse que eu estou com uma saúde de ferro, agora. – se aproximou do meu ouvido. – Mas a tia Sakura não tá legal, ela chorou comigo hoje e não me disse o porquê.

— Foi mesmo? – ele assentiu. – Vou ali falar com ela para saber o porquê, está bem?

Fui em direção a Sakura, que estava com os olhos avermelhados por conta do choro. Dei um beijo cálido em seus lábios e fiz um carinho em seu rosto.

— Boa tarde, tio Sasuke. – ela disse e numa tentativa vã enxugou os olhos. – Como foi seu dia, querido?

— Normal. No trabalho o mesmo de sempre. Agora e diga o porquê dessa cara de choro? Yagura está preocupado com você. – notei que Yagura sentou-se em uma das cadeiras em frente a mesa de Sakura.

— São esses hormônios, por isso fico desse jeito. – se virou para a criança. – Eu estou grávida, Yagu. As emoções ficam meio bagunçadas, por isso choro mesmo sem dor.

— Nossa, que coisa estranha. Ainda bem que meninos não ficam grávidos. Mas a senhora não me respondeu. Você e o tio Sasuke vão me visitar em Kiri?

Sakura me olhou, ela não conseguiria responder. – Vamos sim, Yagura. Antes da tia Sakura ter o bebê, nós vamos te visitar e vamos levar um quebra-cabeça bem grandão pra gente montar.

— Ebaaaaaaa!

Logo depois um enfermeiro chegou pra buscar Yagura . Os pais deles tinham chegado ao hospital para buscá-lo. Sakura tentou segurar a emoção, mas não conseguiu. Se despediu dele com os olhos marejados e prometeu visita-lo de novo. Quando Yagura saiu da sala ela desabou no meu peito.

Esperei até que ela se acalmasse para que pudéssemos ir a até a sala de Tsunade para a realização do exame. Encontramos por lá Itachi e Izumi com Naruto e Hinata. Elas estavam fazendo exames de rotina também. As duas tinham cerca de quatro semanas a mais que Sakura, mas as crianças recusaram mostrar-se. Apenas hoje, elas descobriram o sexo dos bebês. Hinata e Izumi terão meninos. Itachi e Naruto estavam comemorando como dois idiotas que são, fazendo um barulho ensurdecedor até serem expulsos do corredor por uma Tsunade virada no capeta.

Sakura, agora mais calma, entrou na sala e foi se trocar para colocar aquela camisola horrorosa hospitalar. Não demorou muito, ela já estava de volta e deitada naquela posição que não me parecia nada confortável. Hoje, a ultrassom seria feita pela barriga e não como foi da última vez. Uma experiência traumática que levarei para o túmulo.

Mais uma vez, Tsunade apalpou os seios de Sakura, que estão maiores e já expele um pouco de líquido branco, leite materno. Sakura me explicou ser comum, mesmo em mulheres não grávidas. Segundo ela, quem tem a prolactina alta, acho que é esse o nome do hormônio, pode produzir leite, mesmo que gotículas. Existem tratamentos que visam a produção de leite de materno mesmo em mulheres não grávidas, através do estímulo das mamas e medicamentos, por isso muitas mulheres conseguem dar leite materno aos seus filhos adotivos quando a criança em questão ainda é um bebê. Foi assim que Sakura me ensinou, acho que aprendi direito.

— Tsunade, eu não aguento mais! Esses hormônios estão me marando. – Sakura desabafou assim que Tsunade terminou o exame nos seios.

A Senju deu um sorriso mínimo. – Minha querida, isso é só o começo!

— Eu choro por qualquer coisa, agora mesmo, eu quero chorar! – eu tive que me controlar pra não rir do bico infantil de Sakura.

— Afilhada do meu coração, eu sei que é difícil, mas isso é normal na gravidez. Uma hora você vai ficar chateada com os hormônios, com os enjoos, depois porque vai fazer xixi a cada cinco minutos ou porque o bebê vai dançar a Macarena dentro da sua barriga. São mudanças, não tem como controlar.

— Eu sei. – disse conformada. – Eu só queria reclamar um pouquinho, estou meio entediada, me sentindo sobrecarregada.

— Por que você não faz uma atividade física que combine com a sua condição?

— Você e o Sasuke estão empatando com a minha bicicleta. Eu tenho saudades de pedalar.

— Lá vem você de novo, com essa história de bicicleta. – falei irritado.

— Nem começa Sasuke, porque eu estou bem puta por conta disso. – bufei.

— Como está a fisioterapia? – perguntou Tsunade.

— Sasori me falou que eu só preciso de mais uma semana e está ótimo. Eu tenho me cuidado, poxa.

— Eu sei, minha querida. Eu acredito em você, mas você é um ímã para acidentes, meu bem.

— Tsunade, eu pedalava em Tóquio, uma cidade que tem um dos trânsitos mais caóticos do mundo e estou viva e plena, aqui.

Eu já estou ficando nervoso com a conversa, porque Sakura está muito perto de ganhar uma discussão aqui e eu não teria base nenhuma para refutá-la. Procurei Tsunade com o olhar de desespero, mas a megera loira apenas rolou os olhos para mim.

— Tenho uma sugestão para você. – A Senju começou. – Na verdade, tenho três sugestões. Aqui no hospital acontecem vários cursos para mães e pais de primeira viagem, vai começar uma nova turma em duas semanas.

— Ino comentou comigo, ela fez o último e disse que adorou. Eu e Sasuke pensaremos sobre isso. Mas quais são as outras duas?

— Bom, depois que suas fisioterapias encerrarem, eu libero você para andar de bicicleta. – a minha cara de desgosto foi automática, mas Tsunade não notou. – Mas eu peço, cautela. Comece aos poucos, não precisa necessariamente vir ao trabalho de bicicleta, retome o ritmo indo andar no Centro Comunitário ou num lugar calmo e só depois, você pega o trânsito com ela.

— Eu concordo com Tsunade. – me manifestei me agarrando naquilo como se dependesse a minha vida.

Sakura revirou os olhos e suspirou alto. – Tudo bem, vou aos poucos, mas vou comprar a minha bicicleta hoje, com direito a cestinha e tudo.

— A gente sai daqui e vai direto comprar uma bicicleta pra você e outra pra mim. Vou pedalar junto com você.

— Mereço. – Sakura retrucou, mas sorriu depois. – Ainda falta uma sugestão, Tsu!

— Eu estava esperando você e Sasuke pararem com a briga de jardim de infância. Vocês são tão complicados. Mas enfim, Naruto irá abrir uma turma especial na academia dele com Yoga para grávidas. A ideia foi de Hinata, e ele resolveu aderir. Eu achei excelente, ela deve falar com você em breve, mas não consegui segurar a língua.

— Isso não é perigoso? Todas aquelas posições estranhas? – indaguei preocupado.

— Credo, Uchiha. – bradou Tsunade. – Eu iria indicar algo perigoso pra Sakura? Claro que não, seu idiota. É perfeitamente seguro, a instrutora de yoga é especialista em yoga para grávidas, Naruto me falou.

— Ai Sasuke-kun, eu não vou quebrar.

— Eu fico preocupado.

— Eu entendo, querido, mas você está exagerando. Por favor, não me trate como criança.

Eu nada disse, não queria brigar com Sakura.

— Sugiro que os dois conversem em casa e com calma. – disse Tsunade. – Vocês querem saber como o bebê está ou não?

— Sim. – respondemos juntos.

— Melhor assim. – disse a obstetra.

Tsunade pediu que Sakura esticasse as pernas, puxou um lençol até o pé da barriga dela e levantou a camisola deixando a barriga à mostra. Ela colocou o gel e pegou o aparelho passando sobre o ventre de Sakura.

Sakura tomou minha mão e sorriu para mim. Senti um grande alívio. Ela já está com lágrimas nos olhos.

— Consegue ver, Sakura? – ela assentiu. – E você Sasuke?

— Mais ou menos. – eu ainda sou novo nisso.

— Chegue mais perto, como da outra vez.

Obedeci a ordem da Senju e ela foi me mostrando como da última vez. Eu estou maravilhado e não dá para explicar a emoção. É tudo tão pleno que não cabe em palavras.

— Está tudo bem com o bebê. – os batimentos cardíacos ecoaram pelo local e eu senti um friozinho o estômago. Apertei mais a mão de Sakura. – Vocês querem saber o sexo?

— Óbvio. – falei empolgado e Sakura riu.

— Tem preferência, Uchiha?

— Claro que não, Tsunade. Estou curioso, apenas.

— Eu também, Tsunade. Desembucha.

— Izumi e Hinata estão esperando meninos, será que você também? – indagou mexendo um pouco mais o aparelho na barriga de Sakura. – Hum... olha só o que temos aqui.

— Caralho Tsunade, fala porra!

— Querida, que boca suja. Espero que a filhota não puxe a você.

— Filhota? Então... É uma menina? – quase gritei.

— É Uchiha. – confirmou Tsunade.

Olhei para Sakura que tinha os olhos marejados assim como eu. – Teremos uma menina. – falei rouco.

— Sim meu amor, uma menina.

Sakura e eu nos abraçamos emocionados. Tudo parecia estar potencializado entre nós dois, desde que nos reencontramos. Tantos momentos preciosos e únicos, que às vezes, eu só quero gritar pelo meu estado de euforia.

Tsunade nos parabenizou e disse estar muito feliz pela netinha que virá ao mundo, e que será bastante coruja com a pequena.

Minha filha ainda nem nasceu e já é tão amada. Como pai, eu não poderia pedir mais.

Tsunade terminou o exame e fez algumas novas recomendações a Sakura e reforçou outras tantas.

Encontramos Itachi e Izumi com Naruto e Hinata na lanchonete do hospital. Eles nos esperavam, porque Sakura tinha comentado com as meninas que talvez desse pra saber o sexo e todos eles aguardaram para saber o resultado.

Todos ficaram contentes em saber da nossa menina. Naruto disse que eu tinha mesmo que ser o diferentão, já que a maioria dos filhos dos nossos amigos são meninos. Sakura o lembrou que Chouji e Karui tiveram uma menina.

Com toda a empolgação do dia, resolvemos fazer um jantar a casa dos meus pais para contarmos a novidade. Hinata disse que ficaria responsável pela comida, na verdade, ela pegaria tudo no Byakugan e levaria pra lá.

Nos despedimos do meu irmão e dos nossos amigos para falarmos com o pai de Sakura. Ela quer contar a novidade pra Kizashi.

Não vimos a secretária de Kizashi na mesa, mas como Sakura está empolgada demais resolveu não esperar e nem ao menos bateu na porta.

A gente esperava ou encontrar Kizashi trabalhando ou a sala vazia. Mas demos de cara com uma cena inusitada, em que meu sogro estava com rosto muito próximo ao de uma mulher de cabelos castanhos e cumpridos, e que se não fosse por nossa invasão na sala, eles estariam se beijando ou coisa muito pior.

O silêncio sepulcral tomou cota do ambiente, ninguém se mexia. De soslaio, eu notei a cara de espanto de Sakura, sua boca formava um “O”. Kizashi estava com o olho esbugalhado, mas sua boca ainda continha um bico. Realmente, o pai de Sakura estava flertando e, ia beijar na boca em pleno local de trabalho.

Sakura soltou um pigarro e a mulher que estava em frente a Kizashi se virou.

— Dra. Mei? Papai?! – a voz de Sakura saiu aguda.

— Sakura, filha, não é nada disso o que você está pensando. – disse Kizashi.

Ah, sogrão, é isso que ela está pensando sim.

— Céus, papai. Na sua idade usando uma desculpa dessas. Eu não sou cega. – ela olhou para mim. – Eu disse a você Sasuke, que a cara limpa do papai era mulher. Ela nunca tirou a barba desde que me entendo por gente. – eu nada consegui responder.

— Ai meu Deus, que constrangedor. – a médica de cabelos castanhos proferiu. – Eu... er... Eu preciso ir. – se levantou puxando sua bolsa de qualquer jeito. – Até mais, Kizashi...-sama. – engasgou. Ela passou por mim e por Sakura de cabeça baixa, talvez fosse melhor a julgar pela cara de Sakura.

Me senti um intruso naquela cena, depois que Dra. Mei saiu, Sakura e Kizashi se encaravam num silêncio que dizia coisas demais.

— Acho que vocês precisam conversar. – falei. – Com licença.

— Com licença, porra nenhuma. Pode ficar aí mesmo Sasuke. – Sakura proferiu ainda encarando seu pai. Eu não ousei me mexer. – Uma médica pediatra, pai? Sério?

— Sakura, não é isso.

— É claro que é isso, sim.

Kizashi levantou bufando. – Não era isso que você queria? Que eu me envolvesse com outras pessoas? Que eu abandonasse o luto por sua mãe? Você está se comportando exatamente ao contrário do que eu imaginei que se comportaria.

— Porra, se coloca no meu lugar. Eu dou de cara com meu pai prestes a se agarrar, em sua sala no local de trabalho, com uma médica pediátrica. Você quer que eu ache o que? Você não vai substituir a mamãe.

— Eu nunca disse isso, filha. E nem é o que estou fazendo, simplesmente aconteceu. Não me julgue por sua cabeça.

— Vocês se envolveram antes? Antes de Mei deixar o posto no hospital de pediatra-chefe e voltar pra Kiri?

— Não, Sakura. Nossa relação sempre foi estritamente profissional, até nos encontrarmos numa conferência médica em Tóquio. Acabamos jantando juntos, tomamos um vinho e bom... nós...

— Oh, céus. Por favor, pare! Eu não preciso saber o que aconteceu depois do vinho. Eu sei muito bem o que acontece depois do vinho. – eu me segurei pra não rir dela.

— A gente foi ao cinema, Sakura.

— Está certo, pai. Eu já entendi.

— Você não está feliz por mim? Depois de tantos anos eu estou seguindo em frente, mesmo que não seja nada sério.

— Meu Deus, só piora. Meu pai tem uma ficante. Ok, já está bom. – suspirou. – Eu preciso de um tempo, eu quero ficar feliz por você, mas foi muito estranho como tudo aconteceu, me desculpe, mas não consigo forçar algo que não existe.

— Tudo bem. Mas ao menos posso saber o motivo da sua entrada na minha sala dessa forma, sem ao menos bater? – senti um tom reprovador por parte dele.

O rosto de Sakura corou diante da fala do pai e eu achei até fofo.

— Sasuke e eu descobrimos o sexo do bebê, ou melhor, da bebê. – ela sorriu minimamente.

— É uma menina? – o sorriso de Kizashi ficou enorme. – Que notícia maravilhosa, minha filha. Meus parabéns aos dois. – ele se aproximou. – Posso lhe dar um abraço? – perguntou a Sakura.

— P-pode.

Pai e filha se abraçaram forte, e foi ali que eu vi meu futuro estampado. Eu seria pai de uma menina, como Kizashi é pai de Sakura. Se minha filha for como a mãe, eu acredito estar ferrado, mas a amando muito.

Kizashi me abraçou também e nos parabenizou de novo, e de novo e mais uma vez. Em nenhum momento ele e Sakura tocaram no assunto com relação a Dra. Mei.

Agora estamos indo até loja comprar a bicicleta de Sakura. Ela está particularmente calada, com os olhos esmeraldinos vagando pelas paisagens das ruas iluminadas. Suas duas mãos estavam depositadas em seu ventre, um hábito comum pra Sakura agora.

— Você quer conversar sobre isso? – indaguei fazendo um carinho em sua coxa esquerda.

— Sobre o que exatamente? – respondeu sem me olhar. – A parte em que eu me comportei como uma criança imatura, que não sabe lidar com o pai que namora alguém que não é sua mãe? E ainda acha que ele pode estar tentado substitui-la, pelo fato da mulher em questão ser médica pediatra, assim como Haruno Mebuki era? Pior, ainda saber que eles estão ficando e não namorando com dois adolescentes. – bufou com desgosto. — Acho, que definitivamente, eu não quero conversar sobre isso.

— Você sabe que seu pai não está tentado substituir sua mãe.

— Eu sei, mas na hora eu não enxerguei isso. – sua voz saiu esganiçada. – Eu já estou me sentindo insuportavelmente culpada, será que a gente pode mudar de assunto? – ela me olhou com aqueles olhos verdes pidões.

— Hum... – pensei num assunto e graças aos céus ele surgiu rápido. – Já pensou em algum nome? Pra nossa filha? – minha mão direita fez um afago em seu ventre e ela colocou às mãos dela por cima da minha.

— Na verdade, eu já vinha pensando sobre isso, mas não comentei para não criarmos qualquer tipo de expectativa e acabar nos frustrando.

— Entendo. – sorri pra ela lhe dando uma olhada rápida. – Mas então, qual nome passa por sua cabeça?

— Eu pensei em Sarada.

— Sarada?

— Isso. O que você acha? – indagou curiosa.

— Nunca ouvi falar desse nome. – confesso que gostei de como ele soava. — Tem algum significado especial?

— Na verdade tem. – ela sorriu. – É um nome indiano e como você sabe, eu tenho uma ligação muito forte com o povo de lá. Existiu uma guru chamada Sarada Devi, ela nasceu em 1853 na cidade Jayrabamti. Aos cinco anos de idade ela foi prometida em casamento a Ramakrishna Paramahamsa, um líder religioso, que na época tinha 23 anos. – olhei assustado pra Sakura. Qual era o significado bonito do nome ali? – Não me olhe assim, querido. Infelizmente, é muito comum na Índia esse tipo de acontecimento, na época dela ainda mais recorrente. Hoje, existem leis que proíbem essa prática e políticas públicas que visam evitá-las. Mas me deixa chegar até o final da história.

“Aos 14 anos ela passou três meses com o noivo em Kamarpukur, onde recebeu ensinamentos da vida espiritual, práticas meditativas. Aos 18 ela resolveu se juntar a ele em definitivo, mas o casamento nunca se consumou, Ramakrishna acreditava e queria mostrar ao mundo que um casamento poderia existir sem a prática sexual. Fora que, ele a enxergava como uma deusa, uma pessoa pura, ela a chamava de Santa Mãe. Ele passou tudo isso aos seus discípulos”

“Os dois foram respeitados e adorados pelos hindus por todo o trabalho espiritual e social que fizeram. Eles inspiravam o amor ao próximo, só que Sarada Devi foi além. Ramakrishna faleceu muito cedo e deixou tudo nas mãos dela, pediu que seus discípulos a seguissem e que não enxergassem diferença entre os dois. Numa Índia desigual, machista e sexista, Sarada se sobressaiu com louvor.”

“Ela iniciou vários monges, inspirou muitos, até mesmo pessoas ligadas a Mahatma Gandhi. Ela não teve nenhum tipo de educação acadêmica, mas era defensora ferrenha para que as mulheres tivessem acesso. Ela foi uma mulher incrível”

“Em maio de 1987 foi fundada a Missão Ramakrishna, por Swami Vivekananda, discípulo do próprio Ramakrishna, que nada mais é que uma fundação sócio religiosa que perpetua o Movimento Ramakrishna ou o Movimento Vedanta, como é mais conhecido. Eles ajudam com educação, saúde, movimento jovem, atividade cultural... eles estão lá para ajudar, até em casos mais graves como situações emergenciais que acontecem no país. Além das atividades religiosas e espirituais. Por mais que o movimento leve o nome do marido, Sarada Devi é importantíssima na construção e execução de tudo isso”

— Nossa... Uau...

— Eu fiquei exatamente assim, extasiada quando conheci essa história. Eu visitei uma das instituições em Calcutá, quando estive por lá. – ela sorriu nostálgica. – E não é só isso que envolve o nome Sarada.

— Não? Tem mais?

— Tem sim. Sarada é um dos nomes pelo qual Sarasvati, a deusa hindu da sabedoria e das artes é conhecida. – sorriu boba. – Sarada é nome forte que representa mulheres incríveis.

Estacionei o carro em frente a loja de bicicletas e olhei pra Sakura. — É, eu acredito que temos um nome. – alisei a barriga dela. – Sarada. – repeti. – Sim, nós temos o nome.

— Sarada, nossa fonte de amor incondicional e eterno. – os olhos de Sakura marejaram e por pouco, o meu também. – Eu já a amo tanto, Sasuke.

— Todo dia, você me mostra como te amar ainda mais. Nossa Sarada é a maior prova disso. – senti a barriga de Sakura mexer e paralisei. – É ela?

— É sim.

— Mexe de novo para o papai, filha? – fiz um carinho. – Cadê minha Sarada? – mexeu de novo.

— Acho que ela acabou de aprovar o nome. – Sakura sorriu e selou nossos lábios. – Agora vamos, que eu quero comprar minha bicicleta!

— Tá bom!

Entramos na loja e Sakura pareceu estar num parque de diversões. Ela sempre amou andar de bicicleta e já estava a um tempo sem fazer isso. A que tinha em Tóquio ela doou.

Ela rodou, procurou, vasculhou, conferiu pneus e das 12 bicicletas que ela ficou em dúvida, ela levou a primeira que ela viu. Teríamos poupado muito tempo, mas resolvi não brigar. Enquanto ela demorava meia vida, a minha eu escolhi bem rápido, sem cestinhas e sem firulas.

— Sasuke-kun, o que tanta você olha para essa bicicleta? Ela não é muito pequena pra você? – brincou.

Só agora noto que estou encarando aquela bicicleta infantil por mais tempo do que devia. Ela é bem pequena, na cor branca, com rodinhas azuis bem claro e flores na mesma cor estampando o quadro, ainda tinha uma cestinha muito pequena de cor branca.

Imaginei Sarada andando de bicicleta conosco e me deu uma vontade levar o objeto. — Você acha que a Sarada vai gostar? – indaguei apontando para o objeto.

— Da bicicleta? – assenti. – Ela é linda Sasuke, mas Sarada nem nasceu. Crianças começam a andar de bicicleta entre dois anos e meio a três. Vai demorar um pouquinho pra que ela use. Você não acha que está um pouco apressado, papai?

— Ela é tão bonita e tão pequena. Acho que ela irá gostar.

— Querido, ela é realmente é muito bonita, mas não terá utilidade para nossa pequena agora. – ela disse gentil. – Além do mais, possa ser que ela nem goste de andar de bicicleta e prefira patins, ou uma patinete, skate ou nenhum. Você não acha mais gostoso trazer a própria Sarada, quando tiver idade, para que ela escolha?

— É, talvez você tenha razão. – afirmei a contra gosto. – Mas não vamos levar nada pra ela? Eu não comprei nada pra nossa filha.

— Você comprou um carrinho semana passada, não lembra?

— Nossa, Sakura. Sério? Um carrinho?

— Claro, oras. Sarada não será o tipo de criança que fará distinção de brinquedo por gênero. Não sendo brinquedos sexuais, ela poderá brincar com todo o resto sem essa divisão ridícula que a sociedade impõe e a indústria alimenta. Não iremos criar nossa filha como um verdadeiro bibelô.

— É óbvio que não, mas é que o carrinho foi semana passada, essa semana eu ainda não comprei nada.

— Da próxima vez, você vai as compras com sua mãe, então.

— Nem fodendo. Ela irá me obrigar a entrar em todas as lojas, o mesmo que fez com você. Não, obrigado. Você e eu somos parecidos nesse quesito, objetivos num shopping pra não demorar uma vida lá dentro.

— Meu pé ainda dói por andar tanto e não comprarmos quase nada, porque ela disse que nada era digno dos netos dela.

— Por isso, eu estou fora. – ela riu da minha cara. – Mas vamos focar no real objetivo aqui, o que vamos levar pra Sarada?

— O que acha de levarmos uma cadeirinha de bicicleta? Ela pode andar comigo ou com você.

— Não é perigoso?

— Não, Sasuke. – ela revirou os olhos. É apenas cuidado da minha parte, oras. — Compramos uma cadeirinha dianteira e ficamos sempre de olho. E só andaremos com ela em lugares tranquilos e próprio para isso.

— Se é seguro, então tudo bem. – me virei para o atendente que olhava para nossa cara com tédio, éramos os últimos clientes da loja. – O senhor poderia nos mostrar cadeirinhas de bebê para bicicletas, por gentileza?

— Claro!

Compramos as bicicletas, itens de proteção como capacete, joelheiras e cotoveleiras, e claro, a cadeirinha de Sarada, a mais segura, obviamente e fomos para casa dos meus pais. Quando chegamos lá, Naruto, Hinata, Izumi e meu irmão já tinham chegado. Sakura e eu tomamos um banho rápido e descemos para o jantar.

Meu pai e minha mãe adoraram a notícia com relação ao sexo dos netos. Dona Mikoto acabou se emocionando durante o jantar, quando falou da mãe de Naruto, Kushina. E ainda disse que o filho de Naruto também seria seu neto e meu amigo bobão acabou chorando também.

Os nomes também foram revelados durante o jantar. Naruto e Hinata disseram que a criança de chamaria Boruto, muito criativo, sintam a ironnia. Itachi e Izumi deram o nome de Ichiro para bebê deles. Boruto e Ichiro são afilhados meu e de Sakura.

— Vocês não estão apavorados? – indagou Naruto a mim e a Itachi. Estávamos em um canto mais afastado de Sakura e as meninas. Meu pai e minha mãe estavam na cozinha lavando a louça.

— O que você acha baka?!

— Eu até tenho pesadelos. – admitiu Itachi num sussurro. – Um medo de fazer tudo errado. Por isso, Izumi e eu nos inscrevemos no curso para pais de primeira viagem lá no Hospital Haruno Mebuki.

— Hinatinha e eu também nos matriculamos. Eu sou muito estabanado e bebês são frágeis, todo cuidado é pouco.

— Tsunade comentou com Sakura sobre esse curso e acredito que faremos também. Ino também recomendou o mesmo pra Sakura. Eu nem sei por onde começar os cuidados com uma criança.

— Seremos colega de turma. – disse Itachi. – Agora que me veio na mente, todo mundo engravidou quase que ao mesmo tempo. Parece que participamos de uma suruba insana ou marcamos no calendário.

Naruto riu como um idiota que é e eu fechei a cara. Coitado do meu sobrinho com um pai desses.

— Tira essa cara azeda, Sasuke-teme. Foi engraçado.

— Você e Itachi são dois idiotas mesmo.

— Ai irmãozinho tolo, estou com pena da Sarada se ela puxar a você. – riu. – Espero que ela puxe o jeito de Sakura e a aparência também, porque você é feio que doi. A beleza da família veio toda para mim.

— Além de idiota tem problemas visuais. Te enxerga, Itachi. – disse Sakura se aproximando com Izumi e Hinata. – Sasuke é lindo, além de outros predicados que não convém relatar, porque tudo isso – ela apontou para meu corpo. — É só pra mim.

Sakura sabia me ganhar e me deixar totalmente sem graça. Que mulher, meus amigos, que mulher!

— É, depois dessa, acho que é a nossa deixa para ir embora.

— Mas já, Hina-chan? – reclamou Sakura.

— Naruto e eu ainda vamos dar uma passada na casa do meu pai para contar a novidade a ele.

— Espero que meu sogro goste da novidade e me trate melhor. – desabafou Naruto.

— Ele gosta de você, Naruto-kun. – interviu Hinata. — Do jeito dele, mas gosta.

— Narutinho, se até Mikoto passou a me amar outra vez, tudo é possível. – brincou Sakura. – Mostra pro sogrão esse seu coração de manteiga. É impossível não gostar de você!

— A Sakura-chan tem razão. – disse Hinata. – Não tem como não gostar de você, meu amor!

Mais animados, Naruto e Hinata foram embora um pouco mais confiantes com a conversa que teriam com Hiashi. Depois de tanto tempo e o Hyuuga ainda tinha o pé atrás com Naruto, mesmo que ele nunca tenha dado motivo. O velho é bastante tradicional e por isso um tanto preconceituoso. O fato de Naruto ter sido criado por um primo e não seus pais, o incomoda. Meu amigo nada pode fazer, os pais dele não escolheram morrer. Espero que dê tudo certo!

[...]

— Vocês eram umas pestes. – disse meu pai. – Mas Itachi sempre fora mais levado que Sasuke.

— Que blasfêmia – disse meu irmão. – Eu era um anjo.

— Aham, anjo caído. O nome é Lúcifer! – falei.

— Pai, olha pra Sasuke!

— Ai Itachi, essa foi muito boa. Admita!

— Deixa de ser bobão, Itachi. Você sabe que tenho razão!

Meu irmão inflou as bochechas como uma criança pequena e com isso, meu pai e eu caímos na gargalhada ainda mais. Nem parecia o irmão mais velho ali.

Estávamos só nós três, tomando um licor de nozes fabuloso, que meus pais trouxeram da Itália, na sala de estar. As mulheres foram para o quarto dos meus pais a pedido da minha mãe e a mesma ainda ordenou que nenhum de nós incomodasse.

— Itachi melhorou muito quando você nasceu, Sasuke. – disse meu pai nostálgico. – Ele tinha um cuidado invejável com você. Na maioria das vezes, você só dormia no colo dele. Lembro de uma vez, que a Izumi tentou te pegar do colo do seu irmão e você abriu o maior berreiro e ficou empurrando o rosto de sua prima.

— Nossa, eu me lembro desse dia. A mamãe tinha deixado Sasuke comigo, acho que foi a primeira vez que ela tinha me deixado sozinho com ele. Izumi apareceu aqui como sempre fazia para brincar comigo, mas não podemos por causa de Sasuke, então ela resolveu ficar para ajudar. Não deu muito certo. O senhor chegou mais cedo naquele dia – apontou para o nosso pai. – E presenciou a cena.

— Sasuke detesta dividir o irmão com alguém. Você o mimou mais que sua mãe, Itachi.

— Meu irmãozinho tolo era muito fofo, cresceu e virou isso aí.

— Me respeita, Itachi. Eu sei que você ainda me queria na barra da sua saia. – provoquei.

— Ainda bem que nem saia eu uso. Mas vendo pelo lado bom da coisa, isso é sinal de que serei um bom pai.

— Então eu me ferrei, porque eu nunca cuidei de criança na minha vida. – falei.

— Vocês estão desesperados em demasia. Não há necessidade disso. – meu pai disse calmo. – A graça da paternidade é o aprendizado diário. Não existe zona de conforto, tem dias que irão acertar, dias que irão errar e tudo bem. Ninguém nasce sabendo.

— Eu estou apavorado. – confessou Itachi.

— Eu também.

— Eu sei, eu também fiquei assim. Quando vocês nasceram me deu um frio na barriga, mas são tantas coisas que acontecem e você para de focar nesse medo. Você só quer proteger e cuidar. E por favor, cuidem das mulheres de vocês. Ser pai não é ajudar a dar banho ou trocar fralda, ser pai é dividir todas as tarefas, responsabilidade. As únicas coisas que vocês não podem fazer é parir e amamentar, mas estarão ali, lado a lado com elas.

— Papai, o senhor está tão sentimental.

— Eu vou ganhar netos, Itachi. É como ser pai duas vezes. – tomou um gole do licor. – Eu também estou apavorado.

Dessa vez Itachi e eu caímos na gargalhada.

— O senhor Uchiha todo poderoso Fugaku admitindo estar com medo não tem preço. – comentou meu irmão. – Eu preciso anotar isso na agenda.

Dessa vez nem nosso pai aguentou e acabou rindo também. Só agora eu percebi como sentia falta desse convívio familiar. Esse tempo na casa dos meus pais estava fazendo muito bem pra mim e pra Sakura.

Adentramos a madruga conversando até que o sono nos pegou. Itachi e Izumi também iriam dormir aqui.

Meu pai, Itachi e eu fomos procurar as nossas respectivas mulheres e demos de cara com uma surpresa inusitada.

— Eu estou vendo mesmo essa cena? – sussurrou Itachi.

Nossa mãe estava sentada no meio da cama, ela já dormia. A grade surpresa foi encontrar Sakura e Izumi deitadas no colo dela, uma de cada lado. As mãos de minha mãe estavam depositadas uma na cabeça de Sakura e outra na de Izumi, provavelmente ela estava fazendo cafuné nas duas e as três pegaram no sono.

— Isso você tem que anotar a agenda. – falou meu pai baixinho e eu ri.

— Acho que Dona Mikoto ganhou mais duas filhas. – falei admirando a cena. – Ela está mais coruja do que de costume. – vi Itachi tirado o celular do bolso. – O que vai fazer seu idiota?

— Vou tirar uma foto, esse momento merece.

— Tira o flash para não as acordar.

— Pode deixar.

Quando o grande fotógrafo finalizou seu trabalho, nosso pai tocado pela cena, chamou a mim e a Itachi para dormir com ele no escritório. Confesso que a priori, estranhei a ideia, mas resolvi entrar na brincadeira.

Itachi e eu buscamos os colchões infláveis na garagem e arrumamos no escritório juntamente com os lençóis e travesseiros. O sono já tinha ido para bem longe, então decidimos assistir a um filme, mais precisamente Touro Indomável do Martin Scorsese, de quem meu pai é um grande fã.

Por Sakura

E mais uma vez um novo dia de mudança. Um pouco mais de um mês e Sasuke e eu estamos indo, agora em definitivo, para nossa nova casa.

Eu não tenho palavras para descrever o que vivemos nesse período na casa dos pais de Sasuke. Foi tão acolhedor e profundamente barulhento. Mikoto cuidava de mim como se eu fosse um bebê, me mimava de todas formas, quase sempre com um doce.

Fugaku foi um amor também, mas diferente de Mikoto, não ficava grudado sempre que podia. Ele me ajudou bastante com a questão do meu pai e a nova namorada, ou melhor, a ficante dele. Eu só estava com um pouco de ciúme e insegurança, mas vi que não cabia a mim julgar, e sim apoiar o meu pai nessa nova fase. Seja namorando ou ficando.

Sasuke continua o mesmo protetor de sempre, agora ainda mais. Sarada nem nasceu e tudo é Sarada pra cá, Sarada pra lá. Toda vez que saímos é um presente novo e na boa parte das vezes eu tenho que segurar a onda do novo papai porque querer comprar coisas que a nossa filha só usará quando estiver maior. O último quase presente da vez foi um carrinho elétrico, versão de uma Ferrari preta para crianças usar partir dos quatro anos. Eu fiz Sasuke desistir na fila do caixa, ele ficou sem falar comigo por três horas.

Meu namorado também deu umas crises de ciúme com relação a mãe. Como Mikoto sempre estava por perto, ele se sentia meio inútil porque ela estava sempre comigo fazendo tudo. Acho que ele também sentiu um pouco de falta da mãe tendo esse cuidado com ele. Sasuke quando mais novo era muitíssimo apegado a Mikoto, enquanto Itachi ficava mais grudado com Fugaku.

Fugaku e Mikoto ainda nos ajudaram com a venda dos apartamentos e as reformas na nossa casa. Eu quase não fui durante a reforma porque o cheiro da tinta me causava muito enjoo e Sasuke espirrava mais que tudo. Izumi e Mikoto me mandavam fotos e eu ia aprovando juntamente com o Uchiha.

Os pais de Sasuke nos trouxeram pra cá e está tudo tão lindo. Muito parecido com o apartamento, já que preservamos o azul celeste e amarelo nas cores da decoração. A nossa sala, agora possuía dois sofás, o enorme e macio do apartamento, outro menor no mesmo tom de areia na lateral direita e duas poltronas na lateral esquerda num tom caramelo. O tapete felpudo está ali, a mesinha de centro também, o rack imbuia e a TV.

A cozinha bem maior, com novos armários na cor branca. A ilha tem um tampo de granito preto belíssimo e muito chique. Choro lágrimas de dinheiro ao lembrar do preço, isso porque Fugaku comprou diferentemente na fábrica. A sala de jantar também era maior, mas a mesa é a mesma. O escritório ficava no primeiro andar da casa, tinha o mesmo tamanho do apartamento e estava do mesmo jeito que lá. Eu estou adorando isso, porque eu amei como ficou nosso apartamento e ter que mudar tão rápido foi um tanto assustador, então quando eu me deparo com isso é como manter o pedacinho do céu.

O andar de cima tem três quartos. O meu com Sasuke, o de Sarada e um de hóspedes. Mikoto disse, que seria a primeira pessoa a ocupar o de hóspedes, ela realmente cumpriria a promessa de me ajudar com Sarada. Mas eu e Sasuke não abusaríamos dela, não é justo.

Voltando aos cômodos, meu quarto estava maior, mas não compramos nenhum móvel para o cômodo. Nos demos o pequeno luxo de comprarmos uma banheira, já que o banheiro havia crescido, não é enorme, mas cabe Sasuke e eu dentro e isso é o suficiente.

Para o quarto de hóspedes compramos uma cama, um guarda-roupa branco com duas portas e uma tv presa na parede oposta a cama.

Mikoto e Fugaku não deixou que Sasuke e eu arrumássemos nada em nossa nova casa, exceto o escritório e a distribuição dos porta-retratos pela casa.

O cômodo mais importante agora é o da nossa Sarada, e cá estamos eu e Sasuke olhando o quartinho dela vazio. Preferimos dessa forma, porque queremos montar nós mesmos com todo carinho e cuidado. Mikoto e Fugaku respeitaram isso e única coisa que fizeram ali foi pintar as paredes de branco e trocar a porta, por uma branca que escolhemos para os quartos da casa.

— Já sabe o que fazer aqui? – indagou Sasuke.

Nós dois estamos sentados no chão, no meio do quarto da nossa filha. Os pais de Sasuke nos deixaram aqui, mas não entraram conosco, por motivos de ser um momento só nosso.

— Olhei alguns móveis para quartos de bebês em lojas especializadas, mas não gostei de nenhum.

— Podemos mandar fazer móveis planejados, se você preferir.

— Será minha última opção. – falei deitando no colo de Sasuke. – Mas antes disso, nós vamos numa loja com Izumi e Itachi, que fica em Suna. Quero que me ajude nisso e ainda pegamos um solzinho nas praias de lá. O que acha?

— Acho uma excelente pedida. Quando iremos?

— Acredito que nessa sexta e voltamos no domingo depois do almoço.

— Mas este não é o último final de semana do curso de pais de primeira viagem?

— Não, Tsunade remarcou para o outro final de semana. Ela vai dar uma palestra da Universidade de Suna.

— Nossa, só porque agora eu sou maior craque em trocar fraldas e queria me gabar um pouco em cima de Itachi e Naruto. – eu ri.

— Você pode se gabar trocando Sarada 90% das vezes, se quiser. Será o papai do ano.

— Até 110% das vezes, amor. Tudo por ela.

— Como você está babão. – eu estou amando tanto ele desse jeito, tão fofo. – Acho que terei de segurar sua onda senão você fará todas as vontades dela.

— Não é bem assim.

— Ah claro. É coisa da minha cabeça então.

Sasuke ia me dizer algo, mas o meu telefone tocou.

— Oi porquinha!

— SAKURA, SOCORRO! – gritou Ino do outro lado e eu me levanto num pulo. – A BOLSA ESTOUROU. PRECISO IR PARA O HOSPITAL, MAS SAI DESMAIOU.

O que?

Respirei fundo para não desesperar!

— Estamos indo pra sua casa, agora. Fica no telefone comigo, Ino. – Sasuke me olha assustado. – A Bolsa de Ino rompeu e Sai desmaiou precisamos leva-la ao hospital.

— Claro, vamos. – ele se levanta e já saímos do quarto de Sarada atrás da minha bolsa no nosso quarto.

— SAKURA, TÁ DOENDO. SAI NÃO ACORDA. – ouço minha amiga soluçar e eu me seguro pra não chorar também. É só parto com muita emoção por aqui.

— Calma, porquinha já estamos indo, está bem?

— S-s-sim.

Sasuke e eu descemos as escadas na maior pressa. Itachi tinha deixado o carro de Sasuke aqui, ontem, a pedido dos pais deles, porque ele queria trazer a gente de qualquer forma, mas não queria nos deixar sem carro por conta de qualquer imprevisto com o bebê.

Durante o curto percurso eu fiquei conversando com Ino tentado acalmá-la mesmo que eu estivesse uma pilha. Sasuke parecia pilotar um foguete e por isso chegamos rápido. Pedi que Sasuke acudisse Ino enquanto eu atendia Sai, que graças a Deusa respirava normalmente e não demorou a despertar.

Coloquei os dois no carro, enquanto Sasuke pegava a sacola do bebê e a de Ino. Liguei pra Tsunade e partimos para o hospital.

Chegando lá, Sai recusou atendimento médico para ele e disse que não sairia do lado de Ino. Minha amiga estava muito nervosa e isso acabou dificultando o procedimento. Preferi acompanhar todo o processo, mesmo com Tsunade brigando comigo.

Depois de quinze horas, Inojin nasceu com 3,780kg , 49cm, loirinho como Ino, tão branco quanto Sai e plenamente saudável. Depois de limpo ele logo mamou.

— Parabéns, porquinha. – sussurrei pra minha amiga que amamentava o pequeno Inojin. – Ele é lindo e cheio de saúde. – me virei pra Sai e toquei em seu ombro. – Parabéns, papai! – ele sorriu de forma genuína e agradeceu num sussurro. – Eu preciso ir agora, estou um pouco cansada e com muita fome. – sorri amarelo. – Mais tarde eu passo aqui, está bem?! – Ino assentiu sem perder o contato visual com seu bebê. Dei um beijo em sua testa e ela olhou pra mim.

— Obrigada, testudinha. Amamos você.

Meus olhos marejaram e com muito custo eu saí da sala. Tsunade brigou um pouco comigo quando saí e disse que, se eu não fosse embora do hospital em 10 minutos, me chutaria pra fora de lá.

Encontrei Sasuke cochilado na sala de espera no andar da obstetrícia. Por conta do último acontecimento ele acabou não indo para o trabalho porque se recusou a me deixar sozinha aqui, mesmo que eu teha dita que estava tudo sob controle.

Fiz um afago em seus cabelos. – Amor, acorda. – limpei uma baba que ameaçava escorrer no canto da boca. – Sasuke, acorda. – ele remexeu e abriu os olhos que estavam vermelhos.

— Acabou? – indagou com a voz embargada de sono.

— Sim. – sorri. – Inojin nasceu e está tudo bem com ele. Vamos para casa? Eu preciso dormir e você também.

— Vamos!

[...]

Chegamos em casa tão cansados que tomamos banho e fomos direto para cama. Sasuke fez um afago em meu ventre e depois deitou ali.

— Filha, promete para o papai que não vai dar um susto desses que nem o Inojin fez? – eu ri enquanto lhe afagava os cabelos. — Não precisa ter pressa, está bem? Sua mãe e eu ainda vamos arrumar seu quarto. Além das roupas, você só tem uma cadeirinha de bicicleta e não pode dormir naquilo.

— Acalma-se Sasuke, Sarada vai nascer a hora certa. – ele olhou pra mim. – Inojin nasceu no tempo certo, a questão foi o desmaio do Sai que acabou deixando Ino muito nervosa, mas deu tudo certo. Não precisa ficar assim.

— Impossível. – ele voltou a ficar do meu lado, mas sem deixar de acariciar minha barriga, agora maior que antes. – Temari rompe a bolsa em um carro, você se acidenta quando tentava socorrer Chouji no parto de Karui e agora Sai desmaia quando a bolsa de Ino estoura. – suspirou. – Eu estou tentando não pensar, mas já fico preocupado.

— Fique calmo, Sarada não vai fazer isso. Vai dar tudo certo com a gente!

— Eu espero! – disse por fim antes de se entregar ao sono.

Coloquei minha mão sobre a sua na minha barriga. – Nós te amamos filhota. – sorri boba. – Esperamos ansiosamente por você, mas fique no quentinho e no conforto da barriga da mamãe por quanto tempo precisar!

Notas finais
Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=gTWSRwKnAkU E aí, o que acharam? Volto logo! Um beijo com muito amor ♥