Daylight

48 Bem-vinda Sarada!


Notas iniciais
Olá moranguinhos e tomatinhos ♥ Olha quem chegou o/ Quase três meses depois ahaahahaha, mas firme e forte. Nas notas finais eu explico o motivo da minha demora! Os comentários do capítulo anterior já foram devidamente respondidos! Obrigada pelo carinho de sempre amadxs da Jess! Obrigada Lily, por betar essa capítulo mega especial e por estar ao meu lado sempre! Aproveitem o/

Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo brincando ao redor
Do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada e eu nunca passei
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou

(Força Estranha — Caetano Veloso)

Por Sakura



O verão passou, o outono quase no fim e o inverno prestes a chegar. Nas mudanças das estações, meu ventre caminhou junto com elas e minha Sarada vem crescendo forte e saudável.

Os sete meses chegaram e, em duas semanas, eu entraria no oitavo mês. Sarada está para nascer no fim de janeiro ou um pouco antes. E eu não vejo a hora disso acontecer. No quinto mês da gestação, minha barriga cresceu como nunca.

Lembro sempre de ficar me admirando diante do espelho, até hoje, faço isso, confesso. É incrível como meu corpo pode abrigar perfeitamente um outro ser. Por mais que eu seja médica e saiba como isso acontece na teoria, na prática, é bem diferente. É mágico e me enche os olhos só de pensar. Já perdi a conta de quantas lágrimas derramei até aqui.

Mas não só apenas de flores sobrevive uma gravidez. Os enjoos perduraram até o sexto mês, eu tenho muitos gases e não sei quantas vezes por dia eu faço xixi. Meus seios estão relativamente maiores e um tanto dolorido.

A yoga me salvou das dores nas costas e me deu muito mais flexibilidade do que eu jamais imaginaria ter. Ela aliada à massagem perineal me deixaram mais confortável para a realização do parto natural. Essa massagem é de uma importância tremenda, uma vez que ajuda na descoberta das lacerações e a preparar a região da vagina e do períneo para realização de um parto seguro e menos doloroso. Além de ser um momento em que você se conecta com o seu corpo. Seu parceiro ou sua parceira também pode fazer em você, Sasuke faz sempre, principalmente nos dias em que estou cansada. É só seguir as ordens do médico ou médica obstetra.

Nesse período, Mikoto vinha, e ainda vem, me visitar todo santo dia. Assim como faz com Izumi. A cada dia que passa, ela fica mais coruja e babona. Sempre trazendo um presente para Sarada, seja roupa ou um brinquedo. Ela continua a me mimar com comidas e doces que eu amo. Eu, ela e Izumi batemos muita perna pelo centro da cidade para as compras do enxoval e fomos até Suna. Sasuke e Itachi ficaram loucos, porque não foram convidados, e preocupados, porque não retornamos no mesmo dia. Acabamos dormindo na casa de Madara, estávamos exaustas. Fugaku acalmou os filhos.

Se Mikoto me mimou em excesso, Sasuke não fez por menos. Ele vive tirando foto de mim, da minha barriga, conversa com Sarada todos os dias, me traz doces, compra presente para nós duas, me leva pra andar de bicicleta e não permite que eu faça nada dentro de casa, nem lavar um copo. Eu faço escondido, porque isso não faz mal a ninguém.

Ele tem sido tão cuidadoso e delicado, que só de lembrar dá vontade de chorar. O sexo continua incrível e mais recorrente do que eu imaginava. Ele parou com aquela neura de que o pênis dele pudesse atingir a criança e passou a me preencher. Amém. Obrigada.

Sasuke está mais criterioso do que eu para arrumação do quarto de Sarada. Apenas móveis de altíssima qualidade, ursos de pelúcia antialérgicos, brinquedos seguros, berço com inclinação de 45° para evitar um possível engasgo, colchão antialérgico e ortopédico, travesseirinho antissufocante e uma poltrona específica para amamentação.

Além disso, ele comprou uma biblioteca de livros sobre crianças que vai do recém-nascido ao jovem adulto. Leu tudo com afinco e só tirava dúvida quando realmente necessário. Eu pensei que iria enlouquecer, em outros momentos eu gargalhava. Eu tentei, em vão, refreá-lo. Mas ele não admitiria ser menos que o melhor pai da face da terra. Ele até ganhou uma medalha no curso para pais de primeira viagem provido pelo hospital. Ele ficou todo bobo e orgulhoso. A medalha está pendurada no quarto de Sarada.

Lá no fundo, eu estou orgulhosa de Sasuke. Em outros momentos, me perguntava se eu estava fazendo o suficiente diante das ações daquele Uchiha teimoso. E ele próprio me consolava exaltando a minha qualidade de melhor pediatra e demonstrando que eu tinha anos-luz de conhecimentos a mais que ele. Não dá vontade de guardar no potinho e alimentar apenas com tomates-cereja?

Ainda nesse meio tempo, eu, Izumi e Hinata organizamos um chá de fraldas beneficente. Graças ao universo, nós três temos uma situação financeira confortável e não precisávamos arrecadar fraldas para nossos filhos, mas Ino insistiu tanto para que fizéssemos algo, que não tivemos escapatória.

Tenten organizou todo o evento e não deixou que pagássemos nada, essa foi a forma dela contribuir com o evento. O chá aconteceu no salão de festas aqui do condomínio e foi muito divertido. Sasuke pensa que não, mas eu vi ele, Naruto e Itachi atrás de Shikamaru, Chouji e Sai buscando informações sobre crianças recém-nascidas. Não nego que eu, Hinata e Izumi fizemos o mesmo com Temari, Karui e Ino.

Papai e eu, finalmente, tivemos uma conversa sincera sobre a atual situação dele com Mei. Jogamos limpo um com o outros e fomos sinceros como nunca. Ele está apaixonado por Mei e decidiu pedi-la em namoro, a qual declinou a proposta.

Meu pai tinha voltado a amar outro alguém e tão rapidamente teve seu coração partido. Nesse momento, eu entendi o que Mikoto alimentou por mim quando voltei a Konoha. Eu fiquei furiosa com Mei por ver meu pai daquele jeito. Num impulso, que foi mais forte do que meu pensamento eu fui atrás dela.

Eu não podia deixar que ela fizesse aquilo com meu pai e, saísse assim como quem não quer nada. Mesmo chegando furiosa em nosso encontro, eu saí de lá com o coração mais leve.

Primeiro, Mei não era obrigada a aceitar o pedido de namoro se não quisesse. Ela é livre para escolher o que achar melhor e só esse motivo já era o suficiente para derrubar a minha atitude infantil em ter lhe cobrado algo.

Mas Mei também me explicou que se sentia insegura, ainda mais depois que eu flagrei os dois naquele momento íntimo. Ela não queria que eu e meu pai criássemos conflito por conta de uma terceira pessoa, que nem era da família. Ainda tem o fato dela morar em outra cidade, seria um namoro a distância e sabe-se lá quando eles poderiam se ver, por conta da rotina apertada que levam.

Contudo, eu sabia que ela gosta tanto do meu pai quanto ele gosta dela. Mais cedo ou mais tarde, eles iriam se entender. Eu juro que queria deixar isso nas mãos do universo, mas simplesmente não pude.

Como eu irei entrar no período de licença-maternidade, eu precisarei de alguém para me substituir na chefia da pediatria. Eu poderia treinar alguém aqui do hospital, mas por que não chamar a antiga detentora desse posto? Tão mais fácil, né?

Depois de um mês da minha conversa com Mei e remoendo aquela ideia, que eu confessei apenas a Sasuke, eu resolvi fazer o convite a ela. Aproveitei a minha ida a Kiri, eu e Sasuke fomos visitar Yagura, e convidei Mei para jantar. Apenas eu e ela, enquanto Sasuke perambulava pelo shopping atrás de presentes para Sarada. Ele estava impossível, mas dessa vez, resolvi ceder sem ressalva.

Eu e a médica de longos cabelos castanhos, que roubou o coração do meu pai, estávamos em um restaurante no mesmo shopping que Sasuke.

Eu podia sentir o quanto Mei estava nervosa, mas não iria ceder. O que eu precisava era de cautela.

— Mei, eu gostaria que você assumisse o posto de pediatra-chefe do hospital no meu período de licença-maternidade. – fui direta. Na verdade, eu queria dizer para ela voltar pra Konoha de vez, mas vamos com calma.

Ela tomou um gole de saquê demorado demais para meu gosto. Mas fingi que eu era a rainha da paciência e esperei que a surpresa passasse e ela começasse a falar.

— Sakura, eu não sei. – sussurrou. – Eu voltei a Kiri tem pouco tempo, nem me estabeleci direito no hospital da cidade.

— Melhor ainda, não acha? Seria muito mais complicado se você estivesse adaptada. – sorri antes de tomar um gole do meu chá. Eu não podia demonstrar a minha cara de menina má. – Você é pediatra-chefe no hospital de Kiri?

— Não sou. Lá eu trabalho em regime de plantão. Me prometeram esse posto, mas outro médico passou na minha frente.

— Nossa, mas que injusto. Uma médica tão competente como você. – de fato ela é, então, vamos exaltar essa qualidade.

— É eu sei, mas ainda assim, Sakura. Vai que surge outra oportunidade, não é mesmo?

— Mas é exatamente o que vim lhe propor, Mei. – sorri. – Eu confio em você para comandar aquela ala.

— Eu agradeço a confiança, mas você pode escolher alguém de lá do próprio hospital.

— É verdade, eu posso. – dei de ombros. – Mas será tão trabalhoso, que fico com receio de não conseguir passar tudo para meu substituto ou substituta. Não será bom para mim, ainda mais na fase do puerpério, pensar que não fui o suficiente nessa questão e desfalcar o hospital. – céus, eu estou parecendo a Ino. – Você já conhece todo o trabalho, facilitaria muito para mim.

— Eu não sei, Sakura. – pela Deusa, que mulher difícil. – Ainda tem essa situação com seu pai, não sei se me sinto confortável. Por acaso... foi ele quem pediu para que você me chamasse?

— Não Mei, a ideia partiu de mim. – fui sincera e pude ver tristeza em seus olhos. Isso é um bom sinal, não? Ela gosta realmente do meu pai. Não tô fazendo cagada dessa vez. – A situação do hospital me preocupa muito, mas eu entendo que é delicado. Acredite, eu não estaria aqui pedindo senão fosse urgente. – sorri. – Mas se for difícil para você, eu irei entender. Eu te fiz um convite, não uma intimação com coerção policial. – Mei riu. – Você não precisa confirmar agora, se não quiser. Consigo um tempinho para você pensar.

— Seu pai sabe da sua ideia? – sussurrou. – Não acredito que ele aprove.

— Eu não disse nada a meu pai, porque não quero criar expectativas nele, nem pessoais e nem profissionais. – disse séria. – Mas eu sou responsável pelo setor da pediatria, portanto, tenho passe livre para qualquer decisão que tomar, meu pai me disse isso inclusive. E por falar nele, eu sei que ele não se incomodará em tê-la no quadro de funcionários outra vez e tudo se manterá no âmbito profissional.

— Eu não tenho uma resposta definitiva para te dar agora, mas prometo que irei pensar, está bem? – assenti. – Mas já deixo de antemão que a recusa pesa muito mais.

— Tudo bem, Mei. Não quero força-la a nada. Fico muitíssimo satisfeita que tenha me ouvido. – sorri. – Aguardo sua resposta! – disse por fim e me preparei para levantar.

— Você já vai? Não irá jantar?

— Infelizmente não poderei ficar, eu estou exausta, passei o dia todo brincando com Yagura. – sorri. – Ainda tenho que impedir Sasuke de comprar metade do shopping e preciso descansar, meu voo parte ainda de madrugada.

— Uma pena, porém entendo completamente seus motivos. – me ajudou a levantar e logo depois me cumprimentou. – Obrigada por me ouvir e entender os meus motivos.

— Sempre que precisar, Mei.

Confiante, saí do restaurante e antes de procurar por Sasuke eu fui ao banheiro. O chá que eu tinha acabado de ingerir já estava quase explodindo a minha bexiga para sair.

Assim que saí do banheiro liguei pra Sasuke e pedi que ele viesse me encontrar. Quando eu o vi se aproximando, quase tive um treco. Ele vinha na minha direção com uma caixa imensa dentro de um carrinho de supermercado.

Respirei fundo, para não brigar com Sasuke, porque eu sabia que ia brigar. Em seu rosto estampava um sorriso amarelo de quem sabe que fez merda.

— Oi, meu amorzinho. – ele disse, quando chegou perto de mim, e estacionou o carrinho com cuidado ao seu lado. Me deu um selinho e sorriu. Ele estava tentando me dobrar. – Como foi sua conversa com Mei?

Suspirei profundamente, invoquei a rainha da paciência mais de uma vez naquele mesmo dia. – Ela disse que vai pensar sobre e me dará uma resposta em breve.

— Hum... isso é muito bom. Seu pai ficará contente, você não acha?

— Sasuke, não tenta desviar do assunto e me diz que negócio é esse que você comprou?

— Calma, amor!

— Não me diz que é aquela mini Ferrari, por favor. Eu te pedi tanto para não comprar aquilo!

— Claro que não, Sakura! É uma cadeirinha para refeição, com tecido impermeável, completamente acolchoada, segura e com três níveis de altura. Última novidade no mercado, lançamento imperdível. — disse vitorioso.

Ele falava como um exímio vendedor profissional, que dava até pena de brigar com ele.

— E antes que você brigue comigo... eu não achei dessa cadeirinha nem em Konoha e nem em Suna. Além disso, eu não me arriscaria a comprar pela internet sem saber de fato a procedência do material e se é realmente segura. – disse convicto. – Sarada vai precisar de uma cadeirinha dessa bem antes da bicicleta ou da mini Ferrari.

Sorri boba, Sasuke é único. – Como iremos levar isso?

— Pedirei que a companhia aérea embale num plástico bolha e depois num plástico filme. A cadeirinha também é protegida por isopores dentro da caixa. Não tem perigo de quebrar, qualquer que fosse a chance eu não teria comprado para Sarada.

— Tudo bem, Sasuke. Você venceu dessa vez. – sorri. – Mas não conte sempre com isso. – ele riu, estava feliz demais por ter ganhado dessa vez. – Agora vamos para o hotel descansar algumas horinhas antes do voo.

— Como quiser, comandante! – bateu continência fingindo seriedade. – Tudo o que a mamãe Sakura desejar.

Mei demorou tanto a responder, que eu quase desisti. Depois que fiz a proposta a ela eu não a cobrei em nenhum momento, não queria pressioná-la e nem parecer desesperada, como de fato estava.

Contudo, o Universo pareceu conspirar com a futura mamãe que vos fala e Mei se demitiu do hospital de Kiri e veio para Konoha de mala e cuia. Eu só acreditei mesmo quando fui buscá-la no aeroporto, porque depois que ela me informou a decisão eu tinha de bater o ponto e buscá-la no aeroporto.

Quando papai soube da novidade ficou inseguro, como um adolescente que descobre o primeiro amor, mas preferiu se manter reservado diante de Mei. Ele não queria forçar nada e preferiu dar espaço para ela. Acho que no fundo, ele também estava com medo.

Mei não grudou no pai, mas grudou na filha. Estamos inseparáveis, no hospital, e com dois grandes projetos em execução. Em breve, iremos inaugurar um banco de leite materno aqui no hospital para atender as crianças aqui internadas e qualquer criança que esteja fora dele.

Muitas mães não conseguem amamentar seus filhos, por muitos motivos, e, com isso, acabam cedendo aos industrializados, que são precários nutricionalmente falando. Elas poderão se cadastrar aqui no hospital e retirar o leite que precisarem para alimentarem o seu bebê.

Além de contribuir para uma alimentação saudável dos pequenos, ajuda no combate ao aleitamento materno cruzado. Outro perigo, já que muitas crianças são contaminadas por doenças infectocontagiosas por conta da prática.

O outro projeto, que já está bem adiantado, é a construção de uma creche, num prédio anexo ao hospital. Não sei, como um hospital desse porte, pode demorar tanto tempo para ter algo desse tipo.

A creche vem com a função: de ajudar os pais e as mães, que trabalham no hospital e não tem com quem deixar seus pequenos, além de oferecer uma sala de amamentação confortável e acolhedora para as mães lactantes.

Depois que fiquei grávida, todos esses questionamentos simplesmente eclodiram na minha mente, e só de pensar em ficar longe da Sarada ou não conseguir amamentá-la, por conta da distância, eu já me sentia nervosa.

Sasuke diz que a minha preocupação com Sarada é mais complexa que a dele, porque eu procuro uma forma para que tudo se encaixe perfeitamente fora do convívio doméstico. Eu acho que ele usa essa desculpa para poder comprar tudo que quer para Sarada sem ser parado por mim. Eu acho fofo o jeito dele, mas em alguns momentos eu preciso pará-lo.

Quando a gente fica grávida é assim, as coisas mudam de figura completamente. Eu penso em coisas que nem pensava antes, eu tomo cuidados que antes eu nem sequer tomava, como andar de bicicleta, por exemplo. Acho que a neura de Sasuke passou para mim.

No trabalho, Tsunade e Mei sempre me apoiam e conversam comigo. Entendem as minhas neuras e as ebulições hormonais. Mikoto também passou a ser visita recorrente no hospital, assim como na construtora atrás de Izumi, isso quando ela não aparecia na Universidade atrás dela. Os alunos de Izumi adoram Mikoto.

Algo que eu antes criticava, e agora eu faço muito, é conversar sobre bebês e tudo que envolve eles. Quando eu me reúno com Izumi, Ino, Temari, Hinata e Karui a gente fala 90% das vezes sobre os pequenos. Tenten e Karin quase nos bateram no último encontro, mas também nos deram colo quando falamos do lado real da maternidade. A gente evita romantizar. Exalta o que é belo, mas também fala o que é real.

[...]

Estamos, agora, na segunda semana de dezembro. Em mais ou menos um mês e meio, Sarada nasce. Eu já disse isso, né? Eu não tenho mais unhas para roer de tão ansiosa. Sasuke também está que não se aguenta, vem todo dia, no quartinho dela, para saber se está tudo no lugar, abre o guarda-roupa para sentir o cheirinho das roupas lavadas e confere a mala dela e a minha. Malas essas, que ele me obrigou e me ajudou a arrumar desde o mês passado. Tudo baseado na prevenção.

O quarto da nossa pequena está um verdadeiro primor. Todos os móveis na cor branca, mas sua decoração é bem colorida em tons claros de azul, rosa, laranja, amarelo e verde. A parede, onde tem o berço, e a oposta a ela têm um papel decorativo com vários minis corações coloridos.

Na parede, em frente ao berço, várias prateleiras adornavam o ambiente. Umas continham os carrinhos e os aviõezinhos que Sasuke comprou apenas para ela, em outras, alguns ursos de pelúcia de animais selvagens e alguns bonequinhos de Pokémon.

A poltrona e o pequeno sofá, que Sasuke comprou escondido de mim, ficam abaixo das prateleiras. Eu já amo sentar na poltrona que irei amamentar a pequena, mas, por enquanto, fico apenas lendo livro para Sarada e ouvindo música com ela. Nesses momentos, ela marca presença, adora se mexer.

A cômoda e o trocador ficam ao ladinho do berço. O guarda-roupa fica entre a parede do berço e a das prateleiras. No chão, um tapete na cor creme, felpudo e antialérgico, no qual Sarada irá brincar futuramente. Alguns brinquedos estão espalhados pelo chão do quarto, de forma organizada. Sasuke fez questão de ficar com essa parte. Ele arruma muita coisa melhor do que eu.

Alguns porta-retratos enfeitavam o cômodo com as fotos do ensaio que fiz, algumas tiradas por Sasuke, outros estão vazios para colocar fotos dela. O meu Uchiha fofo, fez questão de emoldurar o resultado do exame e me presenteou. Fiquei tão emocionada com a surpresa que chorei abraçada ao quadro.

— Você gostou mesmo desse presente, não é? – Sasuke indaga fazendo referência ao resultado do exame emoldurado, ao lado está sua medalha do curso para pais de primeira viagem. Estamos no quarto da Sarada, bem encolhidos e deitadinhos no sofá. Ele me faz um cafuné delicioso e sua outra mãe descansa sobre minha barriga. Essa cena tem sido muitíssimo recorrente por aqui.

— Eu amei. – sorri boba. – Tão simples e tão significativo. Foi o início de tantas mudanças.

— Nem me fala. — ele riu. — Eu achei que quando morássemos juntos a coisa ia acalmar, sabe? Ia ser apenas nós dois. Nunca imaginei que Sarada fosse aparecer tão rápido em nossas vidas.

— Nem eu. Antes, isso me assustava muito, ainda assusta um pouco. Fico com medo de não dar conta. Daqui a pouco, é tudo novo de novo.

— Eu tenho medo também. Mas estou tão ansioso pela chegada dela, que eu até esqueço dele. — ele deu um beijo na minha nuca e eu senti meu corpo arrepiar todinho. — Nós dois estamos juntos nessa, vamos fazer o nosso melhor… aliás, já estamos fazendo.

— Eu sei. Obrigada por estar ao meu lado!

— É meu dever, Sakura. Ela é minha filha. E eu não quero estar em outro lugar, que não aqui.

— Pode ser visto com uma obrigação. mas também é uma escolha. Quanto pai escroto por aí que tem obrigações com seu filho e tá pouco se fodendo pra criança. Olha… só de pensar eu já fico emputecida.

Sasuke riu e me encheu de beijos nos pescoço e ombros. — Não pensa nisso, não quero você brava. E bom, já que você me agradece tanto eu aceito esse obrigado como a todos os outros anteriores que me deu. Mas eu também agradeço por você ter voltado, por ter esperado por mim, por te aceitado morar comigo e por me dar um presente tão único!

Eu me virei pra Sasuke e deixei ele ainda mais apertado naquele sofá. — Não faz isso… — meus olhos estão cheios de lágrimas e eu não aguentei segurar o choro.

Sasuke não fica mais assustado quando me emociono assim, ele só cuida de mim com mais carinho ainda e me mima de todo jeito.

Em meio a toda aquela troca de carinho e excesso de lágrima o celular de Sasuke tocou. É Tenten, e ela quer falar comigo.

Peguei o telefone da mão de Sasuke e limpei a garganta por conta do choro. — Oi Ten.

— Oi Sakura. Por que você não atende o celular, mulher? — quando eu ia responder ela me interrompeu. — Quer saber de uma, deixa para lá. Preciso da sua ajuda e do Sasuke.

— Aconteceu alguma coisa?

— Sim. A bolsa de Hinata rompeu, durante o almoço, aqui na casa de Hiashi.

— Ai meu Deus!

— Calma, Sakura. Está tudo bem, não precisa ficar preocupada. — sua voz é tranquila o que me acalmou um pouco. Depois de Temari, Karui e Ino, eu estou um pouco traumatizada. — Já estamos a caminho do hospital.

— Que bom que está tudo bem. Do que precisam?

— Será que vocês poderiam passar na casa de Hinata e Naruto para pegar a mala dela e de Boruto? Não temos como passar para buscar, a casa de Hiashi é contra-mão e não confio em ninguém dos Hyuuga para dirigir, muito menos em Naruto. — ouvi protesto do outro lado da linha e uma Tenten furiosa mandando todo mundo ficar calado, porque quem estava no comando é ela. – Hinata, que é a grávida e prestes a parir, tá mais tranquila que todo mundo aqui. Desculpa Sakura, não queria incomodar, mas será que vocês poderiam?

— É óbvio Tenten, não é incômodo nenhum. Em pouco tempo chegamos ao hospital com as malas.

— Obrigada, amiga. Você é fodona mesmo. — eu ri, do outro lado da linha, Naruto gritou que a chave reserva fica embaixo do tapete da entrada da casa e as malas estavam no quarto do Boruto. — Você ouviu ou preciso repetir?

— Não precisa. — sorri. — Daqui a pouco nos encontramos. — a vaca da Tenten desligou sem me dar tchau.

— O que foi que aconteceu agora? — Sasuke já perguntou tenso.

— A bolsa da Hinata rompeu durante o almoço na casa do pai dela. Parece que a família toda estava reunida. Tenten quem tomou as rédeas da situação e está levando todos ao hospital. Ela disse que Hinata está muito tranquila, mas pediu que passássemos na casa de Hinata e Naruto para pegarmos a sacola dela e de Boruto. Não tinham como passar por aqui, a casa de Hiashi é contra-mão.

— Ninguém desmaiou ou rompeu a bolsa no carro? Nem Naruto está surtando?

— Querido, Naruto é surtado por natureza, está gritando como sempre. Mas ninguém desmaiou ou rompeu a bolsa no carro.

— Isso é um milagre… e um ótimo sinal. — eu ri.

— Sim, agora, precisamos ir.

Sasuke e eu nos arrumamos e saímos de casa muito mais calmos que na vez de Ino. Por motivos óbvios. Sasuke quem pegou as bolsas, pelo fato de que eu não faria esforço, para subir escada, quando ele podia fazer.

Chegamos ao hospital quase ao mesmo tempo que a família Hyuuga. Hinatinha está muito tranquila, enquanto Naruto está arrancando os próprios cabelos, Sasuke teve que tirá-lo da sala de parto para tentar acalmá-lo. Hiashi, Tenten e Neji resolveram ficar na sala de espera. O pai de Hinata nada falava, mas eu percebi que ele está tão nervoso quanto Naruto, mas está se contendo.

Naruto voltou para a sala de parto um pouco mais calmo e com um vermelho no rosto estampado por cinco dedos. Eu espero que Sasuke não tenha feito o que eu acho que ele fez. Pelo menos, funcionou.

Hanabi ajudava a irmã com alguns exercícios, para que ela relaxasse ainda mais e não sofresse com tantas dores. Naruto também a ajudava e fazia os exercícios junto com ela em outra bola de pilates.

Foi um parto rápido e muito tranquilo. Boruto nasceu quatro horas depois da entrada de Hinata no hospital. Tsunade ficou impressionada por uma evolução tão rápida e, eu também. O pequeno Uzumaki veio ao mundo gritando igualzinho ao pai, com 4,020kg, 49 cm, bem loirinho e de olhos azuis. Pobre Hinata, carregou durante nove meses e o menino veio a cara do Naruto.

Se o parto foi tranquilo, Boruto é o completo oposto. Abre o berreiro sempre, dorme pouco e come bastante. Hoje, faz uma semana que ele nasceu. Hinata fez uma chamada de vídeo comigo, para desabafar o quão está tudo complicado, isso porque ela e Naruto estão integralmente em casa.

Fiquei com pena da minha amiga, ela está parecendo um panda com aquelas olheiras, tadinha. Não posso negar que fiquei com um pouco de medo também. Será que Sarada vai ser tão agitada quanto Boruto?

Balanço minha cabeça a fim de afastar essas dúvidas. Cada filho é um filho, cada criança é única. Sarada terá seu jeitinho.

— Você será um anjo de criança, né filhota? — indago acariciando minha barriga. Mais uma vez estou no quarto dela, só que agora sozinha. Estou sentada na poltrona, com as pernas cruzadas, usando um camisão enorme do Sasuke e meia nos pés. — Mamãe gosta de dormir, viu filha?!

Hoje, eu saí, depois do almoço, do trabalho. Estava muitíssimo cansada e ainda estou, como não tinha nenhum paciente marcado ou nenhuma cirurgia para fazer, resolvi me dar esse descanso.

Papai me trouxe e ficou aqui comigo, a gente passou a tarde falando sobre a mamãe e tomando chá. Amanhã, fará 10 anos do último natal que passamos com ela. Aquele natal antecipado feliz, mas também excepcionalmente doloroso por tratar da sua despedida. 3 dias depois mamãe faleceu. Essa época do ano sempre me abate. A única coisa boa é que desta vez eu não estou sozinha.

— Sabe filha, eu queria tanto que você conhecesse a vovó Mebuki. — senti Sarada mexer de leve e a lágrima veio junto. Eu estou mais emotiva que o normal. — Você iria amá-la tanto, tanto. — Sarada se mexeu mais um pouquinho e eu fiquei acariciando o ventre mais um pouco.

[...]

Acordei, sentindo uma pontada no cóccix e suada. Eu estou na cama e Sasuke ressona baixou ao meu lado. Sua mão está pousada sobre minha barriga. Eu devo ter pegado no sono, quando estava no quarto de Sarada, isso tem ficado comum também.

Tirei a mãe de Sasuke com cuidado e fui até o banheiro. Lavei o rosto e massageie um pouco o cóccix. Por estar tão suada resolvi tomar um banho, mas nem demorei muito. Coloquei outro camisão do Sasuke e um novo par de meias. Decidi ir até a cozinha comer algo.

Na escada senti outra pontada no cóccix, mas nada demais. Cheguei à cozinha e peguei um bowl cheio de tomate-cereja na geladeira e um pote de Nutella. Eu sei, é estranho, mas eu adoro essa combinação desde que Sarada se instalou em meu útero.

Sentei em uma das cadeiras, que ficam em frente à ilha da cozinha, e comi até ficar cheia. Fui até a geladeira devolver o bowl, com quase nada de tomate dentro, e o pote de Nutella. Depois fui à pia lavar o prato e a faca que usei para comer. Sequei o chão porque fiz uma lambança lavando um prato e uma faca. Prazer, Sakura!

Depois de deixar tudo nos conformes na cozinha, fui em direção ao quarto. No meio da escada, sinto algo molhado através da meia. Olho pra baixo e vejo pequenas gostas numa fila quase indiana. Puta merda, tem fantasmas aqui em casa?

Senti um frio na espinha desgraçado e um medo fora do normal. Corri para o quarto e fechei a porta com força. Por um milagre, Sasuke não acordou.

Fui até o banheiro para tacar a meia molhada no balde de roupa suja. E, só então, eu me dei conta que a barra da minha blusa estava um tanto molhada e um pouco de água escorria pelas minhas pernas.

Gelei.

É pior que assombração.

Respirei fundo e resolvi assumir o meu lado médica e racional. Eu sei o que está acontecendo, mas preciso ter certeza.

Respirei fundo encarando o espelho e lavei minhas mãos. Tirei a calcinha, que eu estava usado, e a percebi úmida. Cheirei sentindo aquele odor parecido com água sanitária.

— Puta merda, minha bolsa rompeu. — falei tentando não ficar nervosa.

Lavei minhas mãos novamente e resolvi fazer um autoexame de toque. Eu estou com dois centímetros de dilatação.

Sarada vai nascer e, além disso, prematura.

Tentei controlar a vontade chorar. Como médica, eu sei os riscos de um parto prematuro e isso fez questão de permear a minha mente.

Me dei uns minutos, para que eu pudesse me acalmar, e resolvi acordar Sasuke. Eu tenho que ir para o hospital.

Vi Sasuke ressonando baixinho e, por um momento, fiquei com pena de acordá-lo, mas logo passou.

Comecei a acariciar seu rosto e chamei por seu nome. — Sasuke… acorda amor. Sasuke, preciso de você. — passei a empurrar um pouco seus ombros. — Sasuke, acorda. — Acendi a luz do abajur ao lado da cama para iluminar o cômodo. — Sasuke!

Ele abriu os olhos e piscou várias vezes. – Oi, amor! — sorriu mesmo sendo acordado… ah vá. — O que foi? Quer alguma coisa? Tá com fome? — tadinho ele já estava acostumado a ser acordado quando eu tinha fome na madrugada. — Tem Nutella na geladeira e tomate-cereja, quer que eu pegue? — ele se sentou na cama e coçou um pouco os olhos.

— Sasuke, olha para mim.

— O que foi?

— Eu preciso que fique calmo. — eu nem sei porque falo essa merda. É última coisa que a pessoa fica. — Minha bolsa estourou. Sarada vai nascer.

— O QUE?

— Eu preciso de você calmo, querido. — toquei em seu rosto desfazendo o nó entre as sobrancelhas. — Precisamos ir para o hospital. Nossa filha resolveu vir ao mundo mais cedo.

— Mas… por que? Ainda falta um mês mais ou menos…

— Eu sei, amor. Mas ela está com pressa e, eu também!

— Sakura? — me chamou atônito.

— Sim?!

— Eu vou ser pai.

— Sim, querido. — mesmo que não fosse uma pergunta, eu resolvi reafirmar.

— Meu Deus, eu vou ser pai!

— Sim, mas antes Sarada precisa nascer. Levanta dessa cama e vai se arrumar.

— Sim, claro. — num pulo, ele levantou da cama. O sono foi embora por completo dele. — Você precisa de alguma coisa? Está sentindo dores? É agora que faz respiração de cachorrinho?

— Eu estou bem. Preciso que se arrume e pegue a minha mala e a de Sarada no quarto dela. Eu vou me arrumar e ligar pra Tsunade!

— Tá, eu fico pronto em dois minutos!

Acredito que a maior aventura da minha vida irá começar!



Por Sasuke



Trazer Sakura para o hospital com calma e tranquilidade foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz na vida. Eu só conseguia pensar nela, em Sarada e no quanto eu estou ansioso para conhecer minha pequena apressadinha.

Tsunade estava mais ansiosa que eu e Sakura. A médica, muito conhecida pela sua vaidade, nem se importou com maquiagem ou colocar os cabelos no lugar. É realmente inédito. Ela grudou em Sakura, o que me deixou muito seguro. Sarada vai nascer prematura e nos livros que li continham os riscos do que poderia acontecer daqui pra frente e isso me deixa com um pouco de medo. Com Tsunade aqui, eu me sinto mais aliviado. Minhas meninas estão em ótimas mãos.

Nas duas primeiras horas, desde que chegamos ao hospital, Sakura ficou um tanto calada. Eu diria até que sem dores se eu não tivesse visto umas lágrimas aqui e ali. As contrações iam e vinham. Tudo caminha para o parto natural, como Sakura desejou, mesmo Sarada nascendo prematura.

— Você está bem? Está doendo muito? — indaguei e logo depois me arrependi pela cara furiosa de Sakura. Só depois eu lembrei, que li em um dos livros, que durante o parto nunca se pergunta se está doendo. Porque obviamente está doendo.

— Não Sasuke, está fazendo apenas cócegas. — respondeu azeda.

— Desculpe… eu não devia ter perguntado.

— Eu sei, querido. Me desculpe também, mas isso é tudo novo para mim. Eu achei que conseguiria pensar apenas como médica quando a hora chegasse. Doce ilusão. Tá tudo misturado e bagunçado por aqui.

Beijei o topo de sua testa e ela encostou a cabeça no meu peito. — Quer que eu peça para prepararem a banheira com uma água quente, para você relaxar? — Todas as salas de parto do hospital Haruno Mebuki são equipadas com banheiras. Tudo aqui tem como foco, deixar as gestantes mais acolhidas e à vontade nesse momento tão importante. Eu li o memorando feito por Tsunade.

Eu li bastante coisa na verdade. Influência de Sai

— Sim, Sasuke. Acho uma excelente ideia.

Depois que Sakura foi para a banheira, ela relaxou mais, eu estou sentado na borda atrás dela. Quando sente uma contração, aperta minha mão ou me abraça. Ela profere alguns palavrões também. Nesse momento, Tsunade resolveu nos dá um tempo.

— Sasuke… eu não vou conseguir. — Sakura disse baixinho e aquilo me quebrou por dentro.

— Por que diz isso? Você é a pessoa mais forte que eu conheço Sakura.

— Dói demais… — sua respiração está errante e pesada. — Eu não sei se consigo. Eu queria tanto a minha mãe aqui. — e aquilo me quebrou mais ainda. Sakura vem falando da mãe de forma recorrente, estávamos perto do aniversário de morte de Mebuki. Eu sou pai de Sarada e companheiro de Sakura, mas jamais seria capaz de preencher a lacuna de Mebuki e a importância que ela teria nesse momento.

E um grito agudo saiu da boca de Sakura e ela se pôs a chorar. Sakura me abraça com tanta força que eu senti falta de ar, mas incapaz de pedi-la para me soltar.

Sakura se acalmou um pouco, quando Tsunade chegou na sala com Kizashi, mas ele foi logo colocado pra fora do quarto pela Senju. Ele acabou deixando Sakura mais nervosa com a preocupação dele e a pressão de Sakura oscilou.

Sakura pediu para sair da banheira e fez o autoexame de toque novamente. Ela está apenas com 5 centímetros. Sakura chorou de novo andando pelo quarto apenas de top vermelho. Em outra ocasião eu acharia completamente estranho minha namorada desfilando quase pelada pelo quarto, mas agora eu acho perfeitamente natural. O parto é poético, cada detalhe é um verso e o resultado dele, para mim, é Sarada.

Depois de andar pelo quarto pacientemente, Sakura se deitou um pouco e as contrações vieram com força. Foi assim até o fim de tarde. Sakura não passava dos 7 centímetros de dilatação.

Kizashi passou um tempo no quarto, mas quando meus pais chegaram eles passaram um tempo com Sakura também. Mamãe grudou em Sakura mais que Tsunade. Está cuidando dela e dando todo apoio que Mebuki daria se estivesse aqui.

Quando Sakura atingiu os 10 centímetros de dilatação, já era noite. Tsunade pediu que meu pai e Kizashi saíssem do quarto. Eles estavam nervosos demais e poderiam atrapalhar. Ficamos apenas eu, mamãe, Tsunade e Sakura.

As contrações vinham intensas, Sakura empurrava e nada. Eu já estava quase surtando, pedindo pra Tsunade fazer uma cesárea, mas não fiz.

— Querida, já está coroando. – minha mãe disse emocionada e Sakura revirou os olhos de dor.

— Eu pensei… que… já… tinha — suspirou — passado os… ombros. — Sakura disse entredentes.

— Mais um pouco minha querida! — incentivou Tsunade.

Sakura virou pra mim com seu rosto suado e cansado, seus olhos marejados e cabelos bagunçados e proferiu: “A culpa é toda sua!”

Eu quis rir!

Eu quis muito rir!

Mas não o fiz.

Apenas passei o braço esquerdo sobre seus ombros, segurei mais forte em sua mão e beijei sua testa. — Eu te amo, irritante!

Sarada nasceu poucos minutos depois.

Miúda.

Cor-de-rosa.

E os cabelos tão pretos quanto o meu.

No primeiro momento, achei que nada fosse mudar. Eu já estava habituado à ideia de que seria pai. Mas tudo isso muda de figura quando você realmente se torna pai. Quando aquele serzinho minúsculo muda toda sua vida dali em diante.

Eu fiquei estático diante de tanta perfeição e beleza. Seu choro estridente e forte me mostrou que eu não tinha controle sobre nada e nem ninguém, que minha vida não era somente minha agora, uma parte de mim vive nela e eu aceito de bom grado tudo isso.

Sakura se tornou ainda mais iluminada diante dos meus olhos. Se antes eu não conseguia mensurar em números e palavras o quanto eu amo essa mulher, agora, eu tenho plena certeza de que isso não é mesmo possível.

— Vem cá, Sasuke-kun. — ela disse baixinho me despertando. Só agora notei que estávamos sozinhos no quarto. O choro de Sarada já tinha silenciado, ela está encolhida numa manta branca no colo de Sakura. — Vem ver nossa bebê, papai!

— Não tem que cortar? — apontei para a placenta que estava em cima do pé na barriga de Sakura. Sarada ainda está com o cordão umbilical.

— Não precisa ser agora, Sarada pode ficar com ele ainda. É até recomendável, exceto em caso de doenças infectocontagiosas. Quando ele parar de pulsar será cortado.

— Não lembro de ter lido nos livros isso!

— Sasuke, deixa de bobagem e vem até aqui.

Eu estou nervoso e Sakura percebeu isso quando tentei focar em outras coisas. Além disso, eu estou com medo.

— Não precisa ter medo, querido! — Sakura disse lendo meus pensamentos. — Ela quer te conhecer!

E isso bastou para minhas pernas serem mais rápidas que meu cérebro. Em dois passou eu estou ali, olhando para aquele ser miudinho. A boquinha de Sarada se mexe de uma forma engraçada, tão pequenina, que quase nasceu sem boca.

Sorri bobo e senti a visão embaçar.

Sarada chegou tirando de mim o que eu dava para poucas pessoas: sorrisos e lágrimas de felicidade. Lágrimas de tristeza eu também não dou não, mas não vem ao caso.

Sentei na maca e passei mais uma vez os braços pelo ombro de Sakura. Fiz tudo bem devagar com medo de acordar ou assustar nossa pequena.

— Ela é tão linda! — disse bobo com a voz carregada de choro. — E tão pequena!

Toquei na mãozinha esquerda da nossa menina ela abriu os olhos. Tão negros quantos os meus. Minha pequena Uchiha.

— Pegue-a! Ela quer conhecer o colo do papai.

— Não… Sim.. Será? — o medo é palpável. — Sakura, eu não sei!

— Querido, você foi o melhor no curso de papais de primeira viagem, faça valer sua medalha, querido!

Claro!

Eu tinha me esquecido.

Estufei o peito na hora lembrando do meu momento de glória. Ninguém segura um bebê melhor que Uchiha Sasuke .

Confiante, coloquei os braços em posição e esperei Sakura depositá-la neles.

Quando minha pequena chegou nos meus braços, me senti o cara mais feliz e realizado do planeta. Carrego aqui todo o amor do mundo. Quero protegê-la de tudo e todos que ousarem se quer sonhar em fazê-la mal.

Olhei pra Sakura e vi seus olhos marejados. Que mulher esplêndida!

— Obrigado! — falei. — Esse é o melhor presente que eu poderia ganhar! Obrigado por ser você a me dá-lo e obrigado por sua coragem, força e amor por ter chegado até aqui. Eu te amo, a cada dia, mais e mais. Prometo protegê-las, para sempre.

— Sasuke… Eu te amo! — Sakura chorou baixinho encostada em meu ombro.

Nossas declarações cessaram segundos depois quando nossa pequenina abriu o berreiro. Fiquei um tanto desesperado, mas Sakura entendeu o recado.

Sarada está com fome. E muita.

Nossa pequena faminta agarrou o seio da mãe com urgência!

— Calma filha, a mamãe tem dois, viu?!

Eu ri bobo e puxei o celular do bolso. Quero carregar esse momento para sempre comigo.

Tirei a foto rápido e voltei a me aproximar das duas.

— Ela é todinha você. — Sakura disse com um bico no rosto. — Seu cabelo, seus olhos...Toda uma Uchiha.

Eu ri orgulhoso. Ela seria igualmente linda se puxasse a Sakura obviamente, mas saber que ela saiu muito mais parecida comigo me enche de orgulho. — Uchiha é gene dominante, não é culpa minha, querida!

— Debochado. — rimos juntos olhando nosso pequeno tesouro.

Quando Sarada parou de mamar, a paz no quarto foi embora. Avós desesperados invadiram o local com uma Tsunade nada satisfeita pelo barulho.

Kizashi e meu pai pareciam duas crianças brigando pra saber quem pegaria Sarada primeiro. Com isso, dona Mikoto passou na frente e deixou os dois brigando.

Mesmo tendo ocorrido tudo bem com o parto, Sarada ainda é um bebê prematuro e nasceu com tamanho e peso de uma criança prematura. Com isso, Tsunade resolveu deixá-la na incubadora, mas 2 horas depois Sarada voltou para o quarto. Nossa pequenina, com sua força invejável, simplesmente arrancou todos os adesivos que ligavam o aparelho ao seu corpo.

— Ela é teimosa como você, querida! — disse Tsunade quando trouxe Sarada de volta ao quarto.

Sarada é um bebê muito tranquilo, desde que bem alimentada. Adora um carinho e fica bem quietinha no colo do papai. Com isso, Sakura conseguiu tirar um cochilo de três horas. Assim que ela despertou, Sarada pôs-se a chorar e foi se fartar de leite. Depois de amamentar, eu fui trocar sua fralda. Logo depois, mãe e filha pegaram no sono outra vez.

Se existe alguém mais completo neste mundo, eu desconheço!

[...]

Dois dias depois, voltamos para casa com o nosso pacotinho enrolado num manto vermelho carmim.

Sarada ganhou um peso considerável desde quando nasceu. Por isso, Tsunade a liberou junto com Sakura.

— Seja bem-vinda, filhota. — Sakura disse assim que atravessamos a porta. Sorrimos bobos um para o outro.

Subimos a escada com cuidado, fomos até o quarto da pequena e a colocamos no berço. Ela logo acordaria para comer, enquanto isso, ficaríamos agarradinhos no pequeno sofá do cômodo a admirando bem bobos e açucarados.

Não durou cinco minutos!

Notas finais
A música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=JizRoArMVoI Essa versão é linda, ele canta com os filhos ♥ ~~*~~*~~ Gente, eu demorei com esse capítulo, porque estou num projeto com uma amiga de uma nova fanfic, chamada Entre reinos, e quis dar uma atenção especial, já que daylight está no fim. A nossa fanfic é https://www.spiritfanfiction.com/historia/entre-reinos-13204400 e já tem dois capítulos postados! ~~*~~~*~~ Sobre esse capítulo, quero esclarecer algumas coisas: 1° cada parto é um parto, portanto, um parto normal pode ter 5 ou 10 horas, ou 24 ou mais; 2° aleitamento cruzado é muito sério, não pratiquem, não deixem que seu bebê mame em um seio que não é seu, procure um banco de leite materno na sua cidade e se você quiser doar, procure informações para saber como; 3° a questão do cordão umbilical, existem alguns estudos que apontam que crianças que tem o cordão umbilical imediatamente cortado podem desenvolver anemia. Mesmo depois do parto, ainda há troca de nutrientes entre bebê e placenta, inclusive sangue; 4º Respeito mulheres que escolhem a cesárea, mas a politica de cesáreas aqui no Brasil é absurda. Esse tipo de parto só deve ser feito quando a parturiente ou bebê correm risco de vida. E só para deixar claro, é uma CIRURGIA, por isso o risco é muito maior, além da recuperação difícil e dolorosa na maioria das mulheres. Se o seu ou sua obstetra põe medo e aterroriza você com relação ao parto normal, sugiro que procure por outro, e se possível procure uma doula ♥ Parto normal é amor. Seu corpo é incrível. ~~*~~*~~ Sobre o capítulo: Eu coloquei o Sasuke narrando o parto, porque eu quero Sakura contando sobre o puerpério ♥ É uma fase tão importante, mas não se fala muito sobre. As mulheres que já passaram por essa fase sabem do que estou falando. Me contem o que acharam depois e não esqueçam de ler Entre Reinos ♥ Volto em breve ;**