Daylight
25 Emoções
Notas iniciais
Quando você passar
Vou pegar em sua mão
Te abraçar
Você sabe quem te ama
(Roda gigante — Scambo)
Por Sakura
Desde a visita ao hospital minha vida está uma verdadeira loucura... se bem que, eu acho que desde que pisei em Konoha que minha vida está de ponta-cabeça.
Bem, agora eu estaria de volta a minha cidade, mas não será tão rápido quanto eu gostaria que fosse. Infelizmente, quando minhas férias acabarem terei que voltar a Tóquio pra realizar os procedimentos cirúrgicos que já estavam marcados. Eu não podia recusar, afinal se tratavam de crianças, mas consegui duas liberações pra voltar a Konoha no mês em que ficarei em Tóquio, pra acompanhar os pacientes daqui.
O melhor de tudo é que meu pai não viu problemas e disse que dá para segurar as pontas, mesmo sem Mei. Por conta desse período que ficarei em Tóquio eu ainda não contei a ninguém que voltaria, nem mesmo pra porca. Pedi pra papai manter em segredo também. Quero fazer uma surpresa pra todos quando voltar de mala e cuia pra cá.
O clima no hospital estava maravilhoso, a cada dia eu me ambientava a rotina e me apegava mais as crianças. Modificamos algumas coisas na sala da mamãe e semana que vem eu atendo por lá, confesso que estou um pouco ansiosa.
Tô feliz também porque Itachi e Izumi finalmente se entenderam e meu irmãozão tá mais feliz que criança em festa com doce. Ele me disse que tinha uma notícia pra me dar, mas que não poderia ser por telefone... Nem preciso dizer que a curiosidade tá me matando.
Itachi me contou também que Sasuke viajou pra Tóquio, por conta do trabalho. Por incrível que pareça, Sasuke quase não apareceu em meus pensamentos essa semana. Eu estou tão focada no trabalho e chego tão cansada em casa que durmo e nem lembro do que eu sonho.
A única coisa chata dessa semana foi que Saso viajou pra Suna. Deu uma puta merda na tese do mestrado dele e ele teve que ir correndo pra lá. Sem previsão de volta... só tem uma pessoa com mais saudade do ruivo que eu, o Deidara. Acabou que não nem deu tempo de conhecê-lo, mas Saso me mandou alguns áudios dele pelo WhatsApp, além de fotos. Confesso que meu amigo tem muito bom gosto.
A manhã estava bem movimentada aqui no hospital, quando eu e dei conta já era hora do almoço. Hoje eu só trabalheria um turno porque buscarei Naruto e Hina no aeroporto no fim da tarde. SIM, eles estão de volta... aquela casa está um silêncio sepulcral sem eles.
Agora eu estava indo em direção ao estacionamento do hospital para encontrar com meu pai. Nós dois vamos almoçar juntos no Byakugan e de lá ele vai pra Universidade de Konoha palestrar sobre novas técnicas de intervenções cirúrgicas ligadas ao coração.
Tsunade também vai palestrar lá na Universidade, sobre violência obstétrica. Ela viajou por dois dias e voltou na quinta pra Konoha. A convidei pra almoçar com a gente, mas ela disse que tinha um compromisso inadiável com Jiraya... prefiro nem imaginar o motivo desse encontro.
— Pai – disse assim que avistei meu pai – Então, vamos?
— Vamos – ele sorriu – Você vai no seu carro ou no meu?
— No meu – quer dizer do Naruto, que seja – Do Byakugan o senhor vai direto pra universidade e e eu vou pra casa de Naruto.
— Tudo bem... nos vemos daqui a pouco – ele disse entrando – Beijo, filha.
— Beijo, pai – falei e ele logo saiu com o carro.
Cheguei no carro de Naruto e sem perder tempo fui pra o restaurante. O percuso foi rápido, mas pela minha fome pareceu uma eternidade. Mas agora eu e meu pai já estávamos sentando esperando um garçom vir nos atender.
— Então filhota, vai querer comer o que? — indagou meu pai assim que o garçom chegou.
— Hum... de entrada eu quero um chao siu bao de porco e sakurayu pra beber – disse sentido água na boca – E para o prato principal um yakisoba misto com tudo que eu tenho direito.
— Você ouviu a moça, rapaz – disse meu pai brincando – Mas em vez de um chao siu bao, traga dois, uma dose de saquê e um yakisoba grande.
Achei estranho meu pai pedir sakê, afinal ele ia dar uma palestra e não sei o quanto isso ia pegar bem. Esperei o garçom saí da mesa pra falar com ele.
— Vai beber, pai? — indaguei – Não pega mal, já que vai palestrar?
— Calma filha, é só sakê e sakê não embebeda ninguém – ele brincou.
— Tô achando que o senhor tá andando muito com Tsunade.
— Ai Sakura, você nunca deixa passar nada – ele riu – É que eu fico um tanto nervoso ates de palestrar e por isso sempre tomo uma dose de sakê antes pra ficar calmo.
— É sério isso? — fiquei chocada com essa afirmativa do meu pai – Pai, o senhor sempre palestrou desde que me entendo por gente e ainda assim fica nervoso? É um pouco difícil de acreditar.
— Filha, seu pai é ser humano como outro qualquer – ele sorriu – Também tenho minhas inseguranças e medos. É verdade que eu sempre palestrei e falei para um público grande, mas nunca deixei de ficar nervoso antes disso. Sua mãe que sempre foi muito tranquila pra fazer isso, era uma coisa extraordinária de se ver – quando meu pai falava da minha mãe, seus olhos brilhavam. Senti meu peito aquecer diante da imagem. — Ela que sempre me acalmava e me dava força. Foi ela também que me falou que uma dose de sakê ajudaria e depois disso eu sempre tomo uma dose de sakê antes de palestrar.
Realmente, meu pai disse uma verdade. Pai e mãe são seres humanos e por isso estão suscetíveis a falhas e inseguranças, mas é tão estranho quando eles se mostram inseguros diante de nós ou quando cometem um erro que nunca achamos que eles cometeriam. Às vezes apontamos o dedo sem dar conta disso e sem querer exigimos perfeição que nem a gente consegue alcançar.
— Desculpe, pai... é que eu nunca soube disse – sorri – Se o senhor quiser posso ir com você pra te deixar mais calmo.
— Filha, você não precisa se desculpar por nada disso. Nunca conversamos sobre isso, então é perfeitamente normal que você não soubesse. — meu pai falava de forma gentil e nem por um momento houve repressão em sua fala – E não, você não precisa ir comigo hoje até a universidade. Até porque eu não irei apenas palestrar, haverá uma reunião entre os docentes e a reitoria, afim de criar novas parcerias e projetos com o hospital.
— Mas o senhor nunca foi professor.
— Fui durante um tempo em que você estava em Tóquio, mas depois preferi comandar o programa de residência. É mais a minha cara.
— E como foi ser professor? — indaguei curiosa. Nunca imaginei que meu pai pudesse lecionar.
— No início foi aterrorizante – ele riu – Porque querendo ou não, eu falava para um grupo grande e muitas pessoas com o foco em mim sempre me deixou nervoso, mas depois eu comecei a gostar até surgir os programas de residência. Eu sempre admirei o trabalho de um professor, manejar uma sala de aula e passar seu conhecimento nem sempre é fácil, mas eu prefiro a parte prática do hospital. Aquele é meu lugar e por isso parei de lecionar em sala de aula.
— O senhor era carrasco corrigindo provas?
— Sim. — ele disse firme — Nossa profissão é muito séria, Sakura e mais que dedicação é necessário vocação. Lidamos com vida e morte, uma escolha pode resultar em diversas consequências. Atendemos pessoas de diversas classes sociais e precisamos lidar com todo tipo de público, cada paciente é ímpar. Ser médico é uma linha tênue entre razão e emoção.
— É verdade pai. Na universidade mesmo eu tinha diversos colegas que detestavam medicina e faziam apenas pelo retorno financeiro ou porque seus pais os obrigavam. — ele assentiu confirmando tudo o que eu disse – Não acho que nossa profissão seja melhor que outras, longe disso. Mas é importante você fazer aquilo que ama e acordar todo dia feliz sabendo que é isso que você irá fazer.
— Exatamente, Sakura. Por isso sempre fui rígido com provas, mas eu também observava meus alunos em sala de aula. Não acho que prova mede conhecimento no todo, por isso sempre preferi os seminários e as pesquisas.
— Muito perspicaz, meu pai – eu disse orgulhosa e ele sorriu.
Depois de conversamos a comida finalmente chegou e paramos de conversar pra comer. Eu estava com muita fome nos últimos dias, talvez seja por conta do trabalho. Quase não arranjo tempo pra comer.
A comida estava divina e eu comi mais do que devia por gulodice. Mas eu não me arrependo, até porque minha vida de sedentária vai acabar. Vou comprar uma bicicleta, vai dar menos trabalho do que trazer a minha de Tóquio, e vou falar com Naruto pra me matricular no krav magá da academia Rasengan.
— Filha – meu pai me chamou – você vai fazer o que agora pela tarde?
— Não sei, na casa de Naruto e Hinata está tudo em ordem... Estava pensando em voltar ao hospital.
— Se você voltar pra o hospital vai perder o horário do voo dos seus amigos.
— É verdade – disse a contra gosto. A semana estava tão movimentada que eu não queria parar.
— Queria te pedir uma coisa...
— Que eu vá com o senhor a palestra? — brinquei.
— Não – ele hesitou – Queria que você fosse a nossa casa.
Perdi a fala... Meu pai e eu ainda não tínhamos conversado sobre isso e nem passou pela minha cabeça durante essa semana que falaríamos sobre isso. Eu queria e ao mesmo tempo não queria pisar em casa. É dificil admitir, embora que ainda pra mim mesma, que eu tenho medo de voltar lá e as lembrança da minha mãe me peguem de forma avassaladora.
Quando eu saí de casa, eu deixei tudo pra trás... ainda assim a dor me acompanhou, porque ela sempre te segue não importa aonde você vá. Mas eu também acredito que fiquei mais forte afastada de tudo, soube lidar melhor com a perda.
Meu pai me analisava, me estudava como se entendesse ou pelo menos achasse o que poderia está se passando pela minha cabeça. Eu queria falar, mas eu não sabia o que responder ou se eu deveria aceitar ou não.
— Pai... — tentei falar, mas logo fui interrompida por ele.
— Sakura, eu sei que pra você é difícil e nunca houve uma oportunidade para conversarmos sobre isso, a possibilidade de você pisar naquela casa mais uma vez. — ele segurou minhas duas mãos — Mas você não pode esquecer que aquela casa também é sua que você não poderá postergar isso a vida inteira.
— Mas pai... — fui interrompida mais uma vez.
— Eu ainda não terminei de falar – engoli em seco quando ele disse isso – Eu não quero e nem vou te obrigar a ir, apenas deixarei a chave com você e você vai escolher se vai ou não. E apenas uma possibilidade, Sakura. Lembre disso. A casa estará vazia.
Ele não me disse mais nada, tirou um molho de chaves do bolso e me entregou. De prontidão reconheci minhas antigas chaves e meu antigo chaveiro de tomate. Foi um presente de Sasuke pra que eu me lembrasse sempre dele e de sua fruta preferida.
Senti meus olhos encherem d'água, meu pai se levantou, afagou meu rosto e me deu um beijo na testa de despedida. Ele sabia que eu precisaria de espaço e não mais de palavras.
Fiquei um tempo encarando aquele chaveiro e minhas chaves. Senti meu coração acelerar de uma forma absurda. Eu queria, mas tinha medo.
Eu tentei buscar aquela Sakura adulta, madura e decidida, mas eu me sentia pequena diante de tudo aquilo.
Levantei, ainda indecisa do quer fazer. O garçom me abordou dizendo que a conta já estava paga. Saí de lá e fique esperando que o carro chegasse pelas mãos no manobrista. Ele não demorou a chegar e agora eu me encontrava dando voltas pela cidade.
Quando eu vi, eu já estava em frente a minha antiga casa. Talvez meu coração soubesse antes de mim o que eu queria.
Olhei aquela fachada toda branca e revivi diversas memórias. Era difícil estar ali, mas é ao mesmo tempo reconfortante. Eu sei, meu estado atual é um paradoxo, eu sou um paradoxo.
Corri até a porta de entrada e coloquei a chave na fechadura. Assim que abri a porta dei de cara com a sala, que um dia foi minha e que ainda continuava a mesma. Meu pai não mudou absolutamente nada, nem mesmo o sofá vermelho que minha mãe tinha comprado uma vez que meu pai não gostou dele e tenha falado horrores.
Minha mãe disse que o sofá era pra quebrar aquela seriedade de uma sala toda branca e preta ,e sem cor. Meu pai nunca se sentava nele por pirraça, tanto que até comprou uma poltrona preta apenas pra ele. Mamãe sempre perguntava quantos anos ele tinha por se comportar daquela maneira.
Mamãe pouco usou aquele sofá, porque quase não parava em casa de tanto trabalhar e logo depois ela ficou doente e sempre ficava em seu quarto quando precisava descansar. Mas eu entendo meu pai, é um pedaço dela ali.
Senti minhas pernas bambearem, meu peito apertar e meus olhos encherem de água. Novamente eu sou aquela Sakura indefesa e balançada pelas emoções... Tudo aquilo que eu tinha guardado simplesmente voltando de uma forma devastadora. Aquilo tudo parecia um aviso: tudo o que você deixou pra trás.
Sentei naquele sofá e desabei... Enterrei meu rosto nas mãos e até o mais baixo dos meus soluços se tornou alto diante do silêncio daquela sala.
[...]
Não sei por quanto tempo eu fiquei ali chorando, mas foi tempo suficiente para que eu criasse coragem e subisse até o meu quarto. Parei diante daquela porta branca e senti o medo e a curiosidade travarem uma batalha intensa em meu peito.
Ali viveu a Sakura de até 17 anos e por mais que eu quisesse negar ou tentasse negar, boa parte dela ainda vive dentro de mim. Mas não posso negar o hiato que existe entre aquela Sakura e a Sakura de hoje, nove anos depois.
Abri a porta num rompante como quem tira o curativo rápido, porque de forma lenta só deixa aquilo tudo pior e mais assustador.
Assim como a sala, meu quarto continuava o mesmo... Era como se eu tivesse partido ontem. Entrei e fechei a porta me escorando sobre a mesma. Meus olhos percorreram todos os canos incontáveis vezes como uma forma de acreditar que tudo aquilo era real... e era.
A maioria dos meus móveis eram brancos, mas a minha penteadeira era verde claro. Foi ideia da mamãe, ela disse que combinava com meus olhos. Meu lençol de cama é de flores lilás e amarelas... nem me lembrava mais dele. Além dos travesseiros várias almofadas coloridas estavam sobre ela.
Olhei minha estante de livros, senti muita falta deles. Corri os olhos por minha penteadeira e pude ver que não tinha nada ali, vi apenas três reflexos de uma rosada chorosa e a maquiagem borrada, mas quem liga?! Aquilo tudo era um pedacinho de mim.
Cheguei perto da minha escrivaninha e tudo estava perfeitamente arrumado. Vários potinhos com canetas coloridas, hidrocores, lápis de cor e post-it. De vez em quando eu fazia umas artes, nada muito bom, mas era uma forma de desopilar a mente.
Levantei um pouco meu olhar e observei meu mural de fotos que ficava acima da minha escrivaninha. Notei os dois espaços vazios, que eram das fotos que estavam na minha caixinha de recordações de Konoha. Tinha foto minha com mamãe e papai, Sasuke, Itachi, Naruto, Hina, Ino-porca, Temari, Tenten... Nossa mergulhei fundo na nostalgia recordando todos aqueles momentos.
Mas nada chamou mais a minha atenção do que uma foto minha com Sasuke na nossa última passagem para o ano novo. Mesmo estando inverno no Japão Sasuke e eu, juntamente com nossos amigos viajamos até Suna para passar o reveillon na praia. Que loucura, eu sei, mas foi o melhor da minha vida. Brindamos com chocolate quente e nos entupimos de dangos, até Sasuke comeu um pouco de doce.... Naquele dia prometemos que nada nos afastaria um do outro e eu falhei miseravelmente.
Me torturar desse jeito está acabando comigo... eu preciso conversar com Sasuke, mas todo mundo pede que eu tenha paciência e calma. Tá muito difícil. Não ter pensando nele essa semana ou em como solucionar essa situação se acumulou e recaiu sobre mim como uma avalanche. Inferno!!!
Resolvi me sentar na minha antiga cama, mas no caminho até a mesma notei envelopes de carta sobre o meu criado mudo. Era a única coisa diferente no meu quarto, já que no criado mudo só fica o meu abajur lilás.
Rapidamente peguei os envelopes e sentei na minha antiga cama... Era estranho e ao mesmo tempo reconfortante. Notei que nos dois envelopes tinham coisas escritas e senti meu coração acelerar quando notei que a letra era da minha mãe.
“Quando você se formar” e “Quando o amor for a resposta” é o que está escrito em cada um dos envelopes... Fiquei indecisa em qual abrir primeiro. A última carta que li da minha mãe foi logo quando ela morreu. Ela me disse algumas palavras e me deu instruções sobre o que fazer com suas cinzas. Eu não imaginava que ela tinha deixado outras.
Nem me atrevo a perguntar porque meu pai nunca me contou, afinal eu não deixei que ele se aproximasse depois que saí daqui.
Decidi abrir primeiro a que se referia a minha formatura... já tinham se passado alguns anos, mas minha mãe deve ter imaginado que essa carta estaria na minha mão no dia. Enfim...
Pelo pouco que vi do conteúdo já senti meu peito apertar...
Minha Sakura,
O grande dia finalmente chegou, você não sabe o quanto eu estou contente por isso nem dá pra explicar o tamanho da minha felicidade. Eu sei que quando você ler esta carta eu não estarei mais presente fisicamente, mas pode ter certeza que eu estarei vendo este momento de onde eu estiver.
Quando você disse que queria fazer medicina eu fiquei muito orgulhosa, mas eu também tive um pouco de receio! Nossa profissão não é nada fácil, filha... Muita mais que dedicação é necessário vocação. Mas depois que eu reparei no brilho dos seus olhos toda vez que vínhamos ao hospital desde que você era pequenina acalmou meu coração. Você queria ser médica por escolha sua e sabe de uma coisa? Algo me diz que você será incrível!
Como eu tenho certeza? Simplesmente porque eu sou sua mãe e antes de te carregar na barriga você já existia no meu coração. Seu pai e eu sempre desejamos você, filha e quando você nasceu você se tornou meu mundo, portanto ninguém te conhece mais do que eu... Espero que seu pai não tenha ciúmes.
Filhota, neste dia feliz em que você se torna oficialmente médica eu desejo que daqui pra frente sua vida seja ainda mais feliz e repleta de realizações.
Nem tudo será fácil, garanto que na graduação você sentiu isso na pele. Dê o seu máximo, coloque alma naquilo que você faz e se algum dia você não se sentir plenamente realizada na escolha da sua profissão não hesite em olhar pra si mesma e descubra algo que te faça feliz.
Queria um dia poder trabalhar lado a lado com você, mas deixarei isso a cargo do seu pai. Cuide dele.
Bem-vinda querida médica.
Com amor,
Mamãe.
Senti meus olhos inundarem mais uma vez, como eu queria que ela estivese presente em minha formatura, me ajudasse a realizar alguns procedimentos, sanasse dúvidas de diagnósticos e estivesse ao meu lado no meu primeiro dia de trabalho como médica de fato. Mesmo isso não sendo possível ela deu seu seito singular de fazer isso.
Minha mãe é simplesmente incrível. Depois de tanto tempo e mesmo não estando mais presente ainda pensa em mim e me direciona conselhos. Realmente, ela me conhecia mais do que qualquer um...
Enxuguei as lágrimas e me preparei psicologicamente pra outra carta que ela tinha deixado. Coragem, Sakura!!
Minha flor,
Sabe filha, não sei porque, mas me deu uma vontade de escrever essa carta pra você... Quando o amor for a resposta... Você sempre foi tão apegada a mim filha e eu fico com tanto medo de partir e te deixar.
Acredite, se eu pudesse eu não te abandonaria jamais, mas isso não me compete. E só quero que você saiba que eu te amo de forma incondicional. Não sei explicar é mais forte do que eu, talvez um dia você saiba disso.
Essa carta é mais um conselho... Amor é a resposta.
Sim Sakura, amor! Coloque amor em tudo que você fizer na sua vida... Até se um dia você quiser chorar. Ame sua vida, seu pai e eu, seus amigos, sua profissão, o Sasuke e a você mesma. A gente não é capaz de amar alguém quando não amamos a nós mesmos.
Quando as coisas ficarem difíceis, ame!
Agora lembre-se... o amor é paciente, pra que ele floresça é necessário ser regado e cuidado.
Te amo mais do que cabe em meu peito...
Com amor,
Mamãe.
Caralho... que carta foi essa... como que minha mãe sabe dessas coisas?! E como meu pai soube que era o momento ideal de me entregar essas cartas, será que ele leu?
Eu estava surpresa e ao mesmo tempo tentando controlar as emoções que ousavam transbordar pelos meus olhos. Minha mãe é simplesmente fantástica.
Fiquei refletindo suas palavras e querendo o não acabei levando em consideração o que ela disse sobre o amor e involuntariamente coloquei a minha situação com Sasuke na balança.
Estava praticamente tudo resolvido aqui em Konoha... Eu estou quase de volta, meu pai e eu estamos muito bem, meus amigos estão de volta a minha vida, tenho um emprego, ganhei dois afilhados... mas Sasuke e eu está mais incerto que tudo.
Ele está magoado, chateado e confuso por tudo que aconteceu desde o casamento de Hinata e Naruto...
— Caralho – bradei – Hinata e Naruto!!! — me desesperei lembrando que tinha de buscá-los no aeroporto.
Meu Deus, como eu pude esquecer???????
Olhei no relógio e vi que já eram cinco em ponto, o avião com meus amigo pousa em meia hora. Levantei num rompante e fui mais uma vez me olhar no espelho... A maquiagem toda borra e a cara inchada pelo choro. Não há muito o que fazer.
Fui até banheiro do meu quarto, mas nem deu tempo de bater a nostalgia por esse “reencontro”. Lavei meu rosto tentando melhorar o aspecto que estava. Saí do banheiro, peguei as cartas no quarto e desci pra pegar minha bolsa que eu havia deixado na sala.
Aproveitei o espelho da sala e passei um corretivo básico pra tentar esconder essa cara de choro. Passei uma máscara e pra abandonar de vez aquela cara deprê passei o batom vermelho que Haku me indicou.
Peguei meu celular e vi uma mensagem de Hina de 3 horas atrás dizendo que ela tinha acabado de pousar em Tóquio e que logo embarcava pra Konoha.
Coloquei as cartas, a maquiagem e o celular na bolsa e fui correndo em direção ao carro.
Cheguei ao aeroporto poucos minutos antes do avião de Naruto e Hina pousar. Passei a mão na roupa numa tentativa falha de tirar o amassado e fui em direção ao desembarque.
Não demorou muito e uma cabeleira loira e outra azulada se fizeram presentes acompanhado de um carrinho com malas grandes. Eles estavam radiantes e bronzeados...
— SAKURA-CHAN!!!! – lógico que foi Naruto quem gritou.
Quando eu fui levantar a mão pra acenar notei que um pouco atrás de Naruto vinha um moreno que eu conhecia bem. Ele estava de cabeça baixa, no mínimo com vergonha do amigo, mas depois de Naruto gritar meu nome orbes negras olharam surpresos pra mim.
Pode parecer até mentira, mas não é... Tá mais pra piada do destino. Sasuke estava ali, bem perto e ao mesmo tempo distante.... Sua expressão facial era indecifrável, mas isso não impediu do meu peito se aquecer e meu coração saltitar. Não consegui evitar de sorrir.
Meu coração ficou ainda mais incontrolável quando eu notei que ele deu aquele sorriso de canto -que eu sempre fui apaixonada- pra mim como resposta.
Quem eu quero enganar?! Eu amo esse Uchiha teimoso.
Instantaneamente as palavras da minha mãe se fizeram presente... o amor é paciente, pra que ele floresça é necessário ser regado e cuidado.
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