Daylight
26 Será?
Notas iniciais
Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Escrever uma carta definitiva
Que não dê alternativa
Prá quem lê
Te chamar de carta fora do baralho
Descartar, embaralhar você
E fazer você voltar
Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais
(Perfeita Simetria — Engenheiros do Hawaii)
Por Sasuke
Finalmente sexta-feira!!! Essa semana em Tóquio passou mais demorado que disco de vinil na vitrola. Não é que eu não goste daqui, mas recall dá um trabalho enorme e provavelmente eu terei que voltar de novo... Tô pensando seriamente em delegar essa função pra Anko.
Essa semana pelo menos serviu pra que eu não pensasse tanto em Sakura. Me atolei de trabalho até onde deu, mas na hora de dormir tudo vem na sua cabeça... é incrível esse dom do nosso cérebro. As imagens dela com aquele ruivo se mesclavam na minha mente juntamente com a mágoa que eu tinha dela. Tem coisas que são inevitáveis... Pra mim ainda é um pouco – muito – difícil lidar com esse abandono. E meu pai, meu irmão, a implicância do minha mãe só deixava tudo pior.
Mas eu também não podia negar que ela mexia comigo mais do que deveria... que tê-la visto acendeu algo dentro de mim. Ela estava diferente, mas eu ainda conseguia ver pequenos vestígios daquela antiga Sakura e é isso que me assusta e ao mesmo tempo me instiga. Embora, eu saiba bem lá no fundo que o meu maior medo é ser abandonado de novo...
Rapidamente Itachi e Izumi vieram na minha cabeça, tudo bem que a história deles é um pouco diferente, mas querendo ou não eles passaram por várias coisas pra ficarem juntos. Ela até se casou com outra pessoa, mas meu irmão se manteve firme do jeito dele. O fato é que meu irmão é bem diferente de mim e eu entendo que ele fique insistindo pra que eu me resolva com Sakura, mas é que de fato existe uma lacuna de nove anos entre nós dois.
Se eu a amo? Amo... é duro admitir pra alguém como eu depois de tudo. Na verdade eu nunca deixei de amar. Troquei apenas o verbo de amar pra odiar. Parece pesado, mas eu sou um ser humano e estou suscetível a isso.
Quando Sakura apareceu na minha frente eu fiquei tão confuso e abalado. Não consegui organizar nada na minha cabeça confusa e depois os acontecimentos seguintes só serviram pra piorar ainda mais. Eu queria questioná-la por tudo aquilo, mas eu só fiquei paralisado que nem um poste.
Haruno Sakura – Função: desestabilizar Uchiha Sasuke desde sempre.
Fiz essa nota mental que eu JAMAIS admitiria isso em voz alta pra alguém. Muito menos pra um certo ser humano cor de rosa. Agora eu já me encontrava no avião e só estávamos esperando alguns passageiros que viriam de outro voo pra fazer conexão até Konoha. E só de pensar que ela estará lá...
— MAS HINA-CHAN, EU QUERIA FICAR NA JANELA – opa, eu conheço essa voz... Deus só pode tá de sacanagem com minha cara – QUERO SABER QUEM FOI O BAKA QUE PEGOU MINHA JANELA.
Sim era ele mesmo, o ser humano mais escandaloso do mundo Uzumaki Naruto! Nem em um ambiente fechado essa peste consegue ser discreta. Discrição não é uma palavra que exista no vocabulário do meu amigo.
E qual a chance dele sentar ao meu lado? 1 milhão em 1, porque pra Naruto absolutamente nada é impossível. Mereço!!!
— AI HINA-CHAN, NÃO ME BELISCA – gritou Naruto mais uma vez.
— Se- você- não – parar – de – gritar- é – exatamente – isso – que – eu – vou – fazer – de – novo. — Sussurrou Hinata entredentes, mas eu consegui ouvi. A careta que ela fazia era de assustar qualquer um, mas assim que notou minha presença sorriu... Deus é mais, que povo bipolar – Sasuke-kun, você por aqui?
— SASUKE, CADÊ? ONDE ELE TÁ? — mas será possível que Naruto não me enxergou.-
— Bem na sua frente, Dobe – falei- Olá, Hinata.
— ENTÃO FOI VOCÊ QUE ROBOU MEU LUGAR NA JANELA?
— Naruto, menos bem menos – falei me segurando pra não rir – Ninguém manda você ser lerdo, perdeu a janela.
— POXA SASUKEEEEEEEEEEE – birrento como uma criança de cinco anos – DEIXA EU SENTAR NA JANELA, POR FAVOR? — uniu as mãos e fez uma cara de cachorro que caiu da mudança. Não me convenceu por pouco.
— Não – respondi sorrindo pra pirraçar – Só cedo o lugar na janela pra Hinata... Você quer sentar na janela Hina?
— Não, Sasuke-kun. Tenho pavor de sentar na janela. — ela disse sorrindo de forma gentil. Aquele jeito Hinata de ser.
— Portanto, continuo aqui. — falei vitorioso pra Naruto – Senta logo aí dobe e para de gritar.
— Chato – bradou o loiro, só que dessa vez um pouco mais baixo
Naruto se sentou ao meu lado e com certeza vai torrar a minha paciência durante todo o trajeto. Hinata se sentou na ponta e antes do avião decolar ela pegou no sono... O dobe disse que é por conta da gravidez e que a viagem de Sidney até Tóquio é bem cansativa. Mais de 10 horas de voo.
O silêncio não durou mais que cinco minutos e Naruto já veio logo conversar comigo, mas eu até que sinto falta desse baka.
— Então Sasuke, o que você estava fazendo em Tóquio? — indagou o loiro curioso.
— Um recall – ele fez cara de que não entendeu porra nenhuma. Típico dele. — O lote de um dos modelos do carro da fábrica veio com defeito em uma peça. Essa semana foi realizado o reparo em Tóquio e outras cidades do Japão.
— Ah, sim. Entendi.- já não era sem tempo, quase que eu tenho que desenhar – Mas então, como você tá?
— O que exatamente você quer saber? — Naruto pode parecer meio lerdo, mas não é burro.
— O que eu te perguntei, baka... como você tá?
— Eu tô bem, dobe.
— Por que você complica tudo, hein? — Ele me repreendeu, eu sabia ao que ele se referia, mas às vezes postergar é melhor. — Você sabe do que quero saber, vou ter que desenhar?
— Não sei não. — mereço o Oscar pelo cinismo na boa.
— Vai se foder, Sasuke. — ele falava um pouco mais baixo, porque Hinata dormia que nem pedra – Por mais que eu esteja puto minha curiosidade é maior – jura? Nem notei – Como você tá lidando com a chegada de Sakura?
Boa pergunta... Nem eu sei disso. Tentava buscar respostas agora há pouco. Me sinto numa roda gigante de emoções e eu odeio roda gigante.
— Tá tudo muito confuso ainda – confessei, Naruto é meu amigo e me conhece como meu irmão. Melhor não mentir – Ás vezes eu prefiro me afastar em outras eu tenho vontade de dizer um monte de coisas pra ela. Eu tentei ignorá-la, mas eu falhei miseravelmente. — acabei falando demais, ótimo.
— Como assim, Sasuke? Vocês se viram depois do casamento?
— Eu preferia realmente conversar sobre isso numa mesa de bar.
— Não seja por isso – disse Naruto e logo depois chamou uma aeromoça. Ele pediu uma dose de sakê pra cada um. Não é que o cara de vez em quando é esperto?
Não sei quanto tempo levou, mas o sakê logo chegou pra nós dois. Tomei a dose de uma vez e percebi que Naruto me analisava... Merda!
— Você já bebeu agora fala. — tava ácido ele hoje, nem parece que transou loucamente na sua lua de mel.
— Cara, pra que isso? Brochou na lua de mel, foi? — sorri amarelo.
— Não, eu não brochei e você pare de fugir do assunto. — disse sério – Eu posso ser lerdo, mas não sou burro.
— Não sei se posso concordar com você – brinquei.
— Sasuke – ele disse entredentes – Fala!
— Tudo bem – me dei por vencido, não tinha como fugir afinal. Estávamos num avião a não sei a quantos mil pés... era falar ou matar Naruto. Embora a segunda opção seja tentadora tem uma criança vindo por aí e ela não poderia ficar sem pai
— Aconteceram coisas... — disse como não quer nada.
— Defina coisas e para de enrolar, Sasuke.
— Bem, nós dois bebemos além da conta no seu casamento – engoli em seco vendo o sorriso malicioso brotar no rosto do dobe – No fim da festa eu decidi conversar com ela, o que foi uma péssima ideia.
— E?
— E deu merda e a gente acabou transando.
— O QUE? — os olhos e a boca de Naruto estavam arregalados. Ótimo, já posso morrer.
— Fala baixo, caralho. — bradei – Quer acordar Hinata? Ou por acaso quer que todo mundo do avião saiba da minha vida pessoal?
— Desculpa... — ele coçou a nuca sem graça – Mas é que eu não esperava por isso, pelo contrário... Eu pensei que vocês fossem se matar.- sorrio amarelo – Isso é mesmo verdade?
— É dobe, infelizmente – ou não – É verdade!
O puto começou a gargalhar, esse sacana ria da minha desgraça sem o mínimo de consideração. Olhei feio pra ele que percebeu e tentou se controlar.
— Desculpa, teme – suspirou – Mas eu nunca imaginei que isso fosse acontecer, sério.
— Eu também achei que não, mas aconteceu – disse emburrado.
— Pra quem transou você deveria está mais leve ou isso tudo é abstinência da Saky?
— Baka... Não é nada disso. Só não era pra ter acontecido, não depois de tudo o que ela fez.
— E você vai ficar remoendo isso até quando, Sasuke?
— É fácil pra você falar... Não foi Hinata que sumiu da sua vida.
Depois disso que eu falei ele simplesmente emudeceu e eu quase vi fumaça saindo da sua cabeça. Naruto parecia analisar a situação e abria e fechava a boca diversas vezes como se não soubesse o que falar.
Falar é fácil, mas ninguém quer se colocar em meu lugar.
— Sasuke? — Naruto me chamou e eu o encarei – Posso ser sincero com você? — senti um frio percorrer minha espinha.
— Pode – fui na cara e na coragem.
— Se fosse a Hinata que tivesse partido como Sakura fez eu teria ido atrás dela. — eu ia abrir a boca mas ele não deixou – Mesmo que ela não quisesse a minha presença, ou não quisesse me ver eu iria atrás dela.... Eu não conheci meus pais direito, mas Iruka-san supriu toda falta que eles fizeram e eu não quero nem imaginar o que seria se eu o perdesse como Sakura perdeu a mãe, eu ficaria transtornado.
— Mas Naruto, você sabe mais do que ninguém da nossa última conversa, da carta que ela deixou pro pai e ainda fugiu no dia seguinte. Ela cortou laços com todos, não só comigo.
— Eu sei disso, mas entenda aonde eu quero chegar – tá complicado se ele só defende ela – Sakura, lidava com coisas demais naquele ano. Doença e morte da mãe, pressão do pai... Você sempre soube que Saky sempre guardou tudo pra ela, toda frustração, toda dor, toda dúvida e todo tipo de sentimento que ela pudesse ter.
“Quando a mãe dela morreu não deu pra ela segurar, foi o estopim pra ela explodir. Saky achou que indo embora a dor fosse sumir, mas a dor sempre vem a nosso encontro, Sasuke. Ela nos segue e será sempre assim quando não conseguimos lidar com ela”.
“Outra coisa, a carta que Saky deixou nunca foi pra você, foi para o pai dela. Você acabou tomando uma dor que não era sua, uma interpretação que não foi pra você e no fim das contas quem foi atrás dela? Kizashi-san”
Eu tentava assimilar as coisas na minha cabeça e por mais que Naruto esteja sendo o mais explicativo possível os sentimentos se misturam e só deixa tudo mais confuso. Ele sabia das dúvidas em minha cabeça e esperou um pouco mais pra prosseguir.
— Você escolheu ficar inerte, Sasuke. — foi duro de ouvir isso, uma vez que o abandonado fui eu – Não me entenda mal, não estou te julgando. Mas você preferiu se calar e guardar tudo pra si. Você ficou triste, puto, com raiva, com ódio e colocou uma pedra nisso. Tentou apagar Sakura da sua vida como se ela não tivesse existido... mas no fundo você sempre esperou que ela voltasse pra que você pudesse despejar tudo o que você queria dizer depois que ela foi embora.
— Eu não esperei que ela voltasse... eu nunca esperei por isso.
— Você pode mentir pra quem quiser, mas não pra mim. — ele sorriu de forma gentil. — Você sabe, que eu sei que você poderia ter ido fazer seu mestrado assim que terminou sua faculdade. Mas você preferiu ficar... Me responda com sinceridade, porque eu sei quando você mente. Você tinha esperanças que ela voltasse, não é mesmo? Apesar da raiva e tudo o que você sentia... Você não foi antes por isso...
— Não sei.... Talvez – e era, no fundo eu sabia que era.
— Quando você decidiu viajar...
— Eu já tinha perdido as esperanças – sussurrei complementando a frase dele. Não queria, mas ele ouviu.
— Eu sabia... e por que você nunca foi atrás dela? Nem pra dizer todas as verdades que você queria ter dito
— Naruto, ela que foi embora... Meu orgulho fica onde nisso?
— E seu orgulho te levou em que lugar? — puta que pariu por que Naruto tem que ser inteligente na hora errada? — E o orgulho dela? Vocês dois ficam nesse impasse e não se resolvem. Eu sei que você tem sentimentos por ela e ela tem sentimentos por você.
— Não é tão simples assim...
— Claro que não, vocês são duas mulas empacadas que complicam tudo.
— Obrigado pela parte que me toca.
— Tô falando sério Sasuke...
— A transa não foi tudo o que rolou... — se era pra levar esporro melhor falar tudo de uma vez.
— Ainda tem mais? — Naruto disse incrédulo – Me conta, temos tempo.
— Na manhã seguinte eu acordei me sentindo horrível... me arrependi por ter sido tão fraco e depois de tudo ter dormido com ela. — suspirei – Falei pra ela que isso nunca mais iria acontecer e que eu não queria ela de volta na minha vida.
— Bom... muito bom – eu o encarei incrédulo – O que foi? Você colocou pra fora cara, melhor do que se entupir de ressentimento, mas o que foi que ela te disse?
— Nada.
— Nada?! Essa não é Saky que eu conheço.
— Eu não deixei que ela me dissesse nada... depois de despejar aquilo tudo eu fui embora.
— Você o que?
— Fui embora.
— Agora sim eu te acho um idiota... Você e Sakura precisam de um diálogo, animal e não um monólogo – Naruto sabe o que é um monólogo? Isso realmente é novidade. — Aconteceu mais alguma coisa ou já posso te bater?
— Baka... aconteceu – é melhor contar, afinal ela é amiga dele também e vai contar tudo na versão dela, melhor que eu fale primeiro – No dia seguinte a gente se encontrou no Byakugan e eu acabei ignorando ela na frente dos nossos amigos...
— Você o que?
— Isso mesmo que você ouviu... Eu tava morrendo de raiva, tinha sonhado com ela no dia e ainda estava ressentido pelo que a gente fez no dia do seu casamento.
— Ah claro, não se esqueça de que você também resolveu visitar o jardim de infância e se comportar como as crianças de lá. Você é realmente um baka mesmo. Seu teme filho da mãe.
— Falando em mãe, tem mais coisas?
— Ah vá pra casa do caralho, vocês transaram de novo?
— Minha mãe passou mal nesse mesmo dia... só que mais tarde logo depois d'eu ter ignorado ela no restaurante.
— E o que Sakura tem a ver com isso?
— Itachi teve a brilhante ideia de chamá-la pra atender minha mãe.
— Caralho... isso é sério?
— Seríssimo... Sakura acabou ficando la em casa de sábado pra domingo. Minha mãe teve que ficar no soro.
— Foi grave assim? — indagou o dobe preocupado.
— Calma, baka. Ela tá bem agora.
— Graças a Saky.
— Sim... graças a ela.
— Saky cuidando da sogrinha – ele riu malicioso.
— Minha mãe não quer ver Sakura nem pintada de ouro... Fez birra o atendimento inteiro, parecia uma criança.
— Agora eu vejo quem você puxou.
— Baka – ralhei.
— Tia Mikoto ainda não perdoou a Sakura-chan?
— Não... ela até queria que eu ficasse longe dela, mas eu não posso fazer isso.
— Você não pode ou você não quer?
— Senhoras e Senhores passageiros aqui quem fala é o comandante Masashi Kishimoto, gostaria de informar que recebemos permissão para pousar em Konoha. Dentro de instantes estaremos pousando no Aeroporto Internacional Sarutobi Hiruzen, portanto afivelem os cintos e desliguem todos os aparelhos eletrônicos. Um bom fim de tarde a todos.
— Você ainda não respondeu, Teme.
— Acho que você já sabe a resposta.
— Sei sim... — ele sorriu presunçoso.
Não conversamos mais nada um com o outro... ele foi acordar Hinata que dormiu durante todo o trajeto. E acabei não contando sobre o ruivo que Sakura estava abraçada, mas aí eu daria muito sinal de que me importo ou ele pode pensar que eu estou com ciúme... o que não é verdade.
O avião finalmente pousou e nós três fomos os últimos a sair, eu fui juntamente com meus amigos buscar a pequena mala que tinha levado a Tóquio. Ao contrário dos dois que levaram malas gigantescas pra Sidney.
— Sasuke, seu irmão vem te buscar? — indagou Naruto.
— Não,vou pra casa de táxi – respondi, mas Naruto já estava a minha frente.
— Te damos carona, então Sasuke – falou docemente Hinata.
— Quem vem buscar vocês? — perguntei, mas Hinata não conseguiu me responder porque um loiro escandaloso começou a gritar.
— SAKURA-CHAN – lógico que seria ela, por que eu ainda pergunto mesmo?
Ela estava bem ali na minha frente, linda como sempre e com aquele maldito batom vermelho na boca. Ela me olhava de forma surpresa, mas feliz... involuntariamente acabei sorrindo. Foi um sorriso discreto, espero que ela não tenha percebido.
Notei que ela estava arrumada demais pra quem estava de férias. Usava uma roupa toda branca e sapatos bege. A saia com a cintura alta modelava todo seu corpo de uma forma convidativa e sua blusa de mangas possuía um pequeno decote em formato de gota... Ela estava divina, tudo nela chamava a atenção.
Não tinha ruivo, abandono, raiva, mágoa ou qualquer tipo de racionalidade junto dela. Meu corpo reagia de forma involuntária... Eu sentia falta dela, isso é um fato inegável, mas bem lá no fundo eu sabia que não conseguiria passar por cima de tudo. Talvez Naruto tivesse razão, eu e Sakura precisamos de um diálogo e não um monólogo.
Mas até que ponto eu estava pronto pra essa conversa?
Aqui e agora eu não sei responder, mas de forma infantil eu não poderia tratá-la mais uma vez. Sakura voltou e isso é um fato que eu não posso negar, então eu preciso aprender a lidar com isso.
— Saky, que saudade que eu tava de você – falou Hinata e logo abraçou a rosada. — Amiga, você não tem noção de como Sidney é maravilhosa.
— Eu também estava morrendo de saudades, Hina e posso imaginar pelo bronzeado de vocês como lá é maravilhoso – Sakura falava sorrindo e eu parecia um telespectador meio abestalhado.
— Amor, nem é tão maravilhoso assim – reclamou Naruto – Saky, você acredita que P. Sherman, 42 wallaby way não existe? É tudo uma farsa da Disney, acabou com a minha infância... Procurando Nemo nunca mais será o mesmo.
— Naruto, melhore – Sakura disse – Senti sua falta, baka.
— Eu também senti sua falta Sakura-chan, mas não faça valer menos a minha dor. — Naruto é mesmo uma criança
— Naruto, você já é um homem... Se comporte como tal – sacaneei com ele que sussurrou de volta “olha só o adulto que tá falando” e Sakura passou a me fitar. — Oi Sakura – disse sem graça.
— Oi Sasuke – ela sorriu... merda – Então, vamos?
— Gente, tive uma ideia – anunciou Hinata e eu já fiquei preocupado – Por que Sasuke não vai até nossa casa e fazemos uma pequena reunião entre amigos? Ele vai de carona com a gente mesmo.
— Não precisa, Hinata – falei numa tentativa rápida de fuga – Eu vou de táxi, além do mais eu tenho um jantar em família hoje às 8 que não posso faltar. — de fato esse jantar é verdade, Itachi pediu que eu não faltasse porque ele iria anunciar algo pra família, provavelmente tinha algo a ver com Izumi
— Mas ainda nem são 6 horas – disse Hinata de um jeito fofo, Naruto pode cair nessa lábia, mas eu não – Vamos Sasuke, antes das 8 Naruto te deixa em casa não é amor? — Hinata deu uma cotovelada no dobe.
— Hã? — Hinata olhou feio pra ele – Ah sim, claro Sasuke, te deixo em casa antes das 8.
Sakura me olhava com expectativa e eu sabia que nossos amigos tinham a intenção de aproximar nós dois e eles nem se quer tentavam disfarçar... Vamos jogar o jogo deles, então.
— Certo, mas às 8 eu preciso está em casa – disse por fim e notei que Sakura ficou contente.
— Então agora podemos ir – disse Hinata muito animada pra quem dormia até pouco tempo.
Seguimos em silêncio em direção ao carro. Ninguém se ousava a dar um pio... Depois do casal 20 arrumar as malas no carro, Naruto me obrigou a ir na frente com Sakura.
Eu tentava, mas meu olho é mais teimoso que eu e toda vez eu olhava pra Sakura, devo deixar claro que de forma involuntária. No carro até a casa de Naruto e Hinata ninguém também falou nada o único barulho ouvido era o da música já que o som do carro estava ligado.
Chegando na casa de Naruto eu o ajudei levando as malas ao quarto deles no andar de cima. Mas é claro que o dobe rompeu com o silêncio.
— Teme, você nem disfarça quando olhar pra Sakura-chan.
— Mentira sua, não fiz nada.
— Me engana que eu gosto, teme — eu mostrei o dedo do meio pra ele – Você pensou na conversa que tivemos no avião?
— Não paro de pensar nisso, mas é que toda vez acontece alguma coisa e eu fico cara a cara com ela.
— Talvez seja o destino dando uma oportunidade a vocês de conversarem .
— Mas eu preciso analisar as coisas, Naruto. Não é assim tão simples, junto de Sakura minha racionalidade vai pra casa da puta que pariu... Tá tudo muito confuso.
— Eu sei cara – ele disse tocando de leve em meu ombro – Mas você precisa enfrentar isso uma hora ou outra, mas hoje vamos só beber como velhos amigos. Veja com seus próprios olhos a Sakura de agora sem a pressão de ter que andar de braços dados até um altar.
— Vou tentar – disse dando de ombros.
Descemos e fomos em direção a cozinha. As meninas estavam na cozinha separando uns petiscos e reparei que Sakura cortava uns tomates, só que ela mais comia que cortava. Sakura nunca gostou de tomates... achei estranho e a curiosidade foi mais forte que eu.
— Você comendo tomates? — perguntei e ela me olhou surpresa. Nenhuma das duas tinham notado a nossa presença, o que foi um milagre já que Naruto sempre grita. — Você nunca foi muito fã.
— Deu vontade – ela sorriu. Se concentra, Sasuke. — Quer?
— Quero sim – falei já metendo a mão nos pedaços de tomate... ah qual é? Tomate é vida.
— Saky, você está tão linda – falou Hinata e eu tinha que concordar com ela – Tudo isso foi pra nos receber?
— Também – ela hesitou e senti que ela ficou meio receosa – Mas é que mais cedo eu estava trabalhando.
Como assim trabalhando? Em Konoha? Ela não tá de férias?
— Trabalhando? — indagou Naruto e eu fiquei feliz por ele ter comentado – Você não tá de férias?
— Eu tô de férias, mas eu resolvi dar uma força pra meu pai no hospital enquanto eu estiver aqui em Konoha.
Senti meu peito apertar... então ela iria embora de novo, mas espera aí... Eu me importo? Céus, como eu estou bipolar!!!
Ninguém se ousou a fazer a pergunta se ela iria retornar a Tóquio ou não... Se Naruto e Hinata que estavam mais próximo dela não perguntaram, quem sou eu na fila do pão como diz Itachi.
Agora já estávamos na sala da casa do dobe, apenas eu e ele bebíamos. Hinata não podia beber por conta da gravidez e Sakura resolveu acompanhar a amiga... Conversávamos sobre as nossas peripécias da infância. Naruto, Sakura e eu tínhamos muitas histórias engraçadas pra contar.
— Lembra daquela vez Teme em que eu grampeei sua mão?
— Lógico que lembro seu baka, fiquei com a mão fodida por dias – falei nostálgico – Minha mãe queria te matar.
— Aquele dia foi realmente engraçado – Sakura disse – Foi a primeira vez que a gente viu Sasuke chorando.
— Tinham grampeado minha mão, o que você queria? — falei fingindo falsa indignação pra ela.
— Teme, entenda a Sakura-chan... Você sempre foi tão sério e posudo a macho alfa que a gente nem acreditou.
— É verdade – disse Sakura rindo – Ver você chorar foi mais assustador que olhar sua mão melada de sangue. — ela e Naruto caíram na gargalhada.
— Tadinho do Sasuke-kun, como vocês eram malvados com ele – Hinata saiu em minha defesa.
— Obrigada, Hinata. Pelo menos alguém intercede por mim.
— Tão dramático – Sakura disse e eu olhei incrédulo pra ela.
— Vou grampear sua mão pra você vê como é bom.
— Não Sasuke-kun... não seja tão mau comigo. — Sakura fez uma falsa voz de donzela indefesa e todos caíram na risada.
Conversamos mais um pouco, mas já tinha dado a minha hora e eu tinha que ir pra casa. Meus pais e meu irmão me aguardavam. Eles sabiam que eu estava na casa de Naruto porque eu tinha avisado mais cedo que tinha encontrado ele e Hinata no voo de volta pra Konoha e que eu viria pra casa dele jogar conversa fora.
Notei que Naruto estava mais pra lá de Bagdá de tão bêbado. Esse dobe sempre foi fraco pra bebida, tá pensando que sakê é água... Se ferrou e eu também já que perdi minha carona. Melhor pedir um táxi
— Gente, o papo está muito bom, mas eu preciso ir. Já deu meu horário. — avisei.
— Deixa eu que te levo, Teme.
— Nem pensar, dobe. Você tá trocando as pernas, eu quero chegar vivo em casa e sua mulher, por pior que você seja, também te quer vivo.
— Mas teme, eu prometi que te levaria.
— Mas você tava sóbrio antes – Hinata falou – Nem pensar que eu vou deixar você sair desse jeito Naruto-kun!
— É dobe, vai tomar banho e dormir. Eu vou pedir um táxi e tá tudo certo.
— Não – falou Hinata apressada e eu não entendi – A Sakura-chan te leva, não é Saky?
— Ah... claro – disse Sakura meio sem graça – Eu te levo, Sasuke. Não precisa pedir táxi, aqui é pertinho da sua casa.
— Mas vai dar trabalho – eu disse tentando fugir dessa carona. Hinata queria o cargo de cupido do ano, certeza.- Você deve estar cansada, melhor eu pedi um táxi mesmo.
— Sasuke-kun, não tem necessidade disso. Eu te levo não tem problema.
— Tá vendo, Sasuke? A Saky disse que não tem problema – falou Hinata – Se você continuar teimando aí vai chegar atrasado no seu jantar em família.
Desde quando Hinata era mandona assim? Nem posso dizer que a culpa é de Sakura, visto que as duas não conviveram muito nos último anos... ou a influência de duas semanas já surtiria efeito?
— Tudo bem – disse derrotado – Não tem mesmo problema, Sakura?
— Nenhum... só se você tiver algum problema em aceitar minha carona – engoli em seco. Não podia parecer fraco na frente dela.
— Não tem, não. Só não queria dar trabalho – disse dando de ombros.
— Não é trabalhado nenhum – ela disse e depois sorriu.
Santo Cristo, não quero nem me imaginar no mesmo carro que ela. É rápido, Sasuke.... Coisa de no máximo 15 minutos.
Me despedi de Hinata, já que Naruto resolveu capotar no sofá mesmo, ou seja, uma hora dessa poderia ser eu e ele capotando no carro. E saí da casa de Naruto junto com Sakura em direção ao carro pra poder chegar na minha casa.
Mais uma vez estávamos em silêncio no carro, o único barulho audível vinha do som. Sakura parecia serena, mas eu notei como ela segurava com força o volante do carro. O clima ameno de minutos atrás tinha desaparecido...a gente riu, bebeu e conversou como no velhos tempos. É claro que Naruto e Hinata queriam quebrar o gelo da atual situação de nós dois... Mas ela voltou mais uma vez.
Será que uma vez melhores amigos, jamais melhores amigos? Será que nada podia se recuperar? Será que ela queria? Ou eu queria?
Eu estava tão imerso em meus pensamentos que demorei pra reconhecer a música que estava tocando. Era snow do Red Hot Chilli Peppers minha banda preferida! Sempre curti o som dos caras e meu irmão me levou a um show quando eu ainda era criança. Como eu passei os últimos anos nos EUA consegui ir em mais dois shows... Foi simplesmente foda.
Mas o que me chamou mais a atenção foi que uma certa rosada começou a cantar junto com Anthony Kiedis, que é o vocalista da banda.
— When it's killing me/Enquanto isto está me matando, When will I really see /Quando eu vou, de fato, perceber, All that I need to look inside/ Tudo o que preciso é para olhar pra dentro – Sakura cantava de forma suave e doce. Eu fiquei incrédulo numa imaginei que ela gostasse de Red Hot, uma vez que ela só ouvia comigo.
— The more I see the less I know /Quanto mais eu vejo, menos eu sei, The more I like to let it go... hey oh... Woooh/ Mais eu prefiro me esquecer... hey oh... Woooh – comecei a cantar junto e notei que ela sorriu. Nós dois cantamos juntos e ela aumentou o som.
— I said hey oh yeah oh yeah tell my love now, Hey yeah yeah oh yeah – cantamos juntos o fim da música e gargalhamos alto...
— Desde quando você curte Red Hot? — indaguei curioso.
— Você ouvia isso 24 horas por dia e me obrigava a ouvir junto – ela disse divertida – Por osmose, acabei gostando.
— Mentira – bradei fingindo falsa indignação – Confesse que você gostou por que quis e não porque eu obriguei a ouvir. Admita... não doi nada.
— Tá bom... Eu admito – bufou – Confesso que quando eu comprei o stadium arcadium pra te dar de presente de natal eu comprei um pra mim também.
— É sério? — quase berrei igual a Naruto.
— É sim, tenho ele até hoje...
— Eu também – acabei pensando alto. É claro que eu ainda tinha aquele CD, foi o último presente que Sakura me deu.
— Isso é sinal que você gostou do presente – ela disse pretensiosa. Mas é claro que eu tinha gostado, minha banda preferida.
— Gostei sim – admiti a contragosto – Mas acho que você só começou a gostar da banda por causa do Anthony... Certeza.
— Ah sim, ele contribuiu bastante – falou de forma divertida.
— Eu sabia – brinquei... era tão fácil ser Sasuke ao lado de Sakura – Geralmente as garotas preferem o baterista.
— Eu não sigo padrões, querido. — Bingo!
— Seu cabelo é a prova viva disso. — disse de forma provocativa e comecei a rir da cara que ela fez.
— Vai se foder, Sasuke – eu continuei a rir e ela ficou mais de cara fechada ainda, mas logo caiu na risada junto comigo. — Baka
— Doce como limão.
— Minha marca registrada – sorriu sapeca – Pronto, chegamos em sua casa. Você está entregue sã e salvo.
Só agora eu tinha me dado conta das coisas ao meu redor... A pequena viagem passou no pulo e eu já estava em frente a minha casa. Mas por que eu não me sentia feliz com isso?
— Obrigado. — disse menos empolgado. Sakura sorria e eu senti meu coração aquecer – Por que você é sempre assim?
— Assim como? — perguntou desentendida.
— Irritante... Sério Sakura, você é a pior das irritantes. — ela riu – Qual foi graça?
— Senti falta desse jeito “carinhoso” — ela fez o sinal de aspas com a mão – É realmente reconfortante.
— Só disse verdades. — hesitei — Bom, agora eu preciso ir. Mais uma vez obrigado pela carona.
— Não por isso. — ela sorria, mas eu podia senti-la tensa. — Sasuke?!
— Sim...
— Precisamos conversar... — ela disse receosa. Sinceramente eu não esperava que ela fosse direto ao ponto.
— Não posso – sussurrei.
— Como?
— Não posso... eu não tô pronto.
— Não tá pronto pra conversar comigo?
— Também... Mas não é só isso... eu ainda não tô pronto pra te perdoar. — falei de forma sincera. Aquilo tava me atormentado por dentro, mas eu estava mais mergulhado em dúvida do que tudo
Sakura se calou e eu também, afinal eu tinha acabado de despejar uma verdade pra ela. Eu notei que seus olhos encheram d'água e eu sabia que ela estava sendo forte o suficiente pra que elas não transbordassem dos seus olhos e eu precisava ser forte pra não me compadecer daquela cena.
Eu sei que pode parecer cruel, mas eu sei o que eu passei ao longo desses anos em que ela esteve longe... Eu tenho que concordar com Itachi e Naruto, eu remoí esse abandono até onde não podia mais e isso só me fez mal, mas a dor foi uma forma de me sustentar... era como guardar Sakura comigo... Se eu deixar essa dor sair o que vai sobrar?
— Tudo bem... — ela disse baixinho e depois suspirou como se buscasse coragem – Só queria te dizer que senti sua falta.
Aquilo me atingiu em cheio... porque eu também senti falta dela. Sentimos falta um do outro e não fizemos nada pra mudar essa realidade... Será que eu era tão culpado quanto ela? Eu era tão igual a Sakura?
— Eu vou entender se você não quiser mais falar comigo ou me ver – ela disse triste e vi uma lágrima escorrer de um de seus olhos – Você deixou bem claro isso pra mim, mas eu entendo perfeitamente... Eu realmente mereço depois de tudo.... — ela sussurrou essa última parte.
Ela merece?
Será?
— Sakura?! – a chamei e ela finalmente me encarou. — Eu falei tudo aquilo num momento de raiva, mas eu precisava dizer aquilo. — senti que ela ficou mais aliviada ao ouvir essas palavras – Eu fiquei surpreso com sua chegada repentina, em tudo que armaram pra que a gente não soubesse um do outro, enfim... eu achei que você não voltaria nunca, mas você tá aqui e tô feliz por isso. — Admiti, ela podia ler isso nos meus olhos se quisesse. Ela sorriu depois que disse isso. — Mas eu ainda não tô pronto.
— Tudo bem – ela disse conformada. — Mas eu tenho alguma chance... de voltar a ser sua amiga pelo menos? — eu assenti – Então eu esperarei o tempo que for preciso, mais nove anos se for necessário.
— Você é mesmo uma teimosa irritante.
— Obrigada, pelo elogio... Te dedico – me lançou uma piscadela.
— Agora eu prec...
Alguém bateu na janela do carro e para minha surpresa era meu irmão. Sakura prontamente abaixou o vidro.
— Ita-kun, o que você faz aqui? — Sakura perguntou.
— Eu que pergunto o que você faz aqui... Se você não se lembra essa é minha casa.
— Afff... todo cavalo. Só vim trazer seu irmão.
— Só veio trazer ou estavam fazendo algo mais? — meu irmão é mesmo um idiota. — Aproveitando o escurinho da noite numa rua deserta.
— Itachi, deixa de ser imbecil – falei já saindo do carro. — Sakura só me deu uma carona, nada demais.
— Aham... sei. Mas já que a rosinha tá aqui, não quer jantar conosco Saky?
— Não, Ita-kun... a mãe de vocês não quer ver minha cara por motivos óbvio, então é melhor evitar.
— E desde quando você tem medo de Dona Mikoto? — indagou Itachi. — Melhore, mulher. Eu preciso dar duas notícias importantes e garanto que você também é parte interessada nisso.
— Como que a Sakura pode ser parte interessada nisso? — perguntei curioso... o que aquele traste queria com ela?
— Melhora no ciúme, irmãozinho tolo – baka – Eu curto morenas! E Saky também é como uma irmã pra mim e contar logo a vocês dois me poupa de falar disso duas vezes. Então baixinha, vai jantar com a gente? A sobremesa pode ser o Sasuke se você quiser.
— Itachi, por favor – Sakura bradou com o rosto todo corado. — Posso correr o risco de não sair viva daí.
— Saky, meu irmão só vai te dar prazer e ninguém morre por isso.
— Eu tô falando da sua mãe, seu imbecil!
Ótimo, as duas crianças conversavam como se eu não estivesse aqui. Sakura tava com medo da minha mãe e meu irmão oferecia meu corpo nu como sobremesa.
— Dá pra parar vocês dois? — falei irritado – Não conversem como se eu não estivesse aqui.- os dois passaram a me encarar assustados – As notícias são tão importantes que Sakura não pode esperar?
— São sim – confirmou meu irmão.
— Então Sakura, você vai jantar com a gente ou não? — indaguei e ela ficou surpresa.
— Mas a mãe de vocês...
— Da nossa mãe, eu e meu irmãozinho tolo cuidamos. — Itachi e seus apelidos idiotas.
— Então tudo bem, eu vou.
— Aê irmãzinha ou será cunhadinha?
— Cala a boca Itachi! — Sakura e eu falamos juntos
— Tão combinadinhos... que fofo!
— Baka. — eu e Sakura falamos juntos de novo. Só que dessa vez todo mundo caiu na gargalhada.
Entramos em casa e demos de cara com meu pai e Izumi conversando no sofá da sala. Eles pareciam bem ternos e eu fiquei muito feliz por isso, finalmente meu irmão não precisará esconder seu amor de ninguém. Os dois estavam tão entretidos na conversa que nem notaram a nossa presença, até Itachi se manisfestar da sua forma sutil.
— Eu sei que o papo de vocês está muito bom, mas chegou quem faltava. — anunciou meu irmão. Percebi que Sakura ficou um pouco sem graça, talvez ela estivesse apreensiva por conta de Dona Mikoto... Compreensível eu diria. Mas não havia nem sinal dela na sala.
— Filho, até que enfim você chegou!! — falou meu pai levantando do sofá e me dando um abraço, logo depois voltou sua atenção a Sakura – Sakura, que surpresa boa você por aqui. Vai jantar com a gente?
— Oi tio – ela sorriu – Vou sim, Itachi me forçou praticamente. — ela disse enquanto abraçava meu pai.
— Mentira – ralhou meu irmão – Foi só oferecer Sasuke de sobremesa que ela não pensou duas vezes. — Não me segurei e dei tapa atrás da sua cabeça, esse traste é mesmo um baka. — Ai Sasuke, eu só falei a verdade.
— Itachi, meu filho você tem quantos anos? Ás vezes fico me perguntando onde errei na sua educação. — Foi só meu pai falar isso que todo mundo caiu na risada até mesmo Izumi.
— Isso mesmo, riam todos vocês – Itachi falou fingindo indignação – Isso não muda o fato de Sakura está aqui só pela sobremesa
— Amor, para com isso. Você está deixando os dois sem graça – até que enfim Izumi se manifestou pra controlar a criança que é o namorado dela.
— Isso mesmo, Izumi. Mostra quem manda nesse relacionamento – falei sacaneando com meu irmão, afinal eu já tinha até virado sobremesa.
— Ela não precisa disso, já que a última palavra é sempre minha – meu irmão falou todo sorridente olhando pra minha prima – Sim, senhora, não é amor?
— Bobo. — Izumi disse com um ar de apaixonada... até que dirigiu sua atenção pra mim. — Oi priminho, quanto tempo. — ela me deu um abraço apertado.
— Oi prima. — disse correspondendo ao seu abraço.
— Amor... — disse Itachi chamando a atenção de Izumi quando ela se desvencilhou do abraço – Essa rosinha aqui é a Sakura, vocês já se viram algumas vezes, mas quando eu comecei a tomar conta deles dois e do Naruto você já tinha ido morar em Suna.
— Ah, eu me lembro da Sakura. — Minha prima sorriu pra rosada – Nossa, como você está linda, Sakura. Na verdade você sempre foi, mas da última vez que te vi você era só uma menina e hoje eu me deparo com uma linda mulher.
— Obrigada, Izumi – Sakura disse meio sem jeito.
— Não precisa agradecer – Izumi sorriu – Será que eu posso dar um abraço na irmãzinha de Itachi?
— Claro que sim! — as duas então se abraçaram e eu achei realmente fofo.
Elas logo engataram numa conversa juntamente com meu pai e eu chamei meu irmão até a cozinha. Queria conversar com ele a sós
— Itachi, essa não é mais uma tentativa sua de me aproximar com Sakura não, né? — perguntei como quem não quer nada.
— E eu preciso fazer mais alguma coisa pra isso? — ele disse brincalhão – Já fiz o suficiente e vocês dois são bem grandinhos e também já tá na cara
— O que é que tá na cara?
— Que vocês vão se entender mais cedo ou mais tarde. — ele disse como se fosse lógico.
— Ela disse que a gente precisa conversar.
— Eu também acho, mas o que você disse a ela?
— Que... – hesitei — Eu não tava pronto ainda... nem pra conversar e nem pra perdoá-la.
— E ela?
— Me entendeu e disse que me esperaria.
— Sabia!!!! Essa é a Saky que eu conheço.
— Teimosa e irritante?!
— Sim, essa mesmo. — meu irmão tocou no meu ombro esquerdo. — Fico feliz por vocês dois.
— Isso não é nada, Itachi.
— Isso é um novo começo, irmãozinho tolo. — ela disse tocando a minha testa daquele jeito familiar.
— Mas é sério... por que você convidou a Sakura?
— Meu Deus... Esse seu ciúme não tem limites? — eu apenas revirei os olhos em resposta e ele bufou – Mas para matar essa sua curiosidade revestida de ciúme eu vou falar...você sabe que nossa mãe não sabe do meu envolvimento com Izumi. — apenas assenti confirmando – Vamos contar a ela hoje e eu não sei como ela vai reagir. E bom... não é só isso.
— Tem mais? — indaguei preocupado agora.
— Porra, você é foda. — meu irmão bradou. — Mas eu devo uma a você.
— Como assim?
— Papai me contou da conversa que vocês tiveram antes de você viajar!
— Puta que pariu – eu tinha me esquecido completamente. — Você deve tá querendo me matar por isso.
— Claro que não, seu baka. — meu irmão sorriu. — Se não fosse por você eu não sei o que seria do meu relacionamento com Izumi.
— Como assim?
— Ah Sasuke, você é muito lerdo mesmo. Coitada de Sakura com essa sua lerdeza.
— Vai se foder e fala logo porra.
— Calma nervosinho – suspirou – Enfim, quando fui encontrar com Izumi ontem, papai chegou logo depois no flat em que ela estava hospedada.
— Mentira!! — arregalei os olhos.
— Ainda bem que não... Nosso pai acabou falando da conversa que vocês dois tiveram e do puxão de orelha que você deu nele por essa proibição sem pé nem cabeça.
— E você não ficou bravo?
— Claro que não Sasuke – ele sorriu – Madara tinha ligado nessa mesma semana pra ele informando que a gente estava junto de novo e se não fosse sua conversa com ele eu não sei o que seria de mim e Izumi. Então, muito obrigado irmão. — Itachi me deu abraço.
— Não precisa agradecer... Quero que você seja feliz com a mulher que você ama.
— Mesmo assim, obrigado irmão. Eu quero o mesmo pra você. — ele me lançou uma piscadela.
— Itachi, não força a barra.
— Eu não citei nomes, você que pensou sozinho porque já sabe a resposta.
— Se você diz... mas me conta o resto que eu sei que tem mais...
— Izumi tá...
— Eu pensei que o jantar era em família... o que Sakura faz aqui? — ouvimos nossa mãe da cozinha e nos entreolhamos.
— Fodeu – falei – Vamos logo pra sala, antes que nossa mãe faça churrasco de Sakura.
— Uchiha Mikoto!- ralhou meu pai assim que chegamos na sala. Notei a cara de espanto de Izumi com a hostilidade que minha mãe tratou Sakura – Isso são modos de você tratar Sakura?
Logo me coloquei ao lado de Sakura. Senti que ela estava tensa, mas no semblante do seu rosto ela estava firme. Ela sempre foi durona e nem parece mais a mulher de pouco tempo atrás com medo de jantar por conta da minha mãe. É Dona Mikoto, vai ter que fazer muito melhor que isso.
— Mãe – falou meu irmão. — Já conversamos sobre isso e sim o jantar é em família. Sakura é como uma irmã pra mim, portanto ela é família.
— Se você diz, paciência. — minha mãe disse por fim. Mereço. — Vamos comer porque não vale a pena perder a fome por qualquer coisa.
— Mikoto, por favor. — meu pai disse olhando feio pra minha mãe e a seguindo até a mesa de jantar.
Eu vi Itachi balbuciar um “depois eu te explico” pra Izumi e a acompanhou até a mesa também. Olhei pra Sakura e notei que ela ainda estava mais tensa... No mínimo ela sabia que minha mãe não pararia por aí e lançaria “pérolas” durante o jantar.
— Desculpa pelo jeito da minha mãe. — falei pra ela que deu um sorriso mínimo.
— Culpa de Itachi, eu falei que era melhor não vim.
— E desde quando Haruno Sakura foge de uma boa briga? — brinquei e ela sorriu de novo.
— Pelo simples motivo de não querer brigar, ainda mais sendo sua mãe do outro lado.
— Então, simplesmente não ouça – falei sério dessa vez a encarando – Uma hora isso passa.
— Espero que sim, mas não é tão fácil.
— Pense que 5 pessoas dessa casa, contando com Izumi, 4 querem a sua presença... Pelas minhas contas você tá ganhando.
— Você quer a minha presença aqui? — ela disse com os olhos cheio de alegria. Merda, só agora me dei conta do que falei. Parabéns, Sasuke.
— Você prestou atenção nas contas, então acho que sabe a resposta. — admiti não admitindo. — Vamos jantar?
— Vamos sim. — ela sorriu e me seguiu até a mesa de jantar.
Por um milagre o jantar seguiu normal e sem troca de farpas de minha mãe com Sakura. Mas eu notei suas olhadas nada doce pra rosada, já que ela havia se sentado ao meu lado. Percebi que Itachi estava nervoso, fiquei me perguntando que horas ele contaria a nossa mãe sobre ele e Izumi. Mas acho que com fim do jantar ele vai falar agora.
— Família – anunciou Itachi e todas as atenções se voltaram a ele – Eu preciso dar uma notícia pra vocês.- ele olhou pra cada um de nós, mas seu olhar parou em nossa mãe.
— Fala logo, Itachi. Você tá me deixando nervosa. — falou minha mãe e eu senti a tensão aumentar.
— Mãe, Izumi e eu estamos juntos. — disparou meu irmão.
— Até que enfim – minha mãe levantou as mãos pra cima. — Pensei que vocês iriam ficar de safadeza e não iam se assumir.
— Tia, a senhora sabia? — perguntou Izumi incrédula, já que Itachi tava mais branco que papel e sem conseguir pronunciar uma palavra.
— Lógico que eu sabia... Eu sou mãe e conheço muito bem cada um dos meus filhos. — ela olhou pra Itachi e depois pra mim – Eles podem mentir o quanto quiser, mas eu sei a verdade. — simplesmente fodeu!!! — Só não sei porque vocês demoraram tanto pra se assumirem, já que desde que vocês eram adolescentes que eu sei.
— Você sabia, Mikoto? — indagou meu pai.
— Só sendo cego pra não enxergar, Fugaku. Cansei de ver Itachi indo pro quarto de hóspedes, na calada da noite, enquanto Izumi passava as férias em Konoha aqui em casa. — notei que Izumi ficou vermelha quando minha mãe falou isso. — Mas, então por que vocês nunca me disseram nada?
— Porque Madara e eu proibimos eles dois de namorarem, por serem primos. — revelou meu pai e minha mãe arqueou a sobrancelha.
— Eu não acredito que você e o quadrado do seu irmão, me perdoe Izumi querida, proibiram os dois de namorar por serem primos. — bufou – Isso é verdade Fugaku? — meu pai assentiu envergonhado – Agora eu entendo porque Madara ficava naquela agonia toda quando Izumi passava as férias em Konoha.
— Por que você nunca me contou que sabia, Mikoto?
— Ora essa, Fugaku. Porque você é pai e deveria enxergar também, mas pelo visto você sabia até demais e ainda se juntou com seu irmão pra proibir que esses dois namorassem. Durante um tempo, achei que só era fogo de adolescente, mas quando Izumi foi embora eu vi como Itachi ficou e soube que era sério, mas como ele nunca tinha contado nada achei melhor não me meter, mas se eu soubesse que era por conta da proibição de Fugaku e Madara eu tinha me metido. Como que você fez isso com seu próprio filho, Fugaku?
— Na época eu achava que era errado... você me conhece Mikoto eu nunca fui muito moderno pra essas coisas e acabei concordando com Madara. — meu pai falou meio perdido e arrependido.
Um silêncio sepulcral tomou conta daquela sala de jantar. Minha mãe encarava meu pai ou pelo menos tetava já que ele não conseguia sustentar seu olhar. Eu, Sakura, Itachi e Izumi ficávamos olhando uns pros outros sem saber o que fazer... seria cômico senão fosse real. Foram poucas vezes que eu vi meu pai sem fala diante de minha mãe.
— Que coisa mais ridícula essa sua proibição... Que falta de maturidade. — falou a suprassumo em maturidade Uchiha Mikoto.
— Mãe – interviu Itachi – Papai está do meu lado e de Izumi agora, assim como Sakura e Sasuke. — merda!!! Itachi é o rei de falar o que não deve. Eu vi a fúria nos olhos de minha mãe.
— Quer dizer que todo mundo aqui nessa sala já sabe que vocês dois estão juntos, menos eu? — minha fez questão de encarar Sakura nessa hora e eu notei que ela engoliu em seco.
— Tem pouco tempo que a Saky sabe – meu irmão tentou remendar a merda já feita, mas isso é impossível.
— Mikoto, se acalma. — meu pai tentou, mas ganhou um belo olhar de desaprovação.
— Fugaku, você e eu teremos uma conversinha. — vi meu pai engoli em seco e fiquei com vontade de rir da situação.
Mais uma vez o silêncio tomou conta daquela sala...
— Mãe, por favor... agora não é hora pra isso – disse Itachi – Izumi e eu precisa dar duas notícias a vocês.
— Fala Itachi, porque hoje eu não tô boa – eita caralho meu pai se fodeu muito hoje nesse espirito que minha mãe tá.
Itachi e Izumi se levantaram, se olharam e depois passaram a nos encarar. Meu irmão pigarreou e tirou uma caxinha preta de dentro do bolso.
— Morena minha, eu sei que você já respondeu a essa pergunta – Izumi estava incrédula porque sabia o que meu irmão ia fazer – Mas você merece uma plateia e isso foi o máximo de gente que consegui.
— Bobo...
— Por favor amor, não interrompa meu momento – ela sorriu e meu irmão também. Notei que Sakura observava a cena sem piscar. — Uchiha Izumi, você aceita esse moreno comediante, destrambelhado, sem noção e claro muito gostoso como seu legítimo esposo? — ele abriu a caxinha e o anel de ouro branco com um diamante apareceu... ele já tinha comprado esse anel a algum tempo e tinha me mandado a foto. Izumi arregalou os olhos surpresa e levou as mãos a boca.
— Santo cristo – minha mãe pronunciou — Meu filho vai casar...
— Izumi não aceitou ainda mãe – avisei – Ainda tá em tempo dela rever essa loucura – brinquei e Itachi queria voar no meu pescoço. Sakura me deu um tapa na cabeça reprovando o eu tinha acabado de dizer. — Ai...
— Muito bem, Saky. Mostra quem manda nessa relação aí – falou Itachi e eu revirei os olhos – Morena, tô esperando você responder...
— Mas é claro que eu aceito meu amor – depois disso Izumi se jogou nos braços do meu irmão.
Os dois se beijaram e nós quatro assistimos aquela cena. Meu irmão estava feliz e eu estava muito feliz por ele. Sakura estava emocionada, mas dessa vez ela não chorava. Minha mãe e meu pai estavam de mãos dadas foi como se a cena passada não tivesse acontecido. Os olhos de Dona Mikoto estavam cheio d´água.
— Bom, não é apenas isso que temos a anunciar – falou Izumi ainda abraçada a meu irmão.
— Ainda tem mais? — indagou minha mãe.
— Tem sim – disse Izumi – Você fala ou eu falo amor? — ela olhou pra meu irmão.
— Eu falo – respondeu meu irmão – Família, além do casamento do ano que eu e Izumi iremos proporcionar a Konoha – convencido do caralho – Tenho a honra de dizer que Izumi e eu seremos pais... Estamos grávidos. — ele disse com o maior sorriso do mundo e ganhou um selinho rápido de Izumi.
— Eu vou ser avó?
— Sim, mãe... A avó mais gatona de Konoha. — brincou meu irmão
— Santo Cristo, eu vou ser avó. — minha mãe colocou a mão sobre peito
— Eu vou ser avô? — indagou meu pai com uma cara de babão.
— Sim paizão ou melhor vozão – Itachi realmente não tem jeito.
— Isso merece champanhe – disse meu pai – Vamos comemorar – disse meu pai se levantando, mas em seguida ele parou se escorando na cadeira e logo caiu do chão desmaiado.
Sakura e eu levantamos assustados, minha mãe se levantou num pulo e ficou ao lado do meu pai desesperada.
— FUGAKU – gritou minha mãe tentando acordar meu pai sem resposta – SAKURA PELO AMOR DE DEUS, ACORDA MEU MARIDO.
Sakura rapidamente se abaixou ao lado de meu pai e passou a conferir sua pulsação.
— Sauske, levanta as pernas do seu pai agora! — fiz o que ela mandou – Itachi busque todos os travesseiros que você encontrar.- Itachi saiu correndo pro andar de cima – Tia Mikoto, vai ficar tudo bem. Izumi, se sente por favor. — Sakura tomou a rédea de toda a situação e passou a estimular meu pai pra que ele acordasse.
— Fugaku, pelo amor de Deus... acorda – minha mãe disse num sussurro.
Foi questão de segundos, mas pareceu uma eternidade até meu pai abrir os olhos.
— Graças a Deus você acordou, Fugaku – disse minha mãe aliviada. Meu pai olhava pra todos nós confuso.
No mesmo instante meu irmão desceu com os travesseiros em mão.
— Os travesseiros que você pediu Saky – anunciou ele.
— Ótimo – falou Sakura. — Itachi e Sasuke coloquem seu pai no sofá agora.
Prontamente meu irmão e eu carregamos meu pai até o sofá. Chegando lá Sakura pediu que eu levantasse as pernas dele mais uma vez e assim o fiz. Logo depois ela colocou os travesseiros deixando suas pernas altas.
— Preciso do meu esfigmomanômetro – disse Sakura – Vou no carro buscar.
— Que diabos é isso? — perguntou meu irmão.
— Mensurador de pressão. Sasuke, fique com sua mãe e seu pai. Itachi fiquei com Izumi... Volto rápido.
Sakura tirou os sapatos e saiu porta afora pra buscar o aparelho de pressão. Não demorou muito e ela já estava de volta, só que ela estava toda molhada, sinal de que estava chovendo. É muito comum chuva de verão em Konoha.
— O que foi que aconteceu? — meu pai sussurrou... Finalmente.
— O Senhor desmaiou, tio – disse Sakura já colocando o aparelho em seu braço. — O que o senhor está sentindo?
— Uma leve dor de cabeça – disse meu pai.
— Só isso mesmo? — indagou Sakura.
— Fale a verdade, Fugaku – ralhou minha mãe.
— Calma, tia Mikoto – disse Sakura e só agora notei que ela chamava minha mãe de tia mais uma vez – Não tem porque tio Fugaku mentir pra gente, não é tio?
— Exatamente, querida – ele sorriu minimamente pra Sakura – Eu estou bem Mikoto...
— Mas você tinha problema de pressão alta, eu fico preocupada – disse minha mãe.
— Tio – chamou Sakura – Sua pressão está mesmo alta, tem certeza que não sente mais que dor de cabeça? — ele apenas negou com a cabeça – O senhor toma algum remédio pra pressão?
— Não – respondeu minha mãe – Depois que ele passou a controlar a alimentação e a praticar exercícios físicos ele conseguiu controlar a pressão sem medicamento e seu pai suspendeu.
— Tudo bem – disse Saky sorrindo e molhada – Te darei um sublingual e sua pressão voltará ao normal, ok? — meu pai assentiu.
Sakura pegou o medicamento na sua maleta médica e logo deu a meu pai e pediu que ele colocasse embaixo da língua. Ela disse que logo, logo faria efeito.
Depois de dar o remédio ela foi onde Izumi e Itachi estavam pra perguntar se estava tudo bem. Mediu a pressão de Izumi também e estava tudo bem com ela. Foi apenas o susto mesmo.
Foi até a cozinha e pegou um copo de água pra minha mãe que tremia mais que vara verde. Ela não disse nada a Sakura, mas pegou o copo e bebericou a água. Logo depois, Sakura voltou sua atenção a meu pai que já tinha recuperado a cor.
— Sakura?! — a chamei – Você precisa de alguma ajuda?
— Não – ela disse sorrindo – Está tudo sob controle.
— Sim... graças a você.- ela sorriu de novo e eu tava mais derretido que manteiga – Você foi muito rápida.
— É meu trabalhado, Sasuke. Eu tenho que ser rápida.
— Até embaixo de chuva – falei apontado pra sua roupa, que era branca e estava transparente por conta da chuva e isso não foi legal, porque eu acabei vendo o desenho do corpo de Sakura por conta da roupa molhada. Merda... pensa num gato morto Sauske... Você não pode se animar.
— Até embaixo de chuva – ela disse sorrindo, mas eu senti que ela percebeu meu desconforto. — Preciso olhar tio Fugaku mais uma vez.- apenas assenti concordando e comecei a segui-la. Graças aos céus – ou não – a saia não tinha molhado tanto.
Sakura mediu mais uma vez a pressão de meu pai e ela informou que já estava voltando ao normal. Minha mãe não saía do lado dele e Itachi e Izumi se sentaram no outro sofá da sala.
— Quer dizer então, que eu vou ser avô? — disse meu pai interrompendo o silêncio que tinha se instalado na sala.
— Vai sim, pai – disse Itachi brincalhão – Mas pelo amor de Deus sem desmaiar, ta certo?
— Desculpe, filho. Foi a emoção – meu pai sorriu – Não vai acontecer de novo.
— É bom mesmo – falei – Assim Itachi só vai te dar um neto.
— Nem pensar – bradou meu pai – E eu também quero netos seus, Sasuke – ótimo, era melhor eu ter ficado calado.
— Só se o senhor prometer que não irá desmaiar – falei.
— Tudo bem – ele disse sorrindo e o clima ficou ameno mais uma vez.
Sakura mediu a pressão dele mais uma vez e viu que estava normal. Ele disse que estava com sono e Sakura tinha dito que era normal por conta do remédio. Ela pediu que Itachi e eu levássemos nosso pai até o quarto e avisou que estava tudo bem agora.
Colocamos meu pai na sua cama... ele reclamava um pouco e disse que não tinha necessidade de ser carregado, mas minha mãe mandou ele logo calar a boca e seguir as recomendações médicas. Acreditem se quiser.
Porém a noite não poderia ser mais impressionante até aquele momento...
— Bom, agora que tio Fugaku tá bem eu vou pra casa – Sakura disse sorrindo – Tá tarde e Naruto e Hina podem estar preocupados comigo.
— Sakura, eu posso te pedir um favor? — indagou minha mãe... Sim minha mãe.
— Claro, Mikoto-san... — passada a agonia, Sakura voltou a chamar minha mãe normalmente de Mikoto-san..
— Será que você poderia dormir essa noite aqui em casa? — Sakura arregalou olhos os diante da proposta de minha mãe. Itachi e eu nos entreolhamos incrédulos. Izumi estava no quarto de Itachi tomando banho, coitada. — Eu tenho medo que Fugaku piore e... — hesitou – Me sinto mais segura se você estiver aqui, pelo menos essa noite. — minha mão passou por cima do seu orgulho pra pedir isso. Sakura seria a última pessoa na Terra em que minha mãe pediria um favor.
— Tem certeza Mikoto-san?
— Tenho sim.
— Se a senhora se sentir mais confortável e não for incomodo eu fico sim. — Sakura disse dando um sorriso amarelo.
— Eu prepararia um quarto de hóspedes pra você, mas fizemos uma pequena reforma e transformamos ele num escritório – disse minha mãe.
— Pode deixar mãe – falei – Sakura fica no meu quarto e eu durmo no escritório.
— Como vocês preferirem – ela disse por fim.
— Mais tarde eu passo pra vê como ele está, tudo bem? — indagou Sakura.
— Tudo bem – minha mãe assentiu!
Sakura, Itachi e eu saímos do quarto e não dissemos mais nada. Itachi entrou em seu quarto e Sakura e eu fomos até a sala pegar sua bolsa, seus sapatos e sua maleta médica. Em silêncio entramos no meu quarto.
Não parecia tão estranho como da última vez, mas ainda assim era estranho. Sakura estava molhada e se continuasse assim poderia pegar um resfriado, seria educado da minha parte oferecer uma toalha. Fui até o guarda-roupa e peguei uma toalha pra ela.
— Sakura – a chamei – Toma essa sua toalha pra você se secar, você quer tomar um banho?
— Obrigada,Sasuke – ela pegou a toalha da minha mão – Acho melhor tomar um banho sim, mas não tenho roupa pra vestir.
— Usa uma roupa minha – falei sem pensar, mas que mal tem? — Não será a primeira vez mesmo!
— Tá tudo bem pra você?
— Você usar minhas roupas?
— Isso também, mas eu dormi aqui?
— Por que não estaria?
— Por conta da nossa conversa mais cedo.... — ela tinha um semblante triste.
— Sakura, eu sei separar bem as coisas... agora eu sei. Minha mãe pediu pra que você ficasse e eu realmente fico mais confortável que você esteja aqui. Choveu e você acabou se molhando, mas tudo isso foi por causa da sua rapidez em atender meu pai. Te emprestar roupas e oferecer meu quarto pra você dormir é o mínimo que posso fazer.
— Obrigada mais uma vez, Sasuke.
— Vou pegar uma roupa pra você – fui no guarda-roupa mais uma vez e peguei uma camisa que fica grande até em mim. Sakura sempre gostou dos meus camisões pra usar, mas o que ela usaria na parte de baixo? Ela não podia ficar pelada... se bem que não seria nada mau... Sasuke, Foco! — Você se importa em usar uma boxer minha? — indaguei enquanto procurava uma boxer nova pra ela usar.
— Não seria a primeira vez mesmo! — ela respondeu o mesmo que eu minutos antes.
Achei uma cueca boxer nova e entreguei pra ela juntamente com a blusa. Ela agradeceu e foi pro banheiro tomar seu merecido banho. Mas logo depois ela me chamou.
— O que foi Sakura? — perguntei já chegando no banheiro.
— O zíper da minha saia emperrou... Não quer abrir de jeito nenhum, você me ajuda? — Puta que pariu... o zíper não podia emperrar outra hora não? E logo o da saia? Mas eu não tinha escapatória não podia negar ajuda de um zíper emperrado.
— Tudo bem... onde está o zíper? — ela me mostrou, era na lateral direita do seu corpo. O zíper era minusculo e ficava escorregando. — Como que você usa um negócio desse? Essa porra escorrega e não da pra abrir.- ela riu – Isso, ri mesmo.
— Desculpa – ela disse sem graça – Vou enxugar pra vê se melhora. — ela enxugou o zíper — Vê se agora consegue.
— Sakura, não tá adiantando – falei irritado a porra escorregava mais que sabonete – Você se incomoda se rasgar?
— Claro que me incomodo... essa saia é uma Valetino, custou uma pequena fortuna.
— Então avisa pra Valetino que o zíper é uma merda e não abre.
— Sasuke, devagar você vai rasgar essa merda.
— Então abre você – bradei irritado.
— Grosso... será que você não pode ter um pouco de paciência?
— Eu tô tentando, mas a sua saia não colabora. — bufei e fui com mais calma dessa vez , e consegui – Finalmente, essa merda abriu. — só que eu comemorei rápido demais. Acabei vendo um pedaço da calcinha branca de Sakura.... preciso nem dizer quem acordou. — Pronto, pode tomar seu banho. — falei e saí daquele banheiro mais rápido que Usain Bolt.
— Obrigada – ela disse, mas eu já estava longe com um volume na calça. Obrigado mais uma vez, Haruno.
Fui até o guarda-roupa peguei uma camisa, uma calça de moletom e uma boxer. Com Sakura aqui eu teria que dormir de cueca, não tem jeito. Não demorou muito e a rosada saiu do banheiro de banho tomado e com uma camisa que parecia mais um vestido.
— Sasuke, mais uma vez obrigada pelas roupas – ela disse sorrindo e eu tentei me concentrar. — Deixei minhas roupas penduradas pra que elas pudessem secar.
— Tudo bem. Agora vou tomar meu banho.
Vim rápido pro banheiro, senão eu ia perder a cabeça... de novo. Tudo estava indo bem até eu me deparar com a calcinha de Sakura pendurada em uma da hastes inox do banheiro.
— Santo Cristo, ela vai trabalhar com uma calcinha minúscula dessa? — Claro que minha imaginação resolveu trabalhar. Imaginei instantaneamente Sakura naquela calcinha e meu membro reagiu mais rápido que meu pensamento. Merda.... Foco, Sasuke. Foco.
Coloquei a calcinha de volta no lugar e me despir pra tomar banho. Comecei a pensar em gato morto e tomei um banho gelado. Sakura na minha casa tá ficando recorrente demais, mas dessa vez não precisei tomar medidas drásticas.
Quando estava me arrumando pra sair do banheiro ouvir vozes e notei que meu irmão e Izumi estavam no meu quarto com Sakura. Me apressei e logo saí do banheiro.
— Até que enfim, Sasuke – bradou meu irmão – Pensei que tava se arrumando pra casar.
— Baka – devolvi.
— Mas falando em casamento eu e Izumi gostaríamos de fazer dois pedidos a você e a Sakura.
— Podem falar – disse Sakura animada.
— Primeiramente Itachi e eu gostaríamos que vocês dois fossem um dos casais de padrinhos do nosso casamento. Vocês aceitam? — indagou Izumi.
— Mas é claro que eu aceito – falou Sakura sorrindo – Estou muito feliz pelo convite, obrigada.
— Eu também aceito – falei — . Obrigado pelo convite.
— Ótimo – disse Itachi – Agora só falta falar com Neji e Tenten.
— Mas vocês disseram dois pedidos, qual o outro? — indaguei
— Que pressa Sasuke, já sei que você quer ficar a sós com a rosinha – meu irmão disse lançando um olhar malicioso – Eu sabia que ela ia cobrar a sobremesa dela.
— Deixa de ser baka, Itachi – bradou Sakura – E fala logo o que você quer.
— Aff... Tudo bem. Izumi e eu queremos convidar vocês dois pra serem os padrinhos do nosso filho ou filha.
— É sério? -perguntou Sakura supresa.
— É sim – confirmou Izumi – Itachi e eu concordamos que não teriam pessoas melhores pra serem os padrinhos do nosso filho.
— Mas tem pouco tempo que eu sei da história de vocês... Izumi pode ter alguma amiga mais próxima do que eu.
— Nada disso rosinha – disse Itachi – Por mais que tenha pouco tempo que você saiba da minha história com Izumi, você é uma pessoa extremamente importante pra mim.
— E sendo importante pra Itachi é pra mim também. E não se preocupe a amiga mais próxima que tenho é Tenten, caso eu engravide de novo o cargo de madrinha é dela.
— Se é assim – Sakura foi até o dois e deu um abraço – Muito obrigada pelo presente... serei a madrinha e pediatra mais boba desse mundo.
— Eu sei que sim, irmãzinha.
— Você será madrinha, mas eu serei padrinho e tio. — falei brincalhão — Obrigado, pelo presente Itachi e Izumi.
— Vem pro abraço também, irmão.
Eu fui e ficamos os quatros abraçados que nem bobos, mas era um momento feliz propício a coisas bobas e cheio de significado. Depois nos desvencilhamos e Itachi e Izumi se despediram de nós.
— Juízo vocês dois, se precisarem tenho camisinha no quarto... já que não vou precisar mesmo. — Não preciso nem dizer quem foi que falou essa merda.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Irmãozão, acho que você não tá usando há muito tempo – falou Sakura arrancando risada de todos. Ela sabia sacanear Itachi como ninguém.
— Muita esperta, Saky – meu irmão lançou uma piscadela pra ela — Boa noite – disse ele e Izumi ao mesmo tempo e saíram do quarto.
— Ah... — disse meu irmão abrindo a porta e colocando a cabeça dentro do quarto – Boa sobremesa, Saky.
— Baka – falamos eu e Sakura ao mesmo tempo e ela lançou um travesseiro nele que fechou a porta antes de ser acertado.
— Não liga pra meu irmão... ele não regula bem.
— Eu sei disso. Agora vou ali dar uma olhadinha no seu pai.
— Tudo bem, vou arrumar as coisas pra levar pro escritório.
— Sasuke, não tem necessidade disso. Sua cama é imensa e eu prometo que não vou te atacar. — fiquei sem graça quando ela disse isso.
— Mas Sakura não quero te deixar desconfortável.
— Eu ficarei desconfortável sabendo que te tirei da cama, então trate de ficar aí mesmo.
— Mandona!
— Disponha... — ela disse dando de ombros saindo do quarto.
Pelo visto não tinha jeito, era capaz dela aparecer naquele escritório e dormir no chão comigo. Entre chão e cama, mil vezes cama. Ajeitei a cama, deitei sobre a mesma e liguei a central de ar. Sakura chegou logo depois.
— Como que tá meu pai?
— Tá bem... Sua mãe que não tá conseguindo pregar o olho.
— Normal. Ela ficou muito preocupada com aquele desmaio do meu pai.
— Eu sei, mas ele tá bem... Foi só o susto mesmo, mas levem ele até meu pai pra uma consulta médica.
— Faremos isso... Sakura?
— Sim?
— Itachi falou e só agora eu me toquei...
— De que?
— Bem – hesitei, mas eu precisava falar – Naquele dia nós não usamos camisinha... será que tem algu...
— Não – ela me interrompeu – Eu tomo pílula, Sasuke... Você não será pai agora.
— Tudo bem... Fico mais aliviado.
— Sasuke?
— Sim...
— Obrigada
— Pelo quê?
— Por me dar uma chance... significa muito pra mim – ela disse me encarando e logo depois voltou a fitar o teto. Fiz o mesmo. — Boa noite, Sasuke.
— Boa noite, Sakura. — falei e desliguei a luz do quarto pelo interruptor ao lado da cama.
Não sei que horas eu peguei no sono e nem como... Mas acordei com os raios de sol invadindo o quarto e sozinho na minha cama. Sakura não estava mais lá e confesso que senti uma frustração por isso. Porém senti um sorriso brotar em meu rosto quando notei um pequeno bilhete em cima do travesseiro que Sakura usou e percebi sua caligrafia que ainda continuava a mesma.
Sasuke,
Você estava tão sereno dormindo que fiquei com pena de te acordar. Seu pai está bem e sua mãe conseguiu dormir um pouco. Levei sua blusa e cueca e te devolverei lavada e passada. Obrigada mais uma vez e me desculpe qualquer inconveniente.
Prometo não desperdiçar a chance que me deu... você sabe do que se trata.
Com amor,
Haruno Sakura.
Sorri depois de ler aquele conteúdo diversas vezes... Duas palavras, um sentimento: Tô perdido!
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