Notas iniciais
Olá moranguinhos e tomatinhos, tudo bem com vocês? Nem demorei de novo aeeeeee oooooo/ Obrigada pelo carinho de sempre, por ler a minha história, comentar, favoritar, recomendar, acompanhar. Vocês são demais ♥ Daylight completou um ano no dia 05 de abril., ai meu core meu Deus. Tanta coisa boa aconteceu, essa história fala tanto sobre tantas coisas, me aproximou de pessoas tão maravilhosas e ainda permite que eu faça o que amo: escrever ♥ Obrigada, obrigada e obrigada! Sobre o capítulo, ele está grandinho e é narrado todo pelo Sasuke ♥. Boa leitura ♥

E você que se alojou nos meus olhos
E na minha boca
Por que não tá aqui?
A cama tá reclamando, a casa te chamando
Vem logo me ver
Tô te esperando entrar
Não precisa bater

(Nós — Anavitória)

Por Sasuke

— Não precisa. Na verdade, eu não quero. Eu preciso de um tempo pra pensar e você também. Não quero brigar, por isso eu te peço que respeite esse meu pedido. Eu preciso ir agora. Adeus, Sasuke!

As palavras de Sakura ficavam ecoando na minha mente, assim como o calor do seu beijo quente em minha testa.

Já se passaram três dias e nem sinal dela. Hoje era sábado, a data que ela deveria ter vindo, em vez de terça, mas ela resolveu fazer uma surpresa pra mim e pra meu irmão, surpresa essa, que eu estraguei bonito.

Nesses três dias eu não procurei por ela, como muito esforço devo ressaltar, resolvi respeitar o espaço que ela me pediu, mas eu estava quase surtando. Além da saudade dela tive que ouvir esporros de todos os lados e isso inclui: Itachi, Naruto, Ino, meu pai e até Dona Mikoto.

Não, claro que ela não defendeu Sakura. Ela olhou bem na minha cara e disse o tão insuportável “Eu te avisei”. Pra minha mãe, cedo ou tarde Sakura e eu íamos nos desentender. E bom, parece que ela tinha razão.

Eu preciso fazer alguma coisa, mas sinceramente não sei o que fazer ou por onde começar. Depois do sabão que Naruto e Itachi me passaram eu os descartei pra pedir “socorro”. Uma mistura de orgulho com mais orgulho mesmo, afinal eu sou bem desses teimosos, mas se as coisas continuarem como estão eu terei que falar com eles. Ino eu nem coloquei na lista, aquela loira é insuportável quando quer.

Resolvi correr por Konoha, eu tinha que descarregar essa energia e essa tensão em algum lugar. Fora que, uma corrida poderia me ajudar a pensar melhor pra que eu possa tomar uma decisão.

O jardim do Centro Comunitário de Konoha continua lindo, mesmo o verão dando sinal da sua chegada. A cidade ficava cada vez mais quente e as cerejeiras menos floridas.

Meu corpo exalava suor, minha camisa estava mais encharcada que tudo, mas a minha cabeça não desfocava dos problemas. Talvez eu não tenha escolhido o melhor lugar pra correr. Cada olhada pro lado uma cerejeira pra me lembrar da minha cagada secular.

Me sentei naquela cerejeira especial e me recostei naquele tronco. Se essa árvore falasse, provavelmente ela também diria o quão idiota eu sou.

Nossa, hoje eu estou um merda mesmo.

Fechei os olhos, aspirei aquele ar puro com força e tentei esvaziar a mente.

Mas pra variar sempre brota gente dos lugares mais improváveis pra te tirar do seu sossego.

— Sasuke? – ouço uma voz feminina conhecida me chamar. Abro os olhos e dou cara com Karin vestida com um casaco de moletom roxo, bermuda preta de academia e um tênis de corrida também preto. Só de olhar pra esse moletom eu já derreti de tanto calor.

— Oi Karin. – tento soar o menos seco possível, mas não surtiu muito efeito.

— Decidiu correr hoje também?

— Meio obvio, não? – eu realmente estava sem paciência nenhuma.

— Estranho... – Karin pousou a mão direito no queixo como quem analisa algo. – Pensei que você estaria em Tóquio.

Vocês perceberam que o meu plano sobre não falar sobre foi por água abaixo!

— Por que eu estaria em Tóquio? – indaguei como não quer nada.

— Bom, porque a Saky adiantou a vinda dela pra cá, pensei que você iria pra lá se encontrar com ela nos fins de semana em que ela não estivesse aqui.

— Hum... Entendo. A gente pensou sobre isso, mas os plantões de Sakura são incertos e pra que não houvesse desencontros decidimos manter do jeito que está.

— Por um momento eu achei que vocês ainda estivessem brigados, fico aliviada em saber que está tudo bem.

Merda, até Karin sabia da nossa briga!

— Vocês estão bem, não é Sasuke? – indagou Karin diante do meu silêncio.

— Bem...

— Ai minha nossa, vocês ainda estão sem se falar? – ela perguntou se sentando ao meu lado, sem ao menos saber se eu queria sua presença.

— Como você soube? – fitei Karin um tanto nervoso, talvez eu já esperasse seu esporro. Um a mais não faria a diferença mesmo.

— Saky comentou comigo que vocês tiveram um desentendimento, mas ela estava com tanta coisa no hospital que não deu tempo da gente conversar direito. – ela disse visivelmente preocupada. – Pensei que fosse coisa boba, mas por essa sua cara vejo que não foi bem assim.

— Pensei que você lesse as expressões das pessoas. – disse dando de ombros.

— A Sakura é minha amiga não minha paciente. – me disse como se fosse óbvio. – Bem que Sui me falou que você andava estranho.

— Sui, hã?! Vocês estão mesmo saindo. – acusei tentando me livrar do assunto problema.

— Não é nada sério, Sasuke. A gente sai, se diverte e só.

— Karin, me responda com sinceridade em nome a todos esses anos de amizade. – a encarei e ela engoliu em seco. – Quantas vezes você e Suigetsu já saíram?

Seu rosto ficou mais vermelho do que já estava por conta da atividade física e ela deixou de me encarar.

— Estou esperando uma resposta... – sou insistente às vezes ou quase sempre.

— Bom... é... umas três... quatro... ou talvez cinco. Ah sei lá, Sasuke. – me encarou furiosa. – Eu não fico contando, oras.

— Já está assim, Karin? Minha nossa, é mesmo sério. Quando vi Suigetsu suspirando apaixonado pensei ser miragem.

— É coisa da sua cabeça, Sasuke. Somos apenas amigos que saem e pronto. É divertido e tal.

— Karin, quantas vezes você já saiu mais de duas vezes com um cara? – perguntei sério. Se eu não presto pra me relacionar, posso prestar pra ser cupido.

Ela soltou um suspiro demorado e respondeu. – Nenhuma!! – rápida como quem arranca um curativo.

— Então isso quer dizer alguma coisa. Você não acha?

— Não sei, acho que não... Pra tudo tem uma primeira vez, não é mesmo?

— Talvez! – ela disse dando de ombros e desviando os olhos dos meus.

Mas eu não ia parar por aí.

— Mas me conta como foi que deu o desenrolar de vocês dois? Eu jurei que você ia matar Suigetsu naquele dia. – ri e por incrível que pareça Karin riu comigo.

— Eu estava passando por alguns problemas, estava na TPM e acabei descontando em Suigetsu. Não foi certo e me senti culpada. – Karin olhava pra grama e sorria entre uma fala e outra. – No dia seguinte fui na casa dele e pedi desculpas, ele me convidou pra entrar e bem, o resto você já deve imaginar.

Assenti em resposta. – Mas como você conseguiu o endereço dele? — indaguei curioso e vi Karin ficar da cor do cabelo, de novo.

— Acessei a ficha dele no hospital e descobri o endereço.

— Esperta!

— Sempre, querido.

— Mas fala ai, você está gostando dele ou não?

— Não sei, talvez.

— Karin...

— É diferente, Sasuke. – suspirou e massageou as têmporas, mas voltou a me encarar. – Eu sempre fui muito objetiva, sabe? Se eu queria o cara, eu dava um jeito de ter o cara. Claro que já ouvi não, mas também ouvi muito sim. Com Suigetsu foi diferente porque eu não o conheci com essa intenção. Simplesmente aconteceu e quando eu vi a gente estava se pegando sofá da casa dele...

— Ok, ok... eu não preciso saber do resto. – levantei as mãos em sinal de protesto.

— A gente não transou nesse dia, Sasuke. Só demos uns amassos, não se esqueça que ele estava com o braço costurado.

Foquem no nesse dia!

— Mas nem o braço costurado impediu amassos. – ri da cara de Karin diante da minha fala. – Mas eu fico feliz por vocês dois, espero que dê certo.

— Estamos indo com calma. Sem pressão pra nenhum dos lados e está bom desse jeito. O que tiver de ser será. O hoje é o que importa.

— Queria me concentrar no hoje, assim como você faz. Às vezes é tão difícil desapegar de certas coisas. O passado é a pior delas. – confessei sem querer ter confessado. Quando vi já tinha falado ao notar a cara de supressa da ruiva.

— Algo me diz que isso tem a ver com Saky, acertei?

Não respondi. Desviei meu olhar até a grama e comecei a arrancar pequenos pedaços dela junto com a terra.

— Você não quer falar sobre isso? – indagou a ruiva, mas eu continuei a mexer na grama. – Já que a Saky não falou comigo talvez você possa. Quem sabe posso te ajudar.

— Sou seu amigo, não seu paciente. – devolvi a resposta com suas palavras de forma amarga.

— Em nenhum momento eu disse que te ajudaria como um paciente, Sasuke. Estou aqui como sua amiga, mas se você não quer falar sobre não vou insistir.

— É complicado. – admiti a contra gosto. – Eu tenho vergonha de falar sobre isso em voz alta.

— Uchiha Sasuke com vergonha? – indagou incrédula — Eu vivi pra vê isso, Japão!

Fechei a cara pra ela e me ajeitei para levantar, mas fui impedido por um braço revestido de moletom roxo.

— Foi brincadeira Sasuke, a ideia era descontrair, me desculpe.

— É difícil pra mim... – soltei um suspiro pesado e voltei a encarar os olhos escarlates de Karin. – Você sabe muito bem disso.

— Eu sei. – respondeu a ruiva baixando o olhar pra grama outras vez. – Eu me lembro.

Sim, Karin sabia.

Eu lembro como se fosse ontem quando ela me encontrou neste mesmo local, completamente bêbado e aos prantos.

Foi a primeira, e a única, pessoa a me ver naquele estado deplorável. Tirando minha mãe, meu irmão e Naruto.

Mas naquele dia, apesar de estar daquele jeito, foi simples, foi fácil conversar com alguém. E desde aquele dia eu sempre fui muito grato a Karin pelas palavras e por ter cuidado de mim.

Não viramos melhores amigos e nem nada do tipo. Mas eu sei, que apesar do jeito louco de Karin, ela é uma pessoa que eu posso contar. E fico muito feliz que ela e meu amigo estejam se dando tão bem. Não é porque minha situação amorosa está uma merda, que eu tenho que torcer contra a dos outros.

Seria muito egoísta e cruel da minha parte.

— Pelo menos hoje você não está bêbado. – ela brincou e eu sorri de leve. – Vai ser mais fácil pra entender sem sua língua embolar.

— Idiota. – ralhei.

— É sério, Sasuke. Me conta o que você tem. Eu abri meu coração pra você com relação a Sui. Tenho crédito. – me chantageou na cara dura.

— Tudo bem. – me dei por vencido. – Se prepara que tem história...

Contei tudo a Karin, nos mínimos detalhes. Não poupei palavras, o que é muito raro. Ela não me atrapalhou em nenhum momento, felizmente não puxou esse lado de Naruto, mas também não esboçou nenhuma reação apesar de atenta as minhas palavras.

Confesso que foi confortável, porque em nenhum momento em que me expressei me senti julgado. Embora soubesse que ouviria quando minhas palavras acabassem.

Karin parecia ponderar todo o meu “discurso” e analisava como uma espécie de matemática. Nessa parte eu já estava um pouco angustiado.

— Nossa! – soltou de olhos arregalados. – Bastante coisa mesmo, Sasuke.

— Se é...

— Antes de entrar no mérito da questão, quero te fazer uma pergunta. Tudo bem?

— Claro. – eu não tinha muito o que fazer mesmo.

— Como você conseguiu segurar isso tudo? Não falou com alguém, algum amigo mais próximo.

— Eu não sou muito bom em me expressar. – ela assentiu ao que eu disse. – E bom, eu tenho vergonha dessa situação toda. Tudo parecia tão óbvio, sabe? Mesmo que Sasori não tenha esses trejeitos de gay nem nada do tipo, mas Deidara estava na cara. Não sei como pude ser tão cego em não perceber que eram um casal.

— Opa, acho que temos um problema por aqui.

— Mais um? – bufei incrédulo.

— Sim. Você precisa passar por uma pequena desconstrução.

— Que diabos de desconstrução é essa? – falei irritado. Eu já tinha tanta coisa e Karin minha vinha com mais essa.

— Calma aí, Uchiha nervosinho. – me repreendeu. – O que vou falar é bem sério e para vida. Sempre. Primeiro, gays não precisam ter trejeitos para serem gays. Esse é um estereótipo completamente errôneo e preconceituoso imposto pela sociedade para mostrar o gay como uma piada para hétero achar graça. – Karin falava de forma séria. – Quando você vê um gay numa novela, ou numa série eles geralmente são “afeminados”, — ela fazia aspas com os dedos se referindo a afeminados. — com a voz fina, escandalosos e engraçados. Não que seja errado em ser um gay desse jeito, mas não pode usar isso pra generalizar os demais. Gays são pessoas normais e por isso podem ter comportamentos diferentes, assim como héteros. Ou seja, Sasori não tinha que andar com uma plaquinha de sou gay na testa e nem se encaixar nesse estereótipo.

Refleti sobre as palavras de Karin e por mais que parecesse estranho tinha todo sentido. Nós nos prendemos a essa espécie de “comportamento” e colocamos todos eles como iguais.

— Eu conheço Sasori. – ela continuou. – Ele é extremamente reservado e não é de falar sobre a sua orientação sexual por aí. Apenas as pessoas mais próximas sabem do fato, exceto quando o conhecem ao lado de Deidara que é o completo oposto.

— Você falando assim é notória a diferença.

— Exatamente, Sasuke.

— Meu Deus, eu sou um idiota mesmo.

— Não querido, você é um produto dessa sociedade preconceituosa. Mas veja só, está descontruindo conceitos.

— Obrigado, Karin.

— Não há de quê, mas antes de terminar a lição eu preciso ressaltar que apesar de Sasori ser gay ele não deixa de ser homem. Orientação sexual e identidade de gênero são coisas distintas. Certo?

— Sim senhora desconstruída.

— As pessoas confundem muito isso. Bom, agora vamos voltar pra sua situação. – assenti em resposta. – Meu amigo, você pisou na bola com Sakura. Foi mal-educado com o pessoal, magoou Sakura duplamente quando a tratou mal e destratou o amigo dela.

— Eu sei, eu fui um idiota.

— Konoha inteira já sabe disso. Você precisa se mexer pra mudar isso.

— É complicado. – disse sentindo o gosto amargo do meu desespero. – Sakura tem toda razão, mesmo que ela tenha ido embora e isso tenha me machucado de forma profunda, quando decidimos recomeçar ela sempre deixou aberto pra que eu perguntasse sobre o que quisesse sobre esse hiato de 09 anos. Durante esse período toda vez que eu me lembrava dela eu trazia os sentimentos ruins à tona pra que eu não tivesse uma espécie de recaída, ou me iludisse achando que ela voltaria. É como se eu alimentasse o bonequinho da raiva quando lembrasse dela.

— Entendo...

— Quando ela apareceu de repente eu fiquei perdido. Era um misto de sentimentos que eu não sabia administrar. Raiva, amor, ódio, saudade, desejo... Nos encontramos de surpresa e aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo com nós dois, que quando eu vi eu já estava a pedindo em namoro outra vez.

— Você se arrependeu? – pude sentir o receio de Karin na pergunta.

— Não, jamais. Mas tem momentos como esse, como foi o caso de Sasori, que eu simplesmente não sei lidar. Tenho medo de fraquejar, revistar esses nove anos às vezes parece um tormento que não tem fim. Eu sei que ela tem tanta coisa pra me contar, mas eu me sinto triste por não ter estado ao lado dela nesses momentos. – confessei de cabeça baixa. – Eu tenho medo, medo que ela vá outra vez. – sussurrei a última parte.

— Sasuke. – ela me chamou e eu a encarei sentindo meus olhos marejarem. – Nada irá mudar o fato de que a Saky ficou nove anos fora, você fingir que eles não existem ou não conversar sobre eles não mudará o fato de que eles existiram. A opção de ir embora foi da Sakura, você não tinha como estar ao lado dela. E outra, você também teve experiências durante esses nove anos, é desconhecido para ambos os lados, Sasuke. Vocês têm algo em comum e podem conversar sobre a experiência de ambos. – ela suspirou e continuou. – Eu sei que você tem medo e entendo, mas seu medo não fará Sakura ficar. Pelo contrário, sua insegurança pode afastá-la. Quando escolhemos ficar com alguém, nós também temos o direito de não querermos ficar mais com ela, se assim desejar. É liberdade de escolha em qualquer uma das situações.

As palavras de Karin pesaram. Por mais que ela tivesse razão, não quer dizer que não doíam.

Meu coração apertava mais e isso refletia nas lágrimas que agora desciam livremente pelo meu rosto, assim como há nove anos.

— O que eu faço? – meu pedido era desesperado e apesar de tudo Karin sorriu pra mim enquanto tentava limpar minhas lágrimas.

— Você já sabe a resposta, mas como sua amiga, amiga de Saky e shipper do casal SasuSaku vou lhe dar uma dica. – ela sorriu e continuou. – Acho que primeiramente você deve desculpas a um certo ruivo com cabelos parecidos com os meus. – me lançou a piscadela e obviamente eu entendi a mensagem.

Abracei aquela ruiva escandalosa e autossuficiente, e dei um beijo no topo da sua cabeça.

— Obrigado, Karinzinha. – disse secando minhas lágrimas e ela sorriu. – Trate de cuidar bem do meu amigo. Ele é um baka, mas tem um bom coração.

— Não é apenas o coração que ele tem de bom. – ela disse com os olhos repletos de luxúria. – Tem outro órgão de veias pulsantes muito bom.

Revirei os olhos em resposta. – Você não existe, Karin.

— Sou de carne, osso e inteligência meu bem.

— Tá certo. Obrigado mais uma vez, agora eu preciso ir. – dei mais um abraço nela porque eu estava feliz e muito mais leve. – Até mais.

— Até mais, Sasuke. Quando precisar, estou aqui.

Assenti e comecei a correr. Eu tinha um pedido de desculpas a fazer e um coração de uma moça de cabelos cor de rosa pra amolecer.

(...)

Cheguei em casa e tomei banho para tirar todo aquele suor, e de quebrar resfriar a cabeça.

Até que... tive uma ideia.

Não sei qual a magia que banhos tem, mas eles são propensos a boas ideias. Já resolvi bastantes problemas matemáticos enquanto me banhava.

Sai do banho sentindo a animação preencher todo o meu corpo. Eu resolveria todas as minhas questões e ainda mataria toda a saudade de Sakura se ela ainda me quisesse.

Mas nada de pensamentos negativos.

Me vesti mais rápido que a velocidade da luz e alcancei meu celular que jazia no criado-mudo. Procurei o número de Neji na minha agenda e assim que encontrei, efetuei a ligação que foi atendida no terceiro toque, mas me pareceu uma eternidade.

— Sasuke?! – ouvi a voz do Hyuuga do outro lado.

— Sim, ele mesmo. – falei rápido. — Tudo bem? – eu tinha pressa, mas não podia ser mal educado.

— Tudo sim. Aconteceu alguma coisa? – indagou preocupado, uma vez que eu nunca fui de ligar pra ele. – Você me parece agitado.

— Aconteceu sim, mas não é nada grave. – na verdade era, mas eu não pretendia assustar ninguém. — Eu preciso de um grande favor seu, o mais rápido possível.

— Se estiver ao meu alcance assim o farei. Pode falar.

— Bom, eu preciso...

(...)

Estávamos na quarta-feira, já tinham se passado quatro dias desde que pedir o favor a Neji. Ele me ligava todos os dias um pouco depois da hora do almoço para me informar com ia o andamento daquilo que te pedi.

Ele sabia da importância que aquilo tinha para mim, por isso também sabia do tamanho do meu desespero.

Eu estava ansioso, minhas unhas não mais existiam e eu comia de vez em nunca. Eu precisava apenas disso e depois iria falar com Sasori. Karin tinha me dado o endereço da sua casa. Eu tinha pensando em marcar uma consulta, mas não achei adequado tomar o lugar de um paciente que realmente necessitava do atendimento.

Outra importante decisão que tomei foi a de fazer terapia acompanhado de um psicólogo. Eu ainda estava inseguro com algumas questões e para não ficar na neura resolvi partir para esse viés. Por ser minha amiga, Karin não podia ser minha psicóloga, e por isso me indicou Saiken Utakata. Ela apoiou a minha decisão e ficou feliz pela iniciativa ter partido de mim. Minha primeira consulta seria na sexta-feira.

As únicas vezes que consegui desfocar um pouco de toda essa situação foi aqui no trabalho. Os estagiários Konan e Yahiko se juntaram a mim, Suigetsu e Juugo. Tudo o que a gente podia passava a eles, e pra nossa sorte eram alunos excelentes. Tirando a parte em que peguei Konan e Yahiko se beijando em um canto escondido aqui na fábrica próximo a nossa sala. Fui rígido e eu pude ver o desespero diante daqueles pares de olhos. Os dois mal se encostavam agora.

Estava chegando ao fim do expediente e Neji não tinha me ligado hoje como fazia desde domingo. Fiquei preocupado, mas não quis bancar o desesperado. Ligaria pra ele quando chegasse em casa.

De um jeito ou de outro falaria com Sasori amanhã.

Não falar com Sakura estava me matando. Trocamos umas mensagens na segunda, mas nada demais. Apenas um “bom dia”, “oi”, “tudo bem”, que eu mandei e ela respondeu, mas não se aprofundou na conversar. Só dela não ter me ignorado é uma vitória.

Izumi bancava a agente dupla e me dava notícias daquela Haruno teimosa. Elas tinham ficado amigas e conversavam frequentemente. Senti uma pontinha de felicidade acender quando minha prima e futuramente cunhada me disse que Sakura tinha perguntado por mim. Sorri discretamente, mas por dentro eu estava mais frenético que tudo.

(...)

Cheguei em casa e antes de tomar banho notei que havia três ligações perdidas de Neji no meu celular. Merda!

Liguei no segundo seguinte, mas ele não atendeu nenhuma das cinco vezes. O jeito era deixar mensagem no whatsapp. Mas pra minha sorte, ele teve a mesma ideia.

Hyuuga Neji diz:

Sasuke, te liguei, mas não consegui falar contigo.

Como estarei numa reunião mais tarde não poderei falar com você

Consegui o que me pediu.

Já está no seu e-mail!

Boa sorte!

Céus! Eu consegui, quer dizer o Neji conseguiu, mas a ideia foi minha, então está tudo nos conformes.

Eu:

Cara, nem sei como te agradecer.

Obrigado mesmo Neji, você salvou minha vida.

Abraços!

Abri o meu e-mail correndo no tablet e conferi o arquivo. Um alívio se abateu em mim e um peso enorme das minhas costas tinha sido arrancado.

Próximo passo: conversar com Sasori.

(...)

Hoje eu ia falar com Sasori.

Se eu dissesse que não estava nervoso, é mentira. Na verdade, é mais vergonha pela cagada que eu dei.

Eu precisava me corrigir e devia um pedido de desculpas sincero.

Quando me preparava pra sair do quarto pra ir até a casa de Sasori meu quarto foi invadido, e advinha só por quem?

Itachi, claro, ele sempre aparece onde não é chamado. Só que dessa vez ele não veio sozinho, trouxe Izumi com ele. Por isso, e apenas, isso eu resolvi não brigar.

— Que milagre é esse que você não chiou que eu invadi seu quarto? – indagou meu irmão enquanto entrava de mãos dadas com Izumi que bocejava.

— Em respeito a Izumi. – falei enquanto abotoava a minha camisa.

— Pode brigar, priminho. Itachi é bem inconveniente quando quer. – Izumi resolveu se manifestar e eu ri quando vi meu irmão revirar os olhos.

— Isso mesmo priminha, mostra quem manda nesse relacionamento. – coloquei mais lenha na fogueira porque de vez em quando eu sou escroto mesmo.

Izumi riu e Itachi fechou ainda mais a cara. – Quando eu resolver fazer greve de sexo, aí eu quero ver como vai ficar. – disse Itachi pra noiva, que riu mais ainda.

— Você não teria forças para tanto, querido.

Itachi ponderou por uns segundos e balançou a cabeça afirmando que Izumi tinha razão. — É, eu não teria mesmo. Adoro transar. – disse dando de ombros.

— É sério que vocês invadiram meu quarto para falar da vida sexual de vocês? – resolvi me manifestar, vai que eu ouvia demais.

— Não, irmãozinho tolo. A gente veio saber como você está, já que essa semana ficou enfurnado nesse quarto quando não estava no trabalho e não saía nem sob ameaça de Uchiha Mikoto. Achamos que é grave.

— Não é pra tanto, Itachi. Eu só não estava afim de socializar e estava concentrado em outras coisas. – respondi pegando meu tablet, carteira, celular e chaves do carro em cima do criado-mudo.

— Tudo bem. – disse meu irmão, que não parecia achar tudo bem pelo seu tom de voz. – Você vai sair?

— Vou sim, preciso resolver umas coisas.

— Entendo, mas temos mais uma novidade irmãozinho tolo!

Péssima hora para a curiosidade me abater. – Me fala o que é, preciso mesmo sair.

— Sakura perguntou de você de novo. – disse Izumi e eu senti meu coração vacilar. – Estávamos falando com ela agora há pouco via Skype. Ela está tão abatida quanto você, mas obviamente ela não confessaria isso e disse que era apenas o cansaço do dia-a-dia.

— A rosinha mente tão mal quanto você, irmãozinho.

Será que eu podia me sentir mais culpado por ser um idiota?

Acho que não.

— Em breve isso mudará. Vai ficar tudo bem de novo. – disse da forma mais confiante que eu podia. – Agora eu realmente preciso ir.

(...)

Estou em frente ao prédio do apartamento de Sasori.

Agora era a hora.

Puxei o ar com força e senti meus pulmões queimarem. Já estou imaginando quando eu for pedir desculpas a Sakura. O pulmão não vai só queimar como o coração vai querer sair pela boca. Sentimento é um negócio foda!

Saí do carro com os utensílios necessários e me dirigi até a portaria do prédio. Um porteiro de aparência jovem mesmo com aquele bigode de vovô que ostentava no rosto, tamborilava os dedos sobre o mármore italiano da mesa e assoviava olhando pra cima.

Ele parece não notar a minha presença, então eu pigarreei para chamar sua atenção e funcionou.

— Boa noite senhor. – ele disse. – Em que posso ajudá-lo?

— Eu vim visitar um amigo. Akasuna Sasori, apartamento 506. Será que o senhor poderia me anunciar? Meu nome é Uchiha Sasuke.

— Sasuke-sama, infelizmente o interfone de Sasori-sama está com problemas, mas o senhor pode subir sem problemas já que é amigo do mesmo. Ele chegou do hospital tem um tempo.

— Posso mesmo subir?

— Pode sim. O elevador fica no final do corredor á direita. – me explicou e eu olhei na direção que o mesmo apontava.

— Obrigado. Boa noite.

— Não há de quê. Boa noite.

Vim o mais rápido que pude e pra minha sorte o elevador se encontrava no térreo. Entrei e apertei o botão do quinto andar.

Agora eu encarava uma porta branca que tinha uma plaquinha informando ser o apartamento 506. Suspirei e apertei a campainha.

Ouvi um barulho e vozes vindo do outro lado da porta.

Para a minha surpresa, uma cabeleira loira apareceu quando a porta foi aberta. Era Deidara.

— Sasuke? – ele me olhava incrédulo. – O que faz aqui?

— Oi Deidara. Eu vim falar com Sasori, ele está?

— Sasuke? – Saosri surgiu logo atrás de Deidara.

— Oi Sasori. Eu gostaria de falar com você, será que podemos conversar? – indaguei receoso caso ele decidisse não me receber.

— Claro. – ele respondeu ainda sem acreditar. – Entre, por favor. – Deidara e ele me deram passagem para o apartamento e notei uma troca de olhares interrogativa entre eles.

O apartamento era arrumado e bem simples, quase um loft eu diria. Sala e cozinha dividiam o mesmo ambiente. Um sofá creme com duas poltronas marfins ao lado, uma mesa de centro na cor tabaco e um rack na mesma cor da mesa de centro com uma TV de tela plana em cima ficavam de um lado do grande cômodo, enquanto uma cozinha com uma parede vermelha e modelo americano ficava do outro.

Ouvi a porta fechar atrás de mim e o casal se aproximar.

— Pode se sentar, Sasuke. Fique à vontade. – disse Sasori. – Quer beber alguma coisa? Uma água, suco, refrigerante, sakê?

— Não Sasori, obrigado. Eu apenas queria conversar. – falei o encarando e desviei o olhar pra Deidara e voltei para o ruivo de novo.

— Já entendi. Você quer conversar a sós com ele. – disse Deidara capitando minha mensagem muda. – Estou me retirando. — Deidara passou por mim e Sasori. – Esse moreno seria uma arraso no Vale dos Homossexuais. – ele murmurou, mas eu ouvi e o ruivo também pela semblante de vergonha estampado em sua face.

— Desculpa. Deidara às vezes pode soar meio inconveniente, mas ele não faz por mal. – Sasori saiu em defesa do companheiro e se sentou no sofá. – Pode ficar à vontade, Sasuke.

— Loiros tendem a ser inconvenientes. – quando eu vi as palavras já tinham pulado da minha boca, mas pra minha surpresa Sasori riu e eu não entendi bulhufas uma vez que eu claramente ofendi Deidara.

— Engraçado, Saky diz a mesma coisa com relação aos loiros no geral. – ele riu de novo. – Ino tem uma bela fama.

— Você fala pelo Deidara, Sakura pela Ino, e bom, eu pelo Naruto. Acho que sabemos bem o que eles representam quando o assunto é inconveniência.

— É verdade! – Sasori riu e o clima que parecia ameno voltou a ficar sério outra vez. – Mas então, o que você queria falar comigo?

Me dirigi a poltrona mais próxima ao sofá e me sentei. Encarei Sasori e pelo pouco – ou quase nada – do que eu o conhecia ele não parecia estar bravo. Só o fato dele ter permitido a minha entrada em sua casa sem um nenhum tipo de objeção só me dizia que eu estava no caminho certo.

— Eu queria me desculpar. – falei rápido e objetivamente . – Meu comportamento no dia do aniversário de Itachi foi deplorável.

Ele me analisava, mas não falava nada, então eu continuei.

— Assim como a semanas atrás, quando eu vi você e a Sakura no Byakugan. Eu acelerei o carro sem pensar e acabei assustando vocês. Fui completamente irresponsável e irracional. – suspirei me sentindo satisfeito por admitir meu erro. – Acredito que Sakura já tenha conversado com você sobre isso, e tenha te explicado motivo da minha reação, embora ela tenha achado, e ainda ache, que eu queria te atropelar. Mas não é verdade e eu tenho como provar.

Sasori não disse nada e aí foi a deixa pra que eu ligasse meu tablet.

— Minha nossa, para uma pessoa calada até que você é bem conversador. – disse Sasori atraindo minha atenção. – Saky falou comigo sim. Sinto em te dizer, mas ela está bem chateada com você. – senti um gosto amargo na boca diante de tal afirmação. – Você não precisa me provar nada.

— Não?

— Não. Eu sei que você não tinha intenção de me atropelar e por isso não jogou o carro em cima de mim.

— Mas Sakura ficou tão transtornada...

— Eu vi seu carro se aproximando naquela noite. Saky ficou assustada com o cantar dos pneus, ela já estava dentro do carro quando você acelerou daquele jeito. Aquela rua é bem larga, por ser uma área comercial. Era mais fácil você bater em algum carro estacionado a atropelar alguém.

Céus... Eu nem pensei nisso.

Arregalei os olhos diante de sua fala e fiquei sem palavras.

— Por isso você não precisa me provar nada. Eu já falei isso com Sakura por sinal, mas aquela menina é de uma teimosia sem igual. – é, eu sabia do que ele falava.

— Mas ainda assim eu gostaria de provar. – falei convicto.

— Pelo visto a teimosia não é só dela, não é mesmo?

Ignorei o que Sasori disse com relação a minha teimosia e foquei em ligar o tablet. O ruivo me olhava de soslaio um tanto questionador. Entrei no meu e-mail pelo aparelho e abri o arquivo antes de entregar o tablet a Sasori.

— Eu falei com Neji e pedi as imagens das câmeras de segurança do restaurante da família Hyuuga. – expliquei enquanto o ruivo analisava o arquivo. – Demorou, mas Neji conseguiu as imagens para mim. Eu queria te pedir desculpas o quanto antes, mas queria ter esse vídeo em mãos primeiro.

Sasori sorriu e me devolveu o aparelho.

— Muito inteligente da sua parte, Sasuke. Mas acho que esse vídeo será melhor aproveitado se você mostrar a uma certa moça de cabelos róseos. – ele disse gentil.

— Já está nos meus planos. Mas eu precisava de te pedir desculpas, eu fui muito rude, mal-educado e inseguro. Se eu tivesse tido coragem poderia ter perguntado a Sakura sobre você, mas não o fiz. Esses nove anos que ela ficou longe ainda mexe muito comigo e eu sempre evito de trazê-lo à tona. – confessei. Eu já não tinha muito o que fazer e ficar me prendendo ao orgulho não me levaria a lugar nenhum.

— Sabe Sasuke, eu e a Saky já passamos por muita coisa juntos. Nos demos bem logo de cara, na época da faculdade eu ainda não sabia muito bem lidar com a minha orientação sexual. – Sasori tinha um tom nostálgico e sua fala o que era bem compreensível. Assim como eu, ele é um cara bem reservado, mas não se importava em falar sobre sua vida agora. – Sakura me ajudou muito naquele tempo, ficou ao meu lado e não me julgou em nenhum momento. Ela pouco falava da sua vida, mas no primeiro dia que nos conhecemos ela me falou de duas pessoas que ela tinha uma saudade sem igual. Uma era a mãe dela e outra era você. Os olhos dela brilhavam quando falava de vocês dois, mas no seu caso, era diferente, era brilho de gente com ar apaixonado.

Ela sentia a minha falta.

Céus!

Ela sentia a minha falta!

Sabe quando o sentimento de felicidade explode em seu peito?

Pois é, esse é exatamente o momento que meu coração dançava a Macarena sob meu peito.

Senti meus olhos marejarem e um sorriso escapar pelos meus lábios.

— Ela sempre amou você, Sasuke. – o ruivo continuou. – Se comprava tomate ela falava de você, se via um carro antigo na rua falava de você, se ela exagerava no doce falava de você quando a repreendia em se entupir de doce porque ela sempre passava mal depois. Eu sei que é difícil para você, mas nunca foi fácil pra ela também. Nunca engatou num relacionamento mais sério, porque nenhum deles era você.

— Eu sei como é, eu sinto exatamente a mesma coisa quando a pessoa em questão é ela.

— Deu para notar, tá na sua cara também. – falou numa tentativa falha de deboche. – Sakura é uma das melhores pessoas que eu conheço e a melhor amiga-irmã que eu poderia ganhar nessa vida. Portanto, como irmão mais velho dela eu exijo que você cuide bem da minha cabelinho de iogurte.

— Cabelinho de iogurte? – indaguei confuso.

— Piada interna. – deu de ombros. – Você vai a Tóquio quando?

— Amanhã noite.

— Graças a Deus. – ele levantou as mãos pro céu em agradecimento. – Por favor, quando chegar lá, dê uma surra de sexo nessa garota porque ela está insuportável. Nada que um tratamento intensivo de Uchiha Sasuke nu não dê jeito. Eu e a população do planeta agradecemos.

— Ela precisa me perdoar antes. – disse o óbvio.

— Ela vai docinho, ela vai. No início pode parecer que não, mas ela vai.

— Tomara!

(...)

Depois de toda aquela conversa mais séria com Sasori, Deidara se juntou a nós dois e resolvemos pedir uma pizza. Conversamos sobre nossas profissões, contamos histórias engraçadas e jogamos vídeo game.

Os caras são muitíssimos divertidos e eu fiquei muito feliz por eles terem desculpado o meu jeito rude naquele dia do aniversário de Itachi. Já marcamos outra rodada de vídeo game, mas no novo apartamento deles, que será no mesmo prédio que o meu. Seremos vizinhos.

Sasori pediu para que eu perguntasse a Sakura sobre uma cicatriz dentro da boca que ela ganhou em Tóquio por conta das suas teimosias. Eu senti um calafrio só de imaginar o que não poderia ser o motivo dela carregar essa cicatriz.

A minha primeira consulta com o psicólogo foi tranquila. Nos conhecemos e eu toquei nos pontos que mais me incomodavam. Ele disse que eu precisaria de paciência para as mudanças começarem a surgir. Senti confiança nele e marquei uma nova consulta para daqui a 15 dias, porque na semana que vem eu estarei em Tóquio responsável por mais um recall na fábrica da capital.

Agora eu me encontrava no salão de embarque do aeroporto de Konoha. O voo pra Tóquio já estava com uma hora e meio de atraso. E não tinha previsão por conta de um atraso do voo que faria escala em Konoha e seguirá pra Tóquio.

Duas horas depois e os passageiros daqui foram passados para outro voo com destino a Tóquio. Eu chegaria na capital por volta das oito da manhã, e isso fez com que meu plano de encontrar Sakura tomado banho e cheiroso fosse para o ralo. Eu não aguentava mais de saudade e por isso ia direto pra sua casa. Sasori me passou o endereço dela.

Para acalmar os ânimos, coloquei meus fones de ouvido e me concentrei na música indie do Vance Joy que ressoava em meus ouvidos.

Well hold on Darling Bem, espere querida

This body is yours Este corpo é seu

This body is yours and mine Este corpo é seu e meu

Well hold on my Darling Espere minha querida

This mess was yours Essa bagunça era sua

Now your mess is mine Agora sua bagunça é minha

Ah-ooh Ah-ooh

Your mess is mine Sua bagunça é minha

(Mess is mine – Vance Joy)

(...)

Eu estava em frente a porta do apartamento de Sakura deveria ter uns trinta minutos. Eu andava em círculos ao redor da minha mala e se continuasse desse jeito abriria um buraco no chão. Tive que subornar o porteiro para que ele deixasse eu subir sem que precisasse ser anunciado.

Sakura já deveria ter chegado do plantão, como Sasori me disse. Espero que ela não estivesse hibernando ao ponto de não ouvir a campainha, isso se eu conseguisse apertar aquele maldito botão dos infernos.

— Argh, Sasuke! – me repreendi. – Você é homem ou um saco de batatas? – sussurrei conversando com a campainha. Eu não estou bem, acho que já notaram.

Quer saber de uma?

Que se foda.

Meti o dedo naquele botão com mais força que o necessário e o maldito ficou preso por alguns segundos que mais pareciam uma eternidade.

Sakura ia me matar.

Com toda certeza!

Senti meu coração palpitar quando ouvir palavras desconexas e alguns xingamentos do outro lado da porta. Eu estava muito fodido.

Espero que minha morte seja rápida!

Ouvi um arrastar de corrente e o barulho do trinco juntamente com a chave. A hora era agora.

Sakura abriu a porta num rompante ainda de olhos fechados. Seus cabelos estavam bagunçados, ele trajava um moletom vermelho que ia até o meio das suas coxas e um par de meias da Hello Kitty, um filete de baba escorria pelo canto de sua boca. Era a visão mais linda que eu poderia ter, mesmo que ela tivesse soltando fogos pelas ventas.

— Mas que caralho, quem ousa bater na porra da minha por... – seus olhos cansados, esmeraldinos me focaram e arregalaram em surpresa – Sasuke?!

Eu queria acabar com aquela distância, queria abraça-la, beijá-la nos tornando apenas um so, se fosse possível.

Mas eu também sabia da minha condição, dos meus erros e do quanto ela estava chateada. Me segurei o máximo que pude, mas não pude evitar um sorriso mínimo.

— Oi. – disse sentindo meu coração bater cada vez mais forte. – Senti sua falta!

Notas finais
Músicas do capítulo: Nós: https://www.youtube.com/watch?v=DMR8QRkeGhE Mess is mine: https://www.youtube.com/watch?v=kINi_D0SW0Y Ouçam porque elas são lindas de viver ♥ ~~* E aí, o que acharam? Me contem tudinho! Quem tá preparado pra conversa SasuSaku? Beijocas e até logo ♥