Daylight

43 Casamento de Itachi e Izumi


Notas iniciais
Olha quem apareceu o/// Por favor, não comam meu fígado! Eu demorei? Demorei. Quase 3 meses, eu sei. Falo mais disso nas notas finais ;) Quero agradecer a @Lilylirios por ter betado essa capítulo enorme pra mim e a força que me deu nesses meses todos. Foi fundamental ♥ Obrigada mil vezes por isso ♥ Aos meus leitores e leitoras amadxs muito obrigada pelo carinho de sempre ♥ Esse capítulo é dedicado a Jessica Faria pela belíssima recomendação ♥ Fiquei muito feliz! Bom capítulo ♥

Aonde você quer ir?
Quanto você quer arriscar?
Eu não estou procurando por alguém
Com algum dom sobre-humano
Algum super-herói
Alguma felicidade de conto de fadas
Apenas algo a que eu possa recorrer

Alguém que eu possa beijar
Oh, eu quero algo exatamente assim

(Something Just Like This — The Chainsmokers feat. Coldplay)

Por Sasuke

Se me dissessem que um dia eu perdoaria a Sakura e que estaríamos juntos e felizes outra vez, eu diria que essa pessoa, no mínimo, sofria de alguma doença incurável e riria na cara dela como o Simba ri na cara do perigo, ou seja, todo se borrando.

Mas como eu disse, estamos tão felizes que às vezes eu penso não ser merecedor de tudo isso. Mesmo padecendo no inferno tempos atrás.

A gente tá um grude só. É raro quando passamos um dia sem nos ver, ainda mais agora com a mudança para o nosso apartamento.

Nosso apartamento! Que música mais bonita de se ouvir. Que dia lindo para se viver!

O nosso canto está ficando do jeito que a gente quer. As reformas já findaram e todos os móveis chegaram. Segundo Itachi, eles já foram montados também. Tive que passar esse cargo de fiscalizar a obra para meu irmão e Izumi, porque eles estavam tão neuróticos por conta do casamento, e para relaxarem, eles preferiram trabalhar. Vai entender esse povo doido. Como a organização do casório ficou por conta do buffet da Tenten e Ino, que resolveu ajudar, eles puderam se ausentar dessa parte.

Os livros de Sakura chegaram sãos e salvos, e assim que voltarmos de Suna vamos nos mudar. Mas para isso acontecer precisamos chegar em Suna.

Todas já estavam lá, menos Sakura e eu por conta dos nossos trabalhos, além dela ter deixado para arrumar a mala em cima da hora. Claro. Itachi e Izumi se casarão amanhã no fim da tarde, então ela usaria todo tempo do dia anterior para arrumar a mala no último segundo.

Enquanto isso eu observava Sakura andando de um lado para o outro quase abrindo um buraco no seu quarto. Eu fui buscá-la no hospital e viemos para casa de Kizashi para ela terminar a mala, que para dois dias deveria ser mínima, mas a realidade é bem diferente.

Uma pilha de roupas considerável estava depositada na cama a lado da bendita mala que jazia vazia. Eu tentei interferir algumas vez, mas com os olhares que ela me lançava, preferi me abster dos meus comentários.

Até agora.

— Amor, não tem muita roupa para apenas um dia e meio não? – Indaguei, como quem não queria nada. Eu estava cansado e não queria pegar estrada tão tarde.

Ouvi Sakura bufar e revirar os olhos. Mas ela respondeu.

— Eu não vou levar todas essas roupas. Estou separando algumas para doação. Perdi boa parte das minhas roupas desde que cheguei em Konoha. Acabei engordando um pouco.

— Não notei diferença alguma. – de fato não tinha notado – Isso que está te incomodando?

— Mas as minhas calças e shorts notaram. – ela riu — Mas não é isso que me incomoda. Eu estou até feliz por ter engordando. Aqui eu como muito melhor do que comia em Tóquio. Lá eu não tinha hora para comer e até pipoca virava jantar. Eu estou pensando que por conta dessa doação, Ino vai me obrigar a ir no shopping com ela e vai me fazer experimentar mais do que o necessário. Nem grávida, o ritmo diminui com aquela porca.

— Entendi. – coitada de Sakura – Mas você tinha que separar essas roupas logo agora? Eu estou cansado e você também. Não queria pegar a estrada tão tarde. – disse me aconchegando ainda mais aos travesseiros que tinham o cheiro dela.

— Desculpe, amor. Não pensei que ia demorar tanto, não sabia que tinha tantas roupas “perdidas”. Eu estou cansada, mas aguento dirigir até Suna. É tão rapidinho daqui até lá. Ou podemos ir amanhã bem cedinho.

— E perder a despedida de solteiro do meu irmão? Nem pensar, amor! Eu aguento dirigir até lá, não se preocupe. Se você puder adiantar eu agradeceria. – dei um sorriso amarelo.

— Uchiha Sasuke, eu odeio que me apressem. – ela disse fingindo estar com raiva – E outra, as despedidas só irão começar meia-noite. Saímos daqui no máximo às nove. E eu dirijo. Faz tempo que não faço isso, estou sentindo falta.

— Tudo bem senhorita. Você dirige. — lancei uma piscadela e ela riu – Se a gente fosse amanhã pela manhã, você perderia a despedida de Izumi.

— Eu sei, amor. Mas só tem mulher grávida praticamente nessa despedida de solteira e elas só falam de gravidez, filho, amamentação... Puta que pariu, se eu tivesse grávida tinha um manual completo.

— Tão maternal... – debochei e ganhei o dedo do meio em resposta.

— Ou é papo de grávida ou Tsunade , Karin e Tenten falando das suas peripécias sexuais. – Sakura riu da minha careta. – E ainda tem sua mãe. Mikoto prefere ver o capeta na frente dela do que a minha pessoa.

— Amor... não é bem assim.

— Desculpa, Sasuke. Eu sei que é sua mãe, te entendo e sei que para você é difícil. Mas para mim também é. Ela não dá uma trégua e até quando eu não respondo ela insiste em dizer alguma coisa.

Puxei Sakura pelo braço e a fiz sentar no meu colo. Ela tinha um biquinho lindo de indignação nos lábios. Minha pequena é tão transparente em suas reações que chega a ser fofo.

Selei nossos lábios e senti o sorriso que se formou nos lábios dela. Me afastei sob um pequeno protesto e comecei a lhe afagar o rosto.

— Isso vai passar, eu prometo. – disse a ela com toda certeza que eu tinha e ela sorriu gostoso.

— Só queria ter toda essa sua certeza.

— É fácil. Conversa com Uchiha Fugaku que ele lhe dirá isso e muito mais.

— Tudo bem, então. Agora eu preciso terminar essa mala para podermos ir logo para Suna. – Deu-me um selinho demorado, afastou-se indo até o guarda-roupa e tirou de lá o que parecia ser o seu vestido para o casamento. Eu não tinha visto, só sabia que era verde, porque Izumi obrigou a todos os padrinhos combinarem a cor da gravata com a cor dos vestidos das madrinhas que fariam par.

— Esse é o famoso? – apontei com o queixo para embalagem branca que cobria o vestido.

— É esse sim. Ele é tão lindo, Sasuke. – os olhos dela brilhavam.

— Se eu já tivesse visto poderia concordar com você. – ela apenas riu da minha indignação e me deu língua.

— Amanhã você verá, meu bem!

E com a promessa de uma revelação para o dia seguinte de um vestido que eu sabia apenas a cor, partimos para Suna com Sakura tomando a chave das minhas mãos e assumindo o volante do carro.

QUE MULHERÃO DA PORRA!

Não sei o que dizer, só sentir!

[...]

— Juízo, viu mocinho?! – Sakura disse enquanto me deixava na porta da boate.

— Pode deixar senhorita, só tenho olhos pra você amor! – tentei soar meio galanteador.

— Olhos, ouvidos, boca, nariz e seu pau, querido! – mas foi aí que ela fodeu minhas ideias!

— Amor, se você falar do meu pau desse jeito sexy e possessivo mais uma vez, eu vou esquecer que tenho uma despedida de solteiro e te levar pro quarto do hotel e foder com você até o sol nascer!

— Hum... a proposta é tentadora. – deu-me um beijo no canto da boca de forma provocativa. – Mas eu tenho que acordar cedo amanhã – fez beicinho e eu roubei um beijo.

— Tudo bem! – disse resignado. – É o preço que se paga, mas a noite é uma criança, Sakura.

— Tchau, Sasuke. Estou atrasada e você também.

— Nossa, seu humor está uma beleza! – ela riu da minha cara de indignação – Eu estou falando sério, Sakura.

— Eu também, amor. – sorriu.

Sakura se aproximou e me deu um beijo apaixonado me deixando fora de órbita. Ela tinha um poder de persuasão incrível com aquela língua afiada e saborosa.

Era frustrante não conseguir ficar chateado com ela, às vezes. Não que eu gostasse de ficar brigado, mas é estranho ficar vulnerável dessa forma. Eu tinha me esquecido como era essa situação!

— Eu sei que ando meio instável, ultimamente. – ela disse ao final do nosso beijo. – Já conversei com Tsunade e ela passou um check-up completo no quesito hormônios. Ela desconfia da pílula também. – suspirou cansada. — Desculpe.

— Tudo bem... mas por que você não me avisou isso antes? É algo grave? – odiava quando Sakura escondia as coisas de mim.

— Porque eu falei com Tsunade hoje. A princípio, não é nada grave, mas com os exames a gente pode ter a real noção. Talvez eu troque a pílula ou passe a usar outro método contraceptivo. – falou de forma tranquila – Eu não ia esconder isso de você, só não falei porque estávamos atrasados e eu só pensei na mala vazia. Mas estou te contando agora.

— Obrigado por isso. – selei nossos lábios. – Até daqui a pouco.

— Até... Se precisar que eu venha te buscar é só me ligar. Pelo que Izumi comentou comigo não vai demorar por lá. – a despedida de Izumi seria na casa dos No Sabuku. — E por favor, cuidado com a bebida, ok?

— Relaxa, amor. Não se preocupa comigo. Quando chegar no hotel manda mensagem ou liga para mim!

— Tudo bem.

Mais um selinho e eu saí do carro. Observei Sakura partir e tomei o rumo da entrada da boate.

O local estava agitado, muitas luzes coloridas piscando e o cheiro daquela fumaça maldita dispersava pelo local.

A organização da despedida do meu irmão ficou por conta do Kankuro e ele não economizou em nada a meu ver.

A boate era enorme, mas não deveria ter mais que umas 30 pessoas dentro. A bebida rolava solta por ali. Avistei meu irmão e notei que ele já estava meio alto.

— ATÉ QUE ENFIM VOCÊ CHEGOU, TEME. – Naruto escandaloso como sempre. Ele não estava muito diferente do meu irmão. – PENSEI QUE TINHA DESISTIDO.

— Baka, não precisa gritar.

— PORRA! TU JÁ CHEGOU CHATO, VIU? PUTA QUE PARIU... ALGUÉM DÁ UMA BEBIDA A ESTE RAPAZ?

Prontamente um garçom chegou até mim e serviu um copo de uísque com dois cubos de gelos.

Tomei um gole, que desceu rasgando pela garganta. Dei importância à bebida e ignorei as gritarias de Naruto indo até a grande mesa falar com meu irmão.

— Itachi. – chamei-o e um par de olhos negros avermelhado me focou. – Caralho, você já está bêbado?

— Irmãozinho tolo! – levantou-se virando o copo de uísque cheio na mesa. Lerdo – Ops... Fiz merda.

— Normal. – ralhei.

— Pensei que você não viria mais. – ele disse arrastando a voz e embolando um pouco a língua.

— Sakura estava arrumando a mala, por isso demorei, mas já estou aqui e você nem me esperou para ficar bêbado, que falta de irmandade e companheirismo.

— Vai pra merda, Sasuke. Hoje eu depilei meu saco com cera quente pra noite de núpcias. Eu precisava anestesiar a dor.

E diante desta bela fala do meu irmão todo conteúdo em minha boca foi jogado pra fora, de forma involuntária. Atingi Itachi em cheio.

— CARALHO, SASUKE. QUE MERDA CARA!

— Foi mal, Itachi. – eu dizia em meio a risos. Itachi era o ser o humano mais idiota da face da terra.

— Vou dar um jeito nessa merda. – anunciou e se retirou irado.

Melhor não cutucar a onça.

Enchi meu copo com uísque outra vez e fui falar com o restante dos rapazes.

Reencontrei meus primos Shisui e Obito, ambos irmãos de Izumi. Tinha tempo que eu não os via. Perguntei sobre Madara, e Obito disse para que eu não esperasse muita coisa. Ele estava possesso e queria distância do casamento da filha. Uma pena, mas só quem perde é ele. Babaca.

Passei parte da noite conversando com Gaara, Sasori e Deidara. Por ironia do destino ou não, Gaara e Sasori foram colegas de escola. Com a recém descoberta do ciclo em comum de amigos estão se falando outra vez.

Gaara está bem melhor depois da última vez que eu vim à Suna. Seus olhos ainda eram tristes, mas não tão intensos quanto antes. Ele confessou que ainda doía e se permitia chorar algumas vezes, para aliviar a dor que aplacava o peito. Era um terreno difícil e eu sabia o quanto.

Mudamos de assunto, quando um Kankuro desnorteado passou por nós dizendo que cancelaram o show das strippers. Que alguém se passou por ele e cancelou o show dois dias atrás. Eu já sabia que teria algo do tipo, mas essa situação foi uma verdadeira surpresa.

Kankuro tentou de forma desesperada contratar outras moças para o show, mas foi em vão. Por coincidência, ou não, todas tinham shows agendados para hoje. Que inusitado.

Itachi que estava ainda mais bêbado do que quando eu cheguei a festa, o que nos propiciou uma performance de dança um tanto peculiar. Segundo ele: “Quem precisa de mulheres gostosas rebolando quando tem ele por ali?” Ego pequeno é ironia junto dessa criança.

Ele se esfregava naquele pau metálico, certo eu não sei o nome daquela coisa, e foi assustador.

— Puta que pariu, o que eu estou fazendo aqui? – proferi diante daquela cena medonha.

Num impulso rápido, coloquei o copo de bebida na mesa e tirei o celular do bolso pra filmar aquela cena. Sakura precisava ver aquilo e eu não podia deixar esse momento passar em branco.

Filmei até engasgar com meu próprio riso diante da imagem do meu irmão dando de testa no ferro com tudo. O certo seria prestar socorro, eu sei, mas não deu. Foi inevitável. Ele esbarrou nas calças que estavam na altura dos joelhos e meteu o testão no metal.

Depois que me controlei, vi Sasori indo em direção ao meu irmão para prestar o devido auxílio. Não foi nada demais, ele só está com uma puta marca gigante na testa, que estará roxo amanhã. Com toda certeza.

Por conta do incidente de Itachi e por parte dos meus amigos, me incluo nesta, estarem um tanto bêbados tomamos o rumo do hotel. Duas vans foram disponibilizadas para tal tarefa.

Aquela porra sacolejava mais que tudo. Meu mundo girava, nunca mais eu vou beber. Nunca mais bebo ou, quem sabe, tomo uma dose a menos na próxima vez.

Chegamos cambaleantes no hotel, mas sobrevivemos. Deixei meu irmão no quarto de nossos pais, no meu melhor: “toma que o filhe é teu”. Porque Itachi não tinha condições de dormir sozinho, e, de quebra, ouvi um sermão daqueles bem dado dos meus pais, mas sobrevivi sem ferimentos graves. Nada de puxão de orelha ou afins!

Cheguei à porta do meu quarto e da Sakura. Tive que perguntar, umas dez vezes, ao recepcionista qual o número do quarto. Álcool jovens, álcool. Culpa dele. Não consumam.

Bati, bati e nada da Sakura aparecer.

Liguei, liguei e logo, uma Sakura com cara de sono e descabelada veio me atender. Ela parecia não está no seu melhor humor.

— Oi, amor. – eu disse com a maior cara de inocente tentando não trocar as pernas. – Como você está? Chegou cedo, hein?!

— Sem gracinhas, Uchiha Sasuke. – fodeu. Nome completo. – Entra logo que eu estou morrendo de sono.

— Tudo bem! – levantei as mãos em sinal de rendição e vi Sakura fechar mais a ainda a cara.

— Você está fedendo a álcool. Credo, Sasuke.

— Bebi um pouquinho. – disse entrando no quarto e começando a me despir pra dormir.

Quando estava prestes a fazer um tchibum na cama, fui pego no pulo do gato.

— Nem pensar mocinho. Já para o banho.

— Mas amor, eu estou cansado! – eu tive que apelar.

— Não me interessa. Eu não vou dormir com você fedendo desse jeito. Tenha compostura, homem.

— Mas, Sakura...

— Para.o.banho.agora.Sasuke! – ela disse entredentes e me deu medo.

Por amor aos meus cullhões é melhor encarar o chuveiro.

Por Sakura

Estava no meio de um sonho lindo. Eu estava fugindo do buquê que Izumi jogava durante o casamento.

Mas não, sempre tem alguém que vem tirar você de um sonho lindo desses. E o responsável por tal façanha não é nada mais, nada menos que meu namorado Uchiha Sasuke.

Pra fechar o pacote ele ainda está fedendo álcool e, óbvio, bem bêbado. Você acha que está ruim? Claro que não. O filho da mãe ainda queria dormir sujo. Ah! Vá para casa do caralho que eu não sou obrigada a aturar uma coisa dessas.

Vi a hora ter que puxar o chinelo, para Sasuke ir ao banheiro. Ora veja.

Nossa, eu estou bem estressada, mas é de cair o cu da bunda um homem desse tamanho querer dormir sujo.

Céus, nem parece que me diverti na despedida de solteira da Izumi.

Mas olha, eu não me diverti mesmo. Eu dormi. Isso mesmo, eu dormi. Foi só aquele papo de criança se sobressair que o saquê começou a entrar e eu capotei naquele sofá macio dos No Sabuku.

Acordei no fim da festa por uma Tsunade animadinha, porque ia dar pra Jiraya depois de uma semana sem sexo, por conta de uma viagem de trabalho que ele fez.

Não lembro de mais nada do que aconteceu. Se teve homem pelado, eu perdi. Que fase fodida de cansada que eu estou.

A minha sorte foi que Mikoto não estava lá. Segundo Izumi, ela não se prestaria a essa pouca vergonha. Nossa, olha que bacana? Delicada como coice de mula. Essa é minha sogra.

Enquanto eu refletia com meus botões, Sasuke saiu do banho batendo o queixo. O quarto estava gelado e ele seminu. Pena que eu estava com sono demais para cair de boca em tudo ali.

Ele colocou sua calça de moletom sem emitir um “ai” e se jogou na cama ao meu lado. Olhou para mim com um sorriso estampado nos lábios e deu leves batidinhas no peito me chamando, a fim de que eu me deitasse ali. Fui sem pestanejar.

É tão gostosa a forma como eu e Sasuke nos comunicamos. Às vezes não precisamos emitir uma palavra para nos entendermos. Pequenos gestos e olhares já diziam muita coisa, por si só.

— Como foi a despedida de solteira de Izumi? – Sasuke emitiu com a voz um tanto embargada de sono.

— Eu não sei. – respondi contra seu peito e depositado um beijo cálido ali. – Eu acabei dormindo no sofá.

— Sério?

— Seríssimo. Eu estava só o pó, amor. Aí começaram aqueles papos chatos, Shikadai abriu o berreiro para mamar, Tsunade e Karin falando suas peripécias sexuais com seus respectivos... – me contorci lembrando das cenas e Sasuke deixou um riso frouxo escapar. – Foi um show de horrores. Eu tomei saquê como se fosse iogurte e capotei naquele sofá macio, que deve ser mais caro que todos os móveis da nossa casa.

— Nossa casa... – Sasuke repetiu. – Eu gosto de como isso soa. – confessou e eu senti minhas bochechas queimarem. Sasuke romântico me tira dos eixos.

— Eu também. – admiti e selei nossos lábios com carinho. – Mas me conta aí, como foi a despedida de solteiro de Itachi.

— Foi hilária, amor. Itachi já estava bêbado quando eu cheguei lá e já estava todo cagado. Cancelaram o show da stripers – ele me olhou cauteloso, mas dei ombros. Eu sabia que isso ia acontecer. Uma pessoa chamada, Nara Temari foi a responsável por tal façanha, mas eu negaria até a morte essa informação. – E Itachi resolveu fazer o show ele mesmo.

— Como assim?

— Ele começou a se esfregar naquela barra de ferro...

— Mastro para pole dance. – consertei.

— Isso aí mesmo. – ele riu. – Amor, você tinha que ver. Aliás, você vai ver, eu gravei.

—Mentira que você fez isso, Sasuke.

— Amor, eu não podia deixar aquela cena morrer.

Sasuke se remexeu na cama e passou a tatear o criado mudo em buscar do celular. Rapidamente, ele foi encontrado e já estava em minhas mãos com o bendito do vídeo aberto.

SOCORRO, MEU DEUS. ITACHI É MUITO IMBECIL.

Gente, vocês não têm noção do conteúdo desse vídeo. Itachi dançava parecendo uma barata voadora descontrolada se achando a pessoa mais sexy da face da terra. Para piorar, começou a tirar a roupa, só que a calça não saiu porque ele esqueceu de tirar os sapatos primeiro, e aí deu a merda; ele se desequilibrou e caiu de cara, ou melhor, de testa no mastro.

Eu gargalhei como se não houvesse amanhã. Minha barriga doía e o ar me faltava. A gargalhada de Sasuke, ao fundo, deixava tudo ainda mais engraçado. O escroto nem foi socorrer o irmão. Carinho e gentileza a gente vê por aqui.

— Sasuke, jamais em toda sua vida, apague este vídeo. – disse quando me recuperei do surto de risos.

— Pode deixar, amor. Já salvei no Dropbox, One Drive e iCloud. Esse vídeo jamais se perderá.

— Às vezes, você tão diabólico amor. – lancei uma piscadela marota. – Eu gosto disso.

— É claro que você gosta. – disse perverso e eu senti minhas entranhas esquentarem quando Sasuke se aproximou e me puxou para um beijo lascívia e possessivo; despertando todo meu corpo.

Sono, você ainda existe?

A língua quente de Sasuke sobre o meu pescoço me fez chegar à conclusão que não.

[...]

Na manhã seguinte, Sasuke e eu acordamos super cedo com o telefone do quarto tocando incessantemente. Era dona Mikoto; ela estava desesperada porque Itachi estava passando mal. Despertei num pulo, e junto com Sasuke, fui ver o que estava acontecendo.

Não era nada preocupante, se hoje não fosse o casamento dele. Itachi estava com uma ressaca daquelas. Nada parava em seu estômago e a cabeça lateja a mil. Liguei pra Sasori e decidir levar Itachi até o hospital. Ele tinha batido a cabeça ontem, então qualquer cuidado era pouco.

Liguei pra Tenten, informei o ocorrido e o porquê ainda não tinha chegado a casa dos No Sabuku para me arrumar. Pedi para que ela não comentasse com Izumi sobre Itachi para não a preocupar, e ainda que inventasse uma desculpa pela minha ausência. Tenten era boa com planos; eu que o diga.

Itachi foi atendido rápido; a Chiyo-baasama, avó de Sasori, já esperava por ele. Todos os exames foram feitos e constataram que Itachi apenas sofria de ressaca mesmo, um pouco mais intensa que o normal. Ele tinha misturado bebida e ainda tinha ficado sem comer. Foi medicado, ficou no soro e foi liberado quatro horas depois. Por sorte, seu casamento era no final da tarde.

Deixei Sasuke no hotel junto com a família e dirigi até a casa família No Sabuku. Além de me arrumar às pressas tinha a missão de comunicar a Izumi o motivo do meu atraso. Eu estava era muito fodida com essa família Uchiha e não era com Sasuke me fodendo divinamente bem!

[...]

Izumi e Tenten se arrumavam na casa dos No Sabuku, mais precisamente no escritório imenso que ficava no andar de baixo da casa. A cerimônia seria realizada no quintal da casa que dá de encontro com a praia magnífica.

Abri a porta do escritório sorrateiramente e vi Izumi e Tenten em seus devidos robes de seda. O da noiva branco com cristais e o da madrinha azul-claro bordado com os nomes noiva e madrinha escrito. O meu é verde, Tenten tinha me mandado a foto. Quero estrear, por motivos de porque sim. Hinata não fez no dela.

Além das meninas, Haku, cabelereiro e maquiador, e mais dois rapazes da equipe dele estavam presentes no local. Estava tudo muito, muito bonito e as meninas pareciam se divertir como duas adolescentes.

— Bom dia, meninas e meninos. – anunciei-me tímida.

— Boa tarde, não é Saky? – disse Izumi. – Até que enfim, a outra madrinha chegou.

— Ai meu Deus, Sakurinha. – Haku se manifestou batendo palmas. – Que bom te reencontrar, já estou louca para cuidar dos seus cabelos.

— Demorei, mas cheguei. – eu podia sentir a tensão em minha voz. – Será que vocês poderiam me dar licença só um instantinho? Eu preciso falar com Izumi em particular.

A Uchiha empalideceu e ficou sem fala, como Tenten já sabia do que se tratava lançou um olhar para Haku e sua equipe, e prontamente se retirou do quarto junto com eles.

Me sentei na borda da cama e fiquei de frente pra uma Izumi mais branca que papel.

— O que foi que aconteceu, Sakura? Foi alguma coisa com Itachi? Ele está bem? Ele desistiu de casar comigo? – ela estava desesperado e eu estava ficando também.

Suspirei e tomei suas mãos num gesto rápido.

— Está tudo bem. Itachi não desistiria de casar com você nem em mil vidas. – lancei um sorriso e ela pareceu menos tensa.

— Mas o que foi que aconteceu? Sua cara não está boa... O que foi? Me fala, por favor.

— Bom, eu não me atrasei pelo motivo qual a Tenten te falou...

— Não? – indagou confusa e voltou a ficar nervosa outra vez.

— Não. Está tudo bem agora – enfatizei. – Mas Itachi passou mal pela manhã e...

— AH MEU DEUS, O QUE ACONTECEU? – soltou-se das minhas mãos e passou a me sacudir. – FALA LOGO, SAKURA.

Saí do seu agarre e tomei suas mãos dando-lhe um olhar incisivo.

— Se você me deixar falar, fica mais fácil. – esperei que ela se acalmasse e continuei. – Como eu te disse, Itachi passou mal pela manhã. Na despedida de solteiro, ele acabou misturando as bebidas e não comeu nada. Por isso, acordou numa ressaca para lá de fodida. Você não sabe, mas seu marido resolveu fazer uma performance sensual – revirei os olhos. – E acabou batendo a cabeça num mastro de pole dance.

— Como é? – incrédula, Izumi não sabia se ria ou se chorava. – Que história é essa, Sakura?

— Você sabe que a Temari cancelou o show particular de stripper na despedida preparada por Kakuro. Itachi, muito bêbado, claro, se achou no direito de compensar os amigos. E resolveu fazer seu próprio show de stripper. – Izumi deixou escapar um riso. – Nessa brincadeira mais a bebida, ele acabou caindo de testa no mastro de metal.

— Ai meu Deus, Itachi não fez isso. Ele não pode ter feito isso.

— Mas ele fez; Sasuke filmou e tudo. Você tem que ver, é hilário.

— Você viu?

— Claro que eu vi. Peço para o Sasuke te mostrar depois. – suspirei. – Mas voltando ao ocorrido. Itachi passou muito mal pela manhã. Vomitava muito e a cabeça latejava. Por conta do acidente achei melhor leva-lo ao hospital. – a Uchiha ia começar outro escândalo, mas eu a contive apertando suas mãos. – Ele fez todos os exames e está tudo ok. Itachi acabou ficando no soro por algumas horas, mas já está no hotel com os pais e o irmão.

— Eu quero falar com ele. – falou decidida. Ela estava putassa.

— Izumi, ele deve estar descansan...

— EU NÃO QUERO SABER, SAKURA. – eu falei que ela estava putassa. – ESSE FILHO DA MÃE VAI ME OUVIR.

— Tudo bem, se acalma aí que eu vou ligar pra Sasuke, ok? – ela ia retrucar, contudo eu fui mais rápida. – Lembre-se que você está grávida e não pode se exaltar. Eu já vou ligar e você pode soltar, com moderação, claro, os cachorros em cima de Itachi.

— Tudo bem. – se deu por vencida, porém, algo dentro de mim dizia que não estava tudo bem. Uchiha Lascado Itachi ia se foder. E eu ia ver de camarote.

E minha teoria se confirmou quando eu passei o celular para Izumi. A Uchiha estava soltando fogo pelas ventas. Itachi tomou uma bela lavada e com certeza não deu um pio, porque Izumi não parava. Sobrou até pra Mikoto – segundo me relatou Izumi — a matriarca inventou de tomar o celular de Itachi para defender o filho e ela mandou a tia e futura sogra não se meter onde não era chamada.

Mas a Sakura que é a escrota! Sintam a ironia. O mundo gira, né mores?

Depois que desligou o telefone Izumi ainda bufava e alguns bobs havia soltado dos fios castanhos. Foi até o frigobar e tomou um puta gole de água direto no gargalo, e depois sorriu aliviada.

Com o problema resolvido, chamei Tenten, Haku e sua equipe de volta para o quarto para terminarmos de nos arrumar. Eu, nem ao menos, tinha começado.

Ô diazinho!

[...]

Eu estou pronta e definitivamente linda num vestido verde claro, longo, com o busto de renda, costas nuas e saia soltinha. Meu cabelo estava solto com cachos nas pontas e minha maquiagem está bem básica, exceto pelo batom vermelho porque senão for para causar eu nem saio de casa. E nos pés, como o casamento é praticamente na praia, optei por uma rasteirinha prata-envelhecida chique. Detalhe, foi mais cara que o vestido. Sasuke insistiu em me dar achando que eu mostraria meu vestido. Vendeu um rim para comprar e ficou a ver navios. Às vezes, eu sou um pouquinho má.

Tenten também está linda num vestido azul royal de cetim, tomara-que-caia, marcado na cintura e cauda de sereia. Nos cabelos ela tinha uma trança embutida simples, mas o sonho dela era ter o cabelo do marido. Eu entendo. Neji tem o cabelo mais L’oreal Paris que você respeita. A maquiagem dela também estava bem clean com direito a um batom rosa-nude matte. Ela já tinha saído do escritório para ver como estava a organização do local, afinal é o buffet dela que está administrando tudo.

Mas o que interessa hoje é a noiva, até porque o noivo tem de enfeite um galo lindo na testa. Izumi está divina num vestido branco de alcinha, marcado na cintura com cetim branco e cristais, costas nuas e um decote coração. No cabelo um véu voilette preso num coque lateral juntamente com pequenas tulipas vermelha, rosa e amarela.

— Izumi, você está linda. – falei realmente emocionada segurando uma lágrima maldita que queria escapar.

— Você acha, Saky? – ela também estava visivelmente emocionada

— Com toda certeza, mas não me olha com essa cara chorosa porque eu não vou aguentar.

— Vamos parar vocês duas? Haku teve muito trabalho para vocês estragarem no final. – disse Tenten invadindo o quarto. Sutil como uma bomba. Nos recompomos na mesma hora. – Izumi, Itachi já está a caminho, não vai dar mais tempo de fazermos as fotos com o pôr-do-sol, então você casa e depois foto, está bem?

— Sim, senhora. – disse Izumi debochada que ganhou um dedo do meio de Tenten.

É rir pra não chorar pessoal!

Resolvi deixar Izumi um pouco sozinha, senti que ela precisava desse momento só dela e aproveitei pra dar uma olhada no lugar. Meu queixo caiu com a beleza do lugar. Mesas estavam arrumadas e organizadas – com toalhas brancas de cetim, arranjos mínimos de tulipas amarelas, rosas, vermelhas, e um pequeno espelho abaixo do arranjo — nos jardins da frente da casa par receber o convidados após a cerimônia. A pista de dança estava improvisada próximo a piscina e o DJ, que estava forever alone, tocava uma musiquinha típica de casamento.

Mas o quintal estava mil vezes mais lindo ainda. Cadeiras acrílicas com estofados brancos tomavam conta do local. O altar – um pergolado branco adornado de tulipas amarelas, rosas, vermelhas e pequenos sils* — findava no meio da areia. Uma esteira enorme trançada de palha envernizada era o caminho que Izumi seguiria até Itachi.

Fui interrompida do meu estado de contemplação por um Sasuke que acabou de mandar uma mensagem avisando que estava chegando e queria me ver. Como se não houvesse amanhã, entrei pelos fundos da casa e se não fosse por um poste em formato de gente eu teria chegado ao escritório.

— Desastrada. – uma voz grave e familiar soou. – Vê se olha por onde, mocinha.

— Ora veja, mas que audácia da sua parte seu... – minha voz morreu assim que eu avistei a figura de longos cabelos negros. – Uchiha... Madara? O-o-o qu-e-e... O que você está fazendo aqui? – perguntei rápido quando recuperei o fôlego.

— Como você sabe o meu nome? – perguntou sério. – Você me conhece? Não lembro de nenhuma fedelha de cabelo rosa.

Isso foi um insulto?

Sim, isso foi um insulto e ele é um filho da puta.

Olhei bem pra ele sentindo meu sangue ferver, mas sem deixar de notar no quanto todo mundo dessa família se parece. Que gene é esse, gente? E que cabelo L’oreal Paris é esse?

Caralho... Foca, Sakura.

— Fedelha é a pu... – me controlei – A senhora sua mãe. Se não estivesse parado que nem um poste nada disso teria acontecido.

— Que boca mais porca. Só responda a minha pergunta. – disse petulante.

Quem esse velho tá pensando que é?

Mas espera aí...

Só agora notei que ele estava vestido como os garçons da festa, com o paletó de smoking branco, calça e gravata borboleta preta.

É lógico. Esse imbecil está disfarçado.

Ele veio pro casamento da filha escondido. Que escroto.

— Esse cabelo solto não ajuda no disfarce, velhote.

E toda aquela máscara de petulância deu uma vacilada. – Que disfarce, menina? Estais louca por um acaso? Eu estou a trabalho, apenas.

— Me engana, que eu gosto, velhote. Só que não. – disse vencedora. – Você é Uchiha Madara sim e está aqui para assistir o casamento da sua filha.

— Você conhece, Izumi? – perguntou logo em seguida mordendo o lábio se repreendendo. Tem gente que se entrega na merda mesmo. – Merda!

— Olha só, o velhote sabe dizer coisas feias também.

— Sem jogos, menina. Me diga logo quem é você e qual o seu preço para ficar calada? – as mãos dele já estavam em seu paletó em busca da carteira. Ele tremia.

— Meu nome é Haruno Sakura e meu silêncio não está à venda, vovô. Então, pode deixar essa carteira no mesmo lugar. – ele ainda tremia e suas mãos estavam em punho com os nós já esbranquiçados. – Eu sou namorada de Sasuke, irmão de Itachi, seu sobrinho e futuro genro. – ok, peguei pesado, mas abaixa que é tiro. – Além disso, sou uma das madrinhas desse casamento.

O homem ficou mais branco que o paletó que trajava e parecia que ia desmaiar. Puxei uma cadeira e o forcei a sentar. Ele nada me respondia. Conferi os sinais, que estavam um pouco alterados e resolvi servi-lo com água. Alguns garçons nos olhavam e voltavam aos seus serviços. Solidariedade a gente vê por aqui.

— Respira fundo. – eu disse. – Puxa pelo nariz e solta pela boca. — ele não queria tocar na água, mas cedeu e obedeceu meus comandos. Eu tinha me esquecido que o homem era cardíaco. Que médica irresponsável eu sou.

— O senhor está se sentindo melhor? – ele anuiu. – Graças a Deus.

— Mas eu... eu tenho que ir embora.

— Uma porra que o senhor vai embora. – exaltei-me e mordi a língua me repreendendo. – Você não vai sair daqui nesse estado.

— Claro que eu vou. – levantou num rompante e o copo estraçalhou no chão. – Izumi não pode saber que eu estive aqui, ninguém pode saber... eu... eu...

— Você veio assistir ao casamento da sua filha, que eu sei e é isso que o vai fazer. – dei uma ênfase maior ao laço de paternidade que unia a senhor a minha frente e Izumi.

— Quem você pensa que é, sua fedelha?

— Já te falei meu nome. Senta aí e me escuta. – empurrei ele em direção a cadeira mais uma vez. – Senta logo, Madara. – sentou por fim. Suspirei fundo tomando coragem para falar tudo que minha cabeça e coração queriam dizer. – Acredite, eu sou a pessoa mais experiente no quesito se afastar de quem você ama.

— Eu quero e vou embora... – teimou.

— Fica quieto aí, porra, e escuta. Minha mão está pinicando para ir na sua cara. – exagerei, mas estava sentido ela formigar – Quando eu tinha dezesseis anos, eu perdi a minha mãe pra um doença fodida e traiçoeira. Meu mundo caiu, minha maior referência tinha ido embora e no lugar ficou um buraco no peito. – eu sentia minha voz embargar e o bolo se formar na garganta. – Para piorar: meu pai queria mandar na minha vida, obrigar-me a seguir um caminho que eu não queria, além do olhar de penas das pessoas, até Sasuke, meu namorado desde aquela época, direcionou-me aquele olhar – ele me olhou surpreso, mas ignorei.

“Eu era uma espécie de sobrevida, uma pessoa que acumulava a pena que os outros me ofertavam, um vegetal em forma de gente. Tudo me sufocava, as pessoas, a cidade, meu pai, Sasuke e a saudade da minha mãe, aquilo tudo era esmagador. Mais do que eu podia aguentar.”

“Então, eu fui embora. Eu sempre quis estudar medicina em Tóquio e foi aí que eu constituí uma espécie de salvação. – revirei os olhos diante da minha própria ingenuidade na época. – Organizei toda a minha vida em Tóquio primeiramente. Minha mãe já tinha assinado todos os papeis necessário antes de morrer. Ela me apoiava em tudo e sabia que meu pai não me apoiaria, por mais que não tenha me dito isso, ela sabia.”

“ Um dia, antes de partir, fui até a casa do Sasuke e pedi para que ele fosse comigo. Egoísta, eu sei, mas eu o amava tanto. – engoli o bolo outra vez que se formava na garganta. – Sasuke, obviamente não aceitou e eu terminei nosso namoro. Achei que seria melhor tanto para ele e quanto para mim. Eu estava cansada de depender emocionalmente dele, sabe? Eu me achava um peso, um incômodo. Ele não merecia alguém como eu”.

“Quando voltei pra casa naquela noite, meu pai já dormia, e eu decidi que não haveria melhor momento que aquele para ir embora. Arrumei minhas coisas rapidamente, escrevi uma carta para meu pai e deixei Konoha sem olhar pra trás. Eu cortei laços com meu pai, Sasuke, meus amigos, a cidade que eu tanto amava, mas a saudade da mamãe continuava a esmagar. Aonde quer que a gente vá, a dor vai com gente, porque ela vive aqui. – coloquei a mão no peito.”

— Muito comovente a sua história, mas aonde quer chegar? – Madara me interrompeu e eu pude me recompor, um pouco.

— Eu voltei depois de nove longos anos. – ele arregalou os olhos. – Pisei em Konoha depois de todo esse tempo, com a cara, a coragem e todo o peso da saudade e culpa que carreguei durante esses nove anos. Eu quero te dizer, Madara, que eu sei a dor que você e Izumi estão carregando e que todo esse sofrimento não vale a pena.

“Eu estou te dizendo que essa sua crendice idiota de que primos não podem casar não pode ser maior que o amor que você tem por sua filha. Eu estou te dizendo que Izumi é uma mulher maravilhosa, uma pessoa incrível e que ela vai se casar com alguém que é tão maravilhoso e incrível quanto ela. Seu sobrinho, filho do seu irmão, um cara bem criado, de boa índole e que ama sua filha com todo o coração dele.”

“Eu estou te dizendo, que Itachi levaria o mundo nas costas se isso fizesse Izumi feliz. Porque ele é ou está feliz se ela também for ou estiver. Eu estou te dizendo, velhote, que desse amor, um fruto foi gerado e cresce saudável no ventre da sua filha. Seu neto ou neta. Seu sangue, um pedaço dela. – minha voz oscilava entre a firmeza e a falha”

Madara me olhava perplexo. Podia jurar que sua cabeça maquinava e seus neurônios pipocavam depois da nossa conversa ou monólogo. Como preferirem

— Eu quero saber se você vai continuar machucando a si mesmo e a sua filha? Se você vai preferir se fingir de garçom e vê-la casando de longe quando você poderia levá-la até o homem que ela ama? – suspirei. Eu já estava cheia daquele silêncio. – A decisão que você tomar eu não irei meu opor, não vou julgá-lo por algo que eu mesma fiz... Então, Madara?

— Nossa, menina, você fala demais, que irritante. – que velho idiota.

— Só quem pode me chamar de irritante é o Sasuke, imbecil. – disse enjoada e me preparando pra sair da cozinha. Esse velho que se danasse.

— Onde está a minha filha? – a pergunta dele me paralisou.

— Como é? – virei-me

— Além de irritante é surda. – bufou e eu revirei os olhos em resposta . – Perguntei onde está minha filha, eu quero falar com ela.

Sorri. – Tomou a decisão certa, velhote.

Puxei a mão dele e corri até o escritório. Era perto, mas não queria correr o risco de encontrar Itachi no meio do caminho.

Bati na porta do cômodo e perguntei à Izumi se podia entrar, o que ela confirmou.

Olhei pra Madara e pisquei. – É a sua deixa, velhote.

O Uchiha suspirou e enxugou as mãos nas calças.

Com a mão na maçaneta, de costas pra mim, ele proferiu quase que inaudivelmente – Er... Obrigado, Sakura.

Dei suaves tapinhas em seu ombro. – Boa sorte, velhote. Faça a coisa certa. – Por fim, ele entrou.

Seja o que a Deusa quiser.

Fui procurar Tenten pra informar o ocorrido. Teríamos que segurar a onda de Itachi de algum jeito. Ele chegou escandaloso e já queria começar a cerimônia. Tenten, super cara de pau e convincente disse que Izumi estava terminando de se arrumar.

Não pude prestar atenção na conversa, porque um Sasuke carente me puxou de forma mal-educada da pequena reunião. Mikoto entortou a cara quando me viu e quando Sasuke me tirou de lá. Me ama, essa mulher, gente.

— Você me dá atenção agora? – disse mal criado e eu ri. – Eu pedi atenção e risos.

— Você fica tão bonitinho emburrado, amor. – apertei suas bochechas e ele fez bico. – Essa boca só faz bico ou beija também? – perguntei marota e a carranca se desfez. Ainda ganhei um selinho demorado.

— Por que demorou tanto a aparecer? – perguntou me abraçando. Sasuke fofo é muito paraíso. Deus, não me leva não.

— Digamos que, eu estava resolvendo algumas pendências. – ele franziu o cenho numa pergunta muda. – Você vai entender, querido.

— Tudo bem. –beijou-me outra vez e logo em seguida tomou minha mão e me girou. – Nossa, você está linda, amor. Já matei a minha curiosidade quanto ao vestido e não vejo a hora de tirá-lo.

Eu ri. – Você está muito tarado, ultimamente, Uchiha Sasuke. – dei um selinho e me afastei. – Ainda temos que casar seu irmão com sua prima, uma festa pela frente, voltar para o hotel e então depois e só depois você poderá tirá-lo. – ele me olhou com um sorriso safado e eu apontei meu indicado naquele nariz arrebitado. – Mas, sem rasgar, entendeu?

— Aí eu já não prometo nada.

— Experimenta descosturar o menor fiozinho que seja pra você ver se não fica sem sexo.

— Nossa, que malvada ela. – debochou. – Você tá bravinha, tá?

— Experimenta, Uchiha. Experimenta.

Ele ia continuar a me sacanear se uma Tenten raivosa não começasse a chamar a todos para ir ao local da cerimônia.

[...]

10, 20, 30, 40... minutos e nada de Izumi. A culpa já estava começando a me consumir e Itachi começando a surtar.

Eu estava inquieta.

— Será que eu fiz a coisa certa? – sussurrei pra mim.

— O que você disse, amor? – Sasuke indagou. Nós já estávamos na formação para entrar e dar início a cerimônia.

— Nada não amor, pensei alto apenas.

— Tem certeza? Sua mão está suando, Sakura.

— Tenho sim. Eu só fico... hum... nervosa em... em...

— Casamentos?

— Isso, amor. Casamentos. – disse por fim um tanto sem graça. Sasuke pareceu não engolir, mas preferiu não insistir.

Mais vinte minutos de espera e uma Tenten, mais tonta que barata, anunciava que Izumi estava finalmente pronta.

Suspirei aliviada e feliz por eles não terem se matado.

Itachi e Mikoto entraram primeiro, seguidos por Fugaku e Tsunade – Izumi como eu, não tinha mais mãe e Tsunade ter feito o parto dela, Izumi a convidou para representar sua mãe — , Neji e Tenten entraram seguidos por Sasuke e eu.

Todos a postos, inclusive o juiz de paz e nada da marcha nupcial começar. Que porra.

Mais uma musiquinha estranha de casamento e os irmãos de Izumi, Obito e Shisui, também entraram para ficar no altar. Mas eles não estavam desacompanhados. Obito entrava de mãos dados com Shizune, e Shisui acompanhado por Hana, irmã de Kiba.

— Obito e Shizune se conhecem? – sussurrei no ouvido de Sasuke que também achava tudo muito estranho. Embora, não pelo mesmo motivo que eu.

— Obito, Shizune, Kakashi e Rin eram um quarteto inseparável. – sussurrou Sasuke de volta pra mim. – Obito namorou Rin e Kakashi a Shizune, mas Rin e Kakashi se apaixonaram quando ambos namoravam. Segundo Kakashi, foi uma confusão dos diabos.

— Nossa!!!! – como eu não sabia daquilo? — Mas Shizune e Rin se dão tão bem, ao menos no hospital.

— Isso tem muito tempo, eles tinham 14 anos na época segundo Kakashi. Shizune, depois de um tempo, conformou-se, de qualquer forma, a culpa nunca foi dela e nem de Obito, mas meu primo nunca superou bem. Eles não se falam desde então...

— Que bizarro. – falei pra Sasuke enquanto abria um sorriso amarelo pra Shizune.

Dá pra fazer uma novela com tantos conflitos nessa história.

— O que? O que ele está fazendo aqui? – indagou Itachi me tirando do meu torpor reflexivo. Sua pergunta era direcionada aos pais.

Tinha até me esquecido de Madara.

— Fica calmo, Itachi. Tá tudo bem.- falei discretamente. As pessoas ao redor já estavam estanhando.

— Como assim, Saky? Como você sabe? – ele estava nervoso.

— Eu só sei, está tudo bem. Olha como Izumi está linda e foca no sorriso dela. Esquece o resto.

Foi aí que eu também notei como Izumi estava mais linda e feliz. O sorriso dela era pura luz, mesmo que seus olhos estivessem um tanto inchados. Madara sorria de forma mais discreta, mas não menos verdadeira.

E eu me entreguei aos prantos diante da cena.

Chorei de soluçar encostada no ombro de Sasuke que me confortava. A cada soluço eu apertava sua mão e ele beijava o topo da cabeça em resposta.

Com a visão um tanto embaçada, mas com a audição bem apurada eu pude ouvir as palavras de Madara para Itachi.

— Cuide bem de minha filha e do meu neto, é apenas isso que eu peço, Itachi.

— Pode deixar, tigrão. – respondeu Itachi fazendo graça.

— Tigrão? – indagou Izumi curiosa como todo mundo ali.

— Tio mais sogrão igual a Tigrão. – respondeu o filho mais velho de Fugaku e Mikoto, vulgo meu cunhando se achando super engraçado.

Foram tantas reações negativas e descrentes da piada de Itachi que eu não consegui captar todas.

— Puta que pariu. – escapou da minha boca, sem querer.

— Tem certeza que quer casar com ele, filha?

— Tenho sim, papai!

— Viu aí, Tigrão?

— Itachi.só.cala.a.boca.e.vamos.casar.logo.antes.que.eu.desista. – temos uma noiva putassa aqui.

— Opa, você que manda amor. Aliás, você tá um pitel. E aí, você aceita casar comigo?

— É o que eu estou tentando fazer, Itachi.

Um pigarro escapou da garganta do juiz de paz, que não estava muito contente com todo aquele bafafá.

— Será que podemos iniciar a cerimônia? – perguntou o juiz, que por sinal era tio de Gaara, Temari e Kankuro, e irmão de Karura, mãe deles. O que tia Karura tinha de doçura e bom humor esse cara tinha de azedume e mau humor.

— Sim, senhor juiz, antes que minha mulher desista do casamento e minha depilação a cera no saco seja perdida.

— Por Deus, Itachi não pode ver vergonha que já quer passar. – falei e Sasuke escondeu o rosto no meu cabelo pra rir, mesmo que todos no altar tenham gargalhado alto.

[...]

A cerimônia foi bastante rápida, o tio do Gaara não estava com muita paciência pra fazer aquilo perdurar por muito tempo. Tiramos tantas fotos que eu ainda estou com minha visão prejudicada por conta de tanto flash.

A parte do brinde e da dança foi pulada, porque os membros da família Uchiha resolveram se reunir. Eu pulei fora e Sasuke me acompanhou no processo. Era muito drama para uma noite só e eu estava morrendo de fome. E, se tem uma coisa boa para fazer em casamento é comer e beber.

Porém eu só fiquei comendo mesmo, assim como Sasuke. Por conta da nossa mudança no dia seguinte, voltaríamos pra Konoha ainda hoje. Por isso, decidimos não beber.

— HORA DO BUQUÊ PESSOAL. – ouvi alguém gritar e um bando de mulher passar correndo. Puta que pariu.

Parece que a reunião da família tinha chegado ao fim, mas estava interessada em comer que nem tinha percebido. Prioridades, né mores?!

— Não vai pegar o buquê não, Haruno? – a voz debochada de Sasuke ao pé do meu ouvido me deixou enjoada.

— Não, Uchiha. Você, mais do que qualquer outro ser humano, sabe que eu não tenho pretensão nenhuma em casar.

— Você deveria ter mais senso de humor às vezes. – estou sentindo que não ia sair boa coisa dessa conversa. – Não sei porque esse problema com casamentos. Nem pais divorciados você teve.

— Sasuke, não estou a fim de falar sobre isso. – enfiei um doce na boca dando a entender que o assunto morreu.

Sasuke ia retrucar, contudo foi impedido por uma voz que ressoava a procura de mim.

— Haruno Sakura, por favor dirija-se ao centro da pista de dança para que a noiva possa jogar o buquê. – era a voz de Tenten e a desgraçada fingia que não me via. Ela sabe que eu odeio isso.

Toda a atenção da festa recaiu sobre mim e uma vergonha filha da puta me tomou. O doce em minha garganta desceu seco, mas me faltou coragem para tossir. Sasuke me olhava segurando-se para não rir da minha desgraça.

Quando Tenten me focou eu fiz um sinal de negação com a cabeça, mas Izumi tomou o microfone das mãos dela.

— Vamos, Saky. Não se pode recusar o pedido de uma noiva e grávida.

— Filha de uma puta. – sibilei baixinho.

Uchiha cretino Sasuke se divertia no meio de tudo aquilo.

Greve de sexo 1 mês?

É, me parece um castigo razoável. Lancei um sorriso maléfico pra Sasuke que engoliu na hora aquela cara de deboche.

Me levantei a contra gosto, com o sorriso mais sem graça no rosto e fui caminhando a passos de tartaruga até a pista de dança. Amaldiçoando toda essa gente que fica importando costume ocidental casamenteiros para cá. É pedir demais um casamento japonês tradicional?

Tinham poucas mulheres à espera da grande “jogada” da noite. Izumi ria da minha cara junto com Tenten, mas de uma forma comedida. Eu era a piada interna daquelas escrotas.

Afastei-me o máximo que pude do aglomerado de mulheres e cruzei os braços esperando que aquela palhaçada logo acabasse.

Para minha sorte, o buquê nem teve chances de cair sobre mim. Finalmente.

No meio do caminho de volta a mesa fui puxada por uma noiva totalmente frenética que me amassava num braço apertado. Eu estava sufocando.

— Izumi... – chamei sôfrega. – Preciso... respirar.

—Ai meu Deus, me desculpe Saky. – finalmente ela me soltou. – É que eu estou muito feliz e devo tudo isso a você.

— Mas eu não fiz nada.

— Papai me contou tudo sobre a conversas que vocês tiveram. Falou que você deu um puxão de orelha nele.

— Ah... Não foi nada demais.

— Claro que foi. Simplesmente foi tudo. – o sorriso dela está imenso de tão feliz. – Obrigada. Mil vezes, obrigada. Se não fosse por você, esse dia não seria completo.

Eu já estava sem graça e sem saber o que dizer, por isso a abracei. Tem momentos que eu não sei lidar muito bem com certos sentimentos. Ainda mais com Izumi. A gente foi se conhecer de verdade há pouco tempo e ela já significava tanto. Ela e Itachi serão ainda mais felizes.

Quando o abraço cessou vi Izumi tirar uma das tulipas do seu arranjo de cabelo. A flor vermelha, já em suas mãos, e tentou etregá-la a mim. – Já que você não pegou o buquê, eu quero que fique com essa.

— Mas Izumi, eu nem queria pegar o buquê. Não tenho pretensão de casar.

Ela segurou minhas mãos e pôs a flor nelas. – Não é por isso, é a minha forma de agradecer por esse dia tão lindo e por tudo que fez por mim. Sei que você não deseja se casar, mas ainda assim decidiu morar com Sasuke e construir uma vida juntos, independente de um documento. – os olhos delas marejaram. – Eu quero que aceite, porque o seu amor e o do Sasuke é como o meu e o do Itachi é resistente, forte e, apesar das circunstancias inimagináveis, volta a florescer. Assim como os bulbos da tulipa. Depois da florescência e sua posterior poda, os bulbos são preservados e sobrevivem às temperaturas mínimas à espera da primavera, para nos congratular com suas flores mais uma vez.

As palavras dela me pegaram em cheio. A abracei mais uma vez e me retirei dali, com a flor em mãos.

Caminhei pela praia, enquanto as lágrimas escorriam pelos meus olhos. Eu não sabia porque eu estava só chorando, eu só sentia que precisava.

Não me acho nenhuma super heroína por ter feito o que fiz, só achei que era certo e ponto. Me reconectar com toda essa questão sentimental ainda me parece um tanto difícil, menos com Sasuke. Com ele, tudo é mais fácil.

E por falar nele...

— Sakura, eu te procurei por toda festa. Por que você está aqui na praia? — Sasuke me alcançou em algum ponto da praia, mais precisamente próxima a mesma canoa velha da outra vez.

— Eu precisava respirar. – disse ainda de costas pra ele. – Só mais um pouco e já volto para lá. Se quiser, pode ir...

— Você se importa se eu ficar? – claro que ele ia perguntar. Sorri.

— Pode e de preferência me abraçando. – virei-me. – E calado, por gentileza.

Claro que ele notou meu rosto molhado, mas não insistiu com perguntas e se manteve mesmo calado ao meu lado.

Depois de um tempo agarrada a ele, comentei tudo o que tinha acontecido entre Madara e eu. Sasuke disse que ficou orgulhoso e que queria ter visto muito eu chutando a bunda daquele velho metido a besta.

Em seguida voltamos para festa, curtimos um pouco e fomos embora logo após os noivos. Ainda pegaríamos a estrada.

[...]

— Por que casamento é um terreno tão íngreme para você? – Sasuke me perguntou sem me encarar. Seus olhos estavam na estrada, mas suas mãos contra o volante o entregavam. Estávamos prestes a chegar em Konoha.

Suspirei.

— O valor que as pessoas dão a ele. – disse calma. Eu tinha chorado e estava bem leve agora. – As pessoas consideram mais a um documento do que o verdadeiro amor.... Amor é abstrato, profundo, intenso... E talvez, eu tenha me cansado do felizes para sempre que se encerram nas histórias com os casamentos. O título pesa, entende? Parece que a responsabilidade é maior de algo que pode ser mais simples. As pessoas se amam e pronto; não precisa de um documento que comprove ou afirme isso.

— Mas seus pais tiveram um casamento feliz e com muito amor, independente de documento.

— Eu sei e sou privilegiada por ter crescido em meio a esse amor, mas eu vi minha mãe, muitas vezes, querer ser a esposa perfeita, sabe? Dar exemplo, cuidar da casa, trabalhar, cuidar de mim, se virar em mil quando ela podia ser apenas ela em muitos momentos, sem o peso de esposa perfeita.

— Entendo.

— Você está chateado por saber que casamento não é algo do nosso futuro? – perguntei, mas temia a resposta.

— Chateado não. – alivio. — Mas triste, talvez. – merda.

— Por que triste?

— Porque eu sempre quis te despir de um vestido de noiva. – ele me olhou de soslaio com um sorriso sínico nos lábios.

— Você é muito pior do que eu pensava, Uchiha. – eu queria rir, mas não daria esse gostinho a ele.

— Fetiche é fetiche, Haruno.

— Idiota.

— Carinhosa como uma patada de elefante. – lhe apontei o dedo do meio e ele riu. – Mas, por mais que eu tenha essa tara eu prometo não te pedir em casamento, está bem? Vou deixar isso em suas mãos. O pedido fica por sua conta, amor.

— Faz-me rir, Uchiha.

— Eu estou falando sério.

— Sabe quando isso vai acontecer? — ele me olhou. – Nunca! Você jamais ouvirá esse pedido dos meus lábios, querido.

— Se você diz...

— Você anda muito engraçadinho, seu Sasuke. Está andando muito com seu irmão e com Naruto.

— Agora você ofendeu.

E dessa vez caímos na gargalhada mudando por completo a atmosfera do carro. Já estávamos adentrando Konoha e tomando o rumo da casa dos pais de Sasuke.

— Está pronta para nossa aventura? – perguntou Sasuke assim que estacionávamos no portão da casa dos Uchiha.

— Que aventura?

— Nossa mudança. – Sasuke estava ansioso, era nítido. – Teremos um dia cheio amanhã.

— Estou mais que pronta. – Confirmei entusiasmada e ele me abriu um sorriso lindo. – Estou louca pelo nosso cantinho.

— Poucas horas e já estaremos nele.

— Obrigada por isso, amor. Te amo.

— Te amo, minha irritante.

E o que carinhoso toque na minha testa se fez presente.

Notas finais
Música linda do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=FM7MFYoylVs ~~~~ Eu precisei de um tempo pra mim. Esse capítulo custou a sair, porque minha cabeça estava em outro lugar. Alguns problemas pessoais, outros no trabalho, iniciei um novo curso, estou estudando também. Então, tá bem corrido. Desculpem mesmo a demora. Mas me digam, o que acharam o capítulo? Vou voltar o mais rápido que puder ;) Beijo enorme ;**