Daylight

44 Nosso Cantinho


Notas iniciais
Hello bebês ♥ Como vocês estão? Espero que esteja todo mundo muito bem! Nem demorei tanto, né? Confesso que só iria aparecer após o Enem, mas fui arrebatada por um surto criativo e não resisti. O capítulo não está tão grandão quanto os outros, mas tá amor ♥ Promete!!! Obrigada por todo carinho de sempre, meus amores ♥ Obrigada Lili por betar esse cap pra mim e por nossas conversas via whats ;* ♥ Boa leitura e nos vemos nas notas finais ;)

Melhor viver meu bem,
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você,
Chorar, sorrir também e depois dançar na chuva
Quando a chuva vem.

(Felicidade — Marcelo Jeneci)

Por Sakura

— Sasuke, o que você está fazendo? – perguntei aturdida quando ele me puxou pra seu colo. Estávamos em frente a porta do nosso apartamento.

— Inaugurando nossa casa em grande estilo, amor. – disse simplesmente. – Por isso, alguns rituais precisam ser seguidos.

— Você tem que carregar sua namorada como um bebê, então?

— Não estraga o clima, mulher. – brincou. – Que porra! Onde está essa chave? – agora, eu notei que Sasuke tateava o bolso atrás da sua chave. Que trabalho da porra; me carregar e procurar isso. Era mais fácil tê-las em mãos primeiro. – Achei!

— Abre isso logo de uma vez, antes que eu caia de bunda no chão, Sasuke.

Com muito esforço, Sasuke fez o pequeno malabarismo em me segurar e abrir a porta. Tadinho. Mas ele conseguiu.

E lá estava o nosso cantinho...

Sorri abobada. — Nossa casa está linda. — minha voz saiu embargada e eu senti Sasuke me apertar ainda mais contra seu corpo.

— Nossa casa. – ele repetiu enquanto entrávamos.

A gente não tinha noção de como estava.

Izumi e Itachi ficaram à frente de toda a organização de objetos para decoração, móveis e pequenas reformas, que o apartamento precisou. Sobrou para Sasuke e eu arrumarmos o restante das nossas coisas nele.

Algumas malas tinham sido trazidas por Itachi anteriormente, assim como meus livros tinham sidos deixados aqui.

Nosso apartamento não era enorme, mas era perfeito para nós dois e ideal para as nossas necessidades. A sala era bastante ampla, e, com isso, decidimos por um sofá grande, afinal nenhum cochilo é bom senão for num sofá macio e aconchegante.

Quando fomos a home center, junto aos – agora – recém casados, Izumi me passou todas as coordenadas com relação ao tamanho do lugar e a tendência para decoração das casas. Eu não sabia o mínimo daquilo e Sasuke também não. Peguei umas dicas ou outras e fui montando do meu jeitinho e coloquei o jeito de Sasuke também. Ele queria que eu escolhesse tudo ao meu gosto, mas não me parecia justo, uma vez que ele moraria aqui também.

Por mim, seria tudo muito colorido, mas eu conhecia o gosto de Sasuke por cores sóbrias e mais acentuadas. Nossa casa era um misto disso.

Nossa casa!

Isso soava tão louco dentro de mim!

Nem parecia real. Não depois de tudo.

Mas era, e a ficha já deveria ter caído.

Às vezes, parecia felicidade demais pra uma pessoa só. Tinha medo que tudo aquilo desmoronasse outra vez. Não sei como reagiria.

Balancei a cabeça a fim de afastar esses pensamentos medrosos e deixei a voz da coragem tomar conta do meu cérebro. Era real. É real.

Sorri como boba e voltei meu olhar pra Sasuke, que me analisava.

— O que foi? – perguntei encabulada. Sasuke me olhava como se pudesse me despir.

Ele sorriu e se aproximou passando seu braço esquerdo sobre a minha cintura depositando seu queixo em meu ombro.

De soslaio, percebi que ele sorriu sem humor. Seu olhar agora vagava pela nossa sala bem arrumada.

— É que não parece real!

Aquilo me pegou em cheio como um soco na boca do estômago. Sasuke, assim como eu, tinha medo. E por mais que eu entendesse, não queria que ele se sentisse assim.

— Você quer desistir? – perguntei de supetão me arrependendo na mesma hora depois de proferir tais insanidades. Fechei meus olhos com força me repreendendo e por não querer ver a reação de Sasuke.

Ele me virou de forma sutil e puxou meu queixo para que eu o encarasse. Como uma criança teimosa tentei resistir, mas abri os olhos.

Sasuke agora sorria de forma divertida, não parecia chateado com o que eu tinha dito. Céus, como não amar esse homem?

— Claro que eu não quero desistir...

— Eu não quis dizer isso, saiu sem querer... eu... – tentei me explicar inutilmente pela minha fala estupida.

— Eu sei que você não quer desistir. – Sasuke parecia muito sereno. Ele riu do meu jeito desengonçado. – Eu só estou feliz demais, entende? Eu sempre quis desde os meus 15 anos. – Sasuke corou. Achei fofo. – Eu sempre desejei construir algo desse tamanho com você. Agora que estamos aqui, eu tenho vontade de me beliscar a cada cinco segundos. – eu ri como uma boba apaixonada, que agora eu era. – Eu não estou com medo, apenas ansioso. Eu tenho vontade de gritar aos quatro ventos que eu moro com Haruno Sakura. A mulher da minha vida. A minha irritante.

— Céus... Não tem como não me apaixonar por você todo dia ainda mais.

— Nossa. – ele disse galante. – Sua primeira declaração de amor na nossa casa; estou lisonjeado.

Revirei os olhos e Sasuke riu alto. Idiota.

— Não se acostume. – falei séria. – Agora vamos, que temos muito o que fazer, Uchiha.

— Como quiser, comandante. – bateu continência e me roubou um beijo.

Colocamos as malas que trouxemos pra dentro, nos encaramos e fomos ao trabalho. Mesmo que tudo estivesse quase pronto ainda teríamos que arrumar outro tanto e ainda fazer mercado, porque a gente não tinha nem miojo para degustar na hora do almoço.

A sala não precisaria de muito. O nosso sofá cor-de-areia e incrivelmente macio já estava adornado de almofadas amarelas e azuis-turquesa listradas com branco. Um tapete um pouco mais claro que o sofá e bem felpudo cobria parte da sala de estar. Acima deste, uma mesa de centro azul-turquesa estofada. Sasuke e eu gostávamos muito de conforto, e colocar os pés na mesa de centro era lei.

Nosso rack era num tom madeira imbuia, nele apenas continha a nossa TV, uns vasos em porcelana branca e um PS4. Sasuke convencera-me de forma ordinária, que o vídeo game seria melhor que o home theater, porque lia tanto CDs de jogos como filmes em blu-ray. Algo dentro de mim, dizia que isso ainda daria merda. Eu também comprei uns porta-retratos, que estavam em uma das minhas malas e colocaria ali.

Nossa sala de jantar ficava entre nossa cozinha americana e a nossa sala de estar. Optamos por uma mesa de jantar com 6 cadeiras, apesar de sermos só nós dois, Sasuke e eu temos muitos amigos, sem contar que a família dele é bem grande se comparada à minha.

Nossa mesa de jantar tinha a mesma cor do nosso rack e custou um rim e meio. As cadeiras eram forradas num tom de azul-turquesa e os pés tinham a mesma cor da mesa. Um pendente amarelo ficava pendurado ao centro.

Minha cozinha era puro amor. Mesmo que eu não fosse mestre-cuca tinha muito amor por este lugar. Gente de barriga cheia não enchia o saco. A parede da pia era num tom amarelo, os armários brancos, com geladeira, fogão e micro-ondas em inox. A bancada que a separava da sala de jantar possuía a base de madeira branco com tampo de granito preto. As banquetas eram estofadas na cor amarela. Pelo que pude constar, as caixas das panelas, louças e talheres estavam guardadas. Tudo precisava ser lavado e guardado.

A área de serviço era mínima. Para secar uma roupa, sabe Deus. Ela ficava numa porta ao lado da cozinha. O hall tinha alguns quadros, mas algumas fotos iriam para lá também.

Sasuke e eu seguimos direto para o nosso quarto. Era maior que o meu em Tóquio e a nossa cama, uma king-size, porque eu mereço espaço, ainda estava embalada e depositada no centro do quarto, ladeada por dois criados-mudos brancos com seus respectivos abajures branco-gelo. Por mim, teriam sido luminárias, mas Sasuke dissera que as usaria mais para leitura e acabaria não dormindo. Ele estava certo, admitir isso foi uma merda. Para compensar, comprei uma luminária de chão enorme e retrátil; ela ficaria no nosso escritório.

A porta lateral do nosso quarto dava para um pequeno closet branco. Era o suficiente, ao contrário de Ino, eu não tinha um mini-shopping para guardar por ali. Puxando a porta espelhada de correr dávamos no nosso banheiro. Tudo muito branco ao meu ver, a não ser por uma plantinha aqui e outra ali. As toalhas seriam coloridas e os porta-objetos também. De branco já bastava meu local de trabalho.

Fui correndo para o lugar que estava mais ansiosa para conhecer; o escritório. Acabei esbarrando com Sasuke no meio do caminho.

— Aonde vai com tanta pressa? – me perguntou ofegante. Ele trazia uma caixa pesada consigo.

— Vou ao escritório. Quero ver os meus livros. – disse ansiosa e o contornei, mas ouvi o riso que escapou dele.

— Você não vai me ajudar a trazer as caixas? – me perguntou na porta do nosso quarto.

— Você é forte, amor, aguenta. – disse sapeca e abri a porta com força.

Que paraíso minha Deusa!

Entrei abobada admirando aquele lindo cômodo.

Na parede, em frente a porta, possuía duas mesas brancas com estantes laterais, cadeiras offices na cor preta estavam sob elas. Porta-lápis, post-it e um mural de aço escovado adornavam as mesas e a parede.

No lado oposto às mesas, uma estante imponente, num tom de madeira imbuia, brilhava sobre aquele cômodo. É linda e caberia todos os meus livros, e mais um pouco. Essa foi uma surpresa de Izumi, eu não sabia como ficaria e amei.

Um tapete cinza felpudo, a minha luminária compensatória, uma mesinha lateral branca e uma poltrona vermelha ficavam no canto entre a estante e as mesas. As prateleiras de carrinho de Sasuke já estava presa na parede oposta à da poltrona.

As caixas, que continham meus livros, estavam em frente a estante. Daria um trabalhão arrumá-los, mas valeria cada segundo. Um post-it rosa estava preso em uma das caixas.

“Espero que goste da estante. Os marceneiros me odeiam por causa dela.

Com carinho,

Uchiha Izumi.”

Gargalhei gostoso imaginando Izumi azucrinando os pobres marceneiros para que ficasse tudo perfeito. Aqueles hormônios deixavam ela ainda mais assustadora. Itachi estava cortando um dobrado.

Um assovio escapou da boca de Sasuke quando ele chegou ao cômodo. Parecia que ele estava impressionado, como eu.

— Agora eu entendi porque você estava ansiosa por ele. – fez um círculo com o dedo se referindo ao local. – Ficou ótimo.

— Eu também achei. – dei um gritinho. – Está tudo tão lindo. – me aproximei de Sasuke e enlacei o seu pescoço. – Obrigada, por isso.

— Não me agradeça, ainda temos de estrear nossa cama. – sua voz continha malícia. – Ela é enorme, faremos bastante coisa nela.

— Você já está pensando nisso, Uchiha? – dei um selinho e puxei seu lábio inferior numa mordida leve. – Que tarado. Nem parece que transamos ontem à noite.

— Mas não transamos mesmo.

— Estávamos cansados e tínhamos que acordar cedo para arrumar tudo aqui.

— Eu sei, irritante. – bufou – Nem começamos e já estou cansado só de pensar.

— Mas pra transar você tem disposição? Que contraditório.

— Pra você eu sempre tenho forças e desposição, querida.

Trocamos um beijo apaixonado. Tudo estava tão à flor da pele, que parecíamos soltar faíscas.

— Quanto mais rápidos arrumarmos essa bagunça, mais rápido teremos tempo pra nós dois. – falei ofegante devido ao nosso beijo.

— Eu sei. – disse ainda de olhos fechados. – Por onde quer começar?

— Vamos começar pelo nosso quarto. Lá dará mais trabalho que aqui; eu sou péssima em dobrar roupas.

— Eu sei! – revirei os olhos diante de tal afirmativa. – Já para o quarto, senhorita.

Por Sasuke

Finalmente, nossa casa!

Eu estou feliz demais dessa minha conquista junto com Sakura.

Sabe quando você sonha tanto com algo e do nada, acontece e você não sabe medir tanto a sua felicidade? Pois é, eu estou bem assim.

Gritaria, se eu fosse como Naruto.

Estava tudo muito bonito e impecável. Meu irmão e Izumi capricharam tomando a frente de tudo por aqui.

Ficamos com pouco trabalho, ou nem tanto assim.

Sakura não tinha muito senso de organização. Ela tinha sua bagunça e se encontrava apenas nela. Comigo a coisa é um pouco diferente, eu gosto de tudo no seu devido lugar.

As roupas que ficavam em cabides ficaram por conta da Sakura, e eu dobrei as demais, ou seja, a maioria. Mas não importava, melhor do meu jeito do que embolado, como Sakura mantinha.

Arrumamos nossa cama juntos e algo me dizia que eu teria de arrumar todos dias, uma vez que o ser cor de rosa, mais conhecido como Haruno Sakura, acha que arrumar cama é perda de tempo, porque sempre bagunça diariamente quando formos dormir.

Suíte devidamente arrumada fomos ao escritório. Sakura abria cada caixa numa paciência invejável. Analisou cada livro minuciosamente e colocava na estante da forma e ordem que mais lhe convinha.

Vez ou outra ela se perdia lendo um dos livros. Nesse ritmo, terminaremos amanhã.

— Amor...- chamei e logo ela me olhou. – Sem querer ser chato, mas já sendo, se você for ler cada livro desse só terminaremos amanhã. Ainda temos compras há fazer.

— Nossa, você sabe como cortar um barato. Eu estava com saudade dos meus bebês, não apresse este momento.

— Eu sei, amor, mas estamos corridos por aqui.

— Tudo bem – se deu por vencida. – Vou adiantar.

— Obrigado.

De fato, ela foi mais rápida e logo tudo ali no escritório já estava arrumado. Lavamos a louça, panelas e os talheres. Depositamos os porta-retratos em seus devidos lugares e depois tomamos um banho para ir ao mercado.

Cada acontecimento era tão novo e significativo pra mim. Ir ao mercado podia parecer simples, e era mesmo, mas eu comemorava pelo mínimo que fosse.

Sakura e eu tínhamos prática no quesito compras da casa, ela até mais do que eu. Por isso, não nos demoramos por lá.

— O que acha de pedirmos uma pizza, amor? – perguntou Sakura assim que terminamos de arrumar nossas compras nos armários.

— Mas acabamos de sair do mercado?!

— Eu sei, mas estou cansada para fazer algo e com desejo de comer pizza.- sua voz era manhosa e ela vinha sorrateira para me abraçar. – Por favorzinho, amor. Vamos pedir pizza. Não quero comer sozinha!

— Farei este enorme sacrifício que é comer pizza contigo.

Um gritinho de comemoração se fez e muitos selinhos foram dados em meu rosto.

Alimente sua garota. Essa tática é infalível!

Saquei o celular do bolso abrindo no aplicativo iFood, pelos motivos de odeio falar com pessoas pra pedir comida, e escolhi a melhor Pizzaria de Konoha. – Qual sabor e tamanho que você quer?

— Hum... – pousou um dedo sobre os lábios. – Qual é maior que eles têm?

— Gigante, tem 16 fatias. – minha namorada é ótima em comer. Me coloco na lista dos alimentos. – Podemos escolher 4 sabores.

— É, eu acho que dá. – o entusiasmo era nítido em sua voz. – Eu quero frango com cheddar e bacon, e Nutella com morango.

— Nossa, que mistura.

— É fome, querido!

— Eu fico com margherita e ricota com brócolis.

— Puta que pariu! Dois sabores sem graça e sem gosto. Me recuso a acreditar que você viveu nos Estados Unidos.

— Mas eu vivi. – disse enquanto finalizava o pedido pelo aplicativo. – E por isso, enjoei dessas porcarias todas.

— Isso não são coisas enjoáveis, Uchiha.

— Há controvérsias.

— Se você diz. – deu de ombros. – Vou tomar um banho. Coloca alguma coisa legal para gente ver na Netflix?

— Nossa, pensei que você ia me convidar pra tomar banho com você.

— Você não precisa de convite, querido. Quem vai esfregar as minhas costas? – disse com desdém.

— Aproveitadora.

— A própria. – e lá se foi ela.

Qualquer coisa que eu escolher pra assistir ela vai acabar dormindo ou vai reclamar e escolher um desenho. Já conheço a peça. Não sei porque ela me pede essas coisas.

Ignorei o pedido e fui pro banho mesmo.

[...]

Coisa feliz é quando o interfone toca pra avisar que sua comida chegou.

— Nossa, finalmente. – disse Sakura. Ela estava embolada numa coberta e deitada no sofá zapeando para ver se encontrava algo na Netflix. – Porra, não tem nada que preste para assistir.

— Calma amor, deixa só eu pegar a pizza e escolhemos juntos. – falei enquanto abria a porta. – Aproveita para pegar os copos, guardanapos e pratos.

— Ai que amor! Meu namorado aprendeu que se come pizza com as mãos.

— Aqui não tem Dona Mikoto para brigar comigo.

— Nossa, você sabe como cortar a brincadeira.

— Apenas a realidade, amor!

Enquanto Sakura arrumava a mesa de centro eu pegava a pizza, que está quentinha e com um cheiro divino.

— Agiliza, Sasuke. Minhas lombrigas estão pirando de fome.

— Calma, mulher. Obrigado e boa noite. – me despedi do entregador e fechei a porta.

Coloquei a caixa da pizza na mesinha e retirei a tampa. A cara de felicidade da Sakura é incrível. Plano alimente sua garota foi concluído com sucesso.

— Pode atacar, amor. – falei e Sakura soltou um gritinho.

— Ai minha nossa, até que enfim! – ela pegou o primeiro pedaço do sabor salgado e puta gorduroso que ela tinha escolhido e deu uma mordida imensa. Minha pequena estava realmente faminta. – Ô meu Deus! – fala de boca cheia. – Isso está muito bom. Orgasmos múltiplos alimentícios.

Me sentei ao seu lado e passei a comer também. Nos concentramos tanto na pizza que esquecemos por completo da TV.

Ficamos tão cheios, que logo bateu aquela moleza gostosa pós-refeição. Resolvemos conversar e falamos sobre nossas aventuras no período em que ficamos afastados. É incrível, como já não doía tanto falar sobre isso.

— Ah, até me esqueci. – Sakura estava deitada em meu colo e eu mexia em seus cabelos. – Sasori me contou a história de uma cicatriz que você tem na parte interna da boca. Ele não quis me contar o motivo.

Seus olhos ficaram saudosos de repente e ela riu. – Deve ser essa aqui. – ela abaixou o lábio inferior e eu pude ver a cicatriz. – Ganhei de um jeito inusitado.

— Vindo de você, eu não esperava por menos.

— Sasori e eu tínhamos ido a uma boate gay, tinha sido uma noite muito divertida. Fomos comemorar a aprovação no semestre. Quando estávamos saindo do local fomos abordados por 4 babacas. – seu olhar agora era duro. — Eles começaram a xingar o Saso, mas continuamos andando. Não passava um táxi naquela hora. Do nada, os caras começaram a agredir Sasori. Eu fiquei desesperada, Sasuke.

— Meu Deus, Sakura. – eu sentia meu sangue ferver.

— Eles não paravam de forma alguma, então eu comecei a bater neles também.

— Você o que? Você é louca, Sakura? Você podia ter morrido, mulher!

— Mas não morri! – ela falava tranquilamente. — Fiquei com medo por Sasori. Ele ia morrer. Dei um chute no saco de um dos caras, deve ter ficado estéril. Bom que poupou o mundo de uma cria fodida dele. Gente imbecil não deve reproduzir.

— Falo, sério!

— Mas você conseguiu se livrar dos outros como?

— Depois de chutar um, eu pulei nas costas do outro. Eu não sabia o que fazer, então tasquei uma mordida e puxei os cabelos. Foi louco, amor!

— Você fala como se tivesse sido divertido.

— Não foi! Eu estou rindo da minha loucura, mesmo. Eu tinha de fazer algo e fiz.

— E como você ganhou essa cicatriz?

— Um dos caras me arrancou das costas do babaca lá e me deu um soco, que pegou em cheio entre o lábio inferior e o queixo. Com isso meus dentes da frente perfurou a parte de dentro da minha boca.

— Céus, Sakura. – eu estava puto. Putasso. – Como um imbecil desses pode fazer algo com você? Que vontade de mata-lo.

— Calma, querido. Ficou tudo bem, a polícia chegou logo depois e eu só tomei uns pontinhos.

— Você fala como se fosse simples.

— Não é, mas já passou. Sasori se ferrou bem mais do que eu. Se acontecesse outra vez, eu faria de novo.

— Você é maluca demais para seu próprio bem.

— Se você visse o Naruto apanhando faria o mesmo.

— Mas olha o meu tamanho, Sakura Você contra quatro caras é pedir para morrer.

— Eu sei que fui imprudente, mas se Sasori tivesse apanhado mais teria morrido. Por pouco ele não teve o pulmão perfurado pela costela.

— Me promete, que não fará isso outra vez?

— Ai amor, não me pede isso. Eu até entrei no krav maga para aprender a me defender.

— Fico feliz que tenha tomado tal atitude, mas tenta ser racional na próxima vez e liga pra polícia primeiro, por favor?

— Eu prometo ser mais racional, apenas.

— Você não tem jeito, garota. Não tem! – intensifiquei o carinho em seus cabelos.

— Vai se acostumando, Uchiha. – ela se aconchegou mais no meu colo. – Agora que estamos morando juntos não tem mais volta.

— Eu te digo o mesmo, irritante. – Sakura bocejou. – Acho que alguém está com sono. Vamos dormir?

— Vamos.

Guardamos o restante da pizza na geladeira e colocamos a louça suja na pia. Ficaria para o dia seguinte; estávamos cansados demais.

Fomos pro quarto e ficamos agarradinhos embaixo do edredom. Com certeza um dos melhores lugares mundo. E assim foi nossa primeira noite de muitas.

(...)

Já estávamos morando juntos há uma semana. Todo dia é uma aventura nova. Para minha surpresa, os desentendimentos eram mínimos. Coisas bem bobas.

Às vezes me pego pensando: E se não tivéssemos nos separado há 09 anos, seria a mesma coisa? Seríamos tão maduros ao ponto?

Não que nosso namoro fosse puro arranca-rabo, longe disso. Mas tínhamos algumas diferenças difíceis de administrar. Exceto pela nossa teimosia e orgulho. Essas coisas sobravam em nós dois.

Acabei levando isso pra terapia e meu psicólogo foi enfático ao me dizer que eu deveria me concentrar no aqui e no agora. Desde então, quando me pego com esses pensamentos eu busco pensar em como está tudo tão maravilhoso agora. Essa minha ansiedade não me levaria a um lugar bom.

— E esse aniversário todo Sasuke? – perguntou Suigetsu afastando-me dos meus pensamentos.

— Não me lembro de ter te falado sobre o meu aniversário. Eu não sou muito de comemorar e você sabe disso.

— Então há algo errado. – arquei uma sobrancelha uma pergunta muda de desatendimento. – A minha garota falou que a Sakura queria fazer uma pequena reunião no salão de festa do prédio de vocês.

— Não estou sabendo de nada. – Sakura não faria o que eu penso que ela faria.

— Suigetsu, a Karin não mencionou em algum momento que seria uma surpresa para Sasuke? – Juugo se manifestou.

— Olhando por esse lado – ele pousou o indicador no queixo. — Acho que ela mencionou algo desse tipo.

— Mas é uma mula mesmo. – afirmou Juugo.

— AI MEU DEUS. – Suigetsu gritou. – A SAKURA VAI ME MATAR E A KARIN TAMBÉM.

Confesso que estava chateado, mas a cara de pânico de Suigetsu era imperdível.

— SASUKE ME PERDOA, CARA. – o platinado se ajoelhou a meus pés. – ME PERDOA E FAZ CARA DE SURPRESA NA HORA. KARIN FALOU DISSO NUM MOMENTO DELICADO, EU SÓ QUERIA FAZER UM SEXO ORAL DECENTE EM MINHA GAROTA.

— Puta que pariu. – fiquei enojado porque a porra da cena surgiu na minha cabeça e não foi bonito. – Você e a Karin são estranhos. Quem conversa sobre outras pessoas no sexo oral?

Me levantei em busca de café fazendo Suigetsu cair de bunda no chão.

— Eu tenho que concordar com Sasuke.

— Você seria estranho se não concordasse, Juugo. – falei o óbvio.

— Karin e eu somos assim, aproveitamos o nosso tempo e fazemos várias coisas ao mesmo tempo. – defendeu-se. – Mas por favor, Sasuke. Faz cara de surpresa, eu nunca te pedi nada. Eu vou ficar sem pau, cara.

— Eu sou amigo da Karin e Sakura é minha namorada, não posso esconder isso delas. – a cara de pavor dele me divertia. – Não posso esconder isso delas. Mas isso pode ser bom para você.

— Como que ficar sem pau pode ser bom pra mim?

— Você pode ganhar um participação em Game Of Thrones sendo um dos imaculados. – falei e Juugo cuspiu a água que tomava rindo.

— Não fode, Sasuke.

— Quem vai ficar sem foder é você, idiota.

A desgraça de Suigetsu é divertimento pra mim e Juugo que sempre fomos alvos das piadas idiotas desse imbecil.

Antes que eu pudesse degustar mais desse momento meu celular tocou em meu bolso. Era Sakura.

Respirei fundo para me livrar do riso frouxo e atendi.

— Oi, amor.

— Olá sr. Uchiha. – sua voz estava ofegante. Com certeza ela estava correndo pelos corredores do hospital. A cara dela. – Você vem me buscar hoje?

— Como em todos os dias, Haruno. – eu a levava e buscava em seu trabalho dia após dia. Por mais que fosse um simples ato, eu gosto muito. – Por que a pergunta?

— Bom eu entrarei no centro cirúrgico em instantes e o procedimento vai levar no mínimo quatro horas. Você ficará esperando muito tempo por aqui. Não acha melhor ir direto para casa? Eu vou com meu pai para casa ou peço um táxi. Preciso resolver essa questão da bicicleta.

— Você e essa ideia louca de ir pro trabalho com bicicleta.

— Não é ideia louca, querido. Em Tóquio eu ia para o hospital dessa forma e o trânsito de lá é bem caótico. Diferente do daqui.

— Você venceu, irritante. Em nossa folga vamos comprar sua bendita bicicleta.

— Oba!

— Mas hoje, eu te pego no hospital. Eu vou para casa depois que sair do trabalho, e, quando você estiver livre, você me liga, e eu vou te buscar, está bem?

— Está ótimo, amor. Agora eu preciso ir.

— Espera.

— O que foi?

— Eu soube que a senhorita queria fazer uma festa surpresa pra mim no meu aniversário, isso é verdade? — ouvi Sakura bufar do outro lado da linha.

— Mais ou menos. A priori, a ideia era essa, mas ia falar com você hoje, por motivos de te conheço muito bem. É uma reunião simples para os amigos e a família, um jantar mais precisamente. Mas se você não quiser, não ter forçarei a nada. – era nítida a sua decepção.

— Podemos conversar melhor sobre isso. – falei. Até que não seria de todo mal, uma reunião.

— Jura?

— Juro, irritante. Não me faça mudar de ideia.

— Mudar de ideia? Quem? O que você disse? – ela riu. – A ligação tá péssima, amor, preciso ir.

— Te amo, irritante.

— Também te amo, amor. Até daqui a pouco.

— Até.

— Ownti, que bonitinho. Te amo, irritante. – Suigestsu falava com uma voz fina. – Como o amor é lindo, não é Juugo?

— Se eu fosse você, eu não irritava o Sasuke.

— Eu concordo com Juugo. – falei. – Seu segredo pode ser revelado a qualquer momento.

— Perdão, Sasuke, perdão. – ele uniu as mãos. O filho da puta estava com medo mesmo. – Eu não te perturbo nunca mais.

— Acho bom mesmo.

(...)

Saí do trabalho e fui direto pra casa como tinha combinado com Sakura, mas antes que eu saísse do carro meu celular tocou. Era ela.

— Oi amor.

— Não é Sakura, Sasuke. Sou eu, Tsunade. – senti minha espinha gelar.

— Tsunade? Esse celular é da Sakura. Onde ela está?

— Calma, Uchiha. Sakura está bem, ela está tomando um banho e pediu para que eu ligasse para você para vir busca-la. Apenas isso, não precisa desse drama todo.

— Por que eu não consigo acreditar? – eu conhecia bem aquela velha. Tsunade nunca era de falar demais.

— Porque você é um idiota. O recado está dado. Boa noite e passar bem.

Tsunade desligou na minha cara. Escrota.

Bufei e liguei o carro outra vez. A sensação de que algo tinha acontecido não passou claramente.

Por sorte, não demorei a chegar no hospital. Quando adentrei o recinto notei que Tsunade me esperava na recepção.

Minha espinha gelou outra vez.

— Até que enfim, Uchiha. – ela disse impaciente.

— Cadê a Sakura, Tsunade? Para você me recepcionar aqui, algo de muito sério aconteceu. – falei tentando manter a calma.

— Credo, só a Sakura para aturar você mesmo. Cruzes.

— Desembucha, Tsunade.

— A Sakura está bem agora, mas ela acabou sofrendo um pequeno acidente.

— Fala logo de uma vez.

— Logo após a cirurgia que realizou, eu pedi pra que chamassem a Sakura na maternidade. Karui estava dando à luz e Chouji estava meio desesperado. Um parto complicado, por isso que pedi que ela viesse para me auxiliar a fim de acalmar Chouji.

— Sem enrolação, Tsunade.

— Você é muito insuportável. – bufou. – Sakura, como sempre, muito desastrada saiu correndo do centro cirúrgico e quando estava perto de chegar a sala de parto não percebeu que o chão estava úmido, porque estava sendo limpo, e acabou escorregando. Ela tentou se segurar na lixeira que auxiliava a moça da limpeza, mas o objeto caiu em seu ombro esquerdo e para completar ela ainda caiu por cima do braço direito e torceu o punho.

— Puta que pariu!

— Sakura tem o dom para atrair esse tipo de coisa, nunca vi.

— Eu quero vê-la, agora.

— Eu vou te levar lá, fique calmo. – sua voz agora carregava convicção. – Ela não fraturou nada, Sasori está a atendendo e me falou que não acusou nada no raio-X. Ela só terá que ficar de repouso por alguns dias.

— Céus, Sakura consegue o impossível.

— Eu sei, Uchiha. Desde sempre. – sorriu. – Agora venha, vamos vê-la.

O andar da ortopedia parecia nunca chegar, tentei desfocar e só agora eu notei que Tsunade carregava uma pasta com o emblema do hospital. Pertencia a um paciente, mas a minha preocupação com Sakura era maior que minha curiosidade.

— Finalmente chegamos. – falei quando o elevador abriu as portas.

Tsunade nada disso e me levou até onde Sakura esteva; na sala de Sasori.

Ela não bateu, simplesmente foi entrando.

— Trouxe um presente, Sakura. – anunciou.

Sakura me recebeu com um sorriso amarelo. Ela estava deitada na maca; seu ombro esquerdo tinha um suporte preto e seu pulso estava imobilizado por uma tala, também preta.

— Oi, amor. – ela disse com o rosto corado.

— Você está bem? – me aproximei.

— Dói só um pouquinho, mas eu já estou bem melhor. Sasori cuidou bem de mim. – ela apontou para o ruivo com o queixo.

Dei um aceno breve a Sasori que retribuiu.

— Como pode ser tão desastrada, irritante? – falei tentando fazer graça. Queria mais acalmar a mim do que a ela própria. Dei um beijo na sua testa em seguida.

— Acontece, amor. Eu nem me esforço.

— Imagina se fizesse esforço. – ela riu. – Você já está liberada, pode ir para casa?

— Estou esperando Sasori me passar os medicamentos, embora eu saiba quais usar...

— Não serão necessários medicamentos, Sakura. – falou Tsunade chamando a nossa atenção.

— Como não? – Sakura indagou. – Essa porra dói, sabia? E eu tenho que trabalhar.

— Você vai ficar 15 dias em casa, Sakura. – a cara de Sakura formou uma careta com a fala da madrinha. — Eu já conversei com Sasori. Além disso, depois do período de recuperação, fará fisioterapia aqui mesmo no hospital. Não é mesmo, Sasori?

O Akasuna apenas concordou balançando a cabeça.

— Que porra é essa? – Sakura gritou. – Eu não vou ficar com dor não. Eu mesma me receito nesse caralho.

— Você não fará isso, Sakura. – disse a loira com firmeza. – Sasori, você poderia nos dar licença, por gentileza? – o ruivo anuiu e se retirou do ambiente soltando uma piscadela pra Sakura e dando um leve toque em meu ombro direito.

A postura de Tsunade era outra. Ela estava seria demais e eu passava a me preocupar outra vez.

— Me proíbe de tomar remédio, tira Sasori da sala dele, o que mais vai fazer, hein?

— Você irá compreender.

— Então fala de uma vez, Dra. Senju, e para de enrolar.

Tsunade respirou profundamente algumas vezes deixando Sakura ainda mais impaciente e eu mais nervoso.

— O resultado dos seus exames chegaram, Sakura.

— E daí? – a Haruno reagiu arisca. – O que isso tem a ver com a proibição de anti-inflamatório?

— Eu descobri o motivo dos sintomas que você relatou quando me pediu os exames.

— Mas uma vez o que isso tem a v...

— Você está grávida, Sakura!

Notas finais
Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=s2IAZHAsoLI E aí, pessoal, vocês estão vivxs? Me contem tudo! Confesso que a gravidez não iria surgir nesse capítulo, mas eu mudei de ideia no meio do caminho. A gravidez estava planeja desde que eu comecei a fic, mas não queria que SAsuke e Sakura ficassem juntos por conta do filho e sim, por eles mesmo, ok?! Teremos surpresas no capítulo que vem =X Quis postar o capítulo antes, pra que vocês pudessem relaxar um pouco antes da prova do Enem, quem for fazer no caso. E pra quem não for fazer relaxar também ahahahaha. Eu farei a prova, então sei como vocês estão. Desejo toda sorte do mundo pra nós e que nossos objetivos e sonhos estejam logo ali esperando pela gente. Não esqueçam de levar caneta preta de material transparente, comidinhas e água. Eu levo chocolate(glicose) e banana (potássio), porque eles nos ajudam bastante durante a prova. Ficou cansadx? Peça ao fiscal para ir ao banheiro, estique as pernas, molhe o rosto, sorria pra você mesmx diante do espelho e mostre quem manda naquela prova ;) O mundo é nosso ♥ Amo vocês ♥ Beijos com sabor de aprovação ;)