Daylight
19 Atendimento domiciliar
Notas iniciais
Fixação, seus olhos no retrato
Fixação, minha assombração
Fixação, fantasmas no meu quarto
Fixação, I want to be alone.
(Fixação — Kid Abelha)
Por Sakura
— Boa noite – responderam com mau humor e ao mesmo tempo Sasuke e Mikoto, pelo visto a noite vai ser longa;
— Boa noite minha menina – de forma cordial e fofa Tio Fugaku me recebeu – fico feliz em recebê-la na minha casa mais uma vez;
Quando Fugaku falou isso não pude deixar de notar os rostos de Sasuke e Mikoto, estava muito claro que eles não me queriam aqui, então quanto mais rápido eu acabasse de atendê-la mais rápido eu iria embora.
— Obrigada, Tio Fugaku – a cara de Mikoto se contorceu mais uma vez e eu me arrependi de ter chamado-o de tio, mas agora a merda já tava feita mesmo – Então, o que foi exatamente o que aconteceu?
— Eu apenas desmaiei, não foi nada demais – Mikoto respondeu de forma seca – Não tinha necessidade de chamá-la, estou bem melhor – ela despejou as palavras em mim e tentou se levantar, mas ficou tonta e cambaleou caindo no sofá;
— Mikoto – chamou tio Fugaku preocupado;
— MÃE – gritaram os irmãos ao mesmo tempo;
— Bom, pelo visto não tão melhor assim – alfinetei mesmo, péssima escolha... se a Uchiha matasse só com o olhar eu já teria empacotado real;
— Eu estou ótima – bufou a morena;
— Mikoto, deixe de ser teimosa – Tio Fugaku não tem medo de morrer, porque também tomou uma olhada severa – Sakura, faça seu trabalho por favor – me pediu Fugaku;
— Ok – me limitei a dizer.
Coloquei minha maleta e bolsa na mesa de centro da sala. Abri minha maleta e tirei de lá meu estetoscópio, meu mensurador de pressão e minha lanterna clínica da maleta, fiz tudo com um pouco de dificuldade por conta dor devido aos pequenos cortes no dorso da mão. Desenrolei o estetoscópio e o mensurador, deixei minha postura médica assumir meu corpo.
— Preciso aferir sua pressão, Mikoto-san – suspirei – a senhora pode levantar um pouco a manga da blusa?!
Ela nada me respondeu, mas levantou a manga da blusa de malgrado, que porre. A sala estava em completo silêncio a não ser pelo barulho que eu fazia enquanto colocava o aparelho no braço da Uchiha. Eu não encarava nenhum deles, mas eu sabia que estava sendo observada por quatro pares de olhos curiosos.
Aferi a pressão e realmente ela estava baixa e os batimentos cardíacos estavam lentos, mas só isso não bastaria pra fazer um rápido diagnóstico. Passei a lanterna clínica sobres os olhos negros da matriarca e nada encontrei ali.
— De fato a pressão está baixa 9/6 e os batimentos cardíacos estão lentos – falei de forma calma, mas não encarava nenhum deles enquanto enrolava meus materiais – A senhora desmaiou outras vezes, ou tem sentindo tontura ou vertigem com frequência? — indaguei encarando Mikoto;
— Não, só tive tontura ou vertigem quando estava grávida dos meninos – ela disse pela primeira vez tranquila;
— A senhora se estressou hoje ou dias atrás? — eu poderia responder essa pergunta por ela, mas é melhor não – Se alimenta bem? Ou sentiu qualquer outro sintoma anormal?
— Eu me estressei por pouca coisa dias atrás – disse me lançando um olhar severo! Ok, essa indireta/direta foi pra mim – Hoje eu não comi e nem bebi nada, estava indisposta;
— Indisposta nada, ela disse que estava com enxaqueca – entregou Fugaku;
— A senhora sente alguma dor na cabeça agora? — Indaguei;
— Não – ela disse, mas eu senti que era mentira – estou assim porque não me alimentei é só isso;
— Tudo bem – falei de forma paciente – como não comeu nada hoje seu e nem ingeriu nenhum tipo de líquido a senhora está um pouco desidratada, vou te colocar no soro para que se recupere mais rápido e poderá comer algo leve aos poucos pra não forçar seu estômago;
— Não tem necessidade disso – ela me respondeu ríspida – se eu fosse pra o hospital não teria nada disso – não basta ter me dito aquelas coisas no casamento eu anda tinha que aguentar chilique dela;
— Mãe – Itachi chamou a atenção dela – Sakura é uma médica competente, se ela disse que tem a necessidade de tomar soro a senhora vai tomar;
— Exatamente mãe – dessa vez foi Sasuke e eu senti meu corpo retesar diante da sua voz – não quero vê-la desmaiando de novo;
— A mãe aqui sou – ela disse retrucando os filhos;
— E o pai e o marido aqui sou – tio Fugaku disse de forma séria, realmente não tem medo de morrer – eu sou responsável por você quando você não tem condições de falar por si mesma;
— Fugaku! — ralhou a mais velha;
— É isso mesmo Uchiha Mikoto – bufou tio Fugaku – faça o que tem que fazer Saskura-sama – ele fez questão de destacar o sama fazendo a esposa revirar os olhos.
Seria realmente engraçado se a situação não fosse séria... o clima estava tenso e eu me perguntava se realmente deveria está aqui ou se não teria sido melhor convencer Itachi a levá-la ao hospital. Eu me segurava pra não encarar Sasuke, ainda mais depois daquele fatídico momento no restaurante.
— Quero ir pro meu quarto – falou a Uchiha – se for pra tomar soro quero fazer isso no meu quarto;
— Tem problema Sakura? — perguntou Itachi;
— Não, é até melhor porque ela fica mais confortável – sorri pra ela, eu sabia que ela tinha feito de propósito pra saber se eu desistiria, mas eu não cairia no seu jogo;
— Itachi e Sasuke, levem sua mãe até o nosso quarto – ordenou Fugaku;
— Não precisa, eu levo sozinho – falou Sasuke e logo veio ao meu lado. Nossos braços roçaram e eu senti meus pelos arrepiarem e me afastei por impulso.
Sasuke pegou Mikoto no colo sem muita dificuldade e rumou em direção a escada juntamente com Fugaku ao seu lado.. só agora eu tinha me dado conta de que eu iria passar pelo cômodo de cima... um cômodo que me era tão familiar a anos atrás. Eu passaria pelo quarto de Sasuke porque ele era o primeiro do corredor e ficava em frente a escada.
Meu corpo congelou no lugar, senti meu estômago se revirar e pedi aos céus que o sakê não fizesse o caminho de volta. A dor na mão começou a latejar fortemente e eu notei que o sangue na atadura estava fresco.
— Sakura, algum problema? — Itachi indagou me tirando dos meus pensamentos;
— Não – menti;
— Não precisa mentir pra mim – ele puxou meu rosto pra encará-lo;
— É só – senti um nó na minha garganta – é só que... é estranho está nessa casa novamente – sussurrei e Itachi sorriu pra mim como se tivesse adivinhado o que se passava em minha cabeça;
— Eu sei, mas eu estou com você e vai dar tudo certo – segurou em meus ombros – adote sua postura de médica e você não irá sentir nada – nada disse apenas assenti, mas algo dentro de mim dizia que não era bem assim.
Itachi pegou minha maleta, minha bolsa e seguiu rumo a escada, eu reuni forças e o segui. Ele já estava no topo da escada e eu não tinha passado do terceiro degrau. Ele me observou e sorriu pra mim como se me mandasse forçar pra continuar e assim o fiz. Cheguei ao topo da escada e soltei uma enorme lufada de ar.
Notei que a porta do quarto de Sasuke estava fechada e agradeci mentalmente por isso. Passamos pelo quarto de Itachi que também estava fechado e seguimos ao quarto do casal. Quando entrei ali notei que quase tudo estava diferente, os móveis eram cor de marfim e só restavam do quarto antigo a penteadeira de Mikoto e a poltrona do tio Fugaku onde Itachi colocou minha bolsa.
Sasuke estava sentando na cama ao lado direito da sua mãe e Fugaku estava em pé ao seu lado. Mikoto me encarava de uma forma não tão agradável e eu tentei manter minha postura passiva. Peguei a maleta na mão de Itachi e fui em direção a cama.
Me sentei no pequeno espaço que Mikoto deixou disponível ao seu lado direito e abri a maleta. Tirei de lá o suporte dobrável pra colocar o soro, a agulha, o soro, gaze, álcool a 70 e um par de luvas.
Arregacei as mangas do casaco, montei o suporte e depois coloquei o par de luvas com certa dificuldade por conta do machucado.
— O que foi isso na mão Sakura? — perguntou tio Fugaku e quando eu me virei acabei encarando Sasuke, ele olhou nos meus olhos depois olhou o machucado e voltou a me encarar com olhos curioso. Engoli em seco;
— Um copo quebrou e eu acabei me cortando – menti, mas ele pareceu acreditar;
— Parece que está feio, tem sangue na sua atadura – afirmou tio Fugaku e agora eu encarava minha mão tentando arranjar outra desculpa;
— Não tá feio não – forcei um sorriso – eu fiz o curativo logo em seguida por isso o sangue;
— Tudo bem – disse por fim o mais velho.
Desviei do olhar questionador de Sasuke e com certeza ele percebeu que eu mentia, mas eu fingi que não era comigo. Voltei a me concentrar no meu trabalho... prendi o soro no suporte e tirei a agulha da embalagem.
Não demorei a achar uma veia no braço de Mikoto e conectei com o soro prendendo a agulha com um esparadrapo. Era estranho e até constrangedor fazer isso na frente de pessoas conhecidas, por mais que eu já realizasse isso no automático dessa vez eu me senti como se fizesse isso pela primeira vez.
Finalizei catando tudo o que poderia jogar no lixo comum e coloquei em um pequeno saco plástico que sempre trago na maleta. Itachi prontamente pegou na minha mão e jogou no lixo da suíte.
— São 1:17 da manhã, o soro vai demorar mais ou menos de 7 a 8 horas pra acabar – disse chamando a atenção de todos;
— Que ótimo – resmungou a mais velha – agora você já pode ir, né? — é hoje que eu garanto meu lugar no céu;
— Uchiha Mikoto – reprendeu Fugaku pela milionésima vez naquela noite;
— O que é Fugaku? — ralhou Mikoto – Sakura-sama – disse em deboche – deve ter mais o que fazer;
— Eu só posso sair depois que o soro finalizar e constatar que houve melhora no quadro – eu disse enfática – não tem outra pessoa da área de saúde por perto, então eu sou a única responsável pela senhora – me senti poderosa quando falei isso e vi morena entortar a cara... Sakura wins;
— Ótimo – falou em tom de ironia. Ótimo, só que não, pensei;
— Seu comportamento é inaceitável, Mikoto – ela lançou um olhar furioso ao marido e ouvi risos escapar de Sasuke e Itachi;
— É compreensível Fugaku-san – eu falei surpreendendo a todos – ninguém gosta de ter o braço espetado e ficar no soro – sorri pra Mikoto, que fechou a cara mais ainda.
De rabo de olho eu pude ver Sasuke sorri de canto, queria saber se ele estava realmente achando graça da situação toda. Não deixei de admirar seu sorriso tímido que tanto me fazia falta, mas ele logo percebeu que eu o observava e tratou de fechar a cara também.
— Eu precisarei vê-la a cada duas horas ou a senhora poderá me chamar sempre que quiser, estarei na sala aguardando – falei pra Mikoto;
— Nada disso – disse Itachi – Você fica no meu quarto e eu fico no quarto de Sasuke;
— Encosto – bradou Sasuke arrancando uma gargalhada minha e de Itachi;
— Esqueci isso Itachi – falei – eu não quero incomodar;
— Você não incomoda em nada, minha menina – disse tio Fugaku, sempre tão fofo – Itachi e Sasuke são dois marmanjos e sabem se virar;
— Capaz dela se perder naquela bagunça – sussurrou Sasuke, mas todo mundo ouviu;
— Então ela fica no seu quarto e você vem pro meu – falou Itachi. Eu e Sasuke nos encaramos assustados... aquilo não podia ser verdade. Por favor, por favor, por favor... isso não;
— Boa ideia Itachi – falou tio Fugaku me deixando ainda mais desesperada. O que ele fala é lei.
Mikoto também estava surpresa, mas não conseguia pronunciar uma palavra e mais uma vez o silêncio se instaurou. Itachi pareceu notar a merda da ideia que ele pronunciou e me encarou com um olhar de desculpas, mas a merda já estava feita.
— Eu fico com o sofá mesmo, Fugaku-san – era minha última tentativa;
— Nada disso, você vai ficar no quarto de Sasuke e ele fica com o Itachi – disse sério;
— Tudo bem – sussurrei sentindo uma dor aguda em meu peito.
Organizei as coisas na maleta e levantei da cama... Sasuke e Itachi não estavam mais no quarto, com certeza alguém deveria estar morrendo do lado de fora. Me desliguei desse pensamento, coloquei a maleta próxima a poltrona do Tio Fugaku pra não quer ficar trazendo e levando toda hora.
Dei as últimas instruções a tio Fugaku, provavelmente ele não pregaria o olho. Pedi que ele me informasse se acontecesse algo com Mikoto e pedi pra ele convencer aquela teimosa a comer algo leve ou tomar um iogurte ou um suco.
Peguei minha bolsa e saí do quarto... Fiquei encarando aquele corredor em desespero até que vozes altas me despertaram... Era Sasuke e Itachi e vinham do quarto do mais velho, cheguei mais perto pra ouvir com clareza.
— Itachi, você é mesmo um imbecil, que ideia de merda foi aquela? — disse Sasuke, ele tava bem puto;
— Desculpa mano, quando eu vi já tinha saído... ninguém mandou falar da bagunça do meu quarto, fiquei magoado – Sério que Itachi ficou magoado por isso?! É ser muito adulto;
— Me poupe dessa – Sasuke vai matar um – eu não queria Sakura no meu quarto novamente, agora por culpa sua ela vai pra lá;
— Não precisa se preocupar – falei entrando no quarto de Itachi, os dois me olhavam surpresos – eu não vou ficar no seu quarto – disse encarando Sasuke;
— Então você fica no meu – se manifestou Itachi – e não se fala mais nisso;
— Nada disso – Sasuke falou em tom grave – Não vamos desobedecer nosso pai.
Que porra foi essa? Bipolar? Sasuke vai me deixar louca, isso sim. Primeiro ele não me queria no seu quarto, agora ele disse que eu vou pra lá e falou de um jeito igual a tio Fugaku, valei-me!
— Sasuke, você tá bem? — indagou Itachi, porque eu não tive coragem pra falar ainda estava em choque;
— Estou ótimo – disse amargo – estou apenas evitando problemas com nosso pai.
Então era isso, ele queria evitar problemas com Fugaku.
— Não precisa – falei chamando sua atenção – ficarei no quarto de Itachi mesmo – disse convicta;
— Eu não perguntei nada a você Sakura – falou de maneira grossa – você vai ficar lá e pronto – mandão do caralho, eu sempre odiei isso nele e ficou pior pelo que eu vejo;
— Sasuke?! — bradou Itachi – Isso são modos de tratar a Sakura?!
— Você – ele apontou pra Itachi – vá pra casa do caralho e você – apontou pra mim – me acompanhe;
— Me obrigue – disse de modo desafiador;
— Se é assim que você quer – ele disse e veio na minha direção... isso não vai prestar.
E não prestou, Sasuke me pegou pelas pernas, como se eu não pesasse nada e me jogou em seus ombros... gritei, me sacudi e o sacana não me soltou.
— Sasuke, me põe no chão agora – mandei;
— Você vai me acompanhar? — perguntou;
— Não – eu disse por fim;
— Então pronto – gritei mais uma vez – Cala a merda da boca, Sakura. Minha mãe está debilitada no quarto ao lado e você não quer incomodá-la e não quer chamar a atenção do meu pai;
— Itachi, dá você parar de rir e me ajudar aqui? — indaguei pra o mais velho que ria que nem um aloprado;
— Eu mesmo não – falou entre gargalhadas – vocês são adultos, que se resolvam;
— Vou me lembrar disso – dei uma olhada mortal mesmo de cabeça pra baixo pra Itachi – você me paga;
— Volto em cinco minutos – avisou Sasuke – ajeite esse chiqueiro;
— Vai pra merda Sasuke – rebateu Itachi – o quarto é meu, fica como eu quiser;
— Porco – Sasuke falou e seguiu em direção ao corredor.
Eu odiava a posição em que eu estava, puta que pariu, viu?! Sasuke não demorou e já estávamos em frente ao seu quarto, a porta se abriu e ele entrou me levando junto. Assim que entramos ele fechou a porta... tá que agora eu não estou gostando nada disso.
Sasuke me lançou em sua cama e minha mão machucada bateu na cabeceira da cama me provocando uma dor relativamente incômoda.
— Grosso – disse num sussurro;
— Eu ouvi, Sakura – ele disse me provocando, repare a merda que isso vai dar;
— Era pra ouvir mesmo – o encarei – machucou minha mão ferida;
— Que merda foi essa aí? — ele indagou;
— Eu já disse, foi um copo quebrado – tentei desviar;
— A verdade – ele suspirou – eu quero saber a verdade;
— Eu já falei – revirei os olhos pra ele – parece que tá surdo;
— Irritante – tava demorando pra ofender – vou cuidar disso;
— Não precisa, já vai passar e a médica aqui sou eu – falei teimosa, quem ele pensa que é?
— Como eu já disse, eu não te perguntei nada, a casa é minha e o quarto é meu – PORRA, TÀ FODA — com licença – Sasuke saiu e foi em direção ao banheiro. Eu estava bufando de raiva.
Instintivamente passei a observar o quarto, aquele velho conhecido e ao mesmo tempo distante. Tudo permanecia da mesma forma... os móveis, os livros, os carros em miniatura. Sorri ao perceber que todos que eu tinha lhe dado estavam ali, mas meu sorriso morreu quando cheguei em seu mural de fotos. Não tinha mais foto minha, não tinha mais foto nossa.
E você queria o que mesmo Sakura?! Você foi embora, se lembra?! Minha mente nunca parava de me acusar.
Senti um aperto no peito... foi aqui que eu decidi terminar tudo, foi aqui o início dos meus erros e foi aqui que eu abandonei aquele que me deu amor. Lágrimas teimosas surgiram em meus olhos, que ódio de mim.
O quarto começou a girar, o estômago começou a embrulhar e o sakê resolveu fazer o caminho de volta. Num pulo me levantei da cama com a mão na boca e fui correndo até o banheiro do quarto, passei por Sasuke como um vulto, ele murmurou algo, mas eu nem me importei e cheguei até o vaso... Não foi apenas o sakê que fez o caminho de volta como tudo que consumi o dia inteiro.
— Sakura, você tá bem? — ouvi Sasuke perguntar, mas eu não estava em condição de responder. Que cena deplorável essa que ele estava assistindo.
— Humrum – foi apenas o que eu consegui responder até começar a vomitar outra vez;
— Eu acho que não — Sasuske falou.
De repente percebi a mão de Sasuke na minha nuca puxando meus cabelos pra que não caíssem em meu rosto. Senti um arrepio e um alívio imediato com aquele toque, a vontade de vomitar logo passou. Me afastei do vaso, dei descarga e fui direto lavar minha boca... Sasuke ainda segurava meu cabelo.
— Obrigada – murmurei depois de lavar minha boca, fitei Sasuke pelo reflexo do espelho;
— Pelo quê? — ele perguntou sem entender;
— Por segurar meu cabelo – depois disso ele largou meu cabelo, estava sem graça;
— Por nada – falou – você comeu algo estragado?
— Não sei, acho que foi o sakê que eu tomei – falei ainda fitando seus olhos pelo espelho;
— Sakê não faz isso com a pessoa – acusou Sasuke incrédulo;
— Faz, se você tomar uma garrafa inteira rápido e de barriga vazia – falei meio sem graça – a influência de Tsunade é péssima – sorri sem humor;
— A culpa é sua – disse seco – se isso fosse por influência eu seria um maníaco igual ao meu padrinho Kakashi com livros eróticos.
Imaginei Sasuke um maníaco de livros eróticos e explodi em gargalhadas com a impossibilidade do fato. Ri tanto, que fiquei sem ar e minha barriga doeu.
— Não entendi o motivo de tanta graça – ralhou Sasuske com seu humor típico Uchiha Fugaku;
— Tentei imaginar a cena – gargalhei mais uma vez com a lembrança – é realmente impossível;
— Eu sei – deu de ombros e eu voltei a rir – Irritante;
— Chato – falei e senti que voltei ao jardim de infância;
— Acabou o show? — disse sério e eu engoli o riso – melhor assim, agilize aí pra cuidar logo dessa mão – falou e saiu do banheiro;
— Quanto bom humor – sussurrei, mas acho que ele não ouviu.
Tirei a atadura e realmente tava feio, lavei as mãos mais uma vez e ardeu um pouco na hora de passar o sabonete, mas nada que eu não estivesse acostumada. Molhei meu rosto mais uma vez, ajeitei meu cabelo e constatei no reflexo do espelho que eu estava péssima, mas é o que eu tinha pra hoje e não poderia quebrar outro espelho.
Saí do banheiro e vi Sasuke sentado em sua cadeira office, o kit de primeiro socorros estava em cima da sua mesa. Ele fitava o teto e eu fiquei o admirando, até que ele percebeu e fechou a cara de novo.
— Perdeu alguma coisa? — falou seco, mas vai ter um bom humor assim lá na casa do caralho, hein?!
— Nossa, você é sempre assim ou hoje tem motivo especial? — disse e fui em direção a cama;
— Muito engraçadinha, dá pra você sentar logo aqui pra eu poder fazer essa merda de curativo? — perguntou irritado e eu fui e direção a cama;
— Eu já disse que não precisa – sentei de frente pra ele – eu posso fazer isso sozinha;
— E eu já disse que eu não te perguntei nada – grosso – me dá logo a mão;
— Você continua mandão – bradei irritada;
— E você continua uma teimosa irritante – definitivamente voltamos ao jardim de infância.
Eu não falei mais nada e Sasuke também não, deixei que ele cuidasse dos ferimentos da minha mão e por mais que ele fosse um grosso e mandão eu amei cada toque que minha mão recebeu. Ele cuidou bem do ferimento e pra um engenheiro fez até um curativo decente.
— Obrigada – disse quando ele finalizou;
— Por nada – hesitou um pouco – não podia deixar você atender minha mãe com a mão desse jeito;
Ah – foi só o que consegui dizer.
Então foi apenas isso, ele não queria que eu atendesse sua mãe daquele jeito... por isso sua teimosia e insistência assim como ele obedeceu seu pai me trazendo pra seu quarto porque seu pai queria que eu dormisse aqui... Não adianta se iludir Sakura, Sasuke não se preocupa mais com você.
Ele levantou e catou tudo que estava sobre a mesa levando pra o banheiro. Voltou ao quarto e pegou algumas roupas em seu guarda-roupa e foi para o banheiro novamente, fechou a porta e pouco tempo depois ouvi a zoada do chuveiro. Senti meu peito arfar imaginando Sasuke tomando banho a poucos metros de distância.
Resolvi afastar pensamentos impuros da minha mente e senti o sono finalmente chegar. Peguei meu celular e o coloquei pra despertar daqui a uma hora e meia. Tirei minhas sapatilhas e deitei na cama de Sasuke, a qual um dia eu já dormi e vivi outras aventuras um pouco mais calientes. Afastei mais uma vez meus pensamentos e afundei minha cabeça no travesseiro.
O cheiro do perfume amadeirado que Sasuke usa invadiu meus pulmões me causando uma sensação inebriante e senti meu coração dançar sob meu peito. Com aquele cheiro bom deixei que o sono me levasse de bom grado.
Por Sasuke
Eu nunca pensei que esse dia chegaria, mas Sakura está mais uma vez na minha casa. Itachi teve a brilhante ideia de chamá-la pra atender a nossa mãe que há pouco estava desmaiada na cozinha, no início achei que meu irmão estava tirando uma com minha cara, mas ele estava preocupado com nossa mãe e sabe que ela odeia hospitais, assim como eu.
Foi estranho vê Sakura passar por aquela porta... Por mais que eu quisesse me afastar dela o destino tratava de colocá-la sempre na minha frente. Eu mantive uma postura rígida durante todo o atendimento e minha mãe também.
Dona Mikoto implicou várias vezes com tudo, parecia uma criança, até meu pai tava chateado com o comportamento dela nessa noite... eu acharia até graça se não fosse minha ex-namorada e amiga que me abandonou anos atrás que estivesse prestando o atendimento. Sakura também não estava confortável, mas fazia seu trabalho calmamente... não sei se teria todo esse sangue frio.
Eu sempre quis saber como era a Sakura médica em ação e agora eu tinha isso bem a minha frente... Assistia como um expectador altamente curioso e até exercendo aquele papel ela ficava linda... Qual é Sasuke? Tanta coisa pra você observar e você nota isso?!
Percebi que Sakura estava com um atadura melada de sangue enrolada em sua mão direita, curioso porque aquilo não estava ali mais cedo... O que será que essa doida aprontou? Ela sempre foi desastrada... imagina Sakura com um bisturi na mão? Não quero nem imaginar o estrago que ela pode fazer.
A pressão de dona Mikoto estava realmente baixa, segundo a médica de cabelos rosados. Ela fez mais algumas perguntas a minha mãe que respondeu a contragosto. Pela cara de Sakura não parecia ser nada grave, mas ela colocaria dona Mikoto no soro e mais uma vez ela reclamou.
— Não tem necessidade disso – falou minha mãe de forma grossa – se eu fosse pra o hospital não teria nada disso;
— Mãe! – meu irmão chamou sua atenção – Sakura é uma médica competente, se ela disse que tem a necessidade de tomar soro a senhora vai tomar;
— Exatamente mãe – falei... tava de saco cheio desse comportamento infantil dela – não quero vê-la desmaiando de novo;
— A mãe aqui sou – ela dizia pra mim e pra Itachi com a cara feia;
— E o pai e o marido aqui sou, eu sou responsável por você quando você não tem condições de falar por si mesma – dessa vez meu pai se manifestou, ferrou tudo agora;
— Fugaku! — se minha mãe pudesse matar meu pai agora, ela faria isso;
— É isso mesmo Uchiha Mikoto – Uchiha Fugaku não estava pra brincadeira – faça o que tem que fazer Saskura-sama;
— Quero ir pro meu quarto – falou minha mãe – se for pra tomar soro quero fazer isso no meu quarto – minha mãe parecia ter cinco anos;
— Tem problema Sakura? — perguntou meu irmão;
— Não, é até melhor porque ela fica mais confortável – Sakura se manifestou dessa vez e deu um sorriso pra minha mãe que não gostou nada, nada;
— Itachi e Sasuke, levem sua mãe até o nosso quarto – meu pai ordenou;
— Não precisa, eu levo sozinho – falei e fui em direção a minha mãe que estava deitada no sofá.
Eu fazia o possível pra não encarar Sakura e ela parecia fazer o mesmo... quando eu fui pegar minha mãe no sofá meu braço acabou esbarrando no de Sakura e senti ela se afastar, talvez tenha sido a melhor coisa que ela fez.
Minha mãe quase não pesava nada, coloquei ela em meu colo e fui em direção a escada. Ela estava com a cara fechada e resmungava o tempo todo. Meu pai nos seguia também com a cara fechada, mas não falava nada, típico dele.
Cheguei no quarto dos meus pais e coloquei minha mãe em sua cama, ela ainda mantinha aquela expressão péssima. Ficamos em silêncio no quarto esperando Itachi e Sakura chegarem... eu já estava ficando impaciente com a demora desses dois. Resolvi me sentar na cama ao lado da minha mãe.
Itachi e Sakura apareceram na porta do quarto, meu irmão depositou a bolsa de Sakura na poltrona do meu pai e segurava sua maleta. Sakura observava o quarto curiosa exatamente como eu fiz mais cedo, logo depois ela pegou a maleta na mão de Itachi e veio em direção a cama.
Ela sentou na cama ao lado oposta que eu estava da minha mãe e abriu sua maleta tirando vários utensílios que eu não faço a menor ideia do que se trata, mas que ela manuseava com maestria, até que ela começou a colocar as luvas e meu pai percebeu que sua mão estava machucada.
— O que foi isso na mão Sakura? — perguntou meu pai.
Quando Sakura se virou pra respondê-lo nossos olhares se encontraram, olhei pra sua mão e depois a encarei novamente. Estava altamente curioso pra saber qual foi a peripécia dessa vez. Ela não gostou nem um pouco do meu olhar questionador
— Um copo quebrou e eu acabei me cortando – Sakura tremeu na base ao responder, certeza de que ela estava mentindo;
— Parece que está feio, tem sangue na sua atadura – disse meu pai, ele estava visivelmente preocupado com ela;
— Não tá feio não – ela estava mentindo de novo – eu fiz o curativo logo em seguida por isso o sangue;
— Tudo bem – falou meu pai
Eu sabia que ela mentia e se ela estava mentindo isso era muito mais que um copo quebrado, mas por que eu tô me preocupando mesmo?
Depois do questionamento do meu pai, Sakura voltou sua atenção pra minha mãe. Colocou o soro nela e recolheu o lixo dando pra Itachi jogar fora.
— São 1:17 da manhã, o soro vai demorar mais ou menos de 7 a 8 horas pra acabar – Sakura falou e eu vi minha mãe revirar os olhos
— Que ótimo – tava demorando pra Dona Mikoto reclamar – agora você já pode ir, né? — tô começando a ficar com pena de Sakura
Em um ponto eu tinha que concordar com minha mãe, não queria que Sakura ficasse esse tempo todo aqui em casa. Mas ao que parecia não tinha jeito, só espero que não piore.
— Uchiha Mikoto – meu pai chamou a atenção de minha mãe mais uma vez;
— O que é Fugaku? — minha mãe olhou sério pra meu pai – Sakura-sama, deve ter mais o que fazer;
— Eu só posso sair depois que o soro finalizar e constatar que houve melhora no quadro – Sakura rebateu e minha não gostou nem um pouco – não tem outra pessoa da área de saúde por perto, então eu sou a única responsável pela senhora;
— Ótimo – minha mãe falou de forma irônica
— Seu comportamento é inaceitável, Mikoto – ralhou meu pai, Itachi e eu não pudemos conter o riso;
— É compreensível Fugaku-san, ninguém gosta de ter o braço espetado e ficar no soro – Sakura lançou um sorriso cínico pra minha mãe. Ah Dona Mikoto, se tem uma coisa que essa rosada sabe fazer é jogar.
Eu e Itachi estávamos no divertindo com aquilo, notei que Sakura passou a me encarar e eu fiquei sério mais uma vez, ela ficou um tanto cabisbaixa por minha reação.
— Eu precisarei vê-la a cada duas horas ou a senhora poderá me chamar sempre que quiser, estarei na sala aguardando – Sakura falou pra minha mãe e ela não gostou muito de saber que seria vigiada pela médica;
— Nada disso – meu irmão falou – Você fica no meu quarto e eu fico no quarto de Sasuke – sabia que ia piorar;
— Encosto – falei pra meu irmão que caiu na risada junto com a Haruno;
— Esqueci isso Itachi – falou Sakura entre risos – eu não quero incomodar;
— Você não incomoda em nada, minha menina – Ah, qual é pai? – Itachi e Sasuke são dois marmanjos e sabem se virar – renegado pelo próprio pai, onde vamos parar?
— Capaz dela se perder naquela bagunça – pensei um pouco alto demais, o quarto do meu irmão era uma zona inabitável;
— Então ela fica no seu quarto e você vem pro meu – meu irmão me retrucou, só então eu percebi o que ele tinha dito. Olhei pra Sakura que me encarava assustada, não, isso não podia ser verdade. Que ideia de merda é essa de meu irmão?
— Boa ideia Itachi – disse meu pai sorrindo. Fodeu, agora ela vai mesmo ficar no meu quarto, eu vou matar Itachi;
— Eu fico com o sofá mesmo, Fugaku-san – percebi que Sakura queria se livrar do meu quarto e eu senti um leve incômodo com isso;
— Nada disso, você vai ficar no quarto de Sasuke e ele fica com o Itachi – retrucou meu pai;
— Tudo bem – a rosada falou baixinho.
Lancei um olhar ameaçador pra meu irmão que notou minha raiva. Levantei da cama e sai do quarto dos meus pais seguido pelo traste do Itachi e fomos até seu quarto. Eu estava espumando de raiva, mas eu não dizia nada, meu irmão me encarava sentado na sua cama com um olhar de quem fez merda e pedia desculpas, mas eu queria matá-lo.
— Itachi, você é mesmo um imbecil, que ideia de merda foi aquela? — falei com raiva;
— Desculpa mano, quando eu vi já tinha saído... ninguém mandou falar da bagunça do meu quarto, fiquei magoado – que desculpa mais fodida ;
— Me poupe dessa – suspirei – eu não queria Sakura no meu quarto novamente, agora por culpa sua ela vai pra lá;
— Não precisa se preocupar – disse Sakura entrando no quarto, ela ouviu que merda – eu não vou ficar no seu quarto – ela falou me encarando ;
— Então você fica no meu – falou meu irmão e eu não gostei nada daquilo, eu não tô bem – e não se fala mais nisso;
— Nada disso – minha boca foi mais rápida que meu cérebro – Não vamos desobedecer nosso pai – que desculpa fuleira essa minha.
— Sasuke, você tá bem? — perguntou meu irmão, mas é claro que eu não tô bem;
— Estou ótimo – menti – estou apenas evitando problemas com nosso pai.
— Não precisa – Sakura falou – ficarei no quarto de Itachi mesmo – mas nem pensar que eu vou te deixar aqui;
— Eu não perguntei nada a você Sakura – falei da maneira mais grossa do que eu pretendia – você vai ficar lá e pronto;
— Sasuke?! — meu irmão chamou minha atenção – Isso são modos de tratar a Sakura?!
— Você – apontei pra ele – vá pra casa do caralho e você – apontei pra Sakura – me acompanhe – ordenei;
— Me obrigue – Falou aquela rosada irritante;
— Se é assim que você quer – falei e fui em sua direção.
Num movimento rápido peguei Sakura pelas pernas e a joguei em meu ombro esquerdo como se ela fosse um saco de batatas, ela começou a espernear e a gritar, mas de nada adiantou
— Sasuke, me põe no chão agora – ela mandou, eu podia sentir a raiva em sua voz... até que isso tá ficando divertido;
— Você vai me acompanhar? — indaguei;
— Não – resposta errada Haruno;
— Então pronto – falei e ela começou a gritar de novo – Cala a merda da boca, Sakura. Minha mãe está debilitada no quarto ao lado e você não quer incomodá-la e não quer chamar a atenção do meu pai;
— Itachi, dá você parar de rir e me ajudar aqui? — Sakura pediu ajuda a meu irmão que pouco estava se fodendo pra situação;
— Eu mesmo não – falou meu irmão rindo, melhor não se meter mesmo Itachi – vocês são adultos, que se resolvam;
— Vou me lembrar disso – falou Sakura e eu ri – você me paga;
— Volto em cinco minutos, ajeite esse chiqueiro – mandei aquele traste fazer alguma coisa;
— Vai pra merda Sasuke, o quarto é meu, fica como eu quiser;
— Porco – falei e saí do seu quarto.
Por incrível que pareça, Sakura parou de se debater e eu achei isso ótimo. Cheguei na porta do meu quarto e me perguntei se isso era o certo, mas agora não tinha muito o que fazer. Abri a porta e entrei com ela nos meus ombros.
Assim que entramos fechei a porta e fui em direção a cama jogando Sakura sobre ela de uma forma não tão delicada, daquele jeito Uchiha de ser.
— Grosso – ela sussurrou, mas eu ouvi
— Eu ouvi, Sakura – lancei um sorriso malicioso;
— Era pra ouvir mesmo – ela me encarava – machucou minha mão ferida – merda, esqueci da mão dela... sou mesmo um imbecil às vezes, mas eu nunca admitiria isso pra ela;
— Que merda foi essa aí? — perguntei porque eu sabia que ela estava mentindo pra meu pai pouco tempo atrás;
— Eu já disse, foi um copo quebrado – mentiu de novo;
— A verdade – suspirei pra controlar a raiva – eu quero saber a verdade – tava puto já;
— Eu já falei – ela disse revirando os olhos, odeio quando ela faz isso – parece que tá surdo – surdo não e muito menos burro;
— Irritante – eu não ia insistir mais – vou cuidar disso;
— Não precisa, já vai passar e a médica aqui sou eu – problema seu;
— Como eu já disse, eu não te perguntei nada, a casa é minha e o quarto é meu – falei de modo desafiador — com licença – falei e fui em direção ao banheiro.
Que porra deu em mim, pra trazer Sakura pra o meu quarto desse jeito?! Essa mulher tem o poder de me tirar do sério, não é possível. Com ela sempre foi assim ou 8 ou 80, a gente nunca chegou no meio termo pra nada... lembro-me de uma vez que ela disse pra mim que amor e café só serve se for quente, mas espera, por que porra eu pensei em amor? É Uchiha Sasuke, parece que alguém está bagunçando sua vida mais uma vez.
Me encarei diante do espelho e me dei conta de que estava mais perdido que criança em parque de diversões. Chega, de pensar nisso, afinal eu tenho uma mão ferida pra cuidar. Voltei minha atenção pra o armário do banheiro procurando um kit de primeiros socorros, acho que isso serve pra cuidar daquela mão.
Quando eu estava prestes a sair do banheiro um vulto rosa esbarra em mim.
— Vê por onde anda, Sakura — bradei, mas ela não me respondeu.
De repente Sakura começa vomitar, que porra é essa? Mão fodida e agora ela começa a vomitar?! Não tô gostando nada disso, mas se bem que não me interessa muito ou interessa?! Que se foda, quero saber porque ela tá assim.
— Sakura, você tá bem? — perguntei sério;
— Humrum – ela murmurou e começou a vomitar de novo;
— Eu acho que não — fiquei preocupado, num impulso fui em sua direção e segurei seus cabelos pra que eles não caíssem no seu rosto.
Logo depois Sakura parou de vomitar, respirou fundo, deu descarga e foi direto pra pia... ela tava com uma cara péssima.
— Obrigada – ela sussurrava e me fitava pelo reflexo do espelho... fiquei hipnotizado por um reflexo, definitivamente tô na merda;
— Pelo quê? — perguntei, não entendi pelo que ela me agradecia;
— Por segurar meu cabelo – ah claro, eu ainda segurava, logo eu soltei;
— Por nada – dei de ombro – você comeu algo estragado? — eu tava preocupado, oras;
— Não sei, acho que foi o sakê que eu tomei – ela ainda me encarava através do espelho;
— Sakê não faz isso com a pessoa – definitivamente não faz;
— Faz, se você tomar uma garrafa inteira rápido e de barriga vazia – ela sorriu amarelo diante dessa informação – a influência de Tsunade é péssima – fechei a cara;
— A culpa é sua – falei seco – se isso fosse por influência eu seria um maníaco igual ao meu padrinho Kakashi com livros eróticos – péssima referência, mas é o que eu tinha.
Sakura do nada começa a gargalhar, PORRA eu virei palhaço? Eu estava dividido entre estar chateado com ela por não se cuidar direito e por essa gargalhada alta acompanhada desses olhos brilhantes. Foco Sasuke, foco.
— Não entendi o motivo de tanta graça – falei seco, me desviando daquele sorriso estampado em seu rosto;
— Tentei imaginar a cena – ela falou e começou a rir de novo. Eu preciso me desviar desses sorrisos, preciso – é realmente impossível;
— Eu sei – falei seco mais uma vez – Irritante – falei e ela fechou a cara pra mim, bem melhor;
— Chato – sério Sakura?
— Acabou o show? — perguntei e ela parou de rir. Sasuke wins – melhor assim, agilize aí pra cuidar logo dessa mão – saí do banheiro;
— Quanto bom humor – ela falou baixinho, mas eu ouvi... pensei em retrucar, mas isso não acabaria nunca.
Sentei em minha cadeira que ficava entre a cama e a escrivaninha esperando Sakura voltar pra eu cuidar logo da mão daquela irritante. Coloquei o kit em cima da mesa e passei a fitar o teto... se eu ganhasse um iene por cada vez que eu fitava o teto eu já tinha comprado uma Ferrari pra mim.
Por que essa irritante demora tanto? Quando eu penso em chamá-la percebo que ela me encarava... não gostei nada, nada de ser analisado por ela.
— Perdeu alguma coisa? — bradei irritado;
— Nossa, você é sempre assim ou hoje tem motivo especial? — ela me falou em tom de deboche, mas eu não iria deixar isso passar, afinal o motivo especial era ela;
— Muito engraçadinha, dá pra você sentar logo aqui pra eu poder fazer essa merda de curativo? — perguntei irritado e vi Sakura vindo na minha direção;
— Eu já disse que não precisa – foda-se, pouco ligo pro que você tá me dizendo – eu posso fazer isso sozinha – que mulher teimosa do caralho;
— E eu já disse que eu não te perguntei nada, me dá logo a mão – falei puto da vida;
— Você continua mandão – ela falou e eu revirei os olhos;
— E você continua uma teimosa irritante – disse por fim.
Sakura relutou, mas me entregou a bendita da mão. Não gostei do que vi, além de cortes a mão dela estava meio roxa nas articulações... Eu sabia que ela estava mentindo, isso aqui foi muito mais que um copo quebrado, mas se ela não queria me contar eu que não iria insistir.
Mesmo machucada, a mão dela continuava macia e delicada... Senti meu peito descompensar a cada toque, mas eu tive que disfarçar ou pelo menos tentei. Sakura analisava minuciosamente tudo o que eu fazia, fiquei um tanto intimidado, afinal eu não estava acostumado a fazer aquilo e ela é médica.
Pouco tempo depois e o curativo estava pronto, mesmo que eu quisesse deixar pra lá um dia eu descobriria o motivo daquela mão roxa e cortada.
— Obrigada – ela falou assim que terminei um curativo. Ela esboçava um pequeno sorriso lindo, mas que logo eu tratei de afastá-lo;
— Por nada – queria retribuir o sorriso, mas me mantive sério – não podia deixar você atender minha mãe com a mão desse jeito;
— Ah – Sakura disse frustrada, por mais que aquilo me machucasse por dentro eu preferia assim.
O silêncio se abateu no quarto e eu passei a recolher tudo que eu tinha usado pra fazer o curativo em Sakura. Fui até o banheiro, joguei o que era necessário no lixo e guardei o kit de primeiros socorros no armário.
Eu precisava de um banho, mas só de pensar em tomar um banho naquele banheiro imundo de Itachi fiquei com um nojo da porra, se o quarto já era aquela zona, imagina aquele banheiro. Será que vai ficar estranho se eu tomar no meu quarto com Sakura aqui?!
Quer saber de uma... que se foda o quarto é meu e a invasora era ela. Sai do banheiro e fui no guarda-roupa e peguei uma calça de moletom preta e uma regata branca. Sakura não falava nada, mas eu sabia que ela me observava.
Voltei ao banheiro, tranquei a porta e comecei a me despir.... Fiquei imaginando o que Sakura estaria pensando sobre isso, não pude conter um sorriso quando lembrei das nossas pequenas aventuras nesse banheiro e consequentemente nesse quarto. Lógico que meu corpo resolveu reagir com as lembranças que eu trouxe à tona.
— Nada de aventuras hoje, amigão – falei em direção ao meu companheiro de nascença.
Mas lógico que não adiantou porra nenhuma... Obrigada mais uma vez Sakura.
Fui em direção ao box e coloquei o chuveiro no frio, quem sabe assim abaixa o fogo e outras coisas mais.
Adivinhem? Banho frio sem sucesso e meu companheiro de guerra continuava de pé... não tem jeito, vou ter que bater uma. Atire a primeira pedra o homem que nunca bateu uma punheta em desespero pra que a porra do seu pau volte ao “normal” , literalmente fiquei na mão.
Tentei desviar meu pensamento de Sakura, mas essa mulher fez questão de dominar a minha mente. Lembrei da nossa noite há poucos dias atrás e depois de um longo esforço braçal meu amigão resolveu “dormir”, já não era sem tempo.
Terminei meu banho, me sequei e vesti a roupa que tinha pego. Fingi que nada tinha acontecido, porque Sakura não pode nem sonhar que eu bati em sua intenção... tô saindo um pervertido de uma figa.
Pra minha surpresa quando eu saí do banheiro dou de cara com uma Sakura adormecida e agarrada em um dos meus travesseiros, mas é muita ousadia, né não?
Encostei na soleira da porta do banheiro e fiquei admirando aquele ser miúdo e cor de rosa na minha cama, não pude deixar de sorrir... parecia tão certo que ela estivesse aqui. Sakura estava com o rosto tão sereno, mas ainda assim parecia realmente cansada.
Liguei a central de ar e peguei um edredom no guarda-roupa porque Sakura sempre foi um tanto friorenta. Cobri aquela rosada e sentei ao seu lado na cama, ficar admirando ela dormir sempre foi uma das minhas manias favoritas. De repente saio do meu transe quando ouço Sakura murmurar.
— Sasuke-kun, por que você sempre me chama de irritante? — ela murmurava com um voz manhosa, mas ela ainda dormia. Notei que estava sonhando... Tinha tanto tempo que Sakura não me chamava de Sasuke-kun, desde o dia que nos conhecemos que ela me chamava assim, não pude conter um sorriso;
— Porque você é uma irritante... linda, mas ainda assim irritante — eu devia estar ficando realmente maluco falando com alguém dormindo, mas por incrível que pareça vi Sakura sorrir, será que ela estava realmente dormindo?
Sim, ela estava dormindo... Depois de sorrir Sakura parou de falar e sua respiração só era notável pelo silêncio do quarto. Mesmo com um ambiente silencioso eu ouvia minha mente gritar e questionamentos pertinentes surgirem.
Por que você foi embora, Sakura? Você nunca me amou de verdade? Se você não tivesse fugido, estaríamos juntos agora? Estaríamos felizes? Estaríamos completos?
Em meio a tantos questionamentos o sono acabou falando mais alto e eu adormeci ao lado da minha flor de cerejeira.
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