Daylight

20 A dor do amor


Notas iniciais
Oi meus amooooores ♥...Como que vocês estão? Saudade de vocês ♥ Sem mais delongas cap fresquinho ***LEIAM AS NOTAS FINAIS***

Quem tem amor na vida,
Tem sorte
Quem na fraqueza sabe
Ser bem mais forte
Ninguém sabe dizer onde a
Felicidade está

(Sinônimos — Zé Ramalho)

Por Sakura

Acordei num pulo um tanto desorientada, pisquei meus olhos algumas vezes e notei a realidade a minha volta... eu estava realmente no quarto de Sasuke e por incrível que pareça ele estava dormindo ao meu lado.

Não pude deixar de sorri ao notar o homem que fazia meu coração disparar dormindo ao meu lado... seu semblante calmo e sereno era algo que eu poderia passar a vida admirando. Queria acordá-lo com beijos e abraços, mas eu sei que ele não queria nada disso da minha parte, não depois de tudo o que eu fiz a ele.

Será que um dia ele vai me ouvir? Será que um dia ele aceitará meu pedido de desculpas? Sasuke estava irredutível... Ino disse pra que eu devia esperar a poeira baixar e tal, mas fica um tanto difícil quando essa pessoa está ao seu lado.

Meu celular começou a tocar e ecoar pelo cômodo me despertando pra realidade.

— Merda, merda, merda... — bradei tentando de modo desesperado desligar o despertador.

Olhei de súbito e vi que Sasuke se remexeu na cama, mas pra minha sorte ele não acordou, apenas se ajeitou melhor no travesseiro. Suspirei aliviada.

Hora de ver Uchiha Mikoto yup, só que não. Olhei mais uma vez pra o moreno delícia que estava ao meu lado e senti meu coração bater mais forte. Uma ideia maliciosa surgiu na minha mente e com um pouco de coragem que me resta dei um selinho no rapaz adormecido. Ele se remexeu mais uma vez, mas não acordou... Me inspirei nos contos de fada da Bela Adormecida e Branca de Neve para tal ato, que fase a minha.

A contra gosto calcei minhas sapatilhas ainda sentada na cama e depois me levantei saindo do quarto de Sasuke e indo até o quarto do casal. Ao passar pelo quarto de Itachi, que estava com a porta aberta, notei que ele dormia e roncava alto, tadinha da mulher que dormisse ao seu lado.

Cheguei em frente ao quarto do casal, Mikoto dormia tranquilamente e Fugaku estava sentando em sua poltrona lendo um livro, eu sabia que ele não iria dormir.

— Com licença Fugaku-san – sussurrei;

— Oi Sakura – falou e sorriu pra mim — Mikoto está dormindo, pode me chamar de tio Fugaku.

Não pude deixar de sorrir pra ele.

— Tudo bem Tio Fugaku – sorri mais uma vez – Ela reclamou de algo? Se alimentou?

— Só fez um pouco de birra, mas isso eu já esperava. Ela tomou um suco de morango apenas;

— Ótimo – falei – vou verificar se está tudo certo com o soro — fui em direção a Mikoto.

Analisei e percebi que estava tudo ok com o soro e seu braço. Mikoto era realmente uma mulher muito bonita e não aparentava a idade que tinha, devo confessar que eu queria que ela voltasse a ser a tia Mikoto de antes e não me odiasse.

— Me desculpe pelo comportamento da minha esposa hoje, Sakura – falou tio Fugaku como se adivinhasse meus pensamentos;

— Tudo bem – falei me afastando dela e encarando tio Fugaku em sua poltrona – de qualquer forma eu entendo;

— Eu sei – hesitou – gostaria de tomar um café com esse velho aqui?

— Claro tio – sorri pra ele.

Saímos do quarto e fomos em silêncio na direção da cozinha. Me sentei em uma das cadeiras junto a mesa, como tio Fugaku pediu enquanto ele fazia o café. Estávamos em silêncio, mas de forma alguma aquilo me incomodava, o Uchiha mais velho sempre foi assim caladão.

Ele não deixou que eu fizesse absolutamente nada, nem que eu servisse meu café... preferi não questionar, contrariar Uchiha Fugaku é pedir pra morrer. Beberiquei o café e ele estava forte do jeito que eu gosto.

— Ela só precisa de um tempo – falou Fugaku me tirando dos meus pensamentos;

— Hã?!

— Mikoto – suspirou – ela só precisa de um tempo pra ficar numa boa com você;

— Sinceramente tio, acho que não – falei encarando o café na minha xícara;

— Acredite em mim – sorriu, o que era raro – sou casado com ela há mais de 30 anos – me lançou uma piscadela e eu não pude deixar de sorrir;

— Então eu acredito – beberiquei mais um gole de café quente;

— Ele também só precisa de um tempo – agora ele me fitava sério. Eu sabia que ela falava de Sasuke;

— Queria que isso fosse verdade – sussurrei, mas não o encarava;

— Sakura – ele me chamou e eu o encarei – eu percebi que o clima entre vocês dois não estão dos melhores, mas eu conheço meu filho e sei que ele está travando um conflito com ele mesmo. Eu vi como ele estava feliz ao seu lado naquele altar ou quando vocês dançaram a valsa, mas ao mesmo tempo ele se culpa por está feliz depois que uma uma tristeza profunda o abraçou quando você ficou tanto tempo fora. Eu não sei o que aconteceu depois do casamento entre vocês, mas pela briga que Sasuke teve com a mãe e pela sua carinha hoje mais cedo na porta do restaurante, eu sei que tem algo errado;

— Acho que Sasuke nunca irá me perdoar – falei em sinal de derrota. Não pude conter o meu olho que enchia de lágrima;

— Ele vai sim, só precisa de um tempo – o mais velho sorriu pra mim – agora não chore.

Fugaku veio em minha direção e me puxou em um abraço terno e eu me permitir chorar baixinho com a cabeça em seu peito.

(...)

Depois daquele terno momento de carinho eu e tio Fugaku não trocamos mais nenhuma palavra. Subimos e mais uma vez eu verifiquei o estado de Mikoto, que estava completamente normal, eu voltaria daqui a duas horas novamente.

Voltei até o quarto de Sasuke e ele ainda estava dormindo lindamente em sua cama. Sorri ao me deparar com a cena. Observando aquele moreno perdição percebi que o danado fez uma tatuagem em seu ombro esquerdo, cheguei mais perto e reparei que ele tinha desenhando sobre sua pele um belo falcão com asas abertas e garras prontas pra o ataque... Que sexy!

Sentei novamente ao seu lado na cama, mas eu não tinha mais sono por conta do café que eu tinha acabado de tomar, não me restava muita coisa a não ser observar aquele ser gostoso tão próximo a mim... Sakura, que pervertida você está.

— Espero que me perdoe um dia, Uchiha teimoso – sussurrei pra ele que dormia.

Peguei meu celular e notei que já passavam das quatro da manhã, daqui a pouco aquele soro acaba e Mikoto não vai poder mais me assassinar com seu olhar.

(...)

Velei o sono e Sasuke todo tempo até a hora de verificar mais uma vez o soro de Mikoto. Queria poder abraçá-lo e me aninhar em seu peito pra caí no sono junto com ele, mas a minha realidade é bem diferente dessa. A contra gosto me levantei daquela cama e fui olhar minha “amada” paciente.

Quando cheguei ao quarto do casal notei que tio Fugaku cochilava em sua poltrona com seu livro na mão, silenciosamente caminhei até Mikoto e verifiquei que estava tudo bem, logo o soro terminaria. Saí dali e voltei ao quarto de Sasuke, que continuava dormindo lindamente na mesma posição. Me sentei ao seu lado e voltei a fitá-lo mais uma vez.

— Vai um babador aí, Dona Sakura? — sussurrou Itachi quase me matando do coração;

— Caralho, Itachi... quer me matar resto de parto? — indaguei também aos sussurros;

— Te matar? Imagina – me lançou uma cara de falso ofendido – só queria te prestar um favor, do jeito que você tá ai vai molhar a cama toda do meu irmão;

— Vai a merda Itachi – Sasuke se mexeu um pouco me fazendo querer matar seu irmão – vai acordar seu irmão assim;

— Tá doida pra se embrenhar embaixo desse edredom junto com ele que eu sei – me lançou um olhar malicioso e eu senti meu rosto corar;

— Sim... quer dizer não – Itachi riu da minha confusão – Para de rir de seu idiota;

— Parei – levantou as mãos em sinal de rendição – toma café da manhã com seu irmão mais velho aqui?

— Não tá merecendo não, mas eu vou só porque estou com fome – fiz uma careta pra ela e voltei a olhar pra Sasuke;

— Vem logo meio metro ou vai inundar a cama de tanta baba – falou Itachi e como resposta lancei o dedo do meio pra ele.

Saímos do quarto de Sasuke e fomos em silêncio pra cozinha, chegando lá Itachi não deixou que eu fizesse nada e me mandou sentar e ficar quieta enquanto ele trabalhava, igualzinho a tio Fugaku... Deus tome conta do que sairá daí.

Itachi preparou um senhor café da manhã com direito a panquecas recheadas com nutella e suco de morando, ou seja, comi até explodir.

— Itachi, desde quando você cozinha tão bem assim? — indaguei ainda com boca cheia de panqueca;

— Neji me deu umas aulas – me explicou – mas aprendi pouca coisa;

— Porra, eu viveria fácil com essas panquecas — falei e logo depois tomei o último gole de suco que restava – a mulher que ficar com você terá sorte;

— Obrigada, maninha – ele sorriu, mas logo ficou cabisbaixo – queria que Izumi pensasse assim também.

Se for a Izumi que eu tô pensado, ela é a filha caçula do irmão mais velho de tio Fugaku, Uchiha Madara e irmã mais nova de Obito e Shisui. Eles vivam aqui em Konoha, mas se mudaram pra Suna, cidade vizinha, quando eu tinha uns 13 anos, Madara ficaria responsável pela filial da construtora de lá. Na época, Obito tinha acabado de se formar em engenharia civil, Shisui estava na metade do curso de arquitetura e ficou em Konoha até finalizar o curso, Izumi e Itachi terminavam o colegial.

Eu sabia que Itachi e Izumi tinham algo a mais que a relação de primo, mas ele nunca me dizia nada e Sasuke também não. Quando ela mudou de cidade, ele ficou bem triste, mas ela sempre passava as férias de verão aqui em Konoha com os primos e o irmão Shisui.

— Izumi, sua prima? — indaguei preocupada pela carinha que demonstrava;

— A própria – ele disse ainda cabisbaixo;

— Eu sabia que vocês tinham algo, mas não sabia que era nada sério – falei, mas odiava ver Itachi daquele jeito;

— Nem eu sei se é sério – fiquei confusa – você não tá entendendo nada, né?

— Sinceramente, nadinha de nada – ele mantinha o semblante triste – mas não precisa falar se você não quiser — sorrir pra ele;

— Eu preciso desabafar com alguém, senão vou explodir;

— Tudo bem, sou toda ouvidos – sorri o encorajando;

— Eu e Izumi sempre fomos muito próximos, mas eu sempre tive uma queda por ela. No fundo eu sabia que era proibido por ela ser minha prima – suspirou – só que um dia, aconteceu. Nós tínhamos 15 anos quando nos beijamos pela primeira vez, foi um choque, então tentamos nos afastar, mas não durou muito. Decidimos nos reaproximar, mas sem qualquer tipo de contato amoroso, a gente sabia quanto nossa família é careta pra esse tipo de coisa;

— Caralho Itachi – falei perplexa – que merda;

— Põe merda nisso – suspirou – voltando... depois de um tempo evitando qualquer tipo de contato físico, no dia do meu aniversário de 16 anos tivemos que fazer uma viagem pra Suna pra um trabalho da escola, ficamos no mesmo quarto, afinal não haveria problema porque éramos primos. Izumi me deu um abraço felicitando o meu aniversário, mas se pôs a chorar no mesmo instante. Ela dizia que não conseguia evitar o que sentia por mim e eu também não, transamos pela primeira vez e daquele dia em diante começamos a namorar, só que em segredo.

“Apenas Sasuke sabia, ele me apoiava e falava que eu tinha que contar logo pra nossos pais e enfrentar isso de uma vez, mas quando eu e Izumi tomamos essa decisão fomos descobertos por meu pai e meu tio. Os dois queriam nos matar e não teve conversa, eles disseram que não tinha nenhuma possibilidade desse namoro ir a frente, porque éramos da mesma família, tudo isso era um absurdo e não passava de um fogo de palha adolescente. A gente prometeu aos nossos pais que o namoro iria acabar, mas era mentira. Logo depois, a bomba da mudança pra Suna caiu sobre nós, no fundo eu sempre soube que não era apenas uma simples mudança era uma forma de nos separar de vez. Ela sempre vinha pra Konoha nas férias a pedido da minha mãe e de Shisui, eles não sabiam de nada, só que chegou uma hora que ficou insuportável e nós decidimos falar mais uma vez com nossos pais, sem sucesso. Meu tio ameaçou colocar Izumi pra estudar fora do país se a gente não terminasse, diante disso nós terminamos de vez. A gente não tinha como ir de encontro aos nossos pais, estávamos na faculdade, dependíamos deles pra tudo e não queríamos destruir nossa família. No começo foi difícil, mas a ausência dela aqui em Konoha facilitou. Nos evitávamos em natais ou qualquer festa de família e o contato foi cessando cada vez mais até que se tornou completamente nulo. Nos encontramos depois de anos em uma confraternização da construtora, aquilo foi o estopim pra eu senti tudo aquilo novamente, eu tentei me reaproximar, mas Izumi estava noiva e logo se casaria. A procurei novamente e tivemos mais uma noite junto, desesperado pedi que ela desistisse, mas ela dizia que o amava, que tudo o que tinha acontecido foi um erro e aquilo me partiu por dentro. Não fui em seu casamento, eu não suportaria passar por isso. Ficamos mais tempo sem nenhum tipo de contato até que no ano passado eu descubro que Izumi tinha se divorciado porque seu marido a traía. Sem pensar duas vezes, eu estava realmente preocupado, fui atrás dela em Suna. Ela estava muito triste, fiquei despedaçado porque aquilo era por outro homem, mas eu fiquei mais triste por ela naquele estado. Depois ela me explicou que não estava triste pelo divórcio e sim por não ter desistido daquele casamento quando teve oportunidade. Ela não queria desapontar seu pai e nem queria que eu desapontasse o meu. Quando ela tinha me dito aquilo eu quase explodi de felicidade e desde então estamos juntos mais vez, em segredo novamente”.

— Itachi – falei chocada – que barra vocês passaram, mas eu ainda não entendi o porque de você está aí todo triste se vocês estão juntos;

— Simples, porque estamos juntos as escondidas – suspirou impaciente – Da última vez que conversamos sobre isso nós brigamos, porque essa situação já está insustentável pra mim. Temos 30 anos, somos independentes e sabemos que o que sentimos pelo outro não tem nada de errado. Só preciso que nossos pais entendam isso, mas pra que isso possa acontecer obrigatoriamente temos de contar a eles. Izumi está irredutível quanto isso e eu tô no meu limite;

— Itachi, eu não sei nem o que te dizer – procurei algo que eu pudesse falar pra ele, mas eu não tinha nada – me desculpe por isso;

— Não tem porque pedir desculpas baixinha – a cara triste dele partia meu coração – parece que os irmãos Uchiha só curtem as complicadas;

— Vou fingir que não recebi a indireta – lancei uma careta pra ele que riu – espero que dê tudo certo pra vocês dois;

-Que indireta? Foi direta mesmo – me deu língua e eu mostrei o dedo do meio – obrigado por ouvir meus desabafos;

— Irmãos servem pra isso, não é mesmo? — falei e fui em sua direção;

— Você entende agora por que eu quero tanto que você e Sasuke se entendam? — assenti e senti meu peito doer, Itachi sempre soube o que eu sentia – Não deixe o amor escapar mais uma vez – disse me encarando com olhos gentis;

— Farei o impossível — sorri com lágrimas nos olhos – faça o impossível por Izumi também – falei e o abracei;

— Obrigado mais uma vez – ele respondeu enquanto correspondia ao meu abraço – te amo baixinha;

— Também te amo, irmãozão.

Ficamos abraçados por algum tempo, Itachi e eu éramos mais parecidos do que eu poderia imaginar, talvez sofrer por amor seja uma dor universal que demonstre o quanto humano nós somos. Amor é aquele sentimento que te leva do céu ao inferno ou do inferno ao céu, há quem diga ser fraqueza, há quem diga ser a maior força existente. Eu sinto que estou cada vez mais perto de descobrir a reposta sobre isso.

(...)

Depois de todo aquele momento na cozinha eu lavei a louça do café da manhã e Itachi secou e guardou. Fomos pra seu quarto e conversamos algumas coisas que não envolveram nem Sasuke e nem Izumi

— Itachi, preciso ver sua mãe de novo, acho que o soro deve ter acabado – forcei um sorriso;

— Então vamos lá – falou e se levantou da cama me puxando pela mão.

Saímos de lá em direção ao quarto do casal, chegando lá vejo tio Fugaku na mesma poltrona cochilando e Mikoto sentada na cama com a cara emburrada, começando bem dia, só que não.

— Bom dia, Mikoto-san – forcei um sorriso pra vê se ela tirava essa carranca;

— Bom dia, mãe – falou Itachi de modo brincalhão;

— Bom dia – respondeu Mikoto mais seca que frango assado com farinha, credo tô pensando igual ao Naruto;

— Como a senhora passou a noite? — perguntei sem me importar com seu tom do bom dia;

— Pessimamente mal – falou desgostosa – doida pra tirar isso do meu braço;

— Não seja por isso – lancei um sorriso pra ela – farei isso agora.

A cada sorriso que eu dava Mikoto fechava mais a cara pra mim. Não sei porque, mas eu estava de bom humor e também, eu não queria entrar numa guerra desnecessária com ela, afinal tio Fugaku disse que ela precisaria de um tempo.

Travei o soro, retirei a agulha do braço de Mikoto e recolhi todo o lixo. Levaria na segunda-feira pra descartar no hospital juntamente com o lixo hospitalar. Coloquei um curativo no braço de Mikoto, aferi sua pressão que agora estava normal e conferi seus batimentos cardíacos também estabilizados.

Ela resmungou durante os procedimentos, mas eu não dei importância porque já estava acostumada com esse tipo de comportamento por ser pediatra, se bem que as crianças davam menos trabalho que ela. Nesse meio tempo tio Fugaku acordou e eu falei sobre o estado de sua esposa, passei alguns exames rotineiros pra Mikoto, mas entreguei a requisição a Fugaku.

— Bom, meu trabalho por aqui já acabou – falei;

— Até que enfim – sussurrou Mikoto e logo em seguida recebeu um olhar de desaprovação do marido;

— Obrigada por tudo Sakura, quanto eu te devo? — indagou Fugaku;

— Absolutamente nada – respondi;

— Eu insisto – rebateu Fugaku;

— Nada disso – sorri pra ele – o pagamento ficou por conta das panquecas de Itachi;

— Itachi cozinhando? — indagou Mikoto;

— Exatamente Mikoto-san, seu filho é mesmo surpreendente – falei e lancei um sorriso pra Itachi;

— Obrigado rosinha – Itachi falou pra mim e deu um sorriso gigante;

— Pra mãe, ninguém cozinha – reclamou Mikoto;

— E pro pai também não – pronto, até Fugaku entrou na dança;

— Ai meu Deus – bradou Itachi – o café hoje é por minha conta, certo? — o casal gargalhou e eu também;

— Ótimo – falou Mikoto – agora eu preciso de um banho;

— Deixa que eu te ajudo – falou Fugaku e foi ajudar a esposa. Eu e Itachi nos entreolhamos e pelo olhar sabíamos que era hora de sair daquele quarto.

Itachi pegou minha maleta e fomos em direção ao corredor.

— Itachi, minha bolsa está no quarto de Sasuke – falei – vou pegar e já desço;

— Tudo bem – falou e me lançou um olhar malicioso – vou descer com sua maleta e vou adiantar o café.

— Tá certo, já te encontro lá embaixo;

— Juízo irmãzinha e vê se não abusa muito do corpinho do meu irmão – disse entre riso;

— Baka – bradei, mas ele já tinha saído da minha frente.

Entrei no quarto e vi que Sasuke ainda dormia, eu não queria, mas eu tinha que ir embora. Me aproximei dele e me ajoelhei ficando na altura do seu rosto, sua face era serena e tranquila digna de calmaria e admiração. Por impulso comecei a afagar seus cabelos, mas ele permaneceu quieto, melhor assim porque ele não briga comigo.

— Espero que um dia você me perdoe – sussurrei pra Sasuke mesmo sabendo que ele estava dormindo – Te amo Sasuke-kun – finalizei e selei nossos lábios.

Me levantei, peguei minha bolsa e saí do quarto tentando conter as lágrimas que se formavam. Itachi, Fugaku e Mikoto estavam na cozinha, me despedi deles e Itachi me levou até o carro.

— Obrigado por tudo, irmãzinha – falou Itachi abrindo a porta do carro pra mim – e desculpa pelo comportamento de Dona Mikoto;

— Não tem porque agradecer, eu amo o que eu faço – sorri pra ele – quanto a sua mãe, uma hora isso passa – falei mesmo que eu não acreditasse muito nisso;

— Espero que sim – ele conhece a mãe dele melhor do que eu – e vamos marcar pra sair, viu senhorita?

— Pode deixar, porre – fingi chateação – até mais;

— Até – falou, me abraçou e me deu um beijo na testa.

Assim que entrei no carro dei um suspiro intenso e profundo, pensei em tudo que aconteceu nas últimas doze horas e mesmo com um turbilhão de emoções no peito não pude evitar de sorrir, com certeza eu não sou normal.

Pouco tempo depois eu já me encontrava na garagem da casa dos meus amigos peguei minha maleta e minha bolsa e sai do carro. Entrei na casa e segui direto ao quarto, que estava uma zona, nada pior que o quarto de Itachi, mas ainda assim uma zona.

Joguei minha mala e minha maleta em cima da cama e passei a arrumar aquele cômodo. Separei minhas roupas sujas, tirei as que tava usando ficando apenas de calcinha e sutiã e as coloquei na máquina de lavar e retornei ao quarto. Catei todos os pedaços do espelho espalhados pelo chão do banheiro e enrolei em vários papeis pra jogar no lixo.

Coloquei minha maleta médica dentro da mala e botei minha bolsa no criado mudo pra poder arrumar a cama. Depois de uma bela geral tomei um banho, por que eu mereço, né? De banho tomado e vestindo um pijama, claro que tô usando pijama roupa oficial de domingo e fui comer alguma coisa.

Agradeci mil vezes a Hina por deixar comida pronta, amiga que deixa comida pronta é outro nível. Comi mais rápido que Naruto, tô com saudade dele e de Hina, espero que estejam aproveitando bastante essa rápida lua de mel.

Depois de estender as roupas lavadas voltei pro quarto, estava realmente cansada e precisava dormir, tinha hospital cedo no dia seguinte e não queria me atrasar e nem desapontar meu pai. Fui colocar o celular pra despertar e notei várias chamadas e mensagens de Ino, depois daquele jantar frustrado a preocupação dela era palpável, melhor eu ligar pra minha amiga e contar as novidades da madruga tão recente.

(...)

— Testa, quanta aventura você tem vivido aqui em Konoha, viu?

— Nem me fale, porca – suspirei – essa minha estadia está mais movimentada que meus plantões — ouvia Ino gargalhar do outro lado da linha;

— Sakura, a furacão cor de rosa – ralhou Ino;

— Nem brinca com isso, porca. Você deveria ter visto a cara de Mikoto toda vez que eu lançava um sorriso pra ela – gargalhei – foi realmente hilário;

— Ah Saky, eu queria muito ter visto, acredite nisso – suspirou – descobri quem era o cliente misterioso de Sai;

— Quem era? — indaguei curiosa e aliviada;

— A Construtora Uchiha – ele não podia ter falado isso antes a ela? — Por conta de uma obra grande, parece que é um condomínio residencial, ele tá atolado de trabalho e Fugaku pediu sigilo, por isso ele não me falava nada – respondeu Ino como se adivinhasse meus pensamentos;

— Viu ai porca, que era coisa da sua cabeça?! — Sai não faria isso com ela, fora que ele perderia seu companheiro de guerra, fácil, fácil – e como ele recebeu a notícia de que será pai de um menino?

— Pois é, surtei de forma desnecessária – suspirou – ele amou amiga, ficou tão feliz e me deu um sorriso tão lindo. Acho que me apaixonei por ele de novo;

— Own, que fofo;

— Esses hormônios tão me matando, Sakura. Tem hora que eu tô feliz, depois não tô mais e o sexo? — gargalhou – Parece que a vontade de transar não passa nunca;

— E você já era pouco tarada antes, fico com pena de Sai – ri alto e ela riu junto comigo – Porquinha, agora eu preciso ir, tenho a visita no hospital amanhã cedo e preciso dormir uma noite inteira de novo;

— Tá certo, testuda. Depois combinamos pra você vim aqui em casa pra pegar suas compras, viu?

— Tudo bem. Fica com meus dangos pra você, presente pra meu afilhadinho... Te amo porquinha;

— Obrigada, Testa. Seu lugar está garantido no céu porque fez uma grávida feliz – vê se pode?! — Te amo, Saky. Tchauzinho;

— Tchau – desliguei.

Era pouco mais que 8:30 da noite, mas eu já tava caindo de sono pelas tabelas... deixei minha mente vagar e ela foi parar na imagem de um certo moreno adormecido e assim me entreguei ao sono sem nenhum tipo de resistência.

Por Sasuke

Senti a pouca claridade invadir o ambiente me fazendo assim despertar. Acabei apagando no meu quarto mesmo...puta que pariu Sakura! De relance olhei subitamente pra o lado, mas eu estava sozinho, será que eu sonhei?

Obviamente que não, o lado direito da cama está todo bagunçado e por impulso cheirei o travesseiro ao meu lado, era o cheiro dela... meu coração bateu mais forte, essas coisas a gente não tem como controlar... Sakura tornava o meu mundo mais instável, mas completamente vivo. Dormimos juntos mais uma vez, mas nada a mais aconteceu tirando minha performance tarada no banheiro.

Quando pensei em levantar ouvi vozes na porta do meu quarto, parecia ser Sakura e Itachi, mas eu não conseguia entender o que eles estavam falando. Notei que alguém abria a porta, não sei porque, virei pro lado esquerdo da cama e resolvi fingir que estava dormindo. Alguém entrou no quarto e encostou levemente a porta.

Aquele cheiro doce de frutas vermelhas invadiu o ambiente, era Sakura... o que eu faço? Sasuke, Sasuke você parece um adolescente sem saber o que fazer. Quando tomei a decisão de “acordar” sinto a mão delicada de Sakura afagar meus cabelos, senti meu corpo retesar sob seus toques e meu coração acelerou de uma forma absurda... aquilo estava tão bom, mas dentro de mim existia um conflito absurdo em até que ponto aquilo era certo ou não.

Entre o certo e o errado me entreguei ao deleite dos seus carinhos, mas senti uma leve quentura diante do meu rosto, pensei em abrir o olho, mas não tive coragem. E de repente Sakura falou.

— Espero que um dia você me perdoe – senti meu peito apertar e minha cabeça descompensar, eu sentia que ela estava muito perto. Por mais que estivesse “dormindo” e parecia que ela sabia disso, senti que foi sincero aquilo que ela disse. – Te amo Sasuke-kun – ela disse num fio de voz e me beijou.

Eu queria agir, fazer alguma coisa, mas se eu fizesse eu sabia que retribuiria o beijo e sabia aonde tudo isso ia parar. Eu não podia e não devia fazer isso de novo, mas não nego que me sinto um covarde agora. A porta do quarto bateu e meu coração bateu junto, abri os olhos e passei a fitar o teto numa tentativa frustrada de socorro ou resposta pra tudo aquilo.

Tentei processar tudo que acabou de acontece e caralho, Sakura disse que me ama e me beijou, além de ter falado que quer que eu a perdoei algum dia. Há nove anos isso era tudo que eu queria ouvir ela dizer, mas e agora?

Inevitavelmente passei os dedos sob meus lábios e lembrei do beijo de agora pouco, e imagens de tudo que eu vivi com Sakura até ali invadiram minha mente como se passasse um filme de nossas vidas. Nossa infância, adolescência, primeiro beijo, primeira transa, o namoro, o término, a dor do abandono, a alegria e surpresa do reencontro, a noite de amor dias atrás, a briga do dia seguinte, os olhos chorosos dela depois daquele episódio do restaurante, ela de volta a minha casa, ao meu quarto e por fim a imagem dela dormindo na minha cama.

Eu tava perdido, essa foi a verdadeira constatação que cheguei e eu não sabia o que fazer pra me achar. Foram tantos anos escondendo e negando o que eu sentia por Sakura, acostumado com sua ausência facilitando tudo aquilo que eu não queria externalizar, que foi só ela aparacer pra ruir tudo aquilo em que eu me apoiava pra esquecê-la.

Minha confusão mental e sentimental estava me dando nos nervos, resolvi afastar esses pensamentos, então lembrei que minha mãe tinha passado mal na noite passado e que Sakuraa estava aqui em casa pra atendê-la. Até quando eu não quero pensar naquela rosada, ela aparece.

— Que caralho – bradei pra meu quarto vazio.

Eu tava péssimo, mas as pessoas não precisavam notar isso... eu queria correr, mas não tinha ânimo pra isso. Resolvi tomar um banho pra despertar por completo e depois olhar como minha mãe estava.

Pra afastar aquele silêncio barulhento coloquei uma música pra tocar. Escolhi uma pasta qualquer e ativei o modo aleatório, o que tocasse eu ouviria, eu só não sabia que a música a tocar fosse mexer ainda mais comigo.

Quando eu já estava me despindo, green eyes do Coldplay começou a tocar. Tanta música naquele iPod e justamente essa toca?! Por mais louco que eu estivesse e por mais que essa música me lembre Sakura, eu não tive coragem de mudar, eu queria escutar aquela canção até o fim.


The green eyes
Os olhos verdes
You're the one that
Você é aquela que
I wanted to find
Eu queria encontrar
Anyone who
E qualquer um que
Tried to deny you
Tentasse te negar
Must be out of their mind
Deveria estar maluco

(Green Eyes – Coldplay)

Chris Martin tem toda a razão, eu seria maluco se eu negasse Sakura, tudo o que ela causava em mim e tudo aquilo que eu sentia por ela. Mas de alguma forma eu não me sentia pronto pra encará-la, no fundo eu sabia que tinha medo daquilo acontecer de novo, mas eu não precisaria ser namorado dela outra vez, poderíamos ser somente amigos afinal... a quem eu tô querendo enganar mesmo?!

Demorei mais do que deveria no banho tentando refletir esse estágio da minha vida... por mais que eu quisesse esquecer tudo a porra da lembrança me fazia mergulhar naquilo tudo novamente. Queria que a dor em meu peito fosse embora junto com a água pelo ralo, mas não é tão simples assim.

Saí do banho sem respostas e mais confuso do que eu entrei... tô na merda de fato. Coloquei uma roupa confortável e decide afastar aqueles pensamentos da minha mente, ou pelo menos tentar. Resolvi me concentrar na minha família mais precisamente na minha mãe que se comportou que nem uma criança teimosa ontem.

Desci e encontrei todo mundo na cozinha tomando café da manhã e pera aí... Itachi de avental e cozinhando, é isso mesmo que meus olhos estão vendo?

— Itachi, é você mesmo? — indaguei surpreso;

— Bom dia pra você também, Sasuke – bufou Itachi – todo sem educação, nunca vi;

— Bom dia, família – disse por fim, mas eu queria mandar Itachi pra casa da puta que o pariu, que no caso seria minha mãe, é melhor não;

— Bom dia, filho – disseram meu pai e minha mãe ao mesmo tempo;

— Como você passou a noite, mãe? — perguntei indo em sua direção e depositando um beijo em sua testa – você se sente melhor?

— Minha noite foi uma porcaria com aquilo no braço – minha mãe revirou os olhos, que porre – mas eu me sinto melhor;

— Deixa de ser mentirosa Mikoto – ralhou meu pai e pelo olhar que minha mãe deu ia rolar morte na cozinha Uchiha – você passou a noite otimamente bem, Sakura cuidou muito bem de você;

— Quem sabe da minha noite sou eu, Fugaku – vociferou minha mãe, se ela pudesse cuspir fogo a merda tava feita – mas eu não quero falar de gente que não tem importância;

— Mãe, a senhora é muito mal agradecia – revidou Itachi e eu me surpreendi com sua atitude – Sakura não disse um ai mesmo depois de todas as suas provocações, te tratou da melhor forma possível e não ganhou um iene por isso – suspirou – esperava mais de você mãe;

— Olha aqui mocinho, quem você pensa que é pra falar com sua mãe desse jeito? — o clima pesou e a tensão pairou... Fodeu – estou esperando uma resposta Itachi;

— Quer saber de uma? — bufou – vou para o meu quarto que eu ganho mais, com licença – Itachi tirou o avental jogando sobre a mesa e saiu da cozinha visivelmente chateado, com toda razão eu devo admitir;

— VOLTA AQUI MOCINHO – gritou minha mãe ganhando o vazio como resposta.

Um silêncio arrebatador sobressaiu na cozinha, eu observava meu pai que tinha feições tranquilas por incrível que pareça, com certeza ele estava odiando aquele comportamento de minha mãe. E o pior é que nem eu entendo.

Eu iria atrás do meu irmão, mas pela forma que ele saiu dessa cozinha era melhor deixar ele um pouco sozinho... Eu sabia que ele enfrentava coisas demais e se ele agiu dessa forma alguma coisa tinha. Mais tarde eu conversaria com ele.

— Que moleque mais abusado – bradou minha mãe voltando a preencher a cozinha com sons;

— Você provocou Mikoto – meu pai falou de forma seca chamando minha atenção – Itachi tem um carinho enorme por Sakura e tudo o que ele falou foi verdade;

— Fugaku!!!!

— E tem mais, eu só não concordei com ele pra não tirar sua autoridade de mãe – Puta que pariu, terceira Guerra Mundial deflagrada agora na minha cozinha. Eu vi minha mãe arregalar os olhos em surpresa, mas logo depois pareciam duas chamas – Com licença, o café também acabou pra mim – agora foi meu pai a sair da cozinha deixando minha mãe puta da vida.

Eu me perguntava se eu não estava preso em um sonho estranho ou qualquer coisa do tipo, porque eu nunca imaginei meu pai agindo daquela forma com minha mãe. Por mais que eu saiba que ele esteja certo.

— Você também concorda com eles, Sasuke ? — perguntou minha mãe chamando minha atenção – queria saber o que eu fiz de tão grave – sério mãe?! Minha mãe deveria ser formada em artes cênicas e não arquitetura;

— Mãe – suspirei tomando coragem – eu concordo com Itachi e o papai;

— Não acredito nisso, eu esperava mais de você Uchiha Sasuke – eita caralho chamou pelo nome completo;

— E eu esperava uma postura madura da senhora – encarei seus olhos furiosos – aquele comportamento foi inaceitável;

— Que ótimo – bufou – todos contra mim – seu drama era palpável;

— Por que a senhora foi tão rude com Sakura? — indaguei por mais que soubesse a resposta;

— Você bem sabe o porquê – ô se sei;

— Mãe, eu te amo, mas o que houve entre eu e Sakura só desrespeito a nós dois – suspirei – não tome uma dor que não é sua;

— Mas Sasuke;

— É isso mesmo mãe, se a senhora não quiser conversar com ela eu entendo, mas tratá-la mal é completamente diferente – acho que eu deveria usar isso pra mim também – ao menos se lembre que ela é filha de uma das suas melhores amigas, em nome de Mebuki-san não a trate mais dessa forma – eu não queria apelar, mas conhecendo minha mãe como eu conheço, isso foi completamente necessário.

O Silêncio pairou na cozinha mais uma vez e eu sabia que tinha ganhado a discussão. Minha mãe jamais admitiria, mas o seu silêncio me respondia. A encarei observando seus olhos confusos e perplexos diante das minhas palavras proferidas.

Ela nada me disse e se retirou da cozinha... a observei subindo as escadas preocupado por conta do seu estado na madrugada, mas logo depois eu ouvi uma batida forte no andar de cima... Ela já estava em seu quarto, tô com pena do meu pai.

Observei a mesa farta do café da manhã e ouvi minha barriga roncar... credo tava ficando igual ao Naruto. Comi de tudo um pouco e caralho que panqueca deliciosa era aquela? Nem eu que não sou fã de doce resisti em comer aquilo com nuttela... pra ficar tudo perfeito fiz um suco de tomate caprichado e comi que nem criança feliz.

Limpei toda a cozinha e lavei os pratos... já tava aqui mesmo. Quando cheguei no andar superior da casa ouvi um barulho vindo do quarto de Itachi... estava ouvindo um rock pesando, sinal de que tava muito puto e precisava esfriar a cabeça, melhor eu voltar outra hora.

Entrei no meu quarto e me joguei na cama, senti o cheio de Sakura invadir meus pulmões. Não me contive e fechei os olhos numa tentativa de intensificar meu olfato.

— Irritante – murmurei pegando o travesseiro que ela tinha usado – vai ser cheirosa assim... aqui na minha cama – ok, eu tô fudido.

Afundei minha cara no travesseiro e me permitir sufocar com aquele cheiro inebriante de frutas vermelhas que só a Sakura tinha...

(...)

Acordei num pulo... acabei dormindo tempo demais porque o sol já estava se pondo. O cansaço e aquele maldito cheiro me nocautearam em cheio.

Afastei meus pensamentos sobre aquele ser rosa e miúdo e lembrei do episódio mais cedo na cozinha. Hora de falar com Itachi.

Saí do meu quarto e fui em direção a sua porta, não tinha música alta ecoando dali... ou ele estaria dormindo ou teria saído.

— Itachi, você tá aí? — falei e dei duas batidas em sua porta;

— TÔ SIM – ele gritou – PODE ENTRAR;

Abri a porta e dei de cara com meu irmão encostado na cabeceira de sua cama e com olhos fechados, suas feições estavam péssimas. Com certeza ele tá se culpando pelas coisas que disse a nossa mãe mesmo sabendo que ela estava errada .

— Que cara péssima Itachi – falei em tom de brincadeira;

— É a única que eu tenho – ele abriu os olhos e bufou – se veio aqui pra me dar bronca pode ir dando meia volta;

— Ei, calma cara – levantei as mãos em sinal de rendição – eu vim aqui pra vê como que você tá.

Meu irmão deu um sorriso mínimo melhorando sua cara de maracujá de gaveta emburrado, mas eu sabia do conflito que ele se encontrava.

— Tô me sentindo meio merda – eu sabia, Itachi sempre foi transparente como água e o mais sentimental de nós dois – eu podia ter segurado a onda com a mamãe mais cedo, mas eu tava de saco cheio daquilo. Não sei como Sakura conseguiu toda aquela calmaria depois de tantas malcriações – eu também me pergunto isso;

— Não se culpe, mamãe estava errada e ela precisava ouvir uma hora ou outra... Ela só não imaginou ouvir isso de três pessoas;

— Como assim? — indagou meu irmão curioso;

— Assim que você saiu da cozinha papai passou um sermão daqueles na mãe – Itachi arregalou os olhos de forma engraçada – pois é, acredite e só disse que não concordou com você na hora que você falou aquelas coisas pra ela pra não tirar a autoridade de mãe, o que obviamente eu estou fazendo agora;

— Caralho, perdi essa cena? — assenti como resposta – Mas você me disse que ouviu de três pessoas, o que o filhinho da mamãe aprontou? — cerrei os olhos quando ele me chamou de filhinho da mamãe;

— Odeio quando você me chama assim – ele riu, baka – mas enfim, eu só falei a verdade. Pedi pra que ela não se intrometesse em algo que não é dela, no fundo eu sei que mamãe só está agindo assim com Sakura por tudo o que aconteceu no passado... eu sei que ela quer me proteger e tudo, mas isso não cabe a ela e não tem porque ela tratar Sakura daquela forma;

— Ela deve ter ficado bem puta com você;

— Ficou sim, mas como eu disse ela precisava ouvir – sorri e sentei na beirada de sua cama;

— Irmãozinho tolo, você já pensou em usar esse conselho pra você mesmo? — puta que pariu, meu irmão tem a arte de me deixar sem resposta;

— Itachi, por favor entenda que não é tão fácil assim pra mim – confessei e me senti melhor assim, meu irmão é um cara que eu não preciso mentir – você não tem noção de como foi ver Sakura de volta a Konoha, mais precisamente a minha casa e no meu quarto. Minha cabeça ficou um caos, meu coração nem se fala... tô perdido;

— O quarto foi mais culpa sua do que minha, você viu o jeito que levou Sakura daqui? — gargalhei com a lembrança – Bem-vindo ao clube dos apaixonados por mulheres que nos deixam perdidos;

— Eu não tô apaixonado – falei e meu irmão riu... claramente notou minha mentira — ou eu acho que não;

— Aham, senta lá Cláudia – ele riu depois ficou sério novamente – quanto mais você negar isso pra você mesmo será pior;

— Eu sei – falei derrotado – eu penso, penso e não saio do lugar;

— Simples Sauske... isso não questão de pensar é questão de sentir – ele tocou com dois dedos a minha testa – se permita sentir;

— Prometo que vou tentar, mas chega de falar de mim... como você e Izumi estão? — da última vez que meu irmão me falou sobre a relação deles, eles estavam brigados;

— Na mesma e eu já não aguento mais isso – confessou meu irmão – eu amo aquela mulher, Sasuke... durmo e acordo pensando nela, somos adultos, dependemos apenas de nós mesmo... eu não consigo entender porque manter nosso relacionamento em segredo;

— Pelo simples motivo de nossos pais serem Fugaku e Madara, os caras mais quadrados que a gente conhece;

— Não é só isso, Sasuke, mas ela não quer me dizer e mesmo que fosse apenas isso, eu enfrentaria o mundo se fosse preciso – admirei meu irmão nesse momento, sua coragem e não pude deixar de me sentir um covarde com minha atitude mais cedo, deixei que meu medo falasse mais alto – eu perdi Izumi uma vez não sei se suportaria perdê-la outra vez.

Lágrimas brotaram dos olhos do meu irmão, ele tava sofrendo e já não aguentava guardar isso apenas para si. Não podia fazer outra coisa se não abraçá-lo e foi o que fiz, ele não resistiu e aceitou meu ombro de bom grado chorando baixinho.

Ficamos assim por um bom tempo até que ele se afastou com os olhos vermelhos e inchados... nem parecia meu irmão mais velho seguro de si.

— Baka, você não vai perder Izumi de novo – falei confiante e ele deu um sorriso mínimo – estarei ao seu lado no que for preciso – lancei uma piscadela pra ele;

— Obrigada, irmãozinho – enxugou as lágrimas – contei minha história com Izumi pra Sakura hoje de manhã;

— E ela ? — perguntei, mas não queria demonstrar tanta curiosidade;

— Ela disse que desconfiava que a gente tinha um rolo – ele sorriu – tive certeza que você não tinha contado nada a ela;

— Era um segredo seu, eu jamais contaria – fiquei um tanto chateado por ele desconfiar de mim;

— Não fique assim irritadinho – bufou – Sakura antes de ser sua namorada sempre foi sua melhor amiga, eu não ficaria chateado se você contasse pra ela;

— Tudo bem – disse por fim;

— Você tá ferrado maninho – brincou meu irmão;

— Por que? — perguntei sem entender nada;

— Sakura, disse que vai fazer o impossível por você – ele disse me lançando um olhar malicioso;

— Sério? — coloquei mais empolgação na pergunta que eu devia – quer dizer duvido;

— Deixa de ser baka, Sasuke... Você tá que não se aguenta de felicidade que eu sei – me lançou umas piscadela;

— Você que tá vendo coisa onde não existe – menti e ele riu alto – tô falando sério;

— Você pode enganar quem você quiser, mas a mim não. Do pouco que eu conheço Sakura e sua teimosia ela não vai desistir mesmo de você... ela pediu que eu fizesse o mesmo por Izumi, o impossível e assim o farei;

— Não posso fazer nada por Sakura, ela que tente;

— Não adianta Sasuke, os irmãos Uchiha já assinaram seus destinos... Somos apaixonados e reféns de mulheres teimosas e indomáveis, não tem porque brigar contra isso;

— Você tá muito poético, Itachi – debochei;

— É o amor – disse por fim me arrancando uma gargalhada alta que o contagiou também.

Depois de todo esse papo de amor, mulher e teimosia conversamos por um bom tempo sobre diversos assuntos que não envolvessem esse três primeiros. Combinamos de sair juntos pra comprar os móveis dos nossos novos apartamentos e ainda falamos que voltaríamos pra academia de luta de Naruto, porque estávamos bastante enferrujados.

(...)

Agora eu já estava no meu quarto de banho tomado e pronto pra dormir... Não vi nem minha mãe e nem o pai pelo resto do dia... com o clima pesado entre eles era até melhor.

Queria dormir, mas não tinha um pingo de sono e cheiro de Sakura em meu travesseiro piorava tudo. Meu irmão tava coberto de razão, a cina dos irmãos Uchiha é ser refém de mulheres teimosas e indomáveis... só agora eu me dei conta de que eu sempre quis proteger Sakura de tudo e por muitas vezes eu não permitia ou implicava com algo que ela queria viver por medo dela quebrar a cara.

A dor de Sakura sempre foi minha dor e por isso eu a coloquei em uma bolhar protetora e no fim das contas a perdi de um jeito ou de outro. Sakura sempre foi altiva, decidida e corajosa, não iria aguentar aquilo durante tanto tempo.

Por mais que a razão esteja bem clara na minha frente, a emoção e o medo me freiam.

— Sasuke, está acordado? — batia meu pai na minha porta me despertando dos meus pensamentos – queria falar com você;

— Oi pai, estou sim.... pode entrar;

— Desculpa te incomodar filho

— Não é incômodo nenhum, pai – sorri – como está a mamãe?

— Nem fale – bufou – sua mãe está furiosa com nós três;

— Imaginei, mas ela precisava ouvir – suspirei – então pai, aconteceu algo?

— Não aconteceu nada, eu só queria saber como você estava – hesitou – eu notei o clima entre você e Sakura... descobri que vocês ficaram no mesmo quarto – caralho, nunca imaginei na vida que eu teria essa conversa com meu pai,

— Pai, não aconteceu nada demais... eu acabei pegando no sono e não fui pro quarto de Itachi;

— Eu sei que não aconteceu nada demais – ele riu – só de vocês já não terem se matado, já fico feliz.

Eu não disse nada e o silêncio se instaurou entre nós.

— Pelo visto, você não quer conversar sobre isso... vou dormir – se levantou e me deu um beijo na testa, coisa rara – boa noite, filho;

— Pai?!

— Sim;

— Quando você conheceu a mamãe, ela deu muito trabalho pra você conquistá-la? — ele gargalhou com minha pergunta e o queria saber onde estava a graça;

— Ah meu filho – tentou segurar o riso – você nem imagina o quanto... sua mãe sempre foi teimosa e orgulhosa, dificilmente dava o braço a torcer, mas foi justamente o que me encantou nela esse jeito de mulher forte e auto-suficiente;

— Isso não combina muito com a mulher que largou a carreira de arquiteta pra cuidar dos filhos – falei sem pensar, mas meu pai sorriu... como assim?

— Ela nunca largou a carreira de arquiteta – não entendi – eu vou te contar uma coisa que é segredo e sua mãe pediu pra que eu nunca dissesse isso pra você ou seu irmão – hesitou como se buscasse coragem pra contar – todos os projetos da construtora quem faz é sua mãe, ela trabalha em casa bem embaixo do nariz de vocês – ele sorriu;

— Jura? — ele assentiu em reposta – mas porque ela fez isso?

— Ela tinha receio de vocês a acusarem de ser uma mãe relapsa ou que não dá a devida atenção aos filhos... a mãe de vocês ama vocês de forma incondicional;

— Eu sei, mas nunca imaginei que ela faria isso... não havia a menor necessidade;

— Coisas de sua mãe, eu prefiro não me meter;

— Compreendo – apenas a atitude do meu pai e não da minha mãe;

— Agora eu preciso ir, boa noite filho;

— Boa noite, pai – disse por fim.

Meu pai caminhou até a porta, mas parou em seguida deixando-a entre aberta.

— Espero que você e a Sakura se entendam... ela te ama de verdade e eu sei que você a ama também – me lançou um sorriso e saiu do quarto!

Nem preciso dizer que fiquei com cara de idiota, nunca conversei nada desse tipo com meu pai e ele me vem com essa... deve tá escrachado na minha cara pelo jeito.

(...)

Depois de tanto pensar cheguei a conclusão de que eu teria que conversar com Sakura de um jeito ou de outro. Um conversa sincera, direta e objetiva é exatamente o que eu preciso pra entender o que se passa comigo e com ela.

Estava decidido procuraria Sakura amanhã a noite, assim que saísse da fábrica, na casa de Naruto e conversaria com ela.

Se estou preparado? Lógico que não, mas tenho plena noção do quanto isso é necessário pra nós dois.

Notas finais
E aí, gostaram? Me contem tuuuudo o/ Quem quer levar Itachi pra casa? o///////////////////// ***AVISO IMPORTANTE*** — Eu ficarei um tempo fora a trabalho, em torno de 15 dias e não terei tempo de escrever e atualizar a fic, não briguei comigo por favor... prometo caprichar na volta ;) — Obrigada pelo carinho de sempre; — Chegamos na metade da fic e já sinto meu peito apertar... o foco agora será em como esses dois irão se entender ;) Comentem que a Jessi-chan ama e até breve meus lindos ;**