Daylight
39 Aniversário de Itachi - Parte 2
Notas iniciais
Deixo tudo assim
Não me acanho em ver
Vaidade em mim
Eu digo o que condiz
Eu gosto é do estrago
(O Velho e o Moço — Los Hermanos)
Por Sasuke
Eu estava em um local lotado de pessoas, me sentia um tanto perdido e não sabia porque diabos eu estava apenas com calça de moletom em frente a toda aquela gente. Em frente é modo de falar, porque elas me ignoravam e eu agradecia, afinal é melhor que sonhar que está pelado na frente da escola toda. Esses sonhos são terríveis.
Ignorei as minhas próprias ponderações momentâneas e passei a olhar em volta, percebi que essas mesmas pessoas – aquelas que me ignoravam — transitavam com pressa e carregavam bagagens, todo tipo de bagagem.
Das três uma, ou eu estaria numa rodoviária, estação de trem ou aeroporto. Podia estar vestindo uma roupa melhorzinha... Ignorei mais uma vez meus pensamentos quanto a minha vestimenta e me concentrei em avaliar o local e... pimba! Eu estava no aeroporto de Konoha!
Ok... mas que porra eu estou fazendo aqui?
— Sasuke-kun... – ouço uma voz doce me chamar. Olho pra trás e vejo uma Sakura sorridente conduzindo um carrinho e duas malas imensas depositadas nele. – Eu voltei, Sasuke-kun... De vez.
Eu era o homem mais idiota com calças de moletom parado no saguão daquele aeroporto. A mulher da minha vida estava parada bem ali, de volta pra mim e dessa vez pra ficar. Corri como um louco em sua direção e abracei fortemente, sentindo seu perfume de frutas vermelhas que eu tanto amo e tão característico dela.
Colei nossos lábios em desesperos, mas não sabia se beijava ou sorria de felicidade. Ela estava no mesmo estado que eu.
— Oi, amor. – falei olhando fundo para aqueles olhos verdes imensos.
— Oi, Sasuke-kun.... – ela passou a me avaliar por inteiro e seu olhar parou em minhas calças e pés descalços. – Por que você tá de pijama?
Acordei num rompante e só agora notei que estava sonhando, bufei impaciente mergulhado na minha própria frustração... Merda!!!!
Não pensei que a saudade que eu fosse sentir de Sakura seria assim tão grande. As últimas semanas dela aqui me deixaram acostumados a tê-la todo dia ao meu lado e agora parece tudo tão vazio, sem graça, preto e branco.
Não, isso não é drama. É saudade, cuidado. Apenas.
Não é porque eu sou frio com o resto do mundo que tenho que ser indiferente com ela. Na verdade, eu sou desse jeito apenas com ela.
Peguei o celular no criado mudo ao lado e notei que eram pouco mais que três da manhã... logo, logo eu acordaria pra trabalhar. Essa sensação de sono que resta às vezes é meio frustrante, embora minha frustração esteja ligada a falta de um ser de cabelo rosa e menos de 1,60 de altura, que ela jura ser 1,60 mesmo e o teimoso sou eu no fim das contas.
Será que seria chato mandar uma mensagem agora?
Seria taxado de maníaco ou preocupado?
Ou apenas alguém com saudade?
Sakura me faz mergulhar nesses dilemas, às vezes é meio irritante, assim como ela!
— Foda-se, vou mandar uma mensagem e acabou! – disse pra mim mesmo, gente que conversa sozinho é super saudável. Afirmo desde já. Estudo feito pelo gênio Uchiha Sasuke.
Abro o WhatsApp e vejo que Sakura esteve online às 02:34h da madrugada. Ela está de plantão esta noite, então vamos deixar esse plantão o melhor possível, já que ela vem andando tão cansada e sonolenta ultimamente, não custa nada dar uma força nesses momentos.
Eu:
Amor...
Sonhei com você
Tô com saudade
Falta muito pra sábado?
Eu não precisava dizer o teor do sonho, vergonhoso demais. Deixemos isso para outro momento.
Senti meu celular vibrar e notei que Sakura respondera.
Irritante Teimosa diz:
Own, que coisa mais fofa Uchiha
Estou morrendo de saudades também
Não se preocupa... quando você menos esperar já é sábado!!
É importante e reconfortante saber que o outro sente a sua falta também.
Eu:
Espero que sim
Tá no hospital?
Eu sabia que ela estava lá, mas não custava nada ser atencioso com ela.
Irritante Teimosa:
Não
Não?!
Estranho... ela tinha me falado que hoje estaria de plantão. Ou será que estou ficando maluco?
Eu:
Ué, o que tá fazendo acordada?
Ultimamente você sente falta de tempo pra dormir.
E se tem uma coisa que aquela irritante sabe fazer é dormir. É um ponto favorável quando eu estou ao seu lado dividindo a cama.
Irritante Teimosa:
Tô com um pouco de insônia essa noite
Resolvi estudar mais um pouco o caso de uma paciente que vou operar amanhã!
Uma coisa que me deixava mais orgulhoso de Sakura, é por ser a profissional competente que ela é. O prazer que atende seus pacientes e como se importa com eles.
A única coisa negativa disso tudo é que ela esquecia de si mesma e acabava se colocando em último lugar às – muitas – vezes.
Eu:
Ah, sim... Entendi
Mas tenta dormir de novo pra não ficar com sono pelos corredores do hospital
E não demore pra voltar... sonhei que você já estava definitivamente em Konoha.
Acordar foi doloroso!
Irritante Teimosa:
Pode deixar, amor. Vou deitar agora!
Eu estarei de volta logo, logo... o sonho foi mais um aviso pra dizer que é real ;)
Te amo... Bom dia!
Bem que ela podia estar de volta amanhã, né? Quer dizer, hoje já é amanhã, mas vocês entenderam.
Eu:
O melhor aviso de todos!
Venha logo...
Te amo, Haruno!
Eu poderia gritar aos quatro cantos que a amava e não seria o suficiente.
— Céus, estou parecendo um pote de puro açúcar. – falei pra mim mesmo enquanto encarava o teto do meu quarto. – Definitivamente, apenas essa irritante tem esse poder. – sorri pra mim mesmo e decidi me entregar aos braços de Morfeu!
(...)
Por conta de um certo sonho e uma certa insônia não dormi quase nada essa noite. Quando eu peguei no sono novamente já era hora de acordar de novo.
Tomei um banho gelado para despertar os músculos e enganar meu cérebro o máximo possível, afinal hoje era um dia útil, dia de trabalhar e...
— Puta que pariu, Itachi! – esbravejei saindo do banheiro e dando de cara com meu irmão deitado com sapatos na minha cama. – Não bate na porta e nem pede autorização pra entrar no quarto dos outros, não?
Ele me encarou de forma cínica e esfregou sua bunda nojenta com mais força na minha cama enquanto cruzava os braços e os colocava atrás da cabeça.
— Bom dia pra você também, irmãozinho tolo. – ele disse fingindo tristeza. É mesmo um ator essa praga. – Tem dois anos que eu não passo meu aniversário contigo, por isso vim aqui já garantir meus parabéns. Afinal, eu sou o melhor irmão do mundo.
Inacreditável o tamanho da carência deste ser.
— Você não podia esperar como qualquer pessoa normal, não? – ele apenas negou com a cabeça e continuou sorrindo cínico. – Parabéns, Itachi. Agora sai, que eu preciso me trocar.
— Nossa, Sasuke que frieza toda é essa? – se sentou e colocou os pés pra fora da cama. – Que parabéns muxoxo é esse? E, nossa, tudo o que eu tenho você também tem, só que o meu é bem maior.
— Itachi, eu não vou ficar medindo tamanho de pau com você, dá o fora daqui, agora!!! – ralhei.
— Ah, qual é Sasuke? – deixou os braços caírem ao lado do corpo. – Já sei qual é seu problema... Não tá depilado, né? Sabe, eu te entendo. Com Sakura longe não tem sentido você ter certos cuidados. Ninguém merece chupar ovo com cabelo.
PUTA QUE PARIU.
MIL VEZES PUTA QUE PARIU!
EU NÃO MEREÇO OUVIR UMA COISA DESSAS PELA MANHÃ
MEU IRMÃO É UM IMBECIL!!!
— Itachi.isso.não.é.da.sua.conta! – afirmei entredentes puto da minha vida. – Saia.do.meu.quarto.agora.
Ele pareceu não se importar com que eu disse, porque continuou a falar merda.
— Eu já tentei fazer com cera uma vez e cara eu fiquei um dia e meio sem sentir as minhas bolas. Foi horrível, então nunca tente isso, irmãozinho tolo.
Ignorando meu irmão fui até meu guarda-roupa escolhendo uma roupa qualquer e me tranquei no banheiro novamente, para poder me arrumar em paz. Como vocês podem ter notado eu não acordo com bom humor pela manhã e sou todo metódico.
Demorei mais que o tempo necessário para me vestir, queria sair do banheiro e não dar de cara com meu irmão. Doce ilusão.
— Sasuke, sinto lhe dizer, mas no dia do seu casamento você é a noiva porque vá demorar pra se arrumar assim no raio que o parta.
— O que você quer, Itachi? Não é só pelo parabéns que você está aqui.
— Claro que não, é pelo presente também. – disse cínico e eu lancei a minha melhor cara de “tô cagando pra você”. – Ok, ok, não é só isso.
— Desembucha...
— Bem... – meu irmão olhava para as mãos claramente nervoso. Itachi sem palavras era uma coisa muito rara. – Falar isso em voz alta é... estranho. Mas estou preocupado.
— Com o que exatamente?
— Casamento... paternidade... – deu um suspiro pesado e continuou. – Sabe, tudo isso é muito novo pra mim, às vezes eu acho que não saberei lidar com tudo isso futuramente.
— Mas você não estava feliz, não era isso que você queria? – agora quem não entendia nada era eu.
— Eu quero, mas estou com medo. – ele sorriu nervoso olhando para suas mãos. – Eu até ajudei a escolher as flores do casamento, serão tulipas.
— Eu não sei onde está o medo que você tanto fala. – disse o óbvio.
— Medo de fracassar, Sasuke. Você não sabe como é horrível ver nos olhos de Izumi a falta que ela sente do pai e dos irmãos. Peguei ela chorando algumas vezes e tenho certeza que é por conta disso, mesmo que ela não assuma. – Itachi parecia exausto e carregava um peso enorme em seus ombros. – E ainda tem meu filho ou filha, se ele ou ela não gostar de mim, Sasuke? Me achar um pai inútil que privou ele do convívio com o outro avô? Eu não sei se suportaria.
Eu não sabia o que dizer, nunca tinha passado por nenhuma dessas situações e nem sei se passaria um dia. Minha mãe, por mais que implicasse com Sakura não chegaria a proibir meu namoro com ela... e filhos? Bom, eles são uma incógnita porque Sakura nunca fora um tanto maternal apesar do seu amor por crianças. O que ela escolher, cabe a mim, respeitar.
— Izumi que está com os hormônios à flor da pele e você que está surtando? – tentei levar para o lado do humor como Sakura faria. – Irmão, você precisa ir com calma ou vai pirar. As coisas precisam acontecer pra você saber o que vai fazer ou não. Eu sei que Izumi está triste, mas você sabe e ela também que a culpa por esse afastamento é do próprio Madara, que ainda vive no século II. E bom, seu filho ou filha não irá te culpar por isso. E nem vai deixar de gostar de você por isso também ou achar que você é um inútil, mas de qualquer forma, se for menino, não entre no quarto dele e pergunte se o saco está depilado. – meu irmão riu. – É sério, ele irá te odiar.
— Você está me deixando pior irmãozinho...
— Itachi, vai vivendo um dia de cada vez. Vá curtindo os momentos importantes sem se preocupar com o amanhã. Pense no quanto as coisas melhoraram... você e Izumi não tinham nem perspectiva de nada e agora já estão com a data de casamento marcada, e um filho a caminho. – dei um sorriso mínimo para meu irmão, que deu um enorme e cheios de dentes para mim de volta. – Meu sobrinho ou sobrinha vão te fazer surtar na hora certa, afinal você tem que pagar pelas loucuras que aprontou com nossos pais. – o sorriso dele se desfez e eu me contive pra gargalhar.
— Agora você me fodeu mesmo, acabou com minhas esperanças de uma criança tranquila. Eu era o terror na adolescência, na infância. Eu sempre fui um terror na verdade.
— Uma verdadeira peste. – bati mais um pouco. – Sabe, você poderia se aconselhar com nosso pai, ele tem muita experiência no ramo.
— É uma boa. Papai anda tão diferente e tão mais acessível que não será nada mal conversar com ele. – ponderou e voltou a me encarar. – Obrigado pelos conselhos, irmãozinho tolo.
— Eu estarei sempre aqui, mas não invada meu quarto outra vez.
Ele me encarou com sua típica cara de tédio e me lançou os dois dedos do meio.
— Se eu fosse você, não lançaria esses dois dedos do meio imundo pra mim sabendo o presente que comprei de aniversário pra você. – disse presunçoso e vi Itachi abaixar as mãos com pressa. – Bom garoto!! – parabenizei como quem parabeniza a um cão.
— Fala logo, Sasuke! Deixa essa putaria de mistério pra gravidez de Izumi. – disse meu irmão um tanto impaciente e eu me segurei pra não rir. – Vamos logo, Sasuke. Você sabe que eu adoro presentes.
Isso era uma verdade, natal pra Itachi tinha um valor duplo de comemoração. Por conta do presente e da comida.
Ainda ostentando um sorriso de superioridade, porque eu posso mesmo, fui até o criado mudo e tirei de lá um envelope azul marinho.
— Toma. – entreguei a meu irmão que não sabia se ria ou se chorava diante da miudeza e simplicidade do presente.
— Você só pode tá de sacanagem. – resmungou meu irmão quando pegou o envelope da minha mão. – É trollagem, eu tenho certeza.
— Abra primeiro e veja, seu imbecil. – disse seco. — Você vai beijar meus pés.
Soltou um resmungo, mas a curiosidade foi maior. Eu sabia que ele ia amar o presente, afinal eram...
— DOIS INGRESSOS PRO SHOW DO RED HOT CHILLI PEPPERS EM TÓQUIO? – Itachi gritou eufórico e eu pensei que ficaria surdo. – NA ÁREA VIP AINDA? – acenei tranquilo em resposta. – Mas como você conseguiu? Os ingressos esgotaram em duas horas.
— Simples, a Caverna Ryuuchi está patrocinando o show. – disse dando de ombros. – Uma pequena parte dos funcionários ganhou.
— Então esses ingressos são seus?
— Eram, agora são seus. – dei um sorriso de canto, meu irmão de vez em quando merecia. – Melhor presente de aniversário, não?
— É sim... – Itachi parecia um tanto desconcertado e isso era coisa rara. – Você vai comigo? – franzi os cenhos estranhando a perguntando. – Você gosta dos caras tanto quanto eu, Sasuke. Eu te levei no primeiro show deles, você ainda era uma criança, te coloquei nos ombros e tudo.
— Eu lembro! – disse um tanto nostálgico. – Foi o melhor primeiro show que alguém poderia ter, mas esse outro ingresso é pra você levar Izumi. Uma forma de aproveitar o que vocês foram privados de viver. Me desculpe se não foi um presente exclusivo pra você.
Para minha surpresa, os olhos de Itachi se encheram de lágrimas e eu não entendi o porquê. Ele estava pensativo e emocionado, queria poder fazer alguma coisa, mas não sabia o que!
O toque gentil em minha testa, feito por meu irmão me despertou e foi nesse momento que eu soube o quanto Itachi estava grato e não fora apenas pelo ingresso pro show da sua banda preferida.
— Eu tenho orgulho do homem que você se tornou, irmãozinho! – sua voz era embargada e uma lágrima escapuliu do seu olho esquerdo. – Obrigado!
(...)
Cheguei no trabalho e para minha surpresa a minha sala estava vazia. Nem Juugo e Suigetsu – que voltaria hoje pra trabalhar – não tinham chegado ainda.
Larguei a mochila sobre a mesa e fui até a máquina de café colocar o café – obviamente – pra fazer.
Me sentei confortavelmente em minha cadeira office, com o café fumegante em mãos, me permiti relaxar num silêncio que não durou dois minutos.
— Já está aqui, Sasuke? – disse Suigetsu invadindo a sala com toda a sua falta de educação. – Você não dorme, não?
— Bom dia pra você também, Suigetsu. – retruquei mal humorado. – ao contrário de uns e outros, eu chego no horário.
— Nossa, quanto bom humor pela manhã. Você deve estar mais azedo que esse café em suas mãos.
— Ah, vai se foder, Suigetsu.
Ignorei aquele traste do cabelo platinado e fui ligar meu computador. Trabalhar era a melhor coisa que eu deveria fazer.
— Ter que aguentar seu mau humor sozinho pela manhã é torturante. Senhor, tem de piedade mim, ó pai! – Suigetsu levantava os braços clamando aos céus. Haja paciência.
Revirei os olhos em resposta.
— Juugo não vem trabalhar hoje? – indaguei.
— Vem, mas só pela tarde. Ele vai ao dentista pela manhã, e de quebra, vai dormir até mais tarde aquele cretino.
Deixei meu amigo falando sozinho e antes de voltar a me concentrar no computador a minha frente, resolvi mandar mensagem para minha namorada.
Era tão bom chamar Sakura de namorada de novo, ao mesmo tempo que parece irreal, parece tão certo, e de fato é!
Chega de análises, sejamos práticos.
Eu:
Bom dia!
Venha logo!
Como eu sabia que ela não responderia agora, provavelmente já estaria no hospital, voltei a me concentrar no computador a minha frente... Até ser interrompido por Suigetsu novamente.
— Tenho que te agradecer por me apresentar aquela sua amiga ruiva. – eu não sei se era coisa da minha cabeça, mas os olhos de Suigetsu pareciam estar brilhando.
— Pensei que você odiasse a Karin. – falei o óbvio.
— Eu também... mas pelo visto me enganei. Eu ainda vou casar com aquela mulher.
Eu ri.
Ri não.
Gargalhei.
Karin, casar?
Era mais fácil ela voltar a ser virgem!
Suigetsu me olhava indignado, mas era impossível outra reação da minha parte.
Eu apoiava o casal, mas vamos com calma. Casamento é demais.
— Boa sorte. – disse assim que recuperei o fôlego. – Eu vou de vestido a esse casamento!
— Pois vá preparando o seu modelito. – ri diante de sua fala e ele ficou mais indignado ainda. — Viva e verás, Uchiha Sasuke!
— Estou morrendo de medo, cara de peixe!
(...)
O restante do dia foi extremamente corrido, até mesmo o almoço em família pra comemorar o aniversário de Itachi. Minha mãe fez um almoço bem gostoso e foi tudo muito tranquilo.
Desde que Sakura voltou pra Tóquio, minha mãe e eu voltamos as “boas”. Talvez ela tivesse alguma esperança de que minha flor de cerejeira ficasse por lá mesmo. Ledo engano!
Ainda estava um pouco difícil sustentar essa situação. São apenas as duas mulheres mais importantes pra mim. Uma é minha mãe e a outra a mulher da minha vida.
A minha sorte no meio disso tudo é que todo mundo lá em casa, exceto dona Mikoto, apoia meu envolvimento com Sakura. Meu pai sempre adorou aquele projeto de 1,60 de altura. Meu irmão nem se fala, às vezes parece que Sakra é mais irmã de Itachi do que eu sou dele. E ainda tem Izumi, que depois que passou a conhecer a Haruno melhor, guardaria ela no pote e a alimentaria com dango.
Paciência é a palavra de ordem por enquanto.
— Sasuke... – escutei Juugo me chamar, me despertando da terra dos sonhos de olhos abertos. – Você não vai se arrumar pra ir embora não? Já deu nossa hora.
Notei que Juugo e Suigetsu arrumavam suas mochilas, enquanto minha mesa estava numa pequena bagunça.
— Ele devia estar pensando na mulher de cabelos rosas, a Sakura. – disse Suigetsu de forma zombeteira. – A única pessoa que cavou fundo o suficiente pra achar um coração enterrado nesse peito.
Era mesmo um idiota esse cara.
Juugo caiu na risada. Outro idiota.
— Da próxima vez eu mando Sakura costurar sua boca em vez do seu braço. – disse seco. – Babaca.
— Calma aê, Sasuke. Foi só uma brincadeira. – se defendeu. – Você devia sorrir mais, achar graça das coisas.
— Nunca gostei de palhaços e isso aqui não é um circo, então não, não tem graça.
— Melhor irmos. – falou meu amigo de cabelos laranja, sempre apaziguador. – Essa sala está pequena demais pra qualquer embate mais sério.
— Culpa da Sasuke, todo esquentadinho sem motivo.
— Vai à merda, Sugetsu! – bradei.
— Dá pra parar vocês dois? – Juugo, o cara mais paciente que eu conheço estava perdendo a paciência. – Mas será possível! Um dia lindo como esse e vocês nessa briga toda. Que saco! – ele falava, enquanto saía da sala nos deixando para trás.
— Dia lindo?! Que porra foi essa de dia lindo? – indaguei pra Suigetsu.
— Lembra que ele foi ao dentista hoje? – assenti em resposta a Suigetsu. – Pois é, mas era a dentista. Dentista essa que ele está caidinho e acabou chamando ela pra sair.
— Puta que pariu, Juugo flertou num consultório odontológico? – só pode ser brincadeira uma hora dessa.
— Qualquer lugar é lugar, Sasuke!
De fato era, mas vamos combinar que também é estranho.
— Agora imagina a merda... – continuou Suigestu. – Juugo meu amor, você não pode comer doces, obturei três dentes seus! Juugo meu amor, é assim que se passa o fio dental! Juugo meu amor, o que acha de um aparelho nesses dentes? – meu amigo fazia uma voz afeminada estranha, mas estava engraçado.
— Você não vale nada, cara.
— E qual de nós está valendo muita coisa?
— Não me compare com você. – disse por fim e saí da sala.
(...)
Cheguei em casa apenas para tomar um banho e ir por Byakugan para comemoramos o aniversário de Itachi entre amigos. Izumi já estavam lá por sinal.
Tomei um banho gelado e vesti uma bata preta que Sakura adora. Ela disse que os três botões na gola da camisa são charmosos e combinam comigo. Vai entender.
Antes de sair de casa, vi que ela tinha mandando mensagens. Nesse tempo mais afastado a gente vivia assim... WhatsApp, Skype, telefonema. Mas tem vezes que a saudade aperta forte!
Irritante Teimosa:
Boa tarde ♥
Pode deixar, que venho voando!
Bem que ela poderia mesmo estar aqui. Não só pelo fato de matar a saudade, mas pra ela se divertir mesmo. Ultimamente ela só vive para o trabalho.
Ela não pensaria duas vezes em largar algo pra atender um paciente, por exemplo.
Mas o que eu poderia fazer, além de aproveitar os intervalos, não é mesmo?
Eu:
Voando, correndo, de trem, teletransporte... Qualquer coisa
Só te quero aqui
Estou saindo para o aniversário de Itachi
Quando voltar te mando mensagem...
Te amo
Cheguei no Byakugan e todos já estavam lá, pra alguém pontual como eu isso é péssimo. De todos os rostos presentes, o único que não era meu amigo era Deidara. Colega de trabalho e amigo de Itachi e funcionário do meu pai. Já tínhamos nos visto umas duas ou três vezes nos eventos da Construtora, mas nunca interagi com ele. Olhando bem, ele poderia ser irmão gêmeo de Ino, era parecidíssimo com ela.
Cumprimentei a todos e depois me concentrei numa conversa com Neji, Itachi e Naruto. Estávamos em frente ao balcão enquanto Neji cozinhava um ensopado de porco com legumes. O cheiro estava divino.
— Então, Sasuke-teme como você está sem a Sakura-chan? – indagou Naruto só pra mim;
— Levando. Sábado ela já vai estar aqui. – não quis abrir muito o jogo, não gosto de me mostrar tão sentimental assim aos outros. – Está tudo tranquilo.
— Saí daí, Sasuke! Tudo tranquilo, você é mesmo um cretino mentiroso. Está se roendo de saudades que eu sei!
— Se você já sabe, por que pergunta então, dobe?
— Ai meu Deus, vocês já estão brigando? – se intrometeu Itachi. – O que Sasuke fez, Naruto?
— Ele não admite que está com saudade da Sakura-chan. Diz que está levando tudo tranquilo.
Essa falsa indignação de Naruto não convencia ninguém.
— Tranquilo porra nenhuma. Eles se falam TODO dia. – disse Itachi dando uma ênfase ao todo. – Ele até depila o saco com ela longe. Devem tá fazendo sexo pelo Skype, certeza.
Ah vá pra puta que pariu!!!!!
Naruto ria como uma hiena e Itachi apenas me olhava com aquela cara cínica dele. Eu não mereço uma coisa dessas.
Me concentrei no sakê, enquanto torcia pra Naruto morrer engasgado, mas infelizmente isso não aconteceu!
A conversa voltou ao seu estado normal até...
— SAKURA-CHAN... – ouvi Naruto e não entendi o porque, até olhar na mesma direção que ele. – É ELA TEME!
Sakura, a minha Sakura, estava parada na porta de onde estávamos. Seus olhos verdes brilhavam e sorriam junto com sua boca. Meu coração parecia querer gritar e eu senti naquele momento que eu poderia fazer qualquer coisa que eu quisesse.
Ela veio correndo na minha direção, ignorando protestos de Hinata e até mesmo de Ino, e se jogou nos meus braços.
A apertei tanto que fiquei até com medo de sufocá-la. Seus cabelos úmidos exalavam seu cheiro característicos de frutas vermelhas. Tão pequena, tão linda, tão cheirosa e tão minha!
— Como assim, você aqui? – indaguei enquanto afagava seus cabelos, ainda atônico com a presença dela aqui.
— Resolvi fazer uma surpresa... – ela disse contra o meu pescoço. O ar quente da sua boca fez com que eu me arrepiasse. – Gostou da surpresa?
— Claro que eu gostei. – encostei nossos lábios, mas não tirava meus braços envolta do seu corpo. – A melhor surpresa que eu poderia ter.
Ela estava radiante, não conseguia para de admirá-la. Mas também notei seus olhos cansadas e sua carinha de quem acabou de acordar.
— Opa... será que eu ouvi surpresa? – pra variar Itachi brotou da terra e atrapalhou nosso momento. – Como o aniversário é meu, a surpresa é minha.
Sakura saiu dos meus braços e eu queria socar muito meu irmão!
— Feliz aniversário, Ita-kun! – ela dizia sorridente.
— Obrigado, rosinha. Estou me sentindo importantíssimo hoje com a sua ilustre presença aqui!
— Não se sinta tão importante assim. – me meti. – Não foi de você que ela estava com saudade. – falei convencido e passei o braço direito pela cintura de Sakura.
— Hoje é seu aniversário por um acaso? – apenas revirei os olhos em resposta – Pare de se achar o último ticket dourado da Fantástica Fábrica de Chocolate!
— Nem você, a última garrafa de água do deserto! – disse trazendo Sakura pra mais perto de mim
— Por favor! – interviu minha pequena. — Não briguem, estou aqui pelos dois, ok? – sorriu pra mim e pro sem noção do meu irmão.
— Own, que fofa! – falou Itachi. – Meu irmão é todo seu, rosinha. – finalmente aquele idiota se retirou.
Ela se jogou nos meus braços mais uma vez e chocou seus lábios com os meus. Como eu senti falta daquele beijo. Como eu senti falta dela toda!
O beijo era acolhedor, me preenchia, aquecia... Era apenas Sakura e eu.
Ou quase!
Nos afastamos em buscar de ar e sorrimos um para o outro. Ouvi alguns muxoxos e passei a olhar em volta e me arrependi de ter feito aquilo.
O ruivo, aquele ruivo maldito que estava com Sakura, que beijou a minha Sakura na porta desse mesmo restaurante.
— O que aquele ruivo tá fazendo aqui? – olhei para aquele imbecil e se meus olhos fossem espadas esse cara seria uma peneira agora mesmo.
— Ah, aquele é Sasori. – Sakura dizia alegre, mas ela me avaliava – O meu amigo de Tóquio que fez faculdade comigo, eu te falei dele, lembra? – então esse idiota é o tal de Sasori?
Mas eles não eram amigos?
Que eu saiba, amigos não beijam na boca um do outro.
Excluindo Sakura e eu dessa regra, obviamente.
— Então, esse é Sasori? –perguntei enquanto olhava de um pro outro
— É sim! Vem! – me pegou pela mão enquanto me puxava na direção do cabelo de menstruação – Vou apresentar vocês.
Paramos em frente em frente ao tal de Sasori, que conversava com Itachi e Deidara.
— Com licença, meninos. – disse Sakura e puxou Sasori com a outra mão – Sasori esse é Sasuke, Sasuke este é Sasori.
Analisei aquele ruivo de cima abaixo. As imagens que presenciei dele com Sakura na frente do mesmo restaurante em que estávamos voltavam com força a minha mente junto a análise que eu fazia dele.
Quando Sakura comentou comigo do tal amigo Sasori, ainda em Suna, eu senti um desconforto com relação ao cara, mas não poderia imaginar que eram a mesma pessoa. Na época em que eu o flagrei com Sakura nós não tínhamos nos entendido ainda. A ideia era ter me entendido com ela naquele dia, se esse cabelo de ketchup estragado não estivesse no meu caminho.
— Prazer, Sasuke! – disse o tal de Sasori dirigindo sua mão direita até a mim. – Akasuna no Sasori
No fundo, eu sabia que tinha de ser racional!
Mas não é como se fosse fácil. Eu não o conhecia e aquela cena não ajudou.
Sakura — com todo seu jeito carinhoso — me deu uma cotovelada na costela que doeu pra cacete por sinal, e me acordou pra realidade.
— Sasuke, Saso tá falando com você. – ela disse sem graça depois de me bater.
Estendi minha mão o cumprimentando de volta. – Sasuke. – disse apenas meu nome da forma mais seca possível, mas isso não pareceu ter assustado Sasori. Já Sakura não gostou nada, nada e me olhou com cara de poucos amigos. Fingi que não vi!
— Docinho, ele é ainda é mais bonito que nas fotos. – disse o tal de Sasori pra Sakura. Mas que porra é essa de docinho? Qual a necessidade desse apelido?
— É porque você ainda não viu o resto, Saso! – Sakura piscou maliciosa para o Akasuna. – Pode ficar ainda melhor!
OK, QUE PORRA É ESSA AQUI?
SOU ALGUM TIPO DE PIADA INTERNA?
— Sakura já falou de mim pra você? – indaguei como quem não quer nada, da forma mais impassível que consegui.
— Muitas vezes. – o ruivo respondeu um tanto divertido demais pra meu gosto. – Sei tudo sobre você, Uchiha Sasuke!
— Cala a boca, Sasori. – Sakura o repreendeu eu fiquei analisando a discussão deles apenas pelas trocas de olhares direcionados de um para o outro.
— Você conhece Sasori, Sakura? – disse Itachi, como um Pokémon brotando da terra mais uma vez, só que com Deidara ao seu lado.
— Conhece sim, Itachi-san. – respondeu Sasori animado demais para meu gosto.
— Nos conhecemos na faculdade, em Tóquio, obviamente. – MINHA namorada continuou. – Fomos colegas de classe, estágio e moramos juntos um período até ele vol...
ALERTA VERMELHO: ELES MORARAM JUNTOS.
ELES MORARAM JUNTOS.
— Vocês moraram juntos? – perguntei mais rápido que o Flash e nem esperei Sakura terminar de falar.
— Sim. – respondeu Sasori. – Depois eu voltei pra Suna e a Saky continuou em Tóquio. Perdemos um pouco de contato na época, até ela ir pra Índia e perdermos o contato de vez. Nos reencontramos mês passado no hospital do pai dela, onde eu trabalho agora por sinal. Provavelmente a Saky deve ter te contado tudo isso, não é docinho? – ele indagou a Sakura, que ficou muda e passou a me encarar como se lesse todos os questionamentos em minha cabeça.
Sakura e Sasori moraram juntos?
Sakura foi pra Índia?
Se reencontraram mês passado e eu nunca soube? Ou pelo menos ela não sabe que eu sei!
Até que ponto é essa amizade?
E por que ela nunca conversou sobre isso comigo?
O silêncio foi constrangedor, mas a minha cabeça não parava de questionar todas essas situações e atitudes. Eu queria mesmo entender o silêncio de Sakura diante de tudo isso, principalmente ter escondido Sasori.
— A comida está pronta. – disse Neji pra todos e um pequeno alvoroço começou dentro daquela sala. – Venham se servir!
— Pessoal, teremos bastante tempo para conversar, que tal comermos agora? – Itachi interviu, quebrando aquele clima que tinha se instaurado na nossa conversa. – A comida de Neji é divina. Vamos? – então meu irmão tocou meu ombro e trocou um rápido olhar comigo como dissesse “agora não, depois vocês conversam”.
Apenas assenti em resposta, e antes de me virar para acompanha-lo notei que Deidara e Sasori trocarem olhares de quem não entendeu nada, e percebi que Sakura estava de cabeça baixa. Preferi ignorá-la, pelo simples fato de não querer brigar com ela, ou por deixar meu orgulho falar mais alto.
Fui me servir junto com os amigos. Eu estava chateado, mas também estava com fome e isso só me deixava mais chateado.
As meninas, principalmente Ino, pararam Sakura no meio do caminho até o balcão para se servir de comida para conversarem. Pelo que pude notar, Ino conhecia Sasori e parecia bem íntima assim como Sakura e aquilo só me deixou mais alerta ainda.
Comi, apenas por estar com fome mesmo, mas não prestei atenção na conversa com Itachi, Neji e Naruto em momento nenhum. Fiquei observando Sakura, que quase não comia nada e só brincava com a comida no prato. Ela sorria com os amigos, mas seus olhos estavam cansados e tristes. Me senti mal por ter me comportando daquele jeito, mas seria pior se eu não o fizesse. Não queria pagar de inseguro e nem brigar com ela.
Em um desses momentos em que analisava Sakura, ela me pegou a olhando e sorriu pra mim. Um “te amo” mudo saiu de seus lábios e eu senti meu coração bater mais forte. Eu era mesmo um idiota se duvidasse do que essa mulher sentia por mim, mas eu precisava aprender a controlar minha insegurança. Dei um sorriso de canto e voltei a comer.
— Teme, o que você tem? Por que não está grudado na Sakura-chan? – indagou Naruto ao meu lado. Neji e Itachi tinham ido as panelas para se servirem outra vez. – Pra quem estava morrendo de saudades, você deveria estar lá, grudado naquele pescoço.
— Ela está ser divertindo com os amigos, não quero atrapalhar e nem marcar em cima. – falei indiferente, embora na minha cabeça fosse ao contrário.
— Quantas vezes eu te disse, que você não sabe mentir pra mim? Qual o motivo de você não estar lá ao lado dela? Ou simplesmente não a chamou pra ficar conosco aqui?
— Não queria falar sobre isso aqui e nem agora. – disse dando de ombros.
— Você vai falar agora sim. Abre logo essa boca, teme.
— Caralho, Naruto. Não vou falar e pronto.
— Vou falar com Itachi pra fazer piada do seu saco depilado na frente de todo mundo, e você sabe que ele vai fazer!
— Você não teria culhões pra fazer uma coisa dessas. – falei de forma ameaçadora.
— Acho que os culhões em jogo não são os meus por aqui. – respondeu meu amigo de forma cínica. Se um dia eu tive vontade de matar Naruto, essa vez ultrapassou todas elas. – Fala logo, Sasuke!
— Podemos sair daqui então? – eu não acredito que iria ceder a um capricho de Naruto. – Vamos lá pra fora.
— Certo. Vou dizer a Hinata que vou pegar alguma coisa no carro e vamos. – apenas assenti em resposta.
Naruto falou com Hinata e seguimos pra frente do restaurante. Sakura estava entretida numa conversa com Izumi e não notou quando eu sai. Chegamos na porta do restaurante e Naruto não deixou nem eu respirar.
— Fala logo, teme. Qual é o seu problema?
— Aquele ruivo lá na sala. O tal de Sasori. – soltei uma lufada de ar pesada.
— O amigo da Saky? – ele indagou e eu apenas assenti. – O que tem ele? Achei Sasori um cara maneiro... Espera aí... não vai me dizer que tá com ciúme do cara, né?
— Eu peguei ele e Sakura aos beijos, aqui mesmo no Byakugan. – despejei tudo de uma vez e vi Naruto esbugalhar os olhos pra mim.
— Você tá louco, Teme? A Sakura-chan e o Sasori? – bufou de incredulidade diante da minha afirmação. – Você viu errado, com certeza.
— Uma pessoa de cabelo rosa e outra com cabelo vermelho, você acha mesmo que eu vi errado, Naruto? – levantei os braços em desespero.
— Quando foi que isso aconteceu?
— Na semana seguinte ao seu casamento, você e Hinata ainda estavam em lua-de-mel. – suspirei como quem busca coragem pra revisitar aquela cena que não saía da minha cabeça. – Depois de tudo que aconteceu entre Sakura e eu, do seu casamento até o atendimento que ela prestou a minha mãe lá em casa, eu fiquei pensando sobre nós dois e cheguei à conclusão de que deveria ao menos conversar com ela e tentar achar um jeito de dar certo.
Naruto escutava atentamente a tudo que eu falava.
— Na noite que vi Sakura com Sasori, eu tinha passado na sua casa, assim que sai do trabalho, para conversar com ela. – continuei.- Apertei aquela campainha mil vezes e nada dela atender. Esperei, mas ela não chegava nunca. Desisti e decidi me encontrar com os meus amigos, que estavam no Mokuton aquela noite. – suspirei já vendo aquela cena novamente. — Pra minha surpresa, eu avistei Sakura na porta do restaurante ao lado de Sasori. Eles sorriam um pro outros íntimos demais para o meu gosto. Não bastasse os sorrisos, aquele filho da puta levou Sakura até o carro e deu um beijo nela. Fiquei puto, mais tão puto que só acelerei o carro e sai correndo como se não houvesse amanhã.
— Cara, do jeito que você falou parece que Sakura e Sasori estavam na maior pegação, vibe desentupidor de pia. – ponderou. – Mas ainda assim, acho estranho. Sakura trata ele da mesma forma que trata a mim ou o Gaara.
Ri sem humor.
— Antes fosse, Naruto. Mas eu sei o que eu vi. – eu tentava me acalmar, mas estava ficando impossível. – Ele levou Sakura ao carro e deu um beijo nela. Só de lembrar, eu sinto meu sangue ferver!
— Calma, aí teme. – Naruto tocou em meu ombro. – Você tem que entender que a Sakura-chan podia estar com quem quisesse, ficar com quiser. Você e ela não tinham nada, e depois das suas atitudes com ela, acho que ela não esperava uma espécie de trégua vindo de você. – olhei com raiva pra ele. Às vezes eu tinha sérias dúvidas de que lado Naruto estava. – Embora, eu ainda ache que eles são apenas amigos.
— Aham, amigos que ficam se pegando por aí. Sei... – disse com desdém.
— Eu tenho dois melhores amigos que formam um belo casal e advinha? Eles eram amigos no início. – brincou o dobe, mas não adiantou muita coisa. – Você já conversou com ela sobre Sasori?
— Não. Depois que nos entendemos, eu nem lembrava mais que esse cara existia. Imaginei que esse cara fosse um ficante ou coisa do tipo. Mas não, eles fizeram faculdade juntos, trabalharam juntos e vão trabalhar de novo, pra piorar eles ainda moraram juntos.
— Sasuke, calma. Você precisa conversar com a Sakura-chan pra esclarecer isso de uma vez.
— Eu sei, mas não quero. Não agora. – Naruto me olhou como se dissesse que eu deveria fazer o oposto disso. Ignorei. – Vamos voltar, eu preciso beber.
— É você quem sabe. – sussurrou meu amigo e eu o ignorei mais uma vez.
Voltamos até a sala onde estavam os nossos amigos e eu procurei logo pela garrafa de sakê.
Eu não conseguia interagir com ninguém, e nem mesmo Sakura tentava falar comigo. Essa atitude vindo da parte dela só está atestando culpa no cartório.
(...)
Depois de alguns sakês eu passei a me tornar mais sociável, mas ainda queria fazer churrasco de um certo ruivo. Ele tentou puxar conversa comigo algumas vezes, mas eu sempre o cortava e Sakura junto com Naruto me encarava em desgosto.
— Sasuke, posso saber o que você tem? – Sakura apareceu ao meu lado, enquanto eu enchia mais um copo de sakê. – Você me ignorou a noite inteira, deu patada no Sasori, na Ino, em Naruto e fica enchendo tomando sakê como se fosse água. Porra! Eu venho mais cedo, te faço uma surpresa porque estava morrendo de saudade e você me trata desse jeito.
— Lembrou que eu existo, Haruno? – falei cínico depois de tomar um belo gole de sakê. – Pensei que ia ficar a noite toda babando o ovo do seu amiguinho ali. – apontei pra Sasori.
— Eu sei que você existe, Uchiha. Você tá com ciúme de Sasori, é isso? – fingi que não era comigo e não respondi. Sakura bufou e me olhou com raiva nos olhos. – Pensei que você tinha passado dessa fase, Sasuke. Obrigada por estragar minha noite.
— Não há de quê! – levantei o copo do sakê como quem faz um brinde.
(...)
A noite foi chegando ao fim, boa parte do pessoal tinha ido embora.
Depois de ter brigado com Sakura eu não lembrava de muita coisa. Sei que Itachi e Naruto tinham chamado minha atenção e disseram que eu era um idiota.
Agora eu estava sentando no banco do carona do meu carro, preso pelo cinto de segurança e escoltado por Naruto e Itachi. Eles estavam putos.
Olhei pro lado e vi Skaura junto daquele ruivo maldito mais uma vez. Ela pegava uma mala no carro daquele filha da puta.
As coisas não paravam de piorar.
Eu era corno!
Oficialmente corno!
Na frente dos meus amigos, eu era o corno da história.
Mas eu não tinha forças pra brigar.
Eu era um corno e bêbado. Quão clichê isso pode ser?
Pelo menos eu sou bonito e inteligente!
Chupem essa!!!
— VAI PROCURAR UMA MULHER SOLTEIRA PRA VOCÊ PEGAR, CABELO DE ÁGUA DE SALSICHA MISTURADO COM SANGUE DE GALINHA!!!! – gritei pra o filha da puta do Sasori. — A SAKURA JÁ TEM NAMORADO, SEU IMBECIL RUIVO!
(...)
Minha cabeça latejava. Parece que alguém tinha feito dela bola de beisebol e meteram o taco como se não houvesse amanhã.
A claridade invadia meu quarto e piorava tudo.
— Caralho! – bradei sentindo a cabeça pesar 50 kg.
— Olha, senão é a Bela Adormecida. – ouvi a voz de Sakura a 10 mil decibéis. – Aliás, não dá pra te chamar de Bela Adormecida. Princesas não se comportam como você se comportou ontem Uchiha Sasuke.
Olhei pra ela e minha nossa, que MULHER!!! Sakura estava ainda mais linda do que já é, e por uns 10 segundos eu tinha me esquecido que ela brigava comigo. Culpa daquela maldita saia branca, que emperra zíperes e revela calcinhas minúsculas.
— Não grita, Sakura. Minha cabeça está doendo.
— Acredite querido, eu não estou gritando, mas vontade é o que não me falta. Posso saber o motivo daquele comportamento de ontem, Sasuke?
— Posso saber como vim parar na cama? Ou melhor, como cheguei em casa?
Sakura bufou e me encarou com olhos verdes furiosos. – Eu trouxe você pra casa e Itachi me ajudou com você. Ele te trouxe até o quarto e te deu um banho. – suspirou enquanto massageava as têmporas e me encarou outra vez. — Agora me responda o porquê daquele comportamento de ontem. Por que você tratou Sasori com toda aquela indiferença e a mim também? Aliás, a todos. E ainda proferiu palavras ridículas pra quem quisesse ouvir.
Antes de responder a Sakura, flashes da noite anterior invadiram a minha mente. Lembrei dela me trazendo pra casa e fazendo mil perguntas, só que eu não estava nem aí. Lembrei de Naruto e Itachi dizendo que era um idiota, nossa que momentos lindos.
— Responde, Sasuke! – Sakura disse entredentes.
— Eu vi vocês dois se beijando na frente do Byakugan semanas atrás! – falei me levantando num pulo da cama. – Eu vi vocês dois de sorrisinho um pro outro e juntinhos como se fossem namorados. Eu vi Sakura, eu vi. Ninguém me disse não.
— Então você viu errado, porque Sasori e eu nunca fizemos isso. Somos apenas amigos, Sasuke. Apenas isso.
— NÓS TAMBÉM ÉRAMOS! – gritei descontrolado e senti minha cabeça latejar. – E VEJA SÓ, SOMOS NAMORADOS.
— Mas Sasori e eu nunca passaremos da amizade, Sasuke. – por incrível que pareça, Sakura estava calma e seu tom de voz era tranquilo. – Por dois motivos. O primeiro é porque eu te amo, seu imbecil. E o segundo é porque da fruta que eu gosto, Sasori chupa até o caroço.
— Hã? – não entendi porque diabos as frutas estavam ali. – Não coloque frutas no meio pra fugir da sua culpa, Sakura.
— Você é mesmo um idiota.
— Agora vai me ofender, é? – eu estava puto. – Você fica se agarrando com seu amigo e o idiota sou eu! Sabe, você deve ter razão.
— SASORI É GAY, SASUKE.
— O QUE?
— Isso mesmo que você ouviu seu idiota! – gritou possessa. — Ele gosta de homem, Sasuke. Pênis, rola, piroca, pica, pau, vara, jeba, mastro, pinto ou o nome que você quiser dar. Sasori é homossexual, Sasuke. Esse é segundo motivo do porque nunca seria possível eu e ele, embora o primeiro motivo fosse o suficiente.
— Não acredito. – caí sentado na cama diante dessa pequena – grande – notícia sobre o amigo de Sakura.
— Mas é verdade e todo mundo percebeu isso ontem, menos você.
— Como assim todo mundo percebeu? – olhei pra Sakura que agora tinha os olhos marejados.
— Sasori estava acompanhado do namorado ontem. Ele e Deidara são um casal.
PUTA QUE PARIU.
PUTA QUE PARIU.
EU
FIZ
UMA
MERDA
MUITO
GRANDE!
Só agora eu entendi o motivo da troca de olhares entre aqueles dois, mas eu estava tão cego que não enxerguei o óbvio.
— Caralho! – soltei um suspiro profundo depois de analisar os fatos. Tudo estava na minha cara. – Mas eu vi você e o água de salsi,, quer dizer, Sasori na porta do Byakugan na maior intimidade. Eu vi ele te colocando no carro e te beijando.
— O que você viu foram dois amigos cuidando um do... Espera... – Sakura pareceu ponderar e eu só pensei em uma coisa: FODEU. – FOI VOCÊ! CLARO, QUE FOI VOCÊ!
— Eu o que? – perguntei me encolhendo, quando vi Sakura vindo em minha direção apontando o dedo pra mim de forma acusadora.
— FOI VOCÊ QUE QUASE ATROPELOU SASORI. – explodiu. – Sasuke, você quase matou uma pessoa por conta dos seus ciúmes. Você tem noção do quanto doentio é isso?
— Sakura!! – fui em sua direção, mas ela desviou.
— Não me toca. – disse prontamente sentando na poltrona do meu quarto encolhida como uma criança. Seus olhos estavam carregados de lágrimas.
— Sakura, por favor, me escuta. – eu estava desesperado. – Eu não tentei atropelar ninguém, eu juro. Eu fiquei com raiva sim, eu não nego, mas eu apenas acelerei o carro, não tive intenção de jogar no ruivo. Por favor, Sakura!
Ela chorava como criança, e aquilo estava me partindo em mil pedaços.
— Eu estava lá Sasuke, eu vi. – respondeu tentado segurar os soluços. – Por que você fez aquilo? Você não queria me ver em pintada. Tinha me dito tantas coisas e agiu daquela forma. Não condiz uma coisa com a outra.
Desisti de buscar contato físico e me sentei na cama outra vez. Não era nem meio-dia ainda e eu já estava esgotado àquela hora da manhã.
— Eu te procurei naquele dia na casa do Naruto. – Sakura me encarou com os olhos arregalados ainda cobertos pelo choro. – Eu pensei e repensei e decidi que tínhamos de arrumar um jeito de nos entendermos. Mas eu cheguei lá e você não estava, esperei, mas você nunca chegava. – suspirei cansado sentindo a cabeça pesar mais uma vez. — Meus amigos do trabalho tinham me chamado naquela noite para tomarmos um sakê artesanal no Mokuton que fica ao lado do Byakugan e eu decidi ir pra descontar minha frustação na bebida e conversar com os amigos. Mas eu te vi ali, naquela rua na maior intimidade com um cara que eu nem conhecia. Fiquei sem chão, foi como se eu tivesse te perdido mais uma vez. Meu sangue ferveu, Sakura. Eu ia conversar com você e de repente, você estava nos braços de outro. Foi demais pra mim, então eu apenas acelerei e saí correndo dali.
Encarei Sakura, que ainda tinham os olhos marejados, mas não chorava mais. Era um misto de confusão estampado em seu rosto, que não me permitia ler o que ela estava sentindo.
Decepção? Frustração? Raiva?
Ou todas as alternativas anteriores, se você preferir!
Um longo silêncio se abateu entre nós até a voz de Sakura reverberar pelo quarto outra vez.
— Por que você nunca falou de Sasori comigo? Por que nunca perguntou do ruivo que você viu comigo? – fiquei em silêncio, tomado pela vergonha dos meus atos e pensamentos. – ME RESPONDE, SASUKE.
— Porque eu pensei que fosse apenas um ficante ou algo do tipo. – sussurrei. – Nunca tinha visto Sasori pela cidade, podia ser um turista talvez. E bom, você não me devia satisfações de todo o jeito. – admiti a contra gosto deixando meu orgulho de lado.
— Por que você nunca pergunta de forma espontânea sobre os nove anos que eu passei longe? Por que você sempre espera fatos externos acontecerem pra saber sobre algo meu passado quando estávamos afastados? – Sakura estava cansada e parecia lutar consigo mesma. – Eu pensei que você tinha me perdoado, mas parece que não. Sempre acontece alguma coisa e voltamos à estaca zero. Por que, Sasuke?
— Porque você foi embora, caramba! – bradei. – Porque você me deixou e eu não consigo fingir que isso não existe. É normal eu me senti inseguro, meu ciúme é plausível.
— Eu nunca te pedi isso, pelo contrário, sempre quis conversar sobre esse tempo Sasuke. Mas você sempre foge, se esquiva e só chegamos a conversar quando acontece algo, como foi o caso de Idate em Suna. Eu entendo sua insegurança, mas seu ciúme não. Eu fui embora por mim mesma. Outro homem não foi o motivo d’eu ter deixado você e Konoha pra trás, e você sabe disso.
— Eu sei. – mais uma vez deixei meu orgulho de lado. – Eu fui, eu sou um idiota. Me desculpa Sakura, por favor. – implorei indo em sua direção. Eu me sentia culpado, eu sou culpado.
Mas a decepção no rosto de Sakura deixava tudo ainda pior. Eu pude sentir o peso que ela carrega por ter ido embora anos atrás, e como a minha atitude o tornava ainda mais pesado e insuportável.
Todo meu ressentimento e a minha atitude era como uma punição pra ela, porque tudo soava como um falso perdão. Ela sabia e eu também, que se continuasse dessa mesma forma, esses nove anos sempre seriam colocados na mesa e usados como desculpas de nada nunca ter funcionado entre nós dois depois dele.
Sakura veio em minha direção e afagou meu rosto com sua mão macia. Ela não chorava mais, mas seus olhos exalavam dureza, mágoa e culpa.
— Não é só a mim, que você deve desculpas Sasuke. Na verdade, você não me deve nada se nem ao menos perdoar você consegue. – sussurrou contra minha pele. – Você deve desculpas a Sasori, pelas suas atitudes e palavras que disse a ele ontem. Sasori foi um amigo especial que surgiu, um irmão que me ajudou a seguir em frente quando eu achei que não conseguiria mais, passamos por muitas coisas que você não faz ideia e talvez nunca chegue a ter.
— Sakura... – falei num sussurro desesperado.
— Bom, eu preciso ir agora. – tirou seu rosto da minha mão. – Eu volto pra Tóquio ainda hoje, por volta das cinco da tarde.
— Eu te levo ao aeroporto. – sugeri como um doente que se agarra vida forçando uma respiração que lhe preencha os pulmões.
— Não precisa. Na verdade, eu não quero. – suas palavras teriam sido menos dolorosas se talvez ela me batesse. – Eu preciso de um tempo pra pensar e você também. Não quero brigar, por isso eu te peço que respeite esse meu pedido. Eu preciso ir agora. Adeus, Sasuke!
Sakura me deu um beijo na testa, pegou sua mala, sua bolsa e saiu do meu quarto sem olhar pra trás.
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